SONECA DIURNA AUMENTA O RISCO DE DIABETES

Dormir intencionalmente durante o dia pode aumentar o risco de diabetes do tipo 2 em adultos mais velhos.A soneca diurna, realizada na maioria dos dias da semana, parece elevar o risco de diabetes em 28%  entre adultos com 50 anos de idade ou mais. Esta associação persistiu mesmo após a exclusão dos participantes com problemas de saúde que causavam sonolência diurna, disse o Dr. Neil G. Thomas (Universidade de Birmingham, Inglaterra), pesquisador principal do estudo.

Os investigadores examinaram a glicemia de jejum (níveis de açúcar no sangue), bem como, o hábito de dormir durante o dia, em 19.567 homens e mulheres chineses, com idades de 50 anos ou mais. As mulheres  representavam 71% da amostra estudada. A maioria dos participantes - 67,2% - dormia durante o dia pelo menos uma vez  por semana. 

Cerca de dois terços dos indivíduos tiravam sua soneca diurna uma hora depois do almoço, e 16,3%  durante à tarde.Os episódios de sono diurno duravam em média 60 minutos. prevalência total de diabetes do tipo 2 foi de 13,5% na população estudada, no entanto, este percentual aumentava para 16,1% entre os indivíduos que costumavam  tirar uma  soneca todos os dias.

voltar


ESTUDO LIGA RISCO DE CÂNCER HEPÁTICO A HIPOTIREOIDISMO

Mulheres com hipotireoidismo (distúrbio que diminui a produção de hormônios) podem ter risco três vezes maior de desenvolver câncer de fígado do que aquelas que não têm a doença, sugere estudo realizado por pesquisadores do MD Anderson Cancer Center (EUA), publicado neste mês na revista científica "Hepatology".

De acordo com os pesquisadores, se a mulher também tiver diabetes, o risco é aumentado em 9,4 vezes. E se ela somar o hipotireoidismo a hepatite B ou C crônica, o risco de ter a doença aumenta 31,2 vezes. A mesma condição não foi observada entre os homens --por razões ainda não explicadas.

O estudo foi realizado com base nas respostas a um questionário aplicado para 420 pacientes em tratamento contra o câncer no fígado e para um grupo controle, formado por 1.104 pessoas teoricamente sadias.

Entre os pacientes com câncer entrevistados, 12% afirmaram ter hipotireoidismo e, no grupo controle, 8% relataram ter a doença. Para os pesquisadores, a diferença é suficiente para estabelecer uma relação até então não quantificada entre as duas doenças.

Como o hipotireoidismo provoca uma deficiência na quantidade de hormônios circulando no organismo e altera toda a função metabólica --aumentando os níveis de colesterol, por exemplo--, os pesquisadores acreditam que isso pode aumentar o risco de a pessoa desenvolver esteato-hepatite (acúmulo de gordura no fígado) e, consequentemente, aumentar o risco de cirrose ou do desenvolvimento de um tumor.

A endocrinologista Ana Luiza Maia, chefe do Setor de Tireoide do Hospital das Clínicas de Porto Alegre e professora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), diz que o estudo tem um impacto muito forte por sugerir que a disfunção na tireoide, sozinha, apresenta um risco aumentado de a mulher desenvolver um tumor hepático -quinto câncer mais incidente do mundo.

"Os resultados me surpreenderam. Existem alguns estudos que relacionam o hipotireoidismo com problemas hepáticos [no caso, a esteato-hepatite], mas nenhum trouxe uma associação direta entre a disfunção tireoidiana e o risco de câncer", afirma a professora.

Maia ressalta, entretanto, que o estudo não deixa claro se as mulheres que tratam adequadamente o hipotireoidismo também têm o risco aumentado.

"Teoricamente, quem trata a doença não tem mais a alteração hormonal e não vai ter problemas hepáticos. Assim, sairia do grupo de risco", diz.A endocrinologista Laura Sterian Ward, vice-presidente do Departamento Nacional de Tireoide da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) diz que os resultados apresentados "parecem reais estatisticamente", mas critica a metodologia.B". É um estudo que tem como referência as respostas pessoais dos pacientes. Os pesquisadores não dosaram os hormônios TSH e T4 [relacionados ao hipotireoidismo] no grupo controle para confirmar a existência da doença. Informação pessoal pode ter erro", avalia.

Para Felipe José Fernández Coimbra, cirurgião oncológico e diretor do Departamento de Cirurgia Abdominal do Hospital A.C.Camargo, os resultados podem se tornar mais uma ferramenta de acompanhamento dos fatores de risco em mulheres com predisposição a câncer hepático (que somem alcoolismo, obesidade e diabetes).

"Não é todo mundo que tem hipotireoidismo que vai ter câncer. Esse é um dos primeiros estudos a mostrar uma relação direta entre a doença da tireoide e o aumento de risco para o tumor de fígado. Acho que os resultados mostram uma relação aumentada de risco e não de causa", afirma Coimbra. Para o cirurgião, os hepatologistas devem ficar mais atentos a alterações no funcionamento da tireoide. "Os dados são mais uma arma para prevenir o hepatocarcinoma, combinados ao tratamento da hepatite, do diabetes e do alcoolismo".

voltar


AS FACES DO TRANSTORNO BIPOLAR

Há dias em que a euforia bate no céu. Em outros a depressão leva ao fundo do poço. A novidade sobre essa gangorra de emoções é que os cientistas confirmam a suspeita de que uma molécula presente no cérebro e no sangue pode apontar a predisposição para a doença (sim, é doença!) com boa margem de segurança. É como levar uma vida dupla. Uma hora a euforia toma conta e leva o organismo ao seu limite de excitação, até mesmo sexual. É energia que não acaba mais, a ponto de o sono tornar-se quase desnecessário. Perde-se a capacidade de julgamento e a autocrítica e há quem se torne irritadiço.

Para descrever esse estado de ânimo os médicos utilizam o termo mania. Ela é um dos extremos de uma doença caracterizada por uma profunda instabilidade de humor, o qual oscila entre esse estado eufórico intenso e o seu oposto, a depressão. Para os portadores do transtorno bipolar, doença que há poucos anos era conhecida como psicose maníaco-depressiva, encontrar o equilíbrio entre as duas pontas das emoções radicais é como tentar andar sobre um terreno movediço.

É o pessoal do oito ou oitenta. Diferente de quem tem um humor saudável, os que sofrem desse transtorno não costumam ser previsíveis ou flexíveis e também não respondem com proporcionalidade aos estímulos. Acredita-se que 1% da população mundial conviva com o tipo 1 da doença, considerado o mais grave. Pode até parecer pouco, mas na verdade o transtorno bipolar é um tormento para muito mais gente. Estima-se que cerca de 5% dos brasileiros tenham instabilidades de humor em algum grau.

Feitos os cálculos, os brasileiros alterados somam aproximadamente 9 milhões. Muitos deles nem sabem do próprio distúrbio. Outros, ainda pior, são tratados da maneira errada. Nesses casos o diagnóstico costuma ser esquizofrenia ou simplesmente depressão.

Sabe-se que essa é uma doença em grande parte determinada pelo histórico familiar. Uma criança que tem um dos pais com transtorno bipolar apresenta uma probabilidade de 15% a 20% de manifestar o mesmo problema. Um estudo, realizado com gêmeos idênticos, mostrou ainda que, se um deles tem a doença, o risco de o outro também vir a ser uma vítima é de 80%.

A mais recente descoberta sobre a origem do mal vem de um grupo de pesquisa do Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Os cientistas andavam em busca de uma pista sobre a relação entre o transtorno bipolar e a molécula BDNF (sigla em inglês para fator neurotrófico derivado do cérebro), cuja atuação na memória já era bem conhecida. As evidências dessa ligação ficaram muito claras em seu estudo.

O trabalho mostrou que os bipolares têm menos BDNF no sangue do que as pessoas normais. Quanto menores os teores no sangue, maior a gravidade da doença. Como os níveis dessa molécula são ditados pela genética, a esperança é de que ela possa vir a ser um marcador da doença. O teste ainda é experimental, mas deverá se tornar rotina médica nos próximos anos.

Como todo distúrbio da mente humana, a bipolaridade também é determinada pela maneira como lidamos com as adversidades. Muitas vezes pode-se herdar o gene que leva a uma predisposição, mas, sem um evento estressante, o transtorno não se desenvolve. Em caso de estresse emocional ou abuso de drogas, os riscos ficam de quatro a cinco vezes maiores. O problema geralmente dá as caras no final da adolescência e no início da vida adulta, mas as crianças também são o alvo. Na infância, aliás, não raro ele ser confundido com distúrbio do déficit de atenção e hiperatividade. Crianças diagnosticadas assim, mas que não respondem ao tratamento, podem ter na realidade o transtorno bipolar. Descobrir a doença cedo e controlá-la o quanto antes ajuda seu portador a levar uma vida normal.

As oscilações do humor podem ser trágicas. Uma depressão prolongada, daquelas que chegam a durar meses ou mesmo anos, muitas vezes são o estopim de uma tentativa de suicídio. No outro extremo, o da mania, algumas semanas de crise são suficientes para pôr toda uma vida a perder. Relações são desfeitas e o dinheiro economizado por décadas, torrado em poucos dias. Não há cura para o transtorno bipolar, mas, como outras doenças crônicas, trata-se de um mal controlável.

Em casos de bipolaridade, os remédios conhecidos como estabilizadores do humor são fundamentais para o tratamento do tipo 1 e para alguns pacientes do tipo 2, como os médicos chamam uma forma mais moderada do transtorno. Qualquer que seja o tipo, porém, o maior problema costuma ser a resistência do paciente a tomar os medicamentos. Um dos motivos está nos efeitos colaterais.

O lítio, por exemplo, que ainda é uma das drogas mais usadas, pode provocar ganho de peso, tremores, aumento do apetite e retenção de líquido um sufoco que, parece, as mulheres têm ainda mais dificuldade para enfrentar. Porém, os benefícios são muito maiores do que os efeitos colaterais. Mas é bom que fique claro: nenhum remédio, sozinho, opera milagres. Ele pode restaurar o equilíbrio químico dentro do cérebro, mas e as emoções?

Hoje, até os cartesianos mais ferrenhos já deixaram de considerar a mente e o corpo como estruturas absolutamente separadas. No caso do transtorno bipolar, diga-se, estão intimamente ligadas. E é aí que entra a psicoterapia, como peça fundamental do tratamento dos bipolares. Não se trata de uma doença mental apenas, mas um mal sistêmico que afeta o indivíduo como um todo.

Esse paciente requer uma equipe multidisciplinar. Descobriu-se que os pacientes bipolares têm no cérebro uma quantidade menor de enzimas antioxidantes em comparação com o resto da população. Essas substâncias são essenciais para a manutenção da saúde ao evitar mutações genéticas que podem dar início ao câncer, por exemplo.

Os bipolares têm maior incidência de morte por tumores, doenças cardiovasculares e diabetes. A busca é por métodos que permitam aos pacientes ficar livres não só das alterações do ânimo, mas de outros danos.

Doença do corpo e da mente, a bipolaridade também pode se enquadrar em outra categoria, a de doença social. Afinal de contas, muitas vezes não é o transtorno em si o que mais preocupa os pacientes, mas a reação das outras pessoas. Em outras palavras, é preconceito mesmo. E contra isso muitas vezes o melhor antídoto é fazer parte de um grupo. O convívio social faz parte da terapia porque o doente discute situações comuns a todos os portadores e um ajuda o outro.

Ora, se a vida é dupla e a doença é tripla, a conta só fecha porque as soluções são múltiplas. O sobe-e-desce das emoções. As fases eufóricas são chamadas de mania. As mais brandas, de hipomania. Podem durar de alguns dias até longos meses, assim como as fases da depressão.


OBESIDADE REDUZ ATÉ DEZ ANOS DE VIDA

Um IMC (índice de massa corporal) superior a 30 kg/m2 leva à diminuição da expectativa de vida em até dez anos. É o que mostra uma meta-análise realizada com 57 estudos e dados de quase 900 mil pessoas com idade média de 46 anos e divulgada na edição on-line do periódico "The Lancet". Pesquisadores da Universidade de Oxford (Reino Unido) viram que, em índices acima de 25 kg/m2, o acréscimo de 5 kg/ m2 eleva em 30% as taxas gerais de mortalidade. O trabalho também aponta que o IMC entre 30 e 35 (indicador de obesidade leve) foi responsável pela redução de dois a quatro anos na expectativa de vida e, entre 40 e 45 (obesidade grave), por de oito a dez anos.

"Excesso de peso encurta o tempo de vida. Na Grã-Bretanha e nos EUA, pesar um terço a mais do que o ideal diminui a vida em três anos. Para a maioria das pessoas, significa carregar de 20 kg a 30 kg a mais. Se você está se tornando gordo, deixar de ganhar peso também poderia adicionar anos à sua vida", explica o epidemiologista Gary Whitlock, líder do estudo. No Brasil, os riscos também são altos: 13% da população têm IMC acima de 30 e, portanto, são considerados obesos, de acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde.

"Os pesquisadores falam muito sobre conscientizar a população: dizer que você vai viver cinco anos a menos se estiver obeso tem um impacto muito maior do que dizer que aumenta o risco de gordura no fígado ou outras colocações", afirma o endocrinologista Márcio Mancini, presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica). Entenda-se por "outras colocações" maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e apneia do sono, entre outras doenças. Além disso, o excesso de tecido adiposo dificulta a apalpação em exames clínicos e diminui a precisão de exames de diagnóstico, criados para pessoas com peso normal.

O IMC é a principal forma de medir sobrepeso e fatores de risco relacionados à obesidade. Especialistas, entretanto, afirmam que a medida na circunferência abdominal tem se mostrado importante para detectar riscos especialmente em pessoas que apresentam IMC normal ou até 30. Isso porque a gordura abdominal tem um perfil metabólico danoso ao organismo, podendo elevar os níveis de triglicérides no sangue, de gordura no fígado e desencadear processos inflamatórios que causam arterosclerose. "Não é raro encontrar pacientes com peso normal e excesso de gordura abdominal", diz Mancini.

Para medir corretamente a cintura, deve-se passar a fita métrica em volta do abdômen relaxado na metade da distância entre a última costela e os ossos do quadril (crista ilíaca), esclarece Walmir Coutinho, endocrinologista da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia). Outro método, reforçado por estudos recentes, é a medição do pescoço. Um trabalho americano divulgado na semana passada mostrou que um pescoço mais grosso é indicativo para teores mais elevados de colesterol no sangue.

De fato, pessoas com tendência a acumular gordura na região do pescoço geralmente costumam reunir mais gordura no tronco. Diâmetro superior a 40 cm indica riscos e a necessidade de procurar um médico.

voltar


ALTA PREVALÊNCIA DE HEPATITE C ENTRE EX- ATLETAS
PODE TER RELAÇÃO COM USO DE VITAMINAS INJETÁVEIS

Uma alta prevalência de hepatite C entre ex-atletas com histórico de uso de vitaminas injetáveis foi apontada em estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) e publicado na edição de dezembro da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A relação, de acordo com o trabalho, comprova a hipótese de um novo grupo de risco para a doença, o que pode levar a mudanças na prática médica. "Trata-se da primeira vez que a relação entre injetáveis lícitos e hepatite C é demonstrada com base na comparação entre grupos expostos e não expostos a esses estimulantes. Estudos anteriores meramente descritivos apenas sugeriam essa associação", disse Afonso Dinis Costa Passos (na foto), professor do Departamento de Medicina Social da FMRP e coordenador do estudo.

O grupo analisou 208 ex-atletas profissionais e amadores de futebol e basquete que praticaram essas atividades entre 1960 e 1985 e que responderam a um questionário sobre a exposição a fatores de risco à doença, sobretudo sobre o uso de estimulantes injetáveis.

"Chegamos aos primeiros indivíduos do estudo por indicação do ex-jogador Sócrates, profissional que se formou em nossa universidade e que foi atleta profissional na época de análise do trabalho. E há muito tempo vínhamos recebendo uma parcela significativa de pacientes com hepatite C em nosso ambulatório que não apresentavam nenhum fator de risco conhecido para a doença", disse Passos.

Amostras de sangue dos indivíduos também foram colhidas para detectar a infecção pelo vírus da hepatite C, sendo que os casos positivos foram confirmados por meio do método de reação em cadeia da polimerase (PCR). A prevalência da doença na totalidade dos participantes foi de 7,2%, variando para 5,5% entre os amadores e 11% entre os profissionais.

Os resultados do levantamento mostraram ainda que o uso de injetáveis era uma prática difundida entre os participantes (24,5%), chegando a 50,8% nos jogadores profissionais. Em ambas as categorias, amadores e profissionais, a presença de infecção foi significativamente maior entre aqueles que admitiram ter usado estimulantes injetáveis no passado.

Dos 63 jogadores profissionais analisados, 32 declararam ter tomado estimulantes há décadas e, desses, 21,9% tiveram diagnóstico de hepatite C após a coleta de sangue. Dos 31 jogadores que não tomaram, nenhum tinha a doença. "Por sua vez, dos 145 jogadores amadores, 19 ingeriam estimulantes, sendo que 36,8% desses eram positivos. Dos 126 que não tomavam vitaminas injetáveis, apenas um tinha a doença, ou 0,8%. Essas diferenças são muito grandes", disse Passos. Segundo ele, sempre foi comum associar a hepatite C com o uso de drogas injetáveis ilícitas na prática médica, mas historicamente sua relação com o uso de injetáveis lícitos tem sido negligenciada.

"Os profissionais da saúde que hoje trabalham com o diagnóstico e tratamento de hepatite C sempre tiveram a impressão de que essa associação existia, o que agora estatisticamente, do ponto de vista epidemiológico, é demonstrado pelo presente estudo", afirmou. De acordo com a pesquisa, entre as substâncias lícitas usadas pelos participantes do trabalho estão a glicose e outros produtos comercializados com os nomes de tiaminose, energizan e glucoenergan, esse último relatado pela maioria dos atletas como o mais frequentemente utilizado.

O glucoenergan foi desenvolvido na década de 1960 como um supressor do apetite e seu uso popular ocorreu entre os atletas a partir desse período. "Essa medicação era administrada no vestiário, antes da prática esportiva, normalmente com seringas e agulhas reutilizáveis, que eram submetidas ao processo de fervura entre as aplicações", disse Passos.

"Mas é preciso deixar claro que não era o glucoenergan ou as outras drogas injetáveis os responsáveis por causar a doença, e sim o modo de aplicação. Na época, as seringas e agulhas não eram descartáveis e o processo de fervura não era capaz de inativar o vírus da hepatite C, que contaminava a agulha e era transmitido entre os indivíduos", explicou o professor, lembrando que as seringas descartáveis só começaram a ser disponibilizadas no Brasil a partir da metade dos anos 1970.

voltar


CÂNCER SERÁ A DOENÇA MAIS FATAL DO PLANETA EM 2010

O câncer deverá superar as doenças cardiovasculares como primeira causa de mortalidade no mundo em 2010, revela estudo do Centro Internacional de Pesquisas contra o Câncer da OMS (Organização Mundial de Saúde). O principal é o fator do aumento do tabagismo, principalmente em países em desenvolvimento. Segundo o relatório, os casos de câncer dobraram entre 1975 e 2000, e devem duplicar novamente entre 2000 e 2020. Em 2030, o câncer poderá matar 17 milhões de pessoas, contra os 7,6 milhões de óbitos que provocou em 2007, adverte o relatório.

"Este rápido aumento dos casos de câncer representa um autêntico desafio para os sistemas do mundo", revela Peter Boyle, diretor do centro de pesquisas contra a doença. A maioria dos países desenvolvidos restringiu o fumo em lugares públicos, incluindo locais de trabalho e restaurantes, o que contribuirá para uma redução ainda maior dos casos de câncer nos próximos anos, segundo o estudo. No entanto, advertiu de que, perante o sucesso das campanhas, as empresas de cigarro concentraram sua atenção nas nações em desenvolvimento --principalmente China, Rússia e Índia--, onde são capazes de investir em "um nível de publicidade sem precedentes".

"Mais da metade dos casos e dois terços dos óbitos por câncer ocorrem nos países com nível de renda baixo ou médio. Os países em desenvolvimento, onde a população crescerá 38% até 2030, não têm meios para lutar de forma eficaz contra o câncer", destaca o relatório. O consumo de cigarro, a dieta excessivamente rica em gordura e hábitos alimentares cada vez menos saudáveis favorecem o aumento do câncer. Esta combinação de fatores causa crescente estrago nos países emergentes, que copiam o modelo da vida ocidental.

Se não forem adotadas medidas para conter este avanço, poderá haver 27 milhões de casos de câncer a cada ano no planeta até 2030, e outras 75 milhões vivendo com a doença durante os cinco anos seguintes a seu diagnóstico. Em 2007, foram registrados 12 milhões de novos casos de câncer, entre os quais 5,6 milhões ocorreram em países em desenvolvimento. No total, 7,6 milhões de pessoas morreram, sendo 4,7 milhões nos países em desenvolvimento.

O cigarro, consumido por cerca de 1,3 bilhão de pessoas no planeta, é a primeira causa evitável de mortalidade e de enfermidade. "O controle do consumo de cigarro é o mais importante que podemos fazer para combater esta doença", ressaltou no ato o ciclista Lance Armstrong, ganhador de sete Tours da França, que foi diagnosticado com câncer de testículos em 1996 e ficou conhecido também por sua luta contra a doença.

voltar


PSICODERMATOSE, UM NOVO FENÔMENO

A dermatologia ganhou uma importante aliada no tratamento de diversas doenças de pele, como herpes, psoríase e vitiligo: a psicologia. Segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a causa dos problemas de pele de nada menos do que um em cada três pacientes é emocional — como estresse, ansiedade e depressão. O fenômeno já ganhou até nome: psicodermatose.

“Psicodermatose é toda doença de pele causada por um componente psicológico. Se o indivíduo tiver predisposição genética, qualquer momento de estresse, como a demissão no trabalho ou a separação dos pais, por exemplo, pode desencadear reações como acne, vitiligo ou psoríase”, alerta Márcia Senra, coordenadora do departamento de psicodermatologia da SBD.

Segundo Patrícia Aguiar, coordenadora do núcleo de psicodermatologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio de Janeiro (SBDRJ), os pacientes somatizam os momentos de tensão das mais diferentes formas. Dois exemplos clássicos de psicodermatose são o da estudante que tem acne bem às vésperas do vestibular e do funcionário que sofre com herpes labial quando perde o emprego.

“Na maioria das vezes, o médico começa a desconfiar de que se trata de psicodermatose quando a doença foge ao controle do tratamento convencional. Nestes casos, cremes e pomadas já não surtem mais efeito.

Além disso, não é todo paciente que tem consciência desta relação de causa e efeito. Muitos, inclusive, não querem admitir que o problema é de cunho emocional”, afirma Patrícia. A jornalista Rebeca Dorigo, 26 anos, é uma das que custaram a acreditar que a sua dermatite seborréica (caspa) era provocada por estresse. A primeira vez em que ela sentiu coceira no couro cabeludo foi há três anos, após desavença com a futura sogra. “Para piorar, um mês antes do casamento fiquei desempregada. Não havia pomadinha que desse jeito. Felizmente, voltei outra da lua-de-mel. Mesmo assim, ainda recorro a remédios para alergia e ansiedade. E procuro também tomar chás, florais de Bach e fazer shiatsu para aliviar as tensões”, diz.

Mas não é todo paciente que, a exemplo de Rebeca, tem consciência de que aquela irritação na pele é provocada por distúrbio emocional. Para Márcia, cabe ao dermatologista descobrir o que há por trás daquela aparentemente inofensiva coceirinha no braço: “O ideal é que o tratamento seja multidisciplinar. Afinal, é o psicólogo que vai ensinar ao paciente como enfrentar a real causa daquele problema.”

Quando não é detectado e, principalmente, tratado a tempo, o problema pode evoluir para quadros de automutilação. Márcia cita o caso da paciente que supostamente sofria de queda de cabelo. Um dia, ela descobriu que a própria paciente arrancava deliberadamente os tufos da cabeça. Já Patrícia relata o exemplo da paciente que, de tanto coçar a pele, chegou a formar verdadeiras feridas.

“O impacto do estresse na vida de uma pessoa é individual. Tudo depende da maneira como ela vai administrar o baque. A grande maioria nem desconfia que aquele problema de pele é causado por falta de dinheiro ou aborrecimento no trabalho. Nestes casos, cremes e pomada só surtirão efeito se integrados a outros tratamentos, como terapias em grupo ou remédios para depressão”, sentencia Márcia. (07/07/08)

voltar

40% DOS PORTADORES DE APNÉIA DO SONO SÃO DIABÉTICOS

A Federação Internacional de Diabetes, durante o Congresso da Associação Americana de Diabetes apresentou os resultados da comissão que estudou a relação entre Apnéia do Sono e diabetes. Os especialistas chamaram a atenção para o fato de que as evidências científicas são de que 40% dos portadores de apnéia do sono sejam diabéticos.  

As duas doenças causam enormes prejuízos não só à saúde como também à economia global. Estima-se que o diabetes custe aos Estados Unidos, China, Japão e Índia mais de US$ 200 bilhões por ano. O custo da apnéia do sono ainda não foi computado pelas autoridades de saúde. Se pensarmos que a doença diminuiu a produtividade e é fator de risco para o aparecimento de várias doenças crônicas esse custo pode ser muito grande.

Trabalhos científicos têm mostrado que o tratamento da apnéia do sono pode diminuir a glicemia de jejum e facilitar o controle a longo prazo do diabetes. A baixa qualidade do sono, nos portadores de apnéia obstrutiva, aumenta o impacto e realimenta dois fatores de risco para o diabetes, a obesidade e as alterações psiquiátricas.

Indivíduos que não dormem bem não conseguem se exercitar e ficam obesos com mais facilidade. E a qualidade do sono é fator desencadeante de stress e depressão que por sua vez podem aumentar a risco da obesidade.

A Federação Internacional do Diabetes recomenda que os pacientes com diabetes tipo 2 tenham seu padrão de sono avaliado para que se possa diagnosticar corretamente a existência de apnéia do sono. Da mesma forma os portadores de Apnéia do Sono devem ser investigados quanto a presença do diabetes.

 

voltar

TRANSTORNOS ALIMENTARES SÃO COMUNS ENTE ADOLESCENTES

Um a cada cinco adolescentes que participaram de duas pesquisas da Universidade de Turku, na Finlândia, admitiram já terem apresentado problemas alimentares recentes. Foram avaliados 372 estudantes com idades entre 15 e 17 anos, que responderam a um questionário duas vezes com um intervalo de um ano. Aproximadamente 13% reportaram problemas em uma das pesquisas, e outros 5% admitiram problemas nas duas oportunidades.

E os autores destacam que a principal causa seria a ansiedade – “nós notamos que estudantes que reportaram sofrer de ansiedade no início da adolescência eram 20 vezes mais propensos a ter problemas alimentares em curso”. E as meninas eram duas vezes mais propensas a ter problemas ocasionais com a alimentação, principalmente por causa da aparência, e cinco vezes mais propensas a um problema alimentar mais recorrente do que os meninos. (05/06/08)

voltar

NOVAS DROGAS REDUZEM EFEITOS DE SINTOMAS DA TPM

Estima-se que 30% a 35% das mulheres em idade fértil sejam vítimas da tensão pré-menstrual (TPM). Terror de maridos e afins, a TPM pode provocar também grandes prejuízos à carreira profissional daquelas que sofrem alterações mais bruscas dos níveis de hormônio a cada ciclo de menstruação. Mas, o que poucas vítimas de TPM crônica sabem é que o mal tem cura e é possível conviver com a síndrome. Novos tipos de medicamentos têm revelado eficácia no controle dos sintomas.

Entre eles, humor alterado, irritabilidade e agressividade, acompanhados de dores, sintomas que são capazes de interferir em qualquer relação. Uma vez diagnosticada, a TPM, moderada ou severa, pode ser tratada com uma droga lançada recentemente, o Dieloft TPM. Ministrado durante 14 dias, o medicamento mantém o equilíbrio hormonal, reduzindo os efeitos da síndrome. Novos contraceptivos, com menor concentração hormonal, também têm se mostrado eficazes no controle dos sintomas.

A TPM é provocada pela descarga hormonal que precede a liberação de óvulos, predominantemente do hormônio progesterona. Paralelamente, há uma diminuição da serotonina, substância produzida pelo organismo e que causa sensação de bem-estar. “A progesterona exacerba a dor e a mulher se torna mais suscetível à irritabilidade”, destaca a ginecologista Mara Diegoli, coordenadora do Centro de Apoio à Mulher com TPM, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Contudo, antes da mulher procurar qualquer tipo de terapia, a ginecologista aconselha que o primeiro passo a dar é buscar o autoconhecimento. “Eu recomendo que ela anote num diário todos os sintomas que sente durante o mês: dores de cabeça, cólicas, inchaço, irritação.

Se eles desaparecem logo após a menstruação, não se trata de TPM, pode ser um problema psíquico. Mas, se eles vão embora quando a menstruação chega, é preciso investigar para acertar no tratamento”, explica.

 

Para os casos mais leves, contudo, o tratamento dispensa medicação, mas requer alguns cuidados. Mara recomenda exercícios físicos para elevar os níveis de serotonina, evitar sal e café, para reduzir os inchaços e a ansiedade, falar apenas o necessário durante os períodos mais críticos, para evitar declarações agressivas, e adiar decisões importantes, a fim de não correr o risco de sair do emprego ou terminar um relacionamento movida por impulso.

E o mais importante: pratique o sexo. “A relação sexual, quando seguida de orgasmo, não somente reduz a tensão, mas também a irritabilidade e a congestão pélvica”, garante a ginecologista.

voltar

CRIANÇAS SÃO AS PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS POR ESPALHAR GRIPE

Doença cujos sintomas são geralmente confundidos com resfriados, a gripe tem nas crianças seu principal transmissor entre a população. É o que afirma o pesquisador Keith Reisinger, diretor médico e professor de pediatria da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia (Estados Unidos). De acordo com o especialista, crianças com idade escolar ou pré-escolar espalham de 10 a 20 vezes mais o vírus influenza --o vírus da gripe-- do que adultos.

Baseado em pesquisas realizadas nos EUA, Reisinger afirma que 1 em cada 3 crianças contraem o vírus, enquanto a proporção entre adultos é de apenas 1 em cada 10. "Estudos mostram que metade das crianças que freqüentam escolas são infectadas pelo vírus", diz. O médico norte-americano afirma que as vacinas contra a gripe são uma forma eficaz de se combater epidemias do vírus, mas contesta a política de alguns países de se concentrarem em vacinar os idosos em detrimento de outras faixas etárias. "São as crianças que devem ser imunizadas, pois são elas as responsáveis por espalhar o vírus."

Otavio Cintra, infectologista pediátrico da Sociedade Brasileira de Pediatria e Médico Assistente do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto aponta que apenas 30% das crianças são vacinadas contra o vírus da gripe. "Ainda há um conceito errôneo de que a vacina causa gripe", diz Cintra.

Reisinger, que viu o pai morrer na década de 80 por causa da gripe, aponta que o vírus e suas complicações são responsáveis por 22 mil mortes anuais no Brasil. De acordo com os especialistas, as mutações pelas quais o influenza passa dificultam o combate ao vírus e fazem com que o número de infectados aumente ou reduza de forma cíclica.

"No momento, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), vivemos em um período pré-pandêmico da gripe, ou seja, prestes a presenciar uma pandemia da doença", afirma Cintra.

Reisinger visitou o Brasil convidado pelo laboratório Roche, que anunciou o lançamento de um novo remédio destinado para o tratamento da gripe em crianças de 1 a 12 anos. O fosfato de oseltamivir --fármaco do Tamiflu-- atua como inibidor da neurominidase, responsável por separar o vírus influenza da célula para que ele possa infectar outras células no organismo. "A ação dele consiste em 'prender' o vírus naquela célula, fazendo com que ele morra junto com a célula e não contamine as outras", explica Cintra, também presente ao lançamento do remédio. O antiviral é recomendado para combater todos os tipos do vírus influenza que afeta os humanos, incluindo o H5N1, mais conhecido como o vírus da gripe aviária.

voltar

DENGUE É ALERTA

O Centre for Travel Medicine (CRM) com sede em Dusseldorf, na Alemanha, está alertando os viajantes para o destino da região sudoeste da Ásia, para os cuidados que devem ter para a possibilidade de contraírem a dengue, uma vez que os mosquitos estão ainda ativos na região e trazendo doenças infecciosas. A Tailândia e a Indonésia já tiveram 41 casos fatais com a doença, com mais de 5.171 pessoas infectadas com a febre da dengue. A época de chuvas na região começa em maio. Esta informação publicada na edição de hoje, 25/03, de um grande jornal da Austrália, mostra uma preocupação que certamente, será terrível para a imagem do Rio de Janeiro, quando o CRM conhecer os números de mortes e de pessoas infectadas pela dengue ( 26.668 casos) na cidade.

voltar

REFRIGERANTE EM EXCESSO PODE AFETAR CORAÇÃO

Tomar mais de um refrigerante ao dia – normal ou diet – pode aumentar risco de fatores que provocam problemas cardíacos, revela estudo publicado pelo Journal of the American Heart Association este mês (outubro/07). Professor da Universidade de Medicina em Boston e autor do Framingham Heart Study , Ramachandran Vasan alerta para o fato de que bebidas diet ou normal têm associação com o aumento do risco de problemas cardíacos.

Para aqueles que bebem um ou mais refrigerantes diariamente, há risco eminente de desenvolver síndrome metabólica, que é uma associação entre doença cardiovascular e diabetes, incluindo aumento da circunferência abdominal, pressão alta, triglicérides elevados, baixos níveis de HDL (bom colesterol) e elevação da glicose. A presença de três ou mais desses fatores predispõe a pessoa a desenvolver diabete ou doença cardiovascular.

Estudos anteriores estabeleceram relação entre o consumo de refrigerantes e múltiplos fatores de risco para doenças do coração. Os resultados obtidos revelaram que a associação existe não só para refrigerantes normais, como também para os dietéticos.

O estudo Framingham avaliou cerca de 9 mil pessoas entre homens e mulheres de meia-idade, pelo período de 4 anos, em três períodos diferentes. Concluiu-se que as pessoas que consumiam um ou mais refrigerantes por dia tinham 48% de chance de desenvolver síndrome metabólica, comparado àquelas que consumiam menos de uma unidade ao dia.

Num estudo longitudinal ,observou-se que das 6.039 pessoas avaliadas, que não possuíam síndrome metabólica, o consumo de um ou mais refrigerantes ao dia estava associado a um aumento de 44% no risco de desenvolver a síndrome.

Alerta importante

Os pesquisadores também observaram que, comparados aos participantes que bebiam menos de um refrigerante por dia, aqueles que bebiam uma ou mais unidades, apresentavam:

31% mais risco de desenvolver obesidade;

30% mais risco de desenvolver aumento de circunferência abdominal;

25% mais risco de desenvolver aumento de triglicérides ou aumento de glicose no sangue;

32% mais risco de ter reduzido o índice de HDL (bom colesterol).

Uma pequena amostra de participantes que consumiam, diariamente, refrigerantes normais ou dietéticos, também foi analisada. Observou-se que esse grupo tinha um percentual de risco de 50 a 60% de desenvolver síndrome metabólica.

“Ajustamos nossa analise para o padrão de dieta dos participantes que inclui ingestão de gorduras saturadas e trans, consumo de fibras, total de calorias consumidas, tabagismo e atividade física e ainda assim, observamos uma relação significativa entre o consumo de refrigerantes e o risco de desenvolver síndrome metabólica e múltiplos fatores de risco”, revela Dhingra, medico do Alice Peck Day Memorial Hospital, em New Hampshire.

voltar

HomeCare Plus
Todos os direitos reservados 2005