HIPERTENSÃO AVANÇA E ATINGE 24,4% DOS BRASILEIROS

A proporção de brasileiros diagnosticados com hipertensão arterial cresceu de 21,5%, em 2006, para 24,4%, em 2009. Os dados fazem parte de levantamento anual do Ministério da Saúde e foram divulgados nesta segunda-feira (26), Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão. No evento, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e representantes das sociedades brasileiras de Cardiologia, de Hipertensão e de Nefrologia lançaram uma campanha de alerta à população.

A pesquisa Vigitel, do Ministério, foi feita com 54 mil adultos e revela que a prevalência da doença aumentou em todas as faixas etárias, principalmente entre os idosos. Atualmente, 63,2% das pessoas com 65 anos ou mais sofrem do problema contra 57,8%, em 2006. O percentual de hipertensos não passa de 14% na população até os 34 anos. Dos 35 aos 44 anos, a proporção sobe para 20,9%. O índice salta para 34,5%, dos 45 aos 54, e para 50,4%, dos 55 aos 64 anos. Esse aumento na ocorrência da doença, de acordo com a idade, é resultado de padrões alimentares e de atividade física ao longo da vida, além de fatores genéticos, estresse e outros determinantes.

Mais de 63% dos brasileiros com 65 anos ou mais sofrem de hipertensão

De acordo com o Vigitel, a proporção de hipertensos é maior entre mulheres (27,2%) que entre homens (21,2%). A pesquisa também aponta que, quanto menor a escolaridade, mais casos da doença são diagnosticados. Entre os adultos com até oito anos de educação formal, 31,5% declaram que têm hipertensão. O porcentual cai para 16,8% se considerado o grupo de pessoas de nove a 11 anos de instrução.

Campanha

“A alimentação inadequada e o sedentarismo são aliados das doenças cardiovasculares. Quem costuma comer carne com gordura, deixa de lado alimentos saudáveis e não se exercita é forte candidato a ter pressão alta”, avalia a coordenadora do Programa Nacional de Hipertensão Arterial e Diabetes do Ministério da Saúde, Rosa Maria Sampaio.

A principal mensagem da campanha lançada hoje é: prevenir a pressão alta depende de escolhas individuais. São enfocadas ações como diminuir a quantidade de sal na comida e manter o peso saudável. Além disso, as peças da campanha incentivam o consumo de frutas e hortaliças e a prática frequente de exercícios.

O Ministério investirá R$ 1,5 milhão nessa campanha. Cartazes e fôlderes com orientações de prevenção e de tratamento serão distribuídos à população. As peças serão veiculadas em rádio e TV dos 27 estados brasileiros.

A hipertensão é considerada uma inimiga silenciosa da saúde porque não tem sintomas. Por isso, as pessoas devem medir regularmente a pressão e checar se ela está dentro da média, que é de 12 por 8. Apesar de não ter cura, a doença tem tratamento e pode ser controlada por medicamentos.

Sobre a hipertensão

A pessoa é considerada hipertensa quando a pressão arterial é igual ou superior a 14 por 9. A doença é causada pelo aumento na contração das paredes das artérias para fazer o sangue circular pelo corpo. Esse movimento acaba sobrecarregando vários órgãos, como coração, rins e cérebro. Se a hipertensão não for tratada, algumas das complicações são: entupimento de artérias, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e infarto.

CAFÉ APÓS ALMOÇO DIMINUI RISCO DE DIABETES EM 34%

Um estudo realizado por pesquisadores de Brasil e França com 70 mil mulheres encontrou indícios de que quem toma café na hora do almoço tem menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. Conforme avaliado, as mulheres que tomavam um copo pequeno ou mais café na refeição tiveram um risco 34% menor de desenvolver a doença.

O efeito foi observado em café com ou sem açúcar, cafeinado ou não. Já para quem bebia café fora do horário de almoço, não foi observado diminuição do risco de desenvolver diabetes.

Há duas explicações possíveis isso: o café pode ter diminuído o risco de diabete por retardar ou reduzir a absorção de uma parte da glicose adquirida no almoço. Ou a bebida pode ter protegido da diabetes porque, depois do almoço, costuma ser tomada sem leite. A pesquisa mostrou que apenas o café sem leite reduziu o risco de desenvolver diabetes.

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No entanto, ainda faltam mais estudos para que os profissionais de saúde possam dizer que beber café na hora do almoço previne, de fato, a diabete. Ainda precisamos de um maior número de estudos para chegar a uma recomendação. Há estudos de intervenção em andamento em algumas partes do mundo e estes resultados poderão esclarecer os mecanismos envolvidos no efeito da bebida no risco de diabetes, afirmou Daniela Sartorelli, nutricionista e professora da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Ela fez a análise dos dados durante o seu pós-doutorado no Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale , na França. O estudo envolveu a análise de dados de 69.532 professoras francesas do ensino público. As mulheres tinham entre 41 e 72 anos e foram acompanhadas, em média, durante 11 anos por pesquisadores franceses interessados em estudar a relação entre dieta e doenças crônicas, como o câncer e diabetes tipo 2.

Apesar de haver pelo menos 17 estudos mostrando que o café reduz o risco de desenvolver diabetes, esta pesquisa foi pioneira ao demonstrar que o horário em que o café é consumido pode interferir no efeito. Os dados estão em artigo publicado no American Journal of Clinical Nutrition.


TOSSIR PODE REDUZIR A DOR DURANTE INJEÇÃO

Algumas vezes, não há palavras capazes de confortar um paciente que com medo de injeções ou de tirar sangue. Entretanto, pode existir uma maneira simples e barata de abrandar a picada da agulha. Na literatura médica, ela é conhecida como o truque da tosse. O paciente deve tossir moderadamente logo antes da injeção, e mais uma vez durante o processo.

Não está claro como a técnica funciona. Poderia ser simplesmente uma questão de distração. Ou, como apontou um relatório no jornal "BMJ" ("British Medical Journal"), pode haver alguma relação com um leve aumento na pressão sanguínea, induzido pela tosse, que reduz a percepção de dor.

Qualquer que seja o mecanismo, estudos descobriram evidências intrigantes. Dois foram conduzidos em 2004, incluindo um estudo de três semanas onde médicos mediram varáveis como intensidade da dor, retirada da mão e suor na palma enquanto os participantes tinham agulhas inseridas em suas mãos --uma vez enquanto tossiam, e outra sem a tosse. A tosse, conforme descobriram, reduzia a dor.

Em outro estudo, publicado neste mês no jornal "Pediatrics", cientistas da Clínica Mayo tentaram o truque da tosse em 68 crianças, com idades entre 4 e 11 anos, que recebiam imunizações.

Eles descobriram que o truque suavizava a dor em crianças hispânicas e brancas, mas não em crianças negras --uma descoberta que eles não conseguiram explicar. E como qualquer método, esse também tinha falhas óbvias: tossir com força demais, por exemplo, podia fazer com que os médicos perdessem sua marcação.


CHECAR EMAILCOM FREQÜÊNCIA PODE SER SINAL DE ESTRESSE

Um estudo feito por cientistas britânicos afirma que pessoas que checam seus e-mails com muita freqüência podem estar sofrendo de estresse. O estudo de pesquisadores de universidades da Escócia - um matemático, uma técnica em informática, e um psicólogo - classificou os usuários em três categorias: relaxados, orientados e estressados. Os "estressados" se sentem pressionados a responder todos os e-mails na medida em que eles chegam e não usam o correio eletrônico como um instrumento útil para a vida pessoal e para o trabalho.

Os "relaxados" olham o e-mail quando bem entendem e não se deixam pressionar por pessoas que estão distantes. Já os "orientados" sentem alguma necessidade de usar o e-mail, sempre respondem às mensagens imediatamente e esperam o mesmo das outras pessoas.

A pesquisa foi feita com questionários respondidos por 177 pessoas - a maioria em profissões acadêmicas ou que envolvem comunicação e criatividade. Nestas atividades, que em geral requerem bastante concentração, o e-mail tem potencial para ser uma grande fonte de distração.

Entre os entrevistados, 64% disseram checar seus e-mails pelo menos uma vez por hora e 35% afirmaram que olham o correio eletrônico a cada 15 minutos. No entanto, os cientistas acreditam que a freqüência pode ser ainda maior, já que outras pesquisas mostram que muitas pessoas nem percebem mais o ato.

O estudo também analisa a influência que a auto-estima e o controle sobre a própria vida têm nos hábitos de ler e-mails, usando escalas definidas pela psicologia tradicional. A pesquisa indica que muitas das pessoas que disseram ter pouco controle sobre a própria vida estão na categoria dos "estressados" com e-mail. Já a baixa auto-estima é uma característica mais presente entre os "orientados", aqueles que sentem alguma pressão a olhar seus e-mails.

A pesquisa cita outro estudo feito em 2001, que mostra que, após pararem suas atividades para ler um e-mail, as pessoas demoram, em média, 1 minuto e 4 segundos para lembrar o que estavam fazendo.

"Enquanto essa contínua mudança pode parecer benéfica em termos de se conseguir administrar atividades múltiplas, aumentando assim a produtividade, o lado ruim disso é que o ritmo acelerado de trabalho pode ter efeitos negativos na saúde", diz a pesquisa dos cientistas britânicos. "Existe muita evidência que esse ritmo acelerado está ligado ao estresse." (29/08/08)

 

ENDORFINA PROTEGE CONTRA O CÂNCER

Os médicos sabem que o câncer progride mais rápido nos pacientes que não conseguem lidar com o stress gerado pela doença. As razões, entretanto, nunca foram muito claras, mas um estudo recente feito na Universidade Rutgers, em Newark, Estados Unidos, demonstrou que a beta-endorfina, peptídeo produzido no cérebro e associado à sensação de bem-estar, participa diretamente deste fenômeno.

Os pesquisadores transplantaram células-tronco neurais, geneticamente programadas para produzir beta-endorfina, no fígado de ratos machos, nos quais a administração de certas drogas induziu o desenvolvimento do câncer de próstata. Comparados a um grupo-controle, que não recebeu as células-tronco, esses animais foram mais resistentes ao tumor, porque a beta-endorfina fortaleceu sua função imunológica, estimulando particularmente as células conhecidas como “natural killer”, que atacam diretamente as células cancerígenas.

Segundo os autores, tais resultados abrem perspectivas terapêuticas na oncologia, que poderiam beneficiar principalmente os pacientes com a doença em fase inicial. Além disso, essa associação entre beta-endorfina e câncer poderia explicar, pelo menos em parte, porque pessoas com depressão, esquizofrenia e obesidade, cujos neurônios produtores desse peptídeo se apresentam em menor número, são mais suscetíveis a infecções e tumores. O estudo foi publicado nos Proceedings of the National Academy. (31/07/08)


EXERCÍCIO FÍSICO PROTEGE O CÉREBRO

Pesquisa mostra que o condicionamento físico diminui o impacto da doença de Alzheimer. O efeito protetor se manifestaria através de proteção ao cérebro, no início dos quadros de Alzheimer. A conclusão foi de pesquisadores da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos. Segundo os especialistas, o exercício está relacionado com a diminuição do volume cerebral que acompanha a doença.

Após acompanharem mais de 120 pacientes com idades acima dos 60 anos, a metade deles com quadro iniciais da doença de Alzheimer, os pesquisadores avaliaram as estruturas cerebrais dos dois grupos. Dentro do grupo com sinais de demência, aqueles que haviam praticado exercícios e que se mantinham condicionados fisicamente, não sofriam tanto do encolhimento do cérebro.

A alterações estruturais neurológicas foram detectadas por exames de ressonância nuclear magnética do cérebro. Para determinar o grau de condiconamento físico os participantes passavam por testes ergométricos em esteiras rolantes. A perda de volume da substância cinzenta e branca do cérebro são marcas da doença de Alzheimer e de outras patologias demenciais do idoso. Os indivíduos que não estavam condicionados fisicamente apresentavam nos exames de ressonância uma diminuição quatro vezes menor no volume cerebral comparados aos atleticamente treinados.

Já está comprovada uma relação direta entre a perda de volume do cérebro e as funções cognitivas. A partir desse conceito, um mecanismo que proteja os pacientes de perderem volume cerebral, também os poderia proteger da degeneração funcional da doença de Alzheimer.

Além da ação sobre o sistema cardiovascular, a prática de exercícios ajuda no equilíbrio psíquico dos pacientes, que passam a ter uma válvula de escape para o estresse e angústias do dia-a-dia. Também não podemos esquecer do lado lúdico e de socialização que acontecem durante as sessões de exercícios. O condicionamento físico já foi claramente demonstrado como uma atividade protetora do cérebro nas demências de origem vascular.

O aumento da circulação em todo o corpo e a melhor oxigenação das células trazidos pelo esforço programado ajudam a manter todo o organismo funcionando melhor. De qualquer forma, o que a pesquisa mostra de forma clara é que o condicionamento cardiovascular trazido pelo exercício não só evita os problemas vasculares, mas também pode significar que um coração saudável seja igual a um cérebro saudável.

REDUÇÃO DE ESTÔMAGO PODE REDUZIR OS RISCOS DE CÂNCER

A cirurgia de redução de estômago, além de permitir que os obesos mórbidos percam mais de 70% do excesso de peso e mantenham um peso mais saudável, pode reduzir seus riscos de desenvolver câncer, segundo estudo apresentado no encontro anual da American Society for Metabolic & Bariatric Surgery.

Diversos estudos vêm indicando que a obesidade é um sério fator de risco para o desenvolvimento de câncer. E a nova pesquisa da Universidade McGill, no Canadá, mostra que a cirurgia bariátrica pode reduzir, em mais de 80%, os riscos de câncer em obesos mórbidos.

No estudo, os pesquisadores compararam 1035 obesos mórbidos que se submeteram ao procedimento cirúrgico para redução do estômago com 5746 pacientes com o mesmo peso, mas que não passaram pela operação. E observaram que o primeiro grupo apresentou 85% menos diagnósticos de câncer de mama e 70% menos câncer de cólon e pancreático, além de menos casos de outros tipos de câncer do que aqueles que não fizeram a cirurgia.

"A relação entre obesidade e muitas formas de câncer é bem estabelecida" disse o Dr. Nicolas Christou, líder do estudo, acrescentando que "este é um dos primeiros estudos a sugerir que a cirurgia bariátrica pode prevenir o risco de câncer para uma porcentagem significativa das pessoas obesas mórbidas".

De acordo com os autores, a obesidade afeta o corpo de formas múltiplas, por isso uma simples hipótese pode não explicar completamente os resultados. Mas eles acreditam que essa relação pode ser, em parte, explicada pelo fato do excesso de gordura corporal ser responsável por um aumento na produção de hormônios, importante fator de risco para os cânceres de mama e de cólon.

 

Por isso, a mudança no metabolismo hormonal com a perda de peso explicaria a diminuição na incidência de câncer entre os pacientes que se submeteram ao procedimento cirúrgico. Como os resultados indicam que "a cirurgia bariátrica é uma ferramenta extremamente eficiente no tratamento da obesidade mórbida e suas conseqüências", os autores esperam que as autoridades de saúde pública se sensibilizem para a importância do procedimento no combate às doenças associadas à obesidade. (24/06/08)


ESTRESSE E DEPRESSÃO SÃO COMUNS APÓS INTERVENÇÃO CARDÍACA

O estresse e a depressão são comuns em pacientes submetidos a um procedimento chamado intervenção coronária percutânea, para desobstrução das artérias coronárias, segundo estudo apresentado, no Congresso da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, realizado no Recife.

De acordo com os autores, "as características psicológicas estão associadas com maior risco de eventos cardiovasculares maiores em vários subgrupos de pacientes, mas dados referentes a sua prevalência e influência no prognóstico em indivíduos submetidos a intervenções coronarianas percutâneas em nosso meio não são disponíveis".

Para investigar a prevalência de distúrbios como a depressão, a ansiedade e o estresse psicológico em pacientes que passaram pelo procedimento no coração, os pesquisadores do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul avaliaram 104 pacientes com média de idade de quase 61 anos que foram submetidos à intervenção coronária percutânea em um centro de referência. Entre os participantes, 28% já tinham sido submetidos a tratamento psicológico e 30% faziam uso de psicofármacos, segundo dados publicados na Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva.

E os resultados mostraram que 36% deles apresentavam personalidade tipo D, caracterizados como preocupados e tristes; 32% tinham ansiedade moderada ou grave; 27% apresentaram depressão moderada ou grave; e 66% encontravam-se com estresse, sendo que um quarto dos estressados estavam com a forma crônica ou grave desse problema psicológico. "A avaliação destas características tem sido investigada com o objetivo de uma estratificação mais acurada do risco de novos eventos cardiovasculares maiores após as intervenções coronárias percutâneas", concluíram os autores em publicação da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista. (20/06/08)

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