ESTRESSE COM ECONOMIA E SAÚDE ACELERA ENVELHECIMENTO

Preocupações com economia e o sistema de saúde, nos Estados Unidos, estão levando as pessoas a entrarem na meia-idade mais cedo, fazendo dos 35 anos de idade os novos 40, aponta um estudo feito pelo Centro Philips para a Saúde e o Bem-estar. A pesquisa mostrou que completar 40 anos era considerado um marco que definia a meia-idade. Mas isso mudou.

Cerca de 80% das pessoas com 35 anos entrevistadas pelo Index Philips disseram se preocupar com a economia, e 75% também se preocupam com o sistema de saúde. De acordo com o estudo, estas preocupações contribuem para a sensação de meia-idade.

A economia está no topo da lista dos causadores estresse para 74% dos americanos. O número representa quase o dobro das estatísticas levantadas em uma pesquisa realizada em 2004. Para quantidade semelhante de entrevistados, a visão sobre a própria saúde e bem-estar é positiva. Mas os pesquisadores dizem que os americanos, no geral, não encaram a saúde de forma realista.

Nas entrevistas, 39% disseram ter sobrepeso. Os pesquisadores compararam este número com o balanço feito pelo Centro Nacional para Estatísticas da Saúde, segundo o qual 67% dos americanos são considerados obesos. Mesmo assim, a maioria dos entrevistados disse ter boa saúde, 51% consideram que estão em boa forma e 66% desejam fazer mais exercícios físicos.

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PROBLEMAS CARDIOVASCULARES SÃO A PRINCIPAL CAUSA DE MORTE NA GRAVIDEZ

As duas principais causas de morte materna durante a gravidez estão diretamente ligadas ao coração – pré-eclâmpsia e cardiopatia –, que afetam aproximadamente 4% das gestantes, segundo a cardiologista Walkiria Samuel Ávila, do Instituto do Coração, em São Paulo. A pré-eclâmpsia é uma complicação na gravidez caracterizada por aumento na pressão arterial materna, edema e liberação de proteínas na urina.

Ela está associada a um aumento do risco de partos prematuros, hemorragias e baixo crescimento intrauterino. Segundo os especialistas, junto a outras condições cardiovasculares, esse problema é uma das principais causas de morte materna na gravidez.

De acordo com a cardiologista, “países como o Brasil, apresentam uma incidência maior de cardiopatias na gestação porque doenças que acometem mulheres jovens, como a valvopatia reumática, a doença de Chagas e a hipertensão arterial pulmonar devido à esquistossomose, não ocorrem em países desenvolvidos”.

Durante o Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, realizado no princípio deste mês, especialistas discutiram a importância do acompanhamento de um cardiologista na gravidez. “Durante a gravidez, é necessário que o médico conheça o ajuste da terapêutica, para se evitar os prejuízos ao feto sem comprometer a eficácia do tratamento materno; isso deve ser respeitado desde o início da gestação”, explica Walkíria Ávila. Para a médica, “o sucesso da gravidez fundamenta-se no seu adequado planejamento, e o pré-natal deve ser sempre feito em conjunto pelo obstetra e o cardiologista que conheçam bem cada caso”.

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CHEIRO DE OVO PODRE PODE LEVAR A NOVO TRATAMENTO CONTRA IMPOTÊNCIA

O composto responsável pelo cheiro de ovo podre – chamado sulfeto de hidrogênio – poderia oferecer uma nova forma de tratar a disfunção erétil, ou impotência sexual, segundo pesquisa do Prêmio Nobel de Medicina, Loius Ignarro, farmacologista da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. No estudo, os cientistas injetaram sulfeto de hidrogênio no pênis de ratos, fazendo com que os músculos relaxassem, o que permitiu maior fluxo sanguíneo no órgão, produzindo uma “animação suspensa”.

De acordo com os especialistas, esse seria um efeito similar ao conseguido com o uso do viagra. O Viagra e outras drogas similares funcionam estimulando a produção de óxido nítrico, que normalmente relaxa o tecido do pênis. O resultado físico do sulfeto de hidrogênio parece ser o mesmo – com o relaxamento do corpo cavernoso (estruturas de tecido erétil no pênis) –, porém ele explora uma cadeia diferente de “instrumentos moleculares”.

“É um processo totalmente diferente”, destacou o urologista Jim Cummings, da Universidade St.Louis. “Se ele funcionar em humanos, poderá ser uma forma de ajudar pessoas que não respondem ao viagra e outras drogas similares”, complementou o especialista.

Porém, para os resultados chegarem ao uso humano, poderá levar anos, senão décadas, segundo os especialistas. O objetivo será provavelmente desenvolver uma fórmula que poderia ser tomada em forma de comprimido, assim como os medicamentos atuais contra impotência, e que aumentaria a produção de sulfeto de hidrogênio no organismo.

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SÍNDROME DE BURNOUT PODE CAUSAR DESINTERESSE SEXUAL

Segundo a ISMA – International Stress Management Association 70% dos brasileiros sofrem conseqüências do estresse, mas 30% dos profissionais economicamente ativos sofrem de burnout. A síndrome de burnout, numa tradução livre do inglês significa combustão completa, é um estado de exaustão prolongada e diminuição de interesse, especialmente em relação ao trabalho, mas que pode causar também perda do desejo sexual. A síndrome é desenvolvida como resultado de um período de esforço excessivo no trabalho com intervalos muito pequenos para recuperação.

Dificuldades sexuais relacionadas ao burnout são: diminuição de desejo, dificuldades de ereção e de atingir orgasmo

Segundo a psicóloga Ana Canosa, a síndrome de burnout ou estresse ocupacional, nem sempre está ligada a função que o trabalhador ocupa, mas na preocupação do indivíduo em relação a sua auto-imagem frente à empresa ou pelas cobranças que faz em relação ao trabalho e à atuação do profissional.

Segundo o psiquiatra Dr. Luiz A. Nogueira-Martins: ‘Há um estresse adaptativo do organismo (corpo e mente) às pressões internas (desejo, ambições, expectativas) e externas (pressões vinculadas ao exercício profissional e as condições de trabalho)' .

Num mercado de trabalho onde a idéia de que bom profissional é aquele que ‘veste a camisa' da organização e que isso significa' ter hora pra chegar, mas não ter hora pra sair', onde o acúmulo de funções e o número de cobranças por resultados é crescente, o corpo tenta se adaptar a essa demanda maior de trabalho e preocupações. Mas como isso não é uma situação isolada (não temos essa situação num determinado mês do ano), mas é uma situação prolongada, encontramos os casos cada vez mais frequentes de falência do organismo físico e psíquico por não conseguir dar conta do excesso de trabalho. Isso agrava mais ainda a autoestima do profissional, pois ele enxerga como se fosse incompetência sua e não trabalho excessivo e desproporcional.

Sintomas

Sintomas físicos : fadiga constante, cefaléias, distúrbios gastrointestinais , alterações do sono, dores musculares, alterações de peso, alterações cardiovasculares e perda da memória.

Sintomas psicológicos : dificuldade de concentração, humor depressivo, ansiedade, rigidez, ceticismo (não consegue acreditar em possibilidades positivas).

Desinteresse geral e dificuldades sexuais, com diminuição de desejo, dificuldades de ereção e de atingir orgasmo.

Sintomas comportamentais: irritabilidade, falta ao trabalho, erros profissionais, uso de álcool, drogas estimulantes, isolamento social e baixa autoestima.

Insatisfação

A baixa compensação financeira que não permite buscar outras compensações (roupas, objetos pessoais, o carro novo, a viagem da família) por orçamento limitado, acaba gerando insatisfação com o trabalho. Se somar a isso dificuldades com a equipe de trabalho, níveis de exigência inalcançáveis ou excitações seguidas de frustrações como “promessas” de prêmios, promoções que não se realizam, a intensidade dessa exaustão e conseqüentemente desse estresse ou burnout serão profundas.

CID 10

Essa síndrome já é catalogada como doença ocupacional, estando no CID 10 (Código Internacional de Doenças) como síndrome do esgotamento profissional. É importante lembrar que trabalhar não mata, mas é preciso equilíbrio com lazer e prazer pessoal. Se começar a ocorrer interferências na vida pessoal a ponto de não ter tempo de estar com a família, não praticar esportes, não ter lazer social e redução de desejo sexual, é necessário refletir, pois o trabalho precisa de limite. Ignorar esses procedimentos pode levar a uma depressão profunda. Sexo, relações sociais, esporte e lazer devem ser valorizados, da mesma forma que se valoriza a vida profissional.

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PESQUISA APONTA QUE O SUS DEVE MELHORAR QUALIDADE DAS MAMOGRAFIAS

Cerca de seis em cada dez mamografias realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil contêm erros. Sujeiras, impressões digitais, revelações mal feitas, chapas tremidas ou riscadas, filmes inadequados e o uso errado do aparelho são alguns dos problemas mais comuns, que dificultam o diagnóstico correto do câncer de mama, de acordo com um projeto-piloto de Qualidade dos Serviços de mamografia do SUS realizado em 53 unidades nos municípios de Porto Alegre, Belo Horizonte e Goiânia, e no estado da Paraíba.

Hoje, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) entrega ao Ministério da Saúde uma proposta para a criação de um Programa Nacional de Qualidade de Mamografias, com uma portaria de credenciamento e do monitoramento dos exames.

“De nada adianta incentivarmos os exames de detecção precoce se eles não forem precisos, apontarem exatamente o que se passa no corpo da mulher”, disse Lírio Cipriani, diretor-executivo do Instituto Avon, que apoiou financeiramente o projeto, realizado pelo Inca, Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com o levantamento realizado nos 53 postos do Sistema Único de Saúde (SUS) nos municípios de Porto Alegre, Belo Horizonte e Goiânia, e no estado da Paraíba as falhas são muitas. O estudo analisou a qualidade dos equipamentos, das avaliações de radiologistas e dos profissionais envolvidos no exame. Ficou constatado que apenas 66% dos serviços de mamografia estavam com a infra-estrutura de acordo com as normas e padrões de qualidade recomendados pela Anvisa e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR).

Para os processos que controlam a qualidade da imagem e dose de radiação a conformidade foi de 76%. Em relação às mamografias, o percentual de conformidade para os exames apresentados pelos serviços foi de 93% para o posicionamento correto e de 90% para a qualidade da imagem.

 

Em relação à interpretação, pelos radiologistas dos serviços, das imagens radiológicas de um conjunto de exames, o grau de concordância foi de 72% em relação a interpretação dos especialistas do Colégio Brasileiro de Radiologia. Segundo o estudo, aspectos relacionados à infra-estrutura, dose de radiação e qualidade da imagem precisam ser aprimorados em muitos serviços. É necessário também implantar ações de capacitação continuada de técnicos e radiologistas com o objetivo de melhorar a qualidade dos exames (posicionamento da paciente e técnica radiográfica) e da interpretação radiológica.

“O câncer de mama tem cura e o diagnóstico precoce garante que 98% dos casos sejam curados”, destaca a mastologista Rita Dardes, diretora-médica do Instituto Avon. “Mamografias feitas regularmente reduzem em até 35% o risco de mortalidade”, explica a diretora médica, ciente da importância da qualidade das mamografias. De acordo com o INCA, que não se pronunciou sexta-feira sobre os resultados do projeto-piloto, serão entregues a representantes das vigilâncias sanitárias dos estados que participaram do projeto kits de equipamentos de avaliação da qualidade das várias etapas da realização do exame.

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EXPECTATIVA DE VIDA

Um estudo feito por cientistas da Suíça afirma que subir de escada em vez de usar o elevador no trabalho pode aumentar a expectativa de vida. Abandonar o uso de escadas e escadas-rolantes pode melhorar a condição física, diminuir a gordura corporal, reduzir o tamanho da cintura e diminuir a pressão sangüínea, afirma a pesquisa feita com 69 pessoas. Isso representaria uma redução de 15% na chance de se morrer prematuramente de qualquer doença, afirma a equipe de cientistas do Hospital Universitário de Genebra.

Os resultados do estudo foram divulgados em uma conferência da Sociedade Européia de Cardiologia, na Alemanha. Antes do estudo, os 69 participantes tinham um estilo de vida sedentário, com menos de duas horas de exercício ou esporte por semana. Eles também subiam menos de 10 degraus por dia. Ao longo de 12 semanas, os voluntários, que eram empregados do hospital universitário, usaram exclusivamente as escadas em vez do elevador.

Em média, o número de degraus subidos pelas pessoas aumentou para 23. Depois de três meses de testes, os resultados mostraram melhor capacidade pulmonar, pressão sangüínea e níveis de colesterol. O peso, a gordura corporal e a circunferência da cintura também caíram, com a melhora da capacidade aeróbica. Os cientistas afirmam que a combinação destes resultados representa uma redução de 15% nas chances de se morrer jovem.

"Isso sugere que subir escadas pode ter um impacto significante na saúde pública", afirma Philippe Meyer, cientista que liderou a pesquisa. Para o consultor em cardiologia britânico Adam Timmis, que assistiu à apresentação do trabalho do hospital universitário suíço, o estudo é pequeno, "mas valioso, porque fornece uma forma prática para pessoas ocupadas melhorarem a sua capacidade de fazer exercícios". "Apesar de a quantidade de exercício parecer pequena, os benefícios são claros na melhora da condição física e redução da gordura corporal e pressão sangüínea." (01/09/08)

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TONTURA E ESTRESSE

As preocupações do dia-dia podem gerar muito mais que uma leve dor de estômago. Em pessoas com pré-disposição, as situações de estresse bem como a alimentação inadequada, podem resultar na irritação do labirinto, órgão localizado na região interna do ouvido, levando ao sintoma de tontura ou sensação de insegurança ao caminhar.

O neurologista Marco Aurélio Santos Macedo confirma a influência do estresse no desencadeamento da sensação de tontura o que muitas vezes confunde com o diagnóstico de labirintite.

"O termo labirintite é utilizado popularmente para designar apenas uma tontura, mas quando o diagnóstico é realmente de irritação primária do labirinto, a patologia apresenta outros sintomas", conta o especialista. A doença é acompanhada de náusea, zumbido no ouvido, perda de audição e vertigem.

"O estresse pode ocasionar sensação de insegurança e tontura, o que, em um primeiro momento, pode ser confundido com labirintite", diz o neurologista. Algumas vezes, os portadores da doença podem sofrer perda de equilíbrio, com quedas e perdas parciais ou totais da consciência por breve período. Problemas de infecções de ouvido, traumas de pescoço ou cabeça e intoxicações por medicamentos ou algumas substâncias como o álcool, também podem desencadear ou piorar o quadro.

O diagnóstico da labirintite é inicialmente dado pelo histórico do paciente e por meio de exames clínicos que verificam, principalmente, o equilíbrio e a coordenação motora, bem como a audição. Posteriormente, o paciente é submetido a exames laboratoriais, sendo o otoneurológico um dos mais importantes. Em alguns casos, para o diagnóstico mais preciso, especialistas solicitam também tomografias e eletroencefalograma.

"A recuperação do paciente de uma crise de labirintite aguda pode levar de uma a seis semanas, porém não é incomum que sintomas residuais (desequilíbrio e tontura) permaneçam por muitos meses ou até anos", acrescenta o neurologista.

O tratamento da doença deve ser acompanhado por um especialista que avaliará as melhores opções terapêuticas para cada paciente. "Na maioria dos casos, os neurologistas optam por medicamentos inibidores do labirinto", comenta. Pacientes de labirintite devem, além do tratamento medicamentoso, receber orientações quanto à dieta adequada evitando certos alimentos (como por exemplo: café, dietas hipercalóricas e álcool) e evitar situações de estresse, bem como dormir bem. (15/08/08)

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NOVO TRATAMENTO CONTRA O ENVELHECIMENTO PRECOCE (PROGERIA)

Pesquisadores espanhóis e franceses testaram com sucesso em ratos de laboratório um tratamento contra o progeria, doença atualmente incurável e que provoca envelhecimento acelerado e atinge dezenas de crianças no mundo, de acordo com trabalhos publicados pela revista "Nature Medicine".

Esse tratamento poderá em breve ser testado em 15 das 25 crianças atingidas pela doença na Europa, indicou a AFM (Associação Francesa contra Miopatias), que contribui para o financiamento destes trabalhos graças às doações do programa Téléthon.

O pedido para isso já foi apresentado à Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Produtos de Saúde. Ainda à espera de autorização, o teste clínico será liderado por Nicolas Lévy no hospital de La Timone, em Marselha.


O progeria é uma doença muito rara (três casos conhecidos na França) que atinge as crianças a partir do nascimento. As vítimas têm a aparência e certas anomalias fisiológicas de pessoas idosas: pouco cabelo, pele fina, rigidez articular e problemas cardiovasculares, por exemplo. Não há tratamento até agora e a esperança de vida continua a ser muito limitada (12 a 13 anos, em média).

A equipe de Nicolas Lévy e de Carlos Lopez-Otin, da Faculdade de Medicina da Universidade de Oviedo, testaram em ratos um tratamento que se trata de uma combinação de duas moléculas existentes: as estatinas --utilizadas para reduzir a taxa de colesterol no sangue e prevenir os riscos cardiovasculares-- e os aminobisfosfonatos --indicados no tratamento da osteoporose.

 

A progeria é provocada pelo acúmulo nas células de uma proteína truncada, a progerina. Nas células de pacientes (in vitro), e depois nos ratos, os pesquisadores demonstraram que a combinação dessas duas moléculas combate a toxicidade desta proteína anormal. Desta forma, a doença se desenvolve de maneira atenuada. O tratamento diminui assim os efeitos da doença e aumentaram a esperança de vida nos ratos: 179 dias contra 101 dias em média. (30/06/08)

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SEGREDO CONTRA HIPERTENSÃO PODE SER MANTER A CABEÇA FRESCA

Hipertensão e stress? O segredo pode estar em se manter a cuca fresca. Alguns fatores que determinam se um indivíduo será ou não hipertenso, já são conhecidos: sexo, idade, raça, obesidade e sedentarismo são bons exemplos. Mas será que existe um fator que possa predizer o aparecimento da doença desde a juventude, independente dos já citados?

Na busca desse marcador uma equipe de pesquisadores da Universidade de Pittsburgh vem acompanhando desde 1985 um grupo de mais de cinco mil pessoas. Em 1987, três quartos dos participantes apresentavam níveis normais de pressão arterial, tinham entre 18 e 30 anos de idade e foram submetidos a testes que avaliavam as alterações da pressão arterial quando submetidos a stress.Os resultados foram registrados e arquivados.

Treze anos após, do grupo estudado mais de trezentos participantes haviam desenvolvido hipertensão.Os participantes que haviam apresentado maiores variações da pressão arterial ao stress, estavam entre os que desenvolveram hipertensão mais tarde. A influência do stress no aparecimento e manutenção da hipertensão arterial já é reconhecida pelos médicos e as práticas redutoras de stress ajudam efetivamente no tratamento da pressão alta.

O que está se propondo é que talvez uma resposta hipertensiva precoce ao stress seja um preditor do seu aparecimento no decorrer da vida. De uma forma ou de outra, procurar manter um estilo de vida mais calmo diante das dificuldades do dia a dia pode ajudar a prevenir o surgimento da pressão alta.

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USO EXCESSIVO DE ANALGÉSICO É UMA DAS CAUSAS DE DOR DE CABEÇA

Cerca de 30 milhões de brasileiros sofrem com dor de cabeça, segundo estimativa do Departamento de Cefaléia da Academia Brasileira de Neurologia. A ingestão excessiva de analgésicos é apontada como uma das principais causas desse mal.

Na semana em que é lembrado o dia da dor de cabeça, a ABN alerta sobre o perigo da automedicação e sobre a importância de um diagnóstico correto, feito por especialistas. Dentre a população, as mulheres são as que mais sentem dor de cabeça – 76%, contra 57% dos homens. A cefaléia não poupa nem os mais jovens.

Aproximadamente 39% das crianças até 6 anos já sabem o que é ter cefaléia, e aos 15 anos, o número chega a 70%.
A ingestão de analgésicos não pode ultrapassar dois a três dias por semana e deve ser indicada por um especialista. Segundo a médica do Departamento de Cefaléia da ABN Patricia Machado Peixoto, existem dores de cabeça que ficam mais fortes e freqüentes com o passar do tempo, evoluindo para enxaquecas crônicas.

Uma grande causa é o uso do analgésico, que, em excesso, piora a dor de cabeça. O ideal é tratar o distúrbio com medicamentos que atuam no cérebro, fazendo com que haja uma estabilidade química. Há uma melhora de 60% dos casos, quando o paciente realiza esse tratamento - explica. Existem quase 300 tipos de cefaléias catalogados, de acordo com informações da ABN. Porém, a dor de cabeça pode disfarçar a presença de outras doenças, muitas vezes, mais graves. Por isso, a academia alerta para a necessidade de consultar especialistas sobre o assunto.

Nas cefaléias primárias não existem lesões cerebrais e sim um distúrbio químico em relação aos neurotransmissores – substâncias que circulam no cérebro e o fazem o funcionar. A dor de cabeça é uma doença neurológica e não têm sintomas. As dores secundárias, porém, são patologias em que o paciente pode ter desde um tumor, hemorragia ou traumatismo - explica a médica do Departamento de Cefaléia da ABN.

Patricia Machado Peixoto explica ainda que para obter um diagnóstico mais preciso sobre as causas da dor de cabeça deve-se recorrer à cefaliatria, subespecialidade da neurologia.

 

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PERFIL DAS MULHERES QUE PRATICAM ABORTO NO PAÍS

A maioria dos abortos no país é feito por mulheres de 20 a 29 anos de idade, que trabalham, têm pelo menos um filho, usam métodos contraceptivos, são da religião católica e mantêm relacionamentos estáveis. O perfil foi traçado por um estudo que reuniu resultados de mais de 2 mil pesquisas sobre o aborto no Brasil, elaboradas nos últimos 20 anos, com base principalmente em informações de mulheres atendidas em serviços públicos de saúde de grandes cidades depois de induzir o aborto em casa.

De acordo com uma das coordenadoras do estudo o perfil apontado não traz surpresas, pois reproduz as características gerais das brasileiras em idade reprodutiva também destacou, o fato de mais de 70% das mulheres que abortaram serem mães. Essas mulheres decidem pelo aborto já tendo um filho. Diferente do que vulgarmente poderia se imaginar, são mulheres já com experiência de cuidado com filhos. Elas tomam a decisão pelo aborto do alto da responsabilidade da maternidade - ressaltou.

O uso de métodos contraceptivos por cerca de 70% das mulheres que abortaram indica que eles podem estar sendo utilizados inadequadamente ou de forma descontínua, mas também que o aborto está sempre no horizonte das escolhas reprodutivas femininas. Mesmo para as mulheres que se referem ao uso contínuo de métodos anticonceptivos, dado o índice de falha possível deles, o aborto está dentro do horizonte das práticas reprodutivas - afirmou.

O uso dos contraceptivos foi registrado na maior parte dos estudos da Região Sudeste, principalmente em São Paulo , onde mais se conhece a realidade do aborto no país. Já no Nordeste, onde menos pessoas foram pesquisadas, a situação é oposta: mais de 50% das mulheres que interromperam a gestação não usaram métodos anticoncepcionais

 

O relatório mostra que cerca de 200 mil mulheres foram hospitalizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) em decorrência de tentativas de aborto em 2005. Os pesquisadores consideram que o número representa 20% do total de casos ocorridos no país e assim estimam mais de 1 milhão de abortos para aquele ano. A estimativa, no entanto, fica prejudicada, pois não há dados sobre interrupções induzidas de gestação fora das grandes cidades, em casa e ou em clínicas particulares.

Os dados mais confiáveis sobre o aborto no Brasil são de uma pesquisa realizada nos anos 90 e reaplicada em 2000 pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), pois foram obtidos em levantamentos domiciliares, utilizando o método de urna, que garante sigilo às mulheres e, conseqüentemente, melhora a qualidade da informação. Segundo o estudo, cerca de 3,7 milhões de brasileiras entre 15 e 49 anos já induziram aborto, aproximadamente 7,2% das mulheres em idade reprodutiva no país. (02/05/08)

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ADOLESCENTES TÊM RELÓGIO BIOLÓGICO DIFERENTE

Um grupo de pesquisadores australiano constatou que muitos adolescentes não dormem o suficiente e têm dificuldades na escola porque têm um relógio biológico diferente de adultos e crianças, segundo informa o estudo publicado no "Journal of Adolescence" por três pesquisadores da Universidade Tecnológica de Swinburne (Melbourne, sudeste da Austrália).

De acordo com a France Presse, o estudo confirma o que muitos pais já suspeitavam: os jovens não têm um horário equilibrado. O estudo cita que o relógio biológico dos adolescentes os transforma em uma espécie de ave noturna. A maioria dos adolescentes é obrigada a despertar até duas horas e meia antes do que seu ritmo natural exige, destaca o estudo. Os pesquisadores analisaram 310 alunos australianos durante o período escolar e as férias e concluíram que nas férias os adolescentes dormem mais de nove horas por dia, contra menos de oito horas durante as aulas.

Segundo o estudo, as nove horas de sono são mais adequadas aos adolescentes. A falta de energia, a irritabilidade, a tristeza e as atitudes negativas são alguns dos efeitos das poucas horas de sono. Cada indivíduo tem uma predisposição genética para acordar cedo ou tarde, mas durante as mudanças hormonais da adolescência, os jovens começam a dormir mais tarde e, se possível, também acordam mais tarde, explica Suzanne Warner, co-autora do estudo.

A causa da mudança é a melatonina, um hormônio que diz ao corpo que ele precisa dormir. Na puberdade, este hormônio é secretado cada vez mais tarde. Os fatores ambientais também desempenham seu papel, segundo Suzanne Warner, que cita a luz artificial, que tende a reduzir a quantidade de melatonina secretada, e o uso do computador, que faz o jovem esquecer do sono.

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TER UM GATO DE ESTIMAÇÃO TÊM MENOS RISCO DE ATAQUES CARDÍACOS

Pessoas que têm um felino em casa têm até 30% menos risco de ataques cardíacos. Cientistas acreditam que o mesmo pode ser verdade para os donos de cachorros. Amantes dos felinos ganharam mais um argumento na eterna discussão: o que é melhor, ter um gato ou um cachorro? Um estudo feito por pesquisadores americanos revela: um gatinho pode salvar sua vida. Segundo a pesquisa, ter um gato como animal de estimação reduz em 30% o risco de você ter um ataque cardíaco.

Os pesquisadores da Universidade de Minnesota em Minneapolis acreditam que ter um felino em casa é relaxante e alivia o estresse -– um dos principais fatores de risco dos problemas cardiovasculares. Os defensores dos cãezinhos, no entanto, não precisam ficar chateados.

Os cientistas acreditam que, apesar de seus resultados não mostrarem o mesmo efeito entre donos de cachorros, eles também deve colaborar para a saúde. Eles afirmam que provavelmente simplesmente devia ter menos pessoas com cães do que com gatos entre os participantes do estudo para a estatística ser relevante.

Trabalhos anteriores já tinham indicado que passar apenas 12 minutos com um cão melhorava a função cardíaca e pulmonar de pessoas com problemas no coração. Os resultados foram apresentados durante a Conferência Internacional sobre Infarto da Associação Americana de Infarto, em Nova Orleans. Ao todo, 4.435 americanos, com idades entre 30 e 75 anos, foram acompanhados. Segundo os dados, 2,435 eram donos de gatos, ou tinham tido um felino no passado.

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TRABALHAR MAIS DE 40 HORAS FAZ MAL

Uma pesquisa do governo de Barcelona concluiu que uma jornada de trabalho de mais de 40 horas semanais causa danos físicos e emocionais à saúde, principalmente no caso das mulheres. O estudo, que será publicado nesta semana na revista Scandinavian Journal of Work, Environment & Health, indicou que o excesso de horas de trabalho tem conseqüências como ansiedade, depressão e problemas cardíacos. Os pesquisadores acompanharam 2.792 pessoas de diversas profissões e classes sociais durante um ano.

A Agência de Saúde Pública de Barcelona concluiu que as mulheres são as mais prejudicadas porque acumulam mais funções entre casa e trabalho e "emocionalmente respondem pior à pressão". De acordo com os cientistas, uma longa jornada de trabalho, a partir de 40 horas por semana, afeta os homens principalmente por meio de distúrbios no sono. Já as mulheres mostram mais sintomas como hipertensão, ansiedade, aumento de probabilidade de fumar, restrição de outras atividades de ócio e de prática de exercício e uma insatisfação geral. Também foram observados transtornos psíquicos e hormonais.

A pesquisa chamada Perspectiva de gênero na análise da relação entre longas jornadas de trabalho, saúde e percepção do próprio estado de saúde, demonstrou que os homens têm cargas horárias maiores: 30,4% deles disseram trabalhar por mais de 40 horas, contra 17,1% de mulheres. Mas as trabalhadoras dividem mais o tempo entre as tarefas domésticas e o trabalho fora de casa: 34,4% contra 9,2% de homens. Em relação ao nível sócio-econômico, as mulheres de classes mais baixas são as que trabalham mais horas.

No caso dos homens é o contrário. Quanto mais alto o cargo de responsabilidade e o status salarial, maior é a carga horária. Na mesma proporção aumentam os riscos de problemas de saúde, já que segundo o estudo, são trabalhadores que dormem menos de seis horas ao dia. Horas extras e falta de condições adequadas (baixos salários, excesso de pressão, carência de materiais, ambiente ruim) afetam a saúde das mulheres de pior qualificação profissional, principalmente do setor de serviços, segundo a pesquisa. "As funcionárias de comércios, pequenas empresas, indústrias, bares e restaurantes são o coletivo mais vulnerável que precisaria de maior atenção pública em atividades de prevenção", afirmaram os cientistas. O estudo indicou ainda que as mulheres separadas e divorciadas triplicam as horas de trabalho comparadas com os homens no mesmo estado civil.

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PRESSÃO ARTERIAL É MAIS DIFÍCIL DE SER CONTROLADA NO INVERNO

Segundo estudo apresentado na reunião científica anual da American Heart Association, os hipertensos em tratamento com anti-hipertensivos conseguem atingir um melhor controle da pressão arterial no verão. A pesquisa epidemiológica foi conduzida em hospitais de veteranos de guerra e apresentada nas sessões científicas da American Heart Association no final de 2007 em Orlando.

Os investigadores acompanharam os registros de saúde de 443.632 veteranos com hipertensão em 15 hospitais durante 5 anos. Para entrar na pesquisa, os participantes apresentaram leituras de 140 mmHg na pressão sistólica ou 90 mmHg na diastólica em três ocasiões diferentes. Os participantes eram homens de 66 anos, em média. Apesar do uso correto das medicações para tratar hipertensão, as leituras das pressões foram mais altas nos meses do inverno, apresentando índices 7,6% menores no verão.

As especulações sobre o assunto são de que a pressão arterial é mais alta no inverno pois as pessoas tendem a comer quantidades maiores de alimentos, ganham mais peso e se exercitam menos durante meses frios, diz Fletcher, chefe do centro médico em Washington.

Em pesquisa futura, Fletcher e sua equipe irão explorar se existe relação entre o ganho de peso e o aumento da pressão arterial no inverno. Os resultados do estudo indicam uma necessidade maior de atenção para controlar a pressão arterial durante os meses do inverno. Os médicos devem intensificar o monitoramento da pressão arterial de seus pacientes hipertensos e avaliar a necessidade de um aumento das doses das medicações usadas para controlar a pressão arterial nesta época do ano, além de orientar uma dieta saudável e um regime de atividades físicas regulares, que devem ser mantidas durante todo o ano.

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CIGARRO E PERDA DE CABELO

Todos já sabemos dos grandes problemas que o cigarro faz para a saúde, mas agora em pesquisa realizada pela Far Eastern Memorial Hospital, em Taipé, está indicando que o cigarro também ajuda o homem a ficar careca. Isto mesmo careca, além dos conhecidos e graves problemas no coração, impotência, câncer de pulmão e outros 50 doenças. O estudo foi realizado com mais de 700 homens em Taiwan, com idade acima de 40 anos, revelando que quanto mais eles fumavam, mais carecas iam ficando.

A pesquisa se baseou em três perguntas básicas como: a idade em que começaram a perder os cabelos, se tinham histórico familiar de perda de cabelos e há quanto tempo fumavam. Aqueles que fumavam mais de 20 cigarros por dia, tinham mais de duas vezes propensão a perda de cabelos. O resultado da pesquisa foi publicado na revista Archives of Dermatology, mostrando também que o risco permanece mesmo naqueles que tinham abandonado o cigarro. Os pesquisadores concluíram que o cigarro deve danificar a estrutura genética dos fólicos capilares, a pequena estrutura responsável pelo crescimento dos mesmos.

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AS PRINCIPAIS CAUSAS DE MORTES DO MUNDO

Doenças crônicas somaram 35 dos 58 milhões de mortes no mundo no ano de 2005, e só as doenças cardíacas causaram a morte de 17,5 milhões de pessoas. Por outro lado, HIV/AIDS, tuberculose e malária somaram 5,1 milhões de mortes. Doenças crônicas são freqüentemente consideradas enfermidades de países ricos, como resultado de um estilo de vida ocidental com dietas ricas em gordura e pouco exercício. No entanto, pessoas em países mais pobres estão morrendo mais de doenças crônicas. Somente um quinto das mortes atribuídas a “doenças de fartura” ocorreram realmente em países mais abastados. Três quartos dessas mortes se deram em países pobres.

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ATENDIMENTO MÉDICO DOMICILIAR A IDOSO
PORTADOR DE DEFICIÊNCIA

A Justiça de Minas Gerais determinou que a secretaria municipal de Saúde de Itabira providencie, no prazo máximo de dez dias, o agendamento de consulta e transporte para o atendimento médico e fisioterápico de um idoso, portador de deficiência locomotora, que mora no distrito de Ipoema, vizinho ao município de Itabira.

A decisão atendeu pedido liminar feito em Mandado de Segurança (MS) impetrado pelo Ministério Público estadual. Segundo a promotora de Justiça responsável pelo MS, Nidiane Moraes Silvano de Andrade, a secretaria que o serviço não estava sendo prestado sob o argumento de que não havia familiar para acompanhar o idoso, o que fere o direito dele à autonomia.

Na sentença, a juíza de Direito Tatiane Turlália Mota Franco Saliba, afirmou que as consultas e sessões deverão ser agendadas a partir de um parecer médico que prescreva as especificidades do tratamento, de acordo com os preceitos da Geriatria e da Gerontologia.

Caso descumpra a decisão, o município de Itabira estará sujeito a uma multa diária no valor de R$ 500,00. A multa será revertida na forma do artigo 84 do Estatuto do Idoso (os valores das multas previstas nesta Lei reverterão ao Fundo do Idoso, onde houver, ou na falta deste, ao Fundo Municipal de Assistência Social, ficando vinculados ao atendimento ao idoso).

Em julho de 2005, a Promotoria de Justiça de Itabira recebeu relatório de uma assistente social a respeito de um idoso, morador do distrito de Ipoema, que estaria sofrendo maus tratos. O senhor, de 70 anos de idade, sofreu um acidente vascular cerebral, o que prejudicou sua coordenação motora e sua capacidade de locomoção.

Ouvido pela Promotora de Justiça, o idoso mostrou-se lúcido apesar da debilidade física. Ele afirmou que era bem tratado por seus familiares e que estaria disposto a submeter-se a tratamento fisioterápico adequado, desde que ajudado por profissional em sua própria residência, em razão de sua dificuldade de locomoção.

Além disso, foi constatado que a situação familiar do idoso é complicada, pois ele vive na residência do irmão, juntamente com a cunhada e os sobrinhos. Os parentes alegaram que não tinham condições de acompanhá-lo às consultas, exames e sessões de fisioterapia necessária ao tratamento.

De acordo com a promotora de Justiça Nidiane Moraes, o distrito de Ipoema não oferece a infra-estrutura necessária pata atender os cidadãos que necessitam de tratamentos especializados de saúde. “Os usuários precisam se deslocar até o município de Itabira, sendo em alguns casos inviável que arquem sozinhos com todos os custos para deslocamento e alimentação”, afirma.

Ela disse ainda que a secretaria desrespeitou artigo 15 do Estatuto do Idoso, que dispõe que “É assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema Único de Saúde— SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto articulado e contínuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial às doenças que afetam preferencialmente os idosos.” Em razão da urgência do caso, o MPE impetrou MS em 31 de julho deste ano, pedindo, em caráter liminar, a antecipação dos efeitos da tutela pretendida.

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DEFICIENTE PODE RECEBER BENEFÍCIO
PARA TRATAMENTO EM CASA

A Câmara analisa o Projeto de Lei 264/07, do deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), que cria um benefício temporário de um salário mínimo por mês para o deficiente mental em tratamento domiciliar, atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta altera a Lei Orgânica da Assistência Social (8.742/93) no que diz respeito ao chamado "benefício eventual", que visa ao pagamento de auxílio por natalidade ou morte às famílias cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 do salário mínimo.

A lei também prevê a criação de outros benefícios eventuais para atender situações transitórias da criança, da família, do idoso, da gestante, da nutriz e dos portadores de deficiência, e nos casos de calamidade pública. Nesse sentido, Inocêncio Oliveira propõe o benefício para para pessoas com deficiência mental.

O autor lembra que a iniciativa fortalece e até complementa a Lei 10.424/02, que regulamenta o atendimento e a internação domiciliar pelo SUS. Segundo ele, são comuns casos de doentes mentais em condições de serem tratados em casa, mas cuja família, por razões financeiras, prefere que o paciente permaneça no hospital.

Inocêncio Oliveira destaca que essa conduta da família, "além de congestionar a rede hospitalar, acaba por afetar a auto-estima do enfermo, retardando a sua recuperação". O deputado acredita que o benefício neutraliza esse tipo de comportamento, permitindo ao beneficiário o custeio de pelo menos parte de suas despesas em casa.

O PL 264/07 prevê que esse auxílio eventual ao deficiente mental será dado mesmo no caso em que o paciente não tenha direito ao benefício de prestação continuada previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (BPC-Loas). A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. 

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OS FUMANTES E AS LICENÇAS MÉDICAS

O fumo não é apenas uma questão de saúde. Os fumantes também precisam tirar oito dias a mais de licença médica por ano e têm maior probabilidade de desempenhar mal seu trabalho quando comparados aos não-fumantes. Estas são as conclusões de dois novos estudos recém-publicados.

Os fumantes da Suécia tiraram dois dias a mais de licença médica, segundo pesquisadores da Free University de Amsterdã. Outro levantamento sobre o avanço na carreira de mulheres que entraram para a Marinha dos Estados Unidos descobriu que as fumantes tinham desempenho pior. 

O cigarro é a segunda principal causa de mortes em todo o mundo, matando um em cada dez adultos, além de ser o quarto fator de risco mais comum de surgimento de doenças, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). As pessoas que fumam tendem a escolher ocupações mais arriscadas e têm pior estado de saúde, disseram os pesquisadores. 

"O tabagismo pode ser simplesmente um sinal da presença de outros fatores estruturais, como o inconformismo e a tendência a assumir altos riscos, que contribuem para um pior desempenho", escreve o pesquisador Terry Conway, da Universidade Estadual de San Diego, em artigo publicado na revista britânica Tobacco Control, editada pela Associação Médica Britânica.
 
No estudo sueco, Petter Lundborg e seus colegas analisaram dados sobre licenças médicas de 14 mil profissionais entre 1988 e 1991. No período, os fumantes tiraram 11 dias a mais de licença devido a problemas de saúde que os não-fumantes, número que foi corrigido para oito dias a fim de refletir a natureza das ocupações e o estado de saúde inicial. 

Os fumantes suecos tiraram, em média, 34 dias de licença por razões médicas por ano, comparativamente aos 20 dias tirados por aqueles que nunca fumaram e aos 25 dias tirados por ex-fumantes. Com média de 25 dias por ano de licença médica por profissional, o número de faltas provocadas por motivos de saúde na Suécia é o mais alto entre os países-membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). 

A média norte-americana é de nove dias. "Os resultados sugerem que políticas para reduzir e/ou prevenir o fumo também podem diminuir o número de dias de licença médica", destacam Lundborg e seus colegas na Tobacco Control.  Países da União Européia como Irlanda, Itália, Malta, Espanha e Noruega proibiram o fumo em locais públicos. O Reino Unido deve introduzir a mesma proibição em meados deste ano.

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BH LANÇA TURISMO DE SAÚDE

A capital vai entrar no circuito do turismo de saúde. A Belotur vai lançar, esta semana, o projeto Belo Horizonte Mais Saúde, com o apoio do Ministério do Turismo, da Embratur e do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty. A meta é transformar a cidade em um centro de excelência médica em várias especialidades e atrair pessoas de outros países em busca de tratamento e bem-estar físico e mental. 

Segundo o presidente da Belotur, Fernando Lana, a proposta é valorizar a tradição de Belo Horizonte de prestar serviços médicos de qualidade. Já nas décadas de 20 e 30, o clima ameno e as áreas verdes atraíram pessoas que buscavam tratamento para doenças pulmonares. Nessa época, especialistas da medicina, como o cirurgião plástico Ivo Pitanguy e o oftalmologista Hilton Rocha, já iniciavam seus estudos. 

"Belo Horizonte conta atualmente com algumas especialidades que são referência em todo o mundo. Queremos mostrar, inclusive no mercado europeu, que as pessoas podem fazer tratamento de saúde de qualidade a um custo bem inferior em relação a seus países de origem", afirma Lana. 

Para garantir o sucesso do projeto, a Belotur vai contar com o apoio das embaixadas brasileiras. A primeira especialidade a ser explorada será a oftalmologia. Essa é uma área que atingiu um elevado nível e hoje é uma referência mundial. Belo Horizonte é a capital da oftalmologia no Brasil e especialistas de todo mundo já tiveram a oportunidade de assistir a cursos aqui. 

O projeto-piloto de turismo de saúde vai ser lançado junto com o Hospital de Olhos de Minas Gerais. A médio e longo prazos, a Belotur vai promover outras especialidades médicas representadas no universo de prestadores de serviços com níveis de qualidade internacional. Para Fernando Lana, o projeto Belo Horizonte mais Saúde servirá para atrair turistas de um novo segmento para a cidade, mas também vai resultar na melhoria dos serviços médicos prestados na cidade. 

O segmento do turismo de saúde é promissor, pois é um dos que registram maior crescimento nos últimos anos. Países, como Índia, Tailândia, Malásia, Cuba, Costa Rica, Israel e Jordânia, já iniciaram a promoção de seu turismo médico. Muitas pessoas buscam esses países que são referências em tratamento, cura, condicionamento e bem-estar físico e mental. 

O país que mais se destaca no ramo do turismo de saúde é a Índia. A política nacional de saúde indiana considera que o tratamento de pacientes estrangeiros é legalmente uma exportação e conta com os mesmos incentivos fiscais que as exportações comuns. Estima-se que o turismo médico cresça 30% ao ano naquele país e já movimente cerca de US$ 2,5 bilhões.

O trabalho feito na Jordânia também serve de exemplo para o Brasil. O país tem um comitê técnico, formado pelo governo, operando para os pacientes árabes que chegam à Jordânia em busca de tratamento. Este comitê regula e monitora as instituições de saúde que recebem os pacientes estrangeiros.

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A FALTA DE UM TEMPO ABRIU UM NOVO SERVIÇO EM DOMICÍLIO - A TERAPIA

Na cidade em que muitos serviços são delivery - entrega de alimentos, lavanderia, compra de roupas e jóias, entrega de livros, aulas particulares, serviço de pet shop - a terapia se adaptou à correria sem fim das grandes cidades. O tempo limitado e o trânsito que dificulta a locomoção são alguns dos motivos para o tratamento psicológico em domicílio.

O serviço já existe para pacientes com restrição física, como idosos ou doentes terminais, mas nos últimos anos, psicólogos vão até os "sem tempo" para fazer o atendimento.

"A procura ainda é pouca, mas já tenho alguns pacientes fora do meu consultório", diz a psicóloga Sueli Castillo. "Quando os horários e o caminho são bons para ambos, combinamos a sessão". A profissional também atende grupos de crianças e adolescentes em domicílio. "Pode ser em grupo, no próprio condomínio. Os pais geralmente não têm tempo de levar as crianças ao psicólogo."

Para Sueli, "este é um novo modo de abranger o alcance da psicologia." A psicóloga Mary Georgina Boeira da Silva diz que é preciso um local apropriado para a terapia, um lugar "neutro" com o qual o paciente possa identificá-lo com um momento para refletir sobre sua vida. "O atendimento em casa poderia dificultar o foco no tratamento", diz a psicóloga.

Sueli acredita que a relação de confiança entre o profissional e o paciente é o fundamental. "Existem outras formas de terapia fora do consultório, como para pacientes com dificuldade de locomoção, além de presídios e escolas", diz.

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ACIDENTES VASCULARES SÃO MAIOR CAUSA DE MORTES

Em 2004, o principal motivo de óbitos no país foram as doenças do aparelho vascular como enfarte e acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame. O dado é apresentado no livro Saúde Brasil 2006 – Uma Análise da Desigualdade em Saúde. O livro está página do Ministério da Saúde na internet e tem publicação prevista para este semestre.

O Sistema de Informações sobre Mortalidade do ministério registrou 1.024.073 óbitos em 2004, com diferenças relevantes na mortalidade segundo a faixa etária, o sexo e as regiões do país.

O maior risco de morte apontado pelo sistema está na região Sudeste, com uma média de 5,9 óbitos para cada mil habitantes. Em seguida vêm as regiões Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Das mortes que ocorreram em 2004, 47,6% foram no Sudeste.

Quando se compara a mortalidade entre os sexos, os homens lideram, com 58% dos óbitos. Eles também morrem mais jovens que as mulheres. Aproximadamente 52% dos óbitos entre as mulheres ocorreram na faixa etária de 70 anos ou mais, enquanto para os homens o percentual nessa faixa foi de 35,8%.

O câncer, segundo o livro, é a segunda causa de morte para as mulheres de todas as regiões do país e para os homens que moram na região Sul, depois das doenças do coração. Já para os homens das regiões Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste, a posição é ocupada pelas causas externas.

A publicação também aponta que em países em desenvolvimento, como o Brasil, há maior incidência de doenças cardiovasculares. Segundo o diretor do Departamento de Análise de Situação da Saúde do ministério, Otaliba Libânio, essas doenças crônicas devem ser desmistificadas como típicas de países ricos.

“Hoje, o maior número de mortes provocadas por essas doenças é encontrado nos países em desenvolvimento, nos países de baixa ou média renda. Grande parte dos derrames e dos infartos ocorre na população de classe baixa, causada por má alimentação, sedentarismo e tabagismo”, diz.

O livro também trata da população preta, parda e branca – usa a definição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo a qual negros são as pessoas de cor preta e parda. A população preta apresentou maior risco de morte por doenças infecciosas, parasitárias e, nas mulheres, por parto e no período após o parto.

Otaliba Libânio explicou as diversas causas de mortalidade são mais freqüentes na população de baixa escolaridade, que mora em um município com baixa renda familiar. “Essas desigualdades do ponto de vista regional, do ponto de vista socioeconômico, do ponto de vista da etnia são muito importantes no Brasil e têm que ser mostradas, para o governo promover ações a fim de promover uma eqüidade”, disse.

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OS NOVOS EXAMES QUE VÃO SALVAR SEU CORAÇÃO

Nível de colesterol, peso, antecedente familiar, estilo de vida. Esses são os indicadores de risco conhecidos para as doenças cardiovasculares. Fazem parte de qualquer check-up básico que se preze. Mas, de agora em diante, quem quiser cuidar melhor do coração terá de se submeter a uma nova geração de exames capazes de identificar com uma precisão muito maior os eventuais candidatos a um infarto. A grande vantagem desses testes é a capacidade de revelar com antecedência a possibilidade de surgimento do problema, mesmo em pessoas sem sintomas e que não apresentem os fatores de risco clássicos. Eles estão na lista dos testes que a Sociedade Brasileira de Cardiologia lançará até o final do ano para estabelecer critérios mais modernos de prevenção. Uma atitude necessária. As doenças cardiovasculares - basicamente infarto e derrame cerebral - são as mais fatais do mundo. No Brasil, elas levam 300 mil pessoas à morte todos os anos.

Os exames são divididos em categorias. A primeira baseia-se na avaliação feita pelos equipamentos mais recentes de diagnóstico por imagem. Um deles é a angiotomografia, realizada por tomografia computadorizada. O aparelho, chamado Brilliance 64, fornece uma "fotografia" do interior do coração na qual é possível visualizar qualquer obstrução por placas de gordura que podem entupir as artérias e levar a um infarto. O equipamento também revela se o vaso sangüíneo apresenta depósito de cálcio. Isso é muito importante. A existência do mineral indica a presença de placas, mesmo que elas não sejam grandes o suficiente para obstruir a artéria. Se esse dado for registrado, significa que o doente tem dez vezes mais chance de infartar.

Entre outras informações relevantes apresentadas no exame está o tipo de placa existente. Sabe-se que as mais perigosas são as placas moles, exatamente as mais recentes. Elas oferecem muito risco porque podem se romper facilmente e migrar para dentro do vaso, formando um coágulo que pode entupir o fluxo do sangue. Todos esses dados são possíveis graças à tecnologia do Brilliance 64. O aparelho obtém imagens do coração como se fossem cortes de espessuras com menos de um milímetro. E são feitos 64 cortes tomográficos simultaneamente. "Ele dá informações rapidamente e com uma precisão maior", explica o cardiologista Valdir Moises, assessor médico da empresa de saúde Fleury, em São Paulo.

O outro teste incluído pela Sociedade de Cardiologia é o ultra-som para medir a espessura da artéria carótida. Se for constatado que ela tem mais de um milímetro de espessura - o que aponta a presença de gordura -, há 25% de chance de o indivíduo sofrer um infarto ou derrame em sete anos. Na nova lista está ainda o Índice tornozelo-braquial. Trata-se do levantamento da pressão arterial em uma artéria do braço e em outra localizada na perna. Se a do membro inferior apresentar diferença, pode ser indício de que o depósito de gordura nos vasos sangüíneos já atingiu um caráter sistêmico. Ou seja, está no corpo todo. "Calcula-se que 66% das pessoas que têm obstrução nas artérias periféricas também manifestam o mesmo problema nas coronárias", explica o cardiologista Jairo Neubauer Ferreira, da Unidade de Check-Up do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Os cardiologistas vão incluir também exames que atestam a presença de novos marcadores bioquímicos. Um deles é a quantidade da proteína C Reativa no sangue. Ela é um indicador de inflamação e por isso tão importante quando se almeja a prevenção de males cardíacos. Hoje se reconhece a aterosclerose (depósito de gordura nos vasos) como uma doença inflamatória. E esse exame revela o processo de armazenamento de gordura ainda bem em seu início.

As outras duas substâncias que passam a fazer parte da lista são a microalbuminúria e a creatinina, dois compostos filtrados pelos rins. Se estiverem em excesso, é grande a chance de os vasos renais já estarem comprometidos pela gordura, o que eleva a possibilidade de as artérias do coração também estarem sofrendo. No entanto, essa associação entre enfermidades cardíacas e renais é uma novidade. Por isso, muitos médicos ainda não estão atentos à relação. "Mas é preciso dar mais atenção a isso", explica o médico Adagmar Andriolo, do Fleury.

Todos esses exames serão recomendados para os pacientes considerados de baixo ou médio risco. "Eles são o grande problema em termos de prevenção", afirma o cardiologista Cláudio Domenico Schettino, da Clínica São Vicente e GaveaCor, no Rio de Janeiro. É compreensível. Segundo estimativas internacionais, 40% da população apresenta risco médio. Isso significa que eles são portadores de apenas um ou dois fatores de risco clássicos, como tabagismo e obesidade. Por isso, pode-se ter a idéia equivocada de que estão livres de um infarto. Mas sabe-se que 66% desses acidentes cardíacos são causados justamente por obstruções menores que podem muito bem já estar corroendo as artérias desses indivíduos. Porém, sem ser submetidos a exames como a angiotomografia com escore de cálcio, elas jamais seriam diagnosticadas. Foi por meio desse teste, aliás, que o dentista Marcos Silva Costa, 44 anos, de São Paulo, soube que seu coração já apresentava as chamadas placas moles. Ele faz check-up há quatro anos, tem índices de colesterol normais, mas foi alertado por uma pequena alteração no resultado do teste de esforço a que se submeteu na última bateria de exames.

O resultado do exame obrigou Marcos a entrar em um programa mais agressivo de prevenção. "Isso tem de ser feito", afirma o cardiologista Raul Dias Santos, diretor da Unidade Clínica de Dislipidemias do Instituto do Coração (InCor), de São Paulo. Agora, mesmo sem nenhum sintoma, o dentista toma aspirina e estatina. O primeiro medicamento contribui para evitar a formação de coágulos, entre outros efeitos. E o segundo é o mais usado para o controle do colesterol. "Esses pacientes devem ser acompanhados mais de perto", defende o cardiologista Lilton Castellan Martinez, médico de Marcos.

Além dos testes recomendados pela Sociedade, há outra novidade na área de prevenção. Uma pesquisa realizada no InCor demonstrou que o ácido úrico poderá se tornar mais um novo indicador de risco para doença cardíaca. Segundo o trabalho, independentemente da existência de outros fatores de risco, homens com nível elevado de ácido úrico no sangue têm 3,5 vezes mais calcificação nas artérias coronárias e 2,8 vezes mais calcificações graves.

O trabalho, coordenado por Santos, será publicado na edição de janeiro da American Journal of Cardiology , uma das mais importantes revistas científicas em cardiologia do mundo. Outros estudos deverão ser feitos para esclarecer a relação entre as taxas de ácido úrico e a calcificação de placas e contribuir para que o indicador seja inserido oficialmente na lista dos marcadores de risco. Mas, na opinião do cardiologista Santos, seria recomendável que os médicos passassem a dar atenção a ele a partir de agora, principalmente nos casos de pessoas com história familiar de problemas cardíacos e com mais de 50 anos.

Alguns novos aparelhos para a prevenção de doenças cardíacas não entraram na lista da Sociedade de Cardiologia, mas ajudam bastante.

Um deles é o Looper, disponível no Hospital Albert Einstein. Ele é usado para detectar alterações no ritmo cardíaco em doentes com sintomas manifestados esporadicamente. Quando eles ocorrem, o indivíduo aciona um botão de registro e transmite os sinais, via telefone, a uma central localizada no hospital. Lá, eles são analisados por uma equipe para que seja feito o melhor diagnóstico e definido o tratamento mais adequado.

Outro reforço é o ultra-som intracoronário. O exame fornece informações sobre a anatomia da coronária e características das placas de gordura. Com esses dados à disposição, o médico pode, por exemplo, escolher com mais segurança o diâmetro e o comprimento do stent, se for necessária a colocação desse artefato (espécie de mola que abre as artérias para facilitar o fluxo sangüíneo). No Rio de Janeiro, o VeinViewer facilitará a retirada de sangue das veias. O aparelho ilumina a rede de vasos para que a punção seja mais rápida e menos dolorosa. "Isso diminui o stress do doente", diz a médica Márcia Marinho, diretora do Sérgio Franco Medicina Diagnóstica, onde o aparelho estará disponível.

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IMPACTO ECONÔMICO NO TRATAMENTO DA DIABETES

Ao mesmo tempo em que se observa um crescimento moderado do diabetes tipo 1 na população geral, o diabetes tipo 2 esta crescendo em uma velocidade explosiva. Embora praticamente todas as pessoas com diabetes tipo 1 recebam diagnóstico apropriado, estima-se que mais do que metade das pessoas com diabetes não têm conhecimento sobre a sua doença.

Fatores que contribuem para este aumento da prevalência de diabetes são:

  • Crescimento geral da população.
  • Envelhecimento da população.
  • Aumento do número de pessoas que tiveram diagnóstico.
  • Rastreamento populacional mais agressivo.
  • Tendência geral no mundo Ocidental para um estilo de vida com mais alimentos gordurosos e menos exercícios.
  • Adoção de um estilo de vida Ocidental em países com historicamente uma baixa incidência de diabetes, especialmente os países em desenvolvimento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que ao final do ano 2000 existiam 177 milhões de pessoas no mundo com diabetes; aproximadamente 10% das quais com diabetes tipo 1. No ano 2030, a OMS estima que o número total de pessoas com diabetes aumentar´para 370 milhões. Nós acreditamos que estes últimos anos confirmam estas predições, e mostraram que o diabetes está se tornando uma das doenças mais custosas em bases globais, em termos humanos e econômicos.

Nos pacientes com diabetes tipo 1 e 2, níveis cronicamente elevados de glicose na corrente sangüínea podem danificar os nervos e os pequenos vasos sangüíneos (complicações microvasculares), elevando o risco de várias complicações (as estatísticas abaixo são baseadas em dados de países economicamente desenvolvidos).

Cegueira: Diabetes é a principal causa de novos casos de cegueira e incapacidade visual em adultos de sociedades economicamente desenvolvidas. Os achado sugerem que, após 15 anos tendo esta condição, 2% das pessoas com diabetes tornam-se cegas e 105 desenvolvem incapacidade visual grave.

Doença renal: Diabetes é causa principal de doença renal terminal, correspondendo a 1/3 de novos casos.

Doença nos nervos e amputações: Aproximadamente 70% das pessoas com diabetes tem algum grau de lesão em nervos, e quando são graves, podem levar a amputação de membros inferiores. Além destas complicações, indivíduos com diabetes tipo 2 têm freqüentemente níveis elevados de lípides sangüíneos e colesterol, fazendo com que o risco de doença cardíaca e derrames (complicações macro-vasculares) 2 ou 4 vezes maiores do que o risco de pessoas sem diabetes.

Custos da assistência médica

Diabetes é um dos problemas de saúde mais dispendiosos. Existem poucos números de custo que são acurados para países individualmente, e as comparações são difíceis em virtude do fato de que valores de os sistemas de saúde e os custos variam em cada país. Entretanto, A federação Internacional de Diabetes, estimou que os custos diretos do diabetes são aproximadamente 6% do total do orçamento da saúde em nações economicamente desenvolvidas. Esta estimativa, baseada em dado sde 1995, assume que o diabetes afeta 6% da população, em média, e que os custos totais da assist~encia para alguém com diabetes é 2,5 vezes maior do que para pessoas sem esta condição. Os custos diretos totais do diabetes são mais elevados nos Estados Unidos, Japão, Alemanha, e França: US$ 60 bilhões, US 16,94 bilhões, US$ 10,67 bilhões, e US$ 7,3 bilhões, respectivamente.

A American Diabetes Association (ADA) compilou dados mais detalhados e precisos sobre os custos para os Estados Unidos, baseados no ano de 1997. Estimou-se os custos diretos do diabetes em US$ 44,1 bilhões. Este custo inclui controle da glicose (US$ 7,7 bilhões, 17,4%), tratamento das taxas de complicações crônicas acima do normal (US$ 11,8 bilhões, 26,8%), e as condições clínicas gerais (US$ 24,6 bilhões, 55,8%). Em média, pessoas com diabetes nos Estados Unidos, apresentam um dispêndio médico anual aproximadamente 4 vezes maior do que pessoas sem diabetes: US$ 10,071 versus US4 2.669 por pessoa, respectivamente.

Embora um número menor de avaliações tenham sido feitas em relação aos custos indiretos (aqueles devidos a perda da produtividade0, a maioria das estimativas as coloca em um patamar elevado ou até mais elevado do que os custos diretos. Por exemplo, custos indiretos e diretos do diabetes, em US$, para os Estados Unidos, México e Austrália, respectivamente, foram estimados ser 54,1 bilhões e 44,1 bilhões, 330 milhões e 100 milhões, e 280 milhões e 371 milhões. Avaliação da ADA dos custos indiretos incluem perda da produtividade devido a incapacidade (US$ 37,1 bilhões) e morte prematura (US$ 16,9 bilhões0. A ADA estima que, em média, pessoas com diabetes idade 18 a 64 anos, tem uma perda de 8,3 dias de tratalho em comparação com 1,7 dias por ano para pessoas sem diabetes. Nos Estados Unidos, um total de 159.719 mortes foram atribuídas ao diabetes, representando uma perda estimada ed 2 milhões de anos de vida.

Controle da hiperglicemia reduz as complicações

Os níveis elevados de glicemia são a origem da maioria das complicações do diabetes, portanto, manter o controle glicêmico é central para o tratamento. Ao longo dos anos, vários pequenos estudos sugeriram que uma terapia mais intensiva, para obter-se um controle mais rigoroso dos níveis de glicemia, pode prevenir ou retardar o aparecimento das complicações e, portanto, reduzir os custos associados. Em comparação com a terapia tradicional, terapia intensiva requer um monitoramento mais cuidadoso dos níveis de glicemia e administração de doses de insulina mais freqüentemente (por exemplo, três ou mais vezes ao dia) e/ou, no caso do diabetes tipo 2, medicamentos anti-diabéticos orais. Dois estudos fundamentais de grande porte apresentaram a comprovação definitiva que terapia intensiva oferece benefícios de saúde significantes em relação a terapia tradicional.

O Diabetes Control and Complications Trial (DCCT) mostrou que, no diabetes tipo 1, terapia intensiva retarda o início e reduz a velocidade de progressão de complicações microvasculares(4). Redução de risco de várias complicações ocorrem na faixa de 35% a 75%. Melhora do controle glicêmico foi também associado a redução dos eventos cardiovasculares, mas a diferença não foi estatisticamente significante, possivelmente porquê a população estudada foi de adultos jovens.

Mais recentemente o United Kingdom Prospective Diabetes Study (UKPDS) mostrou benefícios similares para a terapia intensiva no diabetes tipo 2(5). Terapia intensiva com insulina e medicamentos anti-diabéticos orais reduziu o risco de retinopatia, nefropatia, e possivelmente neuropatia. As taxas globais de complicações tiveram um decréscimo de 25%.

Pesquisas recentes sugerem que controlando a elevação da glicose sangüínea após a refeição - hiperglicemia pós-prandial - é especialmente importante na redução das altas taxas de doenças cardiovasculares em pessoas com diabetes tipo 2. Por exemplo, uma análise recente de 10 estudos Europeus com mais de 22.000 pessoas com diabetes tipo 2 mostrou que os níveis de glicose sangüínea duas horas após carga padronizada de glicose prediz melhor a mortalidade por doenças cardiovasculares do que os níveis de glicose plasmática de jejum(6).

De maneira similar, o fundamental estudo DECODE, baseado em 13 estudos separados com mais do que 25.000 pessoas com diabetes, mostrou que os níveis de glicose pós-prandial de duas horas são tão significantes quanto a pressão arterial sistólica para a predição de mortalidade por todas as causas, e são melhores preditores da mortalidade do que a glicemia de jejum em pacientes sem história de diabetes.

Custo versus benefício da terapia intensiva

Terapia intensiva com insulina custa mais do que a terapia tradicional: US$ 4.000 a US$ 5.800 versus US$ 1.700 por ano, respectivamente, de acordo com uma estimativa(8). Alguns pesquisadores examinaram se os benefícios compensam os custos extras. Embora existam diferentes opiniões devido a diferentes valores que são assumidos nas análises econômicas, a maioria das opiniões são que os benefícios compensam os custos extraordinários. A conclusão do UKPDS para pessoas com diabetes tipo 2 é que "Os custos adicionais do controle intensivo da glicemia são amplamente compensados pelas reduções significantes nos custos do tratamento das complicações do diabetes"(9). Por exemplo, em uma revisão da literatura, um grupo de pesquisadores notou que os custos da terapia intensiva são de aproximadamente US$ 20.000 e US$ 16.000 por ano de vida com qualidade ajustado (QALY) para o diabetes tipo 1 e tipo 2, respectivamente. Concluiu-se que, do ponto de vista econômico, estes valores são melhores do que a terapia farmacológica para indivíduos de alto risco com hipertensão e hipercolesterolemia, e que as políticas de saúde deveriam promover o uso de terapia intensiva para pessoas com diabetes(10).

Infelizmente, apesar das demonstrações inequívocas dos benefícios da terapia intensiva e as convincentes análise de custo-benefício, terapia intensiva não é universalmente aceita pelos sistemas de saúde ou disponível para a maioria dos indivíduos com diabetes por variadas razões(11). Injeções múltiplas diárias de insulina podem dificultar a aderência, além disso, terapia intensiva necessita de tempo, esforço, participação e comunicação entre o paciente e o médico.

Claramente, os benefícios da terapia intensiva devem ser comunicados convincentemente para os profissionais de saúde, managed care organisations, e pessoas com diabetes. Novos métodos de administração da terapia sem injeções - com insulina inalatória, que está atualmente em estudo - também podem fazer com que a terapia com insulina seja mais conveniente e menos invasiva, promovendo maior aderência e um tratamento mais intensivo, e portanto, reduzindo o risco de complicações do diabetes e salvando vidas.

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