MUSCULAÇÃO DIMINUI O RISCO DE DIABETES EM IDOSO

O que fazer depois dos 60 anos para preencher o tempo livre da aposentadoria? Musculação. Entre levar uma vida sedentária trancafiado dentro de casa ou freqüentar uma academia é melhor seguir a segunda opção. Pode parecer um passatempo voltado aos jovens, mas um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou que o exercício físico com pesos reduz os riscos dos idosos desenvolverem a diabetes não hereditária.

A pesquisa orientada pela professora Mara Patrícia Traina Chacon Mikahil, da Faculdade de Educação Física (FEF) da Unicamp, submeteu dez homens acima de 60 anos -- sedentários e saudáveis -- ao treinamento com pesos durante 16 semanas. O resultado foi comparado com um outro grupo formando por oito idosos. Foram avaliados os efeitos dos exercícios sobre a resistência à insulina (RI) -- hormônio responsável pela redução da taxa de glicose no sangue --, composição corporal e força muscular.

O grupo que se exercitou apresentou o índice de Homeostasis Model Assesment (Homa), que mede o fator de RI, abaixo de 2,71. Em idosos, o número acima desse valor significa que possui potencial para desenvolver a diabetes mellitus tipo 2.

Os exercícios físicos não diminuem esse fator, mas o aumento da força muscular significa menor risco no desenvolvimento da doença. Principalmente, porque a gordura corporal relativa do corpo diminui.

Denise Reis Franco, endocrinologista e coordenadora de educação em diabetes da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ) explica que no idoso a doença é silenciosa. “Ele se sente cansado, desanimado e deprimido e acredita que isso não é nada”, conta. “Quando vai realizar um exame de rotina ou apresenta alguma complicação como um infarto, acaba descobrindo a doença”, diz.

A maioria dos adultos desenvolve a doença por volta dos 40 anos. A partir dessa idade, é comum ela estar associada a outras doenças como hipertensão. A diabete pode causar doenças cardiovasculares, insuficiência renal e até cegueira. “Depois dessa complicação da doença, só basta tratar”, diz Denise.

Segundo relatório do Sistema Único de Saúde (SUS), de 2005, a hipertensão arterial e o diabetes mellitus são doenças de alta prevalência. Entre as cardiovasculares, o derrame ou Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a doença coronariana aguda são responsáveis por 65% dos óbitos na população adulta. A partir dos 60 anos, as pessoas apresentam uma somatória de doenças. “O idoso deve relatar isso ao médico, pois as medicações podem interagir”, explica.

Para viver melhor

O último Censo de Diabetes foi realizado em 1988 pelo Ministério da Saúde. Mostrou uma prevalência de 7,6% de diabetes na população brasileira de 30 a 69 anos. Destes, cerca de 50% não sabiam que tinham a doença. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, o número de diabéticos e pré-diabéticos está aumentando devido ao crescimento e envelhecimento populacional, maior urbanização, crescente prevalência de obesidade, sedentarismo e maior sobrevida do paciente.

“Por isso o idoso não deve ficar em casa levando uma vida sedentária”, diz Fernanda Castelo Branco, nutricionista. É indicada a atividade física, independente da idade. O principal cuidado deve ser com a adaptação do exercício à condição física. “A visão e o músculo do idoso fica mais lento, por isso é importante acompanhamento na hora dos exercícios”, afirma Fernanda. “Caminhar nas nossas calçadas, por exemplo, pode ser um perigo. Ele pode cair e piorar sua condição física”, alerta.

O que é pré-diabetes

Trata-se de uma condição clínica em que o paciente apresenta níveis elevados de glicose -- açúcar -- no sangue, mas inferior para obter o diagnóstico de diabetes do tipo 2. Porém quem possui o pré-diabetes apresenta 34% mais chance de falecer devido a um problema cardiovascular ou derrame cerebral.

Diferença entre tipos 1 e 2

A diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune, genética, que pode aparecer até na idade adulta. A tipo 2 pode ser “adquirida”. Quem pode identificar a diferença é um médico. “Geralmente, quem possui a tipo 1 não produz nada de insulina”, diz Fernanda. A doença tipo 2 pode ser evitada.

Como evitar

Fatores de risco que podem colaborar com o desenvolvimento da doença: parentes com diabetes; comer muita gordura, doces ou manter uma má-alimentação de alta caloria; hipertensão; sedentarismo. As dicas de prevenção são: evitar o sedentarismo e ganho de peso; comer de cinco a seis vezes ao dia, de três em três horas; manter uma alimentação equilibrada, pode comer doces, só deve evitar o exagero; se alimentar com frutas, verduras e legumes; ingerir fibra para melhorar a digestão, como cereais integrais, frutas in natura e hortaliças cruas; beber água; diminuir o consumo de gordura e álcool; fazer exames de prevenção anualmente.

Atenção: “O idoso é mais lento, gasta menos energia e possui digestão mais devagar. Assim, os alimentos escolhidos devem ser de fácil mastigação e fracionado ao longo do dia”, diz Fernanda. Sinais de alerta: diminuição brusca de peso, inchaço nas pernas, obesidade ou sobrepeso, urinar muito, sentir sede demais, ter dores no corpo e fome extrema.


PREVENÇÃO A DOENÇAS CARDIOVASCULARES É DESTAQUE

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que as doenças do coração matam 17,5 milhões de pessoas todo ano no mundo – um terço dos óbitos mundiais. Para reduzir esses números, em ocasião ao Dia Mundial do Coração, comemorado no próximo domingo, dia 28, sociedades médicas internacionais divulgam as cinco principais medidas preventivas para a redução dos problemas cardiovasculares em pacientes de risco.

Em um novo relatório sobre o tratamento de pacientes com risco cardiovascular, elaborado por três das principais organizações médicas norte-americanas de saúde, os especialistas recomendam parar de fumar, reduzir o peso, baixar os níveis de colesterol, controlar o diabetes, além do uso contínuo da aspirina. Segundo eles, essas medidas preventivas poderiam reduzir em até 63% a ocorrência de infartos e em 31% de derrame nas próximas três décadas.

O relatório foi emitido pela American Câncer Society, American Diabetes Association e a American Heart Association, e publicado nas revistas cientificas Circulation e Diabetes Care. Ele indica que mais de 78% dos adultos norte-americanos devem seguir pelo menos uma dessas medidas preventivas.

“A doença aterosclerótica é multifatorial e, para uma prevenção eficaz, devemos conhecer os fatores de risco e atuar sobre eles.” explica Andréia Assis Loures Vale, presidente da Sociedade Mineira de Cardiologia. O estilo de vida inadequado – sedentarismo, tabagismo, obesidade – e problemas como diabetes, hipertensão arterial e histórico familiar, aumentam os riscos, mas também podem ser controlados com mudanças de hábitos e medicamentos.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortalidade da população, representando 31,5% dos óbitos. Para mudar esse quadro, a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a empresa farmacêutica Sanofi-Aventis lançam a Campanha Nacional de Prevenção do Risco Cardiometabólico.

O objetivo da campanha, que vai até o dia 14 de novembro, Dia Mundial do Diabetes, é de conscientizar a população sobre a importância de prevenir e controlar os fatores de risco que prejudicam a saúde cardíaca, como obesidade abdominal, índices elevados de triglicérides (gordura) no sangue, altas taxas de glicemia (açúcar), além de baixos níveis de “bom” colesterol (HDL). (27/09/08)


ÁCIDOS GRAXOS ÔMEGA - 3 E PACIENTES CARDÍACOS

Uma cápsula diária de ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 pode reduzir a mortalidade e as internações devido a doenças vasculares em pacientes com problemas cardíacos, enquanto as estatinas - usadas para combater o colesterol - quase não surtem efeito. Esta foi a conclusão de dois estudos do Grupo Italiano para o Estudo da Sobrevivência na Insuficiência Cardíaca (Gissi, em italiano), dirigidos pelos professores Luigi Tavazzi e Gianni Tognoni, informa a revista médica "The Lancet".

Os pesquisadores dividiram os pacientes em dois grupos: os do primeiro (3.494 pessoas) receberam uma cápsula diária de ômega-3, enquanto os 3.841 doentes do segundo grupo tomaram placebo.

A maior parte dos pacientes do grupo que recebeu o placebo (2.053, equivalente a 59%) morreu ou teve de ser hospitalizada devido a problemas cardiovasculares. Já no outro grupo, o número foi de 1.981 pessoas (57%), o que equivale a uma redução efetiva de 5%.

Os pesquisadores analisaram os resultados de outro estudo realizado em 357 centros cardiológicos da Itália sobre os efeitos da rosuvastatina em pacientes cardíacos, cuja evolução foi acompanhada durante quatro anos. Um total de 2.285 pacientes recebeu estatina de dez miligramas diariamente, enquanto outros 2.280 receberam placebo. No primeiro grupo, 657 pacientes (29% do total) morreram devido a diversas causas no primeiro grupo, frente aos 644 (28%), no segundo.

A proporção de pacientes que morreram ou tiveram de ser hospitalizados devido a algum problema cardiovascular também foi similar em ambos os grupos: 57% no primeiro caso e 56%, no segundo. O doutor Gregg Fonarow, do Centro de Cardiomiopatia Ahmanson-UCLA, em Los Angeles , comentou os resultados na "Lancet". "No caso dos suplementos de ácidos graxos ômega-3 foram observados benefícios. No caso das estatinas, infelizmente não", disse. (01/09/08)


VARIZES ATINGEM 35% DAS BRASILEIRAS

As varizes atingem 35% da população brasileira acima dos 15 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Essa percentagem sobe para 70% quando o grupo observado é composto por pessoas acima dos 70 anos. As veias dilatadas, alongadas e tortuosas nas pernas causam dor, sensação de cansaço, inchaço, cãibras, além do incômodo estético.

O fator predominante do surgimento deste mal é genético, segundo especialistas. "Podemos adiar o surgimento das varizes com alguns hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos e controle da obesidade", diz o cirurgião vascular Eduardo Toledo Aguiar, livre docente da Universidade de São Paulo (USP).

As mulheres são as principais vítimas desta doença: num grupo de 10 pessoas, três têm varizes e todas são do sexo feminino. Os vilões dessa história são tipicamente femininos: o uso de pílulas anticoncepcionais, a reposição hormonal, a gravidez e o uso de salto alto.

 

"Depilação com cera quente e calças justas são fatores que contribuem para o surgimento do que chamamos de varizes adquiridas", afirma o cirurgião vascular Jorge Kalil, chefe do serviço de cirurgia vascular do Hospital São Luiz, em São Paulo.

O principal desconforto estético é causado pelas alterações na pele com o surgimento de manchas de tonalidade azul escuro, que podem avançar para as nódoas de tom castanho escuro, com possibilidade de culminar em úlceras, ou seja, feridas nas regiões mais afetadas (pernas e tornozelos). Apesar dos avanços tecnológicos, os especialistas ressaltam que não há cura definitiva para a doença. "Não há cura total, mas com os tratamentos, conseguimos evitar que o indivíduo sinta dores ou tenha as pernas inchadas", destaca Aguiar.

Com este cenário, os métodos mais utilizados atualmente já são velhos conhecidos da sociedade: a escleroterapia, popularmente conhecida como secagem, ou a cirurgia. "A cirurgia só é feita em pacientes que tem varizes no grau 4, com veias calibrosas. Neste caso, o tratamento não é só um fator estético, mas também prevenir de futuras seqüelas", explica Kalil. Nos graus 1 e 2, o especialista afirma que a secagem é o método mais aplicado e, no grau 3, a microcirurgia - com finas agulhas - é o tratamento mais indicado.

Ambos reiteram que a prevenção é o melhor tratamento. "O primeiro diagnóstico é visual. Mas se não tratadas de forma correta, as varizes podem progredir e gerar severas complicações como eczemas, tromboses, úlceras e hemorragias", destaca Eduardo Toledo Aguiar. "O cirurgião vascular brasileiro é o melhor do mundo. Além disso, hoje os tratamentos são minimamente invasivos e não há nenhuma restrição", destaca Jorge Kalil. (12/08/08)


MAL DA CÓRNEA

No Dia da Saúde Ocular, celebrado nesta quinta (10/07/08), especialistas chamam a atenção para um problema na vista que passa desapercebido pela maioria dos pacientes por falta de conhecimento. O ceratocone, também conhecido como córnea cônica, atinge 2,5% da população brasileira e tende a evoluir para uma perda total da visão, por isso a importância do acompanhamento médico.

Ceratocone é uma doença em que a forma da córnea, que geralmente é redonda, torna-se distorcida, desenvolvendo uma protuberância no formato de cone que danifica a visão. A progressão da doença depende da idade do paciente no momento em que ela teve início: quanto mais jovem, mais rápida a evolução.Por volta dos 16 anos, a pessoa começa a apresentar uma fragilidade localizada das fibras de colágeno da córnea, provocando a deformação. Geralmente acomete os dois olhos, em níveis diferentes – explica Renato Fernandes, especialista em cirurgias de catarata e de córnea da Clínica Cirurgia Ocular Tijuca e membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia.

O ceratocone ainda não tem causa identificada, mas é uma condição herdada e, às vezes, salta gerações. Para o paciente, é difícil diferenciar os males da vista. Ele vê que está enxergando cada vez pior, mas não sabe identificar o que tem. Por isso é importante ir ao médico. Muitas pessoas ignoram, nunca ouviram falar, e ficam surpresas quando vêm ao consultório e descobrem que têm ceratocone – diz Miguel Padilha, diretor do departamento de oftalmologia do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

O paciente jovem começa a desenvolver miopia ou astigmatismo, faz um óculos e seis meses depois já não está enxergando bem. Então, o oftalmologista repete o exame e vê que a miopia aumentou. Isto pode ser um sinal de ceratocone, geralmente associado a uma miopia e um astigmatismo de cerca de 5 graus: Por volta dos 25 anos a visão já fica bem prejudicada, principalmente para longe. A pessoa vê tudo distorcido, e enxerga sombras e fantasmas em torno dos objetos. Outros sintomas podem incluir ardência, vista cansada e fotofobia.

Inicialmente é indicado o uso de óculos, mas o paciente deve o quanto antes começar a usar lente de contato dura. À medida que a doença evolui, a progressão do afinamento e da protusão corneana causam um astigmatismo irregular elevado. Embora as lentes de contato permitam a melhora da visão, seu uso não influi na progressão do ceratocone.

Quando houver intolerância às lentes de contato ou quando as mesmas passarem a não funcionar mais, é indicado o implante de anel intracorneano. Trata-se de pequenos anéis colocados na base da córnea, que estabilizam a base do cone. Permite controlar a doença por muitos anos. O anel é perfeitamente tolerado pelo organismo – não há risco de rejeição.

Se depois de um longo tempo a córnea continuar piorando e a visão caindo, a última alternativa é o transplante de córnea, para substituir a defeituosa por uma nova. Enquanto a pessoa tiver boa parte da visão preservada, é importante adiar o transplante de córnea. Deixamos isso para último recurso, afinal, a nova córnea não dura para sempre e a cirurgia não é livre de riscos.

 

Em última análise, a diabetes pode custar caro, da cabeça aos pés. No cérebro, ela aumenta o risco não só de depressão, mas também de problemas do sono e derrames. Ela põe em risco a visão e a saúde dos dentes. Este mês, o Annals of Internal Medicine relata que a doença aumenta em mais que o dobro o risco de perda da audição.

Um novo tratamento, mais moderno, está sendo testado com uma terceira opção. O cross linking consiste no uso de um colírio com riboflavina, seguido de exposição a raios ultravioletas.

O diagnóstico é intuído por sinais clínicos e confirmado com uma topografia da córnea – fotografia mais nítida da superfície da córnea, que mapeia deformidades. Na esquiascopia – exame de rotina para ver o grau dos óculos – o médico pode também suspeitar que a pessoa é portadora de ceratocone por uma alteração na cor da pupila. Há ceratocones bem discretos, chamados frustros. Só exames muito apurados levam a sua descoberta. Às vezes a pessoa pode conviver a vida inteira com o mal sem grandes problemas.


DOENÇA CIRCULATÓRIA MATA MAIS MULHERES

Todos os anos, centenas de milhares de brasileiras morrem por problemas no coração, veias e artérias. As doenças do aparelho circulatório são a principal causa de óbito entre mulheres no país --matam mais do que o câncer e problemas respiratórios juntos.

Infartos e derrames, entre outras doenças relacionadas à circulação sangüínea, vitimaram 135 mil brasileiras em 2004, segundo o Datasus (Banco de dados do Sistema Único de Saúde). O número corresponde a mais de um terço (36%) dos óbitos daquele ano (374 mil). O percentual foi menor entre os homens (29%), apesar do número maior de mortes relacionadas a essas doenças (150 mil, de um total de 523 mil).

No ranking da mortalidade feminina, o câncer aparece em segundo lugar (17%), seguido por doenças do aparelho respiratório (12%). Segundo o cardiologista Antônio Mansur, coordenador do Nepcom (Núcleo de Estudos e Pesquisas do Coração da Mulher do Incor - Instituto do Coração do Hospital das Clínicas), as mortes súbitas são bastante comuns entre as formas de óbito de pessoas com problemas circulatórios. Cerca de metade delas, seja homem ou mulher, morre subitamente --ou seja, com o aparecimento de sintomas até 24 horas antes do óbito.

A dor no peito é o sintoma mais comum de doença coronariana, ocorrendo em 80% das pacientes. "É uma dor no meio do tórax, como um aperto, que tem intensidade e duração variadas", indica Mansur. "Ela pode irradiar-se para o braço esquerdo, pescoço e até para a mandíbula." Uma minoria apresenta sintomas atípicos, como fadiga, falta de ar, palpitações e até desmaios.

A grande maioria das mortes súbitas por problemas cardíacos está associada a arritmias. Essas variações se caracterizam por implicar ao coração uma atividade fora da média de 50 a 100 batimentos por minutos em ritmos regulares.

Segundo Leandro Zimmerman, presidente do departamento de arritmias cardíacas da Sociedade Brasileira de Cardiologia, na população em geral a chance de óbito relacionado a arritmias sérias é de um em 1.000. No final deste ano, a entidade promoverá a segunda etapa de uma campanha de conscientização sobre arritmias.

 

"Há arritmias perigosas e outras que não apresentam riscos", afirma Zimmerman. "Há as que não estão relacionadas a outros problemas e aquelas associadas a insuficiência cardíaca." Os casos que podem evoluir para a morte súbita, explica o médico, estão relacionados ao histórico familiar de doenças genéticas e a problemas cardíacos preexistentes. "Quem tem insuficiência cardíaca e sente palpitação, por exemplo, está em altíssimo risco." O caminho para reduzir as chances de óbito começa com o diagnóstico correto e preciso, que dará base para um trabalho de prevenção.

"Quase todo mundo, em algum momento da vida, terá arritmia. Se a pessoa tomar café ou dormir pouco, pode apresentar batimentos diferenciados, sem que isso signifique algum tipo de risco", diz Zimmerman. Ainda assim, para não deixar dúvidas sobre a saúde do coração, o especialista aconselha buscar um profissional. "Não se deve menosprezar os sintomas. Se a pessoa sofrer uma palpitação ou desmaio, é melhor que o médico --e não a pessoa-- diga que não é nada." (26/06/08)


VITAMINA D E INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

A vitamina D, conhecida por ajudar a prevenir alguns tipos de câncer e osteoporose, pode também ajudar a proteger o coração, segundo estudo da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. Em estudo com ratos, os cientistas descobriram que o tratamento com a vitamina D ativada (calcitriol) pode prevenir a hipertrofia do músculo cardíaco, na qual o coração fica alargado e sobrecarregado em pessoas com insuficiência cardíaca.

E o tratamento impediu que as células do músculo cardíaco tivessem o excesso de estímulo e o aumento de contrações associados à progressão da doença. Os autores destacam que, para muitas pessoas, tomar suplementos da vitamina e se expor ao sol são boas opções, mas pacientes com insuficiência cardíaca precisarão de uma droga com base na vitamina D que tenha maior efeito sobre o coração. (13/06/08)


NOVA DROGA PARA DIABETES

Uma droga desenvolvida a partir da saliva do maior lagarto venenoso dos EUA, o monstro de Gila, chegou ao Brasil como uma nova arma no combate ao diabetes do tipo 2. A exenatida, comercializada pela Eli Lilly com o nome Byetta, ajuda ainda na perda de peso. O medicamento torna lento o esvaziamento gástrico e age no sistema nervoso central dando a sensação de saciedade – explica Solange Travassos, doutora em endecronologia pela UFRJ. O remédio, injetável, custa R$ 370 por mês. Byetta é o primeiro medicamento inteligente para diabetes. Só funciona quando a pessoa se alimenta e o açúcar no sangue está alto. Quando a glicemia volta a níveis normais, ele pára de agir, tornando muito baixo o risco da temida hipoglicemia. 


HIPERTENSÃO MATA MAIS QUE CÂNCER

Mulheres, cuidado. Está comprovado que hipertensão arterial mata mais do que o câncer de mama e a Aids. E o anticoncepcional é um dos causadores dessa enfermidade. A doença misteriosa que, na maioria dos casos não apresenta sintomas, surpreende os nordestinos, considerados os mais hipertensos do País (segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Cardiologia), e pode levar a infartos e acidentes vasculares cerebrais. Transtornos que podem ser evitados se as pessoas fizerem a verificação da pressão arterial. E no dia 26 de abril, se comemorou o Dia Nacional de Prevenção e Combate a Hipertensão Arterial.

A doença se caracteriza pela diminuição no diâmetro das artérias aumentando o fluxo sangüíneo e faz com que o coração trabalhe com mais força. Entre as principais causas está o envelhecimento em conjunto com determinados fatores de risco que podem ser ambientais ou hereditários. Os ambientais são relacionados a uma alimentação à base de sal, de gordura e carboidratos, que levam ao sobrepeso.

Além do estresse, do tabagismo e do sedentarismo. Por sua vez, alguns anticoncepcionais podem fazer com que o fígado produza o angiotensinogênio, substância que também aumenta o fluxo sangüíneo nas artérias. O tratamento é feito através de uma dieta com redução de sal, atividades físicas, controle do peso, abolição do fumo, e no caso das mulheres, atenção ao anticoncepcional.

Segundo o cardiologista Edgar Pessoa de Melo, há um verdadeiro arsenal terapêutico para se tratar os hipertensos, mas os medicamentos só são utilizados quando a dieta não alcança o resultado esperado. “A hipertensão é uma doença muito fácil de se controlar, mas é preciso que o paciente se trate e cumpra as medidas higienodietéticas. Para se ter uma idéia da gravidade, no Brasil, o câncer de mama mata 4% das mulheres e as doenças cardiovasculares matam 50%. Vale dizer que a hipertensão é a principal causa-morte dessas enfermidades”, explicou.

Apesar de simples, a descoberta da doença normalmente é retardada porque os pacientes não percebem que estão doentes. A principal dificuldade relacionada ao diagnóstico é que, em 80% dos casos, os hipertensos não sentem nada. Enquanto os outros 20% apresentam sintomas superficiais que podem ser inúmeras outras enfermidades, são dores na nuca, desconforto no tórax e cansaço no corpo.

Há 20 anos, Carmem dos Santos descobriu que é hipertensa e desde então freqüenta regularmente cardiologistas e toma remédios diariamente. “Quando descobri que estava doente, fiquei com medo, mas agora eu já estou acostumada, não sinto nada e sei que quando tomo o remédio fica tudo controlado. O problema é maior quando eu estou preocupada com alguma coisa, sinto umas palpitações”, comentou a hipertensa de 76 anos.

 

VACINA CONTRA PRESSÃO ALTA

Uma injeção a cada quatro meses pode, um dia, substituir a necessidade de remédios diários para o controle da pressão sangüínea. Isso é o que uma equipe de pesquisadores suíços especializados em biotecnologia pretende tornar possível. Eles descobriram uma vacina que, aplicada a cada quaro meses, mostrou-se capaz de estabelecer um controle efetivo da pressão.

A injeção foi testada em 72 pacientes que sofrem de pressão alta e o resultado foi considerado eficaz e sem efeitos colaterais significativos. Os pesquisadores estão otimistas sobre o futuro da vacina, mas ressaltam que ainda é preciso fazer testes em larga escala para lançar o produto no mercado.
Problemas causados por pressão alta afetam um em cada quatro adultos, dobram as possibilidades de morte por ataque cardíaco e são responsáveis por 60 mil óbitos somente na Grã-Bretanha. O tratamento convencional adotado hoje consiste na ingestão diária de remédios para que a pressão seja mantida de forma regular.

Os pesquisadores acreditam que a vacina seja eficaz no combate a um hormônio que causa a contração dos vasos sangüíneos e o conseqüente aumento na pressão arterial. Duas doses da vacina - uma de 300 microgamas e outra de 100 microgramas - foram usadas durante os testes, assim como um dose fictícia, sem efeito, por um período de 14 semanas.

As injeções foram aplicadas no início dos testes e depois de 12 semanas - o suficiente para dar ao paciente um prazo de quatro meses de cobertura da vacina. Nenhuma das doses diminuiu a pressão significativamente durante a noite. Mas, durante o dia - período no qual a pressão costuma subir com freqüência - a dose maior causou uma diminuição importante dos níveis de pressão sangüínea. Outro fato importante observado pelos pesquisadores é que a vacina não causou efeitos colaterais graves.

O chefe do experimento, Martin Bachman, disse que a vacina poderia oferecer um meio muito mais simples de controle da pressão sangüínea e que sua aplicação poderia ser feita durante visitas regulares ao médico. - Isso garantiria uma regularidade adequada ao tratamento - disse Bachman. Professor da British Heart Foundation, Jeremy Pearson gostou dos resultados da pesquisa que qualificou de "promissores".


MEDICAMENTOS CONTRA HIPERTENSÃO REDUZIRIAM RISCO DE PARKINSON

Pacientes tratados contra a hipertensão com uma categoria de medicamentos chamados inibidores cálcicos poderiam também correr menos riscos de desenvolver o mal de Parkinson, segundo estudo publicado nesta quarta-feira (06 de fevereiro de 2008). De acordo com a pesquisa, realizada por pesquisadores suíços, pacientes tratados durante um longo período de tempo com inibidores cálcicos têm 23% menos riscos de desenvolver Parkinson, infecção neurológica incurável, em relação àqueles que não passaram pelo tratamento.

"O uso a longo prazo de inibidores cálcicos foi associado a um risco diminuído de desenvolvimento do mal de Parkinson, enquanto uma associação deste tipo não foi observada com outros medicamentos utilizados para combater a hipertensão", explica o autor principal do estudo, Christoph Meier. Entretanto, Meier e seus colegas, que monitoraram mais de 7.000 homens e mulheres maiores de 40 anos na Grã-Bretanha, não conseguiram estabelecer através de qual mecanismo estes medicamentos reduzem o risco de ter Parkinson.

Os inibidores cálcicos diminuem a pressão sangüínea impedindo que o cálcio penetre nas células do coração e nos vasos sangüíneos. O resultado é uma dilatação dos vasos e uma menor contração do coração. Os medicamentos Dilacor, Adalat, Cardazem, Procardia e Covera são inibidores cálcicos. O mal de Parkinson é uma doença degenerativa que afeta principalmente pessoas com mais de 60 anos, e se caracteriza por tremores,rigidez dos músculos e lentidão dos movimentos. O estudo foi publicado pela revista Neurology, da academia americana de neurologia.


A AFERIÇÃO DOMICILIAR DA PRESSÃO ARTERIAL AJUDA A REDUZIR
O USO DE MEDICAMENTOS E PRESERVA A SAÚDE

Estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Maastrich, na Holanda, e publicado na revista Hypertension , da Associação Americana do Coração, relata que indivíduos que medem sua pressão arterial em casa conseguem reduzir o uso de medicamentos para controlar e, conseqüentemente, os gastos com esses medicamentos.

Quatrocentos e trinta hipertensos participaram do estudo e foram divididos em dois grupos. Um deles mediu seus níveis de pressão arterial em casa para orientar o tratamento e o outro teve sua pressão medida no consultório médico. Ao longo de um ano, foram registrados os resultados das medições, a quantidade de medicamentos necessária para controlar a pressão arterial em níveis adequados, os gastos com o tratamento e os danos aos órgãos-alvo como e coração.

 

Os resultados mostraram que o grupo que aferia a pressão em casa utilizou menos medicamentos e gastou menos para controlar sua pressão arterial. Através da monitorização da pressão arterial de 24 horas (MAPA) pôde-se ver também que os níveis pressóricos dos dois grupos eram semelhantes e que a a função dos e do coração também não foi afetada pelo método de controle utilizado. A participação dos pacientes é essencial para o sucesso de qualquer tratamento. A medida da pressão arterial em casa requer um treinamento mínimo dos pacientes e o uso de um aparelho (conhecido como esfigmomanômetro) com qualidade comprovada.



BRASIL TERÁ 470 MIL NOVOS CASOS DE CÂNCER NO PRÓXIMO ANO

O Brasil terá aproximadamente 470 mil novos casos de câncer em 2008, de acordo com estimativa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). O maior número de casos (cerca de 115 mil) deverá ser de câncer de pele do tipo não-melanoma, que apresenta baixo índice de mortalidade, seguido pelos cânceres de próstata (49,5 mil), de mama (49,4 mil) e de pulmão (27,2mil). As projeções são as mesmas para 2009. Os números fazem parte do relatório Estimativa 2008 de Incidência do Câncer no Brasil, elaborado pelo Inca para orientar os gestores públicos na programação de ações para controle e prevenção da doença.


DOENÇAS CARDÍACAS PODEM ESTAR LIGADAS À POLUIÇÃO

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Los Angeles concluiu que a poluição ambiental combina-se com a gordura nas artérias e eleva a tendência ao desenvolvimento de arteriosclerose. Os cientistas expuseram células das paredes arteriais tanto a partículas de gases emitidos pela combustão de diesel quanto à gordura encontrada no LDL, o "colesterol ruim" que causa o bloqueio das artérias. Um conjunto de genes ligados ao desenvolvimento de arteriosclerose foi ativado nos dois casos.


ALZHEIMER: DIABETES TIPO 3?

Novos estudos reforçam tese de que doença de Alzheimer pode ser um tipo de diabetes; pesquisadores buscam saber se remédios para diabéticos podem melhorar perda cognitiva. Desde que foi descrita pela primeira vez, em 1906, a doença de Alzheimer tem sido alvo de várias controvérsias no meio científico. Agora, pesquisadores acrescentam mais uma peça a esse quebra-cabeça com uma nova tese: a de que a doença de Alzheimer é um tipo de diabetes. 

Uma pesquisa recém-publicada no "Faseb Journal" (publicação da federação das sociedades americanas de biologia experimental) reforça essa idéia. O estudo, da Universidade Northwestern (EUA), mostra que partículas tóxicas típicas da doença de Alzheimer (as ADDLs) deixam os neurônios resistentes à insulina e que isso prejudica a transmissão de dados entre eles. 

"O estudo mostra que a doença de Alzheimer pode ser uma nova forma de diabetes que afeta especificamente o cérebro, o que a comunidade científica internacional está começando a chamar de diabetes tipo 3", afirma Fernanda De Felice, pesquisadora visitante da Universidade Northwestern e co-autora do trabalho. Segundo De Felice, que é professora na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o grupo pesquisa agora, in vitro, se as drogas para diabéticos podem prevenir o impacto das ADDLs. "Esses remédios são uma promissora abordagem terapêutica", diz ela, ressaltando que ainda é cedo para saber se a terapia funcionará. 

Paulo Caramelli, coordenador do departamento de neurologia cognitiva e do envelhecimento da ABN (Academia Brasileira de Neurologia), acha a hipótese "interessante". "Se confirmarem que a resistência à insulina nos neurônios está ligada ao surgimento da doença, isso pode ter um impacto enorme no tratamento." 

Mas, para Cybelle Diniz, diretora científica da Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer)-regional São Paulo, as pesquisas ligadas à tese do diabetes tipo 3 ainda não são convincentes. "A deposição da proteína beta-amilóide por si só irrita os neurônios, gerando uma inflamação que pode matá-los. Isso afeta seu funcionamento como um todo, e não só seus receptores de insulina." 

Já se sabe que quem tem diabetes tipo 2, especialmente quem não controla a glicemia, costuma sofrer leves alterações de memória e tem mais risco de desenvolver a doença de Alzheimer, diz Caramelli. "O cérebro é o maior consumidor de glicose do corpo. Se as células não internalizam a glicose, seu funcionamento fica comprometido", afirma o neurologista. 
A hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue) pode levar à morte de neurônios, explica Rossana Russo Funari, geriatra do Hospital Edmundo Vasconcelos. "Repetidamente, isso leva à demência." Já a hiperglicemia lesiona os pequenos vasos sangüíneos, afetando a irrigação cerebral e matando neurônios. Caramelli diz que a teoria do diabetes tipo 3 é, hoje, uma das áreas de pesquisa mais promissoras sobre Alzheimer, mas que há outras hipóteses. 

Três grandes alvos de estudo na área são os processos inflamatórios no cérebro, o estrogênio e a nutrição -a incidência da doença é menor na região do Mediterrâneo, por exemplo, o que chamou a atenção para a dieta local. Mas esse viés também é controverso. "Provavelmente, não se trata de um fator, mas de todo o estilo de vida dessas pessoas", afirma Diniz.  


CONTROLE DA PRESSÃO REDUZ EM 18% MORTE DE DIABÉTICO

Pesquisa feita com 11 mil pessoas de 20 países com medicamento que alia diurético a droga para pressão demonstrou eficácia do tratamento. Controlar a hipertensão é a recomendação de qualquer médico para seus pacientes. No caso dos diabéticos com o tipo 2 da doença - a mais freqüente -, uma pesquisa revela que diminuir a pressão arterial para uma média de 13,5 por 8 pode reduzir em 18% as mortes por doenças coronarianas, como o enfarte.

A pesquisa, publicada na revista The Lancet e apresentada em Viena durante um congresso de cardiologia, utilizou um medicamento que combina duas drogas para o controle da pressão arterial: a indapamida (diurético) e o perindopril (redutor de pressão com ação sobre o hormônio ECA - Enzima Conversora da Angiotensia). No estudo, a pressão dos pacientes foi reduzida até 13,4 por 7. Os resultados deixam claros os benefícios.

Cerca de 40% dos pacientes diabéticos morrem problemas cardíacos. Além disso, a doença - que se caracteriza pela resistência à ação da insulina e normalmente é associada à obesidade e fatores hereditários - aumenta em 10% a probabilidade de morte por doenças do coração. 

Realizada com mais de 11 mil pessoas em 20 países, como o Canadá, Austrália, China e França - o Brasil não participou -, o estudo Advance (sigla em inglês de Ação em Diabetes e Doença Vascular) é o maior já realizado para avaliar a relação da doença com os problemas cardiovasculares. Além da diminuição das mortes por doenças coronarianas, o uso das drogas reduziu em 14% o índice total de mortalidade, de hospitalização por eventos coronarianos e de cirurgias para a desobstrução de artérias. As mortes por problemas renais diminuíram 21% no grupo de pacientes que utilizaram o medicamento.

Segundo Maurício Wajngarten, diretor da Unidade de Cardiogeriatria do Instituto do Coração (Incor), o Advance dá respaldo a uma suspeita dos médicos. “Só não tínhamos uma comprovação científica”, diz.  Wajngarten afirma que um dos méritos do estudo é utilizar uma droga disponível no mercado. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) não fornece o medicamento. O custo mensal do tratamento é de cerca de R$ 60. 

Outro bom resultado obtido na pesquisa é a redução do número de compridos utilizados no tratamento da hipertensão, uma vez que o medicamento combina as duas drogas. “Um dos grandes problemas é a pouca adesão do paciente ao tratamento”, diz Jorge Pinto Ribeiro, chefe do setor de cardiologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 

R$ 60 é o custo do tratamento, não disponível no SUS, que combina duas drogas para controle da pressão arterial: a indapamida (diurético) e o perindopril (redutor de pressão com ação sobre o hormônio ECA - Enzima Conversora da Angiotensia)
14% foi o recuo do índice de mortes, hospitalizações por eventos coronarianos e cirurgias para desobstrução de artérias após o uso das drogas
21% foi a redução do índice de mortes decorrentes de problemas renais
 


RISCO DE FATALIDADE É MAIOR EM OPERAÇÃO DE EMERGÊNCIA

O professor de cirurgia cardíaca e torácica da Universidade de São Paulo Noedir Stolf avalia que o estudo sobre mortalidade em cirurgias cardíacas no Brasil precisa ser analisado com ponderação. "Ele é importante para traçar um panorama geral da gestão dos serviços. Mas depende de uma análise posterior, mais detalhada", diz Stolf, que também é presidente do conselho diretor do Instituto do Coração (Incor).

Ele lembra que no próprio Incor, considerado de excelência no País e no exterior, as taxas de mortalidade variam de acordo com a urgência ou não do caso. Uma cirurgia de emergência tem índices de sucesso bem menores do que a marcada com antecedência. "Numa cirurgia de socorro, as chances de sucesso são bem menores do que as agendadas, onde todo o histórico do paciente é conhecido e alguns problemas já estão controlados."

No Incor são feitas 4 mil cirurgias anuais. As taxas médias de mortalidade são de 3,4% quando as operações são marcadas previamente e podem chegar a 8% em urgência. Assim como a consultora Regina Maria de Aquino Xavier, Stolf observa que, muitas vezes, o paciente no Brasil chega ao hospital em situação mais crítica do que em outros países.

Regina inicia agora outro estudo para justamente avaliar os parâmetros de sucesso das operações. O trabalho, com 12 hospitais, analisará 319 variáveis, desde as condições antes da operação até o pós-operatório. "As conclusões do estudo poderão ser instrumento útil para analisar a qualidade da assistência prestada", conta Regina.

O consultor Antonio Luiz Ribeiro deverá terminar dentro de alguns meses a atualização dos dados de mortalidade nas cirurgias cardíacas no Sistema Único de Saúde (SUS). Assim como Regina e Stolf, ele avalia que estudos gerais têm de ser analisados com critério. "Mas é um passo importante." Ribeiro conta que consultores do ministério também estudam a possibilidade de acompanhar o desempenho de cada equipe que realiza esse tipo de cirurgia pelo SUS. Mas com cuidado para que tal processo não enfrente resistência ou seja considerado uma "caça às bruxas". "Caso contrário, a análise poderia fazer com que serviços recusassem pacientes críticos, justamente para evitar uma classificação ruim", diz.

Para o superintendente da Organização Nacional de Creditação, o médico Fábio Leite Gastal, o SUS tem uma lógica perversa de remuneração para hospitais, que acaba contribuindo com o desinteresse na qualidade dos serviços prestados. "Ao remunerar por serviços realizados, o SUS indiretamente beneficia aqueles interessados pela doença. Quanto mais pessoas se atende, mais se ganha", completa. E o ideal, afirma, seria o incentivo pela promoção da saúde. Algo que começa a ser feito com a mudança no pagamento para hospitais universitários que recebem um fixo por mês.

Com o sistema atual, administradores centram suas atenções nos procedimentos que remuneram mais. "Problemas com a qualidade ocorrem em todas as áreas, não só nas cirurgias cardíacas", completa. Gastal acredita que, para melhorar a qualidade, é preciso não só alterar a forma de remuneração, mas dar ênfase à fiscalização dos serviços. "Hospitais públicos são visitados pela Vigilância Sanitária, mas não recebem multas quando descumprem as exigências. Com impunidade, como exigir qualidade?", questiona.

O diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Cláudio Maierovitch, diz que por lei não há como fazer tal cobrança. "É preciso pensar o que faria a população sofrer mais: interditar o estabelecimento ou dar um prazo para que ele se adapte às exigências."


PROMESSA DE CURA PARA O DIABETES

Folhas de tabaco geneticamente modificado para produzir insulina dadas a roedores com diabetes tipo 1 levaram à cura da doença depois de oito semanas. O resultado obtido por Henry Daniell, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, renova as esperanças de quem depende de injeções diárias de insulina.

Em dois anos, com o fim esperado dos testes em humanos, pacientes com diabetes tipo 1 poderão experimentar alívio permanente da doença - estima Daniell. Primeiro, o pesquisador aplicou técnicas de engenharia genética para criar tabaco capaz de sintetizar o hormônio humano insulina. A planta foi escolhida pela velocidade de seu crescimento e facilidade de manipulação. Células retiradas do tabaco alterado e congeladas foram administradas a ratos com cinco semanas de vida portadores de diabetes tipo 1. Ao fim da avaliação, dois meses depois, todos apresentaram níveis normais de açúcar em sua corrente sangüínea e na urina. As células beta, localizadas no pâncreas e responsáveis pela produção de insulina, haviam se regenerado e voltado a funcionar normalmente.

- Os benefícios se mantiveram por toda a vida dos ratos, que não sofreram com uma recidiva da doença - completa Daniell. - O estudo também demonstrou a possibilidade de o medicamento injetável ser substituído por uma cápsula, facilitando o dia-a-dia do paciente e dispensando a ajuda de profissionais para a aplicação do hormônio. Como pesa um estigma negativo sobre o tabaco, o pesquisador americano planeja modificar pés de alface para o mesmo fim. Os resultados foram divulgados no periódico científico Plant Biotechnology Journal.

Maria Elizabeth Rossi da Silva, assistente-doutora do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que já existem outros estudos como o de Daniell. Há várias tentativas com o uso de imunosupressores e imunomodulares, que buscam enganar o sistema imunológico e impedir a agressão ao pâncreas característica do diabetes tipo 1. Só que nenhuma apresentou resultados seguros e sem efeitos colaterais para uso clínico - revela.

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, ou seja, o organismo não reconhece como suas determinadas células passando a atacá-las e destruí-las. Tem fundo genético, mas para o aparecimento dos sintomas certas condições ambientais também precisam ser preenchidas. De acordo com Maria Elizabeth, ao contrário do diabetes tipo 2, associado à obesidade e ao sedentarismo, os fatores ambientais causadores do diabetes tipo 1 não estão claros. Suspeita-se que a introdução do leite de vaca na dieta antes dos três meses de vida, a infecção por vírus coxsackie e a exposição a pesticidas favoreçam a doença. Crianças e adolescentes são os mais suscetíveis ao dibetes tipo 1, presente em 0,7% da população brasileira. 


ANS VAI MONITORAR OS DOENTES CRÔNICOS

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vai monitorar o atendimento dos usuários de planos de saúde e criar um banco de dados com informações sobre as doenças apresentadas por eles. De acordo com a gerente-geral de integração da agência, Jussara Macedo Rötzsh, o banco de dados está sendo construído por meio do Sistema de Informações Epidemiológicas (Siepi). O sistema foi criado pela agência em 1999 e ampliado em 2004.

Jussara afirma que, com o sistema, a ANS consegue cruzar informações repassadas pelos hospitais, clínicas e laboratórios para o Ministério da Saúde com os dados enviados pelas operadoras de planos de saúde para a própria agência. Os resultados são tabulados e se tornam uma base para futuras mudanças na cobertura dos planos estabelecidas pela ANS.

“Podemos planejar ações para o futuro. Teremos dados sobre todos os nascimentos, mortes e doenças de usuários de planos de saúde”, afirma. Ela conta que, atualmente, não existe um banco de informações tão completo quanto o que está sendo feito.

Jussara afirma que, no caso dos atendimentos realizados em hospitais da rede pública, por exemplo, é possível saber quantas mulheres fizeram uma cesariana, mas não quantas dessas mulheres têm planos de saúde e quantas não têm. “Se muitas mulheres que têm plano usam a rede pública, podemos checar qual é o problema e modificar a cobertura do plano.”


24 DE JUNHO É O DIA INTERNACIONAL DE COMBATE AO AVC

O Dia Internacional de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC) é comemorado no mundo inteiro no dia 24 de junho. Conhecido popularmente como "derrame cerebral", o AVC é hoje a principal causa de incapacitação funcional e morte no Brasil, superando inclusive a taxa de mortalidade do infarto agudo do miocárdio. Segundo o Dr. Eli Faria Evaristo, neurologista do Serviço de Neurologia de Emergência do Hospital das Clínicas, em São Paulo , isso ocorre devido à maior letalidade do AVC (15%) em comparação à do infarto do miocárdio (7%). “O AVC tem um alto risco de morte, relacionado diretamente à lesão cerebral e às complicações que podem ocorrer posteriormente, como infecções, embolia pulmonar e arritmias cardíacas”, explicou. Segundo ele, cerca de 70% dos sobreviventes de AVC apresentam algum prejuízo funcional em relação à sua vida; geralmente, a doença traz graves seqüelas físicas e mentais (cognitivas), gerando impacto econômico, pois compromete a vida produtiva dos pacientes, e um impacto social, na medida em que interfere profundamente na dinâmica da família e da sociedade em que o paciente vive.

 

Segundo estimativas internacionais e nacionais, cerca de 80% dos acidentes vasculares cerebrais são isquêmicos e 20% hemorrágicos. O AVC isquêmico ocorre quando há um entupimento de vasos (artérias) que levam sangue ao cérebro, causando lesão e prejuízo no funcionamento da região cerebral que ficou sem circulação sanguínea adequada. O entupimento da artéria cerebral é geralmente causado por coágulos sanguíneos, formados na parede de artérias doentes, ou por pedaços de coágulos (êmbolos) desprendidos dessas artérias ou do interior das cavidades cardíacas. Dependendo da região cerebral atingida, o paciente sofrerá seqüelas maiores ou menores, podendo até mesmo falecer. Quando há ruptura de um vaso sanguíneo cerebral, o AVC é caracterizado como hemorrágico. Nesse caso, a lesão cerebral ocorre por um derrame de sangue no interior do cérebro ou no espaço que o rodeia. Em qualquer dos tipos de AVC ocorre morte de células nervosas.

“Na região próxima ao centro da lesão isquêmica podem existir células ainda vivas, embora não funcionantes, ao que chamamos “zona de penumbra”. O início rápido do tratamento pode impedir a morte dessas células e evitar seqüelas maiores”, explicou o Dr. Evaristo.

Os especialistas alertam que a única maneira de prevenir a ocorrência de um AVC é controlar os fatores de risco. Esses incluem a hipertensão arterial sistêmica, o diabetes mellitus, o aumento do colesterol ruim, o aumento dos triglicérides e o tabagismo, os quais aceleram o processo de endurecimento e entupimento das artérias, conhecido como aterosclerose. Também as doenças cardíacas, como o infarto agudo do miocárdio, os problemas das válvulas cardíacas e as arritmias, aumentam o risco da formação e desprendimento de coágulos que podem entupir vasos cerebrais (embolia cerebral). O alcoolismo e doenças mais raras que comprometem os vasos e a coagulação também fazem parte dos fatores de risco.

Quem já sofreu um derrame deve tomar uma série de medidas para prevenir a recorrência do AVC. Segundo o Dr. Jairo Lins Borges, cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo , o risco de uma pessoa voltar a ter um AVC é de 15 a 30% em 5 anos. “O grande problema da recorrência é que ela freqüentemente traz repercussões funcionais maiores, pois estas se adicionam às seqüelas já existentes. Assim, as limitações motoras podem ser mais graves, bem como os déficits cognitivos (demência). A mortalidade também aumenta em caso de recorrência. Entretanto, existem tratamentos rigorosos que seguramente diminuirão o risco de recorrência”, explicou. Segundo o especialista, os fatores de risco para a recorrência do AVC são os mesmos que para um primeiro AVC.

Os medicamentos escolhidos para o tratamento e prevenção de um novo AVC dependem do mecanismo causador da doença. “Na maioria das vezes é recomendado um medicamento da classe dos antiagregantes plaquetários, que regride as placas de aterosclerose das artérias que levam o sangue ao cérebro”, explicou o Dr. Borges. O ácido acetilsalisílico tem essa função e é muito recomendado na prevenção de um novo AVC. Um estudo publicado na revista norte-americana Stroke demonstrou que outro medicamento, o cilostazol, é eficaz para inibir a progressão e induzir a regressão de placas de aterosclerose em artérias cerebrais de pacientes com doença cerebrovascular sintomática (após ameaça ou ocorrência de AVC). Outro grande estudo mostrou que o cilostazol reduz em 42% o risco de AVC recorrente. As diretrizes japonesas sobre prevenção de AVC consideram o cilostazol como alternativa à aspirina na prevenção da recorrência do AVC. “O medicamento também apresenta outros efeitos importantes, como redução de 15% nos níveis de triglicérides, aumento de 10% nos níveis do bom colesterol (HDL) e proteção das células cerebrais”, completou o médico. A Libbs Farmacêutica comercializa no Brasil o cilostazol com o nome de Cebralat.

Em outros estudos, o dipiridamol e o clopidogrel também demonstraram reduzir o risco de recorrência de AVC.

Como reconhecer um AVC

Às vezes os sintomas de um AVC são difíceis de ser identificados, mas reconhecê-los pode salvar uma vida. A pessoa que está tendo um derrame pode apresentar os seguintes sinais:

  • Diminuição ou perda súbita da força na face, braço ou perna de um lado do corpo;
  • Alteração súbita da sensibilidade com sensação de formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo;
  • Perda súbita de visão num olho ou nos dois olhos;
  • Alteração aguda da fala, incluindo dificuldade para articular e expressar ou para compreender a linguagem;
  • Dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente;
  • Instabilidade, vertigem súbita intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos.

HIPERTENSÃO ARTERIAL: UM PROBLEMA GRAVE E NÃO RESOLVIDO

No dia 26 de abril de 2007, comemorou-se o Dia Nacional de Combate à Hipertensão Arterial , considerada uma das principais causas de ataque cardíaco, derrame cerebral e de aumento da mortalidade na população. Segundo dados do Ministério da Saúde, há no Brasil algo em torno de 30 e 40 milhões de hipertensos , mas apenas uma pequena parcela dos pacientes segue algum tipo de tratamento. “Com o avanço do conhecimento científico, devemos lançar mão de todos os recursos que dispomos hoje, não só para controlar a hipertensão arterial, mas, também para evitar suas complicações potenciais. Infelizmente, ainda estamos longe desse ideal em nosso país, pois análises recentes demonstram que menos de 10% de nossos pacientes hipertensos têm sua pressão controlada atualmente”, alerta o Dr. Jairo Lins Borges, cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.

De acordo com o Projeto Corações do Brasil, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, 28,5% de nossa população adulta apresenta hipertensão arterial, representada por níveis de pressão sistólica (pressão máxima) iguais ou superiores a 140 mmHg e níveis de pressão diastólica (pressão mínima) iguais ou superiores a 90 mmHg , isolada ou simultaneamente. A distribuição regional mostrou que a hipertensão arterial é mais freqüente no nordeste (31,8%), no sul (30,4%) e no sudeste (29,1%). No norte e no centro-oeste, atinge 19,4% da população adulta. Segundo o Dr. Jairo Borges, “entre os idosos, acima de 65 anos, 60% a 70% da população tem pressão alta, sendo esta relacionada principalmente ao aumento dos níveis máximos ou sistólicos da pressão arterial, e é denominada hipertensão sistólica. Essa condição apresenta risco ainda mais elevado de complicações cardiovasculares do que a hipertensão diastólica, que é característica de populações mais jovens e se relaciona ao aumento da pressão arterial mínima ou diastólica ”.

A hipertensão arterial costuma se apresentar associada a outros indicadores como diabetes, pré-diabetes, obesidade ou sobrepeso, e aumento do colesterol no sangue, o que agrava a situação, por aumentar ainda mais o risco cardiovascular. “Quando o hipertenso torna-se fumante, passa a incluir nesse perigoso arsenal, agora por iniciativa própria, outro grave fator de risco para complicações cardiovasculares. Na verdade, a soma desses fatores de risco no mesmo indivíduo tem efeito multiplicativo para aumentar a chance de complicações cardiovasculares”, alerta o Dr. Jairo Borges.

Para se ter uma idéia do significado da hipertensão arterial, ou simplesmente pressão alta, para seu portador, dados de pesquisa da década de 1950, obtidos por companhias de seguro de vida norte-americanas, em uma época em que não existiam recursos adequados para tratar a hipertensão, mostraram que um homem de 35 anos, com pressão arterial de 150/100 mmHg que não tenha sua hipertensão tratada, perde 16 anos de expectativa de vida. A pressão alta está relacionada também a problemas de vista e de insuficiência renal, sendo uma das causas mais importantes e freqüentes de necessidade de diálise e de transplante renal.

Um importante estudo populacional denominado ARIC comparou populações na faixa etária dos 50 a 60 anos, com e sem pressão alta. O estudo mostrou que os hipertensos se apresentaram com níveis mais elevados de açúcar no sangue, maior resistência à ação da insulina no organismo, visando evitar que o açúcar se acumule no sangue e provoque diabetes, e que seus níveis de pressão sistólica eram 21 pontos mais elevados (134 versus 113 mmHg ) e os diastólicos 11 pontos mais elevados (81 versus 70 mmHg ), mesmo quando utilizavam remédios para baixar a pressão arterial. Além disso, eles tinham o dobro de casos de doença arterial coronária, o triplo de derrame cerebral e mais do que o dobro de insuficiência renal.

“A partir de níveis de pressão arterial de 115/75 mmHg , cada aumento de 20 pontos na máxima ou de 10 pontos na mínima, dobra a mortalidade. Por isso, todos os adultos devem medir sua pressão arterial pelo menos uma vez ao ano. Crianças e adolescentes que tenham excesso de peso ou parentes próximos com pressão alta, diabetes ou obesidade, também são aconselhados a avaliar seus níveis de pressão arterial”, afirma o cardiologista.

O tratamento atual da hipertensão arterial é feito com medicamentos muito eficazes, seguros e que apresentam baixo risco de provocar efeitos colaterais. Devem, no entanto, ser utilizados exclusivamente sob orientação médica e após consulta clínica e realização de alguns exames laboratoriais. Mais recentemente, novas descobertas mostraram que, embora todas as classes de medicamentos antihipertensivos tenham a mesma potência para baixar a pressão arterial, alguns agentes como os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (ECA) apresentam vantagens adicionais importantes. Por exemplo, no estudo norte-americano AASK, o ramipril , um dos inibidores da ECA mais utilizados em todo o mundo, diminuiu a perda de proteína na urina, contribuindo para proteger o rim do hipertenso. No estudo HOPE e no HOPE-TOO, os pacientes utilizaram ramipril ou outros medicamentos comumente adotados na prática médica como diuréticos tiazídicos e betabloqueadores. Os que utilizaram ramipril tiveram 30% menor chance de desenvolver diabetes, em 4 e 7 anos de seguimento, mesmo tendo controlado igualmente os níveis de pressão arterial. Sabe-se hoje, que diuréticos e betabloqueadores aumentam o risco de desenvolvimento de diabetes.

Prevenção

Medidas simples de prevenção e auxílio no controle da hipertensão arterial podem e devem ser adotadas por todos, e ensinadas mesmo às crianças que assim podem crescer sem desenvolver hábitos considerados pouco saudáveis e que muitas vezes são difíceis de abandonar posteriormente. São elas:

· Evitar ao máximo o uso de sal na alimentação;

· Evitar o abuso de gorduras e frituras, bem como de açúcares de absorção rápida como os encontrados em doces, bolachas recheadas e chocolates, evitando-se com isso aumentar o risco de desenvolver diabetes e obesidade (condições que por si só predispõem à hipertensão arterial);

· Praticar atividade física aeróbia, como caminhar a maioria dos dias da semana por 30 a 60 minutos;

· Controlar a ansiedade e a tensão emocional;

· Evitar o fumo;

· Só consumir bebidas alcoólicas com bastante moderação.

O cardiologista salienta, ainda que, “a não adoção dessas medidas por pacientes hipertensos faz com que parte do efeito dos remédios que o médico utiliza para tratar a hipertensão arterial seja perdido. Desse modo, ele se vê obrigado a aumentar a dose ou adicionar mais medicamentos, para obter o mesmo resultado”.


DIABETES: TERAPIA APOSENTA INJEÇÕES

Um tratamento experimental pioneiro com células-tronco realizado no Brasil permitiu que 14 portadores de diabetes mellitus tipo 1 ficassem livres de injeções diárias de insulina ou da ingestão de outros medicamentos por meses. Divulgado no Journal of American Medical Association, o estudo foi realizado pela Escola de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidade Northwestern, em Chicago, nos Estados Unidos.

"É a primeira vez na história que pacientes de diabetes tipo 1 podem viver sem qualquer tratamento e com um nível normal de glicose no sangue", enfatizou Richard Burt, chefe de imunoterapia da Escola de Medicina da Universidade de Northwestern. Quinze pacientes brasileiros entre 14 e 31 anos de idade participaram do experimento entre novembro de 2003 e fevereiro deste ano. Nesse período, 14 deles interromperam o uso de qualquer medicamento para regular os níveis de glicose no organismo: um deles por 35 meses, um por cinco meses, e um terceiro por um mês. Os outros 11 voluntários permanecem livres do uso de injeções de insulina sintética até o momento. Um paciente não respondeu ao tratamento.

Segundo os autores da pesquisa, os resultados preliminares também são animadores ao demonstrar que o procedimento não possui efeitos colaterais recorrentes ou graves. Houve apenas um caso de pneumonia e dois de disfunção hormonal entre os voluntários. "Nossa intenção é continuar o tratamento, mas queremos mudar a idade mínima dos pacientes voluntários. Até agora, só maiores de 12 anos puderam participar", explicou ao Correio o brasileiro Júlio Voltarelli, que lidera a equipe da USP responsável pela pesquisa.

O estudo recebeu aprovação imediata do Comitê de Ética da USP e do Comitê de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde. Segundo Voltarelli, todos os transplantes foram financiados pelo Ministério. Embora o diabetes mellitus tipo1 corresponda a apenas entre 5% a 10% de todos os casos da doença, pode resultar em complicações sérias como cegueira, falência renal, problemas cardíacos e derrame. "Em jovens, há o risco (de o tratamento com células-tronco) prejudicar a fertilidade ou o crescimento. Mas, certamente, os prejuízos do diabetes seriam bem maiores", defendeu o cientista da USP.

O diabetes mellitus tipo 1 ocorre quando o sistema imunológico do indivíduo ataca e destrói as células beta do pâncreas que produzem insulina, o hormônio necessário para regular os níveis de glicose no sangue. Em geral, quando pacientes são diagnosticados com a doença, entre 60% e 80% de suas células beta já foram destruídas. A pesquisa liderada pela equipe da USP buscou diabéticos diagnosticados com a doença até seis semanas antes do início do procedimento. A idéia era que os cientistas pudessem agir a tempo para reprogramar o sistema imunológico do paciente, permitindo que o reservatório de células beta se regenerasse.

De início, os cientistas coletaram células-tronco do sangue dos 15 pacientes. Em seguida, os voluntários foram submetidos a uma quimioterapia a longo prazo para destruir a parte do sistema imunológico que estava atacando o pâncreas. Depois, os cientistas transplantaram as mesmas células-tronco dos paciente, tratadas em laboratório, para reconstruir o sistema imunológico.

O cientista Richard Burt prevê que, no futuro, o transplante de células-tronco para tratamento da diabetes mellitus tipo 1 poderá ocorrer entre parentes. Com isso, diminuirá o risco de que os problemas advindos do diabetes reapareçam no paciente depois do transplante. "Seria um imenso passo adiante", afirmou Burt.


HIPERTENSÃO ARTERIAL SOB CONTROLE

Na medicina moderna a hipertensão arterial não pode mais ser vista apenas como uma condição clínica caracterizada pela simples medição de rotina no consultório médico. Na verdade, pode acarretar graves alterações no organismo humano. Hoje sabemos que o diabetes melito, a obesidade e os valores alterados do triglicérides e do HDL colesterol estão intrinsecamente co-relacionados à hipertensão arterial no contexto do conceito de síndrome metabólica. O tratamento, portanto, não pode se resumir a um simples comprimido para reduzir a pressão arterial. 

O grande desafio do médico é conscientizar os pacientes de que as alterações no estilo de vida, com alimentação adequada, evitando-se excessos, mais a atividade física moderada, são aliados contra a doença e não têm nenhum efeito colateral, como os medicamentos. É o chamado tratamento não-medicamentoso da hipertensão arterial.  Hoje os pacientes têm acesso a toda informação. Cada vez mais precisam saber que a hipertensão é uma doença que geralmente começa silenciosa, sem a manifestação de sintomas específicos. Dores de cabeça, tontura, zumbido e mal-estar não são específicos e, por si só, dificilmente levam ao diagnóstico. 

Em seu estado mais avançado a hipertensão arterial afeta, o cérebro, rins, olhos (retina) e as artérias. Se o diagnóstico for tardio, vários desses órgãos podem estar seriamente comprometidos, muitas vezes até de forma irreversível. O correto controle da doença é indispensável para a redução das complicações cardiovasculares mais significativas como angina, infarto, do miocárdio, arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, aneurisma da aorta, entre outros. Este controle é feito pelo acompanhamento médico com os medicamentos disponíveis mais adequados a cada tipo de paciente. 

Atualmente os pacientes não são todos tratados igualmente. A orientação terapêutica é personalizada, de acordo com as condições clínicas de cada um. Além dos medicamentos há os benefícios de uma dieta rica em fibras, facilmente encontradas nos legumes, verduras, frutas e cereais integrais, e da diminuição no consumo de sal, gorduras e açúcar refinado, além da adoção da prática de atividade física. 

Os médicos não costumam pedir que evitem a prática esportiva de competição, mas sim o sedentarismo, como permanecer sentado por longas horas. É bom usar mais as escadas e menos o elevador, caminhar sempre que possível, gastar um pouco das calorias consumidas nas refeições. O consumo de bebida alcoólica deve ser controlado, sendo permitida uma taça de vinho ou uma dose de destilado ou uma lata de cerveja que não trazem prejuízo. O tabagismo deve ser eliminado. São fundamentais o repouso físico, psíquico e mental. As férias devem ser respeitadas como um momento de descanso físico e reflexão sobre os hábitos de vida que motivam o estresse. 

Os medicamentos modernos causam poucos efeitos colaterais, quando comparados aos mais antigos. Porém, de acordo com as características individuais, esses efeitos poderão surgir em maior ou menor gravidade. Destacando-se a impotência sexual no homem, diminuição da libido, sonolência, inchaço nas pernas e eventualmente dores de cabeça.  É importante, contudo, que o tratamento não seja abandonado e que o médico seja consultado sempre que necessário para que, mudando o medicamento e ajustando-se a dose e os horários de tomada, esses efeitos sejam atenuados o máximo possível. 

 

O tratamento atual da hipertensão arterial fundamenta-se no emprego de mais de um medicamento, mesmo quando é leve. De tal forma que não se deve estranhar que no mínimo dois medicamentos sejam prescritos. Na maioria das vezes, tem-se por objetivo trazer os valores pressóricos abaixo de 140 por 90 mmHg e evitar as lesões dos órgãos-alvo, isto é aqueles já citados e que são habitualmente lesados. 

Os antecedentes familiares são importantes em se tratando da doença hipertensiva. Assim sendo, quando pai e mãe são hipertensos, é fundamental que, mesmo antes dos 20 anos de idade, o médico seja consultado. Raramente encontra-se a causa da hipertensão arterial e a maioria é, portanto, chamada de essencial. Mas somente após análise clínica é que este diagnóstico pode ser estabelecido.  


ABUSO DE ANALGÉSICOS ELEVA RISCO DE INFARTO

O consumo freqüente de analgésicos como ácido acetilsalicílico (AAS, Aspirina, Buferin), ibuprofen (Advil, Motrin) e paracetamol (Tylenol) pode causar aumento da pressão sangüínea e ampliar o risco de infarto entre homens.

A conclusão, divulgada nesta semana na publicação "Archives of Internal Medicine", soma-se à obtida por um estudo de 2002 que aponta o abuso de analgésicos como causa de hipertensão em mulheres. Milhões de pessoas consomem analgésicos diariamente para aliviar dores de cabeça, artrite e incômodos musculares. "São as drogas mais consumidas nos EUA", disse Gary Curhan, médico envolvido nas pesquisas, à Reuters Health.

O estudo envolveu profissionais de saúde masculina, que monitoraram, por quatro anos, 16 mil homens que inicialmente não eram hipertensos. Aqueles que tomavam paracetamol seis ou sete dias por semana foram 34% mais suscetíveis a apresentar pressão alta do que os que não consumiam o analgésico.

Os que tomavam ácido acetilsalicílico regularmente tiveram 26% mais elevações de pressão. Já entre os que consumiam regularmente drogas antiinflamatórias como o ibuprofen, o risco cresceu 38%. Diante dos dados, a American Heart Association fez um alerta aos médicos para promover tratamentos não-farmacológicos como terapias físicas, exercícios e perda de peso.

"É preocupante, pois esses remédios podem ser comprados em qualquer lugar. Por outro lado, é um risco facilmente evitável", diz Heno Lopes, cardiologista do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo). "O trabalho é extremamente importante e leva a reavaliar o uso de analgésicos", comenta Fernando Ganem, coordenador da UTI cardiovascular do Hospital Nove de Julho. 


PÉS DIABÉTICOS: É PRECISO CUIDAR

Doença que causa os pés diabéticos atinge 6% dos moradores de Campinas na faixa de 50 a 59 anos e, acima de 14%, entre os mais idosos. Pioneira no atendimento médico domiciliar no Brasil, a HospitaLar Assunção oferece orientação em casa.

A observação e a higienização correta auxiliam na prevenção e diagnóstico precoce das lesões localizadas nos pés e tornozelos de portadores de diabetes mellitus, doença reconhecida como um dos principais problemas de saúde na América Latina e no Caribe, afetando quase 19 milhões de pessoas, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas, a doença atinge 6% dos moradores do município na faixa de 50 a 59 anos e acima de 14% entre os mais idosos.

A gerente de enfermagem da HospitaLar Assunção, Regiane Polizer, explica que as lesões resultam de ações externas traumáticas ou repetitivas, ocasionadas, por exemplo, por sapatos apertados, calosidades e fissuras. Devido à diminuição da sensibilidade dolorosa e térmica causadas pelo diabetes não são percebidos pelo indivíduo. "Dependendo da extensão e gravidade da lesão são necessárias medidas cirúrgicas e, até, a amputação do membro", enfatiza ela.

Polizer adverte: "É preciso ficar atento!". Palidez cutânea, adormecimento dos membros, extremidades frias, calos, bolhas e fissuras são sinais de problemas sérios para quem sofre de diabetes mellitus. Por isso, Polizer dá dicas de cuidados e prevenção:

· Inspecione os pés diariamente. É importante identificar logo no início possíveis lesões, calos, bolhas, fissuras e alterações de cor;

· Lave os pés todos os dias com água morna e sabonete neutro;

· Seque os pés, principalmente entre os dedos;

· Mantenha a pele sempre hidratada e lubrificada. Para isso, use óleo ou hidratante. Mas não se esqueça de nunca passar entre os dedos e nas áreas lesionadas;

· Utilize meias de lã ou algodão e sem elástico;

· Sempre que calçar um sapato verifique o seu interior para não ferir os pés em pedrinhas ou outros pequenos objetos;

· Utilizar apenas calçados de borracha, bem maleáveis, de preferência de cadarço e de numeração correta. Existem algumas lojas especializadas que oferecem calçados e palmilhas específicos para diabéticos;

· Corte as unhas regularmente, sempre de forma reta. E, se possível, procure ajuda de um técnico especializado;

· Não utilize soluções para retirar calos e não tente cortá-los;

· Ao se expor ao sol, utilize protetores solares;

· Evite manter as pernas cruzadas;

· Não utilize bolsas d'água quente;

· Evite andar descalço;

· Não fume;

· Realize exercícios físicos, pois ajuda a melhorar a circulação e auxilia no controle dos níveis de açúcar;

Saiba mais sobre a diabetes

A diabetes é uma doença decorrente da diminuição da produção de insulina e/ou da incapacidade da insulina produzida. Os sintomas mais comuns são o aumento da sede, da fome e da vontade de urinar. Pode resultar no desenvolvimento de complicações vasculares e neurológicas importantes.

Classificada em:

· tipo 1, causada pela destruição de células pancreáticas e deficiência de produção de insulina; frequentemente ocorre na infância e na adolescência podendo tornar o individuo insulino-dependente.

· tipo 2, caracterizado por resistência à insulina e deficiência relativa de produção de insulina, ocorrendo geralmente em pessoas com mais de 35 anos;

diabetes gestacional, ocorre durante a gestação e geralmente em conseqüência do aumento de peso excessivo da mãe.


NÚMEROS DE DIABÉTICOS SERÁ DE 380 MILHÕES EM 2025

Dietas ricas em gorduras e pobres em fibras e vitaminas, somadas a um estilo de vida sedentário são as principais causas do crescimento do número de diabéticos no mundo. A gravidade desse quadro tornou-se claro com a divulgação do novo Atlas da diabete, lançado no Congresso Mundial de Diabete, na Cidade do Cabo, África do Sul.

De acordo com especialistas a epidemia global de diabete vai afetar 7% da população adulta do mundo em 2025, conforme os países em desenvolvimento adotarem os hábitos prejudiciais à saúde associados a um melhor nível de vida. O quadro da rápida disseminação mundial da doença é pessimista e deve atingir 380 milhões de pessoas daqui a 20 anos. "A enormidade da epidemia de repente ficou clara para todos", disse Martin Silink, futuro presidente da Federação Internacional de Diabete (IDF).

Os especialistas afirmam que a diabete mata tanta gente quanto a Aids, e que será um dos principais desafios na área da saúde no século 21, especialmente nos países em desenvolvimento. Na América do Sul, as taxas de ocorrência do problema devem dobrar. Na África, elas devem subir 80%.

A IDF estima que a diabete - uma doença crônica que ocorre quando o corpo não consegue produzir ou não consegue utilizar a insulina, que é essencial para o processamento do açúcar - já atinja 246 milhões de pessoas no mundo todo e já se encontra for a de controle. Há duas décadas, esse número era de apenas 30 milhões. Cerca de 3,8 milhões de mortes são atribuídas à diabete por ano, a maior parte por complicações como derrame e enfarte.

Todo ano, mais 7 milhões de pessoas são afetadas pela diabete, a maioria nos países em desenvolvimento, em que o progresso econômico está trazendo doenças ligadas ao estilo de vida, como a obesidade. Para os especialistas, campanhas de conscientização para que as pessoas prestem atenção a suas dietas e façam mais exercício - estratégia que não surtiu efeito nos países ricos - ainda é o instrumento mais importante no combate à epidemia.

Os pesquisadores também vão conhecer os resultados mais recentes de ensaios com drogas que visam a conter ou prevenir a doença. O Atlas da diabete mostrou que a diabete tipo 2, que surge quando o indivíduo já é adulto, está se disseminando mais rápido nos países do Leste do Mediterrâneo e no Oriente Médio.

Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, por exemplo, têm taxas de prevalência de diabete de entre 16% e 20% de suas populações adultas. O pequeno país de Nauru, no Pacífico Sul, tem a maior prevalência de diabete do mundo, com mais de 30%, enquanto Índia e China possuem os maiores números absolutos de diabéticos, com mais de 40 milhões cada, segundo o Atlas.

Jonathan Shaw, do IDF em Melbourne, na Austrália, disse que as projeções para o futuro mostram que a diabete vai se espalhar mais rápido nos países em desenvolvimento. "Não se trata apenas de uma questão de saúde, de bem-estar social; é uma questão econômica", disse ele, acrescentando que os países mais gravemente afetados não terão condições de suportar os custos associados à assistência a diabéticos. O Atlas também mostra o impacto do estilo de vida urbanizado sobre o crescimento da diabete, comparando pessoas de origem étnica semelhante que vivem em ambientes econômicos diferentes.


APROVADA NOVA DROGA PARA DIABETES TIPO 2

A primeira droga de uma nova classe de medicamentos para diabete tipo 2 foi aprovada segunda-feira pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A sitagliptina (nome comercial Januvia), do laboratório Merck Sharp Dhome, age no intestino, órgão que, assim como o pâncreas, participa ativamente do desenvolvimento da doença.

O Januvia influencia a produção de hormônios chamados incretinas, que são produzidos no aparelho digestivo cada vez que nos alimentamos. Do intestino, as incretinas vão para o pâncreas pela corrente sanguínea. Ali, elas se instalam nas células que ajudam na fabricação da insulina - hormônio que tem a função de carregar a glicose para as células.

No diabético, o nível de incretina no intestino aumenta apenas 6% cada vez que ele se alimenta. Numa pessoa normal, o aumento é cerca de dez vezes maior. ‘Esse remédio age mais precocemente que os outros‘, explica Antônio Chacra, chefe da Endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo. Os remédios para diabete tipo 2 até agora agiam de 3 formas. Uma, estimulando diretamente o pâncreas a fabricar a insulina. Outra, reduzindo a liberação da glicose pelo fígado. A terceira, diminuindo a resistência do organismo à ação da insulina, ajudando-o a entrar nas células. 

DIA DE COMBATE AO DIABETES

Hoje é o Dia Mundial do Diabetes. A data foi criada, em 1991, para aumentar a conscientização global sobre o Diabetes Mellitus, e hoje é lembrada em mais de 150 países. O diabetes é uma doença caracterizada por níveis elevados de glicose (hiperglicemia), por conta de defeitos na produção ou na ação da insulina - hormônio produzido no pâncreas. Cerca de 10 milhões de brasileiros têm diabetes.

Muitos não sabem que sofrem desse mal, já que a doença é considerada silenciosa por causar transtornos no metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas. Estima-se que 330 milhões de pessoas tenham diabetes no mundo até 2025. Segundo o clínico geral Ricardo Spilborghs atualmente existem pelo menos seis subtipos de diabetes. Mas a maioria dos casos se enquadra nos clássicos tipo 1 e tipo 2. O diabetes tipo 1 é causado pela destruição das células que produzem a insulina, conseqüência de um erro imunológico que leva à formação de auto-anticorpos, isto é, formação de células de defesa que atacam o próprio organismo.

No diabetes tipo 2, apesar da produção do hormônio estar normal, a sua ação está prejudicada, forçando assim um aumento de sua produção pelo pâncreas. Os principais sintomas, comuns nos dois principais tipos, são perda de peso, fraqueza, aumento do volume urinário, fome excessiva e muita sede. "O aparecimento do diabetes é cada vez mais comum em etapas mais precoces da vida devido ao sedentarismo, consumo exagerado de gorduras e carboidratos", explica o médico Spilborghs.  


PACIENTES DE DIABETES PODERÃO TER ACESSO
A NOVO TIPO DE INSULINA NO PRÓXIMO ANO

Os diabéticos do país poderão substituir a injeção de insulina por um novo medicamento: a insulina para inalar. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou, em junho deste ano, a venda da nova insulina, mas o produto deve chegar ao mercado brasileiro somente no primeiro semestre de 2007.

A nova insulina, sob a forma de pequenos cristais, deve ser aspirada pelo paciente em um inalador semelhante ao usado para portadores de bronquite. A aspiração deve ser pela boca e o medicamento é absorvido pelo pulmão e entra na corrente sanguínea. 

A insulina em cristais poderá substituir as doses injetáveis que os portadores de diabetes tipo 1 e 2 tomam antes das refeições, mas não elimina definitivamente as picadas de agulhas.  “O paciente diabético precisa espetar o dedo para ver a glicose no sangue (nível de açúcar). A principal vantagem é se livrar de algumas picadas por dia”, explicou a presidente do departamento de diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Vivian Ellinger.

A psicóloga Margarida Rodrigues, 46 anos, portadora da doença há mais de 30 anos, acredita que a nova insulina pode reduzir o medo que a injeção causa em alguns diabéticos e também em quem está por perto na hora da aplicação. “Inalar é menos chocante que injetar alguma coisa, parece que é mais natural”. Segundo a endocrinologista Vivian Ellinger, esse tipo de insulina não é recomendado para fumantes, pessoas que pararam de fumar a menos de seis meses ou que possuem graves doenças pulmonares, porque aumenta o risco de hipoglicemia.

Ainda conforme a médica, esse tipo de insulina pode provocar tosse em alguns pacientes, entretanto, não significa que precisarão abandonar o medicamento. “Estudos mostraram que a tosse não foi de uma intensidade que fizesse os pacientes parar de usar a insulina”, afirmou.


O presidente da Federação Nacional das Associações e Entidades de Diabetes (FENAD), Fadlo Fraige, disse que pesquisas avaliam se o uso prolongado do medicamento pode causar efeito colateral. “A insulina é um cristal que vai ser absorvido. Ele pode eventualmente, em longo prazo, causar um tipo de doença pulmonar ou não”, disse. 

De acordo com o laboratório Pfizer, a questão da segurança do medicamento foi “extensivamente” estudada, incluindo efeitos no pulmão. O medicamento foi testado em cerca de 2.500 pacientes portadores de diabetes tipo 1 e 2. Em algumas pessoas durante período de sete anos.

Para Fraige, o preço dessa insulina, produzida nos Estados Unidos, será mais alto em comparação ao da injetável. “Tudo indica que vai ser um tratamento muito caro”. O preço ainda vai ser definido por uma câmara de regulação, segundo a Anvisa. O Minist&eacut