| MULHERES MORREM MAIS DE INFARTO DO QUE HOMENS
"A alta taxa de morte entre as mulheres está relacionada ao fato de não ter o mesmo tratamento do homem", ressaltou a especialista Maria Rosa Costanzo, da Associação Americana do Coração, que não participou da pesquisa. "Se as mulheres tivessem o mesmo acesso aos procedimentos e medicações que os homens, elas teriam os mesmos benefícios", acrescentou. De acordo com a especialista, há algum tempo, é sabido que as mulheres têm piores resultados com um ataque cardíaco, porém as razões ainda estariam obscuras. Alguns estudos indicam que isso seria resultado de diferenças biológicas, como o fato de a mulher ter vasos sanguíneos menores, aumentando os riscos de complicações; e outros apontam que isso se dá porque a mulher infartada tende a ser bem mais velha e a ter pior saúde que os homens que sofrem infartos, e, ainda, pela diferença no tratamento. O novo estudo mostrou que, em parte, tudo isso faz sentido. As mulheres, comparadas aos homens que participaram da pesquisa, eram, em média, nove anos mais velhas, tinham mais problemas de saúde e recebiam menos tratamentos eficazes para o ataque cardíaco. Porém, quando as análises foram ajustadas pela idade, pressão sanguínea, função renal, e outras características, assim como tratamento recebido, os pesquisadores notaram que não havia diferença nas taxas de morte. "Uma vez que você compara maçãs com maçãs, isso mostra que as mulheres têm os mesmos benefícios de procedimentos e medicações que os homens", concluiu a especialista.
Um outro dado que vem chamando a atenção dos especialistas, é o fato de que cada vez mais adolescentes estão sofrendo com a doença. Segundo os médicos, no início da adolescência, os fluxos menstruais são irregulares, tanto em relação ao número de dias quanto ao intervalo entre eles. Porém, a situação costuma se normalizar após dois anos. “Se a variação se mantiver depois desse período, o ideal é consultar um ginecologista”, recomenda o especialista. De 40% a 50% das adolescentes que apresentam cólica incapacitante, quer dizer, dor intensa que requer repouso e as impede de exercer as atividades normais podem apresentar endometriose. A recorrência de cólicas incapacitantes é um dos primeiros sintomas da endometriose, que pode levar à infertilidade na idade adulta e que tem muito mais chances de ser contornado com um diagnóstico precoce - alerta Isaac Yadid. Os médicos alertam para as queixas de cólicas intensas, que devem ser valorizadas, pois há dados que comprovam que mulheres com tendência a desenvolver a endometriose sofrem com as dores a partir dos 14, 15 ou 16 anos. Muitas pessoas acreditam que sentir dor durante o período menstrual é normal. E essa é uma das razões pelas quais o diagnóstico tardio da doença é feito. Segundo estimativas do Nepe, Núcleo Interdisciplinar de Ensino e Pesquisa em Endometriose, meninas que começam a sofrer com os sintomas na adolescência chegam ao diagnóstico até 12 anos depois, quando muitos estragos já foram feitos ao corpo. MÉDICOS DEBATEM SE TODAS AS GRÁVIDAS DEVEM EXAMINAR A TIREOIDE Quando as mulheres pensam em gravidez, a glândula tireoide é uma das últimas coisas a passar pela cabeça delas. Localizada no pescoço, a glândula produz hormônios que governam o metabolismo, ajudando a regular o peso corporal, os batimentos cardíacos e outros fatores. Porém, se a tireoide não funcionar direito, ela pode produzir poucos hormônios ou hormônios demais. Durante a gravidez, essas condições, conhecidas respectivamente como hipotiroidismo e hipertiroidismo, podem levar a abortos, nascimento prematuro e pré-eclâmpsia – e no caso do hipotiroidismo, inteligência debilitada na criança. Uma década e meia de pesquisa agora trouxeram a evidência cumulativa desses riscos a uma massa crítica. Direcionamentos clínicos pedem monitoramento e tratamento de pacientes para manter as reservas da tireoide normais e conduzir as mulheres com segurança através da gravidez e maternidade inicial.
Em questão de política, Kenneth D. Burman, presidente da American Thyroid Association, concorda com a posição por enquanto. Mesmo assim, e como mais e mais endocrinologistas, ele oferece exames de gravidez TSH em seu consultório, no Washington Hospital Center em Washington. "Toda paciente que examino que está pensando em engravidar, ou já está, realiza um exame da função tireoide", disse ele. "Acho que essa é a coisa certa a fazer". Ele e outros dizem esperar que cada vez mais médicos e sociedades médicas apoiem os exames universais após pesar todas as evidências. A associação de tireoide está organizando um simpósio em Washington, para discutir as pesquisas mais recentes. Os sintomas de uma tireoide desobediente podem ser sutis, e a gravidez pode disfarçá-los. Fadiga, aumento de peso e pele seca – todos muito comuns em mulheres grávidas – também podem resultar de hipotiroidismo, disse Alex Stagnaro-Green, endocrinologista em Hackensack, Nova Jersey. A condição oposta, o hipertiroidismo, afeta em média duas em cada mil gestações. Mas, novamente, seus sintomas – falta de sono, perda de peso e irritabilidade após o nascimento da criança – poderiam resultar de outras condições pós-parto. Pintores renascentistas retrataram acidentalmente a ligação entre problemas de tireoide e a gravidez, ao mostrar mulheres com bócio por uma tireoide hiperativa após o parto.
Estudos realmente sugerem que o tratamento de substituição de T4 é protetor. Porém, poucos experimentos clínicos grandes testaram rigorosamente essa intervenção em mulheres com a tireóide levemente deficiente. Até agora, resultados promissores vieram de um grande estudo italiano, que mostrou uma aguda queda nas taxas de abortos e nascimentos prematuros quando pílulas de hormônios foram dadas a mulheres grávidas que testaram positivo para anticorpos de tireóide. Os especialistas agora estão aguardando os resultados de dois outros grandes experimentos clínicos ocorrendo no País de Gales e nos Estados Unidos. Ambos buscam confirmar os efeitos no QI e a habilidade de evitá-los ao estudar mulheres grávidas com tireóides sub-ativas que recebem tratamento por hormônios ou nenhum tratamento. A gravidez é uma época tão crítica que "expor um bebê a medicamentos sem benefícios conhecidos pode não ser a melhor coisa, a menos que saibamos que ele ajuda de verdade", disse a Dra. Catherine Spong, chefe de gravidez e perinatologia do National Institute of Child Health and Human Development, que está patrocinando o experimento americano.
Todavia, as pesquisas desde então revelaram falhas nessa estratégia. "O problema é que ela não é boa o suficiente", disse Stagnaro-Green. Um estudo britânico descobriu que esses exames deixaram passar 30% das mulheres com hipotiroidismo e 69% das com hipertiroidismo. Por enquanto, até que haja confirmação de que o tratamento realmente ajuda, Stagnaro-Green disse ainda preferir os exames seletivos de tireoide. Mas acrescentou: "Acredito que esses dados nos direcionarão aos exames universais". HomeCare Plus |