SEGUNDO TRANSPLANTE FACIAL NOS EUA

Médicos do Brigham and Women's Hospital, em Boston, apresentaram nesta quinta (21/05) o resultado do segundo transplante de face a ser realizados nos EUA. James Maki, de 59 anos, foi desfigurado por um acidente de metrô em Boston, em 2005, e recebeu o rosto no último dia 9 de abril. Na entrevista coletiva em que o transplantado apareceu em público, também estava presente Susan Whitman-Helfgot, viúva do doador, Joseph Helfgot.  

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NOVA TÉCNICA CIRÚRGICA TRATA SINUSITE SEM CORTES

Uma nova técnica cirúrgica promete tratar a sinusite crônica sem corte ou sangramento. Em São Paulo , ao menos três hospitais -Edmundo Vasconcellos, Albert Einstein e Hospital das Clínicas- oferecem o tratamento, que foi autorizado no mês passado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A sinusite é uma inflamação das mucosas dos seios paranasais (óstios) e da cavidade nasal. Elas aumentam de volume e obstruem a comunicação entre os canais do nariz, favorecendo a proliferação de germes e fungos na região. Com isso, surgem congestão nasal, secreção com pus, redução do olfato, dor e sensação de peso no rosto.

Chamada de sinuplastia, a nova técnica é inspirada na angioplastia, que desobstrui as artérias: por meio de um cateter, o cirurgião insere um dispositivo com um balão flexível até a entrada do seio da face. Ao ser inflado, o balão causa microfraturas na cavidade óssea, moldando a região. Com isso, as narinas ficam desobstruídas, facilitando a drenagem das secreções.

O novo procedimento dura, em média, 20 minutos -a cirurgia tradicional demora cerca de quatro horas. Segundo o médico Richard Voegels, professor de otorrinolaringologia do HC, o método é indicado às pessoas com sinusite crônica e que não encontram alívio com medicamentos (anti-inflamatórios e antibióticos).

"É menos traumática do que a cirurgia endoscópica, mais rápida e não tem corte nem sangramento. Outra vantagem é que pode ser feita com sedação. Nós, por precaução, temos feito com anestesia geral."

Ele diz que a técnica, criada nos EUA em 2006, pode também ser uma alternativa para pacientes que têm alguma contraindicação cirúrgica. "O método não representa a cura da doença nem vem para ocupar o lugar da cirurgia endoscópica tradicional", explica João Flávio Nogueira, otorrinolaringologista do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos, instituição pioneira no país a adotar a técnica.

Diferenças

A diferença entre as cirurgias é que na tradicional há remoção da mucosa nasal e de materiais ósseos para facilitar a ventilação, a drenagem das secreções e o acesso das medicações.

Na sinuplastia, não há remoção desses tecidos. "A cirurgia (endoscópica) é muito útil e continuará sendo. Mas ela pode apresentar complicações, como hematoma e fibrose cicatricial (que pode fechar novamente a cavidade nasal). Ela também pode diminuir temporariamente os movimentos mucociliares do nariz (que promovem a limpeza)."

Porém, a sinuplastia é mais limitada. O otorrinolaringologista Onivaldo Cervantes, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), explica que o procedimento não corrige problemas anatômicos que podem estar envolvidos na sinusite, como um desvio de septo, que só são resolvidos na cirurgia tradicional. "A gente tira o osso e não volta mais. Não sabemos, a longo prazo, se a sinuplastia por balão vai resolver o problema em definitivo ou se ele poderá voltar."

Na avaliação de Nogueira, os cirurgiões precisam conhecer bem as técnicas para saber qual a melhor indicação para seus pacientes.

O fator limitante da sinuplastia por balão é o custo, em torno de R$ 7.000, que hoje não é coberto pelos planos de saúde nem pelo SUS. Tanto Voegels como Nogueira ressaltam que ainda se trata de uma cirurgia nova. "Só o tempo e uma maior casuística vão nos dizer se ela veio para ficar. Até agora ela tem se mostrado muito interessante."

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SENTIR RAIVA AUMENTA RISCO DE DOENÇA CARDÍACA

Especialistas observam que pacientes que chegam ao hospital com problemas nas coronárias (artérias que irrigam o coração), como infarto ou isquemia, frequentemente apresentam personalidade competitiva, explosiva ou agressiva. Uma meta-análise de 44 estudos, que deve ser divulgada amanhã no "Journal of the American College of Cardiology", vem ao encontro dessa constatação. O trabalho mostra que pessoas propensas a ter acessos de raiva e agressividade têm 19% mais risco de sofrer de um evento cardiovascular, mesmo quando são saudáveis.

Baseado em dados de quase 80 mil pacientes, o estudo ainda aponta que pessoas com essas características e também com doenças cardiovasculares têm risco aumentado em 24%. Segundo os pesquisadores, uma das formas de a hostilidade contribuir para problemas cardiovasculares são os maus hábitos adquiridos. Para eles, pessoas mais agressivas, em geral, dormem mal, exercitam-se menos, fumam mais e aderem menos a tratamentos de saúde.

Mas os rompantes de raiva também contribuem para o aumento da chance de um evento cardiovascular ocorrer. "Grandes estudos mostram um risco até 70% maior de doenças cardiovasculares em pessoas com tendência a competitividade e agressividade", diz a psicóloga Ana Lúcia Ribeiro, diretora do Departamento de Psicologia da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

Durante um momento de agressividade, o organismo libera adrenalina, hormônio que eleva a frequência e a força dos batimentos cardíacos e causa contração das artérias, diminuindo seu calibre. Nessa situação, a pressão arterial também aumenta, e o coração precisa de mais oxigênio, contribuindo para um cenário pouco amistoso àqueles que já sofrem de algum comprometimento das artérias, ainda que pequeno e não diagnosticado. Um eventual entupimento dos vasos leva a um desequilíbrio na oxigenação do coração, podendo causar de isquemias a infarto.

Os efeitos da descarga de adrenalina podem ser sentidos em qualquer faixa etária e sexo. "O universo competitivo, no qual estão mais jovens e também mulheres, é sem dúvida onde se encontram mais problemas cardiovasculares", afirma Ricardo Pavanello, supervisor de cardiologia clínica do HCor (Hospital do Coração). A dor no peito pode ser o primeiro sinal de que a pressão excessiva está causando algum dano ao coração. O sintoma, porém, pode indicar esofagite, gastrite ou hérnia de hiato. O tratamento multidisciplinar do paciente com histórico de doenças cardíacas ou fatores de risco já é adotado nos principais centros e é uma tendência entre os cardiologistas.

É necessário identificar a causa da raiva ou agressividade, com uma autoanálise ou ajuda de psicoterapia. É preciso, ainda, monitorar outros fatores de risco, como peso, pressão arterial e prática de exercícios. "Esse conjunto ajuda a diminuir os acessos de raiva. O paciente fica mais satisfeito consigo e com a vida", diz Pavanello. Para ele, o médico deve ouvir o paciente e saber como é seu dia-a-dia. "Estamos cada vez mais atentos a raiva, agressividade e estresse porque esses fatores são difíceis de serem quantificados. É possível medir o colesterol, mas a ansiedade, a depressão e a raiva, não. O paciente nem sempre está preparado para mostrar o que acontece. E nem todo médico, para ouvir e lidar com isso", analisa.

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DIAGNÓSICO DE CÂNCER EM JOVENS É TARDIO

Estudos internacionais apontam que jovens ainda não têm um atendimento adequado, o que levaria a uma demora maior para o diagnóstico dos cânceres em adolescentes, menor adesão ao tratamento e baixas taxas de cura se comparadas às das crianças. Artigo de revisão publicado no ano passado na revista Pediatric, Blood and Cancer , da Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica, alertou para a necessidade de um esforço internacional para entender e atender, ainda nesta década, às necessidades desse grupo de pacientes "esquecidos".

"Foram necessários quase 40 anos para alcançarmos taxas de cura de até 80% para o câncer infantil (...) Para adolescentes e adultos jovens, deveríamos buscar o mesmo objetivo para esta década", escreveram os autores, Karen Albritton, do Instituto de Câncer Dana-Farber, em Boston (EUA), e Tim Eden, da Universidade de Manchester (Reino Unido). No Brasil, onde o câncer é a doença que mais mata entre 5 e 18 anos de idade, um recorte dos registros do Instituto Nacional de Câncer (Inca), mostra que a mortalidade pelos tumores é maior entre 10 e 18 anos. Eles representam 6,8% das mortes da faixa etária, contra 2,1% entre os menores de 10 anos.

Os motivos para a diferença de mortalidade no País, no entanto, ainda são desconhecidos, explica Sima Ferman, chefe da seção de oncologia pediátrica do Inca.

O recorte mostra ainda que, enquanto em geral a leucemia é o que mais mata, entre 10 e 18 anos são outros tipos de tumores que mais causam mortes, como as neoplasias malignas epiteliais e os cânceres ósseos.

"Na realidade, essa é uma faixa etária ainda muito negligenciada", afirma Sidnei Epelman, presidente da Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (Tucca), entidade que mantém na zona leste de São Paulo, vinculado ao Hospital Santa Marcelina, um ambulatório conveniado ao Sistema Único de Saúde onde 40% dos 200 casos novos anuais é de adolescentes e adultos jovens. "O mundo inteiro discute como e onde tratar esses pacientes."

No ambulatório, onde também são atendidas crianças, a entidade optou por criar espaços especiais para os adolescentes, improvisou quartos individuais com biombos, reservou um espaço para lan house e também oferece aulas de culinária, em que pais e filhos podem aprender a cozinhar e almoçar juntos. Segundo os estudos feitos fora do País, os dados menos favoráveis para adolescentes estão relacionados não só à carência de serviços como também a características da própria adolescência, como desejo de maior autonomia e o distanciamento dos pais. Além disso, adolescentes com câncer são menos contemplados em estudos clínicos, essenciais para o avanço dos tratamentos.

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MOVIMENTOS IMPERCEPTÍVEIS DOS OLHOS IMPEDEM A CEGUEIRA

Os movimentos impercepitíveis dos olhos, como pequenos saltos ou 'sacudidelas', conhecidos como micro-sacádicos mostram que é realmente impossível manter um olhar fixo estável. Ainda quando uma pessoa tenta manter os olhos fixos em um alvo específico, os olhos continuam se movendo. Pesquisadores tem difundido, com certa frequencia, que esses movimentos seriam resultados acidentais de falsos sinais nervosos.

Um novo estudo mostra que esses movimentos são controlados pela mesma região do cérebro que é usada em atos como folhear um jornal ou para acompanhar a trajetória objetos em movimento. Cientistas acreditam que esses movimentos micro-sacádicos proporciam a função vital de revigorar imagens na retina que, caso contrário, iriam desaparecer.

Richard Krauzlis do Instituto Salk, em La Jolla, California, focou o estudo no centro de comando do cérebro, responsável pelo controle dos olhos. Ele descobriu que essa região do cérebro desempenha um papel integral no mecanismo de controle desses movimentos. A evidência sugere que esses ágeis movimentos são necessários para manter uma vista normal.

Como as imagens chegam à retina e desaparecem caso a os olhos estejam perfeitamente estabilizados, esses movimentos ajudam a mudar constantemente a cena, sempre de forma sutil, revigorando as imagens em nossas retinas e impedindo a cegueira – afirma Ziad Hafed, coautor do estudo.

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