MÉDICOS CRITICAM ORIENTAÇÃO DO INCA PARA CÂNCER DE PRÓSTATA

A decisão do Inca (Instituto Nacional de Câncer) de desaconselhar os exames de toque retal e de dosagem de PSA para homens que não tenham sintomas de câncer de próstata foi criticada por urologistas. Em nota, a SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) disse que "esperar a ocorrência de sintomas para procurar cuidados médicos pode fazer com que o câncer de próstata esteja em estágio avançado, com impossibilidade de cura".

Segundo Ana Ramalho, gerente da Divisão de Gestão de Rede Oncológica do Inca, não há evidências científicas de que o rastreamento do câncer de próstata reduza a mortalidade causada pela doença, por isso o órgão está desaconselhando os homens a fazerem o exame. No rastreamento, a população é convocada para fazer o exame e buscar detectar a doença em fase inicial. "Essa técnica é útil quando provamos que reduz a mortalidade. É útil no câncer de colo de útero, mas não se mostrou eficiente no câncer de próstata", diz.

De acordo com Ramalho, pesquisas mostram que há um excesso de diagnóstico de câncer de próstata, o que aumenta a chance de identificar tumores de lenta progressão, que não afetariam a saúde do paciente. "Esses pacientes seriam expostos aos riscos do tratamento de maneira desnecessária. Eles podem ficar impotentes ou com incontinência urinária, sem saber se vão reduzir o risco de morte", diz. "A idéia é desestimular mesmo."

Para o urologista Miguel Srougi, professor da USP (Universidade de São Paulo), O Inca cometeu um "equívoco". Ele diz que há dois grandes estudos avaliando o efeito do rastreamento, cujos resultados estão previstos para 2012. "Se não se provou que os exames melhoram a sobrevida, tampouco se provou que têm um efeito ruim. O que há é um desconhecimento. Se provarem que o rastreamento aumenta a chance de cura, um sem-número de homens que não fizeram o exame terão um câncer sem saída."

Segundo ele, embora muitos países não adotem uma campanha de rastreamento, nenhum contra-indica o exame. Inca e SBU divergem quanto ao impacto do tratamento na qualidade de vida. Para o Inca (que usou como fonte um estudo populacional norte-americano), dos homens que tiram a próstata, até 70% têm disfunção erétil e até 25%, incontinência. Para a SBU, o risco é de 50% e 2%, respectivamente.

Segundo Ubirajara Ferreira, presidente da SBU - seção São Paulo, o risco varia conforme a idade do paciente e a técnica usada. "Estudos mostram que o índice de disfunção erétil varia de 20% a 70% --50% é a média. O Inca pegou o pior cenário." Para o urologista Luciano Nesrallah, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o risco de incontinência grave é inferior a 5%. "Falar em 25% é um exagero. Não podemos negar ao homem o direito de querer se prevenir." Para ele, cabe ao médico avaliar com o paciente os riscos e benefícios do tratamento.

"O tratamento produz impotência e incontinência. Mas o que o Inca tem a dizer sobre a qualidade de vida nos casos de câncer que deixarão de ser descobertos?", questiona Srougi. Um problema central da doença é que ainda não é possível distinguir com precisão os tumores de progressão lenta daqueles mais agressivos.

Alexandre Cripa, urologista do Instituto do Câncer Octavio Frias de Oliveira, cita um estudo no qual pacientes com bons prognósticos não foram tratados. Após quatro anos, 75% deles precisaram tratar o câncer. "Nossa imprecisão não nos dá o direito de não seguir o tratamento", diz.

Segundo o urologista Fernando Almeida, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), quanto mais jovem for o paciente, mais agressivo tende a ser o tumor. "Talvez seja preciso decidir em que idade os homens devem fazer o rastreamento, e não se eles devem ou não fazer. Os jovens provavelmente vão se beneficiar." Ramalho, do Inca, diz que o órgão não está proibindo nenhum homem de fazer os exames. "Quem estiver disposto pode fazer, mas é bom que esteja ciente dos riscos." Segundo ela, o Inca pretende rever a orientação caso os resultados dos estudos previstos para 2012 mostrem que o rastreamento é eficaz. (18/11/08)

voltar


HIPERTENSÃO EM FAMÍLIA

Um estudo de 54 anos, enfatizou a relação entre a hipertensão dos pais e as probabilidades dos filhos este fator de risco significativo para as enfermidades cardiovasculares. Um histórico familiar de pressão arterial alta (hipertensão), é um sinal de advertência bem clara.

Os pesquisadores calculam que entre 35% a 65% dos casos de hipertensão são hereditários. Sem nenhuma dúvida existe uma série de características únicas relativas ao nosso estudo, declarou Nae-Yuh Wang, professor adjunto de Medicina, da Universidade de Johns Hopkins e autor principal de um informe na edição de 24 de março/08 da publicação Archives of Internal Medicine. O professor declarou que há uma infinidade de dados com pesquisas entre 1.160 homens, desde 1947 quando os pesquisados eram estudantes de medicina e foram pesquisados durante 5 décadas.

 

Segundo alguns tópicos da pesquisa, os pais desenvolvem a hipertensão em uma idade ainda jovem e os seus filhos poderão ter este problema mais jovem ainda. Caso os pais tenham hipertensão aos 55 anos, ou antes, os riscos dos filhos terem hipertensão é sete vezes mais elevado. A lição que os filhos devem aprender é que os filhos deveriam estar prestando atenção a pressão arterial dos seus pais. Devem ter em conta que se os pais desenvolvem problemas de pressão alta, eles terão que prestar atenção com sua saúde também.

Todos devemos revisar nossa pressão arterial com freqüência e mais cedo que se possa. Se há casos de pressão alta na família não devemos nos descuidar, acrescentou o professor Wang. Exemplos claros de controle de pressão alta são dieta com pouco sal, e gordura, exercícios físicos e medicação. Em outro estudo sobre o assunto, na mesma edição da publicação Archives of Internal Medicine, há um trabalho desenvolvido na Áustria, da Universidade Médica de Graz, que aponta que uma dieta que reduza o peso em 4,1 kg e diminui a pressão arterial.

voltar


DIAS FRIOS: COMO EVITAR O DESCONFORTO
DAS DORES MUSCULARES

Com as estações mais frias chega também a temporada de resfriados, dores musculares  e outros desconfortos para idosos, crianças e adultos. Nessa entrevista, o médico ortopedista Joaquim Reichmann, diretor da Clínica Reichmann, de Chapecó (SC), especializada em joelho, dor osteomúscular e lesões dos esportes, oferece um roteiro para enfrentar os dias de temperaturas baixas.

Qual a relação entre frio e dores musculares?

Joaquim Reichmann - O frio aumenta a dor dos processos inflamatórios em geral. As cicatrizes cirúrgicas também podem doer.  As articulações podem se tornar doloridas, assim como os músculos. Os portadores de doenças reumáticas geralmente tem as dores articulares aumentadas em qualquer parte do corpo. O aumento da dor é provocado pela diminuição do aporte sangüíneo nas articulações e contraturas musculares pelo frio.

O Frio aumenta a ocorrência de dores musculares, lombares e, em especial, de articulações?

Reichmann - Sim, o frio provoca contraturas musculares e a freqüência das dores musculares aumentam. A dor na região lombar é muito comum porque os músculos lombares são grandes e suportam o peso  do tronco e membros superiores. Nesta região só existem as vértebras lombares e músculos para suportar a carga. Se estes músculos não tiverem bem condicionados (fortes e alongados) ou existem  desvios na coluna, hérnias de disco, discopatias degenerativas, artroses (desgastes) onde existem os famosos bico de papagaios, as dores pioram. Nas articulações, principalmente nas pequenas, a dor decorre da diminuição da circulação periférica (os vasos sangüíneos se contraem na periferia e mandam o sangue para a região interna do corpo) na tentativa de manter a homeostase, ou seja, o equilíbrio do corpo em temperatura constante.

Qual deve ser o comportamento, no inverno, dos idosos e das pessoas de vida sedentária?

Reichmann - Agasalhos para não perder calor, praticar alguma atividade aeróbica leve (bicicleta ergométrica, esteira ou caminhadas curtas) para aumentar o aporte de sangue nos membros e, após, praticar alguns minutos de alongamento. Utilizar alimentos mais calóricos, como carboidratos,  para repor energia mais rápido. Uso de luvas para proteger as mãos e meias de lã para proteger os pés, pois as pequenas articulações sofrem mais no frio. O uso de aquecedores é importante para manter o ambiente aquecido, porém é aconselhável colocar um recipiente com água perto do aquecedor para umidificar o ar e evitar ressecamento das vias respiratórias. As pessoas de vida sedentária que tem seus músculos enfraquecidos e encurtados podem se machucar com muita facilidade: as distensões musculares e dores nas costas são muito freqüentes. Também recomenda-se um período de aquecimento curto e, após exercícios de alongamento, para manter preservados e com boa amplitude os movimentos articulares.

Como o atleta deve conduzir-se quando a temperatura cai?

Reichmann - Ingestão de mais carboidratos, fazer aquecimento por maior período de tempo, usar trajes adequados para o frio. Aumentar o período de alongamentos e cuidar da proteção da pele e dos lábios com produtos adequados.

Qual a importância do aquecimento prévio antes da prática esportiva?

Reichmann - É muito importante, pois ajuda a prevenir distensões  musculares e sobrecarga nas articulações. O risco de lesões diminui significativamente. O aquecimento consiste em movimentos musculares e articulares repetidos que servem para melhorar o aporte sangüíneo aos músculos, aquecê-los e adequa-los à função de maior atividade que irão realizar. Um aquecimento rápido é o mínimo necessário que devemos fazer antes e depois  de qualquer atividade física, inclusive caminhadas. O alongamento é necessário em pelo menos 5 minutos antes e após as atividades físicas, podendo ser ampliado para 30 minutos. Iniciam-se nos membros inferiores (todas as cadeias musculares uma por uma) após tronco, musculatura lombar, peitorais, membros superiores (braços, antebraços, punhos, ombros) e após pescoço.

Quais os cuidados de ordem geral que o inverno exige?

Reichmann - Proteção de mãos  e pés com meias e luvas, proteção nos lábios e face com produtos adequados, exercícios para aquecimento e alongamento, sendo que  cinco minutos ao levantar e cinco minutos ao deitar são suficientes.

voltar


DISTÚRBIOS DO SONO AFETAM POPULAÇÃO BRASILEIRA

Na sua maioria, os portadores de SAOS (Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono) são homens obesos, com mais de 40 anos de idade. Entre 30 e 60 anos de idade, a SAOS acomete 5% da população geral numa proporção de 2 homens para cada mulher e, acima de 60 anos, estima-se que 15% da população geral sofre de apnéia do sono, não havendo neste grupo diferença significativa entre sexo. As declarações ao site HCP são do Dr. Flávio Magalhães, Pneumologia, com Pós-graduação na London University, Royal Brompton Hospital, Membro da American Academy of Sleep Medicine e Diretor do Sleep, laboratório específico para estudo dos distúrbios do sono que atua, no Rio de Janeiro (RJ), desde 1996. 

Como funciona a Unidade Móvel para exames domiciliares?

A nossa unidade móvel consiste de um aparelho portátil de polissonografia capaz de registrar vários parâmetros fisiológicos simultamente durante o sono. Através deste exame, que pode ser realizado na residência do paciente ou dentro de um hospital, é possível fazer o diagnóstico da Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) e de outros distúrbios respiratórios do sono.

Este serviço pode ser disponibilizado para empresas de home care?

Certamente.

Quais são os principais fatores para os distúrbios do sono?

Os primeiros indícios de SAOS são ronco e sonolência diurna. Como a SAOS é um importante fator de risco para doenças cardiovasculares e AVE, os portadores de hipertensão arterial, arritmia cardíaca, doença coronariana, insuficiência cardíaca e seqüela de acidente vascular encefálico merecem ser investigados.

Qual são as características socio-demográficas da população brasileira relacionada aos distúrbios do sono?

Na sua maioria, os portadores de SAOS são homens obesos, com mais de 40 anos de idade. Entre 30 e 60 anos de idade, a SAOS acomete 5% da população geral numa proporção de 2 homens para cada mulher e, acima de 60 anos, estima-se que 15% da população geral sofre de apnéia do sono, não havendo neste grupo diferença significativa entre sexo.

O tratamento é demorado?

A forma e a duração do tratamento para os distúrbios resiratórios do sono depende dos resultados encontrados na polissonografia e do quadro clínico do paciente.

Quais são os principais países que apresentam este problema de saúde?

A distribuição demográfica destes distúrbios mostra uma maior prevalência nos negros e asiáticos sem, contudo, apresentar uma heterogeneidade na distribuição geográfica.

A tendência é de que haja um crescimento deste distúrbio (doença) no Brasil?

Se a epidemia da obesidade continuar crescendo, sim. Nem todos os obesos têm apnéia do sono, tampouco a recíproca é verdadeira. Porém, estatisticamente, existe uma nítida correlação entre IMC e a probablidade de apnéia do sono.

Pode ser um problema genético?

Sim. A apnéia do sono é causada pelo relaxamento exagerado da musculatura da faringe que, por sua vez, é ditado ou não pela herança genética e influenciado por diversos fatores ambientais.

Quais são os melhores tratamentos disponíveis no mercado?

Nos casos de apnéia obstrutiva do sono de moderada ou severa intensidade, o tratamento de primeira escolha é o CPAP ( Continuous Positive Airway Pressure). Consiste de um gerador de fluxo de ar (totalmente silencioso) que, através de uma máscara nasal, fornece uma pressão positiva para dentro da via aérea que não permite que haja obstrução ao fluxo respiratório. Com isso, o CPAP previne as apnéias e as quedas de oxigenação, possibilita melhor qualidade do sono e evita as complicações da SAOS citadas acima.

voltar

 


HomeCare Plus
Todos os direitos reservados 2005