MERCADO PARA CUIDADOR DE IDOSOS ESTÁ EM ALTA

A projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que em 2050 a população de idosos será de 63 milhões de pessoas. Em 1980 eram 10 idosos para cada 100 jovens, e em 2050 serão 172 idosos para cada 100 jovens, porque a esperança de vida ao nascer saiu de 43,3 anos, na década de 1950, para 72,5 anos em 2007, segundo o IBGE. Além disso, segundo o Ministério da Saúde, existem hoje aproximadamente 3,8 milhões de idosos com algum grau de dependência no país. Por isso, o mercado de trabalho para os chamados cuidadores de idosos já tem bastante demanda e a tendência é aumentar cada vez mais.

O próprio Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social, planeja capacitar 21 mil cuidadores de idosos até 2011, meta do Programa Nacional de Formação de Cuidadores de Idosos, que será oferecido em 36 Escolas Técnicas do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país. A capacitação vai preparar os cuidadores para administração de medicamentos, prevenção de acidentes domésticos, diagnósticos de dificuldades e promoção da inserção social do idoso. O curso, que tem carga horária de 160 horas, é aberto a todos os interessados que sejam maiores de 18 anos e tenham ensino fundamental completo. Um projeto-piloto desenvolvido em 2008 já formou 300 cuidadores, em seis escolas técnicas do país.

O Ministério da Saúde lançou ainda o Guia do Cuidador do Idoso, que traz noções práticas para profissionais e leigos. Já foram distribuídos 80 mil exemplares em todo o país. O Ministério da Saúde tem ainda uma página no site dedicado aos cuidadores - clique aqui para ver . Para ser cuidador de idosos é necessário fazer um curso livre de capacitação, cuja carga horária pode variar de 80 a 160 horas.

Profissionalização
Jorge Roberto Afonso Souza Silva, presidente da Associação dos Cuidadores de Idosos de Minas Gerais (Aciminas), primeira entidade representativa da categoria no país, diz que a grande luta de quem trabalha na área é pela profissionalização do cuidador, que é considerada ocupação e não profissão pelo Ministério do Trabalho.

“Ao tornar uma profissão pode-se definir a carga horária, o piso salarial, a qualificação, as funções e a escolaridade. Hoje existem cursos de capacitação com cargas horárias variadas e é exigido a partir da 4ª série do ensino fundamental do candidato. Muitos que trabalham há mais de dois anos na ocupação também são reconhecidos como cuidadores”, diz Silva.

Os cuidadores podem trabalhar tanto em clínicas e casas de repouso como nos domicílios dos idosos – nesse caso eles podem trabalhar tanto como autônomos quanto para agências que fazem a intermediação do trabalho. De acordo com Silva, o trabalho do cuidador é muito complexo pelo fato de envolver cuidados com o lado físico e emocional do idoso. “Imagina um cuidador que não consegue lidar com as dificuldades advindas do envelhecimento. Por isso vemos agressões contra os idosos, o que mostra que existem profissionais despreparados”, alerta.

Silva diz que a associação encaminha de 30 a 50 cuidadores por mês para famílias em Belo Horizonte de forma gratuita – a entidade tem 2,5 mil cuidadores associados. No site da entidade ( www.aciminas.com.br ) é possível os interessados solicitar os profissionais. De 2008 para 2009 houve aumento de 40% na demanda por cuidadores, segundo Silva - o dobro do aumento registrado no período de 2007 a 2008.

De acordo com o presidente da Aciminas, a jornada de trabalho é variável – pode ser por alguns dias da semana, só no período da noite, apenas durante o dia, só aos finais de semana ou com dedicação integral, no caso de o cuidador morar na casa do idoso. Silva afirma que a média de remuneração do cuidador varia de R$ 700 a R$ 1,2 mil no país. “A média da hora paga é de R$ 3,50. Já o cuidador que trabalha só nos fins de semana ou faz plantão de 12 horas recebe R$ 4,15 por hora. E o valor do plantão de 12 horas é de R$ 50” , informa.

Apesar do esforço do Ministério da Saúde de capacitar cuidadores pelo país, Silva diz que há uma grande carência de cursos, apesar de estar aumentando o número de hospitais e instituições privadas que oferecem a capacitação – nesse caso os cursos são pagos.

Cursos gratuitos e bolsas de estudo
No caso de São Paulo, por exemplo, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho oferece cursos gratuitos para a função dentro do Projeto Jovens Paulistanos. Atualmente estão abertas 90 vagas para turmas da manhã, tarde e noite. São 4 horas diárias e 20 dias de curso. A carga horária total é de 80 horas. 

De acordo com Marcelo Félix, gestor do projeto, o candidato deve ter a partir de 16 anos, ser residente na cidade de São Paulo e ter ensino médio em curso. O programa oferece auxílio transporte, lanche e material didático. Félix afirma que 90% dos participantes são do sexo feminino e têm mais de 30 anos. Há ainda muitos técnicos de enfermagem que procuram o curso para acrescentar a qualificação à formação.

Os Centros de Apoio ao Trabalho (CAT) da secretaria intermediam depois a colocação do profissional no mercado com empresas, associações e ONGs que prestam serviço para pessoas da terceira idade. “Muitas vezes as famílias procuram ONGs e associações em busca de dicas e de profissionais e o cuidador é indicado por essas entidades. Mas boa parte dos profissionais trabalha como autônomos”, explica Félix. Segundo ele, o estudante não pode ter mais de quatro faltas no curso, caso contrário, perde o direito ao certificado.

“O cuidador é mais acompanhante, promove o bem-estar para o idoso, dá medicação, cuida da alimentação, da higiene, coloca a pessoa na cama, no sofá. Mas o ideal é continuar se aperfeiçoando, se desenvolver na área para conseguir outro nível de desenvolvimento profissional, como, por exemplo, se envolver na área de enfermagem”, afirma Félix.

Nos CATs de São Paulo, há vagas para cuidadores, mas o preenchimento é difícil em decorrência da falta de profissionais qualificados. A média salarial vai de R$ 520 a R$ 800, mas pode chegar a R$ 3 mil se o cuidador dormir na casa do idoso.

Maria Lucia Bergamini Mitsuichi, docente do curso de cuidador de idosos do Senac de Osasco (SP), diz que a demanda pelos profissionais é grande. “O mercado é bom, mas tem que ter estrutura psicológica, não pode bater de frente com seu paciente, por exemplo. Muitos terminam o curso e não se adaptam. O idoso pode não simpatizar com o profissional também, é preciso empatia”, diz.

De acordo com ela, todos os alunos do Senac-SP estão no mercado - 95% dos alunos são mulheres e têm entre 30 e 35 anos. “E tem demanda para cuidador do sexo masculino também”, diz. Muitos ainda fazem o curso para trabalhar em outros países, segundo Maria Lucia. 

O candidato pode concorrer a bolsas de estudo integrais no curso do Senac, que tem carga horária de 160 horas. O candidato deve ter nível médio e no mínimo 18 anos, além de renda familiar per capta inferior de até 1,5 salário mínimo. Isso significa que antes de solicitar a bolsa é preciso confirmar se a soma dos salários, aposentadorias, aluguéis e todos os demais rendimentos do seu núcleo familiar, dividido pela quantidade de pessoas na família, é de até R$ 765. Também inserem-se no grupo familiar pessoas que participam da economia doméstica do lar, mas não possuem qualquer parentesco com o candidato. O Senac coloca nutricionista, fisioterapeuta, psicóloga, terapeuta ocupacional e enfermeiro envolvidos com saúde do idoso e especialização em gerontologia para dar aulas no curso.

O candidato se inscreve e é feito processo de seleção com assistente social. Uma turma começa em julho deste ano no Senac-SP. O processo de seleção já está aberto. O candidato pode se inscrever pelo site www.sp.senac.br/bolsasdeestudo . Para as demais unidades do Senac pelo país os interessados devem se informar pelo site http://www.senac.br/ . “O profissional precisa ver que está lidando com um ser humano que já tem sua história de vida e terá de se adaptar à história de vida dele, vai entrar e fazer parte desse contexto que às vezes não é fácil, precisa haver empatia para ele poder entrar na vida do idoso”, afirma. 

Equipe disciplinar
O presidente da Aciminas ressalta que o cuidador não é um profissional da saúde, como o técnico de enfermagem, por exemplo. Por isso, o cuidador não pode dar injeção nem trocar sondas. “Já o técnico de enfermagem não foi treinado para conviver com o lado emocional do idoso, mas sim para fazer procedimentos da enfermagem. Por isso muitos desses profissionais fazem cursos para complementar a qualificação”.

Silva afirma que o trabalho do cuidador é na prevenção e para que o idoso não tenha um grau elevado de dependência do profissional de saúde. “Ele leva para passear, para o médico, ajuda nas atividades básicas do lar, no banho, na alimentação, mantém o ambiente doméstico organizado”, diz.

O presidente da Aciminas explica que o cuidador pode ainda dar continuidade a exercícios recomendados por um fisioterapeuta ou fonoaudiólogo, por exemplo. Silva defende que os cursos de capacitação tenham no mínimo 100 horas e que ofereçam aulas com profissionais com especialização em gerontologia, além de fisioterapeutas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais.
Já em regiões mais carentes, com escassez de profissionais, Silva sugere que a equipe multidisciplinar tenha pelo menos quatro dos profissonais citados.

Veja lista das 36 escolas técnicas do SUS:

REGIÃO CENTRO-OESTE

Brasília
Goiás
Mato Grosso
Mato Grosso do Sul
Escola Técnica de Saúde de Brasilia - ETESB
End: SMHN - Qd 501 - Bl A Bairro: Asa Norte
Brasília - DF
Cep: 70710-100
Centro de Educação Profissional de Saúde do Estado de Goiás
End: Rua 26 s/n Bairro: Santo Antonio
Goiânia - GO
CEP: 74675-090
Escola de Saúde Pública do Estado de Mato Grosso
End: Rua Adauto Botelho nº 552 - Bairro Caxipo Sul - Loteamento Enzo Ricci
Cuiabá - MT
CEP: 78085-200

Escola Técnica do SUS "Professora Ena de Araújo Galvão"
End: Av Senador Filinto Muller 1480 - Bairro: Vila Ipiranga
Campo Grande - MS - CEP: 79074-460

REGIÃO NORDESTE

Alagoas
Bahia
Ceará
Maranhão
Escola Técnica de Saúde Profª Valéria Hora
End: R Pedro Monteiro 347 - Bairro: Centro
Maceió - AL
CEP - 57020-380
Escola de Formação Téc. em Saúde Prof º Jorge Novis
End: Av Vasco da Gama, s/n (atrás do Hosp. Geral do Estado – HGE) - Bairro: Rio Vermelho
Salvador - Ba - CEP: 40230-900
Escola de Saúde Pública do Ceará Prof° Paulo Marcelo Martins
End: Av Antonio Justo 3161
Bairro: Meireles - Fortaleza - CE
CEP: 60165-090
Escola Técnica de Saúde do SUS Dra Maria Nazareth Ramos de Neiva
R da Estrela 415 – Centro – São Luis - MA
CEP: 65076-820
Paraíba
Pernambuco
Piauí
Rio Grande do Norte
Centro Formador de Recursos Humanos
End: Av D Pedro II 1826 - Anexo à Colonia Juliano Moreira - Bairro: Torre - João Pessoa - PB
CEP: 58040-440
Escola Técnica de Saúde Pública de Pernambuco
Diretora: Lídice Araújo
End: Rua José de Godoy e Vasconcellos, 93 - Parnamirim
CEP 52.060-250
Tel: (81) 3267.3275 / 3267.3907 / 3322-6928
Fax: (81) 3421-7590 Celular Diretora: (81) 8147.0926/8781.2144
E-mail: lidicearaujo@uol.com.br
etesppe@saude.pe.gov.br
Centro Estadual de Educ Prof em Saúde “Monsenhor José Luiz Barbosa Cortez”
Endereço: R Climério Bento Gonçalves s/nº
Bairro: Monte Castelo - Teresina - PI
CEP: 64018-200
Centro de Formação Pessoal para os Serviços de Saúde Dr Manuel da Costa Souza
End: Av Alexandrino de Alencar 1850 - Bairro: Tirol
Natal - RN
CEP - 59015-350

REGIÃO SUDESTE

Espírito Santo
Minas Gerais
Minas Gerais
Rio de Janeiro
Núcleo de Educação e Formação em Saúde
End : Av. Marechal Mascarenhas de Moraes, nº 225, Bento Ferreira
Vitória - ES
CEP - 29052-121
Centro de Ensino Médio e Fundamental / Escola Técnica / Unimontes
End: R Cel Celestino 65
Montes Claros - MG
CEP: 39400-014
Escola de Saude Publica de Minas Gerais – ESP/MG
End: Av Augusto de Lima 2061
Bairro: Barro Preto - Belo Horizonte - MG
CEP: 30190-002
Escola de Formação Téc. Em Saúde Enf. Izabel Santos
End: R da Passagem 179
Rio de Janeiro - RJ
CEP: 21045-900
Rio de Janeiro
São Paulo
São Paulo
São Paulo
Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio
End: Av Brasil 4365
Rio de Janeiro - RJ
CEP: 30190-002
Tel: (21) 3865-9797
Fax: (21) 2260-2433
E-mail: epsjv@fiocruz.br ou malhao@fiocruz.br; smrn@fiocruz.br
Centro Formador de Pariquera-Açu
End: R dos Expedicionários 140
Pariquera-Açu - SP
CEP - 11930-000
Tel: (13) 3856-1529
Fax: (13) 3856-2362/3856-1825
Centro Formador de Pessoal para a Saude de Araraquara
End: Av Nove de Julho 1825 A
Araraquara - SP
CEP: 14801-295
Tel: (16) 3335-7545
Fax: (16) 3335-7545

Centro Formador de Pessoal de Nível Médio para Área da Saúde de São Paulo
End: R Dona Inácia Uchôa 574
Bairro: Vila Mariana
São Paulo - SP
CEP - 04110 - 021
Tel: (11) 5575-0510/0053/ 5572-9748
São Paulo
São Paulo
São Paulo
São Paulo
Centro Formador de Pessoal para a Saúde de Assis
End: Av Mal Deodoro da Fonseca 456
Bairro: Jardim Boa Vista - Assis - SP
CEP:19806-140
Tel: (18) 3322-2930/3323-8493
Fax: (18) 3322-2930
Escola Técnica do Sistema Único de Saúde – São Paulo
End: R Gomes de Carvalho, 250
Bairro: Vila Olimpica - São Paulo - SP
CEP: 04547-001
Tel: (11) 3846-4569/0108
Centro Formador de Pessoal para a Saúde - Franco da Rocha
End: Al Joaquim Gomes de Aguiar s/n - 1º and – Complexo Hospitalar Juquery
Franco da Rocha - SP
CEP: 06013-500
Tel: (11) 4449-5111 r. 243 ou 399
Fax: (11) 4449-5111 r. 643 ou 399
Centro Formador de Osasco
End: R Antonio Bernardo Coutinho 150 - Direção Regional 5
Bairro: Centro - Osasco - SP
CEP - 06013-050

REGIÃO SUL

Paraná
Santa Catarina
Blumenau
Rio Grande do Sul
Centro Formador de RH Caetano Munhoz da Rocha
End: R Prof Brasilio Ovidio da Costa 639
Bairro: Vila Isabel - Curitiba - PR
CEP: 80320-100
Tel: (41) 3342-2293
Fax: (41) 3342-18 98
Escola de Formação em Saúde/EFOS/SC
End: R das Orquídeas s/n - Bairro: Bela Vista Florianópolis - SC
CEP: 88110-800
Tel: (48) 3343-8414 / 3246-6670 / 3221.2207 / 3221.2344
Escola Técnica de Saúde de Blumenau
End: R. 15 de Novembro 55 – 2º andar – Prédio SEMUS - Centro
Blumenau - SC
CEP: 89010-00
Tel: (47) 3322-4271/3326-6768 ramais 216/217
Fax: (47) 3326-7422
Escola de Saúde Pública /ESP/SES
Diretor: Sandra Regina Martini Vial
Endereço Profissional: Av Ipiranga 6311
Bairro: Partenon - Porto Alegre - RS
CEP: 90610-001
Tel: (51) 3339-1155 / 8774 ou 3901-1464/1471/1469
Fax: (51) 3336-8142
E-mail: etsus@saude.rs.gov.br;esp@saude.rs.gov.br;

REGIÃO NORTE

Amazonas
Acre
Rondônia
Escola de Formação Profissional Enfª Sanitarista Francisca Saavedra
End: R Desemb Felismino Soares s/nº - Manaus - AM
CEP: 69070-620
Tel: (92) 3214-3061 (Secret) 3214-3060 (diretoria)
Escola Técnica em Saúde Maria Moreira da Rocha
End: BR 364 Km 02 - Bairro Distrito Industrial - Rio Branco - AC
CEP: 69.914-220
Centro de Educ. Técnico-Profissional na Área de Saúde de Rôndonia - CETAS/RO
Endereço: Av Carlos Gomes 2443
Bairro: São Cristóvão - Porto Velho - RO
CEP: 78900-000
Roraima
Tocantins
Amapá
Pará
Escola Técnica de Saúde do SUS em Roraima
Endereço : Av Brigadeiro Eduardo Gomes 1364
Bairro: São Francisco - Boa Vista - RR
CEP: 69305-455
Escola Técnica de Saúde do Tocantins
End: 403 Sul LO-09 (antigo aeroporto) Bairro: Plano Diretor
Palmas - TO
CEP: 594 77015-
Centro de Educ Profissional em Saude Professora Graziela Reis de Souza
Endereço: R Duque de Caxias 60
Cep: 68906-330 - Cidade: Macapá - AP
(Av Fab 69 – Centro – Macapá/AP – 68910-000 - Secretaria)
Tel: (96) 3212-6113
Escola Técnica do SUS Dr. Manoel Ayres
Endereço: Av Nazaré 211
Bairro: Nazaré
CEP: 035.080-200
Belém - Pará

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INIBIDORES DE APETITE AUMENTAM OS RISCOS DE GLAUCOMA ENTRE AS MULHERES

O uso dos inibidores de apetite – drogas para o combate à obesidade – pode provocar, além dos já conhecidos efeitos colaterais sobre o sistema nervoso central e cardiovascular, um aumento no risco de as mulheres desenvolverem glaucoma – doença marcada pelo aumento da pressão intraocular, podendo levar à cegueira –, segundo especialistas. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, a dilatação da pupila provocada por inibidores de apetite aumenta a chance de surgir o glaucoma primário de ângulo fechado.

O mais preocupante, segundo o especialista, é que mais 43% dos brasileiros em idade adulta estão acima do peso, fazendo com que o País desponte como o terceiro maior consumidor de inibidores de apetite. E a população feminina responde por 92% deste consumo, segundo um levantamento do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, o que as deixa sob maior risco de ter o glaucoma de ângulo fechado.

Com incidência de cegueira duas vezes maior que o glaucoma primário e ângulo aberto, a doença é mais comum entre mulheres, asiáticos, idosos e portadores de hipermetropia (dificuldade de enxergar de perto). Isso porque, nestes grupos, a câmara anterior dos olhos pode ter menor profundidade e a dilatação da pupila induz ao fechamento do ângulo iridocorneano (entre a íris e a córnea), levando ao aumento súbito da pressão intraocular.

Queiroz Neto afirma que a evolução do glaucoma é rápida e, apesar de os casos relacionados ao uso de inibidores de apetite serem pouco frequentes, deve ser feita uma avaliação completa da câmara anterior antes da ingestão deste tipo de medicamento. Isso porque a identificação e tratamento do fechamento angular iridocorneano previne a evolução da doença. A avaliação é feita com a utilização do OCT, tecnologia similar ao ultrassom, que permite a obtenção de imagens de toda a câmara anterior em duas dimensões.

Quem sofre da doença só percebe a alteração ocular em crises agudas cujos sinais são: dor intensa no globo ocular e região periocular; diminuição acentuada da acuidade visual; halos coloridos ao redor das lâmpadas; náuseas e vômitos. E esta crise é marcada pela elevação acentuada da pressão intraocular, perda súbita da visão, morte de células do cristalino, escavação do disco óptico, congestão venosa e hemorragia, que reduzem permanentemente a visão. Segundo o oftalmologista, trata-se de uma emergência médica, e o tratamento clínico imediato é feito com colírios que induzem à constrição pupilar, betabloqueadores para diminuir a produção do humor aquoso, e corticoide tópico que reduz a reação inflamatória aguda.

Além dos inibidores de apetite, remédios usados no tratamento de gripes e resfriados que contêm atropina também podem induzir a crises agudas desse tipo de glaucoma. Por isso, a agência reguladora de medicamentos dos EUA exige que toda medicação que induza à dilatação da pupila contenha uma advertência na embalagem. O risco de complicações só existe entre pessoas com ângulo estreito da câmara ocular que não recebem tratamento adequado. "O brasileiro ainda acredita que o consumo de medicamentos é o caminho mais fácil para ter boa saúde, mas em muitos casos pode significar o surgimento de doenças que comprometem a qualidade de vida", conclui o especialista.

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ÁLCOOL AUMENTA RISCO DE DEPRESSÃO PROFUNDA

O consumo abusivo de álcool aumenta o risco de cair em uma depressão profunda, mas o contrário não é válido, ou seja, estar depressivo não leva a uma maior ingestão de bebidas alcoólicas, como se costumava crer. Essas são as conclusões de um estudo da Universidade de Otago, Nova Zelândia, que foi publicado nesta segunda-feira (02/03) na revista Archives of General Psychiatry. Até agora, diversas pesquisas epidemiológicas tinham relacionado depressão e dependência alcoólica, mas não ficava claro se uma desordem levava à outra, ou se existia um fator de risco comum, ambiental ou genético. Após realizar um estudo estatístico com mais de mil pessoas, os pesquisadores descobriram que existe uma relação unidirecional entre o consumo de álcool e o risco de sofrer de uma depressão profunda.

Os cientistas, porém, descartaram uma associação entre a manifestação de uma depressão e o posterior consumo abusivo de bebidas alcoólicas. Para eles, as pessoas depressivas não recorrem ao álcool como forma de melhorar o estado de espírito. A equipe estudou as relações entre álcool e depressão em 1.055 indivíduos nascidos em 1977 quando estes tinham de 17 a 18 anos, de 20 a 21 e de 24 a 25 anos.

Na primeira fase, 19,4% apresentavam problemas com o álcool e 18,2% sofriam depressão profunda. Quando tinham de 20 a 21 anos, 22,4% dos indivíduos possuíam distúrbios alcoólicos e 18,2%, depressão. Já na última etapa, 13,6% dos indivíduos tinham problemas com o álcool e 13,8% sofriam do distúrbio psiquiátrico. Em todas as idades estudadas, o abuso de álcool estava ligado a um aumento do risco de sofrer depressão severa. Os indivíduos com dependência alcoólica tinham uma probabilidade 1,9 vez maior de desenvolver um distúrbio psiquiátrico grave em comparação com os que não bebiam. Os mecanismos que levam à ativação desta associação entre depressão e álcool não estão claros, mas os pesquisadores consideram que pode se dever a processos genéticos nos quais o segundo aumenta o risco de sofrer do primeiro.

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TELEMEDICINA E HOME CARE NO BRASIL

Em entrevista com o Prof. Dr. J.A Zuffo, Cientista, uma das maiores autoridades no Brasil, com as suas atividades acadêmicas e de pesquisas no departamento de Engenharia e Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica de São Paulo- USP, Fundador do Laboratório de Micro Eletrônica da EPUSP, foi presidente do  IEEE (institute of electrical and eletronic Engeneering), e da Sociedade Brasileira de Microeletrônica, Fundador do Laboratório de Sistemas Integráveis (L.S.I.) fala um pouco nesta entrevista sobre Telemedicina e Home Care no Brasil.

Qual o projeto do LSI, que mereça um destaque maior ?

Temos hoje no LSI, quarenta projetos em andamento, mas eu destaco um deles, pela sua importância social, Tele Cuidados Médicos, é um projeto revolucionário na área de medicina, que certamente ira melhorar o atendimento medico no Brasil. Trata-se de um sistema que permite o monitoramento de pacientes em seu próprio lar, bem como a detecção de situações de emergência que exijam a presença de um profissional.

O telemonitoramento permitira a medida de parâmetros como a pressão, temperatura, batimentos cardíacos e formas de ondas geradas pelos batimentos que gera a leitura do eletrocadiograma, a quantidade de açúcar no sangue, e oferece ainda a teleconferência, via internet, que é uma consulta imediata entre paciente e seu medico, sem ter que se deslocar para o consultório, ou o medico a casa do cliente, este procedimento resolveria o problema de saturação na área medica e prontos socorros, reduzindo o numero de médicos fora dos hospitais e as grandes filas nas salas de espera. Existe um estudo no exterior, que das duzentas visitas medicas aos hospitais, apenas sete eram necessárias, e às vezes a pessoa acaba morrendo a caminho, porque achava que não era necessário. 

Quais são as vantagens deste sistema?

A grande vantagem do sistema, o paciente passa ser monitorado 24 horas e medicado no momento certo, gerando desta forma uma melhor qualidade de vida as pessoas. Este sistema barateia custos, e reduz tempo do atual sistema Home Care, que os hospitais oferecem.

O projeto nada mais e do que o acompanhamento medico a distancia, com um sistema de software e hardware acoplado a um palme IPVA, ou seja, um telefone celular especializado para a área medica, com um sistema de sem fio para que o paciente possa leva-lo a qualquer lugar quer esteja em férias ou em viagem .

Como seria sua forma de comercialização?

Este equipamento seria de propriedade do hospital, que locaria ao paciente, para o uso em casa com acompanhamento medico, seria como alugar uma fita de DVD, em uma locadora.

Qual seria o custo estimado do aparelho?

Este aparelho produzido em larga escala o seu custo reduziria muito, algo em torno de sessenta reais por unidade, podendo ser também exportado gerando, empregos e divisas ao pais. Estamos aguardando o governo do estado ou empresas que possam se interessar em tornar concreto este projeto. 


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