TRATAMENTO DE OBESIDADE EXIGE TERAPIA FAMILIAR
A história de uma paciente mudou a trajetória profissional da nutricionista Ana Flávia Nascimento Otto. Quando se consultou pela primeira vez com Ana Flávia, a paciente pesava 160 kg . Insatisfeita com o próprio corpo, como a maioria das mulheres, queria perder peso. Além da obesidade, ela enfrentava episódios diários de compulsão alimentar: não se alimentava direito durante o dia e, no início da noite, comia exageradamente.
O que intrigava Ana Flávia nesse caso era o comportamento da família da paciente, que dizia cooperar com o tratamento da jovem, mas, na prática, adotava posturas contrárias: oferecia quitutes para a moça o tempo todo. A jovem, com isso, se sentia dividida entre dispensar a comida e com isso frustrar a família e furar a dieta, contrariando as recomendações da nutricionista. A culpa provocava ainda mais compulsão por comida. A vontade de ajudar a paciente levou Ana Flávia à psicologia e à pesquisa. Primeiro, a nutricionista fez um curso de terapia familiar para compreender melhor esse tipo de dinâmica e, depois, se matriculou no Programa de Mestrado em Psicologia na Universidade Católica de Brasília (UCB).
No mestrado a nutricionista estudou as relações familiares de pessoas com obesidade e transtorno de compulsão alimentar e entrevistou 45 pacientes com obesidade grave que eram acompanhados em um hospital público do Distrito Federal. Depois, fez visitas domiciliares – com a presença de toda a família.
O estudo mostrou que o ambiente familiar está bastante relacionado à obesidade e ao transtorno compulsivo alimentar. Em geral, as famílias de pacientes obesos praticam poucas atividades de lazer, evitam conflitos e expressam poucos sentimentos. Na maioria dos casos, a alimentação é o grande laço de afetividade entre essas pessoas.
“A família exerce um papel fundamental na formação e manutenção dos hábitos alimentares. A alimentação agrega os valores, os significados e as regras do grupo. Para algumas, torna-se a principal expressão de vínculo entre os seus membros. Nesse sentido, mudanças no padrão alimentar influenciam diretamente a dinâmica da família, podendo gerar resistência dos familiares a mudanças individuais de dieta”, analisa Ana Flávia.
Compulsão X adaptação
Para a orientadora da pesquisa, professora Maria Alexina Ribeiro, uma das principais conclusões do estudo é a forte relação entre o grau de compulsão alimentar e a capacidade de adaptação da família às novas regras impostas pelo tratamento. Muitas têm dificuldades em manter ou mudar regras e limites.
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Os dados recolhidos pela nutricionista mostram que 49% dos pacientes entrevistados tinham, além da obesidade, transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP). Isso significa que quase metade dos pacientes sofre de angústia após a ingestão de grandes quantidades de alimentos. De uma só vez, uma pessoa com esse tipo de transtorno pode ingerir até 5.000 calorias. A vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, Leila Maria Batista Araújo, ressalta a importância da adesão da família ao tratamento. “Em 45% dos casos, a obesidade é genética. No restante, a explicação é comportamental, hormonal. Nesses fatores, podemos mudar as coisas, mas é preciso modificar comportamentos culturais e de educação. Por isso, a família é essencial”, diz.
Leila lembra que os dados do último censo feito em 2003 mostraram que 10% da população brasileira sofrem com a obesidade. Metade tem excesso de peso. Ela acredita que as mudanças de comportamento ocorridas na sociedade nos últimos anos – trabalho em excesso, pouca atividade física e lazer – tornaram as pessoas ansiosas. “Essa ansiedade, muitas vezes, é compensada na alimentação”, afirma. Ela admite que tratar a obesidade infantil e nos adolescentes é ainda mais difícil do que nos adultos, justamente por causa da família. “O boicote é muito comum. Por isso, temos de cuidar dos pais também. Já recomendamos a terapia familiar nos tratamentos”, ressalta.
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CAPACIDADE DE ARGUMENTAÇÃO PODE SER INDÍCIO DE PROTEÇÃO CONTRA O ALZHEIMER
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Pessoas com uma boa habilidade discursiva na juventude podem ter menos propensão a desenvolver a doença de Alzheimer, mesmo que existam outros indicadores da doença, diz estudo publicado no periódico Neurology . “Uma das coisas mais desafiantes no Alzheimer é como a doença atinge cada pessoa de uma forma diferente”, diz Juan Troncoso, pesquisador da Universidade Johns Hopkins, EUA.
“Uma pessoa que tem sinais de Alzheimer pode não ter comprometimento da memória; outra, pode ter a perda completa dessas informações. Agora nós temos um indício de que a habilidade discursiva pode, de alguma forma, diminuir os sintomas da doença”, completa o pesquisador.
Para o estudo foram colhidos dados de mulheres que eram internas de um convento (o que facilitava encontrar registros escritos e catalogados para efeito de comparação, além dos registros médicos). Os pesquisadores então classificaram o nível gramatical e a complexidade da estrutura lógica dos registros escritos. Os indivíduos que demonstravam uma maior habilidade para compor estruturas lógicas de argumentação também mostraram menor perda de memória. O nível gramatical, entretanto, não mostrou correlações com a evolução da doença. |
“Apesar de uma população limitada a um espaço muito específico, os resultados mostram que um teste de habilidade intelectual por volta dos 20 anos poderia dar pistas de como seria a manutenção da capacidade cognitiva décadas depois, mesmo se a pessoa tivesse indicações de Alzheimer”, diz Troncoso. “Talvez as habilidades mentais na juventude – época do final da maturação cerebral – possam indicar o quão preparados os organismos dessas pessoas estarão para lidar com doenças relativas ao cérebro no final da vida”, teoriza Troncoso.
DICAS QUE PODEM EVITAR ACIDENTES EM CASA
Ver alguém sofrer um acidente é terrível. Mas como nem sempre se pode evitar, é bom saber o que fazer para afastar consequências mais graves. Segundo especialistas, atitudes simples, como colocar água corrente na mão ou no braço queimados, podem ajudar o paciente antes mesmo de ele chegar ao hospital. Ainda no caso das queimaduras, não se deve colocar café, manteiga ou outras substâncias, mas sim resfriar a área afetada com água, sem esfregar, por até 10 minutos, cobrir com um pano e ir para o hospital.
“Geralmente, o parente próximo fica tão nervoso que o vizinho ou um tio mais distante é quem age. E é importante que essa pessoa tenha conhecimentos mínimos”, diz o microcirurgião João Recalde Rocha. Chefe do Centro de Reimplantes do Hospital Adão Pereira Nunes, João conta que atende pessoas que perdem parte dos dedos em portas, janelas e até nos ganchos que seguram a rede das traves de futebol. “Muitos acham que devem colocar a parte amputada direto no gelo. O correto é colocar num saco plástico fechado e, este, num isopor ou outro recipiente com gelo e água. Colocar direto no gelo lesiona os vasos e dificulta o reimplante”.
Em casos de amputações maiores, o médico diz que o ideal é que o membro seja colocado numa toalha e levado à unidade mais próxima, que fará o acondicionamento. “É importante que, no caso de dedo amputado, por exemplo, se levante a mão para diminuir o sangramento. Fazer um curativo com gaze também ajuda”.
Se objetos como facas, vergalhões e espetos perfurarem o corpo, não devem ser retirados. Somente médicos podem fazê-lo. “Já atendi uma menina que caiu em cima de um vergalhão e só sobreviveu porque o pai a levou ao hospital com o objeto. Se tivesse tentado tirar em casa, ela morreria porque a artéria sangraria muito”, diz a chefe da Pediatria do Azevedo Lima, Leonardo Passos.
Pessoas que perdem dentes em acidentes devem mantê-los na saliva, dentro da boca, ou colocá-los no soro até chegar no dentista, em no máximo seis horas. “Não segure o dente na raiz nem o lave”, alerta a dentista Domênica Leite.
PREVENIR É SEMPRE MELHOR DO QUE REMEDIAR
Todo cuidado com criança é pouco. Algumas medidas simples, no entanto, reduzem bastante o risco de acidentes em casa.
ÁREA DE SERVIÇO
Não coloque produtos de limpeza em embalagens coloridas ou de refrigerantes porque há risco de a criança se confundir e beber. Guarde material de limpeza em armários altos e fechados.
SALA E QUARTO
Fios elétricos desencapados devem ser cobertos. Deve-se evitar ainda que fios, como os de telefone, cruzem o caminho. Use plugues de plástico e tomadas com tampa para impedir choques, como na casa de Arthur, 2 anos. Evite passadeiras e brinquedos espalhados, que facilitam quedas. Nunca deixe objetos pequenos, pontiagudos (agulhas, alfinetes ou palitos) na cama ou perto da criança. Atenção às janelas e varandas, que devem ter grades de proteção. Travas de portas protegem os dedos dos pequenos.
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COZINHA
Coloque os cabos das panelas para dentro do fogão e dê preferência às bocas traseiras. Toalhas não devem ficar penduradas na mesa porque há risco de a criança puxar e ser atingida por pratos, facas e copos. Atenção ao forno: pode causar queimaduras em crianças mesmo depois de desligado. Mães não devem cozinhar ou fazer café com a criança no colo devido ao risco de queimaduras.
BANHEIRO
Remédios e perfumes devem ser guardados em locais altos e com tranca. O vaso sanitário deve ficar sempre com a tampa fechada para evitar afogamento de crianças pequenas.
ESCADAS
É importante ficar atento a escadas porque muitas vezes a altura do degrau é obstáculo. O ideal é que fiquem isoladas com portinholas que impedem a passagem das crianças.
LAJES
Brincar em laje é um perigo e deve ser evitado. Crianças e adolescentes se distraem e correm sério risco de queda, que pode causar graves lesões.
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