44% DAS CRIANÇAS TÊM COLESTEROL ELEVADO

Uma pesquisa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) com 1.937 crianças e adolescentes entre dois e 19 anos atendidos no Hospital das Clínicas da universidade constatou que quase metade deles possui índices altos de colesterol e triglicérides. Segundo o estudo, realizado entre 2000 e 2007, 44% dos pesquisados apresentaram índices elevados de colesterol.

"Eu exagerava nos alimentos ricos em gordura quando tinha 11 anos e meu colesterol estava em 269 mg/dL. Então iniciei o tratamento com dieta e esportes. Hoje meu colesterol é 160 mg/dL", diz a estudante Jéssica Rossi Ruggeri, 17, que ainda precisa diminuir seu índice. A pesquisadora responsável, Eliana Cotta de Faria, do Departamento de Patologia Clínica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, atribui os altos índices a fatores de risco como sedentarismo, má alimentação, obesidade e diabetes, além da hereditariedade.

De acordo com a pesquisa, 44% das crianças entre dois e nove anos apresentaram valores alterados do colesterol total, 36%, do LDL (colesterol ruim) e 56%, dos triglicérides. Os altos índices de triglicérides estão associados a um risco maior de doença coronariana. O resultado foi muito similar no grupo dos adolescentes e jovens de dez a 19 anos. "Não é de se estranhar que a população hospitalar tivesse índices um pouco mais altos. Mas não imaginávamos que estes índices seriam tão altos", diz Faria.

Não há dados brasileiros sobre a taxa de colesterol entre crianças e adolescentes, e, segundo Ieda Jatene, presidente do departamento de cardiologia pediátrica da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) não é possível extrapolar os números encontrados na Unicamp para o resto do país.

Para Roseli Sarni, pediatra e presidente do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, uma das explicações para os níveis elevados de colesterol, além de maus hábitos alimentares em geral, é o mau entendimento dos rótulos de produtos com gordura trans. "Quando a mãe lê zero, ela entende que o alimento é livre desse tipo de gordura, o que não é verdade", diz. A legislação admite que o fabricante diga que seu produto tem "0% de gordura trans" quando tem até 0,2 g do elemento por porção. Com isso, a criança é liberada a consumir alimentos com esse tipo de gordura.

A prevenção, segundo Eliana Faria, começa com o estilo de vida da família, que é transposto para a realidade da criança. "Uma criança não pode decidir comer mais legumes se os pais não compram legumes", diz. Para diminuir os níveis de colesterol no sangue, devem ser priorizados dieta balanceada e exercícios físicos. É preciso estimular o consumo de frutas, verduras, legumes e peixes marinhos, reduzir o consumo de óleos, açúcares e gorduras e preferir alimentos integrais.

As mudanças, no entanto, não devem ser drásticas, pois a criança pode ficar ainda mais resistente em mudar sua alimentação. "Começamos com uma mudança quantitativa, para depois fazer a qualitativa", diz Sarni. Isto é: o recomendado é reduzir alimentos que aumentam o colesterol ruim, para, gradativamente, substituí-los por opções mais saudáveis.

Em julho, a Academia Americana de Pediatria tomou uma decisão radical em relação às crianças com colesterol alto: orientou que os pequenos acima de oito anos sejam medicados com drogas (estatinas) para prevenir doenças cardíacas. No Brasil, os pediatras indicam medicamentos a partir dos dez anos, mas apenas para crianças com uma doença genética chamada hipercolesterolemia familiar, que eleva os níveis de colesterol, independentemente do estilo de vida. Para as demais, eles defendem uma dieta equilibrada associada a exercícios físicos. A cautela tem justificativa. Não há estudos a longo prazo sobre o uso das estatinas em crianças ou que mostrem que, usando a medicação precocemente, elas estarão mais protegidas do que aquelas que iniciaram a terapia na vida adulta.


DIETA MEDITERRÂNEA PREVINE DOENÇAS CRÔNICAS

A chamada dieta mediterrânea - rica em legumes, verduras, frutas e peixes - ajuda a prevenir as doenças crônicas mais comuns, como Mal de Alzheimer, câncer, Mal de Parkinson e doenças cardiovasculares, segundo um estudo publicado no site da revista médica britânica BMJ (British Medical Journal).

A dieta mediterrânea costuma ser rica em azeite de oliva, grãos, frutas, nozes, legumes e peixe. Há anos, os hábitos alimentares das populações que vivem às margens do Mar Mediterrâneo têm a reputação de ser um modelo de alimentação saudável e de contribuir para uma saúde e uma qualidade de vida melhores.

Tradicionalmente, a dieta mediterrânea costuma ser rica em azeite de oliva, grãos, frutas, nozes, legumes e peixe, além de preconizar um consumo moderado de álcool e baixo de carnes vermelhas e laticínios.

Pesquisas anteriores já haviam indicado que a dieta mediterrânea pode ajudar a prevenir doenças cardiovasculares e câncer, mas ainda não havia sido realizada uma meta-análise, ou seja, uma avaliação de vários outros estudos já publicados.

Por isso, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Florença, na Itália, examinou 12 estudos de vários países que, juntos, reuniam mais de 1,5 milhão de participantes e acompanharam os hábitos alimentares e a saúde deles por períodos de três a 18 anos. O objetivo foi estabelecer uma relação entre a adoção da dieta mediterrânea, a morte prematura e a ocorrência de doenças crônicas.

Os cientistas usaram uma pontuação para quantificar o rigor na adoção da dieta. Os participantes com alta pontuação (mais adeptos da dieta mediterrânea) apresentavam condições de saúde melhores, uma taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares 9% mais baixa, uma incidência 13% mais baixa do Mal de Parkinson e de Alzheimer e 6% de redução nos casos de câncer. Por isso, os pesquisadores afirmam que manter à risca a chamada dieta mediterrânea pode ser um instrumento eficiente na redução do risco de morte prematura e doenças crônicas na população em geral. (12/09/08)


CHIMARRÃO E CHANCES DE TER CÂNCER

Substâncias presentes no chimarrão podem contribuir para o surgimento de câncer de esôfago entre consumidores da bebida, aponta estudo de pesquisadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). O trabalho, coordenado pelo professor Renato Fagundes, foi publicado em maio na revista especializada "Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention", da American Association for Cancer Research (Associação Americana para Pesquisa do Câncer). O chimarrão, feito à base de erva-mate, é tradicionalmente consumido no Sul do país, Uruguai e Argentina.

O câncer de esôfago, segundo o estudo, é a sexta causa de morte pela doença no mundo e a quarta em países em desenvolvimento. O Rio Grande do Sul, com Uruguai e Argentina, está entre as regiões do globo com maior incidência de câncer de esôfago --índice de 9% das mortes totais por câncer.

Na primeira etapa da pesquisa, em 2005, 200 pacientes saudáveis foram divididos em fumantes e não-fumantes. Resíduos de HAP (hidrocarbonetos aromáticos policíclicos) --compostos com potencial cancerígeno-- foram encontrados na urina de fumantes, e também na de não-fumantes que consumiam chimarrão.

"Entre os que fumavam e tomavam chimarrão, o índice era ainda maior", diz Fagundes. Na segunda parte do estudo, oito marcas de erva-mate foram estudadas, com identificação de alto nível de HAP na bebida após a infusão (quando a água é colocada na cuia).

A cada 12 doses de chimarrão servidas com água fria ou quente, estudiosos detectaram o mesmo índice de HAP existente em um maço de cigarro. "O risco de câncer era atribuído à temperatura elevada do chimarrão. Agora, observamos na bebida hidrocarbonetos potencialmente cancerígenos, comuns em cigarros", diz.

Fagundes ressalva que, apesar dos indícios, ainda não é possível afirmar que o consumo de chimarrão causa câncer. "Os compostos do cigarro vão direito ao pulmão. No chimarrão, a bebida é ingerida e não sabemos quais as rotas percorridas por esses compostos. Precisamos de outros estudos. Esses compostos podem ser resultado da poluição ambiental ou da própria manufatura da erva-mate, secada ao fogo com madeira em combustão."

 

Presidente do Instituto Escola do Chimarrão, sediado em Venâncio Aires (RS) --considerada a capital nacional do chimarrão--, Pedro Schwengber, 56, diz que o produto não faz mal à saúde. "Nunca vi alguém ter problemas por beber chimarrão, mas já vi gente morrer por causa do cigarro."

Schwengber afirma que estudos mostram que o chimarrão contém substâncias que auxiliam no combate ao colesterol, no tratamento contra mal de Parkinson e até contra cáries. "Quando todos souberem desses benefícios, o mundo vai tomar chimarrão", afirma. (19/08/08)


ALTAS DOSES DE VITAMINA C PODEM CONTER AVANÇO DO CÂNCER

Um estudo conduzido por pesquisadores americanos e divulgado na publicação científica Procedings of the National Academy of Sciences sugere que altas doses de vitamina C podem ser eficientes para conter o avanço do câncer. A equipe, do Instituto Nacional de Saúde, em Maryland, realizou uma experiência com camundongos em laboratório e verificou uma redução significativa de tumores após a injeção de até quatro gramas da vitamina por quilo de massa corporal.

No experimento, os especialistas introduziram células cancerígenas humanas nos roedores, que evoluíram rapidamente para tumores. Em seguida, injetaram vitamina C em sua cavidade abdominal. A dose ministrada foi de até quatro gramas por cada quilo do peso dos animais, uma quantidade bem maior do que pode ser absorvida pelo organismo por meio de alimentos ou comprimidos, afirmaram os cientistas.

Os pesquisadores observaram uma redução significativa em tumores no cérebro, ovário e pâncreas. Em alguns casos, o peso e tamanho do câncer diminuíram em até 53%. Entre os roedores que não haviam sido tratados com vitamina C, os tumores continuaram crescendo e se espalharam para outras partes do corpo.

Os especialistas acreditam que ao reagir com os componentes químicos das células cancerígenas, a vitamina C produz peróxido de hidrogênio, um composto capaz de matá-las ao mesmo tempo em que deixa intactas as células saudáveis. Eles sugerem que o mesmo tratamento pode ser considerado para humanos no futuro. "Estas informações pré-clínicas fornecem a primeira base para avanço do ascorbato farmacológico no tratamento de câncer em humanos". (05/08/08)


LEITE DESNATADO AJUDA A PREVENIR DOENÇAS

Tomar um copo de leite desnatado (com pouca ou nenhuma gordura) pode ajudar a proteger contra problemas renais associados a doença cardíaca, segundo estudo publicado na última edição do “American Journal of Clinical Nutrition”. Avaliando o padrão alimentar de mais de 5 mil pessoas com idades entre 45 e 84 anos, os pesquisadores descobriram que aqueles que consomem pelo menos uma porção diária de leite ou derivados pobres em gordura têm 37% menor probabilidade de apresentar mau funcionamento renal relacionado a doença cardíaca, comparados com os que não consomem tais produtos. Os resultados apontaram que o consumo desses produtos estava relacionado a uma menor razão albumina/creatina na urina, indicando melhor função renal. Outros estudos sugerem que proteína do leite, vitamina D, magnésio e cálcio podem trazer benefícios para o coração, porém mais estudos são necessários. (27/06/08)

CHOCOLATE PROTEGE DIABÉTICOS CONTRA DOENÇAS CARDÍACAS

O consumo de uma xícara de chocolate amargo enriquecido pode ajudar diabéticos a prevenir doenças cardíacas, segundo um estudo conduzido por cientistas alemães. O estudo, publicado na revista científica "Journal of the American College of Cardiology", sugere que compostos conhecidos como flavonóides, presentes no cacau, principal ingrediente do chocolate, seriam os responsáveis pela ação benéfica da bebida.

Os flavonóides impulsionam o aumento da produção de óxido nítrico --uma substância química produzida pelo corpo que atua no relaxamento e dilatação das artérias. Os cientistas ressaltaram que a função arterial é geralmente prejudicada pela diabetes por causa do alto nível de açúcar no sangue, que impede a dilatação das artérias e pode resultar em um aumento na pressão arterial.

De acordo com os resultados da pesquisa, o consumo de chocolate --considerado um alimento a ser evitado por pacientes diabéticos-- enriquecido com flavonóides, demonstrou ser eficaz na normalização das funções arteriais dos diabéticos, o que ajudaria a prevenir doenças cardíacas. Para realizar o estudo, os cientistas alemães desenvolveram um tipo especial de chocolate com alta concentração de flavonóides.

A equipe testou os efeitos do consumo em um grupo de dez pacientes diabéticos, que tomaram um copo do chocolate enriquecido, três vezes ao dia, durante um mês. Os cientistas avaliaram os efeitos do consumo através da dilatação fluxo-mediada das artérias, um exame que registra as variações no fluxo sangüíneo. Segundo os resultados observados pela equipe, a habilidade de dilatação das artérias aumentou quase que imediatamente após o consumo da bebida.

De acordo com a pesquisa, as artérias de uma pessoa normal são capazes de dilatar cerca de 5%. No caso dos pacientes diabéticos, essa capacidade foi registrada em 3,3% antes da ingestão da bebida.No entanto, duas horas depois de consumirem o chocolate, essa capacidade aumentou, em média, para 4,8%. Quando avaliados depois dos 30 dias, os pacientes demonstravam 4,1% de capacidade de dilatação mesmo antes de ingerir a bebida, e em média 5,7% quando avaliados depois de duas horas do consumo.

 

"Nossa pesquisa demonstra que os flavonóides podem ter um impacto importante como parte de uma dieta saudável na prevenção de complicações cardiovasculares em pacientes diabéticos", disse Malte Kelm, do Hospital Universitário de Aachen, que liderou o estudo. O pesquisador ressalta, no entanto, que sua pesquisa não é sobre o chocolate, mas sobre os flavonóides.

Um porta-voz da ONF Diabetes UK, que trabalha com pacientes diabéticos, os resultados do estudo são "interessantes", mas é preciso tomar cuidado. "Os flavonóides parecem oferecer potenciais benefícios para as pessoas com diabetes, mas, nesse estágio, não podemos aconselhar os pacientes a começar a tomar uma quantidade grande de chocolate quente, pois a bebida pode ser rica em açúcar e gordura", disse. "É preciso que mais pesquisas avaliem, a longo prazo, os efeitos de consumir um nível tão elevado de flavonóides", alertou.


ESPINAFRE É BOM PARA AUMENTAR OS MÚSCULOS

Um estudo americano diz ter comprovado que o espinafre pode ajudar a aumentar os músculos. A tese, defendida nos desenhos animados do marinheiro Popeye, foi testada em laboratórios por especialistas da Universidade de Rutgers, em Nova Jersey. Os cientistas extraíram esteróides encontrados nas folhas da verdura e avaliaram sua ação quando em contato com amostras de tecido muscular humano. Eles perceberam que os esteróides aumentaram a velocidade do crescimento dos músculos em até 20%. 

 

Os especialistas acreditam que o esteróide age diretamente sobre proteínas, transformando-as em massa muscular. O estudo, publicado pela "New Scientist", repetiu os testes com ratos e observou que o efeito foi o mesmo. Os pesquisadores afirmaram, no entanto, que quem deseja contar com a ajuda do espinafre para ficar mais forte deve comer pelo menos 1 quilo da verdura diariamente. Estudos anteriores sugerem que o espinafre pode ajudar pessoas com excesso de peso a emagrecer, ao diminuir a velocidade da digestão de gordura e prolongar a sensação de saciedade. Outras pesquisas também já mostraram que a verdura pode aumentar a capacidade cerebral ao manter a mente aberta.


ORGANISMO CONSEGUE IDENTIFICAR COMIDA CALÓRICA MESMO SEM PALADAR

Um experimento elaborado por um neurocientista brasileiro mostrou que a habilidade dos animais para identificar alimentos doces --e calóricos-- vai muito além da língua. Usando camundongos geneticamente alterados, um grupo liderado por Ivan de Araújo, da Universidade Yale, de Connecticut (EUA), mostrou que o cérebro sabe inconscientemente quando o corpo ingere comidas "pesadas" mesmo numa situação onde é impossível sentir gosto do açúcar ou algo calórico.

A descoberta, descrita em um estudo na edição desta quinta-feira da revista científica "Neuron", reforça a noção de que os adoçantes não-calóricos, como a sucralose e a sacarina, não são tão bons assim em "enganar" o estômago de quem está de dieta. Os animais usados no experimento de Araújo tiveram o DNA alterado para se tornarem incapazes de sentir o gosto adocicado --tanto de açúcar quanto de adoçantes. Mesmo assim, desenvolveram preferência por beber água de um reservatório com açúcar.

O trabalho do brasileiro, de certa forma, ajuda a explicar outro experimento recente da Universidade Purdue, de Indiana (EUA). Neste estudo, a psicóloga Susan Swithers permitiu que um grupo de ratos se alimentasse à vontade de iogurte com sacarose, enquanto outro tinha iogurte com açúcar sempre à disposição. Ao final, os roedores do grupo da sacarose acabavam bebendo muito mais iogurte e engordavam mais.

Segundo Araújo, o que acontece é que não é apenas o gosto da comida que ativa o chamado "sistema de recompensa", a estrutura cerebral que permite a animais e humanos detectar estímulos importantes --que ajudam a selecionar, de maneira inconsciente, o comportamento mais adequado. "Tradicionalmente, se pensava que o papel do sistema de recompensa na condução do comportamento alimentar estava relacionado com a detecção da palatabilidade dos compostos", explica o neurocientista. "Mas a idéia aqui é que o sistema gustatório é de alguma maneira um sistema 'auxiliar' para o animal."

Deve existir, portanto, algum outro sistema no organismo capaz de comunicar a ingestão de calorias ao cérebro, que então a associa a outro aspecto do alimento independente do paladar --a aparência ou cheiro, por exemplo. Segundo Araújo, é provável que o sistema nervoso saiba medir o nível sangüíneo de glicose --ou de insulina, o hormônio da saciedade-- e programar uma reação. "Mas algumas pessoas têm falado muito na presença de receptores gustativos no trato gastrointestinal", diz. "De alguma forma o trato gastrointestinal estaria 'saboreando' aquilo que é digerido, e isso poderia prover algum tipo de sinal ao sistema nervoso."

Segundo Swithers, seu trabalho e o de Araújo podem vir a ter uso em nutrição e endocrinologia. "O tipo de processo examinado em animais deve operar também em humanos", diz. "Mas é claro que humanos têm mecanismos adicionais que roedores não têm." A pesquisadora americana mostrou qual pode ser o resultado de criar desequilíbrio entre o sabor e o valor nutritivo da comida. "Mimetizar o gosto dos alimentos calóricos em versões 'diet' pode não ser suficiente para você sustentar o consumo do produto menos calórico no longo prazo", diz Araújo.


SACARINA INDUZ À COMPULSÃO POR DOCES

Algumas pessoas brincam por aí que adoçantes e bebidas dietéticas engordam - afinal, os gordinhos estão sempre ingerindo esses alimentos e não perdem peso. Um estudo realizado nos Estados Unidos sugere coisa parecida: que o consumo de sacarina, adoçante utilizado em refrigerantes diet, pode provocar aumento de peso maior do que o causado com a ingestão do açúcar. A pesquisa foi publicada recentemente pela revista médica "Behavioral Neuroscience".

 

Psicólogos da Universidade de Purdue pesquisaram os efeitos da sacarina e do açúcar em ratos. Em relação a ratos que comeram iogurte adoçado com glicose (com 15 calorias a colher de chá), os que comeram iogurte adoçado com sacarina zero caloria consumiram, mais tarde, mais calorias (em forma de ração), ganharam mais peso e mais gordura corporal.

A autora Susan Swithers alegou que, quando o corpo perde a conexão entre sensação doce e alimento calórico, o uso de sacarina muda a capacidade do organismo de regular o consumo.

Ou seja, a sensação doce causada pela ingestão de sacarina estimularia o sistema digestivo a se preparar para o consumo de grande quantidade de calorias.

Se essas calorias não são consumidas, o organismo fica desregulado e, como resultado, pede mais comida ou queima menos calorias, o que provocaria o aumento de peso, afirmaram os pesquisadores. "Os resultados claramente indicam que consumir alimentos adoçados com sacarina pode levar a um aumento de peso e da taxa de gordura maior do que o consumo de açúcares calóricos", diz Susan.

Segundo a pesquisadora, as experiências indicam ainda que outros adoçantes artificiais, como o aspartame e o acessulfame K, que oferecem o gosto doce, podem ter o mesmo efeito da sacarina.


CONTROLE DO PESO

Segundo a Organização Mundial de Saúde perto de 1,6 bilhões de pessoas em todo o mundo com idade acima de 15 anos, está acima do peso e destes, pelo menos 400 milhões são obesos. Estes números deverão mudar até 2015 para 2,3 bilhões de indivíduos acima do peso e perto de 700 milhões de obesos.

Os números são alarmantes e para os especialistas a população deve tomar todas as providencias possíveis para mudar este quadro. No final de 2007, foi feita uma pesquisa em 13 paises, incluindo Austrália, Inglaterra, França, EUA, Brasil, Malásia, Hong Kong, Singapura, Arábia Saudita.

Foram entrevistados 10.000 pessoas e ficou constatado que a grande maioria dos pesquisados já estão tomando consciência do grande problema atual e estão mudando os seus hábitos alimentares e principalmente,estilo de vida. O pais que mais se destacou na pesquisa com relação ás preocupações de obesidade e estilo de vida saudável foi a Austrália.

O Brasil também começa a se preocupar com o assunto, principalmente entre os representantes da classe média. Mais da metade da população brasileira (51%) está acima de seu peso ideal. Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) - realizada em todas as regiões do País com 2.179 pessoas - revela um dado ainda mais preocupante: entre as pessoas de 18 a 25 anos, esse índice é de 66%.

Segundo o presidente da SBCBM, Luiz Vicente Berti, as conseqüências desse quadro devem ser sentidas em breve pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "Se não tomarmos uma atitude, nenhum sistema de saúde terá dinheiro para pagar essa conta no futuro", afirma.

CONCLUSÕES DA PESQUISA

38% praticam atividades físicas

20% utilizam drogas, como cigarro ou álcool

58% já tiveram problemas de saúde (37% deles, com hipertensão)

15% fazem algum tipo de dieta

A pesquisa mostra que, hoje, 3% dos brasileiros são obesos mórbidos, índice que tende a crescer. "A pessoa com sobrepeso hoje pode se tornar o obeso de amanhã e o obeso mórbido de um futuro próximo", diz. "Estamos sentados em cima de uma bomba que pode explodir em muito pouco tempo."

A pesquisa só analisou pessoas com mais de 18 anos, o que pode esconder um porcentual ainda maior de pessoas acima do peso. "Quando alguém vê um adolescente fumando ou ingerindo álcool, se preocupa com isso, mas o mesmo não ocorre quando vê uma criança comendo na frente do computador ou da televisão", exemplifica.

De acordo com o levantamento, apenas 38% dos entrevistados afirmam praticar atividades físicas e 20% utilizam algum tipo de droga como álcool ou cigarro. As conseqüências também podem ser medidas: 58% das 2.179 pessoas apresentam algum problema de saúde.

Para 27%, a hipertensão é a principal dessas doenças. Mas outras, como diabete, problemas nas articulações e depressão, também costumam acometer essas pessoas.

Em 15% das casas visitadas pelos pesquisadores, seus moradores afirmam fazer algum tipo de dieta. Os motivos mais citados para a restrição alimentar são a hipertensão, diabete e doenças cardíacas. "Esses dados mostram que alguma coisa tem de ser feita, pois, lá na ponta, o único tratamento para a obesidade mórbida é a cirurgia, que não é isenta de riscos", afirma Berti. De acordo com o médico, a cirurgia bariátrica (de redução do estômago) pode ter até 1,5% de risco de morte.


CHÁ PRETO ALIVIA O STRESS

Pesquisadores do University College London descobriram que a bebida predileta dos ingleses ajuda a diminuir o nível do hormônio do estresse - o cortisol - no sangue. Para confirmar esse efeito, 75 voluntários foram divididos em dois grupos. Um deles tomou o chá e o outro ingeriu um placebo cafeinado com sabor idêntico. Todos os participantes foram submetidos a situações que simulavam forte tensão, como ameaça de desemprego e acusação de furto em loja. Enquanto isso, o nível de cortisol e a pressão eram monitorados. "Cerca de 50 minutos depois do susto, o nível do hormônio do estresse caiu em média 47% na turma que bebeu o chá, contra 27% das pessoas que consumiram a beberagem falsa", revela Andrew Steptoe, líder do estudo


HORMÔNIO CURA OBESIDADE DE FUNDO GENÉTICO

A leptina, o hormônio que avisa ao organismo que o estômago está cheio, age em parte por meio da redução do prazer que obtemos ao comer. Estudando duas pessoas obesas com uma mutação de DNA que prejudicava a produção dessa substância, cientistas da Universidade de Cambridge (Inglaterra) descobriram que poderiam curá-las de sua compulsão alimentar administrando doses do hormônio com injeções.

A atividade cerebral dos voluntários também foi mapeada para identificar as regiões do sistema nervoso em que o hormônio age. Apesar de o distúrbio curado ser raríssimo -pouco mais de dez casos são conhecidos no mundo- a descoberta oferece detalhes que ajudam na pesquisa de drogas contra obesidade de origem mais comum, dizem os cientistas na revista "Science". 


PESO SAUDÁVEL CONTRIBUI PARA LONGEVIDADE, DIZ ESTUDO

Manter um peso saudável pode ajudar as pessoas a terem uma vida mais longa ao limitar a exposição do cérebro a insulina, de acordo com cientistas nos Estados Unidos. Um estudo com ratos de laboratório descobriu que a redução dos sinais de insulina dentro das células do cérebro aumenta a longevidade.

Em artigo na revista Science, os pesquisadores disseram que adotar estilo de vida e peso saudáveis leva a uma redução dos níveis de insulina em seres humanos e pode ter o mesmo efeito. Segundo especialistas, se isto for comprovado, a insulina será apenas um dos muitos fatores, tais como genes, que influenciam a longevidade.

Pesquisas anteriores em moscas de frutas e parasitas intestinais sugeriram que reduzir a atividade do hormônio insulina, que regula os níveis de açúcar no sangue, pode aumentar a longevidade. O mais recente estudo examinou os efeitos de uma proteína, IRS2, que transmite os sinais da insulina até o cérebro. Ratos que tinham a metade da proteína tiveram vida 18% mais longa do que os ratos normais.

Apesar de ter peso excessivo e altos níveis de insulina, os ratos tinham maior atividade quando ficavam mais velhos, e seu metabolismo de glicose faz lembrar o de ratos mais jovens. Os pesquisadores disseram que os ratos geneticamente modificados viviam mais tempo porque doenças letais, como câncer e problemas cardiovasculares, estão ocorrendo mais tarde por causa da redução do sinal de insulina no cérebro, embora os níveis de insulina em circulação sejam altos.

Segundo eles, no futuro, pode ser possível formular drogas que reduzam a atividade do IRS2 para reproduzir o mesmo efeito, embora eles tenham que ser específicos para o cérebro. O chefe do estudo, Morris White, do Instituto Médico Howard Hughes, em Boston, disse que a forma mais simples de encorajar a longevidade é limitar os níveis de insulina fazendo exercícios e adotando uma dieta alimentar saudável.

White disse que a descoberta apresenta "um mecanismo para o que a sua mãe lhe disse quando você estava crescendo - tenha uma boa dieta e faça exercício, para se manter saudável".

- Dieta, exercício e peso baixo ajuda os tecidos periféricos sensíveis a insulina - adverte.

- Isto reduz a quantidade e a duração da secreção de insulina necessária para manter a sua glicose sob controle quando você come. Assim, o cérebro é exposto a menos insulina - explica.

A equipe de pesquisadores agora planeja examinar a possibilidade de ligações entre os sinais de IRS2 e a demência. A demência estaria associada à obesidade e a altos níveis de insulina, de acordo com trabalhos científicos anteriores. Matt Hunt, da organização britânica Diabetes UK, disse: - Este é um estudo interessante pois o trabalho feito com ratos pode sugerir que insulina desempenha um papel no processo de envelhecimento.

Apesar disso, nós estamos examinando várias interações extremamente complexas de genes no cérebro e esta pesquisa não explicou ainda como este mecanismo pode estar funcionando - acrescentou. Hunt disse que a longevidade dos seres humanos vem aumentando, apesar da crescente incidência de obesidade e diabete sugerir que os níveis de insulina no cérebro podem ser apenas um de muitos fatores envolvidos. Nós saudamos o fato de que este estudo apóia nossa principal mensagem, da importância de ter um estilo de vida saudável.


DIABETES PODE INFLUENCIAR NA FERTILIDADE DOS HOMENS

Doença danifica o material genético do esperma, afirma estudo de universidade irlandesa. Entre 40% e 50% dos casos de diabéticos estéreis estão relacionados ao problema, segundo a pesquisa da Queen University, de Belfast. Homens que sofrem de diabetes têm agora uma razão a mais para manter a disciplina no tratamento. A infertilidade passou a figurar na lista de complicações relacionadas à doença, segundo uma pesquisa realizada na Queen University, de Belfast (Irlanda do Norte).

Segundo o estudo, além da quantidade de sêmen produzido por diabéticos ser menor, a doença danifica o material genético do esperma. A pesquisa comparou um grupo de 27 diabéticos de tipo 1, mais comum entre os jovens, e um grupo de 29 não-diabéticos na mesma faixa etária. No primeiro, foi constatado que mais da metade dos espermas produzidos tinha alterações no DNA. No segundo grupo, esse percentual ficou em 32%.

O professor de endocrinologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Sérgio Dib diz que a relação entre o descontrole da diabetes e a dificuldade de fecundar já era conhecida. "Mas quando o diabético leva o tratamento com rigor, ele se aproxima muito do indivíduo normal", ressalta. Por isso, diz, antes de recorrer a qualquer procedimento, o diabético deve buscar o controle da glicemia.

De acordo com Renato Fraietta, médico-assistente do setor de reprodução da Unifesp, uma das causas de infertilidade ligadas à diabetes é a "ejaculação retrógrada" -ocorre quando o homem, em vez de ejacular para fora, lança o material seminal para dentro da bexiga devido a um distúrbio neurovascular. Nesse caso, o sêmen expelido é insuficiente para fecundar o óvulo da mulher. "Com o tempo, o volume ejaculado pode diminuir mais", diz Fraietta. O tratamento para "ejaculação retrógrada" age na correção do funcionamento do "colo vesical" (saída da bexiga para a uretra).

O diretor da pesquisa irlandesa, Ishola Agbaje, afirma que entre 40% e 50% dos casos de infertilidade estão diretamente ligados a espermas danificados. Embora sem comprovação científica, estudos empíricos sugerem que a vitamina E pode trazer benefícios para homens que apresentam o problema.

Uma medida de precaução para o diabético contornar o problema da infertilidade é congelar o sêmen. "Se for jovem e pretende ser pai, seria interessante colher amostras de sêmen e deixá-las congeladas", diz Vilmon de Freitas, coordenador do setor de reprodução humana da Unifesp.

Nos homens, a diabetes pode provocar uma série de distúrbios, caso não seja tratada de forma adequada. Alteração no colesterol e problemas cardiovasculares afetam mais freqüentemente o sexo masculino, embora no período da menopausa as mulheres diabéticas também apresentem maior incidência de distúrbios cardiovasculares, diz Sérgio Dib.

A impotência também é ligada à doença. Segundo o professor-assistente de urologia da Unifesp Arquimedes Nardozza Junior, a diabetes representa cerca de 40% das causas orgânicas de impotência. "Em maior ou menor grau, o diabético acaba apresentando um quadro de disfunção erétil. Por isso a primeira providência é controlar bem a doença."   

O tratamento para diabetes é feito à base de disciplina e restrições, daí a dificuldade em manter o controle da doença.
Segundo a professora titular de endocrinologia da Unifesp Maria Teresa Zanella, pesquisas apontam que apenas 25% dos diabéticos se cuidam de forma adequada no mundo. No Brasil, não existem estatísticas disponíveis, diz ela. "Mas sabemos que o percentual de pessoas que não se tratam corretamente é muito grande."

A maior parte dos diabéticos (90%) são de tipo 2, ou seja, desenvolveram a doença a partir de um quadro de obesidade. Aí reside um problema duplo, já que a "obesidade em si já é complicada para tratar", afirma a professora. "E o problema do diabetes tipo 2 só será resolvido quando for dada uma solução ao problema da obesidade." De acordo com estudo do Ministério da Saúde divulgado em março, 43% dos brasileiros de todas as capitais apresentam sobrepeso, sendo 11% obesos.

Nos Estados Unidos, segundo Maria Teresa, os casos de diabetes tipo 2 começam a aparecer de forma cada vez mais precoce, justamente porque acompanham a obesidade em jovens e crianças. Outro problema apontado pela professora é o número reduzido de especialistas. No Brasil, são 2.130 especialistas para 11 milhões de diabéticos. 

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ESTUDO MOSTRA QUE FARINHA DE CASTANHA - DO - PARÁ
É EFICAZ NO COMBATE Á DESNUTRIÇÃO

Um projeto desenvolvido no Acre tem incentivado o preparo de alimentos com farinha à base de castanha-do-brasil como alternativa para reduzir os elevados índices de desnutrição no estado. A castanha-do-brasil, também conhecida como castanha-do-pará, é uma amêndoa oleaginosa, de alto valor energético e rica em proteína.

Por estes e outros valores nutricionais, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e professores da Universidade Federal do Acre iniciaram um estudo e analisaram os resultados obtidos a partir do consumo dessa farinha por crianças na Amazônia. A pesquisa começou em 2005 e intitulada Influência de alimentos enriquecidos com castanha-do-brasil e outros produtos regionais na recuperação de crianças desnutridas no Acre.

A partir disso, o projeto Castanha Nutre foi desenvolvido durante oito meses com 150 crianças do Bairro Triângulo Novo e Taquari, na cidade de Rio Branco. Segundo o coordenador do projeto, o nutricionista Pascoal Muniz, ao longo do trabalho as crianças  apresentaram resultados satisfatórios.

“Essa proposta que criamos com a Embrapa, uma parceria da secretaria de Saúde de Rio Branco, mostra que é preciso uma reavaliação das políticas públicas nesses bolsões de pobreza. Por isso precisamos acompanhar cada criança, cuidar, verificar a alimentação e usar os recursos regionais para recuperá-las”.

O projeto Castanha Nutre teve apoio do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome. Além da castanha-do-brasil, estão sendo realizados estudos com outros produtos regionais da Amazônia para serem utilizados como alternativa na recuperação de crianças desnutridas no Acre.

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REDUÇÃO DO ESTÔMAGO CAUSARIA DOENÇA NEUROLÓGICA

Uma pesquisa divulgada esta semana revelou que algumas pessoas que fazem cirurgia para redução do estômago, em particular mulheres jovens, podem ter perda de memória e problemas na coordenação motora. Esses problemas são comuns em pacientes que sofrem de alcoolismo há muito tempo e estão ligados a uma deficiência da vitamina B1.

Um estudo publicado na revista Neurology descreveu o que ocorreu com 27 mulheres e cinco homens que fizeram a cirurgia para redução do estômago. Eles apresentaram uma doença conhecida como encefalopatia de Wernicke, que afeta o cérebro e o sistema nervoso quando o organismo não absorve quantidades suficientes da vitamina.

Segundo os pesquisadores, os primeiros sintomas surgem entre um e três meses após a cirurgia e são mais comuns em pessoas que vomitam muito após a operação. O cientista Sonal Singh, da Escola de Medicina da Universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte, Estados Unidos, fez um alerta. Segundo ele, pessoas que fizeram essa cirurgia e apresentam sintomas como convulsões, surdez, fraqueza muscular e dormência nos pés e nas mãos devem consultar um médico imediatamente.

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DIETA RICA EM NUTRIENTES REDUZ INFECÇÃO CIRÚRGICA

Uma dieta rica em nutrientes antes de uma cirurgia pode reduzir os riscos de o paciente ter infecções ou outras complicações pós-cirúrgicas? Uma avaliação de 17 estudos clínicos (metanálise) feitos em seis países diz que sim. Em um universo de 2.305 pacientes internados na Holanda, Suíça, Itália, Austrália, nos Estados Unidos e na Alemanha, submetidos a uma dieta industrializada antes da cirurgia, houve uma redução de 58% de infecções pós-cirúrgicas e diminuição de pelo menos dois dias no período de internação.

Chamada de imunomoduladora, a dieta envolvida na pesquisa era industrializada e rica em imunonutrientes -ácidos graxos essenciais, arginina e glutamina- capazes de modular a função imunológica. Esses elementos são encontrados na alimentação normal, só que em pequena proporção.

"A quantidade de imunomodulantes na dieta industrializada é muito maior, além do que ela é uma fórmula complexa que não tem em todos os alimentos", avalia Dan Waitzberg, diretor do Ganep (Grupo de Nutrição Humana) e um dos coordenadores da metanálise. Entre os pesquisados, a dieta foi dada, via oral, de cinco a sete dias antes de cirurgias previamente programadas (cardíacas e de cânceres do aparelho digestivo e de cabeça). Os pacientes continuaram consumindo os nutrientes por uma semana, em média, após a cirurgia.

Para Waitzberg, professor da Faculdade de Medicina da USP, os resultados dos estudos abrem uma nova porta para a medicina, no sentido de mostrar meios para reduzir as complicações infecciosas após cirurgias. Ele diz que os estudos feitos na Europa e nos EUA também mostraram uma economia de cerca de R$ 5.000 por paciente que recebeu a dieta.
No Brasil, alguns hospitais já iniciaram o uso experimental da dieta antes da cirurgia, especialmente com doentes de câncer e queimados, mas ainda não possuem estudos conclusivos sobre os possíveis benefícios.

É o caso dos hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês. Segundo Constantino Fernandes Júnior, da divisão de prática médica do Einstein, já foi observado que pacientes com grandes queimaduras têm menor taxa de infecção quando submetidos à dieta imunomoduladora. O mesmo ocorre com doentes com câncer que adotam a dieta antes da cirurgia.
Mas ele observa que ainda é cedo para afirmar que os nutrientes imunomoduladores podem reduzir as taxas de mortalidade e de morbidade. "São necessários mais estudos."

Fernandes Júnior diz que, até o momento, os dados sugerem que a dieta no pré-operatório tem melhores resultados em doenças moderadas. "A sepse severa, por exemplo, está além do alcance de qualquer intervenção nutricional." A nutricionista clínica do Sírio Libanês, Daniela Galego, diz que a nutrição precoce com imunonutrientes têm sido dada a alguns pacientes (especialmente os com sérios problemas gastrointestinais, câncer, queimaduras graves, politraumas e problemas respiratórios) 72 horas antes da cirurgia. "A idéia é tentar suprir precocemente esse paciente daquilo que vai necessitar no pós-cirúrgico. Os resultados têm sido muito bons", avalia. 

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COMER DEMAIS VICIA OBESOS COMO DROGA, DIZ ESTUDO

Um estudo feito por cientistas americanos afirma que comer demais é um vício para pessoas obesas. Medições feitas com sete pessoas obesas mostraram que as regiões do cérebro que controlam a saciedade são as mesmas que são ativadas pelas drogas em pessoas viciadas.

O estudo feito pelo Brookhaven National Laboratory, de Nova York, foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Science. A equipe de cientistas que fez a pesquisa disse que os resultados podem ajudar a desenvolver novos tratamentos para obesidade.

Os pesquisadores estudaram os impulsos do cérebro de pessoas obesas. Todas elas usavam um Sistema Implantável de Estimulação Gástrica (sigla ISG, em inglês), um aparelho implantado no corpo que ajuda a reduzir peso.
O ISG manda sinais eletrônicos para um nervo que repassa uma mensagem de saciedade para o cérebro, reduzindo a vontade de comer.

Para entender a interação entre o estômago e o cérebro, os voluntários tiveram seus cérebros escaneados duas vezes com um intervalo de duas semanas. Em um dos testes, o aparelho estava ligado, e no outro, desligado. Quando os voluntários estavam se sentindo saciados, o scanner mostrou mudança no metabolismo em partes do cérebro como o córtex orbitofrontal e o hipocampo, área do órgão associada com o comportamento emocional, o aprendizado e a memória.

 

"Logo que vimos esses testes, logo me lembrei do que havíamos estudado sobre abuso de drogas, quando as pessoas estavam passando grande vontade (de tomar a droga) - as mesmas áreas do cérebro se ativaram", disse o pesquisador do Brookhaven National Laboratory, Gene-Jack Wang, que liderou o estudo.

Segundo ele, isso corrobora a idéia de que há relação entre os circuitos do cérebro ativados pela alimentação e aqueles ligados ao consumo de drogas. Apesar de a pesquisa ser uma amostragem pequena, afirmou Wang, ela ajuda a entender melhor a obesidade e o desejo de comer.

"Isso nos dá outro canal para compreender como tratar ou prevenir obesidade." Para o professor Jimmy Bell, do grupo de imagem molecular do hospital Hammersmith, de Londres, o estudo é muito interessante.

"Há muita pesquisa sendo feita em todo o mundo procurando biomarcadores - qualquer coisa que mostre exatamente o que está acontecendo no processo biológico - para entender a relação entre apetite, saciedade e fatores emocionais que controlam o que nós comemos, quando nós comemos e quanto nós comemos", disse Bell.

"Não acho que seja surpreendente que eles tenham encontrado um elo entre o vício de drogas e comer demais. De certa forma, você pode encarar o ato de comer como uma ‘necessidade que vicia' - se nós não fossemos viciados em comer, a maioria pararia de comer."

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ESTUDO LIGA OBESIDADE MÓRBIDA A
DANO CEREBRAL EM BEBÊS

Pesquisadores da Universidade da Flórida descobriram uma ligação entre obesidade mórbida em bebês e baixas taxas de QI, atrasos cognitivos e lesões cerebrais semelhantes às encontradas em portadores do mal de Alzheimer.

Embora a causa desses problemas ainda seja desconhecida, os cientistas responsáveis pelo estudo teorizam que os distúrbios metabólicos provocados pela obesidade poderiam danificar o cérebro das crianças muito pequenas, que ainda estão em desenvolvimento e não se encontram totalmente protegidos. Artigo descrevendo o trabalho está publicado no Journal of Pediatrics.

"Sabe-se que a obesidade se associa a diversos outros problemas médicos, como pressão alta, diabetes e colesterol elevado", diz o médico Daniel J. Driscoll, principal autor do estudo. "Agora, estamos propondo que a obesidade precoce e esses problemas metabólicos e bioquímicos podem levar também a danos cognitivos".

Os pesquisadores compararam 18 crianças e adultos com obesidade precoce, significando que tinham um peso de 150% do ideal antes dos 4 anos de idade, com 19 crianças e adultos com síndrome de Prader-Willi e 24 irmãos de peso normal. Os irmãos magros foram escolhidos como grupo de controle por conta do histórico genético e socioeconômico parecido.

A ligação entre problemas cognitivos e a síndrome de Prader-Willi, uma disfunção genética que leva o portador a comer sem parar e ficar obeso com pouca idade, é bem estabelecida. Os pesquisadores determinaram que crianças e adultos que se tornaram obesos quando bebês, sem causa genética aparente, se saem tão mal, em testes de QI, quando portadores da síndrome.

Realizando exames de ressonância magnética nos voluntários, os pesquisadores também descobriram lesões no cérebro de muitos dos portadores da Prader-Willi e do grupo que havia sofrido de obesidade mórbida precoce. Essas lesões são encontradas, tipocamente, em pacientes de Alzheimer e em portadores de fenilcetonúria que não receberam tratamento.

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QUANDO COMER DÁ ALERGIA

Um velho inimigo da saúde dos seres humanos, a alergia, está ganhando força, especialmente entre os jovens. Essa tendência é o principal achado de um estudo publicado na revista científica britânica The Lancet . Os cientistas avaliaram mais de 304 mil jovens com idades entre 13 e 14 anos em 37 países, entre eles o Brasil. "Fatores como a poluição e as mudanças na alimentação afetam as defesas orgânicas e estão entre as razões do crescimento dessas reações", explica Fábio Castro, supervisor do setor de alergia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Entre os tipos que crescem está a alergia alimentar. Hoje, sua incidência é de 10% da população. Por isso, diversos estudos querem estabelecer formas eficientes de controle.

A doença preocupa, entre outros motivos, porque muitas crianças ingerem substâncias causadoras de reações, pois não sabem que estão na composição dos alimentos. Os resultados de uma dessas pesquisas saíram no jornal científico Allergy . O estudo revelou que dar peixe às crianças antes de elas completarem três anos pode representar alguma proteção - e não um estímulo, como se pensava -, contra as manifestações alérgicas em geral, inclusive as alimentares. Outros trabalhos mostram que alimentar os bebês exclusivamente com leite materno até os seis meses também protege. Na lista dos alimentos que mais desencadeiam alergias estão ovos, frutos do mar, trigo, berinjela, mandioca, kiwi e leite de vaca. Além disso, um número crescente de pessoas tem apresentado reações aos corantes e conservantes dos alimentos industrializados.

 

As manifestações variam. "Pode-se apresentar coceira, vermelhidão e até sofrer um choque anafilático", diz Fátima Fernandes, do setor de Alergia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. O tratamento é feito com remédios para impedir os sintomas. Identificar os causadores do problema - e tirá-los do cardápio - é fundamental. Foi o que fez a advogada Carolina Landau, do Rio de Janeiro. Ela evita comer chocolates e produtos com leite de vaca desde que descobriu que eles agravam outras das suas reações a ácaros e poeira. "Comecei a me tratar aos 11 anos e parei. Retomei os cuidados porque os sintomas pioraram", conta. Para os médicos, outro aspecto é fazer com que os pacientes entendam as diferenças entre alergia, intoxicação e intolerância alimentar. Alergia é uma reação do sistema de defesa do corpo. A intoxicação é causada por alimentos contaminados e a intolerância é provocada pela falta de uma enzima para digerir o alimento. Nesses dois casos, os sintomas são desconfortos gástricos, como diarréia e náusea.

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UNHA RELEVA DIETA NO BRASIL E NO MUNDO

Quem mora numa metrópole globalizada do porte de São Paulo pode até achar que tem à mão alimentos dos quatros cantos da Terra, mas não é essa a história que as unhas contam. As unhas? Sim, de acordo com pesquisadores da USP de Piracicaba. Eles usaram as unhas humanas para mostrar que cada região do planeta ainda usa principalmente alimentos da vizinhança, produzidos de maneiras diferentes, apesar da impressão de que hoje se vive num supermercado global.

A bióloga Gabriela Nardoto, que atualmente faz pós-doutorado na USP, conta que a descoberta começou com uma brincadeira em sala de aula, durante o curso ministrado por seu orientador, Luiz Martinelli. "Ele sugeriu que a gente coletasse as unhas das pessoas e visse onde cada uma se encaixaria, testando se os vegetarianos realmente não comiam carne, por exemplo", diz ela.

O teste é possível porque vegetais e animais acumulam em seu organismo diferentes formas dos elementos químicos carbono e nitrogênio, cuja proporção dá pistas importantes sobre a dieta da pessoa que os come.

As perguntas, porém, logo se ampliaram. "Hoje todo mundo está comendo produtos de supermercado, uma coisa meio padronizada. Será que a cultura das diferentes regiões ainda teriam um impacto no que é consumido? É isso que a gente tentou responder", conta Nardoto.

A pesquisadora e seus colegas, entre os quais cientistas da Universidade de Utah e do Serviço Geológico dos Estados Unidos, aproveitaram toda as oportunidades para coletar amostras de unha. No fim, chegaram a uma amostra abrangente, que incluía o Sudeste (Piracicaba, Campinas e São Paulo, principalmente), a cidade de Santarém (PA) e pequenas comunidades nos arredores, os Estados americanos de Utah e da Califórnia e vários países europeus.

As diferenças internacionais derrubaram de cara o mito do supermercado global. As unhas brasileiras tinham proporções claramente mais altas de carbono-13, variante que é típica de gramíneas tropicais, como o milho e a cana. Os americanos e europeus, que usam açúcar de beterraba, tinham mais carbono-12 nas unhas. Além disso, os brasileiros consomem mais carne de gado criado com pasto -e as pastagens daqui também são ricas em carbono-13.

O mais esquisito, contudo, foi a grande presença de nitrogênio-15 nas unhas nacionais, superando as americanas. Normalmente, a variante seria indício de alto consumo de carne. Mas come-se mais bife nos EUA do que no Brasil. "O que acontece é que aqui se usa mais adubo orgânico, rico em nitrogênio-15, ao contrário dos Estados Unidos, onde se usa como fertilizante o nitrogênio de origem mineral", diz Nardoto.

O estudo estará na edição de setembro da revista científica "American Journal of Physical Anthropology", dos EUA.

Ribeirinhos e pesquisadores dão amostra

Os pesquisadores acionaram uma verdadeira rede de contatos para conseguir todas as amostras. Aproveitaram, por exemplo, um congresso científico no Nordeste para pedir a pesquisadores europeus pedacinhos de seus corpos em prol do conhecimento.

Ao fazer trabalho de campo perto de Santarém, Nardoto precisou conquistar a confiança de moradores de pequenas comunidades para que eles cedessem suas unhas cortadas. "Tive de convencê-los de que não ia fazer bruxaria contra eles", brinca. Acabou descobrindo que a cidade de Santarém tem uma dieta que lembra mais a do Sudeste que a desses povoados.

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