| 44% DAS CRIANÇAS TÊM COLESTEROL ELEVADO Uma pesquisa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) com 1.937 crianças e adolescentes entre dois e 19 anos atendidos no Hospital das Clínicas da universidade constatou que quase metade deles possui índices altos de colesterol e triglicérides. Segundo o estudo, realizado entre 2000 e 2007, 44% dos pesquisados apresentaram índices elevados de colesterol. "Eu exagerava nos alimentos ricos em gordura quando tinha 11 anos e meu colesterol estava em 269 mg/dL. Então iniciei o tratamento com dieta e esportes. Hoje meu colesterol é 160 mg/dL", diz a estudante Jéssica Rossi Ruggeri, 17, que ainda precisa diminuir seu índice. A pesquisadora responsável, Eliana Cotta de Faria, do Departamento de Patologia Clínica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, atribui os altos índices a fatores de risco como sedentarismo, má alimentação, obesidade e diabetes, além da hereditariedade. De acordo com a pesquisa, 44% das crianças entre dois e nove anos apresentaram valores alterados do colesterol total, 36%, do LDL (colesterol ruim) e 56%, dos triglicérides. Os altos índices de triglicérides estão associados a um risco maior de doença coronariana. O resultado foi muito similar no grupo dos adolescentes e jovens de dez a 19 anos. "Não é de se estranhar que a população hospitalar tivesse índices um pouco mais altos. Mas não imaginávamos que estes índices seriam tão altos", diz Faria. Não há dados brasileiros sobre a taxa de colesterol entre crianças e adolescentes, e, segundo Ieda Jatene, presidente do departamento de cardiologia pediátrica da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) não é possível extrapolar os números encontrados na Unicamp para o resto do país. Para Roseli Sarni, pediatra e presidente do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, uma das explicações para os níveis elevados de colesterol, além de maus hábitos alimentares em geral, é o mau entendimento dos rótulos de produtos com gordura trans. "Quando a mãe lê zero, ela entende que o alimento é livre desse tipo de gordura, o que não é verdade", diz. A legislação admite que o fabricante diga que seu produto tem "0% de gordura trans" quando tem até 0,2 g do elemento por porção. Com isso, a criança é liberada a consumir alimentos com esse tipo de gordura. A prevenção, segundo Eliana Faria, começa com o estilo de vida da família, que é transposto para a realidade da criança. "Uma criança não pode decidir comer mais legumes se os pais não compram legumes", diz. Para diminuir os níveis de colesterol no sangue, devem ser priorizados dieta balanceada e exercícios físicos. É preciso estimular o consumo de frutas, verduras, legumes e peixes marinhos, reduzir o consumo de óleos, açúcares e gorduras e preferir alimentos integrais. As mudanças, no entanto, não devem ser drásticas, pois a criança pode ficar ainda mais resistente em mudar sua alimentação. "Começamos com uma mudança quantitativa, para depois fazer a qualitativa", diz Sarni. Isto é: o recomendado é reduzir alimentos que aumentam o colesterol ruim, para, gradativamente, substituí-los por opções mais saudáveis. Em julho, a Academia Americana de Pediatria tomou uma decisão radical em relação às crianças com colesterol alto: orientou que os pequenos acima de oito anos sejam medicados com drogas (estatinas) para prevenir doenças cardíacas. No Brasil, os pediatras indicam medicamentos a partir dos dez anos, mas apenas para crianças com uma doença genética chamada hipercolesterolemia familiar, que eleva os níveis de colesterol, independentemente do estilo de vida. Para as demais, eles defendem uma dieta equilibrada associada a exercícios físicos. A cautela tem justificativa. Não há estudos a longo prazo sobre o uso das estatinas em crianças ou que mostrem que, usando a medicação precocemente, elas estarão mais protegidas do que aquelas que iniciaram a terapia na vida adulta. DIETA MEDITERRÂNEA PREVINE DOENÇAS CRÔNICAS
Os cientistas usaram uma pontuação para quantificar o rigor na adoção da dieta. Os participantes com alta pontuação (mais adeptos da dieta mediterrânea) apresentavam condições de saúde melhores, uma taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares 9% mais baixa, uma incidência 13% mais baixa do Mal de Parkinson e de Alzheimer e 6% de redução nos casos de câncer. Por isso, os pesquisadores afirmam que manter à risca a chamada dieta mediterrânea pode ser um instrumento eficiente na redução do risco de morte prematura e doenças crônicas na população em geral. (12/09/08) CHIMARRÃO E CHANCES DE TER CÂNCER Substâncias presentes no chimarrão podem contribuir para o surgimento de câncer de esôfago entre consumidores da bebida, aponta estudo de pesquisadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). O trabalho, coordenado pelo professor Renato Fagundes, foi publicado em maio na revista especializada "Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention", da American Association for Cancer Research (Associação Americana para Pesquisa do Câncer). O chimarrão, feito à base de erva-mate, é tradicionalmente consumido no Sul do país, Uruguai e Argentina.
Presidente do Instituto Escola do Chimarrão, sediado em Venâncio Aires (RS) --considerada a capital nacional do chimarrão--, Pedro Schwengber, 56, diz que o produto não faz mal à saúde. "Nunca vi alguém ter problemas por beber chimarrão, mas já vi gente morrer por causa do cigarro." Schwengber afirma que estudos mostram que o chimarrão contém substâncias que auxiliam no combate ao colesterol, no tratamento contra mal de Parkinson e até contra cáries. "Quando todos souberem desses benefícios, o mundo vai tomar chimarrão", afirma. (19/08/08) ALTAS DOSES DE VITAMINA C PODEM CONTER AVANÇO DO CÂNCER Um estudo conduzido por pesquisadores americanos e divulgado na publicação científica Procedings of the National Academy of Sciences sugere que altas doses de vitamina C podem ser eficientes para conter o avanço do câncer. A equipe, do Instituto Nacional de Saúde, em Maryland, realizou uma experiência com camundongos em laboratório e verificou uma redução significativa de tumores após a injeção de até quatro gramas da vitamina por quilo de massa corporal.
No experimento, os especialistas introduziram células cancerígenas humanas nos roedores, que evoluíram rapidamente para tumores. Em seguida, injetaram vitamina C em sua cavidade abdominal. A dose ministrada foi de até quatro gramas por cada quilo do peso dos animais, uma quantidade bem maior do que pode ser absorvida pelo organismo por meio de alimentos ou comprimidos, afirmaram os cientistas. Os pesquisadores observaram uma redução significativa em tumores no cérebro, ovário e pâncreas. Em alguns casos, o peso e tamanho do câncer diminuíram em até 53%. Entre os roedores que não haviam sido tratados com vitamina C, os tumores continuaram crescendo e se espalharam para outras partes do corpo. Os especialistas acreditam que ao reagir com os componentes químicos das células cancerígenas, a vitamina C produz peróxido de hidrogênio, um composto capaz de matá-las ao mesmo tempo em que deixa intactas as células saudáveis. Eles sugerem que o mesmo tratamento pode ser considerado para humanos no futuro. "Estas informações pré-clínicas fornecem a primeira base para avanço do ascorbato farmacológico no tratamento de câncer em humanos". (05/08/08) LEITE DESNATADO AJUDA A PREVENIR DOENÇAS Tomar um copo de leite desnatado (com pouca ou nenhuma gordura) pode ajudar a proteger contra problemas renais associados a doença cardíaca, segundo estudo publicado na última edição do “American Journal of Clinical Nutrition”. Avaliando o padrão alimentar de mais de 5 mil pessoas com idades entre 45 e 84 anos, os pesquisadores descobriram que aqueles que consomem pelo menos uma porção diária de leite ou derivados pobres em gordura têm 37% menor probabilidade de apresentar mau funcionamento renal relacionado a doença cardíaca, comparados com os que não consomem tais produtos. Os resultados apontaram que o consumo desses produtos estava relacionado a uma menor razão albumina/creatina na urina, indicando melhor função renal. Outros estudos sugerem que proteína do leite, vitamina D, magnésio e cálcio podem trazer benefícios para o coração, porém mais estudos são necessários.
(27/06/08)
CHOCOLATE PROTEGE DIABÉTICOS CONTRA DOENÇAS CARDÍACAS O consumo de uma xícara de chocolate amargo enriquecido pode ajudar diabéticos a prevenir doenças cardíacas, segundo um estudo conduzido por cientistas alemães. O estudo, publicado na revista científica "Journal of the American College of Cardiology", sugere que compostos conhecidos como flavonóides, presentes no cacau, principal ingrediente do chocolate, seriam os responsáveis pela ação benéfica da bebida.
"Nossa pesquisa demonstra que os flavonóides podem ter um impacto importante como parte de uma dieta saudável na prevenção de complicações cardiovasculares em pacientes diabéticos", disse Malte Kelm, do Hospital Universitário de Aachen, que liderou o estudo. O pesquisador ressalta, no entanto, que sua pesquisa não é sobre o chocolate, mas sobre os flavonóides. Um porta-voz da ONF Diabetes UK, que trabalha com pacientes diabéticos, os resultados do estudo são "interessantes", mas é preciso tomar cuidado. "Os flavonóides parecem oferecer potenciais benefícios para as pessoas com diabetes, mas, nesse estágio, não podemos aconselhar os pacientes a começar a tomar uma quantidade grande de chocolate quente, pois a bebida pode ser rica em açúcar e gordura", disse. "É preciso que mais pesquisas avaliem, a longo prazo, os efeitos de consumir um nível tão elevado de flavonóides", alertou. ESPINAFRE É BOM PARA AUMENTAR OS MÚSCULOS Um estudo americano diz ter comprovado que o espinafre pode ajudar a aumentar os músculos. A tese, defendida nos desenhos animados do marinheiro Popeye, foi testada em laboratórios por especialistas da Universidade de Rutgers, em Nova Jersey. Os cientistas extraíram esteróides encontrados nas folhas da verdura e avaliaram sua ação quando em contato com amostras de tecido muscular humano. Eles perceberam que os esteróides aumentaram a velocidade do crescimento dos músculos em até 20%. Os especialistas acreditam que o esteróide age diretamente sobre proteínas, transformando-as em massa muscular. O estudo, publicado pela "New Scientist", repetiu os testes com ratos e observou que o efeito foi o mesmo. Os pesquisadores afirmaram, no entanto, que quem deseja contar com a ajuda do espinafre para ficar mais forte deve comer pelo menos 1 quilo da verdura diariamente. Estudos anteriores sugerem que o espinafre pode ajudar pessoas com excesso de peso a emagrecer, ao diminuir a velocidade da digestão de gordura e prolongar a sensação de saciedade. Outras pesquisas também já mostraram que a verdura pode aumentar a capacidade cerebral ao manter a mente aberta. ORGANISMO CONSEGUE IDENTIFICAR COMIDA CALÓRICA MESMO SEM PALADAR Um experimento elaborado por um neurocientista brasileiro mostrou que a habilidade dos animais para identificar alimentos doces --e calóricos-- vai muito além da língua. Usando camundongos geneticamente alterados, um grupo liderado por Ivan de Araújo, da Universidade Yale, de Connecticut (EUA), mostrou que o cérebro sabe inconscientemente quando o corpo ingere comidas "pesadas" mesmo numa situação onde é impossível sentir gosto do açúcar ou algo calórico. A descoberta, descrita em um estudo na edição desta quinta-feira da revista científica "Neuron", reforça a noção de que os adoçantes não-calóricos, como a sucralose e a sacarina, não são tão bons assim em "enganar" o estômago de quem está de dieta. Os animais usados no experimento de Araújo tiveram o DNA alterado para se tornarem incapazes de sentir o gosto adocicado --tanto de açúcar quanto de adoçantes. Mesmo assim, desenvolveram preferência por beber água de um reservatório com açúcar. O trabalho do brasileiro, de certa forma, ajuda a explicar outro experimento recente da Universidade Purdue, de Indiana (EUA). Neste estudo, a psicóloga Susan Swithers permitiu que um grupo de ratos se alimentasse à vontade de iogurte com sacarose, enquanto outro tinha iogurte com açúcar sempre à disposição. Ao final, os roedores do grupo da sacarose acabavam bebendo muito mais iogurte e engordavam mais. Segundo Araújo, o que acontece é que não é apenas o gosto da comida que ativa o chamado "sistema de recompensa", a estrutura cerebral que permite a animais e humanos detectar estímulos importantes --que ajudam a selecionar, de maneira inconsciente, o comportamento mais adequado. "Tradicionalmente, se pensava que o papel do sistema de recompensa na condução do comportamento alimentar estava relacionado com a detecção da palatabilidade dos compostos", explica o neurocientista. "Mas a idéia aqui é que o sistema gustatório é de alguma maneira um sistema 'auxiliar' para o animal." Deve existir, portanto, algum outro sistema no organismo capaz de comunicar a ingestão de calorias ao cérebro, que então a associa a outro aspecto do alimento independente do paladar --a aparência ou cheiro, por exemplo. Segundo Araújo, é provável que o sistema nervoso saiba medir o nível sangüíneo de glicose --ou de insulina, o hormônio da saciedade-- e programar uma reação. "Mas algumas pessoas têm falado muito na presença de receptores gustativos no trato gastrointestinal", diz. "De alguma forma o trato gastrointestinal estaria 'saboreando' aquilo que é digerido, e isso poderia prover algum tipo de sinal ao sistema nervoso." Segundo Swithers, seu trabalho e o de Araújo podem vir a ter uso em nutrição e endocrinologia. "O tipo de processo examinado em animais deve operar também em humanos", diz. "Mas é claro que humanos têm mecanismos adicionais que roedores não têm." A pesquisadora americana mostrou qual pode ser o resultado de criar desequilíbrio entre o sabor e o valor nutritivo da comida. "Mimetizar o gosto dos alimentos calóricos em versões 'diet' pode não ser suficiente para você sustentar o consumo do produto menos calórico no longo prazo", diz Araújo. SACARINA INDUZ À COMPULSÃO POR DOCES Algumas pessoas brincam por aí que adoçantes e bebidas dietéticas engordam - afinal, os gordinhos estão sempre ingerindo esses alimentos e não perdem peso. Um estudo realizado nos Estados Unidos sugere coisa parecida: que o consumo de sacarina, adoçante utilizado em refrigerantes diet, pode provocar aumento de peso maior do que o causado com a ingestão do açúcar. A pesquisa foi publicada recentemente pela revista médica "Behavioral Neuroscience".
CONTROLE DO PESO Segundo a Organização Mundial de Saúde perto de 1,6 bilhões de pessoas em todo o mundo com idade acima de 15 anos, está acima do peso e destes, pelo menos 400 milhões são obesos. Estes números deverão mudar até 2015 para 2,3 bilhões de indivíduos acima do peso e perto de 700 milhões de obesos. O Brasil também começa a se preocupar com o assunto, principalmente entre os representantes da classe média. Mais da metade da população brasileira (51%) está acima de seu peso ideal. Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) - realizada em todas as regiões do País com 2.179 pessoas - revela um dado ainda mais preocupante: entre as pessoas de 18 a 25 anos, esse índice é de 66%. Segundo o presidente da SBCBM, Luiz Vicente Berti, as conseqüências desse quadro devem ser sentidas em breve pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "Se não tomarmos uma atitude, nenhum sistema de saúde terá dinheiro para pagar essa conta no futuro", afirma.
A pesquisa mostra que, hoje, 3% dos brasileiros são obesos mórbidos, índice que tende a crescer. "A pessoa com sobrepeso hoje pode se tornar o obeso de amanhã e o obeso mórbido de um futuro próximo", diz. "Estamos sentados em cima de uma bomba que pode explodir em muito pouco tempo." A pesquisa só analisou pessoas com mais de 18 anos, o que pode esconder um porcentual ainda maior de pessoas acima do peso. "Quando alguém vê um adolescente fumando ou ingerindo álcool, se preocupa com isso, mas o mesmo não ocorre quando vê uma criança comendo na frente do computador ou da televisão", exemplifica. De acordo com o levantamento, apenas 38% dos entrevistados afirmam praticar atividades físicas e 20% utilizam algum tipo de droga como álcool ou cigarro. As conseqüências também podem ser medidas: 58% das 2.179 pessoas apresentam algum problema de saúde. Para 27%, a hipertensão é a principal dessas doenças. Mas outras, como diabete, problemas nas articulações e depressão, também costumam acometer essas pessoas. Em 15% das casas visitadas pelos pesquisadores, seus moradores afirmam fazer algum tipo de dieta. Os motivos mais citados para a restrição alimentar são a hipertensão, diabete e doenças cardíacas. "Esses dados mostram que alguma coisa tem de ser feita, pois, lá na ponta, o único tratamento para a obesidade mórbida é a cirurgia, que não é isenta de riscos", afirma Berti. De acordo com o médico, a cirurgia bariátrica (de redução do estômago) pode ter até 1,5% de risco de morte. CHÁ PRETO ALIVIA O STRESS Pesquisadores do University College London descobriram que a bebida predileta dos ingleses ajuda a diminuir o nível do hormônio do estresse - o cortisol - no sangue. Para confirmar esse efeito, 75 voluntários foram divididos em dois grupos. Um deles tomou o chá e o outro ingeriu um placebo cafeinado com sabor idêntico. Todos os participantes foram submetidos a situações que simulavam forte tensão, como ameaça de desemprego e acusação de furto em loja. Enquanto isso, o nível de cortisol e a pressão eram monitorados. "Cerca de 50 minutos depois do susto, o nível do hormônio do estresse caiu em média 47% na turma que bebeu o chá, contra 27% das pessoas que consumiram a beberagem falsa", revela Andrew Steptoe, líder do estudo HORMÔNIO CURA OBESIDADE DE FUNDO GENÉTICO A leptina, o hormônio que avisa ao organismo que o estômago está cheio, age em parte por meio da redução do prazer que obtemos ao comer. Estudando duas pessoas obesas com uma mutação de DNA que prejudicava a produção dessa substância, cientistas da Universidade de Cambridge (Inglaterra) descobriram que poderiam curá-las de sua compulsão alimentar administrando doses do hormônio com injeções.
Manter um peso saudável pode ajudar as pessoas a terem uma vida mais longa ao limitar a exposição do cérebro a insulina, de acordo com cientistas nos Estados Unidos. Um estudo com ratos de laboratório descobriu que a redução dos sinais de insulina dentro das células do cérebro aumenta a longevidade. Em artigo na revista Science, os pesquisadores disseram que adotar estilo de vida e peso saudáveis leva a uma redução dos níveis de insulina em seres humanos e pode ter o mesmo efeito. Segundo especialistas, se isto for comprovado, a insulina será apenas um dos muitos fatores, tais como genes, que influenciam a longevidade. Pesquisas anteriores em moscas de frutas e parasitas intestinais sugeriram que reduzir a atividade do hormônio insulina, que regula os níveis de açúcar no sangue, pode aumentar a longevidade. O mais recente estudo examinou os efeitos de uma proteína, IRS2, que transmite os sinais da insulina até o cérebro. Ratos que tinham a metade da proteína tiveram vida 18% mais longa do que os ratos normais. Apesar de ter peso excessivo e altos níveis de insulina, os ratos tinham maior atividade quando ficavam mais velhos, e seu metabolismo de glicose faz lembrar o de ratos mais jovens. Os pesquisadores disseram que os ratos geneticamente modificados viviam mais tempo porque doenças letais, como câncer e problemas cardiovasculares, estão ocorrendo mais tarde por causa da redução do sinal de insulina no cérebro, embora os níveis de insulina em circulação sejam altos. Segundo eles, no futuro, pode ser possível formular drogas que reduzam a atividade do IRS2 para reproduzir o mesmo efeito, embora eles tenham que ser específicos para o cérebro. O chefe do estudo, Morris White, do Instituto Médico Howard Hughes, em Boston, disse que a forma mais simples de encorajar a longevidade é limitar os níveis de insulina fazendo exercícios e adotando uma dieta alimentar saudável. White disse que a descoberta apresenta "um mecanismo para o que a sua mãe lhe disse quando você estava crescendo - tenha uma boa dieta e faça exercício, para se manter saudável". - Dieta, exercício e peso baixo ajuda os tecidos periféricos sensíveis a insulina - adverte. - Isto reduz a quantidade e a duração da secreção de insulina necessária para manter a sua glicose sob controle quando você come. Assim, o cérebro é exposto a menos insulina - explica. A equipe de pesquisadores agora planeja examinar a possibilidade de ligações entre os sinais de IRS2 e a demência. A demência estaria associada à obesidade e a altos níveis de insulina, de acordo com trabalhos científicos anteriores. Matt Hunt, da organização britânica Diabetes UK, disse: - Este é um estudo interessante pois o trabalho feito com ratos pode sugerir que insulina desempenha um papel no processo de envelhecimento. Apesar disso, nós estamos examinando várias interações extremamente complexas de genes no cérebro e esta pesquisa não explicou ainda como este mecanismo pode estar funcionando - acrescentou. Hunt disse que a longevidade dos seres humanos vem aumentando, apesar da crescente incidência de obesidade e diabete sugerir que os níveis de insulina no cérebro podem ser apenas um de muitos fatores envolvidos. Nós saudamos o fato de que este estudo apóia nossa principal mensagem, da importância de ter um estilo de vida saudável.
Doença danifica o material genético do esperma, afirma estudo de universidade irlandesa. Entre 40% e 50% dos casos de diabéticos estéreis estão relacionados ao problema, segundo a pesquisa da Queen University, de Belfast. Homens que sofrem de diabetes têm agora uma razão a mais para manter a disciplina no tratamento. A infertilidade passou a figurar na lista de complicações relacionadas à doença, segundo uma pesquisa realizada na Queen University, de Belfast (Irlanda do Norte).
Um projeto desenvolvido no Acre tem incentivado o preparo de alimentos com farinha à base de castanha-do-brasil como alternativa para reduzir os elevados índices de desnutrição no estado. A castanha-do-brasil, também conhecida como castanha-do-pará, é uma amêndoa oleaginosa, de alto valor energético e rica em proteína. Por estes e outros valores nutricionais, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e professores da Universidade Federal do Acre iniciaram um estudo e analisaram os resultados obtidos a partir do consumo dessa farinha por crianças na Amazônia. A pesquisa começou em 2005 e intitulada Influência de alimentos enriquecidos com castanha-do-brasil e outros produtos regionais na recuperação de crianças desnutridas no Acre. A partir disso, o projeto Castanha Nutre foi desenvolvido durante oito meses com 150 crianças do Bairro Triângulo Novo e Taquari, na cidade de Rio Branco. Segundo o coordenador do projeto, o nutricionista Pascoal Muniz, ao longo do trabalho as crianças apresentaram resultados satisfatórios. “Essa proposta que criamos com a Embrapa, uma parceria da secretaria de Saúde de Rio Branco, mostra que é preciso uma reavaliação das políticas públicas nesses bolsões de pobreza. Por isso precisamos acompanhar cada criança, cuidar, verificar a alimentação e usar os recursos regionais para recuperá-las”. O projeto Castanha Nutre teve apoio do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome. Além da castanha-do-brasil, estão sendo realizados estudos com outros produtos regionais da Amazônia para serem utilizados como alternativa na recuperação de crianças desnutridas no Acre. REDUÇÃO DO ESTÔMAGO CAUSARIA DOENÇA NEUROLÓGICA Uma pesquisa divulgada esta semana revelou que algumas pessoas que fazem cirurgia para redução do estômago, em particular mulheres jovens, podem ter perda de memória e problemas na coordenação motora. Esses problemas são comuns em pacientes que sofrem de alcoolismo há muito tempo e estão ligados a uma deficiência da vitamina B1.
Um estudo publicado na revista Neurology descreveu o que ocorreu com 27 mulheres e cinco homens que fizeram a cirurgia para redução do estômago. Eles apresentaram uma doença conhecida como encefalopatia de Wernicke, que afeta o cérebro e o sistema nervoso quando o organismo não absorve quantidades suficientes da vitamina. Segundo os pesquisadores, os primeiros sintomas surgem entre um e três meses após a cirurgia e são mais comuns em pessoas que vomitam muito após a operação. O cientista Sonal Singh, da Escola de Medicina da Universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte, Estados Unidos, fez um alerta. Segundo ele, pessoas que fizeram essa cirurgia e apresentam sintomas como convulsões, surdez, fraqueza muscular e dormência nos pés e nas mãos devem consultar um médico imediatamente.
Uma dieta rica em nutrientes antes de uma cirurgia pode reduzir os riscos de o paciente ter infecções ou outras complicações pós-cirúrgicas? Uma avaliação de 17 estudos clínicos (metanálise) feitos em seis países diz que sim. Em um universo de 2.305 pacientes internados na Holanda, Suíça, Itália, Austrália, nos Estados Unidos e na Alemanha, submetidos a uma dieta industrializada antes da cirurgia, houve uma redução de 58% de infecções pós-cirúrgicas e diminuição de pelo menos dois dias no período de internação. COMER DEMAIS VICIA OBESOS COMO DROGA, DIZ ESTUDO Um estudo feito por cientistas americanos afirma que comer demais é um vício para pessoas obesas. Medições feitas com sete pessoas obesas mostraram que as regiões do cérebro que controlam a saciedade são as mesmas que são ativadas pelas drogas em pessoas viciadas. O estudo feito pelo Brookhaven National Laboratory, de Nova York, foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Science. A equipe de cientistas que fez a pesquisa disse que os resultados podem ajudar a desenvolver novos tratamentos para obesidade. Os pesquisadores estudaram os impulsos do cérebro de pessoas obesas. Todas elas usavam um Sistema Implantável de Estimulação Gástrica (sigla ISG, em inglês), um aparelho implantado no corpo que ajuda a reduzir peso. Para entender a interação entre o estômago e o cérebro, os voluntários tiveram seus cérebros escaneados duas vezes com um intervalo de duas semanas. Em um dos testes, o aparelho estava ligado, e no outro, desligado. Quando os voluntários estavam se sentindo saciados, o scanner mostrou mudança no metabolismo em partes do cérebro como o córtex orbitofrontal e o hipocampo, área do órgão associada com o comportamento emocional, o aprendizado e a memória. "Logo que vimos esses testes, logo me lembrei do que havíamos estudado sobre abuso de drogas, quando as pessoas estavam passando grande vontade (de tomar a droga) - as mesmas áreas do cérebro se ativaram", disse o pesquisador do Brookhaven National Laboratory, Gene-Jack Wang, que liderou o estudo. Segundo ele, isso corrobora a idéia de que há relação entre os circuitos do cérebro ativados pela alimentação e aqueles ligados ao consumo de drogas. Apesar de a pesquisa ser uma amostragem pequena, afirmou Wang, ela ajuda a entender melhor a obesidade e o desejo de comer. "Isso nos dá outro canal para compreender como tratar ou prevenir obesidade." Para o professor Jimmy Bell, do grupo de imagem molecular do hospital Hammersmith, de Londres, o estudo é muito interessante. "Há muita pesquisa sendo feita em todo o mundo procurando biomarcadores - qualquer coisa que mostre exatamente o que está acontecendo no processo biológico - para entender a relação entre apetite, saciedade e fatores emocionais que controlam o que nós comemos, quando nós comemos e quanto nós comemos", disse Bell. "Não acho que seja surpreendente que eles tenham encontrado um elo entre o vício de drogas e comer demais. De certa forma, você pode encarar o ato de comer como uma ‘necessidade que vicia' - se nós não fossemos viciados em comer, a maioria pararia de comer." ESTUDO LIGA OBESIDADE MÓRBIDA A Pesquisadores da Universidade da Flórida descobriram uma ligação entre obesidade mórbida em bebês e baixas taxas de QI, atrasos cognitivos e lesões cerebrais semelhantes às encontradas em portadores do mal de Alzheimer. Embora a causa desses problemas ainda seja desconhecida, os cientistas responsáveis pelo estudo teorizam que os distúrbios metabólicos provocados pela obesidade poderiam danificar o cérebro das crianças muito pequenas, que ainda estão em desenvolvimento e não se encontram totalmente protegidos. Artigo descrevendo o trabalho está publicado no Journal of Pediatrics. "Sabe-se que a obesidade se associa a diversos outros problemas médicos, como pressão alta, diabetes e colesterol elevado", diz o médico Daniel J. Driscoll, principal autor do estudo. "Agora, estamos propondo que a obesidade precoce e esses problemas metabólicos e bioquímicos podem levar também a danos cognitivos". Os pesquisadores compararam 18 crianças e adultos com obesidade precoce, significando que tinham um peso de 150% do ideal antes dos 4 anos de idade, com 19 crianças e adultos com síndrome de Prader-Willi e 24 irmãos de peso normal. Os irmãos magros foram escolhidos como grupo de controle por conta do histórico genético e socioeconômico parecido. A ligação entre problemas cognitivos e a síndrome de Prader-Willi, uma disfunção genética que leva o portador a comer sem parar e ficar obeso com pouca idade, é bem estabelecida. Os pesquisadores determinaram que crianças e adultos que se tornaram obesos quando bebês, sem causa genética aparente, se saem tão mal, em testes de QI, quando portadores da síndrome. Realizando exames de ressonância magnética nos voluntários, os pesquisadores também descobriram lesões no cérebro de muitos dos portadores da Prader-Willi e do grupo que havia sofrido de obesidade mórbida precoce. Essas lesões são encontradas, tipocamente, em pacientes de Alzheimer e em portadores de fenilcetonúria que não receberam tratamento.
Um velho inimigo da saúde dos seres humanos, a alergia, está ganhando força, especialmente entre os jovens. Essa tendência é o principal achado de um estudo publicado na revista científica britânica The Lancet . Os cientistas avaliaram mais de 304 mil jovens com idades entre 13 e 14 anos em 37 países, entre eles o Brasil. "Fatores como a poluição e as mudanças na alimentação afetam as defesas orgânicas e estão entre as razões do crescimento dessas reações", explica Fábio Castro, supervisor do setor de alergia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Entre os tipos que crescem está a alergia alimentar. Hoje, sua incidência é de 10% da população. Por isso, diversos estudos querem estabelecer formas eficientes de controle. As manifestações variam. "Pode-se apresentar coceira, vermelhidão e até sofrer um choque anafilático", diz Fátima Fernandes, do setor de Alergia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. O tratamento é feito com remédios para impedir os sintomas. Identificar os causadores do problema - e tirá-los do cardápio - é fundamental. Foi o que fez a advogada Carolina Landau, do Rio de Janeiro. Ela evita comer chocolates e produtos com leite de vaca desde que descobriu que eles agravam outras das suas reações a ácaros e poeira. "Comecei a me tratar aos 11 anos e parei. Retomei os cuidados porque os sintomas pioraram", conta. Para os médicos, outro aspecto é fazer com que os pacientes entendam as diferenças entre alergia, intoxicação e intolerância alimentar. Alergia é uma reação do sistema de defesa do corpo. A intoxicação é causada por alimentos contaminados e a intolerância é provocada pela falta de uma enzima para digerir o alimento. Nesses dois casos, os sintomas são desconfortos gástricos, como diarréia e náusea. UNHA RELEVA DIETA NO BRASIL E NO MUNDO Quem mora numa metrópole globalizada do porte de São Paulo pode até achar que tem à mão alimentos dos quatros cantos da Terra, mas não é essa a história que as unhas contam. As unhas? Sim, de acordo com pesquisadores da USP de Piracicaba. Eles usaram as unhas humanas para mostrar que cada região do planeta ainda usa principalmente alimentos da vizinhança, produzidos de maneiras diferentes, apesar da impressão de que hoje se vive num supermercado global. HomeCare Plus |