TÉCNICA PREVÊ GRAMPEAMENTO DO ESTÔMAGO A PARTIR DA BOCA

Um novo tipo de cirurgia para perda de peso dispensa o uso de bisturis e cortes, como na clássica operação de redução do estômago. Alguns pacientes testaram nos Estados Unidos, como parte de um estudo pago pela Satiety, fabricante dos grampeadores, um tipo de procedimento em que cirurgiões introduzem um grampeador por sua garganta e grampeiam o estômago por dentro, formando um tubo com a grossura de um polegar, capaz de reter apenas uma quantidade limitada de alimentos.

A operação, cujo objetivo é fazer com que uma pessoa se sinta satisfeita depois de comer muito pouco, é ainda experimental. No México e na Europa, 98 pacientes passaram por essa cirurgia de redução de peso, conhecida como Toga. Em média, a perda de peso em um ano é de 40% do excedente de massa.


 

PACIENTES COM ESCLEROSE MÚLTIPLA SOFREM COM MEDO, ERROS E PRECONCEITOS

O que um ex-lutador de jiu-jitsu que já disputou um campeonato pan-americano pode ter em comum com uma funcionária pública aposentada? Tudo. No Dia Nacional de Combate à Esclerose Múltipla (30/08), a história de duas pessoas que tinham tudo para serem completamente diferentes, mas que tiveram suas vidas tocadas por uma doença que ainda hoje causa muito desentendimento e preconceito: Vinicius Botelho, de 35 anos, e Roseli Del Sasso, de 42 anos.

A história dos dois é bastante parecida. Os dois descobriram a doença muito jovens. Os dois enfrentaram dificuldades, medo e erros de diagnóstico até descobrirem exatamente o que tinham. Os dois enfrentam até hoje a incomprensão de pessoas que não entendem a esclerose múltipla. E os dois vivem uma vida absolutamente normal.

Quase 150 anos depois de ter sido descoberta e identificada pelos cientistas, a esclerose múltipla é até hoje um mistério para a medicina. Ela surge quando o próprio sistema de defesa da pessoa resolve se voltar contra o sistema nervoso. O ataque imunológico destrói a camada de mielina que recobre os nervos, essencial para a transmissão de sinais entre eles. Os sintomas variam de acordo com os nervos que são afetados e os ataques podem variar de freqüência e intensidade, indo desde uma simples falta de equilíbrio até convulsões e paralisia. A doença não é fatal, mas não tem cura.

Roseli Del Sasso era uma bem sucedida jovem de 24 anos quando foi devastada pela notícia de que tinha esclerose múltipla. “Morri aos 24 anos”, contou ela, emocionada. "Minha vida, como eu tinha planejado, acabou ali. "Dois anos antes, em 1988, ela teve os primeiros sintomas, quando metade de sua face paralisou sem motivo durante quase 24 horas. Os médicos não identificaram o problema, que acabou passando sozinho no dia seguinte. Ela só foi saber o que estava de errado em 1990, na final da Copa do Mundo. Ao comemorar o gol da Itália, Roseli sentiu uma forte dor nas costas. Durante as 48 horas seguintes ela ficaria completamente paralisada do pescoço para baixo.

Levada às pressas ao hospital, Roseli precisou enfrentar uma maratona dos médicos, que tentavam descobrir o que acontecia. Até então, ela pensava se tratar de uma hérnia de disco. Um neurologista foi chamado. “Nunca vou esquecer essa cena”, conta. “Ele pegou minha perna, soltou e ela caiu. Era uma perna morta. Olhou para mim e disse: esclerose múltipla”.

O diagnóstico precisou ser confirmado por exames. Na hora do último, quando chegou a conclusão, Roseli ainda teve que enfrentar um trauma. A médica que retirava o líquido de sua coluna comentou: “você pode até sentar novamente, mas é melhor se acostumar que vai passar a vida em uma cadeira de rodas”.

Quase vinte anos depois, Roseli jamais precisou de uma cadeira de rodas. Ela anda normalmente, até corre para se exercitar e dirige como qualquer outra pessoa. Durante uma nova crise, em 2003, outro médico identificou o local da lesão que causou a paralisia em 1990 e a tranqüilizou que seu futuro passaria longe de cadeiras de rodas. “Nem cadeira de roda, nem bengala, nem nada, você vai sair daqui andando”, disse ele.

Até chegar a esse dia, no entanto, Roseli viveu assombrada pelas palavras da médica no dia de seu diagnóstico. “Passei anos em uma cadeira de rodas sem estar em uma cadeira de rodas”, conta. Forçada a se aposentar aos 28 anos, ela parou de trabalhar.

“Planejei minha vida inteira de outra forma. Tem quem diga que o destino é você quem faz. Não acredito nisso, por que às vezes as coisas saem do seu controle”, afirma. Só se libertou do medo da esclerose múltipla depois de fazer terapia. Hoje, se considera uma mulher mudada. “Aprendi a me dar valor. Sou bonita, inteligente, faço trabalho voluntário. Sou uma pessoa especial. Resolvi aproveitar a vida”, conta.

Roseli Del Sasso é hoje o centro de um grupo de pessoas com esclerose múltipla que se apóia informalmente. Em 2004, ela criou o grupo “Esclerose Múltipla Brasil” no site de relacionamentos Orkut, hoje com mais de 1700 membros. Ali, os pacientes oferecem conselhos, pedem ajuda e buscam compreensão. Duas vezes por ano, os membros se reúnem pessoalmente.

É na comunidade de Roseli no Orkut, que o bancário Vinicius Botelho também busca orientação de pessoas com as mesmas preocupações que ele. Jovem bonito e atlético, Vinicius nem de longe parece o falso estereótipo de fraqueza que muitas pessoas relacionam aos pacientes com esclerose múltipla. Ex-lutador de jiu-jitsu, campeão de etapas estaduais, chegou até a competir no campeonato pan-americano da modalidade. E em 1998, aos 25 anos, descobriu que tinha esclerose múltipla.

 

Como aconteceu com Roseli, os primeiros sintomas também surgiram dois anos antes. Em 1996, ele sofreu uma crise sem perceber e ficou um tempo sem enxergar adequadamente. Em julho de 1998, percebeu alguns problemas, procurou ajuda médica, mas não teve sorte. Ao ver a falta de sensibilidade na mão esquerda, achou que o problema era circulação e procurou um cardiologista, que o encaminhou a um neurologista. Quando a dormência passou para a mão direita, este último o mandou tratar com um médico vascular. “A mão esquerda era um especialista, o neuro. A direita com outro, o vascular. Um absurdo”, disse Vinicius.

Logo em seguida, o problema passou para as pernas. Vinicius percebeu que não estava andando direito. “Me arrastava para os lados e não conseguia engatar a marcha do carro. Precisava usar a mão para ajudar a perna a pisar na embreagem”, contou. Procurou um hospital. Ali, novo erro. Disseram que o jovem tinha câncer na coluna.

Só depois do susto e de muitos exames, eles descobriu que sua doença não era fatal. Mas o acompanharia para toda a vida. No dia-a-dia, como a maioria dos pacientes, ele não tem sintomas 100% do tempo. “As pessoas que não sabem que sou portador de uma doença crônica nunca imaginam”, conta. Quando tem uma crise, no entanto, chega a ficar três dias internado.

A esclerose múltipla, como no caso de Roseli e Vinicius, surge sem avisar e, na maioria dos casos, os primeiros sintomas aparecem na juventude. O que deve fazer quem descobre a doença? Os dois têm a mesma resposta.

“Converse abertamente com seu médico, ele deve ser seu amigo”, conta Vinicius. “Busque informações e contato com grupos de apoio”, diz ele. Roseli concorda. “Em primeiro lugar, calma. Procure um bom médico, em quem confie. Não seja inimigo do seu médico. Ele tem que ser seu melhor amigo dali para frente. Não se desespere e saiba que não estará sozinho, temos muitas pessoas nessa jornada”, aconselha. “Saiba que as pessoas morrem com esclerose múltipla, mas não de esclerose múltipla”. (01/09/08)


RIGIDEZ MATINAL

A rigidez matinal, sensação de travamento do corpo, quando a pessoa acorda com dificuldades para movimentar as articulações, tem um grande impacto na decisão das pessoas com artrite reumatóide em parar de trabalhar, segundo estudo publicado na revista especializada "Rheumatology".

Manifestação comum da doença inflamatória das articulações, a rigidez matinal tem um grande impacto no bem estar dos pacientes com artrite. E, segundo especialistas alemães, "deve ser dada grande atenção ao tratamento eficaz da rigidez matinal no início da artrite reumatóide para prevenir os pacientes de possíveis decisões inoportunas que terão longa duração e onerosas conseqüências".

Para avaliar a relação entre rigidez matinal e aposentadoria precoce entre pessoas com a doença reumática, os pesquisadores analisaram dados de 916 pacientes com artrite reumatóide, com duração da doença de 24 meses. Eles examinaram testes clínicos e relatos dos pacientes para avaliar capacidade funcional, dor, rigidez, atividade da doença, aposentadoria, entre outros fatores.

Os resultados indicaram uma relação significativa entre rigidez matinal e aposentadoria antecipada. Dos 389 pacientes com 61 anos de idade que trabalhavam no início do estudo, 21% tiveram que se aposentar antes do fim da pesquisa. Além disso, a saída precoce do mercado de trabalho preocupava 46% dos pacientes com rigidez grave e 10% daqueles que apresentavam rigidez matinal mais leve. (23/06/08)


EXERCÍCIOS FÍSICOS AJUDAM NA MEIA IDADE

Fazer exercícios regularmente na meia-idade pode reduzir as chances de desenvolver doença de Alzheimer e outros tipos de demência anos mais tarde, segundo estudo do Instituto Karolinska, Suécia. Avaliando mais de 1,4 mil adultos, os pesquisadores descobriam que aqueles que eram mais fisicamente ativos no tempo livre durante a meia-idade eram 52% menos propensos a desenvolver demência 21 anos depois do que os sedentários. E as chances de desenvolver Alzheimer reduziam em 62%. De acordo com os autores, os participantes que apresentaram menor risco se exercitavam vigorosamente de 20 a 30 minutos, duas ou três vezes por semana. Especialistas explicam que exercícios físicos regulares são essenciais para manter um bom fluxo sangüíneo para o cérebro e incentivar o desenvolvimento de novos neurônios. (05/06/08)


EXERCÍCIOS E A DIABETES

Os benefícios dos cuidados com a alimentação e da prática de exercícios físicos no sentido de evitar o diabetes do tipo 2 são mais a longo prazo do que se imaginava e podem durar por pelo menos 14 anos. Foi o que mostrou um estudo feito por pesquisadores chineses e divulgado em maio pela revista inglesa "The Lancet".

O estudo levou em conta 577 adultos com altas taxas de glicose no sangue, mas sem diabetes. Alguns médicos chamam essa fase de pré-diabetes (quantidade medida de glicose entre 100 e 125). Os participantes que melhoraram a alimentação e passaram a fazer atividade física regularmente tiveram um risco 51% menor de diabetes ao final de seis anos. Quatorze anos depois --período em que os participantes não mais tiveram que seguir os hábitos saudáveis-- o risco ainda era 43% menor em relação aos que não fizeram alterações em sua rotina.

"Pessoas com intolerância à glicose [pré-diabetes] têm uma forte tendência a se tornar diabéticas", afirma o endocrinologista da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) Antonio Carlos Lerario. Segundo ele, um dos estudos de maior referência no tema já havia mostrado os benefícios de hábitos saudáveis após quatro anos.

Para o médico, o mérito do novo estudo foi provar que os efeitos das mudanças são a longo prazo, o que serve de estímulo para a adoção desses hábitos. O diabetes tipo 2 tem relação direta com a obesidade e o sedentarismo, diferentemente do tipo 1, que aparece freqüentemente em pessoas magras em razão de uma falha no organismo. Segundo a SBD, estima-se que de 60% a 90% dos portadores do tipo 2 sejam obesos.

A principal hipótese para explicar essa relação é a destruição de células beta do pâncreas por processos inflamatórios causados pelas células gordurosas. Essas células produzem insulina, a encarregada de tirar o excesso de glicose do sangue e levá-lo para dentro das células.

 

Como o monitoramento dos hábitos dos participantes do estudo não prosseguiu após os seis primeiros, o estudo não elucida se o menor risco de diabetes é uma conseqüência de hábitos saudáveis do passado ou se esses participantes os mantiveram ao longo dos anos. "É possível que tenha ocorrido as duas coisas", afirma Lerario. Segundo ele, o indivíduo pode ter incorporado o hábito, mas também pode haver um componente de memória no organismo, o que já foi mostrado em um estudo americano que acompanhou o tratamento de diabéticos por dez anos. O risco de complicações continuou bastante menor seis anos após esse acompanhamento.

Segundo Lerario, uma das principais armas na prevenção da diabetes é a atividade física constante. "A glicose é o combustível do músculo e consumida em maior quantidade durante exercícios. A quantidade de glicose na circulação diminui, e gordura é quebrada para liberar glicose, facilitando a perda de peso." Os médicos costumam recomendar um mínimo de 30 minutos diários de atividade física e pedem que as pessoas consultem um médico para saber que tipo de exercício podem fazer. (06/08)


GINÁSTICA OLÍMPICA X LESÕES ENTRE JOVENS

Não são só duplos mortais e piruetas. Na ginástica olímpica, há também contusões, deslocamentos e fraturas. Novos estudos demonstram que a ginástica olímpica pode custar caro demais para o corpo dos jovens atletas. “Descobrimos que a ginástica olímpica tem um dos mais altos índices de lesões entre todos os esportes”, disse uma das pesquisadoras, Lara B. McKenzie do Nationwide Children's Hospital em Ohio.

Os pesquisadores afirmaram na edição atual do Pediatrics que houve mais de 25 mil lesões a cada ano nos Estados Unidos, apesar desse índice estar diminuindo. O autor responsável pelo estudo é Shubha Singh da Ohio State University Os pesquisadores observaram lesões envolvendo crianças de 6 a 17 anos por um período de 16 anos. Eles descobriram que a maioria das lesões ocorreu nas extremidades superiores do corpo; logo em seguida estão as lesões nas extremidades inferiores e a região da cabeça e do pescoço.

Não se sabe ao certo quais movimentos estavam sendo realizados quando as crianças sofreram as lesões, mas os culpados mais comuns foram parada de mão, flips e estrelinha. O espacato, por mais dolorosos que pareça, não causou muitos acidentes. Um problema, disseram os pesquisadores, é que ao contrário de jogadores de futebol, as ginastas não são ensinadas a cair adequadamente. Eles alertaram para a criação de regras para ginastas, técnicos e observadores.


ALONGAMENTO FAZ BEM?

Até hoje não existe consenso com relação à eficiência dos alongamentos, especialmente sobre o número de lesões e a manutenção da performance. Em 2004, o Centro de Controle de Doenças, em Atlanta, organizou um painel de especialistas para tentar definir a eficácia ou não dos alongamentos. A conclusão final foi de que os dados científicos ainda são inconsistentes para chegar a essa definição.

 

Na prevenção de lesões, um aquecimento bem feito e progressivo traz mais resultados do que o alongamento. A ativação inicial dos grupos musculares que serão utilizados nas atividades pode trazer proteção aos atletas. A eficiência do aquecimento é talvez o principal fator de confusão na discussão sobre os alongamentos, pois na maioria das pesquisas realizadas até hoje o aquecimento muscular se mistura às práticas de alongamento.

As características de cada esporte, privilegiando, flexibilidade ou força, cria mitos e crenças nos atletas e técnicos que tornam ainda mais difícil a discussão e a proposição de pesquisas comparativas. Existem evidências científicas que demonstram em laboratório que o alongamento pode diminuir transitoriamente a força muscular. O problema está no fato de esses dados de laboratório não se sustentarem no mundo real. No final das contas, como a polêmica persiste, a recomendação dos especialistas é de que se a prática fizer a pessoa que pratica exercícios se sentir bem, que continue se alongando. Já para os atletas a decisão fica para a comissão técnica.


ESPERANÇA PARA O TRATAMENTO DA FIBROMIALGIA

A fibromialgia é uma doença verdadeira. É isso que diz o laboratório Pfizer em nova campanha publicitária do medicamento Lyrica, o primeiro aprovado para o tratamento da dor proveniente da doença, cuja utilização é muito questionada por alguns médicos. Para grupos de pacientes e médicos especializados em fibromialgia, a aprovação do Lyrica é um marco na medicina. Eles afirmam esperar que o medicamento, e outros dois que devem ser aprovados ainda este ano, possam legitimizar a fibromialgia, assim como o Prozac fez com a depressão.

No entanto, outros médicos argumentam que a doença não existe e que o novo medicamento e outras drogas serão consumidos por milhares de pessoas que não precisam de tratamento. A fibromialgia afeta principalmente mulheres de meia idade e é caracterizada por uma condição dolorosa generalizada e crônica de origem desconhecida. Muitas vezes a dor é causada por outras condições nebulosas similares, como síndrome nervosa no intestino.

O fato de pacientes com fibromialgia não responderem a analgésicos convencionais como aspirinas, companhias farmacêuticas estão voltando suas atenções aos medicamentos como o Lyrica, que afeta o cérebro e a percepção da dor. Grupos e médicos que tratam a síndrome estimam que 2% a 4% dos americanos adultos – totalizando cerca de 10 milhões de pessoas – sofrem do distúrbio.

Tais aspectos são questionados por muitos profissionais da saúde, que não consideram, sob o ponto de vista médico, a fibromialgia como uma doença. Eles ainda afirmam que diagnosticar tais condições na verdade pode agravar o sofrimento do paciente, por causar uma obsessão com as dores, enquanto pessoas comuns simplesmente as toleram. Apesar da controvérsia, o Conselho de Doenças Reumáticas, a Administração de alimentos e Medicamentos e companhias de seguro saúde reconhecem a fibromialgia como uma doença que pode ser diagnosticada.

Seguindo os passos do Pfizer, duas outras companhias farmacêuticas, Eli Lilly e Forest Laboratories, pedem que a FDA autorize a comercialização de remédios contra a síndrome. A aprovação de ambos é esperada para o fim deste ano, dizem analistas. O comércio mundial do Lyrica, que pode ainda ser utilizado contra dores nos nervos em diabéticos e que recebeu a autorização da FDA em junho para o tratamento da fibromialgia, ultrapassou a marca de US$ 1,8 bilhão em 2007, 50% a mais que o ano de 2006. Analistas acreditam que vendas possam ser ainda maiores neste ano, impulsionadas por campanhas publicitárias.


REABILITAÇÃO EM AMPUTADOS DE MEMBROS INFERIORES

Por: Fabio Molinaro – Fisioterapeuta com formação em fisiologia do exercício / formação em fisioterapia aplicada em Clínica pela Sta Casa do RJ / RPG pelo CBF de SP.

O mundo esportivo ficou chocado com o grave acidente automobilístico do jogador uruguaio Darío Silva. A amputação da perna direita do atleta foi inevitável, pois segundo informou o Medico Uruguaio Mario Cancela, o jogador corria o risco de desenvolver um processo infeccioso.

Em Centros de Reabilitação, situações como a do Jogador Dario Silva são freqüentes. Infelizmente, os acidentes automobilísticos constituem como um dos principais fatores que levam às amputações no Brasil. No Site www.sos.estradas.com.br/estatisticas o internauta tem uma dimensão do quão preocupante são os números de acidentes com mortes e com seqüelas que, muitas das vezes, são irreversíveis.

Geralmente, quando observamos um indivíduo amputado, a nossa impressão imediata é o sentimento de incapacidade daquela pessoa em realizar todas as atividades do seu dia a dia, dentro de um contexto social, ou seja, ir ao banco, trabalhar, praticar esportes etc. Além de pensarmos que este indivíduo toma para si, uma postura de derrota, isolamento e perda de iniciativa para novas experiências. Na verdade, é errado pensar que um amputado deva se privar desta rotina; pelo contrário, o que podemos constatar na nossa prática diária é que, grande parte dos dessas pessoas exercem atividades além da forma prevista; acreditamos que de alguma maneira encontram um sentido ainda maior para viver com qualidade.

Este estudo visa abordar de maneira técnica, porém didática em alguns momentos, pois pensamos que pacientes e suas famílias necessitam de informações relevantes quanto ao tratamento no pré e pós-operatório, além de profissionais da área que procurem trazer discussões referentes ao tema.

Podemos definir amputação como sendo retirada, geralmente cirúrgica, total ou parcial de um membro. De forma didática, pode-se dizer que as indicações consistem em três “Ds”: Dead, Dangerous e Damm Nuisance, expressões em inglês que significam: necrose, risco de vida e dano permanente.

A necrose , que de uma maneira geral, provém de doença vascular periférica, como por exemplo: em uma das complicações tardias do Diabetes, porém eventualmente, pode ocorrer depois de um trauma grave, queimaduras ou congelamento. O risco de vida pode ser em conseqüência de um tumor maligno ou sepse potencialmente letal (principalmente, a gangrena gasosa), ou devido a uma lesão por esmagamento, na qual a liberação da compressão pode resultar em falência renal (síndrome do esmagamento). O dano permanente pode ser resultante de dor, de malformações, de sepse recorrente ou perda de função grave.

As Amputações traumáticas acometem principalmente pacientes adolescentes e adultos jovens, devido estarem mais expostos aos acidentes de trabalho, acidentes por meios de transporte e a violência urbana, como por exemplo: armas de fogo, etc. Queimaduras e descargas elétricas também contribuem para amputação de membros inferiores.

As causadas por tumores afetam principalmente crianças e adolescentes. E seu número vem diminuindo consideravelmente, graças aos bons resultados obtidos com o diagnóstico precoce, a radio e a quimioterapia, a utilização de endoprótese, os enxertos e algumas outras cirurgias conservadoras. O Sarcoma ósseo é considerado de alta malignidade, no entanto, desde a década passada 70% das crianças com este diagnóstico obtiveram evidente aumento de sobrevida.

Pode-se dizer que às decorrentes de processos infecciosos são menos freqüentes hoje em dia devido aos avanços laboratoriais e desenvolvimento de medicamentos mais específicos. A meningite meningococcica é uma amputação infecciosa clássica caracterizada por lesões cutâneas podendo causar necrose de extremidades. Devemos considerar como causa infecciosa que, também pode estar relacionada à processos traumáticos e vasculares.

Quanto às amputações decorrentes de processos congênitos e, na ocorrência de deformidades importantes, os quais possam impossibilitar a protetização ou dificultar a função do membro residual, serão encaminhados a procedimentos cirúrgicos tais como a amputação.

As doenças vasculares periféricas acometem indivíduos com faixa etária mais avançada (acima dos 50 anos), estando estes, portanto mais suscetíveis a doenças degenerativas como a arteriosclerose. A arteriosclerose obliterante periférica e a tromboangeite obliterante são as formas mais comuns de doença vascular oclusiva crônica.

Quando há a ocorrência por origem vascular é, geralmente, considerada um processo eletivo, ou seja, o cirurgião determina o nível de amputação ao determinar a viabilidade dos tecidos através de diversas medidas.

Considera-se também como causa a neuropatia periférica, decorrente do Diabetes, distúrbios nutricionais, doenças infecciosas como o Hansen e a Pólio, alterações medulares como espinha bífida e trauma medular são fatores que podem levar à neuropatia periférica.

Neste contexto, é importante considerar a gravidade das complicações do diabetes que, entre outras devemos destacar o pé diabético, caracterizado pela presença de lesões nos pés em decorrência das alterações vasculares e/ou neurológicas, causa importante de amputação de membros inferiores.

Além de estar inserido como grande causa de Amputação de membros inferiores, pode-se dizer que a diabetes é caracterizada por complicações agudas e tardias levando o individuo muitas vezes a incapacidade, invalidez, aposentadoria precoce e a morte no nosso país.

Os pacientes com neuropatia diabética apresentam diminuição ou perda da sensibilidade vibratória, térmica, tátil e dolorosa aumentando os riscos de ulceração nos pés diabéticos. A alteração motora nos pacientes com Polineuropatia acomete os nervos, causando fraqueza dos músculos e deformidades articulares, como por exemplo, os dedos em martelo, os quais podem levar ao aumento de pressões locais durante a marcha.

A evolução do pé neuropático é a osteoneuropatia de Charcot ou simplesmente pé de Charcot, na qual, observa-se alterações estruturais do pé com altos riscos de ulcerações por pressões inadequadas e quadros de infecção, levando geralmente às amputações. 

Complicações dos cotos de amputação

Complicações precoces

Como em qualquer cirurgia, deve-se levar em consideração às complicações inerentes a qualquer intervenção cirúrgica, como a hemorragia secundária a infecções, porem existem dois riscos particulares: o rompimento de enxertos cutâneos e a gangrena gasosa.

Complicações tardias

PELE: É comum a ocorrência de eczema, pode desenvolver caroços purulentos da consistência amolecida das arestas.

MÚSCULO: Caso seja deixada grande quantidade de músculo na extremidade do coto, o coxim instável resultante induz a uma sensação de insegurança, passível de impedir o uso de uma prótese.

ARTÉRIA: Circulação deficiente leva à formação de um coto azulado, propenso à ulceração, principalmente ocorre em amputações abaixo do joelho, levando, com certa freqüência, a necessidade de reamputação.

NERVO: Um nervo cortado sempre dá origem a um neuroma que, ocasionalmente, é doloroso e macio. O “membro fantasma” é a denominação utilizada para descrever a sensação de que o membro amputado ainda se encontra presente.

ARTICULAÇÃO: A articulação acima da amputação pode apresentar rígida ou deformada.

OSSO: Considera-se quase sempre a possibilidade de formação de um esporão na extremidade do osso, sendo, no entanto, geralmente indolor. Porém, no caso de uma infecção, o esporão pode se apresentar grande e doloroso.

Orientações importantes no dia a dia

Acreditamos ser de extrema importância, a orientação ao paciente e sua família quanto aos cuidados de uma maneira geral; podemos classificar entre outras, por exemplo: a atenção com a água muito quente, sendo necessário à verificação da temperatura sempre com as mãos; após o banho o indivíduo deve secar bem os pés, principalmente entre os dedos; deve-se ter cuidado com as unhas, é preferível lixá-las; quanto aos colos, não se deve cortar e sim procurar um podólogo para sua remoção; deve-se usar hidratante nós pés; usar meias em dias frios; não se deve caminhar descalço como também não usar chinelos de dedo; não se deve usar calçados apertados e deve-se usar palmilhas apropriadas. É favorável a inspeção diária dos pés bem como exercitar o mesmo.

Intervenção Fisioterápica

O fortalecimento dos membros superiores é importante para o uso de muletas ou andador; deve-se treinar independência nas atividades da vida diária, pois o mesmo estará acamado e, desta forma deve ser encorajado a realizar atividades simples sem a ajuda de terceiros; treinar transferência, equilíbrio e marcha; e devem ser feitos exercícios respiratórios e de tronco antes e depois da cirurgia. Exercícios respiratórios e de tronco são necessários antes e depois da cirurgia; e quanto ao cuidado da saúde geral e dos outros membros.

Após a amputação, a reabilitação nesta fase (pós-operatório) é importante, pois feito de maneira bem sucedidas, evita o aparecimento de contraturas musculares. Os amputados de membros inferiores deverão deitar em colchões firmes, não devendo usar travesseiro sob o coto de coxa ou sob o joelho, nos cotos de perna, evitando assim o aparecimento de contraturas em flexão, facilitando a mais rápida colocação da prótese.

Sempre que possível, deve-se fazer com que o paciente fique em Decúbito Ventral , ou seja, com a barriga para baixo, com um travesseiro sob o coto de coxa, mantendo-o em hiperextensão por meia hora a uma, várias vezes ao dia. A movimentação do coto e do membro restante deve ser iniciada 24 à 48hs após a amputação, a fim de ativar a circulação geral e impedir descondicionamento.

Após o 2º ou 3º dia, o paciente deverá iniciar os exercícios ativos. Começa sentado na cama, movendo os membros superiores e o tronco. Logo que possível, deverá levantar-se, apoiando o membro sadio no chão, segurando com as mãos a peseira da cama e iniciando a flexão e extensão do joelho com pequeno arco de movimento inicial, aumentando progressivamente com o passar dos dias.

Deve-se ter cuidado com pacientes portadores de moléstias vasculares nos dois membros, para que fazendo este exercício acima, não force o membro oposto à amputação, que também poderá estar lesado. Deve ser realizado o enfaixamento do coto a fim de evitar e eliminar edemas.

Logo após a cicatrização do coto, o paciente deverá ser enviado ao ambulatório de fisioterapia para a preparação do mesmo. Durante a avaliação da fisioterapia, deve-se sempre considerar alguns aspectos importantes como a causa da amputação, processo de cicatrização quanto ao seu aspecto e localização; a pele (se há ulcerações, se está úmida, seca ou crostosa), sensibilidade (se está ausente, diminuída, hipersensível ao toque ou pressão), enxertos (localização, tipo, grau de cicatrização) e lesões dermatológicas (psoríase, eczema, acne vulgar, dermatite, escaldaduras, cistos epidemóides); deve-se fazer mensurações circunferenciais do membro residual.

O comprimento abaixo do joelho é usualmente medido desde o platô tibial medial, sendo tomadas a cada 5 a 8cm, até o final do osso. E o membro acima do joelho mede-se desde a tuberosidade ciática ou trocanter maior e tomadas a cada 8 a 10 cm até o final do osso; a forma (devemos observar se é cilíndrica, crônica, em ampulheta, orelhas de cachorro, bulbosa, etc); vascularidade (pulso, cor, temperatura, edema, dor, alterações tróficas); amplitude de movimentos dos quadris, joelhos e tornozelo; força muscular; neuroma (localização, sensibilidade), dor fantasma, sensação fantasma, neuropatia diabética e estado mental; atividades diárias e cuidados pessoais; estado emocional e metas protéticas.

São importantes a higiene e o tratamento adequado da pele. Uma vez que a incisão tenha cicatrizado e as suturas removidas, a pessoa pode tomar banho normalmente. O coto deve ser mantido limpo e seco. Indivíduos com pele seca podem usar um hidratante. Devem ser tomadas precauções a fim de evitar cortes, abrasões e outros problemas de pele. A massagem por fricção pode ser usada para impedir a formação ou mobilizar o tecido cicatricial aderente. A massagem é feita com suavidade depois que a ferida cicatrizou, e desde que não haja infecção presente. Os pacientes podem aprender esta técnica para ajudar na redução da hipersensibilidade do membro residual. A vibração é também uma efetiva medida para redução da hipersensibilidade.

A manipulação precoce do coto por parte do paciente é importante, pois é um modo auxiliar de aceitação, devemos orientar ao paciente a inspecionar o coto com um espelho a cada noite, para certificar-se de que não existem contusões.

Concluindo esta abordagem, acreditamos que a reabilitação dos amputados de membros inferiores obtém melhores prognósticos de recuperação funcional e prevenção de distúrbios motores e respiratórios, aplicando tais técnicas e orientações que foram acima citado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

•  O`Sullivan, Susan B., Schmitz, Thomas J. Fisioterapia. Avaliação e tratamento. 2ed. São Paulo: Manole, 1993.

•  Kottke, Frederic J., Lehmann, Justos F. Tratado de medicina física e reabilitação de Krusen. 4ed. São Paulo: Manole, 1994.

•  Milman, Mauro H.S.A, Leme, Cristina B.M.,Borelli, Danilo T. et al. Pé diabético: Avaliação da evolução e custo hospitalar e pacientes internados no conjunto hospitalar de Sorocaba. Arq. Bras Endocrinol Metab, out 2001, vol.45, n 5, p.447-451. ISSN 0004-2730

•  Bacolini , Fernando. Reabilitação - Amputados Amputações Próteses. 2ed. Robe Editorial, 1992.

•  Carvalho , José André. Amputações de membros inferiores em busca da plena reabilitação. 2ed. Editora Manole, 1992.

•  MARCHAND, S et al. IS TENS Purely a Placebo Effect? PAIN, 54 (1): 99, 1993.

•  APLEY. Ortopedia e Fraturas em Medicina de Reabilitação. 6 ª Edição. Manole, 1996.

•  Kisner, Carolyn. Exercícios Terapêuticos: Fundamentos e Técnicas. 2ª Ed. Manole, 1992.


UMA CHANCE PARA VOLTAR A ANDAR

Emílio Marques de Carvalho, de 32 anos, nunca vai esquecer o dia 14 de julho de 2002. Era para ser um sábado normal, com direito a namorar, comer churrasco e nadar na casa de um grande amigo em Luziânia (GO). No meio da tarde, um salto na piscina mudou a vida dele para sempre. "Bati meu pescoço na borda e quando dei conta só mexia os olhos. Estava tetraplégico", conta.

Repare que Emílio usa o passado para se definir como tetraplégico. Hoje, ele movimenta os braços e alguns dedos das mãos. Apesar de não ter sensibilidade na perna esquerda, Emílio já consegue mexer o dedão do pé. O lado direito inferior do corpo ainda está todo imóvel, mas ele sente quando alguém encosta. A conquista não foi nada simples. Ao contrário, em muitos momentos, foi dolorosa e cansativa.

A recuperação de Emílio começou logo depois do acidente. No hospital Sara Kubitschek, em Brasília, ele recebeu uma placa de titânio no lugar de boa parte dos ossos do pescoço. Fez também uma cirurgia nos ossos da bacia que estavam enfraquecidos. Isso sem falar em três operações para manter a bexiga funcionando, já que este órgão é muito atingido em caso de paralisia. Ao todo, somando as cirurgias feitas no Sara e no Hospital de Base do DF (HBDF), foram oito.

Mas o que torna o caso de Emílio mais raro é o fato dele estar sendo tratado há dois anos pelo médico Tarcísio Pessoa de Barros Filho, um dos maiores especialistas no Brasil em coluna vertebral e professor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade de São Paulo (USP).

Em São Paulo, para onde vai de três a quatro vezes por ano, está fazendo um tratamento de primeiro mundo. Nos últimos dois anos, foram quatro medicamentos diferentes. "Teve remédio manipulado e outro que veio do Texas, nos Estados Unidos", lembra. Os medicamentos, ao mesmo tempo que auxiliam na regeneração do sistema nervoso do paciente, o preparam para o futuro. Isso porque, apesar de estar satisfeito com o que a ciência fez por ele até agora, o pequeno empresário que vive no Guará quer mais: "Se existir alguma chance de eu voltar a andar, vou lutar por ela com todas as minhas forças." Emílio, que se locomove com cadeira de rodas, atualmente se define como paraplégico e aposta nas células-tronco para voltar a caminhar.

Futuro

O brasiliense, que perdeu a comunicação nervosa que permitia seus movimentos há quatro anos, é a forma viva de uma as mais cruciais perguntas da ortopedia mundial, relacionada ao limite dos tratamentos em tetraplégicos e paraplégicos que desejam voltar a andar.

A resposta ainda está longe de ser alcançada, mas o Brasil tem conseguido bons avanços na área. A equipe do professor Tarcísio aponta, por exemplo, em uma possível cura para lesões na medula espinhal que é a grande responsável pela transmissão de impulsos nervosos entre o cérebro e os órgãos do corpo humano, permitindo a mobilidade e a sensibilidade.

Suas células, diferentemente do que ocorre em outros tecidos, não apresentam, por vários motivos, a capacidade de regeneração. Com isso, a medula pode não recuperar suas funções após uma lesão, ocasionando a perda dos movimentos e da sensibilidade. O projeto de pesquisa proposto, consiste na utilização de células-tronco para repor as células da medula lesada. Até o momento, não se sabe se o curinga do corpo humano, capaz de se diferenciar em diferentes tecidos, será suficiente para tirar as pessoas da cadeira de rodas. Mas a aposta está feita.

As células-tronco, oriundas da medula óssea, estão presentes no indivíduo adulto e mantêm a capacidade de se diferenciar em outros tipos de células se necessário. O otimismo de Emílio se explica por um simples fato: ele ainda não usou as células-tronco no tratamento. O fato deve ocorrer no ano que vem. "Só com as terapias preliminares, já tive tantos avanços, imagine com as células", afirma, esperançoso.

A melhora do brasiliense até o momento se deve a dois motivos, o avanço da ciência em tratamentos tradicionais contra a paralisia e muita força de vontade. Apesar de não andar há quatro anos e meio, a musculatura dele é muito bem desenvolvida. "Faço fisioterapia sete vezes por semana e não me deixo desanimar. Quero saber que, quando chegar a hora do milagre acontecer, estarei pronto para sair andando."


O QUE SÃO AS CÉLULAS-TRONCO

Elas são a matriz de todas as células e têm, segundo pesquisas preliminares, o potencial de se transformar em qualquer tecido do organismo. Podem continuar se dividindo indefinidamente no laboratório, desde que recebam os nutrientes certos. Essa versatilidade as transformou na grande esperança contra males como o de Parkinson, diabetes, doenças cardíacas e lesão medular. Elas medem 0,5 milímetro e só podem ser examinadas no microscópio


Embriões congelados

Os embriões descartados pelas clínicas de fertilização são fontes de células-tronco. No Brasil, a lei permite essa utilização desde que estejam congelados há pelo menos três anos

Clonagem terapêutica

A idéia é extrair uma célula da pele do paciente e com ela fertilizar um óvulo esvaziado. Feitas sob medida para o paciente, as células não seriam rejeitadas. A técnica, a mesma da clonagem da ovelha Dolly, ainda não está disponível para humanos e é proibida no Brasil

Cordão umbilical

O sangue do cordão umbilical contém células-tronco. Mas um único cordão não fornece células suficientes para tratar um adulto. Seriam necessários vários cordões compatíveis com o organismo do receptor

Células-tronco adultas

Encontradas no sangue, na medula e em outros tecidos. Para extraí-las, não é necessário destruir um embrião. A desvantagem é que são menos versáteis.

Melhora em 60% dos casos

A pesquisa do professor Tarcísio Barros parte do mesmo princípio da maioria dos trabalhos com células-tronco. Do paciente incluído no projeto são mobilizadas e extraídas essas células que, após concentradas, serão reinjetadas no local da lesão. A idéia, já comprovada em pequena escala, é que as células-tronco se diferenciem e recomponham a medula espinhal, restabelecendo sua função.

Uma das grandes vantagens da técnica é a impossibilidade de rejeição, já que o tratamento usa células do próprio paciente. Outro elemento que favorece o andamento da pesquisa é o sucesso em experiências semelhantes realizadas em animais, nos quais as células-tronco cumpriram a função que era esperada. De acordo com a USP, dos mais de 30 pacientes que já receberam a dose de células-tronco, 60% conseguiram restabelecer a passagem de impulso da perna até o cérebro, indicando que as células conseguem algum contato e podem melhorar a sensibilidade.

Experiências de sucesso para tratamento de outros males também foram registradas no país. Em 2004, a USP de Ribeirão Preto iniciou trabalho contra os efeitos da diabetes tipo 1, relacionada à incapacidade de o organismo produzir insulina. O estudo foi o primeiro do mundo e, em quase 80% dos casos, os pacientes pararam de injetar insulina diariamente, apesar de terem que manter as dietas.

Em 2001, o Hospital Pró-Cardíaco, do Rio, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) iniciaram pesquisas com pacientes em estado grave de cardiopatia que tiveram células-tronco extraídas da bacia e injetadas no coração. Muitos melhoraram e alguns deixaram a lista de transplante. Hoje a pesquisa está sendo feita em mais de 2 mil pacientes no maior estudo de células-tronco do mundo, financiado pelos ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia


DOENÇA DE ALZHEIMER 

A doença de Alzheimer (Doença degenerativa do córtex cerebral). É uma anomalia que geralmente se manifesta clinicamente com o comprometimento das funções intelectuais e distúrbios de afeto. Caracteriza-se pela atrofia do córtex cerebral, região encefálica fundamental para as funções cognitivas. Sua evolução causa demência profunda, geralmente num período de 5 a10 anos após o diagnóstico.

Etiologia:

Sua causa ainda é desconhecida pela ciência, mas sabemos que não necessariamente é uma doença hereditária.

Quadro Clínico:

Caracteriza-se por um declínio insidioso, progressivo da memória e de outras funções corticais como linguagem, conceito, julgamento, habilidades visuo-espaciais.

As perdas cognitivas aumentam e o indivíduo evolui até ficar totalmente dependente de outros para a execução de suas atividades mais básicas. Em estágios mais avançados passa a não se alimentar, engasgar-se com a comida e saliva, o vocabulário fica restrito a poucas palavras, perde a capacidade de sorrir, sustentar a cabeça, fica acamado e a morte sobrevém em conseqüência de complicações como pneumonia, desidratação ou sepse .

Estágio Inicial: perda da memória recente, incapacidade de aprender e reter informações novas, problemas de linguagem, labilidade de humor e, possivelmente, alterações de personalidade. Apresenta ainda dificuldade para realizar atividades de vida diária.

Estágio Intermediário: Incapaz de aprender e lembrar de informações recentes. Embora continuem a deambular, devido ao desequilíbrio e a confusão mental, existe o risco de quedas ou acidentes. Inicia quadro de agitação, hostilidade, falta de cooperação ou agressividade física.

Estágio grave ou terminal: Incapaz de andar, totalmente incontinente e incapaz de desempenhar qualquer atividade de vida diária. Podem ser incapazes de deglutir e podem necessitar de alimentação por sonda nasogastrica. Estão em risco de pneumonia, desnutrição e necrose da pele por pressão.

O convívio com a família passa a ser difícil mediante a mudança de personalidade, e as mudanças bruscas e freqüentes de humor.

Tratamento:

Ainda não existe um tratamento preventivo ou curativo para a doença de Alzheimer. Existe uma série de medicamentos que ajudam a aliviar alguns sintomas, tais como agitação, ansiedade, depressão, confusão e insônia.

Tratamento de Fisioterapia Domiciliar:

O ambiente domiciliar é favorável ao tratamento fisioterapêutico, proporcionando ao paciente o conforto do seu lar e o acompanhamento de seus famíliares e cuidadores.

Tem como objetivo habilitar novamente o paciente a desempenhar suas atividades de vida diária, promovendo sua independência. Os principais aspectos da assistência são preventivos, elaborados para manter o indivíduo mais ativo e independente possível.

O fisioterapeuta deve avaliar o domicilio, deixando prático para que o paciente seja capaz de identificar os objetos de primeira necessidade (exemplo: escova de dente, pente, roupas e sapatos), e realizar a ação motora treinada. Realização de modificações ambientais necessárias para segurança do paciente e de modo que esse possa viver em um ambiente o mais aberto possível. Quedas podem ser devido a riscos ambientais o mais (iluminação inadequada, pisos escorregadios, tapetes soltos, etc.). Tais riscos devem ser evitados. Os ambientes devem manter uma apresentação familiar e barras presas na parede e corrimãos devem ser instalados nos locais estratégicos.

O tratamento fisioterapêutico pode começar enquanto o trabalho de diagnóstico está ainda sendo feito. Nos estágios iniciais e médios da doença, a intervenção fisioterápica geralmente pode prolongar a habilidade de movimentar-se com facilidade.

A intervenção fisioterápica para assistir o paciente e treinar os atendentes envolve a facilitação dos movimentos e planejamentos motores e o desenvolvimento ou refinamento de pistas ambientais e cognitivas para ajudar a realizar tarefas complexas.

Objetivos da reabilitação fisioterápica:

- Diminuir a progressão e efeitos dos sintomas da doença;
-
Evitar ou diminuir complicações e deformidades;
- Manter as capacidades funcionais do paciente (sistema cardiorrespiratório);
- Manter ou devolver a atividade de vida diária;
- Evitar contraturas e encurtamento musculares (imobilização no leito);
- Evitar a atrofia por desuso e fraqueza muscular;
- Incentivar e promover o funcionamento motor e mobilidade;
- Orientação sobre as posturas corretas;
- Treino do padrão da marcha;
- Trabalhar os padrões do funcionamento sistema respiratório (fala, respiração, expansão e mobilidade torácica);
- Treinamento de cuidadores e familiares para o maior conforto do paciente;

O tratamento consiste basicamente na fisioterapia motora, que engloba desde exercícios ativos, passivos, auto-assistidos, contra-resistência, isométricos, metabólicos, isotônicos, ou seja, qualquer tipo de movimento é bem vindo no tratamento. Quando chega a uma segunda fase esta patologia, devem-se estimular atividades para que o paciente não fique o tempo inteiro na cama, evitando assim escaras de decúbito, comumente relatadas. Alongamentos e atividades de relaxamento podem ser realizados.

Exercícios para propriocepção e equilíbrio são fundamentais para a desenvoltura do paciente, como exercícios com bastões, bola, descarga de peso gradual, andadores.

Pode realizar atividades em que se estimule o raciocínio do paciente, como atividades de escrever, decorar palavras, nomear objetos, que levam a um estímulo da memória.

Conclusão:

O paciente com Alzheimer necessita de uma reabilitação global, que envolva uma equipe multidisciplinar, buscando a melhoria na qualidade de vida do paciente.
Solidariedade e compreensão dos familiares são fundamentais para o sucesso do tratamento.

Referências Bibiográficas:

SALLES et al. Alzheimer´s Page. http:// www.alzheimer.net.hpg.ig.com.br
SILVA, Carlos Eduardo Lins – O retrato do mal antes da hora. Super Interessante. http:// www.alzheimer-net.hpg.com.br
http:// www.fisioatualizada.hpg.ig.com.br
http:// www.infoviva.hpg.com.br


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