EMOÇÕES POSITIVAS PROTEGEM O CORAÇÃO Pessoas Naturalmente Felizes São Menos Propensas a Desenvolver Doenças Cardíacas afirmou um grande estudo divulgado este mês. Os autores da pesquisa, publicada na maior revista de cardiologia da Europa, o European Heart Journal, defendem que seu trabalho é o primeiro a demonstrar de forma tão indepentente a relação entre emoções positivas e doença cardiovascular. Segundo Karina Davidson, a autora principal da pesquisa, embora se trate de um estudo observacional, os resultados sugerem ser possível ajudar a prevenir doenças cardíacas estimulando pensamentos e emoções positivas nas pessoas. A médica argumentou, no entanto, que ainda é prematuro fazer qualquer recomendação sem testes clínicos que investiguem de forma mais aprofundada o tema. “Precisamos desesperadamente de pesquisas clínicas nesse campo. Se mais testes confirmarem nossos resultados, isso será muito importante para orientar médicos e pacientes sobre como melhorar sua saúde” disse Karina, que é diretora do Centro para Saúde Comportamental Cardiovascular do Centro Médico da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.
Simplificando, pacientes sem afeto positivo tinham um risco 22% superior de sofrer angina e ataques cardíacos em relação aos que tinham escores pequenos na escala de afeto positivo. Estes por sua vez, tinham 22% mais risco de doença cardíaca do que os que tinham escores medianos na escala. “Também constatamos que pessoas usualmente felizes e positivas mantinham o baixo risco de doenças cardíacas mesmo tendo experimentado sintomas de depressão ao longo das avaliações” explicou Karen. Para explicar a proteção cardiovascular conferida pelo afeto positivo os pesquisadores, por enquanto, apenas especulam. Uma das razões levantada pela autora do estudo é: pessoas com afeto positivo conseguem se recuperar mais e melhor de fatores estressantes e podem passar menos tempo revivendo-os – algo que pode causar problemas cardíacos. Ainda que não seja possível garantir o efeito protetor das emoções positivas ao coração Karen arrisca uma sugestão: “assim como a constatação e que o consumo moderado de vinho faz bem ao coração, as pessoas podem acrescentar atividades prazerosas em suas rotinas. Há quem espere pelas duas semanas de férias para se divertir. Seguindo na analogia, isso seria análogo ao consumo excessivo de álcool, o que é prejudicial à saúde. Desfrutar de momentos descontraídos rotineiramente é bom para a saúde mental assim como para a saúde física”. OVÁRIOS POLICÍSTICOS E DIABETES Mulheres com síndrome do ovário policístico têm sete vezes mais risco de ter diabetes e tendem a se tornar diabéticas 10 anos mais cedo que as mulheres normais. O alerta é da Divisão de Ginecologia do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP. Segundo o ginecologista Gustavo Arantes Rosa Maciel, especialista no assunto, o impacto na saúde da mulher é grande, uma vez que a síndrome acomete de 7% a 10 % das pacientes em idade reprodutiva.
CÂNCER É PRINCPAL ALVO DE PESQUISAS CLÍNICAS NO BRASIL Dados de um dos principais bancos de registros de estudos clínicos no mundo, com sede nos Estados Unidos, apontam que a maior parte das pesquisas no Brasil tem como alvo o câncer - com liderança para o de mama -, diabete, doenças do aparelho circulatório e estudos sobre HIV e Aids. Juntos, concentram ao menos 25% dos trabalhos. De 1.613 estudos clínicos (com seres humanos) no país registrados no banco de dados Clinical Trials, mantido pelo governo norte-americano, um terço ainda está recrutando pacientes. Apenas um estudo sobre dengue está registrado.
PESQUISA MOSTRA AUMENTO DA SOBREVIDA EM UTIS DE PACIENTES COM CÂNCER
"Antes as complicações eram vistas como terminais e existia uma discussão se era adequado que esses pacientes ocupassem um dos escassos leitos de UTI", disse Soares, acrescentando que a terapia intensiva e a oncologia são duas das áreas em que a medicina mais avançou nas últimas décadas. Entre os resultados do estudo, descobriu-se que um quinto (21%) dos leitos de UTI são de pacientes internados com câncer. Metade é internada por causa de procedimentos ligados ao tratamento, como pós-operatório de grandes cirurgias, e o restante por complicações agudas decorrentes do tratamento (quimioterapia ou radioterapia) ou por outras razões não relacionadas à doença, como enfarte e diabete. NOVA TÉCNICA PARA BLOQUEAR TROMPAS E EVITAR GRAVIDEZ CHEGA AO BRASIL O Hospital das Clínicas, em São Paulo , testou e aprovou um método que pode facilitar a vida de quem espera por uma laqueadura -- procedimento cirúrgico em que as trompas são ligadas para evitar filhos. Sem cirurgia, os médicos conseguem bloquear as trompas e evitar para sempre uma gravidez. A técnica, já usada em larga escala na Europa e nos Estados Unidos, é mais eficaz que a pílula, o DIU (dispositivo intra-uterino) e a laqueadura tradicional. CHECAGEM ANTES DE CIRURGIA DIMINUI MORTALIDADE EM 47% A adoção de um check-list antes das cirurgias reduz a mortalidade e as complicações pós-operatórias, revela um estudo publicado no "New England Journal of Medicine". Durante o trabalho, foram testadas 19 recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) que fazem parte de uma campanha mundial para cirurgias mais seguras. No Brasil, ao menos 11 hospitais já adotam essas orientações-que também fazem parte das exigências para se obter o selo da Joint Commission International (JCI), entidade norte-americana que certifica serviços de saúde. O Ministério da Saúde prepara uma cartilha com as recomendações para ser distribuída nos hospitais. A pesquisa, realizada entre outubro de 2007 e setembro de 2008, analisou dados clínicos de mais de 3.000 pacientes cirúrgicos --antes e depois da adoção das orientações da OMS-- em oito hospitais de oito cidades de diferentes países (Canadá, Índia, Jordânia, Filipinas, Nova Zelândia, Tanzânia, Inglaterra e EUA). Após o check-list, os pesquisadores verificaram uma redução de 47% na mortalidade operatória --a taxa média era de 1,5% e caiu para 0,8%-- e de 36% nas complicações pós-operatórias --o índice médio era de 11% e caiu para 7%. Entre as recomendações estão questões como perguntar o nome do paciente e questionar a equipe se os instrumentos necessários para o procedimento estão no centro cirúrgico. "As perguntas parecem muito enfadonhas e, de início, os profissionais não acreditam que elas possam fazer alguma diferença. Essa pesquisa vem provar que fazem", afirma Alexandre Siciliano, chefe da Divisão de Procedimentos Cirúrgicos do INC (Instituto Nacional de Cardiologia) e cirurgião do Hospital Pró-Cardíaco do Rio. Há quatro meses, Siciliano ajudou a implantar o check-list no INC e agora iniciou o mesmo processo no Pró-Cardíaco. Na sua opinião, outro dado relevante da pesquisa foi mostrar que a busca por mais segurança nas cirurgias independe de recursos financeiros e tecnológicos. "Basta a conscientização dos profissionais que estão no processo de que é preciso assumir responsabilidades." Ele relata um caso real que exemplifica a situação. Antes de uma cirurgia, ele perguntou à enfermeira se a válvula cardíaca que implantaria no paciente era mecânica. Ela disse que sim, mas, na hora de colocar o aparelho, o médico constatou que ele era de origem biológica, inadequada para o caso. No Hospital Sírio-Libanês, onde o check-list está padronizado há dois anos, a verificação do paciente a ser operado passa por dupla checagem por meio de pulseira com código de barras colocada no braço do paciente. Os dados são checados no quarto e no centro cirúrgico por leitores ópticos. Já o lado ou local a ser operado é marcado com uma caneta especial (cuja tinta permanece durante um tempo na pele) antes do doente ir ao centro cirúrgico, ainda acordado e com a presença do médico. "Apesar de parecer passos óbvios, é comum vermos em jornais ou revistas relatos de pacientes que fizeram cirurgias no braço direito, em vez do esquerdo, por exemplo", diz o cirurgião de cabeça e pescoço Sérgio Samir Arap, gerente médico do centro cirúrgico do Sírio-Libanês. Segundo José Antonio de Lima, superintendente do Hospital Samaritano de São Paulo, o check-list é rotina na instituição desde 2004. Ele afirma que, nesse período, foi observada uma redução em problemas relacionados a materiais e equipamentos durante a cirurgia. "Nos últimos cinco anos, as taxas de infecção no sítio cirúrgico são menores do 1%. Também temos 0% de queimaduras com bisturi elétrico", relata Lima. O Hospital Albert Einstein também diz adotar o check-list como rotina desde 1999.
NOVA CIRURGIA CORRIGE PROBLEMA DE FETO AINDA NA BARRIGA DA MÃE Obstetras do Hospital das Clínicas da USP dominaram uma técnica delicada que pode salvar a vida de fetos com malformação na uretra, o canal que conduz a urina para fora do corpo. A cirurgia, feita com laser e não-invasiva, ajuda os futuros bebês a expelirem o líquido normalmente. Sem essa correção feita ainda na barriga da mãe, eles podem morrer ou, no mínimo, necessitar com urgência de um transplante de rim.
A técnica usada pelos médicos do Hospital das Clínicas envolve uma abertura mínima na barriga da mãe, com apenas 2,2 mm de diâmetro. "Usamos uma anestesia de gravidez nela e também anestesiamos o feto", explica Ruano. É feita uma punção no útero e no bebê, guiada por um endoscópio. "Vamos até o pedacinho da bexiga do feto onde ocorre a obstrução, normalmente formada por uma membrana", conta o obstetra. A situação é bem mais comum em fetos do sexo masculino. Uma vez atingido o local exato, o laser queima essa obstrução e permite que o líquido volte a ser expelido normalmente pelo futuro bebê. O procedimento tem obtido bom grau de sucesso, mas infelizmente, em alguns casos, o canal da uretra simplesmente não se forma, e nessas circunstâncias a cirurgia não é viável. Segundo Ruano, a técnica pode ser aplicada em outros hospitais. "O detalhe é que é preciso ter o instrumental adequado e o treinamento para chegar até a bexiga com precisão, porque são estruturas de dois, três milímetros", diz o obstetra. HomeCare Plus |