PESO NÃO AFETA COMPORTAMENTO SEXUAL DA MULHER

O peso não afeta o comportamento sexual de uma mulher e, na realidade, mulheres gordinhas relatam mais experiências sexuais com homens do que as que são consideradas de "peso normal", segundo um estudo publicado na revista acadêmica Obstetrics & Gynecology. O estudo é baseado na Pesquisa Nacional de Crescimento Familiar 2002, que coletou dados sobre o comportamento sexual de mais de 7 mil mulheres.

O objetivo era avaliar o impacto do Índice de Massa Corporal (IMC) das mulheres no seu comportamento sexual, incluindo aspectos como orientação sexual, idade da primeira relação sexual, número de parceiros e freqüência de relações sexuais. "A nossa análise demonstrou que mulheres gordinhas ou obesas não apresentam muitas diferenças em algumas medidas de comportamento sexual comparadas com mulheres de peso normal", disse Bliss Kaneshiro, da Universidade do Havaí, que realizou a pesquisa quando em conjunto com Marie Harvey, da Universidade do Estado de Oregon, nos Estados Unidos.

"O estudo indica que todas as mulheres devem receber o mesmo tipo de orientação em relação à gravidez indesejada e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, independentemente do IMC delas", afirmou. Segundo Kaneshiro, alguns estudos anteriores sugerem que mulheres que estão acima do peso têm um risco maior de gravidez não planejada. Apesar de vários fatores, incluindo o uso de contraceptivo e sua eficiência, poderem contribuir para isso, comportamento sexual e freqüência das relações sexuais também poderiam contar.

Na opinião de Kaneshiro, é importante estudar a relação entre IMC e comportamento sexual porque idéias pré-concebidas de médicos podem afetar como mulheres gordinhas recebem informações e aconselhamento sobre gravidez e doenças sexualmente transmissíveis. O estudo também parece contradizer estereótipos de que mulheres mais gordinhas não são tão sexualmente ativas quanto as mais magras. "Eu fiquei satisfeita de ver que o estereótipo de que é preciso ser magra para ter sexo é apenas isso, um estereótipo", disse Kaneshiro.

A pesquisadora disse que os dados mostram que as gordinhas relatam mais experiências sexuais com um homem, mesmo quando fatores como idade, raça e tipo de residência foram levados em conta. Noventa e dois por cento de mulheres acima do peso afirmam ter uma história de relações sexuais com um homem, comparado com 87% das mulheres com um IMC normal.

"Os resultados foram inesperados e nós não sabemos porque isso acontece", disse Kaneshiro. A pesquisadora Marie Harvey, que participou do estudo, disse que um aspecto importante da pesquisa é que indica que profissionais da saúde não devem fazer suposições sobre o comportamento sexual de uma mulher com base na sua aparência. "Alguns profissionais podem não fazer um acompanhamento apropriado com mulheres que estão acima do peso porque eles supõem que elas não estão tendo sexo até que recebam informações contrárias", disse Harvey.

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SOCORRO IMEDIATO PODE EVITAR SEQÜELAS DE DERRAME

Nem sempre o AVC é tão cruel --muitas vezes, com sessões de fisioterapia ou fonoaudiologia, é possível recuperar os movimentos perdidos. Mas isso depende de sorte, da região afetada no cérebro e da extensão do dano. O AVC é uma lesão sofrida por um vaso sangüíneo no cérebro. O cérebro coordena todos os movimentos do ser humano e precisa do oxigênio e dos demais nutrientes transportados pelo sangue. Sem essa substância ele não funciona. Quando um vaso responsável por conduzir o sangue ao cérebro se rompe, a substância não circula e se caracteriza o AVC hemorrágico.

Quando o vaso é obstruído por um coágulo que impede a circulação do sangue, ocorre o chamado AVC isquêmico, que é mais freqüente. "Pessoas que já têm problemas de saúde, como hipertensão, diabetes e doenças cardíacas, são as principais vítimas de AVC", conta Sergio Listik, neurocirurgião do Hospital Estadual Brigadeiro.

Os sintomas dependem da região afetada do cérebro, mas os mais comuns são perda repentina da força muscular e da memória, formigamento em um lado do corpo e dificuldades para falar. O tratamento também varia conforme a área afetada, mas o fundamental é que a vítima seja levada imediatamente ao hospital. Quando antes ela for socorrida, maior será a chance de se recuperar sem que restem seqüelas.

Para prevenir o derrame é fundamental tratar adequadamente a hipertensão, o diabetes e as doenças cardíacas, manter o nível de colesterol sob controle, fazer exercícios físicos regularmente, não fumar e não beber exageradamente.

Saiba mais

O que é:
A importância do sangue:
A importância do cérebro:
O AVC (acidente vascular cerebral), popularmente conhecido como derrame, é uma lesão sofrida por um vaso sangüíneo no cérebro.
O sangue circula por todo o corpo levando oxigênio distribuído pelos pulmões e recolhendo substâncias tóxicas que devem ser eliminadas pelo organismo. Se o sangue parar de circular por alguma região do corpo, a vítima sofrerá algum dano --cuja gravidade vai depender da importância que a região afetada tem no funcionamento do organismo.
O cérebro comanda praticamente todas as funções vitais do organismo. A única exceção é o coração, que bate independentemente das ordens emitidas pelo cérebro. Mas, como é este que determina todas as demais ações humanas, se for danificado, não vai adiantar o coração continuar batendo --vai se caracterizar a chamada morte cerebral.

Tipos de derrame:
Isquêmico: Caracteriza-se quando o vaso é obstruído por um coágulo que impede a passagem do sangue. É o mais comum, representando cerca de 90% dos casos. O coágulo pode se formar em qualquer parte do corpo, mas é conduzido pela corrente sangüínea e pode chegar a órgãos vitais como o cérebro e o pulmão

Sintomas:
- Perda repentina da força muscular
- Redução ou perda da visão
- Dificuldades para falar
- Tontura
- Formigamento em um dos lados do corpo
- Alterações da memória

Tratamento:
O paciente consome medicamentos para tentar dissolver o coágulo que obstruiu o vaso sanguíneo

Hemorrágico:
Caracteriza-se quando o vaso sangüíneo dilata e se rompe, provocando sangramento no cérebro

Sintomas:
Além dos sintomas do AVC hemorrágico, a vítima também costuma sentir:
- Náuseas e vômito
- Edema cerebral
- Aumento da pressão intracraniana
- Dor de cabeça repentina e muito intensa --esse sintoma pode ser conseqüência do aneurisma cerebral, problema congênito (a vítima nasce com ele) que torna um vaso sangüíneo mais frágil e, se não for detectado e corrigido a tempo, por meio de cirurgia, provoca seu rompimento

Tratamento:
Em geral o paciente é submetido a cirurgia

Fatores que facilitam a ocorrência de AVC:
- Hipertensão arterial
- Diabetes alto
- Colesterol alto
- Tabagismo
- Consumo exagerado de álcool
- Histórico familiar
- Obesidade
- Falta da prática regular de exercícios físicos
- Estresse
- Enxaqueca
- Uso de pílulas anticoncepcionais
- Aneurisma cerebral
- Distúrbios de coagulação do sangue
- Doenças cardíacas
- Perfil mais comum das vítimas
- Idosos, que tendem a ter arteriosclerose, doença que estreita os vasos sangüíneos
- Pessoas muito estressadas, que não fazem exercícios físicos e tenham taxa elevada de colesterol
- Pessoas que costumam ingerir muita bebida alcoólica --o álcool compromete o fígado, órgão responsável pelos fatores de coagulação do sangue
- Mulheres jovens que têm enxaqueca, tomam pílulas anticoncepcionais e fumam

Como socorrer:
A única providência que um leigo pode tomar é levar a vítima imediatamente a um hospital

Rapidez:
- Se a vítima de AVC chegar ao médico até três horas após o início dos sintomas, a chance de cura é maior, especialmente se o derrame for isquêmico. Por meio de medimentos, é possível dissolver o coágulo que obstruiu o vaso sangüíneo e permitir que o sangue volte a circular normalmente
- Se o atendimento ocorre mais de três horas após os primeiros sintomas, a possibilidade de cura sem seqüelas vai depender da localização e do tamanho da área do cérebro que foi atingida. (23/07/08)

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TURISMO DE SAÚDE NO BRASIL

O fenômeno ainda é recente e, por isso, carece de dados oficiais. Mas os consultórios, clínicas e hospitais brasileiros já sentem seus efeitos e comprovam: aumenta a cada dia o número de estrangeiros que vêm ao Brasil para realizar procedimentos médicos e odontológicos.

Se há dez ou quinze anos era comum brasileiros procurarem tratamentos cardiológicos e oncológicos no exterior, hoje o fluxo se inverteu. "O mundo está divido em países que exportam e países que importam pacientes. O Brasil já faz parte do segundo grupo", enfatiza Alex Lifschitz, sócio da Sphera Internacional, agência especializada no turismo médico. A exemplo de países como Índia, Tailândia, Malásia e Cingapura, que já se firmaram nesse mercado, o Brasil começa a investir no filão.

"O segmento de turismo de saúde é relativamente novo no Brasil. Há dois ou três anos não era enquadrado como turismo", explica Vanilson Fickert, diretor técnico da Secretaria de Esporte, Lazer e Turismo do Estado de São Paulo. "Mas certamente atrai um público significativo e movimenta uma cadeia produtiva muito grande", pontua.

Dados de 2003 do Ministério do Turismo apontam que o estrangeiro que vem ao Brasil por motivos de saúde é o que permanece por mais tempo no país (em média 22 dias) e também o que gasta mais (US$ 120 por dia). Naquele ano, o grupo representou 0,5% dos estrangeiros que desembarcaram por aqui. Em 2005, a porcentagem já chegava a 0,9% (aproximadamente 48,6 mil pessoas).

A São Paulo Turismo, órgão oficial de turismo e eventos da cidade, foi uma das primeiras a detectar esse crescimento e a importância do setor. Em setembro de 2007, lançou um guia de turismo médico, bem-estar e qualidade de vida com informações sobre os principais hospitais, clínicas e laboratórios da cidade.

"São Paulo ocupa uma posição de destaque no cenário médico", afirma o vice-presidente do órgão, Tasso Gadzanis. Para os próximos anos, a intenção da São Paulo Turismo é divulgar a excelência dos serviços de saúde de São Paulo para todos os países da América Latina, enfocando também as possibilidades de lazer que a cidade oferece aos acompanhantes dos pacientes.

"O turismo médico cresce geometricamente no mundo", aponta Lifschitz. Apenas em 2006, 500 mil norte-americanos foram a outros países para cuidar da saúde. Em países como os Estados Unidos, onde cerca de 50 milhões de pessoas não têm cobertura médica, o maior fator de repulsão são os elevados custos dos planos de saúde. Em outros, que contam com medicina socializada, como Canadá e Inglaterra, o principal motivo são as longas filas para alguns tratamentos complexos. Por fim, um terceiro grupo não dispõe de medicina de ponta e exporta pacientes que querem, e podem, bancar os procedimentos mais avançados existentes.

Qualidade do atendimento, prestígio dos profissionais e relação médico-paciente mais calorosa são alguns dos motivos que fazem muitos pacientes optarem por cruzar fronteiras e oceanos para serem atendidos no Brasil. Soma-se a isso, claro, a possibilidade de conhecer lindas paisagens naturais e de desfrutar das ótimas estruturas de compras e gastronomia de diversas capitais.

 

"Nos Estados Unidos e na Inglaterra, entre outros países, o médico é mais distante e o clima, mais formal. Nesses países, a relação médico-paciente é pontuada também pelo medo de expectativas irreais e a preocupação com possíveis processos jurídicos", lembra a dermatologista Ligia Kogos. Segundo ela, o médico brasileiro também é reconhecido no exterior por valorizar as queixas estéticas dos pacientes. "Nos países nórdicos, por exemplo, os médicos são mais parcimoniosos na hora de realizar qualquer intervenção", revela.

Contudo, um dos principais fatores de atração para o Brasil ainda são os preços praticados por aqui. "Em relação aos países da América do Sul, muitas vezes, a diferença de preço não é tão significativa. Já em comparação a países como Portugal e Espanha, essa diferença varia de 30% a 50%, e pode chegar a 100% em relação aos Estados Unidos", calcula Lifschitz.

Muitos estrangeiros vêm ao Brasil apenas para cuidar da saúde. Já outros aproveitam viagens de lazer e negócios, ou mesmo visitas a familiares e amigos, para agendar desde consultas e procedimentos simples, até intervenções mais complexas. São Paulo e Rio de Janeiro ainda são os destinos preferenciais, mas outras capitais, como Salvador, Recife e Curitiba também começam a integrar o circuito médico.

Parte dos pacientes procura os profissionais de renome internacional, mas a maioria ainda chega ao Brasil por recomendação de familiares, amigos e conhecidos que elogiam a qualidade do serviço nacional e os resultados obtidos. Para os que não têm nenhuma indicação, a Internet tem se mostrado uma importante ferramenta na hora da escolha. Para facilitar a comunicação por meio desse veículo, muitos profissionais investem no material disponibilizado online. (08/07/08)

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TRANSPLANTE DE RINS

Nos últimos 11 anos, mais da metade dos transplantes de rins no Brasil foram feitos com órgãos de doadores vivos. Dos 31.587 procedimentos, 17.494 usaram órgãos de doadores vivos, contra 14.093 realizados com rins de doadores mortos. O número corresponde à soma dos balanços anuais da ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos) desde 1997, quando a entidade passou a registrar os transplantes.

Os dados da associação mostram ainda que são desperdiçados ao menos 50% dos órgãos potencialmente aptos a transplantes, em razão das deficiências de notificação dos casos de morte encefálica.

Segundo especialistas, essa diferença é um dado crítico porque o número total de transplantes é bastante baixo, principalmente com doadores mortos. Isso significa que quem não encontra um doador vivo precisa entrar em uma fila que tem, hoje, 35 mil pessoas --a cada ano, são realizados pouco mais de 3.000 transplantes, com os dois tipos de doador.

De acordo com Abrahão Salomão Filho, coordenador do SNT (Sistema Nacional de Transplantes), uma melhora no sistema de captação poderia significar que muitas pessoas não tivessem que tirar um de seus rins para doar.

 

Em 2006, por exemplo, foram 1.768 transplantes de doações por vivos e 1.513 por mortos. Se contarmos que uma pessoa viva pode doar um órgão e a morta, dois, conclui-se que o número de indivíduos vivos envolvidos é ainda muito maior.

Para o presidente da ABTO, Valter Duro Garcia, a possibilidade de menos vivos terem que doar um rim não é tão vantajosa. "Às vezes, o doador vivo é melhor que o doador falecido. Um transplante de um irmão com uma carga genética idêntica vai durar mais de 30 anos sem problema", afirma.

Ele aponta ainda outras vantagens na doação de um vivo, como uma investigação mais profunda do histórico do doador e a possibilidade de fazer a cirurgia com mais calma. Na opinião de Garcia, para equilibrar a fila de espera, o país deveria ter mais doadores falecidos, mas também muitos doadores vivos. "Precisamos de 11 mil transplantes de rim por ano, mas só fazemos pouco mais de 3.000. Para isso, o ideal seria aumentar em quatro vezes o número de doadores mortos e em duas vezes o de vivos."

Ele diz que é necessário melhorar a captação, pois não é possível aumentar muito o número de doadores vivos. "Algumas pessoas não podem doar e a tarefa de encontrar um doador compatível é difícil em outros casos", afirma. Quando um paciente entra na lista de espera, não tem previsão de quando irá para a cirurgia. Isso porque é preciso aparecer um doador compatível e ainda esperar que aqueles que estão há mais tempo na fila exerçam a preferência. (14/06/08)

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ESTUDO PÕE EM XEQUE USO DE BLOQUEADORES ANTES DE CIRURGIAS

Uma pesquisa publicada na revista médica "The Lancet" diz ter detectado perigos graves associados ao uso dos chamados betabloqueadores durante cirurgias. Essa classe de medicamentos tem, entre outras aplicações, a prevenção de ataques cardíacos durante procedimentos cirúrgicos.

No entanto, pesquisadores liderados por Philip Devereaux (na foto), da Universidade McMaster (Canadá), afirmam que eles podem praticamente dobrar o risco de derrames e morte ao longo das operações.

"Se minha mãe fosse para uma cirurgia hoje e recebesse um betabloqueador, posso dizer que ficaria perturbado", afirma Philip Devereaux. "Isso significa que, ao longo da última década, 800 mil pessoas teriam morrido prematuramente e 500 mil sofrido um derrame. O índice de mortes é o de uma guerra mundial", afirmou Devereaux.

Para ser exato, os dados levantados pelos pesquisadores indicam que os betabloqueadores fazem o risco de derrame (acidente vascular cerebral) de 0,5% para 1% e o de morte de 2,3% para 3,1% durante cirurgias.

 
O uso dessas drogas é recomendado pelo Colégio Americano de Cardiologia, mas, segundo a nova pesquisa, elas poderiam reduzir catastroficamente a pressão arterial dos pacientes operados. Outros pesquisadores afirmam que é preciso levar em consideração o uso dos betabloqueadores caso e caso, além de considerar que o número de 800 mil mortes proposto pelos cientistas canadenses está superestimado.

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CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VAI PROIBIR PLÁSTICA NO CREDIÁRIO

O Conselho Federal de Medicina (CFM) editou uma resolução que proíbe médicos de se associarem a intermediadoras que parcelam o pagamento no crediário. A medida deve ser publicada em Diário Oficial na próxima semana, e a punição vai de advertência confidencial a cassação do registro profissional.

Espalhadas por todo o país, as intermediadoras se reúnem na tarde desta quarta-feira (12/03), em São Paulo , para discutir a criação de uma associação e as medidas jurídicas a serem tomadas em resposta à medida do CFM. Já são cerca de cem empresas deste tipo em atuação no mercado.

“Esse mercado competitivo na área médica fez com que empresas que visam o lucro intermediassem o trabalho, intervindo na relação médico-paciente. Muitas vezes o médico só vai ver o paciente na hora de operar. A resolução proíbe que os médicos se associem, sejam credenciados e indicados por essas empresas. Não para proteger médico, mas o paciente”, afirma o vice-presidente do Conselho, Roberto Luiz d'Ávila.

Segundo o CFM, médicos dos conselhos de todos os estados se reuniram para editar a resolução a partir de problemas levados por pacientes aos conselhos regionais. Ao todo, são cinco as punições previstas: advertência confidencial, censura confidencial, censura pública (com publicação em jornal), suspensão por 30 dias e cassação.

 

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QUANDO LEVAR O BEBÊ PARA TRATAMENTO DE URGÊNCIA?

Especialistas em pediatria publicaram, na revista médica The Lancet, um checklist para identificar sete sintomas e sinais de doenças graves que acometem bebês antes dos dois meses de idade, que requerem tratamento de urgência em hospital e que podem ser reconhecidos por mães, babás ou profissionais da área de saúde.

Cerca de quatro milhões de bebês morrem no mundo antes de completarem um mês. Três quartos deles morrem antes da primeira semana de vida - principalmente por doenças infecciosas, complicações do parto e prematuridade.

Em artigo publicado na revista médica The Lancet, os especialistas criaram uma lista de sete sinais e sintomas que auxiliam na identificação de doenças graves que podem acometer bebês antes dos dois meses de idade.

Os sete sinais e sintomas são:

  1. Dificuldade para se alimentar

  2. História de convulsão Movimentação presente apenas quando o bebê é estimulado

  3. Freqüência respiratória igual ou acima de 60 movimentos respiratórios por minuto

  4. Respiração realizada com esforço, caracterizada por movimentos torácicos severos

  5. Temperatura axilar acima de 37,5° Celsius

  6. Temperatura axilar abaixo de 35,5° Celsius

Martin Weber, da Organização Mundial de Saúde de Jakarta, afirma que a mortalidade infantil pode ser reduzida apenas quando cuidados médicos estão disponíveis para o atendimento de crianças. Para isso é essencial que as famílias saibam reconhecer estes sinais de gravidade e encaminhem ao hospital os bebês que precisam de assistência médica imediata.

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DESEMPENHO DOS HOSPITAIS NA VISÃO DO PACIENTE, COMO MEDIR?
UMA VISÃO EXTERNA PARA MEDIR O DESEMPENHO E CONFIABILIDADE DOS HOSPITAIS

Por: Felipe Botto, Gerente da Solving International

Uma visão gerencial estratégica foi desenvolvida nos anos 90 por Robert Kaplan e David Norton, com o nome de “Balanced Scorecard” .  Reconhecendo alguma das fraquezas e visão vaga do gerenciamento da época, o balanced scorecard fornece uma clara prescrição de como as empresas devem medir “para balancear” a perspectiva financeira com a estratégia da empresa.

O balanced scorecard (BSC) é um instrumento de planejamento e gestão, um sistema gerencial (não somente um sistema de medição), que permite às organizações esclarecer suas visões e estratégias, além de divulgar claramente os objetivos para traduzir em ação. Fornece um feedback e uma revisão geral em torno dos processos internos do negócio e dos resultados externos, a fim de melhorar continuamente o desempenho e os resultados estratégicos. Quando desdobrado inteiramente, o scorecard transforma o planejamento estratégico de um exercício acadêmico no centro nervoso da empresa.

A metodologia sugere que a organização seja vista em quatro perspectivas:

  • Financeira: Como os sócios a vêem? Como é possível diminuir os custos e aumentar os lucros? Como podemos atingir os objetivos financeiros?
  • Cliente: Como os Clientes a vêem / Como deve ser percebida pelos clientes? Eles estão satisfeitos?
  • Processos Internos: Em que processo do negócio a empresa deve ser perfeita? Quais devem ser melhorados? Quais devem ser terceirizados?
  • Aprendizado e Crescimento: Que habilidades desenvolver para a melhoria dos processos? Como manter a habilidade em mudanças?

Quinze anos mais tarde, milhares de empresas têm seus BSC implantados, revisados, refinados e constam como uma das principais ferramentas de gestão da empresa. Algumas foram adiane e implantaram um conceito de gestão mais robusto, chamado de Pilotagem Estratégia.

Em hospitais, a utilização do BSC ou da Pilotagem Estratégica está muito embrionária, mas a intenção do artigo é mostrar a atual necessidade da visão externa dos hospitais (uma visão de fora para dentro, de nós, clientes, para os indicadores dos hospitais).

Para isso, seria importante propor uma medida, indicador ou um ranking para que clientes, Governo, empresas de auto gestão de saúde, planos de saúde avaliassem melhor o desempenho e confiabilidade dos hospitais, como temos hoje as estrelas para hotéis (antes feita pela Embratur ou Guia Quatro Rodas), restaurantes (Guia Michelin), fundo de investimentos (Andima, Bacen, Valor, Exame), instituição de ensino (Enem e Mec), previdência privada entre outros.

Se analisarmos melhor as perspectivas do Cliente e de Processos Internos de um hospital, com certeza, teremos indicadores para medir e acompanhar, como por exemplo: tempo de espera de atendimento, satisfação dos pacientes, infra-estrutura, taxa de infecção hospitalar, retorno do paciente, taxa de ocupação, etc.

Hoje, poucas empresas de auto gestão e planos de saúde negociam acordos de nível de serviço complexos (ANS, vindo do inglês Service Level Agreement – SLA ) com clínicas e hospitais contemplando esses indicadores, mas o processo ainda se encontra em estado inicial e individualizado. A melhor alternativa seria algo com ampla divulgação, que possa ser consultado por toda população, de simples visualização para assim identificarmos em que nível de hospital estaríamos sendo atendidos, um 5 estrelas ou um sem classificação, um cor verde ou vermelha.

Como sugestão, poder-se-ia, inicialmente trabalhar em uma metodologia que cubra hospitais de todas especialidades e avalie os três aspectos-chave para os clientes: (1) qualidade do tratamento, (2) satisfação do paciente e (3) investimentos.

A qualidade do tratamento (1) mede os resultados clínicos. Usa a relação matemática de taxa de mortalidade, retorno ao hospital, infecção hospitalar, junto à idade, o sexo e o diagnóstico dos pacientes admitidos.

A satisfação do paciente (2) mostra o grau de satisfação com o tratamento, envolvendo: acomodações, atendimento, cuidados, conforto, tempo de espera, recuperação, medicamentos e serviços utilizados.

Investimentos (3), mede o quanto é investido no hospital sobre a receita anual (no caso dos hospitais públicos, deve-se apresentar uma fórmula matemática diferente).

Assim, para a concretização da metodologia de “ranking”, o melhor caminho seria uma proposta do Governo (Ministério da Saúde), união de empresas filiadas à Unidas ou a grandes operadoras de saúde. Em resumo, vale ressaltar a importância de externalizar os indicadores hospitalares para que pessoas jurídicas e físicas possam escolher melhor seus tratamentos.

Por Felipe Botto , fbotto@solving-int.com , gerente senior da Solving International

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TEMPO MÉDIO EM UTI'S TEVE AUMENTO DE UM DIA

De acordo com dados do Sistema QuaTI, em 2005 a permanência média foi de 5,7 dias e em 2006 subiu para 6,7. A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), acaba de divulgar dados do Sistema QuaTI (Qualidade em Terapia Intensiva), que revelou o aumento de um dia no tempo médio de internação nas UTIs brasileiras. O Sistema QuaTI (Qualidade em Terapia Intensiva) analisa um conjunto de indicadores que refletem o funcionamento das unidades de terapia intensiva.

De acordo com os dados, em 2005, as UTIs registraram permanência média de pacientes de 5,7 dias enquanto que em 2006 esse número subiu para 6,7. A taxa mediana de permanência das UTIs públicas é de 9,2 dias enquanto que nas particulares é de 5,6. Segundo Marcelo Moock, diretor da AMIB, um dos fatores que dificulta a redução da permanência é a falta de um caminho intermediário para transferir os pacientes que recebem alta das UTIs, mas que ainda precisam de cuidados especiais.

A AMIB se manifesta afirmando que não concorda com a implantação das semi-intensivas ou unidades de cuidados intermediários em hospitais que não dispõem de UTIs. A entidade acredita que o papel da semi-intensiva é reduzir o tempo médio de permanência nas UTIs. Assim a considera um recurso útil, desde que o hospital disponha de leitos suficientes de tratamento intensivo. 

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SEIS HOSPITAIS BRASILEIROS ENTRE OS MELHORES DO MUNDO

Seis hospitais brasileiros, sendo dois públicos, conquistaram a principal certificação de saúde do mundo, o selo da Joint Commission International (JCI), entidade norte-americana que certifica serviços de saúde em mais de 60 países. Nos EUA, os pacientes usam esse selo como parâmetro ao escolher um hospital. O processo de certificação dura em média dois anos. São avaliadas centenas de itens, como o prontuário do doente e a capacitação de funcionários. O serviço é reavaliado a cada três anos.

O principal diferencial em relação a outras certificações é o foco na assistência e na segurança dos pacientes, não se limitando ao parque tecnológico. O hospital Albert Einstein, de São Paulo, foi a primeira instituição fora dos EUA a obter o título da JCI, em 1999, e foi recertificado três vezes. Também conquistaram o selo o Hospital do Coração (HCor) e o Samaritano, de São Paulo, o Moinhos de Vento, de Porto Alegre, e dois hospitais públicos do Rio, HemoRio e o Instituto de Traumatologia e Ortopedia.

Ainda foram certificadas três unidades ambulatoriais da Amil. O hospital Sírio Libanês (SP) está entre os cinco que devem obter o selo até dezembro. Uma das metas da acreditação é reduzir o número de mortes. Nos EUA, estima-se que 100 mil pessoas morram por ano por erros de medicação.

Para atingir essa meta, os hospitais passam por grandes mudanças. No HCor, por exemplo, os psicotrópicos, drogas mais envolvidas em erros, ficam em um cofre. Só pessoas autorizadas têm a senha, e o lote é checado a cada plantão. "Não dá para facilitar. É preciso ter toda a documentação sobre o medicamento", explica Pedro Mathiasi Neto, vice-diretor médico do HCor. Ainda para evitar erros de medicação, o HCor, o Samaritano, o Einstein e o Moinhos de Vento informatizaram todo o processo de prescrição, alguns com o uso de palm tops.

O remédio já sai personalizado na farmácia do hospital, com o nome do paciente, posologia, horários etc. No leito, a enfermagem checa todos os dados. No Einstein e no Samaritano, os pacientes usam pulseiras com um código de barras onde as informações são rechecadas.

Evitar a operação de membros errados é outra preocupação. No Einstein, os pacientes chegam ao centro cirúrgico com o local da cirurgia já demarcado. "O médico checa, o enfermeiro pergunta e o paciente informa. Isso garante que o paciente certo seja submetido à cirurgia certa, no local certo", diz Claudio Lottenberg, presidente do hospital. Essa situação parece incomum, mas não é. Em 2006, do total de eventos que acabaram em morte ou lesões sérias nos hospitais americanos, 13,1% foram cirurgias em local errado.

Cinco milhões de pessoas morrem no mundo por ano por falhas em medicação e outros processos dentro do hospital. Procedimentos precisam de autorização do paciente ou da família e resultados de exames passam por dupla ou até tripla checagens. Os hospitais certificados pela JCI integram hoje uma corrente mundial que tem como meta evitar 5 milhões de mortes por ano de pessoas vítimas de erros de medicação e de outras intercorrências dentro do hospital. Segundo a médica Maria Manuela dos Santos, superintendente do CBA (Consórcio Brasileiro de Acreditação), que representa a JCI no Brasil, essa realidade só muda quando se cria uma cultura de medição e avaliação permanente nos serviços de saúde. "Na maioria das vezes, a culpa não é de um indivíduo, mas de todo um processo malfeito e mal-elaborado."

No HCor, o processo de certificação terminou com a contratação de 160 novos funcionários e com a equipe ainda mais motivada, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas. "Não é um processo que a gente obriga as pessoas a fazer. Temos que convencê-las da participação", diz Antonio Carlos Kfouri, superintendente do HCor. Uma medida importante adotada por todos os hospitais certificados foi a documentação do termo de consentimento informado -todo procedimento a que for submetido dentro do hospital, o paciente e o familiar precisam ser informados e concordarem com ele.

Para os resultados de exames também há duplas ou triplas checagens. Se o resultado passado por telefone der alterado, a informação é repetida duas vezes pelos interlocutores e precisa ser confirmada por uma terceira testemunha. O mesmo rigor se aplica ao controle da infecção hospitalar. Na UTI pediátrica do HCor, o índice de infecção por cateteres foi reduzido em três vezes após o processo de certificação. "Quanto mais tempo uma criança permanecer com a sonda urinária, maior é a chance dela ser infectada. Então, todo dia a equipe que passa pelo leito faz a pergunta: essa criança precisa mesmo desta sonda? Muitas vezes, a sonda poderia ter ficado apenas um dia e ficava dois ou três", diz o médico Pedro Mathiasi Neto, do HCor.

No hospital Moinhos de Vento, a taxa de consentimento informado passou de 39%, em 2004, para 79,1%, em 2006. Outra mudança foi o registro único do paciente. Antes, criava-se um prontuário cada vez que o doente era internado.
No hospital Samaritano, o processo de certificação levou também a uma revisão na atuação dos funcionários. Antes dele, por exemplo, só 27% da enfermagem trabalhava na assistência do doente. O restante estava envolvido em atividades administrativas. Hoje, 61% estão focados na assistência.

Segundo José Antonio de Lima, superintendente do Samaritano, a média de permanência do doente no hospital passou de 4,7 dias para 3,7 dias, o que também leva a uma diminuição dos riscos de infecção. As três unidades ambulatoriais da Amil, chamadas de Total Care, certificadas pela JCI, tratam de pacientes crônicos, como diabéticos e hipertensos. As unidades têm equipes de cardiologistas, endocrinologistas, enfermeiros, nutricionistas, entre outros, além de biblioteca com acesso à internet e um auditório para palestras. Segundo Valter Furlan, gerente do Total Care Amil, o processo de certificação propiciou um aumento da adesão dos doentes ao tratamento. "O paciente ia à consulta médica e depois sumia do radar."

Em dois anos, o índice de adesão ao tratamento subiu de 50% para 87%. O ponto central do tratamento é manter indicadores médicos (colesterol, glicemia e pressão, por exemplo) sob controle. Organizar uma fila de 10 mil pessoas à espera de tratamento ortopédico e colocá-la na internet para o usuário acompanhar as chamadas por ordem cronológica. Foi uma das conquistas do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), hospital do SUS que fica no Rio, com a certificação da Joint Commission International.

O processo de certificação durou quatro anos e envolveu 1.400 profissionais do instituto. Entre as mudanças, houve a democratização da gestão, a criação de fóruns de discussão e a implantação de diversos novos processos e quantificação de resultados, comparando-os aos de outras instituições consideradas de excelência. Segundo Isabela Simões, chefe da divisão médica e coordenadora da acreditação hospitalar do Into, outro ponto fundamental do processo foi um maior monitoramento da dor do paciente. "Antes, isso era feito só se o paciente pedisse."

A educação do paciente e a checagem se as informações foram compreendidas pelo doente também foram novidades no instituto que vieram com o selo. "Ele precisa entender o termo de consentimento, saber como será a reabilitação e os remédios que precisa usar." A educação também é extensiva ao acompanhante do doente. "Ele é orientado a não ajudar o vizinho para não levar infecção para o outro. Tem que chamar a enfermagem e a enfermagem tem que atender."

O processo de acreditação levou o hospital a rever hábitos. Não era incomum, por exemplo, doentes crônicos deixarem de lado a medicação que tomavam em casa enquanto se recuperavam de uma cirurgia no hospital. Agora, a atenção está redobrada. O Hemorio (instituto estadual de hematologia) foi o primeiro hospital público do país a conquistar o selo da JCI, ainda em 2000. De lá para cá, já foi recertificado três vezes. Segundo Clarisse Lobo, diretora-geral do Hemorio, antes do selo, várias normativas não estavam bem estabelecidas nas relações médico-paciente. "A necessidade de pactuar com o paciente o que vai ser feito como terapêutica e o nível de sofrimento não eram situações culturalmente implantadas."

Ela afirma que, mesmo com a continuidade do processo de qualidade hospitalar, não se pode garantir que não haja erro. "Os seres humanos são falíveis. O importante é documentar, garantir que ele [o erro] seja rapidamente identificado e que pessoas que participam do processo cuidem para que ele não aconteça de novo." Lobo faz um paralelo do erro dentro do hospital ao acidente entre o jato Legacy e o Boeing 737-800 da Gol, em setembro último. "É uma sucessão de erros. Se o processo não for corrigido, corre-se o risco de voltar a acontecer. Em vez de esconder debaixo do tapete, é preciso sentar, corrigir e monitorar a situação. É a única saída." Entre as mudanças ocorridas no hospital, foram colocadas cortinas de separação entre as enfermarias para garantir privacidade aos doentes, e as camas ganharam grades para evitar quedas.

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HOSPITAIS PAGAVAM ATÉ CEM VEZES MAIS CARO

A Secretaria estadual de Saúde e Defesa Civil determinou um corte de cerca de 92% no teto de verbas repassadas às 32 unidades hospitalares para compras de emergência, o chamado Rede/FES. O valor, que podia chegar a RS 9,6 milhões por mês, agora será de no máximo R$ 817 mil. De acordo com o subsecretário estadual, César Vianna, o dinheiro estava sendo usado pêlos diretores de hospitais para fazer compras sem qualquer tipo de licitação.

O preço de um mesmo produto podia variar de hospital para hospital em mais de cem vezes. O secretário de Saúde, Sérgio Cortes, pediu uma auditoria do Ministério da Saúde sobre as compras hospitalares. Pela norma, publicada ontem no Diário Oficial, o maior teto era o do Hospital de Saracuruna, que baixou de R$ 866 mil para R$ 50 mil. O valor é o mesmo dos hospitais Getúlio Vargas, Carlos Chagas, Azevedo Lima, Albert Schweitzer e Pedro II, que tinham teto de R$ 800 mil.

Raramente os hospitais recebiam o teto. O valor variava entre RS 400 mil e RS 600 mil por mês. Em alguns casos, eram pagas até 14 parcelas por ano. Segundo César Vianna, não é possível avaliar se vai haver economia com o novo sistema:
— As unidades estavam tentando se manter apenas com esta verba, o que não é possível. O Rede/FES vai voltar a ter sua destinação, compras realmente de emergência. O fornecimento será feito pela secretaria, de forma mais racional.
O Rede/FES foi implantado em 2000 para pagar pequenas compras emergenciais das unidades. Mas, a partir de 2005, o governo ampliou o teto para que os diretores dos hospitais fizessem todas as compras diretamente, fugindo assim dos processos de licitação. Segundo César Vianna, a queda no valor não vai prejudicar o funcionamento dos hospitais e, mesmo as pequenas compras. terão que ser feitas pelas normas da lei de licitações.
— Tem que fazer pesquisas de preço, com três diferentes fornecedores nas compras. Nada disso era feito. As compras eram sem licitação. O diretor dava a amigos e não havia controle nenhum. Não sabemos nem se o que era comprado era realmente entregue — afirmou o subsecretário. 

Segundo ele, foram encontradas diferenças de preços absurdas. Um mesmo produto, numa unidade, foi comprado por RS 0,19 e em outra por R$ 19, cem vezes mais caro. Como o dinheiro era do Ministério da Saúde, o governo encaminhou para lá as notas fiscais referentes às compras feitas pelas unidades. O atual secretário se recusou a assinar as notas dos últimos dois meses.

O ex-deputado estadual Paulo Pinheiro, atualmente assessor parlamentar do PPS, fez uma representação ao Ministério Público no ano passado para que investigasse as compras do Rede/FES. Segundo ele. quando a prefeitura do Rio implantou o mesmo sistema, as compras ficaram mais caras, segundo um relatório do Tribunal de Contas do Município. Pinheiro alerta que alguns diretores responsáveis pelas compras sem licitação no governo anterior permanecem nos mesmos cargos:
— O fato chegou ao absurdo de os fornecedores só quererem vender ao estado diretamente aos hospitais. Havia fatos inusitados. Numa mesma semana, uma unidade estava com o almoxarifado cheio de remédio, e outra, sem nada.
O GLOBO entrou em contato com Fernando Peregrino, ex-secretário estadual do Gabinete Civil, que pediu para analisar melhor as informações do decreto antes de se pronunciar.

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IDOSOS SÃO NEGLIGENCIADOS NA INTERNAÇÃO

Filas de espera por vagas nas UTIs adultos têm penalizado principalmente os pacientes idosos. Quatorze pacientes aguardavam, na fila de espera por uma vaga nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) nos hospitais públicos de Fortaleza (CE). O ponto de estrangulamento foi com relação aos pacientes portadores de Acidente Vascular Cerebral (AVC), que correspondem a mais da metade da demanda não atendida.

Com isso, pacientes idosos estão muito mais negligenciados nas internações de alto risco, que além de serem acometidos de derrames são encaminhados aos hospitais terciários com complicações múltiplas associadas a diabetes, traumas e canceres. Os números são da Central de Internação do Município, responsável pela regulação dos pacientes com indicações para leitos de UTIs. A maior demanda era para o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), com oito pacientes; o Instituto Dr. José Frota (IJF), com quatro; um no Frotinha de Parangaba e mais um para o Hospital Nossa Senhora da Conceição, no Conjunto Ceará.

O coordenador de Políticas Públicas de Saúde do Município, Alexandre Mont´ Alverne, disse que o quadro demonstra uma defasagem maior para os portadores de AVC. Ele lembrou que é comum nesta época do ano o registro de maior carência para as UTI Neo-Natal, em função do aumento de partos prematuros.

Segundo Mont´ Alverne, o número de pacientes na lista de espera está próximo do sinal de alerta, em que é 20 de paciente na fila por leitos. No entanto, ressalta que está muito abaixo da crise das UTIs, registrados em 2003, quando a lista de espera chegou a mais de 40 pacientes por dia.

“Não é certo que haja um paciente sequer à espera de uma vaga na UTI, mas o que é mais revelador é a grande carência para os atendimentos de AVC e trauma”, disse o coordenador de Políticas Públicas de Saúde. Segundo Mont´ Alverne, a fila de espera poderia ter sido atenuado se o HGF tivesse já inaugurado sua nova UTI. Ele explica que a Central de Internação do Município leva em conta em seus registros os doentes que não podem ser transferidos para outras unidades hospitalares, quer pela complicação das enfermidades, quer pela qualificação do hospital, quanto à manutenção de uma especialidade médica no nível terciário.

Na sua opinião, os números atuais apontam para a necessidade de uma maior atenção de políticas públicas de saúde voltadas para idosos, com a oferta de mais leitos nas unidades intensivas, bem como de maior número de profissionais especializados no atendimento ao público desse perfil.

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BRASIL SERÁ A SEDE DO CONGRESSO DA IHF EM 2009

O Brasil conquistou o direito de sediar o Congresso Mundial da International Hospital Federation (IHF) em 2009. O anúncio do país vencedor foi feito durante a reunião anual do Conselho Diretor da entidade em Ferney-Voltaire, na França, com a presença do presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNS), Dr. José Carlos de Souza Abrahão, e do vereador Ivan Moreira, presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro - cidade onde o evento será realizado -, este último representando o prefeito César Maia.

Os congressos mundiais da IHF reúnem líderes da área de saúde de 85 países e costumam contar com a participação de mais de 1.500 profissionais das mais diversas áreas deste setor. O programa do Congresso Mundial de 2009 será anunciado durante o próximo Congresso da IHF, marcado para acontecer em Seul (Coréia do Sul), em novembro deste ano.

Esta é a primeira vez que o país abrigará um evento deste porte na área. Para tanto, o Brasil concorreu com Portugal (Lisboa) e Emirados Árabes (Dubai) e, na final, venceu Dubai por 12 votos a 5. Os últimos congressos foram realizados na França (Nice) em 2005 e nos Estados Unidos (São Francisco) em 2003. Os congressos mundiais da IHF acontecem tradicionalmente a cada dois anos.

“ Países como o Brasil, a Argentina e o México integram hoje o Conselho da IHF e vêm participando ativamente das ações da entidade. Nada mais justo do que sediarmos um evento deste porte, o que trará grande visibilidade para os países latino-americanos ”, declarou o presidente da CNS e membro do board da IHF, José Carlos Abrahão . O dirigente disse ainda que, durante o evento, será analisada a situação atual dos serviços de saúde no Brasil e no cenário mundial, bem como projetado o seu processo de desenvolvimento para a próxima década.

A comitiva que representou o Brasil na reunião da IHF na França retorna ao país ainda esta semana, quando já pretende dar início aos preparativos para o evento de 2009: “Vamos começar o nosso trabalho agregando os outros países da América Latina e também todo o conselho da IHF. Nossa proposta é realizar um congresso forte e muito representativo, que debaterá o futuro da saúde no Brasil, na América Latina e em todo o mundo”, afirmou José Carlos Abrahão .

Retrospectiva:

A candidatura do Brasil à sede do Congresso Mundial de Hospitais de 2009 foi oficialmente apresentada ao Conselho Diretor da IHF durante o Congresso de Nice em 2005 e defendida em maio de 2006, na França, pelo presidente da CNS e membro do board da entidade, Dr. José Carlos Abrahão , e pela presidente da Hospitalar e também associada à entidade, Dra. Waleska Santos .

Em outubro do ano passado, o presidente da IHF, Gérard Vincent , esteve no Rio de Janeiro acompanhado de sua comitiva a fim de conhecer a cidade, os possíveis locais para a realização do Congresso de 2009 e avaliar a infra-estrutura para o evento.

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FUNDO IMOBILIÁRIO FINANCIA EXPANSÃO DE HOSPITAL

O Grupo Nossa Senhora de Lourdes, proprietário de dois hospitais na Zona Sul de São Paulo, lançou mão de fundos de investimentos imobiliários para financiar sua expansão sem depender de empréstimos bancários. Ao desmobilizar o capital investido em seus prédios, a empresa ganha fôlego para expandir. A empresa já havia recorrido a uma operação semelhante há seis anos, quando criou o primeiro fundo imobiliário hospitalar para ampliar o Hospital da Criança. O sucesso da primeira iniciativa, no valor de R$ 4 milhões, fez com que o grupo criasse novo fundo, agora no valor de R$ 88 milhões, estruturado pela Brazilian Mortgages, sob a coordenação do Banco Ourinvest.

Dividido em três etapas, o fundo de investimentos imobiliário Hospital Nossa Senhora de Lourdes foi lançado em dezembro último na Bolsa de Valores de São Paulo. "Em apenas dois dias, foram vendidos cerca de R$ 30 milhões em cotas", afirma Rosângela Sinisgalli, diretora comercial da empresa. O objetivo do fundo é a venda da totalidade do imóvel do Hospital Nossa Senhora de Lourdes. Nesta semana, o grupo fez a oferta pública da segunda etapa, com valor de R$ 35,4 milhões. São 300 mil quotas, ao preço unitário de R$ 118,00, com remuneração prevista de 1,1% ao mês, sem o imposto de renda, decorrente de aluguel pagos pelo hospital, em um contrato de 20 anos, prorrogáveis. "Os recursos da primeira fase do lançamento foram utilizados para saldar as dívidas bancárias do hospital", explica.

Já a segunda fase será utilizada para viabilizar o projeto de ampliação do complexo de saúde com a construção de um novo prédio. A expansão - que receberá investimento de R$ 30 milhões - será feita em etapas. A previsão é de que a primeira torre esteja pronta até outubro de 2007. A segunda fase, de conclusão da segunda torre, deve ocorrer apenas em 2008. O restante de recursos provenientes da última fase de lançamento das quotas - de aproximadamente R$ 28 milhões - será voltado para investimentos em modernização e compra de equipamentos.

Fundado há 48 anos no Jabaquara pelo médico Cícero Aurélio Sinisgalli, hoje presidente da empresa, o Grupo Nossa Senhora de Lourdes reúne 10 empresas coligadas na área da saúde, entre elas o Hospital Nossa Senhora de Lourdes e a Maternidade e Hospital da Criança, o plano Saúde Medicol (45 mil associados), o Centro de Medicina Integrada (42 consultórios), Interlar Home Care (2,4 mil internações e monitoramentos por ano) e o NSL Núcleo de Desenvolvimento Profissional (450 alunos formados e em formação). No ano passado, o grupo alcançou faturamento de R$ 185 milhões, 10% superior à receita de 2005 e um Ebitda (capacidade de geração de caixa) de 16,6% sobre a receita bruta.

De acordo com Rosângela Sinisgalli, o crescimento é resultado da nova estratégia de divulgação do hospital, criada em 2005. "Até então, foi o boca-a-boca que tornou a empresa uma referência na região Sul de São Paulo", diz. "Inicialmente fizemos campanhas institucionais para divulgar os serviços do grupo. Agora estamos investindo para mostrar cada unidade, a começar pelo Hospital da Criança." Hoje, 2% de seu faturamento é voltado para as ações de divulgação.

Para 2007, a meta é ultrapassar a barreira de R$ 200 milhões de faturamento, com previsão de investimentos da ordem de R$ 10 milhões. Além da ampliação do hospital geral, que receberá R$ 4 milhões, serão investidos mais R$ 1,7 milhão no Centro de Diagnóstico, R$ 1,8 milhão na Angiodinâmica (3 mil exames e procedimentos por ano), R$ 700 mil no Lithocenter (5,4 mil procedimentos urológicos por ano) e R$ 1,7 milhão no Hospital da Criança.

Para crescer e dobrar a capacidade de atendimento, o Nossa Senhora de Lourdes vai expandir sua área para 23 mil m², sendo 12 mil m² do novo prédio, além da reforma de 11 mil m². As obras de ampliação, que já começaram, serão desenvolvidas durante dois anos. A meta da empresa é aumentar a capacidade de atendimento, hoje com ocupação saturada de 80% a 90%, dos leitos. "Faremos incrementos na área de hotelaria, para obter uma diferenciação nos padrões dos apartamentos, já que os hospitais atendem a diversos públicos", comenta a executiva. Com isso, o Grupo Nossa Senhora de Lourdes ficará com uma capacidade operacional de cerca de 400 leitos. Serão 150 apartamentos e 17 salas de cirurgia; hoje são apenas sete.

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PLANO DE SAÚDE DE ÓRGÃO PÚBLICO TEM NOVAS REGRAS

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou as novas regras para o segmento de entidades de autogestão planos de saúde, em geral, vinculados a órgãos públicos. Com isso, a estatal busca maior segurança para os 5,4 milhões de usuários em todo o País, 190 mil deles no Estado, e mais transparência nas contas dessas empresas. Ao mesmo tempo, os representantes das operadoras temem pelo desequilíbrio nas contas das autogestões, visto que a ANS agora exige garantias financeiras, através da constituição de um fundo de reserva. Algumas entidades podem não conseguir cumprir as garantias, podendo ser obrigadas a sair do mercado e deixar sem cobertura seus usuários.

Apesar de parecer um temor distante, o desequilíbrio financeiro já é uma realidade em algumas empresas do segmento. A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi), com 680 mil usuários em torno de 24 mil deles no Estado , vive uma crise financeira desde 1998. E fechou o ano passado com um déficit aproximado de R$ 50 milhões.

Para o presidente do Grupo de Empresas de Autogestão em Saúde (Gremes), Sérgio Sônego, a maior preocupação é justamente com os fundos de reserva. O Gremes reúne 23 autogestões no Estado. “Antes, não precisava das garantias. Agora a situação das empresas vai ficar muito difícil.” Apesar de não mencionar qual o montante de recursos destinado ao fundo, a ANS determinou que as operadoras devem adaptar-se à resolução em 90 dias, com prazo prorrogável por igual período.

“A expectativa é que todas se adeqüem à resolução. A RN nasceu de várias reuniões e recebeu cerca de 1.300 contribuições, muitas incorporadas. As autogestões que não conseguirem se adequar não têm condições de operar no mercado”, rebate o diretor de Normas e Habilitação de Operadoras da Agência, Alfredo Cardoso. Ele diz que o processo deve ser encarado com tranqüilidade. “O que houve foi uma atualização, uma melhor regulamentação para melhor regular o mercado. Mais garantias no que tange à liquidez e solvência das operadoras.”

Cardoso defende que a Resolução Normativa 137, responsável pelas alterações, torna o segmento mais claro. Ela cria, por exemplo, a figura do mantenedor. No caso de uma autogestão não conseguir arcar com as garantias econômico-financeiras, pode ser firmado um termo de compromisso através do qual o mantenedor assuma essas garantias. É como se o banco público X assumisse os riscos do plano de saúde Y, que atende a seus funcionários e aos familiares desses servidores. O presidente do Gremes, contudo, é cético sobre a possibilidade de uma empresa interessar-se em assumir a figura do mantenedor.

A União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), à qual o Gremes é filiado, participou da elaboração da RN. Para a diretora de Comunicação da Unidas, Iolanda Ramos, a resolução é positiva quando possibilita às empresas do segmento atuarem em áreas de promoção da saúde, o que permite, segundo ela, a oferta de produtos de previdência complementar. Por outro lado, pondera, ficaram de fora menções sobre associações e entidades de classe. A Unidas congrega 158 entidades e 5 milhões de beneficiários.

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A CARÊNCIA DE LEITOS

Leitos insuficientes e mal distribuídos. A assistência hospitalar do Sistema Único de Saúde em Pernambuco padece deste mal, razão das freqüentes queixas de pacientes que aguardam meses por cirurgias ou ocupam cadeiras e macas em corredores de emergências à espera de vaga nas enfermarias. Os leitos e a distribuição por especialidade aquém dos parâmetros definidos pelo Ministério da Saúde foram comprovados por estudo concluído este semestre pelo sanitarista Domício Sá, pesquisador-colaborador do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM) e diretor de Planejamento da Secretaria de Saúde do Recife.

Analisando dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos Hospitalares, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Sistema de Informações sobre Internações no SUS, Domício Sá concluiu que no Estado há 2,3 leitos por mil habitantes, quando a Portaria nº 1101/2002, do ministério, preconiza a existência de três leitos para cada grupo de mil. Pernambuco está um pouco abaixo da média nacional, que é de 2,5 leitos. Mas o déficit global de 6.220 leitos torna-se mais acentuado quando a avaliação desce às diferentes especialidades e considera a distribuição entre elas.

Sá chama a atenção, por exemplo, para o excesso de leitos psiquiátricos, quando o SUS determina menos internação e mais serviços de atenção psicossocial, incluindo atendimento 24 horas. “Em Pernambuco, 20% dos 19.400 leitos do SUS são de psiquiatria, quando a proporção deveria ser de 3,5%”, comenta Domício Sá.

Em contrapartida, conforme o sanitarista, os leitos de clínica médica para adultos correspondem a 27% do total. O ideal seria representar 33%, ou seja, 3.248 leitos a mais que os pouco mais de cinco mil existentes. Em obstetrícia (assistência ao parto) e cirurgia geral, a carência chega a ser de 2.529 e 1.683 leitos respectivamente. Na terapia intensiva e atendimento aos crônicos também falta espaço para hospitalização. Só de UTIs e serviços intermediários, seria necessário um acréscimo de 892 lugares.

Nascido no Sertão, o especialista em planejamento e sistema de informações defende o remanejamento de leitos e o fortalecimento dos hospitais regionais, a partir da definição do perfil de cada área do Estado. Para fixar recursos humanos, um limitador na expansão de serviços no interior, sugere política salarial e de rodízio. Tudo associado a um planejamento pactuado entre Estado e prefeituras, com serviços regulados em tempo real, para que a populãção consiga o internamento mais perto de casa, evitando o deslocamento à capital, onde se concentram os hospitais resolutivos, atualmente com sobrecarga de público.

A gerente de Assistência da Secretaria Estadual de Saúde, Kátia Guimarães, reconhece a existência de déficits em diferentes especialidades, mas utiliza outro parâmetro para avaliar a distribuição de leitos. Segundo ela, subtraindo os 15% da população que não usam o SUS, o número total de leitos tem excedente (1.287) e não carência. E como a tendência esperada é de hospitalizações mais curtas, o modelo assistencial não pode ser voltado apenas para leitos, mas também para o atendimento domiciliar e ambulatorial.

A gerente ainda esclarece que a limitação de recursos financeiros e humanos nas três esferas de governo impede a ampliação da rede. Mesmo assim ela tem ocorrido. Somente este ano, por meio de convênio com hospitais filantrópicos e privados, 139 leitos para pacientes crônicos foram abertos no Estado. Além disso, UTIs estão sendo implantadas e reformas, para ativação de leitos, estão sendo feitas nos hospitais Otávio de Freitas e da Mirueira, da rede estadual.

A superlotação é constante nas grandes emergências estaduais localizadas no Recife, uma delas de cardiologia, inaugurada há menos de cinco meses. A emergência do Hospital da Restauração, com 90 leitos de observação, chega a ter um público três vezes maior. Além da baixa resolutividade das urgências e ambulatórios especializados municipais, o aumento da violência, o envelhecimento da população e a perda de planos de saúde ajudam a aumentar a demanda no SUS.

A criação de hospitais não deve resolver totalmente a superlotação de grandes emergências. “Eles são importantes, mas é preciso melhorar a atenção básica e especializada nos municípios”, avalia Adson da Silva, usuário do SUS, membro do Conselho Estadual de Saúde. Faltam mil médicos na rede pública e o ideal seria instituir uma carreira de Estado, afirma o presidente do sindicato da categoria, Mário Lins. “Não adiantam novas construções sem recursos humanos”, comenta. A coordenadora do Sindicato dos Servidores da Saúde, Perpétua Rodrigues, concorda. “É necessário completar equipes, aparelhar e estruturar hospitais regionais”, acrescenta.

O diretor do Hospital da Restauração, George Teles, defende melhor funcionamento de pequenas urgências. “Cerca de 60% de nossos 500 atendimentos diários não são de alta complexidade”. O vice-diretor do Hospital Otávio de Freitas, Hermes Wagner, tem a mesma opinião. Lembra que são necessários leitos para acolher doentes crônicos ou que precisam de tratamento longo. Defende a ampliação, em curso, dos leitos do HOF. Quatro pavilhões desativados estão em reforma para ampliar tratamento em trauma, urologia e pneumologia.

O secretário de Saúde do Recife, Evaldo Melo, sugere que o governo eleito discuta sua proposta com os secretários municipais. Para Ulisses Tenório, secretário de Jaboatão, novos hospitais são uma idéia fantástica, mas lembra que o Hospital Jaboatão-Prazeres poderia ser ampliado com uma das urgências propostas. Ele espera ajuda para criar três policlínicas. João Veiga, secretário de Olinda, acredita que se o Estado cedesse profissionais, prefeituras ampliariam o pronto-atendimento. Segundo ele, a ajuda também pode ser na compra de serviços a hospitais conveniados ao SUS. “Em Olinda, poderíamos abrir 60 leitos no Tricentenário”, diz.

Baseado no déficit de leitos, na centralização do atendimento e na demanda crescente em função da violência e do envelhecimento da população, o governador eleito no último dia 29, Eduardo Campos (PSB), pretende criar três hospitais de média complexidade no Grande Recife, onde residem 50% dos quase 8 milhões de pernambucanos. O ex-secretário de Saúde do Estado e coordenador de ensino da Escola Pernambucana de Medicina, Gilliatt Falbo, participou da elaboração do programa do futuro governo e explica que a idéia é criar unidades com 150 leitos (10% deles de UTI), destinadas apenas a receber urgências e emergências de clínica médica, cirúrgica, traumato-ortopedia e pediatria.

“Desde a criação do Restauração (maior emergência do Estado), na década de 70, discutia-se que, em vez de um grande hospital, deveria se optar por unidades menores, nas periferias”, observa. Segundo ele, serviços muito grandes são de difícil administração. “Temos que gerenciar também um hotel, um restaurante, uma lavanderia, uma farmácia, o ensino e a pesquisa”, argumenta.

A proposta é instalar os novos serviços no Curado, porta de entrada da população do Agreste e Sertão, entre Olinda e Paulista, onde não existe emergência estadual, e entre Jaboatão dos Guararapes e o Cabo de Santo Agostinho. A missão será resolver problemas que não podem ser resolvidos numa policlínica e não precisa de um grande hospital, como Restauração, Getúlio Vargas, Agamenon Magalhães ou Otávio de Freitas. Cada unidade custaria R$ 15 milhões. Para diminuir a demanda em direção à capital, pretende-se reforçar o Hospital Regional do Agreste, em Caruaru, e tornar o Regional de Arcoverde (entrada do Sertão) de alta complexidade.

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AVANÇO NA SAÚDE

O País tem hoje a menor quantidade de leitos hospitalares já registrados nas últimas três décadas. São 443,2 mil leitos, o que significa 2,4 unidades para cada mil habitantes, índice inferior ao estabelecido pelo Ministério da Saúde, que fixa entre 2,5 e 3 o número ideal de vagas para cada grupo de mil habitantes. Somente nos últimos três anos, o Brasil perdeu 5,9% dos leitos.

Retrocesso? Não, avanço na gestão da Saúde, comprovado pelo aumento do total de internações realizadas, que cresceu 16,3%, chegando a 23,2 milhões. Ao contrário do que parece, os números revelam evolução positiva, decorrente da eficiência da gestão da saúde pública, da tendência de redução do tempo de internação de pacientes, da eficácia da medicina e expansão da atenção básica à saúde. Como bem disse o consultor em Saúde Pública Eugênio Vilaça Mendes, reduzir o número de leitos faz bem.

A redução revela a racionalização do uso da rede de saúde. É o resultado de ações que, no Brasil, se iniciaram na década de 70, privilegiando a expansão da cobertura e os projetos de prevenção de doenças, como o Programa Nacional de Imunização. Entre 1967 e 1979, conforme dados da pesquisa de Assistência Médico-Sanitária, realizada pelo IBGE, a quantidade de leitos disponíveis no País alcançou crescimento de 67,9%, o que significou quase 500 mil leitos.

A essa ampliação da assistência, seguiram-se a era do Sistema Único de Saúde (SUS), no contexto do processo de democratização do País e, logo depois, em meados da década de 90, a criação do Programa Saúde da Família (PSF), baseado na tentativa de evitar a busca por atendimentos de baixa complexidade nos hospitais, valorizar as práticas de prevenção e reduzir os custos de manutenção do sistema.

Prioritário para o governo federal, o PSF recebeu adesão maciça dos municípios, estimulados pelos incentivos financeiros agregados aos repasses do Piso de Atenção Básica. Hoje, dos 527 mil postos de trabalho médico, 241 mil se concentram no setor público. O PSF está presente em 30% dos estabelecimentos de saúde, reunindo mais de 26 mil equipes em todo o País. O crescimento significativo da atenção ambulatorial básica e do PSF coincidiu com a diminuição do financiamento das internações hospitalares.

Entre 1992 e 2003, a pesquisa de Assistência Médico-Sanitária já revelava queda de 12% no total de leitos disponíveis no SUS. No período, mais de 400 novos hospitais públicos, na maior parte com menos de 30 leitos, somaram-se à rede do SUS, revelando a decisão do governo de reorganizar a estrutura hospitalar, substituindo grandes complexos hospitalares por redes formadas por pequenas unidades de baixa complexidade e voltadas para o atendimento básico.

A última edição da pesquisa do IBGE, divulgada na quarta-feira, mostra que, nos últimos três anos, foram reduzidos de 146 para 6 os municípios onde não havia postos de atenção básica à saúde. As únicas cidades que ainda não contam com unidade de saúde são Coiaras, Curralinhos, Lagoa do Piauí e Miguel Leão, no Estado do Piauí; Sucupira do Riachão, no Maranhão; e Rio Crespo, em Rondônia. No total, o País reúne 77.004 unidades de saúde.

Entre 2002 e 2003, conforme informações do Banco de Dados do SUS (Datasus), a rede pública foi responsável por 82% dos procedimentos ambulatoriais pagos pelo SUS. Já o setor privado, que reúne mais de 80% do conjunto de equipamentos sofisticados do País, se responsabilizou por 84% dos procedimentos de alta complexidade. Quanto aos leitos, entre 2002 e 2005, o setor privado perdeu 30,6 mil vagas, enquanto a rede pública ganhou 2,6 mil novas unidades. A expansão do setor público sufocou, principalmente, os pequenos hospitais privados.

Apesar dos avanços no sistema de atendimento à saúde instalado no País, especialistas no assunto alertam o governo sobre a necessidade de investir também no atendimento mais complexo - terapia renal, radioterapia, quimioterapia, tomografia, entre outros - para que o SUS não se torne um plano de cuidados básicos apenas. Tal posição poderia colocar o sistema no alvo de grandes pressões de grupos de interesses que sempre rondaram a saúde no Brasil. Investimento em equipamentos e profissionais pode ser a próxima etapa no processo de melhoria do atendimento à Saúde.

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HOSPITAL DA PUC - CAMPINAS COM NOVAS INSTALAÇÕES

O Serviço de Quimioterapia do Hospital da PUC-Campinas (Celso Pierro) está funcionando em novas instalações, com melhores acomodações para cerca de 100 pacientes que são atendidos por mês. Em área de 210 metros quadrados, situada ao lado da sala do SAD (Serviço de Atendimento Domiciliar), a Quimioterapia conta agora com a vantagem de realizar os agendamentos, as consultas e o tratamento no mesmo local – antes ocorriam em espaços distintos. As instalações anteriores serão destinadas aos leitos da Unidade Coronária.

Os pacientes atendidos são encaminhados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e por outras especialidades do próprio hospital. Nas novas instalações, dividas em cinco salas, contam com sistema de ar-condicionado central e estacionamento exclusivo. A morfina, medicação utilizada em grande parte dos casos, é fornecida pela própria farmácia ambulatorial do Hospital, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Sob a coordenação do médico Júlio César Prestes, o Serviço de Quimioterapia conta com uma equipe multidisciplinar: 4 oncologistas, 3 hematologistas, equipe de enfermagem e farmacêutica. “Quando necessário solicitamos acompanhamento de psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista, odontologista e assistente social”, acrescenta Prestes.

O Serviço de Quimioterapia do Hospital da PUC-Campinas é responsável pela manipulação e administração das drogas quimioterápicas de ação antineoplásica (contra o câncer). Atende tanto pacientes de ambulatório quanto os internados, realizando cerca de 300 sessões de quimioterapia por mês. A Quimioterapia do Celso Pierro conta também com uma Capela de Fluxo Laminar, que permite a manipulação segura dos medicamentos.

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AGILIDADE NO ESTOQUE REDUZ O CUSTO HOSPITALAR

A adoção de uma política de gestão com soluções práticas para reduzir custos com compras de medicamentos e materiais e, assim, aumentar o controle sobre o estoque, levou o Hospital São Camilo, de São Paulo, a reduzir de R$ 2,8 milhões para R$ 2,3 milhões, em dois anos, os gastos mensais com o departamento de armazenagem de insumos, o que demanda mais gastos no hospital.

A exemplo do São Camilo, outros hospitais têm entendido que a administração eficiente dos estoques e a negociação mais rígida com os fornecedores são fatores que contribuem para gerar, em alguns casos, economia de até R$ 700 mil por mês nas suas compras mensais e reduzir, de 40 para 22 dias, o tempo de estoque de medicamentos e suprimentos.

Para os administradores do Hospital São Camilo, Hospital Samaritano e Hospital Unimed Sorocaba, profissionalizar a gestão da cadeia de suprimentos hospitalares não tem sido uma atividade fácil, mas já colhem resultados positivos. A diversidade de produtos e de serviços que precisam ser administrados diariamente vai de medicamentos a produtos para os procedimentos médicos, abastecimento de energia e água.

Outro fator que contribui para o sucesso desses hospitais é a maior rigidez nos contratos. Algumas unidades hospitalares passaram a aplicar multas diárias de até 2% sobre o valor da compra, caso o parceiro não entregue as mercadorias no prazo fixado.

No caso do São Camilo, a economia, em 2006, já é de R$ 500 mil mensais. “Reduzimos esses custos sem deixar faltar produtos no estoque”, explica Emanuel Salvador Toscano, diretor administrativo. Esse resultado foi conseguido com maior controle sobre os suprimentos comprados. Todos os produtos foram reclassificados: os itens de grande importância passaram a ser fichados na categoria A; os de menor importância se tornaram B; e os outros foram incluídos na categoria C.

“Cerca de 500 itens estavam na categoria A. Com isso, comprávamos todos esses produtos sem critério prévio de avaliação. Isso gerava mais gastos e acúmulo de estoque. Os suprimentos da categoria C são aqueles para os quais conseguimos um prazo maior de compra e negociação”,diz.

Segundo Luis Fernando Almeida, superintendente de logística e suprimentos do Hospital Samaritano, dentro da área de suprimentos são desenvolvidas estratégias para negociar com mais proveito e evitar falhas na entrega dos materiais e equipamentos. No Samaritano existe uma superintendência de logística e suprimentos. Com a adequação do estoque e prioridades de compras, atualmente, a economia com suprimentos chega a 30%.

Essa melhoria passou a refletir-se diretamente nos processos administrativos e nos serviços de hotelaria. Os quartos de internação receberam maiores investimentos e novos equipamentos. Apenas no primeiro semestre deste ano, a ocupação dos quartos cresceu de 76% para 81%.

Para manter essa melhoria e fazer o controle dos desperdícios, o Samaritano mantém uma equipe permanente de sete pessoas de áreas distintas (enfermaria, médica, tecnologia e engenharia). A função de cada uma delas é estudar novos projetos de redução de custos e desenvolver estudos para projetos de compras de novas tecnologias e eficiência na produção.

“O envolvimento desse pessoal forma uma frente de estudo que avalia os preços e a qualidade dos produtos de mais de 300 fornecedores”, diz. Os fornecedores são classificados de acordo com o grau da qualidade do seu produto e a confiabilidade nos prazos de entrega. Aqueles que obtêm as melhores notas se tornam parceiros com contratos de até três anos.

Para o superintendente do Samaritano, gerenciar a cadeia de suprimentos dos hospitais trouxe novos desafios para os executivos. Um deles é a questão técnica, que diz respeito à capacitação de pessoal para eliminar erros e retrabalho. “Reduzimos de 40 para 28 dias o tempo de estoque de suprimentos. Quando se faz uma redução nos estoques, a empresa consegue controle maior sobre os produtos. O estoque tem de estar alinhado à demanda por serviços.”

A principal idéia dos hospitais é trabalhar com ferramentas que possam viabilizar um estoque mínimo. Em um hospital, diferentemente de uma empresa, planejar o estoque se torna uma tarefa difícil porque a entrada de um paciente é um acontecimento inesperado.

Uma das ações das empresas para controlar com precisão os estoques é a rastreabilidade. Nesse processo, os hospitais exigem mais qualidade e comprometimento dos fornecedores. “Fornecedor que atrasa a mercadoria deixa o hospital vulnerável. Aplicamos multa de 2% a cada dia de atraso na entrega da mercadoria”, diz Édson Cumpian Paulossi Júnior, gerente de suprimentos do Unimed Sorocaba.

O Unimed criou uma sistemática de trabalho, para a negociar com os fornecedores, que se chama “acordo comercial”. A cada três meses, todos os representantes têm de levar os seus chefes (o gerente nacional e, em alguns casos, até mesmo o presidente) para visita ao hospital. “Existem muitos fornecedores despreparados. Buscamos uma maior aproximação com os altos executivos para garantir o nosso negócio”, diz.

O hospital, localizado no interior de São Paulo, adotou essa política de aproximação há dois anos para fazer a atualização da sistemática de compras. Agora, elas são programadas para evitar atraso nas entregas dos itens mais difíceis de se encontrar no mercado, como soro, fio de sutura, seringas e outros materiais de rotina, entre eles fita crepe, coletores e micropore. O giro de estoque da empresa foi reduzido de 40 para 22 dias.

Esse modelo próprio do Unimed Sorocaba obteve resultado e agora comanda uma compra conjunta para atender à demanda dos outros hospitais da rede. O empecilho para os hospitais continua sendo a logística. Alguns fornecedores do Rio de Janeiro, por exemplo, entregam as mercadorias em 8 dias. “É inaceitável para um hospital. A indústria tem de se acostumar com a nossa realidade. Para nós, a entrega tem de ser feita em cinco dias”, diz.

De acordo com os executivos dos hospitais que profissionalizam a área de compra, no longo prazo, 66% dos seus custos operacionais — equipamentos, medicamentos, suprimentos, serviços de terceiros etc — poderão ser reduzidos ainda mais, com o uso intensivo de recursos tecnológicos, como o comércio eletrônico. Assim como já acontece em alguns hospitais nos Estados Unidos, o uso do comércio eletrônico poderá ser um grande aliado das empresas no Brasil para a otimização desse processo.

De acordo com Emanuel Salvador Toscano, diretor administrativo do Hospital São Camilo, localizado na capital paulista os hospitais e as clínicas que adotam esses recursos e conseguem reduzir os seus custos administrativos redirecionam os seus ganhos para os investimentos em estruturas e novos equipamentos.

Entretanto, o uso da tecnologia para “transações médicas” no comércio eletrônico é ainda é tímido no País. De acordo com a consultoria americana especializada em e-commerce, Forrester Research, as “transações médicas” no comércio eletrônico nos Estados Unidos estão em crescimento constante, de mais de 100% ao ano, desde 1999, enquanto no Brasil o processo teve início em meados de 2001 e registra um crescimento mais modesto, de apenas 16%.

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PIDI NO HOSPITAL ESCOLA UFPel/FAU

Por: Julieta Carriconde Fripp, Coordenadora do Pidi

O Programa de Internação Domiciliar Interdisciplinar (Pidi) implantado no Hospital-Escola UFPelotas-RS/FAU completou um ano de atividades recentemente. O Pidi realiza internação de pacientes com câncer em ambiente domiciliar, nas mais variadas formas de apresentação da doença.

A principal característica do programa está voltada para a abordagem interdisciplinar dos cuidados aos pacientes nos seus domicílios. Ou seja, além da equipe direta que visita diariamente os pacientes, o Pidi conta com a atenção periódica dos profissionais das áreas do serviço social, nutrição e psicologia. Contempla também a inserção acadêmica de estudantes de Medicina, Enfermagem, Nutrição, Serviço Social e Farmácia, com enfoque voltado ao cuidado, tanto do paciente como de seus familiares.

O resultado deste trabalho se destaca na humanização à medida que aborda o paciente na sua integralidade, sem divisão do cuidado. Os pacientes que estão em fase de cuidados paliativos são os que mais necessitam da internação domiciliar , pois é preciso aproximá-los de seus familiares mais intensamente.

Trabalhar com o sentimento dos pacientes, suas dúvidas, medos e ansiedades é o que faz a equipe tecnicamente preparada, caracterizando o princípio da eqüidade. Neste primeiro ano de intenso trabalho internaram cerca de 100 pacientes, todos com câncer, de ambos os sexos, de classe social menos favorecida, em todas as regiões da cidade. Realizamos pesquisa de satisfação dos usuários, sendo destacado o alto grau de satisfação em relação aos cuidados, fornecimento de insumos e dedicação das equipes.

Buscamos também neste período, junto ao Ministério da Saúde, a ampliação do Pidi, para contemplar outras situações como cuidados de pacientes com doenças crônicas e também equipe para internação domiciliar de crianças. Os profissionais que atuam no Pidi também estão preocupados com a sua qualificação técnica. Para tanto foi realizado em 2005 o 1º Seminário Interdisciplinar para o Cuidado de Pacientes Oncológicos e Internação Domiciliar em Oncologia, com sucesso de público dos profissionais e acadêmicos da área da saúde. Neste ano ainda haverá seqüência do evento.

Também junto ao Pidi está sendo estruturada a Unidade de Cuidados Paliativos, com profissionais de varias áreas para poder qualificar o cuidado em situações com dor, manejo de curativos, paliação cirúrgica, em quimio e radioterapia, nutrição especial, distúrbios psicológicos e psiquiátricos, terminalidade, espiritualidade, entre outros. Enfim, acredito que estamos no caminho certo das diretrizes e princípios do Sistema Único de Saúde, destacando universalidade, eqüidade e integralidade dos cuidados.

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HOSPITAL ARISTIDES MALTEZ (HAM) REALIZA HOSPICE CARE

Foi comemorado semana passada, a implantação do Programa de Atendimento Domiciliar (PAD) do Hospital Aristides Maltez (HAM). Inaugurado em agosto de 1997, o PAD já atendeu, ao longo de nove anos, 1.257 pacientes e suas famílias, com assistência domiciliar, através de equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos. Uma das médicas do programa observa que o objetivo é dar um tratamento paliativo aos pacientes, visando reduzir o sofrimento e melhorar a qualidade de vida.

Os últimos 11 meses da irmã da dona de casa Neide Maria Ferreira da Silva, 40 anos, foram de luta contra a morte. Diagnosticada com câncer de estômago e, em estado terminal, todos os tratamentos já não surtiam efeito. A dor e a apreensão da família foram amenizadas com o apoio do Programa de Atendimento Domiciliar do Hospital Aristides Maltez (PAD), em Salvador, que ofereceu suporte médico e psicológico durante todo o tratamento em sua própria residência. O relato emocionado foi feito durante a comemoração pelo nono ano de funcionamento do programa. O encontro Como vai você? Foi realizado no auditório do hospital e reuniu dezenas de familiares de pacientes com câncer assistidos pela unidade.

Durante os encontros, também são realizadas palestras sobre câncer, com informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento. O acompanhamento familiar é fundamental. Muitos deles não estão preparados para lidar com a situação e acabam encontrando apoio aqui. Além disso, muitos deles aprendem a se cuidar mais e terem mais noção do que é realmente a doença.

O PAD assiste todos os pacientes atendidos no HAM. Para isso é feito uma triagem, na qual é escolhido um membro da família como o “cuidador” do paciente. As consultas são realizadas semanalmente e os familiares participam com freqüência de uma reunião para avaliação do quadro.

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HOSPITAL ALBERT SABIN (CE) APOIA INTERNAÇÃO DOMICILIAR

Em Fortaleza, no Ceará, o hospital Albert Sabin adotou a internação domiciliar de crianças com doenças graves como regra e tem conseguido bons resultados. Hoje, o hospital mantém oito crianças em casa. Segundo a pediatra Cristiane de Souza, que comanda o programa de internação domiciliar do hospital Albert Sabin, com base nos casos que atende em Fortaleza, ela sugere a instalação apenas de um aparelho portátil de oxigênio. Também seria necessária uma equipe de profissionais treinados para a internação domiciliar. "Até os pais precisariam estar treinados para o caso de uma remoção de urgência", explicou a médica.

Entretanto, são poucos os casos em que o Sistema Único de Saúde (SUS) aceitou bancar a internação domiciliar em situações como a de Gabriel Benelli, de 13 meses, há seis meses internado na unidade de terapia intensiva do Hospital São Francisco, em Concórdia (SC) com uma doença degenerativa. Em Santa Catarina , não existem registros de tratamentos como o sugerido pela família do menino, como acontece em Fortaleza onde há três com a mesma doença degenerativa de Gabriel e o aparato para mante-lo em casa não precisa ser o de unidade de terapia intensiva

Apesar de ser bancada pelo SUS, a internação domiciliar depende mais dos médicos do que da burocracia. Caso os profissionais que atendem Gabriel aceitem que ele vá para casa, em pouco tempo seria possível conseguir a estrutura para a internação domiciliar, dentro dos padrões utilizados em Fortaleza.

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PROGRAMA DE INTERNAÇÃO DOMICILIAR REDUZ CUSTOS

Segundo estudo realizado por profissionais do Hospital Geral de Nova Iguaçu (RJ) é possível aumentar as vagas e diminuir os custos de um hospital público brasileiro. O pôster sobre o trabalho intitulado: "Programa de Internação Domiciliar (PID): Um instrumento de Gestão inovador no auxílio da otimização de recursos em Saúde Pública " foi apresentado durante o 11º Congresso Mundial de Saúde Pública e o 8º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, realizados semana passada, no Rio de Janeiro.

De acordo com a pesquisa, a implementação do PID possibilitou 731 novas internações no Hospital Geral de Nova Iguaçu, o que representou 20% de todas as internações, e foi responsável também por uma rotatividade maior nos leitos. Os autores do estudo concluíram que o programa teve importância relevante, pois reduziu custos e aumentou o numero de internações, além de possibilitar o retorno do paciente ao lar.

Ao todo, eles estudaram 106 pacientes retrospectivamente, do período de 10/06/2005 a 31/01/2006. Eles identificaram que a maior parte dos pacientes veio dos setores de emergência, clínica médica e clínica cirúrgica e que a doença de maior prevalência foi o AVC - Acidente Vascular Cerebral (41%), seguido do câncer. Eles observaram, ainda, que 35 % dos pacientes analisados faleceram e 8% tiveram alta após recuperarem a autonomia.

O PID foi criado em junho de 2005 e é formado por um médico, uma enfermeira, um fisioterapeuta e um técnico de enfermagem. O projeto realiza atendimentos domiciliares de 2ª a 6ª feira, das 8h às 17h, cuja freqüência é variável, de acordo com a necessidade do paciente, podendo variar de um dia a até um mês. A iniciativa foi desenvolvida com apoio do Hospital, da rede local do Programa de Saúde da Família (PSF), e do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Emergência).

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SISTEMA "DELIVERY" DEVE ESVAZIAR LEITOS

Atendimento domiciliar para pacientes do Hugo promete acabar com problema de superlotação. Entre as medidas anunciadas neste mês pelo novo secretário estadual de saúde, Cairo Freitas, a de criar um sistema de atendimento domiciliar para pacientes do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) promete resolver o pior problema que o hospital enfrenta atualmente: a superlotação. O serviço será prestado aos pacientes que já estavam internados, que receberam alta do leito, mas que não dependem mais de equipamentos hospitalares para continuar o tratamento. Eles receberão a medicação em casa, sob os cuidados de uma equipe especializada que irá até a residência do doente. De acordo com o diretor do Hugo, Cicílio Alves Moraes, o serviço é direcionado para pacientes que já estejam em estado regular.

O atendimento ainda não tem data prevista para começar, mas, segundo Cicílio, com a posse de novos profissionais concursados, haverá treinamento e avaliações finais de funcionabilidade do sistema. “Vamos montar as equipes, provavelmente com um médico, um enfermeiro e dois técnicos de enfermagem, para que possam ser bem treinados para atender o doente em casa”, explicou. O diretor destaca ainda que o paciente continuará tendo vínculo com o Hugo.
O objetivo da iniciativa, de acordo com o diretor, vai além do problema da superlotação, que poderia ser resolvido ao desocupar os leitos. “A principal meta é trabalharmos para atender bem, sem oferecer riscos. Não queremos apenas esvaziar o hospital, mas oferecer qualidade no atendimento”, diz. Haverá também um trabalho de serviço social para avaliar as condições em que o paciente vive, se a casa suporta esse tipo de atendimento, além da receptividade da família. “O intuito é garantir que a família tenha o mínimo de condições a oferecer, para cuidar do paciente com responsabilidade.”

O novo sistema vai oferecer serviços na aplicação de medicamentos que não necessitam de equipamentos de maior complexidade, como os de longa duração (antibióticos), troca de curativos, além do acompanhamento feito pelas equipes. O número de grupos de trabalho e pacientes atendidos será definido de acordo com a necessidade.
“Precisamos de três novos hospitais”

As medidas tomadas pelo secretário estadual de Saúde, Cairo de Freitas, já teriam surtido efeito. Mas, segundo avaliação feita por diretores das principais unidades de Saúde de Goiânia, ainda falta muito para se chegar ao ideal. A liberação de 38 leitos do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), com a transferência dos pacientes para o Hospital Geral de Goiânia (HGG), vai melhorar em 5% o quadro de superlotação do hospital, informou o diretor do Hugo, Cicílio Alves de Moraes. Ele aposta que as novas ações vão resolver parte dos problemas enfrentados na área, mas que a solução só seria possível com a construção de mais “três novos grandes Hugos”.

De acordo com Cicílio, o que deve ser feito a partir de agora para amenizar a situação crítica em que se encontra a unidade é priorizar os fornecedores, prestadores de serviço, além de realizar contratações e licitações. “Essas medidas estavam previstas na pasta do antigo secretário, mas, devido a falta de verba, não foram cumpridas. O governo vai dar mais atenção à saúde e acredito que, se conseguirmos atingir dois terços do que precisamos, será satisfatório”, diz.
Condições – A capacidade máxima do hospital é de 214 leitos, que atualmente estão ocupados. Na última segunda-feira, segundo Cicílio, foram utilizadas quase 90 macas, além dos leitos, num total de 300 pacientes. Até a tarde ontem, foram atendidas 270 pessoas e utilizadas cerca de 65 macas. O ideal, diz Cicílio, é que a ocupação máxima não exceda 85% da capacidade, ou seja, a ocupação de 180 leitos. Os 15% que ficarão vazios é a margem de segurança caso haja alguma situação mais grave.

O diretor técnico do HGG, Luciano Leão Bernardino da Costa, ressalta que a transferência dos pacientes do Hugo aconteceu, principalmente, por questões humanitárias. “Resolvemos atender ao pedido do secretário tendo em vista o problema dos pacientes espalhados pelos corredores. Estamos fazendos as adaptações necessárias e pretendemos ampliar essa ajuda, só não sei se vamos conseguir atender os 38 pacientes requeridos.”
Os pacientes encaminhados do Hugo estão sendo atendidos em uma ala do HGG que era destinada a doentes psiquiátricos. O diretor afirmou que esse procedimento abala um pouco o funcionamento do hospital, mas nada que não seja insuperável.

Luciano ressalta que o HGG não tem condições de atender todos os pacientes, desde a realização de exames aos internados. A média de atendimento diário é 800 pacientes, além das 300 cirugias realizadas mensalmente. A capacidade máxima do hospital é de 238 leitos, todos ocupados.

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PRONTUÁRIO ELETRÔNICO, SONHO E REALIDADE