NÚMERO DE CASOS DE INSUFICIÊNCIA RENAL DOBROU EM 10 ANOS

Aproximadamente 13 milhões de brasileiros apresentam algum grau de problema renal, segundo o mais recente levantamento da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). O número é duas vezes maior do que há dez anos. Desse total, 95 mil estão em estágio grave, dependendo de hemodiálise ou na fila do transplante, e os casos vêm crescendo a um ritmo de 10% ao ano. O panorama da doença pode ser ainda mais delicado. “O número de pacientes é inferior ao que deveria ser identificado”, afirma Emmanuel Burdmann, presidente da SBN.

O aumento dos casos de diabetes e hipertensão, além de uma preocupação maior com o diagnóstico da doença, são os principais fatores que levaram a um incremento desses dados. “A doença já mata mais do que o câncer de mama”, afirma a nefrologista Carmen Tzanno Branco Martins, coordenadora do Comitê de Nutrição da SBN e diretora da clínica Renal Class. 

Segundo dados da Sociedade de Nefrologia do Estado de São Paulo (Sonesp), 58 milhões de pessoas correm o risco de desenvolver algum tipo de problema no rim por pertencerem ao grupo de risco: têm histórico da doença na família, são idosos, obesos, diabéticos ou hipertensos. Essas duas últimas doenças, muito conhecidas dos brasileiros, respondem por 60% dos casos.

A insuficiência renal é uma doença silenciosa: quando o corpo dá sinais claros e visíveis de que algo está errado em geral o órgão já perdeu 50% de sua capacidade. Por este motivo, 70% das mortes por insuficiência renal acontecem antes mesmo do diagnóstico, conforme estudo da Fundação Pró-Renal, entidade filantrópica que dá assistência a pacientes crônicos.

O rim funciona como um filtro do corpo, removendo sais e outras substâncias que estejam em quantidade excessiva, como a água. Esse órgão, que tem o tamanho de um punho fechado, também é responsável pelo controle da pressão arterial e pela produção e liberação de glóbulos vermelhos pela medula óssea.

Faltam vagas e doadores

Outro fator que contribui para o alto índice de mortalidade da doença é a falta de vagas para a realização de hemodiálises. Seis mil pacientes por ano não têm acesso ao tratamento ambulatorial que seria fundamental para mantê-los vivos. “Noventa por cento da população com a doença fazem tratamento pelo Sistema Único de Saúde. E a quantidade de clínicas disponíveis é a mesma há muitos anos. Deveríamos estar fazendo hemodiálise em trezentas mil pessoas”, alerta Burdmann. “Com a hemodiálise, o paciente ganha tempo de vida. Ele pode esperar pelo transplante de forma mais tranqüila e mesmo se não der certo, pode voltar ao tratamento”, avalia a Carmen.

A máquina realiza o trabalho que deveria ser feito pelo órgão doente, enquanto o paciente aguarda por um novo rim. A fila de espera, no entanto, aumenta a cada ano. De acordo com o levantamento realizado no primeiro semestre de 2009 pelo Ministério da Saúde, 31.270 pessoas faziam parte dela. No mesmo período, foram realizados 1.237 transplantes.

É possível prevenir

Nem todo caso de doença renal leva o paciente à insuficiência. Por isso, a grande frente de batalha dos especialistas está na prevenção e no diagnóstico precoce. Diabéticos e hipertensos devem manter suas taxas controladas, a fim de evitar que um agravamento dessa doença possa levar à perda da função renal. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Fundação Oswaldo Cruz e do Centro de Controle do Diabetes da Bahia conduziram uma pesquisa que revelou que 76% dos diabéticos não conseguem manter as taxas glicêmicas adequadas.

A recomendação dos médicos é a mesma para todos, inclusive para os que não têm essas doenças: a partir dos 55 anos, toda pessoa deve fazer exames de urina para detectar a presença ou não de albumina e também a dosagem da creatinina no sangue. Duas medidas simples que podem evitar a insuficiência e até a um quadro crônico. “Quem faz parte do grupo de risco deve fazer esses exames já a partir dos 30 anos”, recomenda a nefrologista Carmen Tzanno.

Dia mundial do rim

Toda segunda quinta-feira do mês de março comemora-se o dia mundial do rim. Neste ano, a data será celebrada neste dia 11. A campanha de 2010 tem como tema “Proteja seus rins, controle o diabetes”, na tentativa de evitar que novos casos apareçam por conta desse problema, que é causador número 1 de doenças renais nos Estados Unidos. No Brasil, a diabetes é a segunda causa da insuficiência do rim, atrás apenas da hipertensão.


CHUVEIROS OFERECEM AMBIENTE À PROLIFERAÇÃO DE MICRÓBIOS

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado (UC), em Boulder, nos Estados Unidos, afirma que os chuveiros domésticos oferecem um ambiente propício para a proliferação de micróbios potencialmente patogênicos, que podem ser inalados na forma de partículas suspensas. A pesquisa concluiu que cerca de 30% dos chuveiros analisados abrigavam níveis consideráveis de uma bactéria ligada a doenças pulmonares.

Segundo Norman Pace, professor do Departamento de Biologia Molecular, Celular e de Desenvolvimento da UC, não é surpreendente encontrar patógenos em águas da rede pública, mas os pesquisadores descobriram que algumas bactérias se aglutinam e formam um "biofilme" viscoso, o qual adere ao interior dos chuveiros, em uma concentração mais de cem vezes a encontrada na água encanada. "Quando a pessoa liga o chuveiro e recebe um jato de água, provavelmente está levando também uma carga particularmente elevada de Mycobacterium avium, que pode não ser muito saudável", diz Pace.

Em pesquisa, o Hospital Nacional Judaico, em Denver, indicou um crescimento nos EUA, nas últimas décadas, de infecções pulmonares relacionadas a espécies de bactérias não ligadas à tuberculose, como a Mycobacterium avium. De acordo com os autores, esse crescimento pode estar relacionado ao fato de a população do país ter passado a utilizar mais o chuveiro e menos a banheira.


TRATAMENTO MÉDICO TAMBÉM EM DOMICÍLIO

Programa leva acompanhamento terapêutico à casa de pacientes que já receberam alta hospitalar, mas ainda precisam de cuidados. Só na semana passada, o aposentado Nelson José Gomes, 72 anos, já teve a pressão arterial aferida pelos médicos e curativos refeitos pelas enfermeiras. E sem precisar sair de casa. Vítima de pneumonia, deu entrada no Hospital do Andaraí em novembro. Na unidade, sofreu embolia pulmonar e chegou a ficar 21 dias em coma. Hoje , faz parte do Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD), programa do Ministério da Saúde que oferece acompanhamento terapêutico para pacientes que receberam alta hospitalar, mas ainda necessitam de cuidados.

Atualmente, 484 pacientes, como Nelson José, são beneficiados pelo programa. Deste total, 70% têm acima de 60 anos e sofrem de algum tipo de doença crônico-degenerativa ou trauma ortopédico. Para ingressar no SAD, explica a coordenadora, Ângela Ortritz, os pacientes precisam estar clinicamente estáveis, ter um ‘cuidador' da família à disposição e, principalmente, não depender de equipamentos.

“Atender o paciente em casa é menos oneroso para o governo do que no hospital. Em média, cada paciente sai em torno de R$ 356, com direito a exames, remédios, insumos e transporte. Em caso de internação hospitalar, um leito de apoio sai por R$ 1,6 mil no Sistema Único de Saúde (SUS). No Brasil, o índice de recuperação dos pacientes atendidos no SAD é de 31%. No exterior, é de 18%”, compara Ângela.

“Se eu ainda estivesse internado, talvez não estivesse tão bem disposto quanto estou agora. Por melhor que seja o hospital, nada se compara ao lar. Também não estou sujeito a pegar uma infecção hospitalar”, afirma Nelson.

A equipe do SAD é formada por 56 médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos assistentes sociais e técnicos de enfermagem. Segundo Ângela, a média de visitas por paciente é de cinco por mês.

Uma das principais vantagens do SAD é que ele acelera a recuperação do paciente, diz Ângela. “O paciente não se sente à margem da sociedade. Muito pelo contrário. Se sente acolhido e integrado. Como se não bastasse, o programa também reduz os riscos de infecção e o tempo de internação hospitalar. Com isso, otimizamos os leitos dos hospitais. Se pararmos para pensar, o total de pacientes atendidos no SAD (484) corresponde a um hospital de média complexidade, como os da Lagoa e de Ipanema, por exemplo", compara Ângela.

A cobertura do programa chega a 152 bairros do Rio e também dos municípios de Nilópolis, Mesquita e São João de Meriti. Desde abril de 2006, quando foi implantado pelo governo federal, o SAD já atendeu 2.020 pacientes e realizou mais de 35 mil visitas. (29/09/08)


CUIDAR DO IDOSO DA FAMÍLIA TAMBÉM SE TORNOU FUNÇÃO DA MULHER

A palavra mulher carrega, atualmente, uma lista de definições: mãe, amante, profissional e amiga são só alguns dos possíveis sinônimos. E o aumento da expectativa de vida do brasileiro, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) saltou de 62 anos para 75 na última década, trouxe outra informação para um verbete cheio de informações. Agora, também faz parte das funções femininas ser cuidadora dos idosos da família.

Um termômetro que mostra o quanto tomar conta dos pais idosos e avôs é um posto majoritariamente feminino está no Hospital Estadual Pirajuçara, zona oeste da capital paulista. Lá, um curso é ministrado justamente para quem convive em casa com a terceira idade adoecida. Nas turmas, por onde já passaram mais de 100 pessoas desde junho de 2007, 60% eram mulheres. Os poucos homens eram acompanhados das mulheres ou filhas.

Mesmo quem é adepto da dupla jornada nem sempre convive de forma harmoniosa com a responsabilidade de cuidar dos idosos. "É muito doloroso. O receio de não conseguir cuidar de um familiar doente é misturado com a frustração de abdicar outras áreas da vida por causa desta função", avalia a coordenadora e fisiatra do grupo do Pirajuçara, Yumi Kamiko.

Ela e outros nove profissionais, de diversas especialidades, lidam com a angústia das cuidadoras e, uma vez por semana, o grupo se reúne para trocar experiência. "O primeiro passo é transformar a sensação da obrigatoriedade de cuidar por um ato de carinho. Isso alivia, ameniza a dor", completa Yumi.

O médico Rubens Gagliardi, da Academia Brasileira de Neurologia, lembra que a presença cada vez maior de idosos no País aumenta as doenças relacionadas ao envelhecimento. "As seqüelas dos problemas de saúde exigem uma atenção especial". Entre os motivos que mais promovem a inversão de papéis - filhos cuidando de pais - ele cita o acidente vascular cerebral (AVC), conhecido como derrame.

A saúde de quem cuida dos doente já fez os pesquisadores se debruçarem sobre o tema. Às vezes, medidas simples evitam estresse, como lembra o professor de geriatria da Universidade de São Paulo (USP), Wilson Jacob Filho. "Assim como fazemos com as crianças, é importante adaptarmos a casa para os mais velhos. Um tombo na escada pode fazer com que nunca mais se recuperem." (14/08/08)


COMO DEVE SER O AMBIENTE FAVORÁVEL AO IDOSO

"Ambientes amigáveis resulta na oferta de recursos físicos e psicossociais de natureza compensatória para favorecer a saúde física, a funcionalidade e o bem-estar psicológico de pessoas idosas". Todas as pessoas desejam envelhecer no próprio lar. A importância do lar para as pessoas idosas tem sido muito discutida na literatura gerontológica. A maioria das pessoas gostariam de continuar vivendo em sua própria casa, mesmo durante as alterações que possam surgir com uma velhice frágil.

É importante lembrar que, o que caracteriza um lar não é somente o ambiente físico, mas também as preferências colocadas em cada espaço na forma de objetos, do design, das atividades desenvolvidas, dos relacionamentos e da funcionalidade. Diz respeito aos artefatos físicos, sensoriais, climáticos e funcionais que nos circundam no dia-a-dia. O que se entende por lar aqui também se estende à residência, incluindo comunidade, bairro, vizinhança, amigos, etc...

Morar na casa que sempre morou ou com uma história de toda uma vida, pode ser uma estratégia de otimização de competências para o processo de adaptação à velhice. Isso nos dá um senso de normalidade diante da descontinuidade experimentada por múltiplas perdas pessoais associadas a disfunções relacionadas ao avanço da idade. Todo lar e seus pertences são dotados de significação ao longo da vida que contribui para o bem-estar percebido e para a qualidade de vida. Ambientes favoráveis são aqueles capazes de ajustar às capacidades e preferências dos idosos, fornecendo a eles um melhor controle do ambiente, autonomia, independência, eficácia, privacidade, dignidade e familiaridade.

O pesquisador e gerontólogo Lawton fala em ambientes amigáveis para os idosos e criou o conceito de docilidade ambiental. Ambientes amigáveis resulta na oferta de recursos físicos e psicossociais de natureza compensatória para favorecer a saúde física, a funcionalidade e o bem-estar psicológico de pessoas idosas. O conceito de docilidade ambiental significa que, à medida que as competências da pessoa declinam e o comportamento depende de fatores externos, torna-se necessário criar programas para melhorar o ambiente dos idosos para que possam viver mais dignamente e com mais segurança e bem-estar.

São doze os princípios da docilidade ambiental:

1. Assegurar a privacidade.
2. Dar oportunidades para interação social.
3. Dar oportunidades para exercício de controle pessoal, liberdade de escolha e autonomia.
4. Personalização do tratamento, de objetos e locais.
5. Facilitar a orientação espacial.
6. Assegurar a segurança física.
7. Facilitar o acesso a equipamentos e o funcionamento na vida do dia-a-dia.
8. Propiciar um ambiente estimulador e desafiador.
9. Facilitar a discriminação de estímulos visuais, tácteis e olfativos.
10. Planejar ambientes na medida do possível bonitos e agradáveis.
11. Tornar o ambiente flexível para o atendimento de novas necessidades.
12. Tornar o ambiente mais familiar através de referências históricas, objetos familiares, arranjos tradicionais de mobiliário e contato com a natureza.

Dicas para compensar perdas sensoriais:

- Aumentar a iluminação e o contraste, especialmente quando os estímulos forem sutilmente detalhados e apresentados com pouco contraste de luz e sombra.
- Evitar ofuscamento e exposição a raios ultravioletas.
- Utilizar mais contrastes de cor em situações que envolvem discriminação sutil.
- Evitar apresentação simultânea de estímulos muito parecidos em situações que exijam discriminação refinada.
- Fornecer correção ótica e condições especiais de iluminação, em situações que envolverem visualização à curta distância.
- Evitar tarefas concorrentes, para prevenir distração, uma vez que os mais velhos têm uma diminuição em sua capacidade de inibir informação irrelevante.
- Evitar exposições prolongadas a ruídos.
- Diminuir ruídos de fundo
- Oferecer estímulos claros, redundantes, ricos em contexto, como por exemplo com desenhos, pistas, adesivos, etiquetas.
- Usar óculos e lupas para tarefas que exigem enxergar bem de perto; cuidar da iluminação, quer acomodando bem a cabeça e os ombros, quer providenciando lâmpadas de leitura (em casa) ou lanternas (fora).
- Ao atravessar uma rua, usar o comportamento dos outros como guia.
- Usar aparelhos para surdez, fones de ouvido, amplificadores de campainha e de telefone.
- Olhar de frente para as pessoas enquanto conversa, avisá-las que não ouve bem; perguntar imediatamente quando não escutar ou não entender o que foi dito.
- Andar mais devagar, usar bengala, calçar sapatos confortáveis, de solado mais grosso e com sola antiderrapante, evitar chinelos (com e sem meias).
- Usar capachos e tapetes com a parte inferior emborrachadas.
- Usar cadeiras e sofás dos quais seja fácil se levantar.
- Usar grades protetoras na cama, barras de apoio no box do banheiro, elevadores de vaso sanitário e corrimões em todas as escadas; instalar travas e alarmes para ficar mais tranqüilo dentro de casa (mas deixar uma chave com alguém para casos de emergência).
- Usar protetores de ouvido se o entorno for muito barulhento, tais como condicionadores e aquecedores de ar.
- Andar em ruas bem iluminadas e pouco acidentadas.


CUIDADO COM AS CRIANÇAS EM CASA

Cuidado com os envenenamentos em casa, esse é o alerta de uma organização britânica dedicada à prevenção de acidentes com crianças. A cada ano, mais de 25 mil crianças são levadas aos hospitais na Inglaterra por conta de envenenamento acidental por medicação ou produtos químicos, como por exemplo, produtos de limpeza.

Infelizmente em nosso país os fatos não diferem muito, não cultivamos a prática de guardarmos as substâncias perigosas longe das crianças. As embalagens de produtos de limpeza por exemplo, são coloridas e chamativas para estimular o consumo porém também atraem as crianças. Os pequenos com menos de cinco anos são naturalmente curiosos e ainda costumam provar as coisas que descobrem. A prática mais comum é guardarmos os alimentos nas prateleiras mais altas e deixar nas partes mais baixas dos armários, os produtos químicos e materiais de limpeza, ao alcance das crianças pequenas.

 

Verifique se as substâncias perigosas estão guardadas em local fora do alcance das crianças ou trancadas.

  Como evitar problemas?

•  Verifique se as substâncias perigosas estão guardadas em local fora do alcance das crianças ou trancadas. 

•  Principalmente certifique-se que os medicamentos não estejam em gavetas de cabeceira ou mesmo em bolsas de mão, locais de tentação para a exploração infantil.

•  Consulte a lista telefônica e coloque em local visível o número do telefone do centro de intoxicações de sua cidade.

•  Em caso de ingestão acidental de qualquer produto perigoso, não tome medida alguma sem consultar os especialistas.


ERGONOMIA E ENVELHECIMENTO: UM ESTUDO DOS ACIDENTES NOS LARES E O USO DE PRODUTOS DOMÉSTICOS POR IDOSOS NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

Fonte: Site FacilitaJá

Este artigo é parte de um projeto de pesquisa que vem sendo desenvolvido pelo LEUI – Laboratório de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces em Sistemas Humano-Tecnologia, abordando questões relativas a acidentes com idosos no ambiente doméstico – quedas, choques, queimaduras – mau design e mau uso dos produtos do lar por eles. Os acidentes com idosos em relação aos eletrodomésticos vêm aumentando significativamente. Um dos fatores é a má projetação de alguns produtos e outro fator é a chegada à faixa dos 65 anos de grande número de usuários. Nesta fase as pessoas começam a apresentar dificuldades que prejudicam a coordenação motora, o equilíbrio e as seguintes percepções: visuais, auditiva, tátil e olfativa, como apontam questionários aplicados no início da pesquisa.

Um ambiente doméstico pode esconder diversas armadilhas, seja num piso escorregadio, aparelhos eletrônicos, ou mesmo um tapete no meio do caminho que ocasiona quedas. Incidentes ocorrem freqüentemente, com todas as faixas etárias, mas, em se tratando de idosos, implicam maior severidade. Quaisquer danos relacionados a quedas, fraturas, queimaduras, entre outros descuidos, vêm a ameaçar a própria vida do idoso.

Segundo a Sociedade Brasileira de Traumatologia e Ortopedia, 80% dos acidentes com idosos acontecem dentro de casa. E as conseqüências destes acidentes podem ser muito graves, se considerarmos a fragilidade dos ossos e as dificuldades de calcificação, que aumentam com a idade. Estes acidentes, mesmo que não tenham conseqüências físicas graves, tornam o idoso inseguro e restringem ainda mais suas atividades e autonomia.

Pelo menos desde 1980 reconhece-se que um terço dos indivíduos acima de 65 anos e, aproximadamente metade, próximos dos 80 anos, sofre quedas a cada ano (Prudham e Evans, 1981). Uma grande quantidade de todos os registros sobre quedas assinala que estas ocorrem dentro de casa.

Diminuição dos sentidos no idoso

Junto com a idade vem a diminuição dos sentidos, o enfraquecimento do corpo e dos órgãos, devido ao “processo de envelhecimento corporal”. Este introduz diversas limitações físicas: perda da audição, fragilidade dos ossos, perda da visão e da agilidade motora. Esses fatores ajudam a constituir o ambiente emocional negativo em que vive o idoso, criando nele uma sensação de insegurança e gerando uma dependência em relação a terceiros.

Apesar de todas as dificuldades físicas, o que mais afeta o idoso são as mudanças de papel na sociedade, que podem tanto estar relacionada à questão física como ao preconceito. No trabalho os mais velhos cedem lugar para os mais novos ou se aposentam, perdendo o contato com colegas de trabalho; em casa, os filhos crescem e saem de casa em busca de sua própria vida. Estas mudanças podem gerar sentimentos como abandono e solidão no idoso, além de faze-lo sentir-se inútil e desvalorizado, levando à depressão.

O processo de envelhecimento corporal, ao introduzir diversas limitações, agrava a situação emocional negativo em que vive o idoso, desenvolvendo uma expectativa de dependência tanto em si próprio como nas pessoas de seu convívio. Nestas condições, a manutenção de uma vida saudável fica mais difícil, pois os fatores emocionais irão influenciar na alimentação e no desempenho dos sistemas imunológico, nervoso e emocional. O principal cuidado com o idoso deve ser o rompimento da discriminação, trazendo-o a participação na vida familiar e comunitária, aumentando sua auto-estima e bem estar.

O papel da ergonomia

Segundo MORAES, A. (1992), o atendimento aos requisitos ergonômicos possibilita maximizar o conforto, a satisfação e o bem-estar; garantir a segurança; minimizar constrangimentos; custos humanos e carga cognitiva, psíquica e física do operador e/ ou usuário; e otimizar o desempenho da tarefa, o rendimento no trabalho e a produtividade do sistema homem-máquina.

Segundo JORDAN, P. W. (1998), em alguns casos, a usabilidade de um produto pode afetar a segurança de quem usa o produto, como também a segurança de outros. Também há muitas situações domésticas onde a falta de uso em um produto pode ser perigosa. Considere um problema de ergonomia clássico incompatibilidade entre botões e queimadores do fogão. Se, por exemplo, alguém está cozinhando, usando duas ou três bocas ao mesmo tempo e então fecha a errada, ao remover a panela, uma superfície quente seria deixada exposta, podendo causar queimaduras graves.

O fato de problemas de usabilidade variarem e a necessidade de considerarem-se as diferenças dos usuários muitas vezes não é trabalhado durante o design de um produto. Muitas pessoas continuam com o uso regular de uma gama extensiva de produtos domésticos até atingirem idades entre oitenta e noventa anos, com isso, conclui-se que a idade é um fator de design crítico (Hancock, Rogers, & Fisk, 1998 apud Revista Ergonomics in design, 2001 ).

Objetivos da pesquisa

Finalidade : Propiciar um envelhecimento tranqüilo, sem acidentes, que ocasionem lesões e prejuízos à saúde dos idosos, permitindo que estes realizem com cautela e autonomia as atividades da sua vida diária;

Objetivo Geral : Evitar quedas e acidentes de idoso no lar, evitando lesões definitivas e/ ou temporárias que acelerem o processo de envelhecimento da pessoa.

O início da pesquisa

Buscou-se através de questionários ergonômicos aplicados aos idosos, esclarecer esses fatores, direcionados ao convívio no lar com diferentes produtos e por situações de risco vividas diariamente por pessoas da terceira idade. Entrevistaram-se moradores de diferentes bairros da cidade do Rio de Janeiro para a tomada de dados e gráficos, que servirão como base para as conclusões do estudo, que vem sendo desenvolvido desde 2002 na PUC-Rio.

A pesquisa foi iniciada em 2002 com a aplicação de um questionário a 50 idosos acima de 65 anos, após o piloto com treze. Foram incluídas no questionário questões como: as dificuldades fisiológicas mais específicas dos idosos, como está sua inserção na nossa sociedade atual, suas respectivas rendas, aposentadorias e salários, e os aspectos problemáticos sobre segurança e ergonomia a serem resolvidos.

O questionário aplicado abrangeu um púbico 74% feminino e 26% masculino no ano de 2003. Um ponto interessante, e posteriormente aprofundado durante as aplicações desse questionário, foi à constatação de que a maioria dos idosos não admite ter sofrido qualquer tipo de acidente. Quando perguntados, entretanto, se já haviam se queimado, por exemplo, com ferro de passar roupa quase sempre a resposta era sim. Este tipo de atitude parece ser comum em certas investigações com idosos, principalmente em função do padrão de saúde e idade ideais que são impostos socialmente, e que torna difícil na terceira idade aceitar ou lidar com suas reais condições.

O segundo item do questionário definitivo considerava a necessidade de modificações para a segurança dos eletrodomésticos: 72% consideraram muito importantes; 20 % importantes; 6% pouco importantes; e sem importância - 2%. O terceiro item abordava o grau de periculosidade de alguns produtos com maior tendência a acidentes: em primeiro lugar encontra-se o ferro de passar roupa com 54%; a seguir panela de pressão com 20%; fogão 11%, cafeteira e faca elétrica empataram com 6%; e uma minoria de 3% ficou para opção “outros”.

Como continuação da pesquisa, a partir de 2003 - 2 o semestre, para maior aprofundamento, resolveu-se ampliar o número de questionários. Para isso, começou-se desde a elaboração de um novo questionário piloto com 16 idosos, para depois então fazer o definitivo com mais 80 (oitenta), em diferentes bairros da cidade do Rio de Janeiro.

MÉTODOS E TÉCNICAS DA PESQUISA

Aplicou-se um questionário piloto com 16 pessoas na faixa de 56 a 90 anos de idade. Nesse piloto resolveu-se incluir perguntas relativas ao ambiente da cozinha, as atividades exercidas pelos idosos, para se ter uma idéia melhor dos riscos que os mesmos sofrem neste ponto da casa. Após o piloto, aplicou-se o questionário definitivo a 80 (oitenta) idosos de diferentes bairros da cidade.

Após a apresentação dos objetivos da pesquisa, detalhava-se o tema que seria tratado. Neste primeiro contato, antes mesmo de perguntar se a pessoa se disporia a responder, já surgiam dúvidas como – Para que? Com que finalidade? Neste momento verificava-se a importância da linguagem no trato com os futuros entrevistados, pois mesmo entendendo a finalidade da pesquisa em nosso discurso sobre o tema, demonstravam dificuldade em entender certos termos.

Percebeu-se que o respeito e a paciência são fundamentais com os idosos, pois, muitas vezes, o esforço para que se coloquem a vontade é, em geral, maior do que se imagina a princípio. Durante a entrevista, permanecia-se ao lado do idoso, para responder às dúvidas que surgissem, porém não se emitia qualquer tipo de opinião ou indicação, que pudesse interferir na resposta do entrevistado.


CONTROLE REMOTO PARA PACIENTES

Muitas vezes, achar o médico numa urgência não é fácil. Menos ainda quando se trata de tirar uma dúvida. De um ano para cá, hospitais, laboratórios e empresas privadas passaram a investir pesado em recursos tecnológicos para facilitar a comunicação com o paciente. Assim, agilizam-se remoções em casos de emergência e, ao mesmo tempo, evitam-se deslocamentos desnecessários ao hospital ou ao médico.

O mais novo desses equipamentos é um aparelhinho do tamanho de um iPod ligado à linha telefônica que pode ser conectado a uma central de atendimento. Em caso de emergência, o paciente aperta um botão e um sinal é transmitido a uma central que identifica a origem da chamada e entra em contato não só com ele, como também com uma lista de pessoas previamente cadastradas, incluindo o médico. Dependendo do caso, ambulância e hospital são acionados.

A central monitora a chegada de pelo menos uma das pessoas da lista à casa do paciente. Se ele não estiver em condições de falar, a rede é acionada da mesma forma, em minutos. E o paciente só teve de apertar um botão.

"No início, o foco era o cliente mais velho. Mas fomos procurados por pessoas com perfis variados, como os que acabaram de ser operados ou têm filho pequeno em casa", diz José Carlos de Vasconcellos, diretor da TeleHelp, fabricante do item que já vendeu 500 aparelhos no País.

Fabíola Haddad, de 30 anos, está grávida de nove meses e tem o aparelhinho por precaução. "Estou muito bem, só que fico sozinha em casa e sei que, se acontecer qualquer coisa nesta altura do campeonato, não vou ter muita mobilidade e terei que achar alguém rapidamente", conta. "Levo meu aparelhinho para todo lugar, no colar."

VIDEOCONFERÊNCIA

O Fleury, o primeiro laboratório a disponibilizar diagnósticos na internet, criou neste ano um sistema de videoconferência para o paciente tirar dúvidas sobre os exames. Em tempo real, ele conversa com um médico que pode, ainda, dar informações sobre a doença.

Laboratórios e hospitais de ponta também já enviam resultados de exames e confirmam consultas com torpedos ou SMS. O paciente pode também responder por mensagem de celular.

Há recursos que permitem o monitoramento do paciente a distância. O Loop Event Recorder (Looper), por exemplo, usado em clínicas e centros como o Hospital Israelita Albert Einstein, o Hospital do Coração e o Instituto do Coração, em São Paulo , é um aparelhinho para detectar alterações do coração que pode ser levado no bolso.

Conectado ao tórax por eletrodos, ele registra os dados e os transmite a uma central médica. A vantagem em relação ao holter é que ele não grava ininterruptamente por um período de 24 horas. O dispositivo tem um sistema de memória que só grava quando os sintomas aparecem. A programação de gravação pode ser alterada de acordo com o interesse médico. Com isso, pode ficar ligado ao paciente por meses.

Os dados do Looper são enviados pelo paciente por sistema de transtelefônica - transmissão do som codificado pelo telefone. Os sinais são captados numa central, na qual ficam registrados.

Um dos primeiros canais de comunicação 24 horas entre paciente e médico foi criado pelo Hospital Maternidade São Luiz e completa uma década neste ano. O Disque Bebê é um serviço 0800 que começou para socorrer mães que haviam recém-saído da maternidade com dúvidas sobre o aleitamento.

"Cresceu tanto que hoje ajudamos em absolutamente tudo em relação à saúde nos primeiros anos do bebê", diz Márcia Regina da Silva, coordenadora do Disque Bebê. "Hoje 11 enfermeiras atendem 250 telefonemas por dia. Nossas dúvidas poupam 80% das vindas ao hospital."

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