COPA DO MUNO MEXE COM O CORAÇÃO DOS TORCEDORES: PARA O BEM E PARA O MAL

Assistir a jogos importantes, como os da Copa do Mundo, mexe com o coração dos amantes de futebol, como todo torcedor sabe. Vários estudos já mostraram que partidas decisivas podem elevar a ocorrência de ataques cardíacos. Porém, se o time "do coração" vencer, o efeito pode ser exatamente o oposto: a chance de sofrer um problema diminui, como afirma o médico gaúcho Leandro Zimerman, membro do conselho da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac).

A adrenalina aumenta os batimentos do coração e favorece a constrição dos vasos, elevando a pressão arterial. É por isso que fortes emoções, como a do futebol, elevam o risco de arritmia (instabilidade nos batimentos cardíacos) e morte súbita (o coração para de bater devido a algum bloqueio na artéria). Um trabalho feito por pesquisadores da Universidade Ludwig-Maximilians, em Munique, após a Copa do Mundo de 2006, mostrou que o risco de um ataque cardíaco ou outro problema cardiovascular em homens foi três vezes maior nos dias em que a seleção alemã jogou.

"Os estudos apontam para um caso de morte súbita para cerca de 580 mil espectadores de futebol", diz o médico. Em uma relação direta com o futebol brasileiro, seria mais ou menos o equivalente a uma morte a cada 14 jogos do Campeonato Brasileiro, considerando-se um público médio de 45 mil pessoas. Mas o cardiologista chama a atenção para outro estudo, feito pelo pesquisador francês Frederic Berthier, em 2003, com a análise de eventos cardíacos na fatídica final de 1998, quando a França ganhou do Brasil.

O número de mortes por infarto do miocárdio na população masculina francesa sofreu uma redução significativa, de uma média de 32 registrada até cinco dias antes, para 23, nos cinco dias seguintes à final. Cerca de 40% da população francesa acompanhou o jogo pela TV. "Todo momento de estresse intenso, mesmo positivo, pode aumentar os riscos de eventos cardíacos.

Por outro lado, emoções positivas têm efeito protetor sobre o coração", pondera. Ou seja: a decisão pode até colocar o coração do torcedor em risco, mas, após a vitória, os benefícios superam os malefícios porque química do bem-estar age como protetor cardíaco. O médico ressalta, no entanto, que mais estudos são necessários para corroborar esses resultados.

Estudo no Brasil

A emoção de um gol num jogo decisivo gera tantos problemas cardíacos nos torcedores, que a Sociedade Brasileira de Cardiologia decidiu fazer uma pesquisa sobre a influência de um jogo dramático de futebol sobre a saúde dos espectadores brasileiros, nesta Copa do Mundo.

A iniciativa surgiu porque, apesar de relatos, ainda não havia registros confiáveis das causas de eventos cardíacos registrados nesse tipo de ocasião. Quatro hospitais serão selecionados, entre eles Dante Pazzanese e Hospital do Coração, em São Paulo, e o total de eventos cardíacos do mês de maio e sua gravidade serão correlacionados com crises de arritmias, angina, infartos e derrames durante os jogos na África do Sul.

Recomendações

Para evitar que o coração fique vulnerável em situações de emoção intensa, como a Copa, os conselhos são bem conhecidos: praticar atividade física regular, fazer check-ups com frequência, cuidar da dieta, não abusar da bebida alcoólica e abolir o cigarro. Mas, claro, não adianta começar a se cuidar quinze dias antes dos jogos. Para os dias "D", a recomendação de Zimernan é evitar o excesso de sal, álcool e cigarro (que aumentam a pressão) e procurar hidratar-se bem. "Também é importante que as pessoas que fazem uso de medicamentos, como anti-hipertensivos, não se esqueçam de tomá-los nos dias de jogo", acrescenta.

voltar


CRIANÇAS COM DOENÇAS RESPIRATÓRIAS ESTÃO MAIS VULNERÁVEIS A PEGAR TIPO MAIS GRAVE DE GRIPE SUÍNA

Getty Images

Um estudo sobre a gripe suína focando exclusivamente crianças com doenças crônicas, principalmente respiratórias, descobriu que elas estão mais sujeitas a desenvolver uma forma mais grave da Influenza A (H1N1) – popular gripe suína. Isso porque nelas o vírus está apto a mudar seu curso atacando os pulmões. A pesquisa foi publicada no periódico Pediatric Critical Care Medicine.

Os pesquisadores analisaram 13 casos de crianças com gripe suína, internadas no centro de terapia intensiva do hospital pediátrico da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, e concluíram que a grande maioria (92%) que apresentava doenças respiratórias, geralmente problema nos pulmões, como a asma, tinha contraído a doença antes da infecção pelo H1N1. 

Os pesquisadores também descobriram que as crianças com H1N1 que têm problemas respiratórios correm mais riscos de desenvolver um segundo tipo de pneumonia, de origem bacteriana. Os pacientes que foram tratados com Tamiflu entre as 48 horas de internação, no entanto, não tiveram resultados mais significativos do que aqueles que receberam o tratamento com o antiviral depois das 48 horas. 

A boa notícia é que todos os nossos pacientes sobreviveram embora alguns precisassem de ventilação mecânica (usada na ressusitação cardiopulmonar) e de remédios para o coração, disse o autor do estudo, David G. Nichols, professor de cuidados intensivos da Escola de Medicina da Johns Hopkins University.

voltar


PREOCUPAÇÃO AO PÉ DIABÉTICO

O número de amputações de pés diabéticos diminuiu entre a população de baixa renda de Pernambuco, mas ainda é elevada a taxa de hospitalização causada pelas amputações e complicações do pé diabético. Dificuldades no diagnóstico precoce e no acompanhamento desses pacientes nos Programas de Saúde da Família (PSF), que atuam na atenção básica de saúde, explicam esse quadro.

É o que revela estudo desenvolvido pela professora de enfermagem Isabel Cristina Ramos, da Fiocruz Pernambuco. A falta de exame dos pés do diabético e de orientação sobre os cuidados necessários com essa parte do corpo, a falta de controle das taxas metabólicas e o tabagismo são fatores relacionados à ocorrência da amputação.

O pé diabético se caracteriza por lesões nos membros inferiores e é a causa mais comum de internação entre os portadores da diabetes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 2025 haverá 366 milhões de pessoas com diabetes no planeta, o que representa 7% da população. Desses, de 1,5% a 10% terão feridas nos membros inferiores.

Os endocrinologistas recomendam que alguns cuidados sejam adotados pelos diabéticos para evitar feridas. A pesquisa, feita por Isabel no doutorado em saúde pública da Fiocruz Pernambuco, foi dividida em duas etapas. Na primeira foram analisados 4.633 prontuários do ambulatório de clínica vascular do Hospital da Restauração, unidade referência para o atendimento desses casos, no período de três triênios ( 1990 a 1992, 1995 a 1997 e 2003 a 2005).

Na segunda, foram entrevistados 137 pacientes internados no mesmo hospital, no período de 2006 a 2007. A análise dos prontuários revelou que 1.267 (27,3%) pacientes tinham internações por pé diabético. Desses, 874 (69%) desses eram amputados. O maior número de internações ocorreu, por ordem, no primeiro (33%), no terceiro (29,1%) e no segundo (22,4%) triênio.

A causa mais provável dessa diminuição do primeiro para o segundo triênio foi a implantação do PSF. Já o aumento das internações do segundo para o terceiro triênio pode, possivelmente, ser explicado pela inadequação das condutas de manejo da doença e pelo encaminhamento dos casos graves detectados para o hospital - explica Isabel Cristina.

Segundo ela, a última suposição ganha apoio com a prevalência encontrada no terceiro triênio, quando o Ministério da Saúde implantou o Plano de Reorganização da Atenção à Hipertensão Arterial e a Diabetes Mellitus. As amputações ocorreram em maior número no segundo triênio (73,9%), no terceiro (67%) e no primeiro (66,7%), respectivamente. O crescimento das amputações do primeiro para o segundo triênio deve-se ao aumento de internações referenciadas pelos PSF, como constatado na outra etapa da pesquisa - esclarece.

Dentre os amputados, 58,9% eram moradores da Região Metropolitana do Recife, área do estado com maior concentração de equipes de saúde da família e 95,2% foram admitidos no hospital com a glicemia acima de 126 miligramas (mg) por decilitros (dl). De acordo com resultados do estudo, esse é um fator que aumenta em duas vezes o risco de amputação, já que a taxa limite de glicemia em jejum fica entre 70 mg/ml e 99 mg/dl. A prevalência das amputações foi maior no grupo etário de 60 anos ou mais (69,5%) e não houve diferença estatística significante entre homens (55,3%) e mulheres (54,7%). (21/08/08)

voltar


ACUPUNTURA NOS PACIENTES DE CÂNCER

Meia hora de sessões de acupuntura três vezes por semana nos mesmos dias da aplicação da quimioterapia foram suficientes para acabar com as dores, náuseas, vômitos e desconforto provocados pelo tratamento - e que tanto incomodam pacientes com câncer. A conclusão apareceu em um estudo feito na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) com pacientes tratados no Hospital A.C. Camargo.

O objetivo do trabalho foi unir as técnicas da medicina oriental com os métodos de pesquisa ocidental, buscando um tratamento para aliviar o incômodo dos pacientes que precisam se submeter a uma quimioterapia - cerca de 80% deles apresentam efeitos colaterais. Normalmente, alguns hospitais ministram remédios para tentar combater esses sintomas, mas não são sempre eficazes ou perdem o efeito depois de algumas aplicações.

"A acupuntura clássica com agulhas para estimular os pontos chamados reflexos conseguiu restabelecer o equilíbrio do paciente com resultados terapêuticos muito positivos", afirma o médico Wu Tu Chung, responsável pela pesquisa. "Os pacientes relataram que não tiveram mais vômitos ou náuseas e que a intensidade das dores diminuiu muito, do primeiro ao sétimo dia após a sessão de quimioterapia", disse ele. O trabalho acompanhou 64 pacientes entre 22 e 66 anos que tiveram câncer.

 

Depois da pesquisa, o médico implementou o tratamento com acupuntura para pacientes oncológicos no hospital e, com isso, diminuiu a ingestão de remédios, principalmente entre as pessoas que não apresentavam melhora com os medicamentos. "Os pacientes do Centro de Dor são encaminhados para a acupuntura e também os que precisam fazer quimioterapia", explica o médico. "Provavelmente os estímulos ou a pressão nos pontos liberam substâncias neuroquímicas, que tornam não-sensível a zona gatilho do quimioreceptor no cérebro, prevenindo esses efeitos colaterais", afirma.

Segundo ele, o que indica a reação à quimioterapia e o sucesso da acupuntura não é o tipo de tumor do paciente, mas sim o tipo de remédio quimioterápico que está sendo usado - alguns provocam mais efeitos colaterais do que outros, além disso, as reações dos pacientes são diferenciadas. (16/06/08)

voltar


HomeCare Plus
Todos os direitos reservados 2006