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EXERCÍCIOS AERÓBICOS PODEM AUMENTAR VOLUME DO CÉREBRO
A prática regular de atividades físicas pode provocar mudanças benéficas no cérebro tanto de pessoas saudáveis como naqueles com esquizofrenia, segundo estudo publicado na edição de fevereiro da revista médica Archives of General Psychiatry. De acordo com pesquisadores alemães, a análise do cérebro de 24 pessoas mostrou que a realização de exercícios aeróbicos pode aumentar o volume do hipocampo - área do cérebro ligada à regulação da memória e das emoções -, com a formação de novos neurônios. E isso seria particularmente benéfico para pessoas com esquizofrenia, já que esses pacientes sofrem uma redução significativa dessa área do cérebro.
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"Ao contrário de outras doenças que podem apresentar características psicóticas, como o transtorno bipolar, a esquizofrenia é frequentemente caracterizada por uma recuperação incompleta dos sintomas psicóticos e por incapacidade persistente", escreveram os autores na publicação. "Essas características clínicas da doença podem estar relacionadas a um prejuízo à plasticidade neural ou mecanismos de reorganização da função cerebral em resposta a um desafio", completaram. E o estudo mostrou que o exercício pode ajudar a formar novos neurônios aumentando a plasticidade neural dos participantes, inclusive naqueles com o transtorno mental.
No estudo, oito voluntários com esquizofrenia e oito saudáveis foram selecionados para se exercitarem três vezes por semana durante 30 minutos na bicicleta ergométrica, enquanto outros oito pacientes com o transtorno mental apenas jogavam "futebol de mesa" - que melhora coordenação motora e concentração - no mesmo período. Todos eles passaram por testes de coordenação motora, ressonância magnética, testes neuropsicológicos e outras avaliações clínicas antes e após 12 semanas de programa.
E as análises mostraram que, após os exercícios, o volume do hipocampo havia aumentado em 12% nos pacientes com esquizofrenia e em 16% nos voluntários saudáveis. "Para oferecer um contexto, a magnitude dessas mudanças no volume seria similar ao que é observado para outras estruturas subcorticais quando pacientes mudavam de uma terapia farmacológica anti-psicótica típica para uma atípica", explicaram os autores. Por outro lado, aqueles pacientes que apenas jogaram o "futebol de mesa" experimentaram 1% de redução no volume do hipocampo. Além disso, aqueles fisicamente ativos melhoraram seu condicionamento e tiveram melhores resultados em testes de memória de curto prazo. |
Porém, os especialistas destacam que mais estudos são necessários para confirmação. "Mais estudos clínicos são necessários para determinar se uma melhora adicional na incapacidade relacionada à esquizofrenia poderia ser obtida ao incorporar exercícios no planejamento do tratamento e na escolha do estilo de vida para pessoas com a doença", concluíram os autores.
EXERCÍCIO, OU DIETA, REDUZ RISCO DE PROBLEMAS CARDÍACOS, MAS ALIAR OS DOIS NÃO AMPLIA BENEFÍCIO
Exercício físico ou restrição alimentar. Qualquer dos dois fatores evitou que ratos obesos desenvolvessem disfunção cardíaca, segundo um estudo feito na Faculdade de Medicina em colaboração com a Escola de Educação Física e Esporte, ambas da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho indicou também que a associação das duas condutas não medicamentosas não resulta em benefício adicional na função cardíaca. A explicação dos pesquisadores para isso é que cada uma das intervenções isoladamente já é suficiente para evitar que a obesidade crônica provoque a disfunção cardíaca.
De acordo com Carlos Eduardo Negrão, diretor da Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e orientador do estudo, as alterações cardíacas decorrentes da obesidade podem ser evitadas “se a restrição alimentar ou o exercício físico for utilizado como conduta não medicamentosa para interromper o processo de obesidade crônico”, disse.
Além de avaliar os efeitos do treinamento físico e da restrição alimentar na função cardíaca, um dos objetivos do estudo foi tentar esclarecer o papel dessas intervenções nos mecanismos moleculares envolvidos nas alterações cardíacas causadas pela obesidade. Os resultados fazem parte da tese de doutorado “Efeito do treinamento físico e da restrição alimentar na função cardíaca e resistência à insulina em ratos obesos”, de Ellena Paulino, feita com apoio de Bolsa da FAPESP e defendida em novembro de 2009, com orientação de Negrão.
O docente também coordena o Projeto Temático “Exercício físico e controle autonômico na fisiopatologia cardiovascular”, apoiado pela Fundação, e é professor titular da Escola de Educação Física e Esporte da USP. “O estudo acrescenta conhecimentos importantes sobre o papel do exercício e da restrição calórica nos mecanismos moleculares associados à função cardíaca na obesidade”, disse Negrão.
Na pesquisa, ratos wistar machos foram alimentados com dieta normocalórica (quantidade normal de calorias) ou hipercalórica (rica em gordura e açúcar) durante 25 semanas. Após esse período, os animais alimentados com a dieta hipercalórica foram subdivididos em quatro grupos e acompanhados por mais dez semanas. No primeiro grupo, os ratos continuaram recebendo a dieta hipercalórica e foram mantidos sem treinamento físico. No segundo, continuaram com dieta hipercalórica e foram treinados. No terceiro, deixaram de receber esse dieta para serem submetidos à restrição alimentar (menos 20% da ingestão diária). No quarto grupo, os ratos foram submetidos ao treinamento físico e à restrição alimentar. |
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“Após a vigésima quinta semana, os animais submetidos à dieta hipercalórica não apresentavam alterações na função cardíaca, embora já apresentassem substancial ganho de peso”, explicou Ellena. “Após mais dez semanas de alimentação rica em gordura e mais ganho de peso corporal, eles apresentaram alteração na força de contração do coração e nas proteínas moleculares envolvidas nessa função. Isso foi evitado nos animais submetidos ao exercício físico ou à restrição alimentar”, contou.
Outros benefícios
Outro resultado importante sobre o papel do exercício e da restrição alimentar alcançado no trabalho está relacionado ao metabolismo de lípides. “A restrição alimentar em associação com o exercício físico diminuiu significativamente a esteatose e a hipertrigliciridemia em animais obesos”, disse Ellena. Mas se por um lado a associação da restrição alimentar e do exercício físico não mostrou efeito cumulativo nos parâmetros cardíacos, por outro lado essas duas intervenções associadas diminuíram a quantidade de gordura estocada no fígado de animais obesos (esteatose hepática) e, também, os níveis de triglicérides plasmático.
“Embora a restrição alimentar isoladamente diminua a quantidade de gordura acumulada no fígado, ela aumentou a concentração de triglicérides plasmático, o que sugere um aumento na resistência hepática à insulina. Esses são achados importantes. Sabe-se que a esteatose, triglicérides aumentados e a resistência à insulina elevam o risco de doença cardiovascular”, destacou Ellena. Segundo a pesquisadora, o trabalho permite concluir que a restrição calórica e a prática de exercício devem ser recomendadas para a prevenção de alterações cardíacas e metabólicas causadas pela obesidade.
CONTROLE DA INFECÇÃO É DEFICIENTE EM MAIS DE 90% DOS HOSPITAIS EM SÃO PAULO
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O controle da infecção hospitalar é deficiente em mais de 90% das instituições de São Paulo. Essa é a conclusão do levantamento inédito realizado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), apresentado à imprensa nesta segunda-feira (13/04). O Cremesp visitou uma amostra aleatória de 158 hospitais, sendo 56 da capital e região metropolitana e 102 do interior do Estado.
Foram aplicados formulários padronizados, previamente elaborados para avaliar a estrutura e as condições de trabalho necessárias para o controle da infecção hospitalar. O estudo constatou que cerca de 92% dos Programas de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH) não atendem a pelo menos um dos itens obrigatórios de organização e funcionamento. Quanto às Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), 82% não atendem a pelo menos um dos itens avaliados.
Segundo o presidente do Cremesp, Henrique Carlos Gonçalves, as entidades que apresentaram problemas já foram notificadas e está prevista uma nova visita do Cremesp e do Ministério Público em 90 dias. "Nossa expectativa é que, durante este período, possa ter havido correção dessas irregularidades e esteja estabelecida a necessidade de se combater a infecção hospitalar com programas de controle e ações efetivas", afirmou ele, durante coletiva à imprensa.
Infecção hospitalar é toda infecção adquirida após a admissão do paciente na unidade hospitalar e que se manifesta durante a internação ou após a alta, desde que relacionada com os procedimentos hospitalares. A maior parte das infecções é causada por bactérias, mas também pode ocorrer por fungos e vírus. No Brasil, estima-se que de 5% a 15% dos pacientes internados contraem alguma infecção hospitalar. O problema aumenta o período de internação, em média, em cinco a dez dias.
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Em praticamente metade dos hospitais visitados não existia um Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH) formalmente elaborado para prevenção do problema. O levantamento constatou, ainda, que:
- 28,1% dos hospitais não possuem de forma adequada o conjunto para lavagem das mãos (pia com água corrente, sabão líquido e toalhas de papel) nas áreas críticas;
- 20,9% realizam práticas inadequadas de esterilização (por exemplo, uso de embalagens inadequadas, esterilização em estufa, pastilhas de formalina etc) ou não mantêm controle dos prazos de validade da esterilização;
- 31% das centrais de esterilização de materiais (instrumentos cirúrgicos e outros) não dispõem de barreiras que limitem adequadamente as "áreas sujas" e as "áreas limpas".
O relatório completo (em pdf) pode ser visto no site do Cremesp.
CERCA DE 15% DOS PACIENTES SUBMETIDOS À CIRURGIA DE OBESIDADE VOLTAM A ENGODAR
Mais de 10 milhões de brasileiros são obesos, segundo dados recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para muitas dessas pessoas, a cirurgia é a última esperança para combater o excesso de peso e todas as doenças associadas ao problema.
Dr. Bruno Zilberstein, especialista em cirurgia do aparelho digestivo e professor associado da faculdade de medicina da Universidade de São Paulo explicou que todas as técnicas têm como objetivo principal reduzir o volume do estômago para, assim, limitar a quantidade de alimento ingerida. Em alguns casos, é feito um desvio no intestino para que a pessoa também absorva menos calorias.
"A cirurgia é basicamente indicada para pessoas com Índice de Massa Corpórea (IMC) superior a 35 ou 40, ou pessoas com problemas de saúde em decorrência do excesso de peso", explica Zilberstein.
Ou seja, quando o perigo de continuar obeso justifica o risco de morte associado às cirurgias, que chega a 1%. "Para se ter u | |