SÍNDROME CHAMADA TANOREXIA - A OBSESSÃO PELO BRONZEADO

Que pegar sol faz bem à saúde porque aumenta a auto-estima e melhora o humor, todo mundo sabe. O que poucos imaginam é que enfrentar a radiação solar sem a devida proteção pode ser sintoma de dependência química. Médicos americanos já batizaram aqueles que buscam um corpo dourado a qualquer custo de ‘sunaholics' — expressão inglesa para ‘viciados em sol'. No Brasil, a compulsão ganhou outro nome: tanorexia.

Um dos primeiros estudos a revelar que a tanorexia pode ter origem biológica foi feito na Universidade do Texas, nos EUA. A equipe do pesquisador Richard Wagner submeteu 150 voluntários a questionários sobre dependência ao sol. Entre as questões havia perguntas referentes à freqüência, tempo e vontade de exposição à radiação solar. Até 53% dos entrevistados se encaixaram na categoria de dependentes químicos.

Segundo alguns médicos, os raios ultravioletas estimulariam a produção de endorfina, substância responsável pela sensação de prazer e bem-estar. “Não é à toa que países com baixa incidência solar registram altos índices de depressão.

Mas é preciso ter cuidado. Há quem se exponha ao sol por necessidade, como ambulantes e pescadores. E há quem o faça por pura vaidade, como os tanoréxicos. O câncer de pele é o câncer da vaidade por excelência”, alerta o dermatologista Carlos Barcaui.

Até pouco tempo atrás, a atriz e apresentadora Fernanda Pontes, 25 anos, só ia embora da praia depois que o sol se punha. Freqüentadora de Itacoatiara e Geribá, sempre foi a primeira a chegar e a última a sair. “Sou do tipo que torce para o horário de verão chegar logo para curtir uma horinha a mais de sol. Quando não posso ir à praia, fico até mal-humorada”, entrega.

Hoje, Fernanda não põe os pés na areia sem um verdadeiro arsenal de guerra: filtro solar, protetor labial, guarda-sol, viseira e óculos escuros. Além de não se expor mais o dia inteiro na praia, mantém-se hidratada e evita o horário de maior pico dos raios solares — das 10h às 16h. Ela só não abre mão de um único hábito: o de tomar um suco feito de laranja, beterraba e cenoura — receita “infalível” de seu pai, Fernando. “O gosto pode ser ruim, mas o bronzeado fica bonito”, garante Fernanda, disfarçando uma careta.

Para o dermatologista Murilo Drummond, o maior aliado que alguém pode ter contra a radiação ultravioleta é o filtro solar. “Protetor solar é tão importante que deveria ser vendido com receita médica. Na maioria dos casos, a pessoa pensa que está protegida e, infelizmente, não está”, alerta.

Mas a pele não é a única vítima do sol. Segundo o oftalmologista Luiz Carlos Portes, a exposição excessiva pode causar desde ardência e irritação até inflamação na córnea. “Não aconselho comprar ócuros esculos em camelôs porque não há garantia de que tenham filtro solar”, previne.
Os tanoréxicos são tão viciados em sol que não importa a eles se o bronzeamento é natural ou artificial. Quando o tempo está nublado, muitos recorrem a clínicas de bronzeamento artificial para manter o corpo dourado. O procedimento, porém, não é aconselhado por dermatologistas.

“Sessões de bronzeamento artificial, para fins estéticos, são totalmente contra-indicadas”, garante Carlos Barcaui. Murilo Drummond concorda. E acrescenta que tais câmaras podem causar envelhecimento precoce. “Em 10 sessões, a pele do indivíduo pode envelhecer 10 anos”, estima Drummond. Ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta para que as vigilâncias sanitárias de todo o País adotassem medidas mais rígidas no controle de clínicas e centros de estética que oferecem bronzeamento artificial.

A medida foi tomada após revelar o drama da estudante Andréa Santos Lindner, 34 anos, que teve 98% do corpo queimado após uma sessão de bronzeamento no Rio. “A curto prazo, a exposição exagerada à radiação ultravioleta pode causar queimaduras e cicatrizes. Já a exposição cumulativa aumenta o risco de câncer de pele”, afirma Rafael Gomes Fernandes, físico e técnico da Anvisa.


POPULAÇÃO DESCONHECE DOENÇA DO CORAÇÃO COMO PRINCIPAL CAUSA DE MORTE

Pesquisa realizada pela Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) mostra que os paulistas desconhecem que os problemas cardiovasculares são as principais causas de mortes no Estado. De acordo com a organização, o infarto é a principal causa de morte em São Paulo , seguida de derrames, câncer e causas externas --como as relacionadas à violência e ao trânsito, por exemplo. A população demonstrou desconhecer os dados e apontou a violência como a principal causa de morte no Estado.

Durante dois dias no mês de junho, 2.096 pessoas, entre 14 e 70 anos, foram entrevistadas em 85 cidades do Estado. O objetivo da pesquisa, foi documentar o grau de conscientização da população sobre os fatores de risco de doenças do coração. "Apesar de ser a principal causa [doenças cardiovasculares], a população não percebe. O Estado tem maior nível de educação [do país], mesmo assim a população desconhece", afirmou o diretor da divisão de pesquisas da Socesp, Álvaro Avezum.

Foram apresentados para os entrevistados dois tipos de questionamentos. Um em que questionava, no geral, a principal causa de morte, e outra que perguntava quais os fatores de risco que se associam a doenças cardiovasculares. O que mais foi citado, segundo Avezum, foi o tabagismo --32%. "Isso significa que 68% da nossa população no Estado não identifica o cigarro como fator de risco cardiovascular. É muito pobre o conhecimento, bem abaixo do que gostaríamos que a população tivesse", afirmou o médico. Pesquisas realizadas na América Latina apontam que os fatores de risco que mais levam aos problemas no coração são, em primeiro a obesidade abdominal, seguida de tabagismo e alterações do colesterol.

De acordo com a pesquisa, a população praticamente ignora os principais contribuintes das doenças cardiovasculares. Depois dos 32% que disseram acreditar que o cigarro é o que mais mata aparecem 18% que apontaram como maior causa da pressão alta, 17% citaram o alcoolismo, 16% sedentarismo e somente 15% apontaram o colesterol como principal fator.

"O grau de conscientização sobre os fatores é inferior a 30%. Significa que 70% da população do Estado não reconhece os fatores de risco associados a infartos, derrames, que são responsáveis por mortes no Estado", disse Avezum. Segundo o médico, a Socesp não imaginava que detectaria níveis tão baixos de conhecimento sobre problemas do coração. Para a organização, a falta de campanhas adequadas sobre os riscos de doenças cardíacas e a maior divulgação de casos de violência.

"Para mudar [de hábitos], a população tem de conhecer. Quem desconhece, não vai buscar prevenção", afirmou o médico. Por ano, no Brasil, cerca de 300 mil pessoas sofrem infarto, segundo Avezum. Um quarto desse volume é do Estado de São Paulo.

A cada dez pessoas que infartam, três morrem em casa ou a caminho do hospital. Dos sete que chegam ao hospital, um morre. Dos seis que recebem alta hospitalar, um morre em um ano. "Ou seja, é uma doença que mata metade de suas vítimas", explica o médico. De acordo com Avezum, se houver a prevenção da obesidade, evita-se 46% dos casos de infarto, ou seja, cerca de 140 mil casos a menos por ano. Se proibir o tabagismo no país diminuiria 38% no número de infartos.

"Evitando isso diminui o número de cirurgias, angioplastias, etc. O impacto é brutal", afirmou Avezum. Seis fatores que aumentam os riscos de doenças cardiovasculares e dois que diminuem são aceitos em todo mundo, segundo o médico. Os elementos que contribuem para os riscos, na ordem, são a alteração do colesterol --LDL alto, chamado de colesterol ruim, e o HDL baixo, chamado de colesterol bom--, cigarro, diabetes, pressão alta, obesidade abdominal e estresse e/ou depressão. Os fatores protetores são a atividade física regular, no mínimo três vezes por semana durante uma hora, e o segundo ponto é comer verduras e legumes diariamente.

 

AUDIOMETRIA NA ROTINA DE EXAMES ANUAIS DOS DIABÉTICOS

Artigo de Bainbridge e colaboradores, publicado no Annals of Internal Medicine, relata o aumento no risco de perda auditiva neuro-sensorial em pacientes com história de diabetes. O estudo utilizou dados da pesquisa National Health and Nutrition Examination Survey. O grau da perda varia de leve a moderado, causando déficits que, apesar de difíceis de detectar, levam a prejuízos substanciais de comunicação. Também foi encontrada uma importante associação entre diabetes e perda auditiva em jovens. 

Pesquisas mostram um maior risco de perda auditiva em diabéticos, mas outros fatores como exposição a ruídos, síndromes que afetam o metabolismo da glicose e a função coclear e o uso de drogas ototóxicas dificultam o estabelecimento desta associação. Atualmente, não há uma recomendação formal para incluir no screening de diabéticos um exame que verifique a perda auditiva nesses pacientes.

O artigo publicado revela algumas diretivas potenciais para pesquisas futuras sobre perda auditiva em diabéticos. Há uma possível relação entre os níveis de glicose no soro , perilinfa e endolinfa que precisa ser melhor investigada. Estudos atuais mostram que o controle glicêmico protege das complicações renais e retinianas da diabetes , mas será que também protege da perda auditiva?

Quais são as implicações clínicas da perda auditiva relacionada ao diabetes ? Baseado no presente estudo, a American Diabetes Association pode recomendar que seja incluída uma audiometria nos exames anuais rotineiros dos diabéticos. É uma intervenção de baixo custo que pode ajudar na recomendação de atitudes benéficas à qualidade de vida dos pacientes, com melhoria da comunicação, produtividade e segurança.

A fisiopatologia que leva à perda auditiva em diabéticos ainda não está estabelecida. Uma possível explicação pode ser a hiperglicemia , causando doença microvascular na cóclea. Apesar de vários exames poderem localizar a lesão - possível causadora da perda auditiva -, não há um equivalente coclear da fundoscopia (exame de fundo de olho) conferindo uma limitação para confirmar os danos à microcirculação do ouvido. (18/06/08)

Dois estudos prévios indicam que as Emissões Otoacústicas por Produtos de Distorção podem mostrar perdas auditivas mais precoces em pacientes diabéticos, com maior sensibilidade do que a audiometria para detectar disfunção coclear.


DIETA RICA EM GORDURA REDUZ EPILEPSIA EM CRIANÇAS

Um estudo realizado por pesquisadores britânicos sugere que uma dieta alimentar rica em gorduras e pobre em carboidratos pode ser eficaz no tratamento de crianças com epilepsia. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista "Lancet".

A dieta, conhecida como cetogênica, é similar à Atkins, recomendando um alto consumo de gorduras e proteínas e baixo de carboidratos, como pães e massas. Os pesquisadores, da University College of London, fizeram uma experiência com 145 crianças com idades entre 2 e 16 anos, que apresentavam crises epiléticas diárias e não haviam respondido a tratamentos com medicamentos.

Metade das crianças entrou na dieta imediatamente e a outra metade iniciou o regime três meses mais tarde. Os especialistas verificaram que as crianças que estavam na dieta tiveram suas crises epiléticas reduzidas em até dois terços, enquanto as que estavam fora dela continuaram registrando a mesma freqüência nas convulsões.

 

Cinco pacientes, afirmaram os cientistas, tiveram uma diminuição de mais de 90% na freqüência das crises. A dieta, no entanto, provocou alguns efeitos colaterais nos voluntários, como prisão de ventre, vômito, cansaço e fome.

Os especialistas ainda não sabem exatamente como a dieta funciona, mas acredita-se que corpos cetônicos, produzidos pela queima de gorduras, ajuda a combater as convulsões. Helen Cross, coordenadora do estudo, disse que os benefícios da dieta já são conhecidos há algum tempo, mas que o regime ainda não é muito divulgado porque enfrenta grande resistência por parte das crianças.

A médica pondera que a dieta deveria ser usada apenas em pacientes com formas severas da doença. "Se a epilepsia for facilmente controlável com a mediação, eu não recomendaria o regime. Mas se pelo menos dois tratamentos já falharam, então a dieta deve ser considerada", disse ela.


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