OBESOS SENTEM MENOS PRAZER AO COMER

Obesos comem mais para compensar o menor prazer que sentem quando comem. É o que conclui um estudo americano publicado na Science desta semana. A explicação, segundo os pesquisadores, está na quantidade liberada de um neurotransmissor – a dopamina – que influencia o grau de prazer trazido pela ingestão de alimentos. Pessoas que têm menos receptores de dopamina no cérebro precisam de mais comida para obter a mesma sensação de prazer, o que as torna mais propensas a ganhar peso.

Os pesquisadores utilizaram imagens ressonância magnética funcional para observar a extensão da ativação da área cerebral na qual há a liberação de dopamina durante o consumo de alimentos – o estriado dorsal. Essa ativação foi medida em resposta à ingestão de um milk-shake de chocolate e de uma solução bem menos saborosa, com gosto similar à saliva.

Os testes foram feitos com 76 mulheres, com idade entre 14 e 22 anos, que tiveram as alterações na massa corporal monitoradas durante um ano. As participantes que tiveram uma ativação mais fraca da área do cérebro monitorada tiveram maior tendência a engordar após o período de observação.

“Nosso estudo oferece evidências de que respostas anormais em regiões cerebrais ligadas à recompensa aumentam o risco de um futuro ganho de peso”, diz à CH On-line Eric Stice, pesquisador da Universidade do Texas em Austin e primeiro autor do artigo. “Pessoas obesas experimentam uma menor recompensa ao comer do que indivíduos magros. Isso provavelmente os leva a comer mais que o necessário para compensar o déficit.”

O estudo investigou também se o ganho de peso das participantes estaria ligado à presença do alelo Taq1A1 – variação genética responsável por um menor número de um tipo de receptor de dopamina. Os resultados mostraram que as portadoras dessa variante tiveram maior tendência a ganhar peso.

“Essa descoberta possibilita que pessoas que tenham esse alelo não sejam orientadas a utilizar medicamentos associados ao ganho de peso, como alguns fármacos antipsicóticos, por exemplo”, afirma à CH On-line Dana Small, professora da Escola Médica da Universidade Yale. Small também é autora da pesquisa – a primeira a combinar dados genéticos e de ressonância magnética funcional para prever a tendência ao ganho de peso.

Prevenção da obesidade
Os autores ressaltam, no entanto, que a interpretação dos resultados não exclui totalmente a possibilidade de que essa resposta menos satisfatória à ingestão de alimentos seja uma adaptação à alimentação excessiva dos obesos. “É possível que essa resposta mais lenta seja fruto de uma desregulação dos receptores de dopamina, ocorrida devido a um longo histórico de uma dieta não saudável”, explica Eric Stice.

Dana Small ressalta que, mesmo que seja esse o caso, é possível que a própria adaptação incremente ainda mais o risco de que um indivíduo sinta necessidade de comer em excesso. Os pesquisadores acreditam que outros estudos do mesmo gênero devem chegar a resultados similares em homens. Eles acreditam que a descoberta da influência da resposta cerebral de recompensa à ingestão de alimento possa auxiliar a formulação de medidas de prevenção à obesidade. (17/10/08)

voltar


OLHOS PODEM INDICAR DOENÇA CARDÍACA

Os olhos podem carregar dicas importantes para o diagnóstico precoce de doença cardíaca, sinalizando danos nos minúsculos vasos sangüíneos muito tempo antes dos sintomas começarem a aparecer, segundo estudo das universidades de Sidney e de Melbourne, na Austrália, e da Universidade Nacional de Singapura. Avaliando fotografias da retina de 3 mil pessoas, a maioria com diabetes, os pesquisadores notaram que aqueles que apresentavam retinopatia tinham aproximadamente duas vezes maior probabilidade de morrer por doença cardíaca no período de 12 anos de acompanhamento. Segundo os especialistas, as pessoas que apresentam essa alteração podem estar tendo o primeiro alerta de que está ocorrendo dano às artérias, e devem trabalhar para a redução do colesterol e da pressão. (14/08/08)

voltar


CIGARRO E OBESIDADE PREJUDICAM À AUDIÇÃO

Pesquisa publicada no Journal of the Association for Research in Otolaryngology diz que fumo e obesidade prejudicam o fluxo de sangue ao ouvido, contribuindo para causar danos permanentes à audição. O estudo envolveu 4.083 mil homens e mulheres com idades entre 53 e 67 anos em sete países europeus. Todos os participantes passaram por um teste audiométrico e responderam perguntas sobre seu estilo de vida e trabalho.

Erik Fransen, um dos autores da pesquisa, da Universidade da Antuérpia, relata que a habilidade de ouvir sons de alta freqüência é prejudicada em fumantes e obesos, pois essas condições podem ameaçar o fluxo de sangue ao ouvido. O estudo também concluiu que a severidade dos danos causados à audição está diretamente relacionada ao grau de obesidade e à duração do hábito de fumar.

Após um ano de uso regular do cigarro, o problema já pode aparecer. E ao contrário de outras partes do corpo, uma vez que o dano ao aparelho auditivo ocorre, não há perspectiva de recuperação. Com o prejuízo do fluxo de sangue para o ouvido, a quantidade de oxigênio que chega à cóclea é reduzida, podendo levar a um aumento de radicais livres no tecido coclear, causando danos, morte celular e eventualmente perda da audição. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), exposição ao barulho excessivo ainda continua sendo a principal causa evitável de perda de audição no mundo. (13/06/08)

voltar


CÂNCER DE PRÓSTATA MATA 15 MIL AO ANO

Cerca de 15 mil homens morrem todos os anos no Brasil vítimas de câncer de próstata, que, depois do câncer de pulmão, é o que mais mata homens no país. A estimativa é do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que prevê 45 mil novos casos da doença até o final do ano. O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Ricardo Cavalcanti, acredita que a estimativa de óbitos é subestimada. As mortes devem chegar a 30 mil por ano – avalia.

Preocupados com a saúde do homem, urologistas de todo o Brasil reuniram-se em Brasília, com o Ministério da Saúde para debater assuntos urológicos que merecem fazer parte da Política Nacional de Saúde do Homem, a ser lançada em agosto pelo ministério. O tratamento do câncer de próstata depende do estágio em que se encontra a doença. Se o tumor estiver localizado, cirurgia, radioterapia ou até uma observação vigilante podem resolver. Daí a importância de um diagnóstico precoce. A SBU culpa o preconceito pela pequena procura a exames preventivos.

Assim como o exame de toque, necessário para a detecção do tumor na próstata, a vasectomia é vista com desconfiança entre os homens. Muitos acreditam que terão a sexualidade afetada pela operação. A maioria é desinformada e machista. Os números seriam bem mais positivos se não houvesse problema cultural – acredita Almeida. De acordo com o Ministério da Saúde, foram realizadas, em 2007, 37 mil vasectomias no país. Por ser uma cirurgia laboratorial, não deveria precisar de internação. No entanto, o ministério gastou R$ 5 milhões em 23 mil internações.

Segundo o coordenador da área Técnica de Saúde do Homem, do ministério, Ricardo Cavalcati, a política nacional que será lançada tem como foco homens de 25 a 59 anos – 41,3% da população masculina. É a população produtiva do Brasil. A saúde dela é a saúde econômica do país – diz o sexólogo.

O câncer de pênis corresponde a apenas 2% dos casos de câncer que atingem o homem. Está relacionado a baixas condições sócio-econômicas e má higiene. A disfunção erétil é outro problema grave. Cerca de 45% dos homens sofrem de uma disfunção leve ou moderada. Queremos incentivar os homens a se prevenirem de problemas de saúde. Segundo o IBGE, em todas as faixas etárias os homens são os que mais morrem – afirma Cavalcanti.

voltar


PERIGO NOS PLÁSTICOS DAS MAMADEIRAS

O Programa Nacional de Toxicologia, órgão do governo dos Estados Unidos, identificou possíveis riscos à saúde no uso do bisfenol-A, substância comumente utilizada para fabricar mamadeiras e outros objetos que incluem plástico em sua composição. De acordo com a agência, testes com animais mostram um possível elo entre a molécula e o aparecimento de tumores benignos, começo precoce da puberdade entre mulheres e alterações comportamentais.

O sistema de classificação de risco da agência americana adota cinco níveis. Por enquanto, o bisfenol-A foi classificado como digno de "alguma preocupação", abaixo de "preocupação séria" e "preocupação", informa a rede britânica BBC. Mais estudos são necessários para esclarecer os efeitos exatos da substância, alega o órgão. O Conselho Americano de Química, representante dos fabricantes de plásticos, ressaltou o fato de não haver preocupações sérias envolvendo o bisfenol-A.

De acordo com a BBC, a substância é onipresente no mercado, sendo identificada na urina de 93% dos americanos com mais de seis anos de idade. As conclusões do Programa Nacional de Toxicologia serão levadas em conta pelas agências governamentais americanas com poder para proibir ou sancionar o uso do bisfenol-A.

voltar


BRASILEIRO ESQUECE DA SAÚDE AO COMPRAR ALIMENTO

Preço e sabor ainda são prioridade dos consumidores na hora de ir ao supermercado. Apesar disso, 80% das pessoas dizem estar preocupadas em ter alimentação saudável. Uma pesquisa do Instituto Ipsos mostra que o brasileiro se preocupa em ter uma alimentação saudável. Mas, na hora das compras, acaba levando outros fatores em conta, como o sabor e preço do produto.

Uma pesquisa nacional feita com mais de 1.000 entrevistados mostra que o sabor, a marca, o preço e a praticidade contam mais do que a preocupação com a saúde na hora da compra. Segundo o Instituto Ipsos, 61% dos brasileiros vêem o sabor como o principal fator na escolha de um alimento. Depois vêm marca (54%), preço (54%), praticidade (46%) e o fato de o alimento ser saudável (35%).

 

Mesmo assim, 80% dos entrevistados acham que tem um estilo de vida saudável. Segundo a pesquisa, as referências sobre alimentos saudáveis são confusas e o consumidor não consegue definir um padrão a partir deles.

Para os nutricionistas, não tem segredo. A dica é investir num cardápio bem simples, além de fugir das tentações e nunca das prateleiras de frutas, verduras e legumes. Esses produtos devem preencher a maior parte do carrinho, ao lado dos carboidratos (massas, arroz e pães). Em relação às proteínas, o queijo do dia-a-dia é o branco. E o leite deve ser consumido todos os dias, pelo menos duas vezes.

Carne vermelha (deve ser consumida) em quatro ou cinco refeições por semana. Nas outras, frango, peixe e até carne de porco - tudo magro. Nada é proibido, desde que haja um consumo comedido.

voltar


“NARIZ ELETRÔNICO” É UTILIZADO PARA RECONHECIMENTO DE MOFO EM BIBLIOTECAS

O desenvolvimento da tecnologia sensorial levantou o interesse pela identificação de odores provenientes de fungos (mofos) como indicadores de deterioração precoce de materiais. Um estudo realizado no Reino Unido utilizou o chamado “nariz eletrônico” para detectar fungos que crescem em papéis. Esse intrumento já é comumente utilizado em estocagem de grãos.

Os resultados mostraram que é possível detectar atividade fúngica em papéis manejados em laboratório a umidade de 75% e 100%. Os sensores foram capazes de detectar 3 diferentes tipos de mofo em papéis e ainda discriminar as espécies. Ainda, diferentes papéis levaram a diferentes odores emitidos. Esse estudo mostra uma nova forma de detecção de mofos, porém maiores informações a respeito dos compostos liberados por eles devem ser fornecidas.

voltar


ENXAQUECA COM AURA PODE SINALIZAR RISCO DE DERRAME

Conduzida em Baltimore, Estados Unidos, pesquisa alerta sobre riscos futuros a que estão expostas mulheres com enxaqueca. Mulheres que têm enxaquecas com aura podem ter mais predisposição ao derrame, em comparação com as que não apresentam o sintoma, revela estudo recente publicado pelo Journal of the American Heart Association.

O risco da associação entre derrame e enxaqueca aumenta, quando outros fatores estão presentes, como crise recente de enxaqueca, tabagismo e uso de contraceptivo oral. “Mulheres que tiveram crises recentes de enxaqueca com aura, no ano passado, são quase sete vezes mais propensas a ter derrame do que aquelas, sem histórico algum” , revela  Steven Kittner, médico neurologista, professor da Universidade de Medicina em Maryland e diretor do Centro de Derrames Maryland,  em Baltimore. “Oito por cento dos casos de derrame tiveram seu início em enxaquecas com aura, comparado ao grupo controle, no ano passado”, esclarece o especialista.

A segunda e provavelmente mais importante descoberta é que mulheres fumantes que têm enxaqueca com aura e também usam contraceptivos orais têm sete vezes mais risco de sofrer derrame, do que aquelas com os mesmo sintomas, porém não fumantes e não usuárias de contraceptivos orais.

Enxaqueca e derrame compartilham fatores de risco, como aumento da pressão arterial e PFO, ambos com base hereditária. PFO é o nome dado ao “buraco” que se forma no coração do bebê, caso a abertura entre o átrio esquerdo e direito não se feche, adequadamente, após o nascimento.

Além do mais, a enxaqueca também têm sido vista como fator de risco para derrames por isquemia (derrames causados por coágulo que bloqueia o fluxo de sangue até o cérebro). Pesquisadores analisaram a incidência de derrames em 386 mulheres entre 15 e 49 anos, que já tinham tido derrame isquêmico e 614 mulheres de idade e etnia similares que nunca tiveram derrame. Baseado em questionário, foram classificadas em 3 categorias: sem ocorrência de enxaqueca, possível enxaqueca sem aura e possível enxaqueca com aura.

 

O Dr. Kittner e colegas descobriram que mulheres com enxaqueca com aura apresentaram chances 1,5 vezes maior de ter derrame isquêmico do que mulheres sem histórico de enxaquecas. “Mulheres jovens que apresentam enxaqueca com aura podem reduzir o risco de derrame, parando de fumar e encontrando outras alternativas para o uso de contraceptivos orais”, alerta.

Apesar dos resultados alarmantes da pesquisa, as chances de mulheres entre 15 a 44 anos sofrerem derrame isquêmico é de 1 a 2 entre 10 mil, por ano, segundo o neurologista. Entretanto, os médicos continuam encorajando suas pacientes para que minimizem fatores de risco.

voltar


ADESÃO DE IDOSOS DIMINUIU NOS PLANOS DE SAÚDE

Preços altos e restrições contratuais das operadoras afastam terceira idade. Idosos vêm aderindo cada vez menos aos planos individuais, por causa do alto custo e da série de restrições que enfrentam nos contratos. Por isso, a terceira idade está recorrendo mais aos planos coletivos nos últimos seis anos. É o que revela um relatório da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), focalizando as mudanças de comportamento dos clientes desde 2000.

A inadimplência levou quase metade dos 2,4 milhões de usuários de planos individuais a cancelar seus contratos no ano passado. Segundo a ANS, 1,1 milhão de pessoas (48,2%) romperam com operadoras. Destes, 519 mil (21,1%) desistiram por iniciativa própria e 419 mil (17,1%) resolveram mudar. Adesões a planos coletivos cresceram em 2006, chegando a 77,7%. Isso indica que muitos beneficiários de individuais podem ter migrado para os coletivos, com ajuda dos filhos.

Presidente da Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos), Benedito Marcílio diz que os altos reajustes dos convênios são a maior causa da inadimplência. Segundo ele, muitos pedem empréstimos para resolver o problema: “Tem gente recorrendo ao consignado para bancar gastos diários”. Ele reclama ainda da diferença de reajustes no País: “Aposentados ganharam 3% do governo, e os planos aumentaram 11%”.

Para a coordenadora institucional da Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), Maria Inês Dolci, o relatório mostra que os brasileiros não estão conseguindo arcar nem com despesas básicas: “Há outros gastos necessários, como luz, água, moradia, educação e alimentação. O salário não cobre”. Com R$ 480 de aposentadoria, Oscar Pinheiro, 78 anos, se queixa: “O que recebo mal dá para pagar minha casa. Como vou ter plano de saúde?”.

No caso dos planos coletivos, dos 6,8 milhões de beneficiários, 3 milhões (44,8%) tiveram seus contratos cancelados por desligamento da empresa. Segundo dados do Ministério do Trabalho, a alta rotatividade no mercado formal colaborou para esse cenário. No ano passado, houve 12,8 milhões de admissões e 11,6 milhões de desligamentos no País.

Para Arlindo de Machado, presidente da Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo), o acesso da população aos planos de saúde ainda é muito reduzido. “É um produto caro. O reajuste é acima da inflação e acaba excluindo consumidores”, afirma. Machado esclarece que muitas desistências acontecem logo nos primeiros três meses após a contratação do serviço.

voltar


CONSELHOS FARÃO RECADASTRAMENTO DOS MÉDICOS DO PAÍS

Os mais de 320 mil médicos de todo o país serão recadastrados. Em reunião neste mês, na sede do CFM, a Comissão de Recadastramento e Registro dos Médicos do Brasil, deu início aos trabalhos para a atualização dos médicos que atuam no Brasil. 

A Comissão, formada pelo diretor do Conselho Federal de Medicina, Gerson Zafalon, pelo presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco, Carlos Vital, e o presidente do Conselho do estado de São Paulo, Henrique Gonçalves, informou que a implementação do recadastramento ocorrerá até o final deste ano.

“Com o recadastramento, atualizaremos os dados dos médicos em atividade, identificando os falecidos, os que mudaram de endereço ou não vivem mais no país”, avalia o conselheiro Gerson Zafalon. Além de atualizar o banco de dados do Conselho, será entregue uma nova carteira de identidade do médico digitalizada, o que tornará o documento mais seguro e dificultará a falsificação. As entidades pretendem, ainda, colocar o cadastro para consulta pública na internet.

O recadastramento será gratuito e o cronograma seguirá o mês de aniversário do médico. Serão duas fases: a 1ª fase o médico fornecerá os dados on-line, e a 2ª será presencial, onde o médico levará ao Conselho Regional do estado ou delegacias os documentos originais necessários. 

Segundo Henrique Gonçalves a medida é importante não só aos médicos e Conselhos, como também para toda sociedade. “O cadastro facilitará a identificação do profissional por parte da população. Com isso, os Conselhos irão proteger a sociedade e os próprios médicos da ação de falsos profissionais”, ressalta Gonçalves. O recadastramento será baseado na experiência do Cremesp que em sete meses já atualizou 80% dos 90 mil médicos do estado.

voltar


VÍTIMAS DE AVC SÃO OS PRINCIPAIS DOADORES

As vítimas de acidente vascular cerebral (AVC) são as principais doadoras de órgãos no Estado de São Paulo. De acordo com levantamento da Secretaria de Estado da Saúde, os pacientes mortos em decorrência do problema respondem por 47,6% das doações.

O segundo lugar é ocupado por vítimas de traumatismo cranioencefálico, com 39,2% das doações. Para os homens, esse tipo de morte ocupa o primeiro lugar entre os doadores. Os dados são resultado da análise de 1.677 doadores viáveis, ou seja, que tiveram pelo menos um órgão aproveitado para transplante, entre 2002 e julho de 2006. As mortes causadas por tumores cerebrais, choque anafilático e asfixia correspondem a 9,7% .

Em 2006, o Estado registrou a melhor marca de transplantes de órgãos e tecidos (incluindo córneas) de sua história. Foram 6.446 cirurgias, 12,9% a mais do que em 2005, quando foram registrados 5.710 procedimentos. Os homens lideraram a lista de doações, com 58,3% do total. A idade média dos doadores (entre 30 e 40 anos) é menor quando comparada com a das mulheres (de 40 a 50 anos).

O coordenador da Central de Transplantes do Estado de São Paulo, Luiz Augusto Pereira, explica que a alta taxa de mortes causadas por traumatismo entre os doadores é um reflexo das mortes violentas no País. Para ele, apesar do aumento das doações, alguns entraves ainda devem ser vencidos. “São Paulo está mais organizado, mas a captação e os diagnósticos de morte encefálica ainda são alguns dos gargalos do sistema”, diz.  

voltar


ABORTO EM PLEBISCITO

A sugestão de levar a plebiscito a proposta de descriminalizar o aborto no Brasil ganhou evidência ao receber a adesão do ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Talvez não seja a via mais eficaz para que a interrupção voluntária da gravidez, dentro de certos limites, deixe de ser crime, mas é o melhor meio de promover um debate qualificado da questão.

De acordo com pesquisa Datafolha publicada no domingo passado, 65% dos brasileiros se opõem a mudanças no "statu quo"; 16% sustentam que o aborto deve ser permitido em mais situações do que as previstas pela lei atual (risco de vida para a mãe e gravidez resultante de estupro); e apenas 10% advogam pela descriminalização plena.

É possível que esses números mudem a partir do momento em que defensores e opositores do direito de aborto começarem a explicitar seus argumentos, a exemplo do que se deu no referendo sobre a proibição do comércio de armas. Mesmo que o eleitor decida que tudo deve ficar como está, o saldo do eventual plebiscito terá sido positivo: a população estará mais informada sobre um tema relevante e cada lado conhecerá melhor os argumentos do outro.

Em Portugal, que adotou a estratégia plebiscitária, foram necessárias duas consultas num prazo de nove anos para que a sociedade mudasse de posição e passasse a apoiar mudanças na restritiva legislação local. Elas foram finalmente sancionadas na semana passada.

Discussões sobre o aborto são sempre difíceis, porque esse é um tema que mobiliza profundas convicções religiosas e humanitárias. Quem as tem -para um lado ou para o outro- raramente se deixa convencer pelos argumentos da parte adversária.

É importante, entretanto, que se tragam para o debate novos elementos que transcendam à questão dos princípios. É aí que devem entrar as considerações de saúde pública. Segundo a metodologia desenvolvida pelo Instituto Alan Guttmacher, centro de pesquisa de saúde reprodutiva e políticas públicas dos EUA, realizaram-se no Brasil 1,1 milhão de abortos clandestinos em 2005, número menor que o de 1992 (1,5 milhão).

Seria descabido cogitar de levar esse exército de mulheres -e seus médicos e parteiras- para trás das grades, como preconiza a legislação. Uma parte dessas brasileiras morre ou fica com seqüelas resultantes de abortos (naturais ou induzidos) que se complicam. Eles já são a quarta causa de mortalidade materna.

O problema das discussões principistas é que elas gravitam em torno de polêmicas insolúveis acerca de quando a vida tem início e deixam de levar em conta a realidade sanitária, que não é alterada por boas intenções ou palavras de ordem. Nem a ciência nem a religião podem dar uma resposta satisfatória e universal sobre quando começa a vida -se na concepção, ao longo do desenvolvimento fetal ou no nascimento. A única alternativa é deixar que o direito estabeleça o ponto, que será necessariamente arbitrário. O conjunto dos cidadãos e cidadãs tem toda a legitimidade para fazê-lo.

voltar


MORTALIDADE INFANTIL ATINGE O MENOR ÍNDICE EM CURITIBA

A taxa de mortalidade infantil registrada em Curitiba, em 2006, ficou em 10,7 por mil nascidos vivos e é a menor da história da cidade. O dado é preliminar e foi anunciado em janeiro/07 pelo prefeito em exercício e secretário municipal da Saúde, Luciano Ducci, durante a entrega de um conjunto de equipamentos para o Serviço de Neonatologia do Hospital e Maternidade Victor do Amaral.

Para Ducci, o desafio agora é baixar o indicador para um dígito. “Vamos continuar trabalhando duro, nessa parceria entre a Secretaria Municipal da Saúde e as instituições de saúde parceiras, para que o próximo resultado atinja 9,8 por mil nascidos vivos ou, se for possível, até menos”, disse.

Para o diretor-geral do hospital, José Soria Arrabal, o acompanhamento proporcionado às gestantes e aos bebês desde o pré-natal pelo programa Mãe Curitibana, da Secretaria Municipal da Saúde, está diretamente relacionado ao resultado alcançado. A avaliação é confirmada pelas estatísticas do programa, que apontam uma redução de 46,6% dos óbitos infantis entre 1998 e 2006. O ano de 1998 foi o que antecedeu a implantação do Mãe Curitibana, quando Ducci foi secretário da Saúde de Curitiba pela primeira vez.

A queda da taxa tende a ser cada vez mais discreta em função dos tipos de causas que atualmente levam ao óbito infantil em Curitiba. Se no passado os bebês morriam por problemas relacionados à assistência básica, hoje, apesar de acompanhados desde o pré-natal e da tecnologia de atendimento neonatal oferecida, muitos não conseguem vencer doenças graves. As cardiopatias congênitas são um exemplo.

O Serviço de Neonatologia do Hospital e Maternidade Victor do Amaral recebeu um conjunto de equipamentos para o atendimento de recém-nascidos de risco. Os equipamentos contribuirão para a continuidade do processo de redução da mortalidade infantil no município. São cinco incubadoras de paredes duplas, um berço aquecido e um respirador.
Cerca de trezentos bebês nascem, todos os meses, no Hospital e Maternidade Victor do Amaral. Destes, 9,6% são prematuros e podem ser beneficiados pelos novos equipamentos. Essa taxa é proporcional à observada no município. A média nos países considerados desenvolvidos oscila entre 8% e 12%.

voltar


UM CRIME CONTRA A SAÚDE

A imprensa brasileira tem divulgado nos últimos dias notícias dando conta de que o Ministério da Educação estaria estudando a autorização de abertura de mais 107 cursos de medicina no Brasil. Tais reportagens atribuem a informação a fontes do próprio MEC. Porém, ressaltam que "apenas" há a confirmação oficial de 70 projetos em tramitação para a criação de faculdades médicas.

Independentemente do número de projetos em tramitação, se 70 ou 107, a possibilidade de tais notícias se confirmarem são extremamente preocupantes na avaliação da Associação Médica Brasileira (AMB), da Associação Paulista de Medicina (APM) e do conjunto das entidades e sociedades de especialidades médicas - tanto em âmbito estadual quanto nacional.  A abertura indiscriminada de escolas médicas é um atentado contra o bom funcionamento do sistema de saúde e gera grave risco à vida dos cidadãos. Inclusive será contestada na Justiça, pois não existem quaisquer critérios técnicos e científicos que justifiquem tal medida.

O Brasil já tem excesso de médicos e nem por isso seus problemas de assistência foram minimizados nos últimos anos. A cidade de São Paulo e outros grandes centros do Estado, como Campinas e Ribeirão Preto, por exemplo, possuem um médico para cerca de 300 cidadãos, proporção muito superior à preconizada como ideal pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de um para mil.

O que falta ao País hoje é qualidade. Infelizmente, esta parece não ser a visão daqueles que deveriam regular a área de ensino. Dos 159 cursos de Medicina criados no País desde 1808, cerca de 50 nasceram a partir de 2002. É um crescimento absurdo e injustificável. Nem na ditadura, época em que se vendia a versão de que não tínhamos um contingente suficiente de médicos, a expansão foi tão grande. Entre 1960 e 1969, surgiram 35 cursos. De 1970 a 1989, foram criados mais 17. Nada comparável ao que ocorre atualmente.

Hoje lideramos, pasmem, o ranking de faculdades de medicina. Já ultrapassamos os Estados Unidos e, inclusive, a China, que tem cerca de 1,5 bilhão de habitantes. A agravante é que boa parte das novas faculdades não oferece ao futuro médico um ensino adequado. As mensalidades são exorbitantes, mas os cursos muitas vezes não têm professores qualificados, faltam-lhes instrumentais básicos e hospital-escola, a grade curricular nem sempre é adequada e existem graves problemas pedagógicos. A cada ano, parcela expressiva dos 15 mil novos profissionais colocados no mercado apresenta formação insuficiente. Esse problema torna-se mais sério pela falta de vagas para a residência médica.

Em resumo, friso uma vez mais, a abertura indiscriminada de escolas médicas representa um risco para a saúde e para os cidadãos. Aliás, segundo o Conselho Regional de Medicina, devido à enxurrada de novas escolas, nos últimos anos, as denúncias de erros médicos aumentaram mais de 130%, o que demonstra a irresponsabilidade daqueles empresários do ensino que tratam a saúde como um simples instrumento de produzir riqueza econômica.

É simplesmente vergonhoso saber que faculdades de medicina são criadas, todos os dias, sem necessidade social. Fica a impressão de que o lobby dos empresários faz o que quer com o aval governamental. Inventam pseudo cursos médicos de três anos, criam facilidades para revalidação de diplomas de formados na Bolívia ou em Cuba e por aí vai. Enquanto isso, o financiamento à saúde continua pífio. Na América do Sul, investimos menos do que a Argentina, Chile, Uruguai e outros. O Brasil gasta ao ano míseros R$ 360 por habitante.

Diante de tamanhos disparates, só nos resta rever conceitos e tratar prioridades com a urgência que elas merecem. Ou encaramos os problemas da Saúde de frente, ou o País continuará em dívida com seus cidadãos. E isso os bons brasileiros não podem, em momento algum, admitir.  

voltar


A SAÚDE SUPLEMENTAR NO MUNDO


A troca de informações sobre os sistemas de saúde suplementar existentes em países das Américas do Norte e do Sul foi a tônica do primeiro dia de painéis e debates do seminário internacional Regulação em Saúde: Qualificação da Saúde Suplementar.

Cerca de 800 pessoas entre representantes de governo, profissionais da área de saúde, de operadoras de planos, pesquisadores e professores universitários debateram assuntos relacionados aos sistemas público e privado de saúde e os desafios enfrentados pelo setor de planos de assistência à saúde.

Na parte da manhã, a primeira mesa redonda do dia debateu o tema Regulação em Saúde e foi coordenada pelo representante da Organização Pan-Americana de Saúde no Brasil, Julio Manuel Suarez. A professora da faculdade de Medicina da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, Célia Beatriz Iriart, falou sobre suas pesquisas nas linhas de políticas de saúde no contexto da globalização e os tratados de livre comércio e do acesso aos serviços de saúde para a população latina. "Em comparação com o Brasil, o sistema norte-americano é muito fragmentado e sua noção de serviço público é completamente diferente do conceito do SUS, que é mais solidário", observou a professora.

Em seguida, Fernando Alvarez del Rio, apresentou a recente experiência do México: "Na década de 90, teve início uma grande oferta de seguros com uma gama variada de serviços, mas a regulamentação não estava bem estruturada e várias empresas foram à falência. Apenas em 2000, houve uma importante mudança na legislação e agora temos entre nossas metas fortalecer a administração corporativa das seguradoras, a melhoraria da disseminação de informação e a qualificação dos prestadores de serviços de saúde".

O Superintendente de Saúde do Chile, Manuel Inostroza Palma, contou que houve conquistas importantes quanto à rede assistencial no país: "Em um ano, o número de prestadores de serviços teve um aumento de 119%", disse ele, que também mencionou como desafios a serem alcançados a maior oferta de produtos pra mulheres em idade fértil e para maiores de 60 anos, além da melhoria dos sistemas de informação para obtenção de maior transparência e para redução de custos.

Ao encerrar o debate, Suarez observou um importante ponto em comum: "Apesar de Chile e México terem modelos de regulação diferentes do modelo brasileiro, os três países têm os mesmos desafios e a mesma preocupação com a questão da atenção à saúde". À tarde, o seminário internacional continuou com a realização de mesas redondas sobre os temas Regulação e seus impactos nos modelos de atenção à saúde e Estímulo e eficiência do mercado.

O coordenador da primeira foi o Diretor do Instituto de Medicina Social da UERJ, Ruben de Araújo Mattos, que teve a seu lado a Secretária Executiva da ANS, Alzira de Oliveira Jorge, o professor de pós-graduação em clínica médica na UFRJ, Emerson Merhy e o Diretor Executivo da Comissão de Revisão de Custos de Serviços Médicos do estado de Maryland, nos Estados Unidos, Robert Murray.

O mercado de saúde suplementar foi o último tema a ser debatido. A mesa, coordenada pelo Diretor de Normas e Habilitação das Operadoras da ANS, Alfredo Cardoso, contou com a participação da gerente da área de saúde da empresa de consultoria em finanças e gestão de riscos e Towers Perrin, Lais Perazo, do Secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Daniel Goldberg, e do Secretário de Acompanhamento do Ministério da Fazenda, Marcelo Barbosa Saintive.

Somente 3% da população mexicana têm plano de saúde. A revelação foi feita pelo Director General de Supervisón Financiera da CNFS (Comision Nacional de Seguros Y Finanzas), numa entrevista após sua palestra no Seminário Internacional Regulação em Saúde da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que se encerra esta quinta-feira, no Hotel Glória, depois de dois dias de painéis e debates.  O México é o país mais populoso da América Latina, depois do Brasil. No censo de 2000 o país tinha uma população de 97,4 milhões de habitantes.

Só para se ter uma idéia de comparação, em 2005 o Brasil tinha 23% da população com cobertura de planos privados de assistência saúde. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que de 2000 a 2005 os vínculos a planos de saúde aumentaram 16,5%, enquanto a população do país cresceu apenas 8,5%.

Fernando Alvarez del Rio informou que os planos de saúde coletivos são oferecidos, normalmente, em seu país, por grandes bancos e algumas empresas de grande porte. Mas os empregados colaboram com uma parte das prestações. E uma terceira alternativa é o caso das pessoas que têm direito a assistência pública de saúde, como é o caso dele, mas buscam também a segurança do plano de saúde privado. Fernando Alvarez del Rio adiantou que os gastos com a saúde privada no México representam apenas 6% do total.

O Director da Comision Nacional de Seguros y Finanzas do México observou ainda que a saúde pública em seu país é muito boa para os casos que requerem exames mais sofisticados, mas salientou que para procedimentos rotineiros é igual ao Brasil. As filas são uma constante e as pessoas demoram, muitas vezes, para serem atendidas

voltar


IDOSOS TERÃO CADERNETA DE SAÚDE

A população com mais de 60 anos terá acesso à Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa. A publicação é um livreto onde os profissionais do setor, ao atenderem um idoso, poderão anotar todas as informações relativas à sua saúde. O objetivo da caderneta é facilitar o constante acompanhamento de cada indivíduo atendido no sistema de saúde publico ou privado. Serão impressos 5 milhões de exemplares. A quantidade é suficiente para atender a 73% da população idosa cadastrada na estratégia do Programa Saúde da Família. Serão investidos R$ 2,4 milhões nesta primeira fase.

Os exemplares serão distribuídos pelo Ministério da Saúde às secretarias do Distrito Federal, das capitais e dos municípios com mais de 500 mil habitantes. As secretarias estaduais ficarão responsáveis pelo envio aos pequenos municípios. Como uma primeira medida para distribuir as cadernetas, elas serão entregues aos idosos cadastrados no programa Saúde da Família no momento da consulta ou da visita domiciliar por uma equipe do programa. O livreto, no entanto, não é de uso exclusivo do programa, ou seja, estará disponível posteriormente nos demais locais de atendimento, como postos de saúde.

A Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa é um documento que o idoso deve sempre portar, principalmente quando for a consultas com profissionais de saúde e aos postos de vacinação. O livreto vai incluir dados básicos de identificação da pessoa, entre eles nome e endereço, como ela é conhecida na comunidade onde vive, número do documento de identidade e tipo sangüíneo. Traz também detalhes sobre hábitos de vida: se fuma, bebe, o tipo do cigarro ou bebida, a quantidade, a freqüência do consumo, se pratica atividades físicas, se mora sozinha e o nome da pessoa que poderia cuidar dela caso precise. Além disso, contém informações sobre ocorrência de quedas, internações, atuais problemas de saúde, medicamentos que está usando e possíveis alergias.

Para complementar a iniciativa de criação do documento, o Ministério da Saúde também lança um Manual de Preenchimento da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, que orienta os profissionais sobre os dados necessários ao preenchimento, além de informar as doenças mais freqüentes na população com mais de 60 anos. O Manual trata ainda sobre o benefício da caderneta no acompanhamento de saúde dos idosos e o processo mundial do envelhecimento.

A caderneta vai permitir aos profissionais avaliar os riscos que a pessoa tem. Não de adoecer, mas de desenvolver algum grau de dependência. O objetivo é propiciar à pessoa idosa viver o maior tempo da sua vida de forma autônoma e independente, explica José Luiz Telles, coordenador da Área Técnica de Saúde do Idoso. Serão confeccionados 50 mil manuais.

voltar


INTERNAÇÃO DOMICILIAR INTEGRA PROGRAMA DE HUMANIZAÇÃO

Seiscentos e cinqüenta pessoas de São Caetano do Sul são atendidas por médicos na própria residência. As consultas diferenciadas, que proporcionam humanização no atendimento e recuperação segura e eficaz, são realizadas na cidade pelo Programa de Internação Domiciliar, implantado em 1998.

A contenção de custos para a Administração e a redução do risco de infecção hospitalar, propiciando a liberação de leitos nos hospitais, são outras vantagens do programa. “As consultas são diferenciadas pelo tempo – 30 minutos cada – e pela atenção especial ao paciente. A internação domiciliar evita transtornos aos familiares, que podem ajudar e acompanhar o tratamento de perto”, explica o coordenador-técnico do projeto, o médico Maurílio Pompilio.

Mensalmente são realizadas visitas aos pacientes cadastrados no programa, que também é conhecido como Médico da Família. Os enfermos recebem os benefícios de um atendimento extra-hospitalar – uma variedade de procedimentos, como curativos, aplicações de medicamentos e consultas especiais fazem parte dos serviços prestados.
“Também atendemos emergências, por telefone, muitas vezes com o apoio da equipe do 199 – SOS Cidadão”, revela Pompílio, especialista em geriatria.

A equipe do programa é formada por oito médicos, um técnico de enfermagem, cinco fisioterapeutas, quatro estagiários e secretárias. O apoio é feito por três carros próprios.

São atendidas pessoas com dificuldade de locomoção – por deficiência física ou cerebral –, devido a enfermidades crônicas e degenerativas, como tumores em fase avançada, mal de Alzheimer, acidentes vasculares, traumatismos, diabetes, insuficiência respiratória e doenças cardíacas compensadas. 90% têm mais de 60 anos.

Alguns pacientes recebem cama hospitalar, cadeira de rodas, andadores, suporte e oxigênio. O programa admite doações de equipamentos.

Para serem atendidos em casa, os pacientes ou familiares têm de comparecer na sede do Programa de Internação Domiciliar (Rua Castro Alves, 885, Bairro Oswaldo Cruz). O interessado passará por consulta e exames clínicos para analisar a necessidade – não substitui a hospitalização quando necessária, pois é um processo de complementação.

Almiris Terezinha Varanis, de 71 anos, é atendida pelo programa há cinco anos. A moradora do Bairro Santa Maria tem artrose nos joelhos e na coluna, além de pressão alta. “Tenho toda a comodidade de receber o médico em casa. Sou bem assistida e a atenção é diferenciada”, relata Almiris, ao observar que sua tia “precisou de atendimento emergencial e foi prontamente auxiliada”.

Antônio Botini, de 80, é cadastrado para receber atendimento em casa há três anos. Sofre de artrose e feridas nas pernas. “Sou grato às visitas dos médicos. Sem o programa poderia estar pior”, observa, enfatizando que, no ano passado, sua esposa Maria Aparecida Alves Botini, de 75 anos, passou por cirurgia no coração e ficou por meses sem poder dar atenção necessária à sua enfermidade.

Morador do Bairro Santa Paula, Botini – pai de quatro filhos, avô de 15 netos e bisavô de seis crianças – faz curativo nas feridas das pernas todos os dias. É conduzido ao centro de saúde pela ambulância do Pronto Socorro. “Tenho total atenção”, completa.

voltar


ESTUDO MOSTRA PROBLEMAS DE SAÚDE NA INGLATERRA

Um relatório divulgado pelo Picker Institute, centro de pesquisas médicas sem fins lucrativos, revelou os principais problemas envolvendo pacientes no sistema de saúde do Reino Unido, comparado com Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Alemanha e Estados Unidos. O estudo critica principalmente a atitude paternalista dos profissionais de saúde como a maior barreira para que os pacientes assumam o papel de responsáveis por sua própria saúde.

O Instituto diz que os que os pacientes querem é conselho de profissionais, que sejam bons comunicadores, que tenham sólidos conhecimentos e atualização constante, que respeitem as preferências do pacientes e estejam aptos a oferecer apoio para que eles próprios cuidem de sua saúde. De acordo com o relatório, o que eles têm é um serviço de saúde atrasado em relação aos outros países, na questão de reconhecer e apoiar o papel ativo do paciente em proteger e promover sua própria saúde.

Os pacientes britânicos são os que menos provavelmente irão receber conselhos de médicos sobre prevenção de doenças e mudanças em seus estilos de vida, assim como informações sobre as cirurgias às quais serão submetidos. Poucos pacientes britânicos estão envolvidos na decisão de seus tratamentos e é pouco provável que tenham sua opinião levada em conta sobre a mudança de um medicamento ou informações sobre os efeitos colaterais. Comparado aos outros países, o sistema de saúde do Reino Unido é o que menos dá instruções claras sobre como monitorar e gerenciar tratamentos. Menos de um quinto dos pacientes com doenças crônicas receberão um plano de auto-gestão de sua condição clínica.

voltar


ICS (INSTITUTO CURITIBA DE SAÚDE) CONTA COM
SERVIÇO DE INTERNAMENTO DOMICILIAR

O ICS ( Instituto Curitiba de Saúde ) já conta com o serviço de internamento domiciliar, também conhecido por Home Care. Muito utilizado em países desenvolvidos, o serviço é um prolongamento da estrutura hospitalar. E é recomendado quando o paciente recebe alta hospitalar, portanto quando seu quadro é estável e permite a continuidade do tratamento em casa. “Para o paciente é muito vantajoso, pois fica diminuído o risco de uma infecção hospitalar e a participação dos familiares no processo reduz o estresse emocional e facilita a cura”, explica a médica Regina Maria de Abreu, que responsável pela coordenação do serviço.

Segundo ela, o ICS apostou nesse programa como uma forma de otimização dos serviços públicos de saúde. “Tanto pela redução de gastos quanto pela qualidade do tratamento, que vai desde o atendimento domiciliar de casos considerados crônicos até o simples atendimento de doentes, como, por exemplo, a troca de um curativo”, justifica a médica.

O barbeiro aposentado Miguel Janovski, 58 anos, que trabalhava no Hospital Nossa Senhora da Luz, é um dos cerca de 112 pacientes inscritos que recebem o serviço. Janovski sofre de uma Erisipela e foi internado quase que desenganado. O tratamento para seu caso necessitaria de que ele fosse ao hospital todos os dias para fazer curativos, o que seria totalmente inviável pela distância e a impossibilidade de locomoção. “Lá no hospital fui informado pelo médico do ICS que solicitasse o Home Care, eu falei que não podia pagar, me falaram que o convênio cobriria tudo. Graças a Deus! Hoje já fazem mais de um ano e três meses que diariamente sou atendido em casa, já sonho até com a cura”, afirmou o barbeiro.

Hoje, Miguel já consegue chegar caminhando até o ICS para a sua consulta mensal com o médico responsável. “Antes, a solução que lhe foi dada foi a de amputar a perna”, comenta sua esposa, a inspetora de ensino Edvirges Janovski. “Nós não tínhamos como levar ele todos os dias ao hospital. Eu cheguei a pedir licença de dez meses para ajudar no tratamento, até que caiu do céu este programa”, comenta ela.

Estrutura

No Home Care, monta-se uma estrutura na residência do paciente similar a de um hospital, conforme cada necessidade, tudo sob a responsabilidade de um médico.O programa soma uma série de vantagens que beneficiam os usuários do plano de diversas formas. Primeiramente aumenta as vagas nos hospitais e, em outro plano, se reduz os gastos sobrando mais recursos para investimento na própria saúde.

O Home Care funciona 24 horas, em escala de plantão, e é composto por uma equipe de médicos que têm a responsabilidade formal na continuidade do tratamento, preservando a ética e o respeito ao paciente. Para isso, conta com uma equipe de profissionais muito bem treinados, entre eles, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos, e ainda com os cuidados indispensáveis dos familiares que se responsabilizam informalmente pela saúde de seu parente.

O Home Care se destaca pela aproximação do terapeuta com o paciente. É o toque humano e afetivo dos profissionais que criam um vínculo de confiança e amizade com o paciente favorecendo a recuperação do doente. “É gratificante, eles são dedicados, atendem a gente tão bem que já fazem parte da família”, disse Edvirges.

voltar


HomeCare Plus
Todos os direitos reservados 2006