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CALÇADA MAL CONSERVA REPRESENTA PERIGO AOS IDOSOS

Levantamento de 2007 do Ministério da Saúde mostra que, nos últimos dois anos, as internações de idosos em hospitais públicos de São Paulo cresceram 12%, saindo de 8.386 para 9.400, na maioria motivados por quedas em calçadas. A capital paulista tem 34 mil quilômetros de calçadas - quase o dobro da distância até o Japão -, com sérios problemas de conservação e padronização, já que o calçamento muda abruptamente da frente de um imóvel para a de outro.

Quedas provocadas pela má qualidade do calçamento atingem principalmente as mulheres mais idosas que, segundo especialistas, as maiores vítimas. "Jovens conseguem minimizar mais facilmente as quedas. Mas, quando ocorrem com idosos, podem levar a conseqüências graves e até à morte", alerta o médico Cláudio Santili, da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot).

Estudo do Instituto de Ortopedia da Faculdade de Medicina da USP revela que, em um mês, o Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas atendeu 548

 

acidentes de trânsito com vítimas, a maioria (242) com pedestres. E as quedas (122) superaram os atropelamentos (116). "As quedas em calçadas quebradas continuam sendo as principais causas de acidentes com pedestres", diz a professora Julia Maria D'Andréa Greve, do Instituto de Ortopedia. "Até porque, apesar do programa municipal de recuperação, pouco foi arrumado de fato." Até julho, a Prefeitura de São Paulo recuperou 315 quilômetros de calçamentos públicos e privados e até dezembro a meta é chegar a 450 quilômetros . Mas, por lei, os donos dos imóveis são os responsáveis por fazer e conservar suas calçadas. (11/08/08)


MULHERES COM DEPRESSÃO TÊM MAIS RISCO DE DOENÇA CARDÍACA

A depressão aumenta o risco das mulheres desenvolverem doença cardíaca, segundo estudo publicado, nesta semana, pela Agência Nacional Estatística do Canadá. Embora as razões dessa relação ainda não estejam claras, os autores acreditam que há um componente fisiológico, que inclui predisposição genética à doença ou marcadores inflamatórios, que pode aumentar o risco de doença cardíaca em pessoas com depressão.

Avaliando dados de quase 5 mil pessoas, os especialistas do StatsCan descobriram que mulheres com depressão têm 70% maior risco de desenvolver doença cardíaca, comparadas com mulheres sem depressão. Por outro lado, eles não encontraram a mesma relação entre os homens. Mas os autores acreditam que o tempo de acompanhamento e o tamanho da amostra podem ter sido insuficientes para mostrar o mesmo efeito nos homens. "Então, se nós acompanharmos por mais alguns anos, nós provavelmente veremos isso aparecendo nos homens", destacaram os autores.

Uma teoria que poderia, em parte, explicar essa relação seria de que as pessoas com depressão são mais propensas a apresentar fatores de risco para doenças cardíacas, como má alimentação, sedentarismo e os hábitos de beber e fumar. Porém, os resultados permaneceram os mesmos considerando esses fatores de risco. Por isso, eles acreditam em uma ligação fisiológica.

De acordo com os especialistas, a doença cardíaca coronariana é a segunda maior causa de incapacidade para os homens e a terceira para a mulher; enquanto a depressão é a quarta maior causa de incapacidade entre os homens e a principal entre as mulheres. Por isso, os resultados destacam "a importância de monitorar o desenvolvimento de doença cardíaca em pessoas com depressão, particularmente nas mulheres". (18/07/08)


PROIBIÇÃO DO FUMO EM LUGARES PÚBLICOS DIMINUI VÍCIO ENTRE ADOLESCENTES

 

Os jovens que moram em cidades onde é proibido fumar em lugares públicos, principalmente nos restaurantes, têm menos chance de se tornarem fumantes regulares, de acordo com estudo divulgado na edição de maio da revista americana "Archives of Pediatrics".

Os adolescentes entre 12 e 17 anos que crescem em um ambiente público para não-fumantes têm chances de fumar claramente inferiores às daqueles que vivem nos centros urbanos onde a legislação é mais permissiva, explica o doutor Michael Siegel, da Boston University of Public Health, responsável pelo estudo.

Na pesquisa, 9,3% dos adolescentes entre 12 e 17 anos se tornaram fumantes, independentemente da legislação relativa ao cigarro. Nas cidades onde a proibição de fumar é parcial, ou inexistente, essa proporção varia de 9,6% a 9,8%, enquanto que, nas cidades onde ela é total, a variação não passa de 7,9%.

"As políticas que proíbem, estritamente, fumar nos lugares públicos parecem ser o meio mais eficaz para lutar contra o tabagismo dos jovens", defendem os pesquisadores. Esse dispositivo antitabaco "altera a percepção segundo a qual os fumantes são dominantes na sociedade e questiona a aceitação social dessa prática. Ou seja, a passagem da iniciação ao cigarro para a dependência se explica, essencialmente, pelas normas sociais veiculadas", afirma Michael Siegel.

Em contrapartida, a proibição de fumar nos lugares públicos não tem efeito sobre a decisão, ou não, de acender o primeiro cigarro, uma escolha influenciada, sobretudo, pelo entorno dos jovens, acrescenta o responsável pelo estudo. No caso dos jovens entre 18 e 21 anos, essa proibição é ineficaz.

"Há um certo período durante o qual é possível influenciar o comportamento dos jovens (...), mas, depois de uma certa idade, é tarde demais", explica o pesquisador. O estudo foi realizado com 3.834 jovens de Massachusetts (nordeste dos EUA), durante três séries de encontros entre 2001 e 2006.


DIABETES E ALZHEIMER

Homens que desenvolvem diabetes pela meia-idade tem um risco significativamente aumentado de desenvolver o mal de Alzheimer mais tarde, de acordo com estudo sueco de longa duração. Realizaram testes aos 50 anos para a diabete, uma doença causada por níveis anormais de insulina. Durante um período médio de 32 anos, 102 participantes foram diagnosticados com Alzheimer, 57 com demência vascular, e 235 com outras formas de demência ou diminuição cognitiva.

A pesquisa, divulgada na revista Neurology, concluiu que homens com baixo nível de insulina por volta dos 50 anos têm aproximadamente 1,5 vezes mais chances de desenvolver Alzheimer que pessoas sem

 
problemas com insulina, e que o risco permaneceu alto independente da pressão sangüínea, índice de massa corporal (IMC) e nível de instrução.

As descobertas têm importantes implicações na saúde pública considerando o aumento do número de pessoas que desenvolvem a diabete e precisam de intervenções mais fortes, disse a autora do estudo, Elina Ronnemaa da Universidade Uppsala, na Suécia. É possível que problemas com a insulina prejudiquem os vasos sangüíneos de cérebro, que levam a problemas de memória e ao mal de Alzheimer, mas é necessário mais pesquisa para identificar os mecanismos exatos.

ASPIRINA PODE REDUZIR CÂNCER DE MAMA EM ATÉ 20%

Uma pesquisa realizada em Londres afirma que medicamentos antiinflamatórios como a aspirina podem reduzir a incidência de câncer de mama em até 20%. Especialistas do Guy's Hospital, na capital britânica, analisaram 21 estudos realizados em um período de 27 anos, envolvendo mais de 37 mil mulheres. "Nossas conclusões indicam claramente que estes medicamentos populares podem, se usados corretamente, desempenhar um papel importante na prevenção e tratamento de câncer de mama", disse o professor de Oncologia Ian Fentiman, que realizou o estudo, publicado no International Journal of Clinical Practice.

 

Estudos prévios sugeriram que AINEs (grupo que inclui, além da aspirina, ibuprofeno) usados tradicionalmente como analgésicos sem apresentação de receita médica, podem proteger contra doenças coronárias.

Os cientistas ressaltam, contudo, que são necessárias mais pesquisas para determinar o melhor tipo de droga a ser usado, sua dose, duração do uso e se os benefícios produzidos ao se ingerir regularmente medicamentos antiinflamatórios do grupo AINE (que não contém esteróides) compensam os efeitos colaterais especialmente em mulheres que já têm a disposição a desenvolver câncer de mama.

"Nossa análise não se deteve nos potenciais efeitos colaterais de usar AINEs regularmente", ressaltou Fentiman. "Eles podem incluir sangramento e perfuração gastrointestinal que pode trazer um risco significativo de deterioração do estado de saúde e morte." "Seria essencial levar esses efeitos negativos em conta antes de justificar o uso rotineiro de AINEs como aspirina para prevenir câncer de mama."


UNICAMP CRIA POMADA DE INSULINA PARA DIABÉTICOS

O produto deve chegar ao mercado até o fim de 2008 custando cerca de R$ 10.  A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) anunciou um creme à base de insulina capaz de reduzir o período de cicatrização de feridas em diabéticos, diminuindo o risco de amputações de membros nos pacientes. Segundo a universidade, é o primeiro medicamento deste tipo no mundo com registro de patente e que é feito à base de insulina (hormônio responsável pela redução da taxa de glicose no sangue).

O produto deve chegar ao mercado até o final de 2008. Segundo os pesquisadores, é uma alternativa mais barata do que outros medicamentos que ajudam a acelerar a cicatrização em diabéticos. "Tivemos um grande sucesso com a pesquisa em animais e já iniciamos pesquisas em seres humanos. Temos 15 pacientes estudados, e os resultados são animadores. Nós queremos ampliar estes estudos para cem pacientes", disse o endocrinologista da FCM (Faculdade de Ciência Médicas) Mário Saad, um dos autores da pesquisa.
 

Segundo Saad, outros medicamentos para acelerar a cicatrização (sem ser à base de insulina) chegam a custar, em média, R$ 90. O novo creme pode chegar ao mercado custando cerca de R$ 10. Ele afirmou que não existe no mercado fórmula semelhante para o paciente diabético. De acordo com a Unicamp, a diabetes atinge cerca de 10% da população adulta brasileira. Uma das principais dificuldades dos pacientes é a dificuldade de cicatrização de ferimentos por falta da insulina. Nos testes em ratos diabéticos, o creme à base de insulina reduziu em até seis dias o tempo médio de cicatrização.

"Quanto maior o tempo da lesão aberta, maior a chance que o paciente tem de contrair infecção. Com esta pomada, nós estaremos acelerando o processo", disse a professora e enfermeira Maria Helena Melo Lima, uma das autoras.

De acordo com os pesquisadores, atualmente o tratamento de feridas em diabéticos é feito basicamente com técnicas de controle da doença e com a assepsia do local. "Algumas outras drogas podem favorecer a cicatrização, mas não acelerá-la", disse Saad. Os testes também revelaram que o medicamento não tem absorção pelo organismo e tem ação apenas no local. 


MEDICINA PERSONALIZADA ESTÁ CHEGANDO

Trata-se de um método no qual os diagnósticos e os tratamentos são adaptados à genética de cada pessoa. Recentemente, duas empresas rivais anunciaram serviços que vão permitir às pessoas examinarem seus próprios genomas por US$ 1 mil.

A empresa deCODE genetics, da Islândia, que já desenvolveu testes genéticos de várias doenças, anunciou no dia 16 de novembro/07 um serviço na Internet chamado deCODEme. Os clientes da empresa fornecem seu material genético, que será comparado com um banco de dados de centenas de milhares de genomas humanos, e uma lista de variações genéticas que estão relacionadas às doenças. Os clientes podem utilizar os dados entregues pelo site para pesquisar informações de seus ancestrais e avaliar o risco de desenvolver várias doenças graves.

No dia 19 de novembro/07, a empresa 23andMe, baseada no Vale do Silício, na Califórnia, anunciou um serviço semelhante. A empresa vai analisar o DNA retirado de uma amostra de saliva dos clientes e disponibilizar os resultados online, com proteção de senha para apenas o interessado poder acessar. A Navigenics, outra empresa da Califórnia, vai anunciar em janeiro um novo serviço, que terá maior participação de médicos. O custo será em torno de US$ 2,5 mil.


TURISMO ANTI - ALÉRGICO

A TripAdvisor a maior comunidade mundial de viajantes anunciou este mês, o resultado de sua pesquisa anual com viajantes 2.500 de todas as partes do mundo. O principal tema mais preocupante para os viajantes são com as bactérias, germes e vírus quando viajam. Nos EUA, hotéis estão investindo em oferecer quartos antialérgicos. Entre os artifícios para evitar a poeira estão a substituição de cortinas por persianas, a retirada de carpetes e a instalação de purificador de ar. O Hilton Chicago Hotel Airport converteu 13 de seus apartamentos para viajantes alérgicos. Já a empresa Pure Solutions, de Buffalo, cobra US$ 2.100 para acabar a alergia de quartos de hotel. No Canadá, o Hotel Vancouver Airport tem 42 quartos especiais para pessoas alérgicas e o Vancouver Waterfront criou um andar livre de penas que teve ocupação de 87% em 2006.


MORTES POR FUMO DEVEM DOBRAR ATÉ 2020

Atualmente, o tabagismo mata 200 mil pessoas por ano no Brasil. “Eu tento largar, mas não consigo. O prazer que o cigarro me dá e a fraqueza em relação ao vício são mais fortes”, diz o professor de educação física, que se identificou pelas iniciais I.F, 24 anos. Ele fuma há 12, metade do tempo de vida. Assim como I.F., pelo menos 17,3% dos adolescentes soteropolitanos já fumaram ao menos uma vez, revela o Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid). Especialistas aproveitam que hoje se comemora o Dia Nacional de Combate ao Fumo para alertar: o tabagismo é uma doença grave, que deve ser tratada.

Um doença letal, que mata cinco milhões de pessoas por ano, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 2020, matará o dobro. No Brasil, são 200 mil mortes anuais. A entidade informa ainda que, todos os dias, cem novos mil jovens começam a fumar. A idade média para iniciação é de 15 anos, na fase da formação da personalidade. Mais da metade dos brasileiros de acordo com o Cebrid.

I.F. foi ainda um pouco mais precoce. Vindo de uma família de fumantes e com acesso fácil ao cigarro, ele começou aos 12 anos. O pai passou por uma cirurgia de redução do pulmão e largou o vício junto com a mãe. “Eles se ajudaram um ao outro e hoje em dia não fumam mais”. Da mesma forma que se espelhou nos pais para dar a primeira tragada, o professor de educação física espera encontrar inspiração para abandonar o vício.

Doença - “O tabagismo ainda é considerado por alguns médicos um fator de risco. Mas temos razões concretas para concluir que se trata de uma doença grave”, afirma o presidente da Sociedade de Pneumologia da Bahia, Guilhardo Fontes Ribeiro, 58 anos. O tabagismo já está classificado no Código Internacional de Doenças da OMS. “Ninguém em sã consciência inala 4.720 substâncias tóxicas que levam a um rol de 50 doenças”, diz Ribeiro.

O médico fumou por 20 anos. Sua história com o cigarro começou ainda na adolescência, como ocorre na maioria das vezes. “Meu pai, meu irmão mais velho, meus amigos eram fumantes. Naquela época, a gente não tinha a gravidade e nem a divulgação que tem hoje. Não se acreditava que o cigarro podia trazer tantos malefícios”. Só depois de formado e informado, é que Ribeiro decidiu parar com o tabaco.

O que não falta é divulgação sobre os riscos que o tabaco traz à saúde. “Todo mundo que usa cigarro sabe o quanto faz mal, mas o prazer é mais forte”, reforça I.F. Por conta da profissão ele não assume publicamente o vício. “Isso me atrapalha profissionalmente. Mas tenho esperanças que vou conseguir me livrar disso”.

O professor de educação física I.F. ainda não procurou nenhuma ajuda específica. Mas, se quiser, existe a sua disposição uma série de tratamentos para a cura do tabagismo. As terapias são principalmente de cunho comportamental, auxiliada pelo uso de antidepressivos, ou com medicamentos à base de nicotina – principal substância contida no cigarro. Estes consistem nas terapias de reposição da nicotina que podem ser de liberação lenta – uso de adesivos, por exemplo – ou rápida. “Se o indivíduo deixar de fumar por um dia, eles notarão o surgimento de uma série de benefícios, como a volta do olfato, por exemplo”, informa o médico Guilhardo Fontes Ribeiro.

Mas não é fácil deixar de fumar. Oito meses longe da nicotina e a aposentada Antônia Rodrigues, 67 anos, ainda sente vontade de dar uma tragada quando vê alguém fumando na televisão. “Mas agora não tem mais aquele desespero, aquela agonia de antes”, diz. Foram 30 anos de cigarro interrompidos por conta de uma cirurgia no fêmur que a deixou longe dos dois maços habituais por 15 dias. Desde então, nada de fumaça. O uso de piteiras que diminuíam aos poucos a necessidade da nicotina no organismo facilitaram a cura recente. “O vício é absurdo. Toda aquela ansiedade. Eu chegava a fumar três cigarros ao mesmo tempo”.

Para a dona de casa Neide Lyrio, pesadelos dispersos são a única seqüela que ficou dos 15 anos de tabagismo. Ela começou relativamente tarde, aos 30 anos, influenciada por um sobrinho fumante compulsivo. Pouco tempo depois se tornou igual a ele.
Em viagens levava um pacote de cigarros e, mesmo assim, sempre estava tensa diante da possibilidade deles acabarem. Após uma gripe em que escarrou “placas pretas” decidiu abandonar o vício. “Se eu ficar perto de uma pessoa fumando eu sinto falta de ar”.

Referência no tratamento de doenças pneumológicas no estado, o Hospital Estadual Octávio Mangabeira (Heom), no Pau Miúdo, lança hoje seu programa de controle de tabagismo. Pacientes internos e aqueles que tiveram consulta no ambulatório da unidade serão incentivados a entrar no projeto de redução de tabagismo coordenado por cinco médicos da unidade hospitalar.

O programa vai tentar identificar o grau de dependência dos pacientes, ao mesmo tempo diagnosticar a quais doenças ele estarão sujeitos por conta do vício. Após esta avaliação, eles serão submetidos a terapias individuais e em grupo. “Os medicamentos de cada paciente serão disponibilizados pela Secretaria Estadual de Saúde. O tratamento em relação aos remédios será individualizado”, informa a pneumologista do Heom, Tatiana Galvão.

Adesivos de nicotina e o antidepressivo à base da substância bupropiona serão os remédios disponibilizados, a depender da situação de cada indivíduo. “Estas medicações vão dar o suporte para que as pessoas ao deixarem de fumar possam enfrentar com mais suavidade a síndrome da abstinência”, explica Galvão. Nutricionistas e psicológicos farão parte da equipe.

A lista de enfermidades relacionadas ao tabagismo é extensa. São mais de 50. Estatísticas mostram que pelo menos 30% de todos os cânceres têm como fator principal o hábito de fumar. O mais comum é o câncer de pulmão. “O uso do cigarro causa um desequilíbrio no aparelho respiratório que pode sofrer não só a ocorrência de um tumor como também o enfisema e a bronquite crônica, além da asma e de outras infecções”, afirma o pneumologista Guilhardo Fontes Ribeiro. O fumo é também um fator de risco para doenças cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e trombose. Como se não bastasse, o tabagismo afeta negativamente a saúde sexual e reprodutiva dos adultos, em vários aspectos, a exemplo da impotência masculina.


DORES NAS PERNAS SÃO SINTOMAS DE DOENÇA ARTERIAL

Caminhadas interrompidas por fortes dores nas pernas, sensação de peso, cansaço muscular freqüente. Os sintomas, geralmente ignorados ou confundidos com o desgaste provocado pelos exercícios físicos, podem indicar um grave problema: a doença arterial obstrutiva periférica, a Daop. O mal atinge geralmente homens acima dos 60 anos mas, nas últimas décadas, tem crescido a ocorrência entre pessoas abaixo dos 40 anos e mulheres, conseqüência do estresse e dos hábitos de vida modernos.

Na prática, a Daop. nada mais é que um processo de entupimento das artérias, semelhante ao que ocorre nos infartos e derrames. As causas, portanto, são as mesmas desses males: obesidade, colesterol alto, hipertensão, hábito de fumar, sedentarismo. Curiosamente, a doença geralmente é descoberta quando o seu portador busca, através da caminhada, uma melhoria na condição física. “Não é a caminhada que causa a Daop., ela só evidencia o problema. As dores podem acontecer após 200 metros de caminhada ou 30 metros”, explica o angiologista do Hospital Universitário Edgard Santos, Ronald Fidélis.

Essas dores, que obrigam o paciente a interromper a caminhada, são conhecidas como claudicação intermitente. Após um pequeno repouso, é possível retomar o exercício, mas as dores retornam logo em seguida. Isso acontece porque as artérias estão recobertas de placas de gordura, processo chamado de aterosclerose, que impede a perfeita circulação do sangue e elevando a pressão nas artérias.

Nesses casos, o diagnóstico deve ser feito por um angiologista, uma vez que a doença é pouco conhecida e há casos de médicos, não especialistas em circulação, confundirem os sintomas com varizes. “A Daop. não é visível, as varizes são obstruções da circulação de retorno e deixam as veias aparentes”, esclarece Ronald. Se não tratada _ inclusive nas suas causas, com redução de peso, controle do colesterol e mudança de hábitos _, a Daop. pode evoluir e provocar dores até mesmo em repouso, chegando, em casos extremos, à gangrena e amputação das pernas.

A doença não tem cura. Além de dietas e programas de condicionamento orientados por médico especializado, o tratamento da Daop. envolve medicamentos e, em estágios mais avançados, cateterismo ou até mesmo cirurgia. Em caso de suspeita de Daop., os pacientes podem procurar o serviço de angiologia do Hupes. A triagem é feita pelo próprio Ronald Fidélis e o atendimento é 100% custeado pelo SUS.


TRATAMENTO DE AVC EM HOME CARE

TJ-SP determina que plano de Saúde cubra tratamento domiciliar para paciente que sofreu AVC. O home care é uma novidade na jurisprudência brasileira, o que significa a humanização do tratamento. Paciente que sofreu Acidente Vascular Cerebral (AVC) tem direito à cobertura do plano de saúde para tratamento domiciliar (home care). A decisão é da Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo ao negar recurso da Sul América Saúde S.A. e garantir a uma paciente que sofreu AVC, além de outras moléstias, a cobertura do home care. O caso foi defendido, com sucesso, pela advogada paulista Renata Vilhena Silva*, sócia do escritório Vilhena Silva Advogados Associados e especialista na área de saúde, que embasou a argumentação no artigo 4º do Código de Defesa do Consumidor, que estabelece, entre outros pontos, sobre atendimento das necessidades dos consumidores e o respeito à dignidade, saúde e segurança.

De acordo com a advogada, o tratamento hospitalar é longo e contínuo, além de ser dispendioso para o plano de saúde. Renata Vilhena Silva afirma que, com a decisão do Judiciário paulista, nasce uma nova jurisprudência já adotada na Medicina, que é a de humanização do tratamento, na qual o paciente pode melhorar com mais rapidez se estiver perto da família, principalmente, em casos que envolvam seqüelas neurológicas. Segundo Renata Vilhena Silva, o tratamento do AVC é obrigatório e tem previsão legal. Entretanto, os contratos de planos de saúde costumam excluir essa modalidade de tratamento.

Inclusive, foi nesse sentido a decisão do tribunal paulista, que considerou que o quadro clínico da paciente talvez exigisse internação, "o que seria mais oneroso para a seguradora do que a prestação de serviço home care". Conforme a decisão do desembargador José Geraldo Jacobina Rabello, relator do processo, neste caso, a Sul América não poderia ter argumentado que o tratamento domiciliar não estava previsto em contrato. "O tratamento 'home care' começou desde o término da internação hospitalar da paciente e os problemas não se resolvem apenas com um 'cuidador' sem conhecimentos específicos", frisou o desembargador Jacobina Rabello ao considerar que a seguradora não poderia adiar o tratamento domiciliar até o final do julgamento, tendo em vista os problemas físicos e mentais da segurada.

Para o desembargador, "ao negar a cobertura do tratamento domiciliar para a segurada, a seguradora atenta contra os direitos absolutos à saúde e à vida". De acordo com ele, a postura da Sul América "beira a um ilícito penal". "Assegurar o direito à vida da paciente, que depende do tratamento para não ser condenada à morte, é indispensável em enfermidade dessa natureza", entendeu o relator ao garantir o tratamento domiciliar da paciente.

Para a advogada Renata Vilhena Silva, apesar de a seguradora alegar previsão contratual para não cobrir o tratamento, além de significar economia, o home care é essencial para a melhora da paciente e, também, para família, que pode assisti-la melhor, mas sem dispensar o acompanhamento médico.


SAÚDE FICA FORA DO PAC

O setor de Saúde sequer foi mencionado no anúncio do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). "No entanto, toda ação para destravar a economia é um passo importante. A economia tem que voltar a crescer e absorver as pessoas sem emprego. A redução da carga tributária - hoje entre 38% e 40% - poderia alavancar o crescimento de uma forma mais rápida. O plano é bem-vindo e deve provocar aceleração no meio empresarial", informa o presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Gabriel Tannus.

Para o setor de Pesquisa e Desenvolvimento, as contribuições do programa devem vir por meio das Parcerias Público-Privadas (PPPs), mas a longo prazo. O pacote anunciado hoje, pelo presidente Lula, "é uma medida de curto prazo, o que não significa que pode ter ação prolongada", diz o executivo. Segundo Tannus, é imprescindível descomplicar o sistema tributário, que precisa ser mais transparente e ter menos brechas para negociações escusas.

"É preciso acreditar", diz Tannus, enfatizando que só a redução na taxa de câmbio não vai ajudar a exportação. "Existem muitos fatores que podem contribuir para o crescimento. Os juros baixando devagar pode ser conservador mas tem seu lado benéfico - pelo menos pode controlar melhor a inflação", conclui.

O setor de Saúde deverá ser beneficiado indiretamente com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo presidente Lula. "Só o fato de o governo se preocupar em lançar um pacote, estimulando os empresários, já sinaliza um movimento positivo em direção ao crescimento capaz de estimular todos os setores", informa o presidente da Central Nacional Unimed (CNU), Mohamad Akl.

"Na área de Saúde, mais especificamente em planos de saúde, o segmento tenderá ao crescimento à medida que as empresas começam a contratar e oferecer aos funcionários mais assistência médica", diz o executivo. "O governo jogou otimismo no País", declara Akl.

No entanto, segundo o executivo, em paralelo a essa ação outras deveriam existir, como a reforma tributária e a previdenciária. "Sem diminuir a carga tributária e gastos públicos não é possível deslanchar a contento", diz Akl.


PLANOS: RECEITAS TÊM AVANÇO DE R$14 BILHÕES

As receitas do mercado de planos de saúde avançaram cerca de R$ 14 bilhões, entre 2001 e 2005. Os dados são os mais recentes divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em setembro do ano passado, no Caderno de informação da saúde suplementar: beneficiários, operadoras e planos. Apesar do crescimento, em 2005, as despesas somadas das operadoras de todos os segmentos ficaram abaixo das receitas respectivamente, R$ 35,076 bilhões e R$ 35,531 bilhões. Isso num mercado de cerca de 2 mil empresas.

O motivo pode ser uma “indexação” de preços provocada pelos reajustes autorizados pela ANS, somado à crescente utilização de novas tecnologias e tratamentos, o que termina onerando as operadoras. No estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) Uma Descrição do Comportamento dos Preços dos Planos de Assistência à Saúde 2001-2005, escrito pelos especialistas Carlos Octávio Ocké-Reis e Simone de Souza Cardoso, os autores alertam para o fato de que, como o reajuste concedido pela ANS é único para planos individuais em todo o País, os prestadores de serviço de hospitais a médicos terminam pressionando as operadoras para repassar o percentual autorizado pelo governo federal. Com isso, defende o texto, essas empresas, que reclamam constantemente da margem de lucro apertada, não conseguem recompor seus gastos.

A definição de um índice próprio para ser levado em conta pela ANS é um tema controverso. As operadoras defendem a utilização da chamada Variação dos Custos Médico-Hospitalares (VCMH), baseados em planilhas das próprias empresas. O estudo do Ipea, com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), aponta que a inflação do setor e os índices de reajuste da Agência estão convergindo. Apesar disso, um levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) defende, utilizando o Índice Geral dos Preços do Mercado (IGP-M), que ainda há uma defasagem de 14,24% entre os aumentos autorizados pela ANS e a inflação, entre 2000 e o ano passado.

As operadoras de planos de saúde defendem a flexibilização dos reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para elas, cada empresa ou região possui uma composição de custos diferentes. A ANS, assim como os consumidores, posiciona-se contra a idéia. O presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Saúde Suplementar (IBDSS), José Luiz Toro, argumenta que o sistema de reajuste único está na hora de ser modificado. “Um índice fixado nacionalmente acaba gerando um efeito cascata, operadoras e prestadores de serviço reajustando pelo teto.” Ele argumenta que, para a flexibilização, as empresas precisam mudar a sua percepção do mercado.

“Nós temos planos de doença. É preciso investir na atenção à saúde, na prevenção de doenças e promoção da saúde. Pela lógica de hoje, com planos de doença, os custos tendem a subir continuamente e o efeito cascata é em decorrência disso, também”, insiste. Apesar da proposta, Toro lembra que o tema chegou a ser discutido pela Câmara de Saúde Suplementar (CSS), órgão consultivo da ANS, formado por representantes de empresas e entidades de defesa dos consumidores, entre outros. O tema deixou de avançar após polêmicas judiciais.

Em 2003, o Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a Lei 9656/98, que criou a Agência, proibiu a ANS de regular contratos de planos anteriores a 1999. Com isso, em 2004, as empresas aplicaram reajustes de até 80%, considerados abusivos pela estatal. Ameaçadas com multas milionárias da ANS, as operadoras acataram o índice oficial daquele ano, 9,27%. Mas, para que houvesse acordo, a ANS aceitou levar em consideração resíduos e os aplicar nos cálculos dos dois anos seguintes.

Para a Agência, uma vitória, pois ela voltou a regular esses planos antigos, para entidades de defesa do consumidor, inaceitável. “Com o represamento e o posterior repasse aos usuários, a confusão gerada provocou retrocessos na discussão sobre os índices regionais. Mas acho que o mercado já está preparado para isso”, diz José Luiz.


AUMENTA A EXPECTATIVA DE VIDA DO BRASILEIRO

A expectativa de vida do brasileiro aumentou em dois meses e dois dias em 2005 na comparação com o ano anterior, passando, assim, para 71,9 anos. A informação é da pesquisa Tábua da Mortalidade, divulgado neste mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 1980, ano em que a entidade fez a primeira pesquisa nesse sentido, a expectativa era de 62,5 anos. Desde 2000, quando o levantamento passou a ser feito anualmente, o brasileiro ganhou mais 1 ano e meio de vida. Em 2006, a expectativa de vida deve chegar a 72,1 anos. Segundo o analista do estudo, Juarez de Castro Oliveira, as variações entre os estados apontam para a existência de um "fosso abissal" no Brasil.

Em Brasília, que ocupa o primeiro lugar do índice, com expectativa de 74,9 anos, uma pessoa vive em média 8,9 anos a mais que em Alagoas, onde a expectativa é de 66 anos. "Devido a desigualdades sócio-regionais, como melhores condições médico-sanitárias”, diz Oliveira.

Apesar da diferença, o pesquisador diz que está havendo queda na desigualdade. Em 2000, por exemplo, a comparação entre Brasília e Alagoas mostrava uma diferença de 9,8 anos. Ele explica que o aumento da expectativa de vida foi realmente maior nos estados que tinham os índices mais baixos, caso de Alagoas, Maranhão (ganho de 2,1 anos em cada um deles) e Pernambuco (2 anos).

“Programas com os médicos de família estão sendo favoráveis para esse ganho, mas a verdade é que mais fácil obter uma redução onde a mortalidade é mais alta”, pondera o coordenador. Os menores ganhos ficaram com o Distrito Federal (1,2 ano), Santa Catarina (1,3 ano) e Rio Grande do Sul (1,4), que tradicionalmente são os mais favorecidos.

Na comparação do ranking mundial, o Brasil ficou na 82ª posição em 2004 em relação aos 192 países acompanhados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os dados de 2005 devem colocar o país na 80ª posição, junto com Belize e Líbano.


HOMECARE: CRESCIMENTO PARA 2007

  

Por: HomeCare Plus Stat, 2006

Em recente análise realizada pela rede HomeCare Plus, existem aproximadamente 130 empresas de atendimento médico domiciliar no Brasil. Estas atendem uma média mensal de 24 mil pacientes/mês, logo 288 mil pacientes/ano. A rede HomeCare Plus estima que o setor como um todo conte com 25 mil profissionais e movimente cerca de R$270 milhões ano.

Se comparado ao ano anterior, 2006 vem se mostrando um ano promissor. Até o terceiro trimestre de 2006, a rede HomeCarePlus estima que este ano o setor testemunhará um aumento de 16-18% no faturamento total do setor. Alguns fatores são cruciais para o desenvolvimento deste mercado, entre eles:

  • Maior reconhecimento da atividade como um todo;
  • Melhor entendimento entre prestadores de serviço e fontes pagadoras;
  • Maior profissionalização do segmento.

Maior Reconhecimento da Atividade no Brasil

A atividade de homecare vem se tornando assunto freqüente na pauta de diversos meios de comunicação. Ainda recente no país, o homecare necessita atingir um grau de reconhecimento por toda a sociedade para, só então, fazer parte do quotidiano. A medida que a atividade é divulgada, seja na mídia ou em congressos e eventos, as vantagens do homecare ficam cada vez mais evidentes. Tal esclarecimento ajuda a derrubar preconceitos e falsos julgamentos. No fim, entende-se que o homecare pode representar uma grande economia e um grande benefício, se bem aplicado.

Melhor Entendimento entre Stakeholders 

Outro fator que impulsiona o crescimento da atividade é um diálogo mais franco entre profissionais, empresários, clientes e fontes pagadoras. Este melhor entendimento é fator conjunto ao maior reconhecimento da atividade. Uma vez que os prós e contras do homecare são bem estabelecidos e esclarecidos, comportamentos negativos, desconfiança e temor em investir no homecare diminuem. A melhor regulamentação da atividade também é benéfica, uma vez que estabelece “regras do jogo”, combate “empresas piratas ou com más práticas” e fortalece o reconhecimento, seja de facto seja de juris , de todo o segmento.

Maior Profissionalização

Entende-se por maior profissionalização a presença de médicos, enfermeiros, cuidadores com maior preparo e capacitação. Novamente, a medida que o segmento se torna mais conhecido, as “regras do jogo” ficam mais claras e o diálogo entre diferentes partes interessadas é estabelecido, ocorre um nivelamento da qualidade dos profissionais de homecare. Com a criação de um ambiente mais competitivo e de maior compromisso e seriedade nos negócios, o mercado como um todo dá espaço a quem merece – entre outras palavras, os profissionais mais bem preparados e com visão ganham destaque.

Home Care em 2007

A rede HomeCare Plus projeta para o ano de 2007 um crescimento de 16% para o segmento de homecare no Brasil, o que significa um faturamento de aproximadamente R$310 milhões. Tal pujança é fruto das conquistas feitas pelo setor nos últimos anos. Tal crescimento está baseado nos mesmos fatores que impulsionaram o setor em 2006. Contudo, muito deve ser feito. O importante é manter o bom trabalho e profissionalismo e dar também chance a novos empreendimentos e inovações.


MÉDICO DA FAMÍLIA - EXPERIÊNCIA NOS EUA

A experiência da Atenção Primária à Saúde e o papel do Médico da Família, nos Estados Unidos (EUA), foram apresentados sexta-feira por dois médicos americanos, na Universidade de Fortaleza (Unifor). Jane Corboy e John Rogers são Médicos da Família da cidade de Houston, no Estado do Texas, além de professores e preceptores da Residência Médica de Medicina da Família da Baylor College of Medicine.

Atualmente, explica Corboy, os Médicos da Família dos EUA estão passando por uma crise de identidade. “Os médicos estão estudando o porquê da sua própria existência”. Um dos motivos é uma relativa competição entre as outras especialidades. Para Corboy, entretanto, essa categoria possui atributos bastante valorizados. O profundo conhecimento sobre o paciente é um deles, já que influencia na humanização dos cuidados em saúde e transforma a relação entre médico e paciente em um companheirismo de anos.

Diferente de outras especialidades, os Médicos da Família levam em consideração todas as influências da vida do paciente - religiosa, familiar, social - antes de avaliar seu quadro. Essa intimidade, acrescenta Corboy, também colabora com a eficácia da proposição de terapias e intervenções. “Pensamos de uma forma complexa, não buscamos apenas uma causa e um efeito”, acrescenta.

Parte do trabalho dos Médicos da Família são dedicados à prevenção, manejo de ferimentos, promoção à saúde, reabilitação e assistência ao parto. Nos Estados Unidos, destaca Rogers, as duas principais causas dos atendimentos são os problemas agudos e crônicos. Estes com tendência a aumentar devido ao envelhecimento da população. “Isso exigirá ainda mais da Atenção Primária”, alerta.

No Brasil, o modelo de organização da Atenção Primária é o Programa Saúde da Família (PFS), adotado há pouco mais de dez anos, de acordo com a coordenadora do curso de Medicina da Unifor, Olívia Bessa. No Ceará, o número de Médicos da Família nas esquipes do PSF ainda é reduzido.

Mas, turmas de residência médica nessa área estão sendo realizadas. A mais recente, acrescenta Bessa, está sendo realizada pela Prefeitura de Fortaleza, com cerca de 50 residentes. Alguns deles, junto com os alunos do curso de Medicina da Unifor, acompanharam ontem a palestra dos médicos americanos.

O primeiro passo de um estudante de Medicina, explica a coordenadora do curso da Unifor, é conhecer o sistema de saúde local e, um dos pontos, é a integração com o Sistema Único de Saúde (SUS). “A Atenção Primária, com a implantação do PSF, é um eixo estruturante de todo o sistema. Mas, comparado a outros países, esse programa ainda está em fase de formatação”, diz Bessa, ao explicar a importância da troca de experiência entre os dois países.


HIPERTENSÃO MATA MAIS NO INÍCIO DA MANHÃ

Portadores da doença correm mais risco de sofrer derrames e infartos nesse período do dia. Logo cedo, ainda pela manhã, quando o nível de estresse ainda não atingiu o seu ápice. É neste período, aparentemente inofensivo, que os hipertensos correm o maior risco de sofrer derrames ou infartos, muitas vezes fulminantes.

O alerta é feito por especialistas que participaram ontem do encontro Novas Perspectivas em Proteção Cardiovascular, no Hotel Pestana, em Salvador. Causas, outros aspectos relacionados com a hipertensão arterial e a troca de informações entre profissionais brasileiros e norte-americanos também foram abordados no evento.

De acordo com pesquisas divulgadas em publicações da área, 70% dos derrames – diretamente ligados ao mau controle da pressão –, 40% dos infartos e 30% das mortes súbitas acontecem entre as 6h da manhã e o meio-dia. O que pode parecer uma curiosidade, a partir de uma coincidência, tem explicação técnica.

“O sono é o momento em que a pressão, alta durante todo o dia, cai, de 10% a 20%. Ao acordar, em alguns indivíduos, ela aumenta muito, o que pode levar à morte imediata”, explica o cardiologista Willie Oigman, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e membro da Fundação de Medicina Alton Ocsher, em Nova Orleans, nos Estados Unidos.

O atendimento à medicação, principalmente no que se refere ao tratamento prolongado, é uma das principais recomendações para se evitar o pior. Muitos desses remédios trazem, também, benefícios à saúde pois combatem outras doenças. “Oitenta por cento dos indivíduos que têm pressão alta estão também com diabetes, obesidade e colesterol alto e podem ser beneficiados”, diz Oigman.

No encontro também estão sendo discutidas as melhores drogas a serem ministradas para os pacientes hipertensos. Segundo o especialista fluminense, os remédios mais antigos, que continuam a ser usados, apresentam uma maior chance de provocar diabetes. “Já as drogas mais modernas diminuem muito essa possibilidade, além de trazerem um valor agregado para os pacientes”, diz. A associação da hipertensão com a diabetes traz sérios problemas para os rins.

‘Sexo frágil' – Ainda segundo as pesquisas, o índice de casos de hipertensão arterial nas mulheres continua aumentando. Um dos fatores que explicam essa elevação é a também crescente conquista de espaços do sexo feminino no mercado de trabalho, com os conseqüentes prejuízos à saúde. “Isso ocasiona o estresse, é o que chamamos de causa extra-orgânica”, esclarece Oigman. Mas a obesidade, o uso de pílulas anticoncepcionais e a herança genética – tanto para o homem quanto para a mulher – são outras causas conhecidas.

Além das recomendações de praxe, como praticar exercícios, há uma frente de combate específica para tentar reduzir um dos principais inimigos da boa pressão: o uso do sal. Inicialmente utilizado como moeda – daí a origem da palavra salário –, o sal passou a ser utilizado como tempero e tornou-se um vilão à boa saúde. “São necessárias apenas quatro gramas por dia, mas o nosso consumo é de 12 a 15 gramas no mesmo período”, diz Oigman.

MOVIMENTO HUMANIZA RELAÇÃO ENTRE MÉDICO E PACIENTES

A dona de casa Luzia de Moraes Sarmento, 70 anos, não gosta de freqüentar consultórios médicos. E, quando agenda a consulta, sua principal exigência não são diplomas de cursos no exterior, mas a simpatia e a paciência do 'doutor' para escutá-la. Luzia faz parte de uma geração em que os médicos atendiam toda a família e em domicílio. Conheciam até mesmo os problemas das unhas dos pés de cada paciente.

Como esta época já passou, um movimento na área médica tenta resgatar uma profundidade maior na relação médico (cuidador) e paciente. O assunto foi debatido anteontem, na Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, durante o encerramento do II Congresso de Medicina e Arte.

Foi a palestra Impacto das humanidades na relação cuidador - paciente, ministrada pelo corregedor do Conselho Nacional de Medicina e cardiologista, Roberto d'Ávila, que introduziu o assunto. O palestrante conta que, há algum tempo, parou de atender pacientes pelos planos de saúde e optou pela consulta particular. O objetivo era dispor de um tempo maior para cada conversa. 'Meu nível de renda diminuiu, mas minha realização como médico cresceu', diz ele, que é um dos grandes defensores da humanização na medicina.

D'Ávila destaca que a saúde em geral vive um momento de intenso desenvolvimento tecnológico e, por isso, tornou-se uma área tecnicista. 'Com isso, as relações atuais entre médicos e paciente são frias, distantes', ressalta. O processo de desumanização tem diversas raízes, sendo uma delas econômico-financeira.

Médicos de todo o país são forçados a atender a um número cada vez maior de pacientes por dia, devido à má remuneração dos planos de saúde. Reina, então, a máxima do 'quanto mais atendo, mais ganho'. E perde-se o diálogo, necessário para que o paciente expresse não só os sintomas, mas suas angústias. 'Sem isso, o médico não consegue se colocar no lugar do doente. Não há empatia', acrescenta.

Outro motivo, segundo o especialista, está nos currículos das faculdades de medicina do país. baseados em uma abordagem científica e tecnicista. Os profissionais deixam as faculdades com uma visão limitada às doenças e às drogas que devem ser administradas em cada caso. 'Isso é insuficiente. Eles precisam enxergar o paciente e não a doença.

Aquela enfermidade pode ter sido causada por uma crise de afeto que o doente está passando', sintetiza o cardiologista. Ele defende a reformulação dos currículos das universidades, por meio da implementação de conhecimentos de filosofia, antropologia e das demais ciências humanas.

Mudanças nas redes de atendimento a estes pacientes também são necessárias. É insuficiente que o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) se baseie apenas nos exames médicos, diagnóstico e tratamento com drogas. 'É preciso ampliar esta rede para um suporte psicológico, por exemplo. E ter em mente que o paciente é um homem comum, com seus problemas, que pensa, sente e sofre', frisou.

O II Congresso de Medicina e Arte, que reuniu especialistas de todo o Brasil, homenageou Nise da Silveira - uma médica alagoana, que, por meio da arte, revolucionou a psiquiatria brasileira. Ela inovou nos métodos de atendimento ao portador de transtornos mentais no Brasil, principalmente aos esquizofrênicos - que eram isolados e considerados incompreensíveis.

Nise da Silveira criou, no Centro Psiquiátrico Pedro II - atual Instituto Municipal Nise Silveira -, uma oficina terapêutica ocupacional. O objetivo era aliviar o sofrimento causado pelos conflitos psicológicos desse indivíduo. A médica alagoana marcou a história da medicina por ser capaz de comover-se com o sofrimento humano. 'O que melhora o atendimento é o contato afetivo de uma pessoa com a outra. O que cura é a alegria, a falta de preconceito', já dizia ela.



HOME CARE NAS EMPRESAS

Já está comprovado que as empresas irão necessitar de funcionários cada vez mais conscientes e atuantes com os cuidados dedicados com a saúde. Em pesquisa realizada pela Mercer Resource, ficou constado que os gastos realizados no setor, já representam a segunda maior despesa das empresas, atrás apenas da sua folha de pagamentos, tornando-se assim, um custo financeiro muito elevado. A prevenção, o acompanhamento sistemático de pacientes crônicos e a indicação de um serviço de atendimento médico domiciliar, poderiam ser alguns dos esforços das empresas para tentar resolver esta situação. As empresas neste ritmo poderiam gastar em saúde, até 2008, o mesmo que iriam gerar em lucros. Portanto funcionários sadios evitariam gastos no futuro.

Atualmente, o sistema de saúde privado (suplementar) conta com 37 milhões de usuários enquanto em 2001 chegava a 41 milhões. O usuário exige cada vez mais a equação menor custo / maiores benefícios. Por sua vez, a fonte pagadora tem que desempenhar uma excelente administradora de recursos. A tecnologia médica e a incorporação de outras, encarecem os tratamentos. Assim, a atividade de home care está desempenhando, uma excelente aliada para minimizar os gastos com a saúde nas empresas. Hoje, em pesquisa recente, do Portal HCPlus que será apresentada, ainda esta semana, fica claro que as 10 principais empresas de home care do Brasil, estão fazendo um atendimento/internação diária com cerca de 790 pacientes. A atividade já está consolidada em quase todos os estados brasileiros e agora volta-se para o interior.


ALZHEIMER

Pílula para mal de Alzheimer é testada. Especialistas australianos em saúde mental desenvolveram uma pílula, a PBT2, que, tomada uma vez ao dia, poderá deter ou enfraquecer o desenvolvimento do mal de Alzheimer. Os testes com humanos devem começar em dois meses. Os experimentos com ratos mostraram redução de 60% em 24 horas da proteína amilóide, ligada à doença.   

Centistas australianos desenvolveram uma pílula com a qual esperam poder curar o mal de Alzheimer, se tomada todos os dias. Testes em ratos feitos por uma equipe do Instituto de Pesquisa em Saúde Mental de Victoria indicaram que o medicamento, PBT2, evita o acúmulo da proteína amilóide no cérebro, ligada à doença. Os níveis da proteína caíram 60% em até 24 horas depois de uma única dose, e o desempenho da memória melhorou num período de cinco dias.

Medicamento evita o acúmulo no cérebro do paciente da proteína amilóide, supostamente responsável pelo mal

Os pesquisadores ficaram tão impressionados com os resultados da primeira fase do estudo que esperam estar em condições de lançar a droga no mercado, para comercialização, em no máximo quatro anos. Testes em seres humanos devem começar no mês que vem, e deverão ser seguidos de uma experiência mais ampla, em nível internacional, já em 2007.

Análises preliminares em humanos, para satisfação da equipe, já indicaram que o medicamento não provoca nenhum efeito colateral mais sério. Os pesquisadores acreditam que o PBT2 tenha o potencial de retardar o estabelecimento da doença ou de reduzir seu avanço.

O mal de Alzheimer é uma doença cerebral progressiva e fatal. Ela é a causa mais comum da demência. Está ligada ao acúmulo de depósitos da proteína amilóide, formando placas comumente vistas nos cérebros dos pacientes em exames após a morte. Os cientistas australianos mostraram que a terapia com o PBT2 melhorou rapidamente e significativamente a memória espacial em camundongos.

Eles fizeram um teste com um labirinto de água que exigia dos camundongos lembrar a localização de uma plataforma submersa para poderem navegar pelo labirinto. "Esses dados são convincentes e muito animadores, porque mostram que o PBT2 não somente pode facilitar a eliminação da proteína amilóide do cérebro ou previnir sua produção, mas, o que é mais importante, melhora as faculdades cognitivas", diz o pesquisador-chefe Ashley Bush.

George Flink, chefe do Instituto de Pesquisas sobre Saúde Mental, descreveu a experiência como uma grande descoberta. "Apesar de que muito depende da próxima fase de testes clínicos em humanos, os resultados iniciais indicam que essa droga oferece esperança a pessoas com o mal de Alzheimer", disse.

Susanne Sorenson, chefe de pesquisas da organização Alzheimer's Society, disse esperar que os resultados dos testes com ratos sejam confirmados nos testes em humanos. "Mas essas descobertas ainda são relativamente novas, e muitos testes e estudos mais são necessários para provar que o conceito funcionará em pessoas com Alzheimer, e garantir que os melhores tratamentos para a doença estejam disponíveis o mais rapidamente possível", disse.

Rebecca Wood, diretora-executiva da organização Alzheimer's Research Trust, disse que os cientistas ainda têm muito trabalho a fazer, antes de uma droga estar disponível para os pacientes.


NOVO ESTUDO REAFIRMA IMPORTÂNCIA DO
AUMENTO DO BOM COLESTEROL

Um recente estudo publicado no New England Journal of Medicine mostrou que aumentar o HDL-colesterol (conhecido como bom colesterol) é fundamental para reduzir o risco de doenças cardiovasculares, mesmo quando o paciente já atingiu níveis adequados de LDL-colesterol (o mau colesterol). O estudo foi apresentado na 55ª Sessão Científica Anual do American College of Cardiology realizado este ano em Atlanta, nos Estados Unidos. Denominado Treating to New Targets (TNT), o estudo envolveu 1.001 pacientes randomizados (escolhidos aleatoriamente), incluindo homens e mulheres com idades entre 35 e 75 anos. A doença coronária clinicamente evidente foi o critério para inclusão no estudo.

Segundo o Dr. Jairo Lins Borges, cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, muitos clínicos consideram que, ao atingir níveis de LDL-colesterol abaixo de 100 mg/dl, o aumento do HDL-colesterol deixa de ser importante. No entanto, o estudo demonstrou que mesmo a população que obteve níveis de LDL abaixo de 80 mg/dl, considerado adequado, o aumento do HDL ainda continuou sendo fundamental para reduzir o risco cardiovascular.

Os pacientes foram tratados com 10 mg ou 80 mg de atorvastatina e observados a cada três meses no primeiro ano e a cada seis meses, por uma média de 4,9 anos. Definiu-se doença coronária por um ou mais dos seguintes critérios: infarto do miocárdio prévio, angina prévia ou evidências objetivas de coronariopatia aterosclerótica como história de revascularização coronária. O estudo apontou que cada 1 mg/dl de aumento da concentração do HDL-colesterol se associava à redução aproximada de 2% do risco de um evento cardiovascular maior, o que se compara a uma redução de 0,7% no risco de eventos para cada 1 mg/dl de redução no LDL-colesterol.

Também foram analisados 4.387 pacientes com níveis de LDL-colesterol de 80 mg/dl ou menos e se observou a mesma relação invertida entre níveis de HDL-colesterol e taxas de doença cardiovascular. Por exemplo, 10% de tais pacientes com níveis de HDL abaixo de 38 mg/dl em qualquer das duas doses de estatina tiveram um evento maior, em comparação com 5% daqueles com níveis de HDL de 55 mg/dl ou acima. Além disso, diminuiu-se 31% no risco de eventos maiores pra cada redução de 1,0 na proporção LDL/HDL-colesterol.

De acordo com o Dr. Jairo Borges, os resultados reforçam a importância de se prestar atenção aos níveis de HDL-colesterol na prática clínica. “Verificando os grandes estudos recentes sobre tratamento do colesterol, observamos que apenas cerca de 30% dos pacientes se beneficiaram, em termos de redução do risco relativo, do tratamento “quase exclusivamente” voltado para o LDL colesterol, visando à diminuição do risco de doenças cardiovasculares. Atualmente dieta, exercício físico e alguns medicamentos são utilizados para tratar pacientes com níveis baixos de HDL no sangue” afirma o especialista.

Tendo em vista os resultados de estudos como este, parte da classe médica já vem mudando sua prática clínica, objetivando o aumento das taxas de HDL-C, além de insistir na diminuição do LDL-C. Os melhores resultados são conseguidos com medicamentos à base de niacina (ácido nicótico) de liberação programada. É o caso do Metri, produzido pela Libbs Farmacêutica, que eleva os níveis de HDL-C em cerca de 30% (duas a três vezes mais que as estatinas e fibratos), diminui as taxas de LDL-C em 17%, aumenta o diâmetro das LDL-C pequenas e densas (tipo de mau colesterol ainda mais perigoso que o LDL-C convencional) e reduz os triglicérides em até 50% (em excesso, a substância é tóxica para o fígado e pâncreas). Ele foi lançado recentemente e é considerado por especialistas o medicamento mais versátil para o tratamento das dislipidemias, ou seja, alterações na concentração de colesterol no sangue. Esse tipo de medicamento pode ser associado ao tratamento tradicional, que combina exercício físico, dieta rica em ácidos graxos monoinsaturados (como o azeite de oliva) e medicamentos como as estatinas, que combatem o excesso do mau colesterol.


AUTOGESTÃO MELHOR E MAIS ECONÔMICA

A União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (UNIDAS) divulgou pesquisa, de âmbito nacional - período 2004-2005 -, coordenada pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), sobre vários aspectos da Gestão em Saúde no País. O resultado do trabalho indica que empresas que adotam o sistema de Autogestão apresentam economia de custos, além de investir mais na prevenção e qualidade da saúde de seus empregados. Autogestão em Saúde é o sistema pelo qual as próprias instituições são responsáveis pela administração do programa de assistência oferecido a seus funcionários.

A evolução da Autogestão em saúde, em todas as regiões brasileiras, segundo acompanhamento realizado pela UNIDAS mostra, em detalhes, as vantagens financeiras desse tipo de atendimento. A entidade representa 154 associados, 23 deles geridos por fundos de pensão, cuja pesquisa dá conta de que cerca de 5,6 milhões de beneficários atendidos por sistema de Autogestão representam 15,7% dos atendidos pelo sistema de saúde suplementar. O total desse mercado atinge 35,5 milhões de pessoas.

A Autogestão é uma tendência atualmente acolhida por empresas como Itaú, Volkswagen, Aracruz Celulose e Papel e os programas de assistência à saúde, por Autogestão, apresentaram, segundo pesquisa de 2003, custo per capita mensal de R$94,53 e, anual, de R$1.134,38, gerando um gasto médio, beneficiário/mês, no plano de ativos, de R$81,11. No plano de aposentados, este gasto é de R$141,87, no de agregados, (parentes até 3º grau, consangíneos e afins), R$184,96.A maior participação do custeio das empresas está no plano de ativos (55%), enquanto os empregados arcam com 45%, os aposentados custeiam 52% dos gastos contra 48% das empresas, os agregados arcam com 87% dos custos de seu plano, enquanto empresas contribuem com 13%. Beneficiários ativos somam 3,5 milhões, 1,2 milhão são aposentados, 532 mil agregados, 54,30% da região Sudeste, 16,86% do Nordeste, 13,33% do Sul, 10,80% do Centro-Oeste e 4,70% do Norte do País.

Os custos com folha de pagamento representam 8,66%, em empresas que mantêm planos de Autogestão. Pesquisa realizada pela Mercer e Towers, que reúnem organizações de assistência saúde, revelou, para o mesmo custo, de 7,7% a mais de 9% do total de gastos.

Empresas de medicina de grupo atendem 13,7 milhões de pessoas, cooperativas médicas, 10,2 milhões, segmentos especializados, 4,7 milhões, entidades filantrópicas, 1,3 milhão. Cada dia mais empresas envolvem-se na promoção à saúde, o que acaba favorecendo o beneficiário: foram realizadas, no ano de 2003, 4,24 consultas e 12,13 exames por beneficiário/ano, sendo que a população assistida pela autogestão foi internada por tempo médio de 4,09 dias. Segundo o estudo, o custo médio das consultas é R$24,66 e dos exames, R$17,62. Internações custam R$698,03, paciente/dia e internações domiciliares (home care), R$358,96, com tempo médio de 25,67 dias.


AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE DISCUTE MEDIDAS
DE SEGURADORAS PARA PREVENÇÃO DE DOENÇAS

Medidas de prevenção de doenças, como a realização de exames, visitas médicas domiciliares e consultas com outros profissionais da área de saúde são algumas práticas que podem garantir melhor qualidade de vida aos usuários de planos particulares de saúde . A avaliação é da gerente-geral de produtos da Agência Nacional de Saúde (ANS), Alzira Jorge.

Segundo ela, há uma tendência crescente no mercado de saúde suplementar (privada) para que as operadoras desenvolvam programas que incluam essas ações, capazes de reduzir os custos das empresas que operam planos de saúde . "Por meio do acompanhamento do hipertenso (quem sofre de pressão alta), por exemplo, é possível reduzir o número de internações, cirurgias e outras intervenções mais caras e complexas", analisa. "Essas práticas aumentam a qualidade do cuidado e da assistência aos beneficiários de planos de saúde ", acrescenta.

Para avaliar os programas desenvolvidos pelas operadoras de saúde , aconteceu recentemente no Rio de Janeiro, o 2° Seminário de Promoção à Saúde e Prevenção de Doenças. O objetivo, segundo Alzira, foi oferecer "ferramentas" às operadoras para que cada vez mais sejam desenvolvidas práticas de promoção e prevenção de doenças. Durante o evento foram apresentados 596 programas de 214 operadoras, relacionados, entre outros, ao cuidado com a gestante, à saúde infantil, ao acompanhamento de pessoas com diabetes e hipertensão e a pacientes com câncer.

Também foi lançada a área temática sobre saúde suplementar na Biblioteca Virtual em Saúde . Trata-se de um portal do Ministério da Saúde que reúne toda a produção científica sobre saúde desenvolvida no país. Com a inclusão da nova área, qualquer pessoa terá acesso gratuito a todas as informações produzidas ou estimuladas pela ANS, como literatura técnica, legislação específica e periódicos institucionais sobre saúde suplementar.

De acordo com o secretário-geral da presidência da ANS, Aluísio Gomes, as informações vão permitir às pessoas conhecer melhor o mercado de saúde suplementar, entender o que são práticas de qualidade de saúde , o que representam as intervenções, que estudos existem sobre a qualidade dos serviços prestados pelas operadoras.


ALMANAQUE HOMECARE PLUS 2005-2006

Devido ao grande interesse da área de saúde, especialmente de estudantes, o site HomeCare Plus estará lançando este mês, o Almanaque HomeCare Plus 2005-2006. Na publicação estão editadas as principais matérias e artigos para o bom entendimento e pesquisa do mercado de home care no Brasil. O almanaque será lançado em formato de PDF, trazendo mais de 40 matérias e pesquisas sobre o tema. Para maiores informações de como adquiri-lo enviar e-mail para o endereço: homecareplus@homecareplus.com.br

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SERVIÇOS DE ATENÇÃO DOMICILIAR TEM DESTAQUE NA ANVISA

Conforme o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde , existem, atualmente no Brasil, 827 estabelecimentos que possuem o serviço especializado de internação domiciliar vinculados a hospitais ou a equipes do Programa Saúde da Família. A publicação do dia 30 de Janeiro de 2006, da Resolução - RDC n° 11 que estabeleceu os requisitos de funcionamento para os Serviços de Atenção Domiciliar públicos e privados em todo o País, está oferecendo uma nova dinâmica no mercado de home care brasileiro. Ficou claro também, que antes de realizar a internação domiciliar, o serviço terá de verificar se as condições como ventilações, espaço para equipamentos e facilidade de acesso são adequadas às necessidades do tratamento indicado.

Com a Resolução, todos os serviços que prestam esse tipo de atenção terão de adotar certos padrões de funcionamento como, por exemplo, deixar o prontuário do paciente na residência onde ele se encontra. Os familiares também deverão receber todas as informações necessárias sobre a assistência prestada a pessoas em tratamento.

O Regulamento Técnico de Funcionamento de Serviços que prestam Atenção Domiciliar foi resultado de uma ampla discussão entre Anvisa, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Secretária de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde (SAS/MS), associações e empresas que prestam atenção domiciliar no País.

Distribuição espacial dos estabelecimentos que realizam internação domiciliar em janeiro de 2006

Distribuição espacial dos estabelecimentos que realizam internação domiciliar em janeiro de 2006

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ÁREA DE SAÚDE É PRIORIDADE E COMPLEXA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 50% de todos os avanços terapêuticos disponíveis atualmente, não existiam há dez anos. A velocidade destes avanços na área da Saúde, nestes últimos anos, não tem similar com outros períodos da história da humanidade. Dados do Ministério da Saúde indicam que, de 2000 a 2004, passou de R$ 600 milhões para R$ 1 bilhão o valor aprovado para as internações de alta complexidade. Novos equipamentos, medicamentos, drogas e procedimentos cirúrgicos, biomédicos e médicos surgem a cada dia para a prevenção, diagnóstico, tratamento das doenças e para a reabilitação. Este ano,o Governo Federal reservou R$ 43,6 bilhões do orçamento para gastos com saúde, mas para o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) seriam necessários, pelo menos mais R$ 4,7 bilhões para garantir um atendimento satisfatório.

Destes seriam R$ 3,4 bilhões para os atendimentos de alta e média complexidade, R$ 710 milhões para medicamentos excepcionais e R$ 608 milhões para atenção primária. Os três enfoques foram selecionados por serem estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Deste valor complementar, solicitado pela área de saúde estadual e municipal, talvez haja um acréscimo de cerca de R$ 1,1 bilhão. Outro aspecto a destacar seria a redução da participação do Governo Federal no financiamento do sistema público de saúde que teria caído de 65% para 50%, para integrante da Frente Parlamentar da Saúde.

O Ministério da Saúde, até o fim deste mês, deverá publicar uma Carta dos Direitos dos Usuários do SUS que mostrará direitos e responsabilidades dos governos municipal, estadual e federal.Também poderá haver a expansão do Programa Farmácia Popular para farmácias privadas. A meta é contar com 500 unidades em funcionamento até o final de 2006. No próximo dia 5 de Abril será comemorado o Dia Nacional da Saúde.

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