|
MAIOR ESCOLARIDADE PODE REDUZIR IMPACTO DE DOENÇA DE ALZHEIMER
Muitos anos de estudo e trabalhos que exigem bastante do cérebro parecem proteger as pessoas da perda de memória associada com a doença de Alzheimer, segundo estudo italiano publicado na revista científica Neurology. Os autores acreditam que ambos podem criar um escudo contra o efeito da demência no cérebro ou uma reserva cognitiva que permite que o cérebro trabalhe apesar de danos causados pela doença.
Avaliando 242 pessoas com Alzheimer, 72 com problemas leves de memória e 144 voluntários sem esses problemas, os cientistas descobriram que o nível de escolaridade e ocupação era menor entre os pacientes com Alzheimer (9,2 e 3,7, respectivamente, comparados com 10,7 e 4 daqueles com problemas leves, e 13,6 e 4,3 dos saudáveis). E, entre os pacientes com Alzheimer e problemas leves, aqueles que tinham maior nível de escolaridade e ocupação pareciam ter a memória menos afetada por danos cerebrais, mostrando certa “reserva cognitiva”. (21/10/08)
ESTATINAS AUMENTAM DELÍRIOS PÓS - OPERATÓRIOS EM IDOSOS
Pacientes idosos que tomam estatinas – medicamentos para o controle do colesterol – têm mais chances de ter delírios, segundo estudo da Universidade de Toronto, no Canadá. E, de acordo com especialistas, além de causar ansiedade em pacientes e familiares, os delírios contribuem maior permanência nos hospitais e maior necessidade de cuidados intensivos prolongados.
|
Em estudo com mais de 284 mil pacientes idosos, os pesquisadores descobriram que um em 14 pacientes tomava estatinas antes de passarem por cirurgia, e um em 90 tinha delírios por causa do medicamento. As análises mostraram que os idosos que tomam estatinas têm um aumento de 28% no risco de apresentar delírios. Além disso, aqueles que se submetem a cirurgias mais longas e aqueles com mais de 70 anos teriam maiores riscos.
“Nossos resultados sugerem que essa associação foi mais do que uma coincidência, particularmente entre pacientes que receberam maiores doses de estatinas e tinham maior duração de cirurgias não-cardíacas”, explicaram os autores.
De acordo com os pesquisadores, essa relação entre o uso de estatinas e o risco de delírio foi distinta e não foi observada com outras drogas de redução dos níveis de lipídios, medicamentos cardiovasculares ou outras medicamentos para doenças crônicas. Por isso, eles recomendam parar o uso das estatinas temporariamente antes de cirurgias, pois alguns estudos indicam que isso também poderia reduzir os riscos de demência. (25/09/08)
|
IDOSOS DESCONHECEM FATORES DE RISCO PARA O CORAÇÃO Pesquisa revela que 92% dos entrevistados não citaram o sedentarismo, diabetes ou ingestão de gorduras, como fatores de risco para o coração. Ou seja, poucos estão preocupados ou evitando fatores de risco determinantes para a ocorrência de um evento cardiovascular em uma faixa etária tão crítica Grande maioria dos entrevistados não relacionou tabagismo, estresse e depressão como maléficos ao coração Apenas uma em cada dez pessoas com mais de 60 anos, no Estado de São Paulo, apontam o colesterol, o sedentarismo, a obesidade, o diabetes e a má alimentação como fatores de risco para doenças cardiovasculares. É o que revela uma pesquisa inédita da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) sobre o assunto. O levantamento revelou que 92% dos entrevistados não citaram o sedentarismo, diabetes ou ingestão de gorduras, como fatores de risco para o coração. A hipertensão também não foi considerada importante pela população paulista: 74% não relacionaram a pressão alta com um infarto ou derrame. No caso do colesterol essa porcentagem foi ainda maior: 87% não fizeram a relação entre doenças cardiovasculares e esse fator de risco. A maioria dos entrevistados da terceira idade (72%) também não relacionou o tabaco como maléfico para o coração. A má alimentação e a obesidade não foram consideradas relevantes por 89% dos entrevistados. Outros 83% não falaram que o estresse e a depressão podem afetar a saúde cardiovascular e 99% não fizeram qualquer relação entre o nervosismo e as doenças do coração. "O resultado revela que poucos estão preocupados ou evitando fatores de risco determinantes para a ocorrência de um evento cardiovascular em uma faixa etária muito crítica", explica o cardiologista Ari Timerman. O médico lembra que quem fuma tem 200% a mais de risco de ter um derrame e quem é sedentário tem uma probabilidade 40% maior de ter uma doença cardíaca. A Pesquisa SOCESP sobre fatores de risco cardiovascular constatou ainda que 17% dos entrevistados com mais de 60 anos não souberam citar qualquer fator de risco para as doenças cardiovasculares. "Nem a visão mais pessimista poderia imaginar um quadro de tanto desconhecimento", diz. Para o cardiologista, esses dados serão essenciais para a entidade elaborar campanhas de esclarecimento em todo o Estado. "A prevenção é o melhor dos caminhos para evitar um problema cardiovascular e conscientizar a população é diminuir o número de mortes, que hoje passa das 300 mil no país", lembra. A pesquisa sobre fatores de risco cardiovascular foi feita com 2.096 pessoas, entre 14 e 70 anos, em 85 cidades representando o Estado de São Paulo. (30/07/08) VARIAÇÕES GENÉTICAS ASSOCIADAS AO ALZHEIMER Um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, em Saint Louis , nos Estados Unidos, identificou variações genéticas associadas ao desenvolvimento precoce do mal de Alzheimer. O estudo, de cientistas americanos e italianos, será publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), informou a Agência FAPESP.
O mal de Alzheimer é caracterizado, segundo a Agência FAPESP, por anomalias no citoplasma dos neurônios, conhecidas como novelos neurofibrilares, e por placas beta-amilóides duras e insolúveis, que se acumulam entre as células nervosas no cérebro. Esses novelos são compostos de agregados das chamadas proteínas tau.
Os cientistas conseguiram identificar que certas variantes do gene tau podem indicar um desenvolvimento da doença mais cedo que em casos típicos. A ligação com o risco de Alzheimer não é direta. Foram analisadas amostras de DNA de 313 pessoas, com atenção a 21 regiões da proteína tau que variam de pessoa para pessoa. Em diversas variações, acompanhadas da evidência de que o voluntário era portador de Alzheimer, o grupo identificou associação com níveis elevados da proteína em fluído cerebrospinal (líquido cefalorraquidiano, o liquor).
Segundo os pesquisadores, pessoas com tais variantes estão mais propensas a desenvolver precocemente declínio da capacidade cognitiva e demência, características associadas à doença. (11/06/08)
ESPERANÇA PARA O MAL DE ALZHEIMER |
O New York-Presbyterian Hospital/Weill Cornell Medical Center e a Baxter Internacional acabam de anunciar resultados promissores de um estudo Fase II sobre o uso de imunoglobulina intravenosa no tratamento de pacientes com mal de Alzheimer estágio leve a moderado. O medicamento melhorou as funções cognitivas e o comportamento geral dos pacientes, quando comparado com placebo.
Os pesquisadores também constataram que a imunoglobulina intravenosa aumentou os níveis de anticorpos contra beta-amilóide, uma substância que aparentemente contribui para a degeneração do cérebro causada pela doença. Os autores do estudo acompanharam, durante seis meses, 24 portadores de Alzheimer, em estágio leve a moderado, tratados com imunoglobulina intravenosa ou com placebo.
Os resultados foram apresentados na reunião anual da Academia Americana de Neurologia (AAN), em Chicago, pelo pesquisador-chefe do estudo, Norman Relkin, diretor do Programa de Distúrbios da Memória e neurologista comportamental e neurocientista no New York-Presbyterian/Weill Cornell, e pela psiquiatra Lisa Mosconi, professora associada da Escola de Medicina de Nova York, que participou do estudo. A Baxter apoiou a pesquisa e forneceu a imunoglobulina intravenosa Gammagard S/D e Gammagard Liquid (comercializado como Kiovig na Comunidade Européia) para o estudo. O medicamento é tradicionalmente usado como terapia de reposição para melhorar o sistema imunológico de pacientes com imunodeficiência primária (doença genética que afeta a formação de anticorpos e torna os pacientes mais propensos a infecções). Comercializado em 17 países, o medicamento nessa versão líquida, utilizada no estudo, está em processo de registro na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O Mal de Alzheimer é uma doença que acomete principalmente a parte do cérebro que controla a memória, o raciocínio e a linguagem mas pode afetar também a realização das atividades cotidianas. A causa é desconhecida e, embora não haja cura para a doença, existem drogas que tentam bloquear sua evolução. A doença afeta 3% dos idosos com mais de 65 anos e 40% dos que têm mais de 85 anos. Estima-se que afete cerca de 18 milhões de pessoas no mundo - entre 500 mil e 1 milhão no Brasil.
A fase II é a segunda etapa de testes de um medicamento em seres humanos. Nesta fase, o objetivo é avaliar a eficácia da medicação (isto é, se ela funciona para tratar determinada doença) e também obter informações mais detalhadas sobre a segurança (toxicidade). A fase III é a etapa final de testes em humanos antes do pedido de aprovação para comercialização do produto com esta finalidade. O protocolo do estudo foi submetido à aprovação do FDA e incluirá pelo menos 35 centros americanos e será patrocinado pelo National Institutes of Health dos Estados Unidos e pela Baxter. O recrutamento de pacientes para essa fase deverá ser iniciada até o final de 2008. 09/05/08
GOVERNO DOS EUA RECOMENDA QUE IDOSO PEGUEM PESADO NA MALHAÇÃO
Quem tem mais de 65 anos de idade deve malhar para valer -- essa é a orientação que está sendo promovida pelo Centro de Controle de Doenças do governo norte americano. A partir de evidências cientificas, o treinamento de força passa a fazer parte das indicações, para a rotina de exercícios a ser seguida por todos, inclusive aqueles com mais de 65 anos de idade. Atualmente nos Estados Unidos menos de 11% dos idosos praticam exercícios na carga indicada.
O Colégio Americano de Medicina Desportiva atualmente preconiza a prática de pelo menos 30 minutos de exercícios físicos moderados, cinco vezes por semana ou pelo então pelo menos 20 minutos de exercícios mais intensos, três vezes por semana. Os exercícios de força, segundo as pesquisas mais recentes, mostraram que são capazes de melhorar o equilíbrio dos idosos além aumentar sua massa muscular e auxiliar no tratamento da osteoporose.
O principal objetivo das medidas é que os idosos tenham mais independência, fiquem mais saudáveis, sofram menos fraturas e quedas e, principalmente, tenham mais saúde.Outra observação importante é a de que os idosos devem ser apoiados em sua busca de atividades adequadas a seu estado de saúde e idade.
|
 |
A sociedade deve se organizar e os grupos de terceira idade, igrejas e centros comunitários devem montar programas de atividades físicas sob orientação médica e estimular a prática desportiva entre seus membros. Os programas devem contemplar alguns aspectos importantes para que os idosos possam atingir seus objetivos. O programa deve informar sobre os benefícios dos exercícios e respeitar as limitações físicas dos participantes.
ALZHEIMER TEM NOVO MEDICAMENTO A empresa norte-americana Anavex Life Sciences Corp. acaba de anunciar o desenvolvimento promissor do medicamente Anavex 1-41, destinado a doença de Alzheimer. Em recentes estudos com animais o medicamento preveniu o stress oxidativo que destrói e danifica as células e acredita-se ser uma das causas primárias da doença de Alzheimer. O Anavex 1-41 também previne a expansão da caspase -3, uma enzima que tem um importante papel na programação das células mortas e na perda das células do hipocampus, parte do cérebro que regula a memória, emoção e aprendizado. Os resultados do novo medicamento foram apresentados na Conferência Neuroscience 2007, em San Diego, na Califórnia e estão disponíveis no site http://www.anavex.com/publications.html .
Testes da nova medicação estão também sendo desenvolvidos pela Universidade de Montpellier, na França. A doença de Alzheimer é uma das principais causas de demência no mundo, alcançando perto de 5,1 milhões de pessoas nos EUA e mais de 18 milhões no mundo segundo dados de março de 2007 da Associação de Alzheimer dos EUA. Estima-se que perto de 16,8 milhões de pessoas poderão ter a doença até 2015. Os medicamentos atuais só fazem tratar dos sintomas da doença, enquanto que eles não param a progressão da doença.
Na Inglaterra, remédios que são usados contra a pressão alta poderiam ser usados também para a doença de Alzheimer que ataca perto de 500.000 ingleses. Testes de laboratórios foram feitos recentemente, e encontraram sete medicamentos que usados contra a pressão alta, poderiam ajudar a prevenir o aumento da doença.
A descoberta foi feita por cientistas que analisaram mais de 55 drogas usadas na hipertensão, para ver se alguma poderia reduzir os efeitos da doença de Alzheimer. Os testes foram feitos com ratos geneticamente predispostos a ter a doença de Alzheimer, segundo um artigo publicado na revista The Journal of Clinical Investigation pelo Prof. Giulio Maria Passinetti da Mount Sinai School of Medicine, de New York. Cerca de 16 milhões de ingleses tem pressão alta e perto de 6 milhões toma remédio constantemente para a doença. Além do Valsartan, remédios como o Propranolol HCI, Carvedilol, Losartan, Nicardipine HCI, Amiloride HCI e Hidralazine HCI também foram testados com sucesso.
ALZHEIMER: 6% DOS IDOSOS SOFREM DO MAL
Dos mais de 15 milhões de idosos brasileiros, pelo menos 6% sofrem com o mal de Alzheimer, segundo o Ministério da Saúde. A doença está presente em metade dos casos de demência e estimativas apontam que ela atingirá 22 milhões de pessoas em todo o mundo até 2025. O diagnóstico precoce é fundamental para retardar os efeitos degenerativos da patologia.
A expectativa é que sejam atendidos até dois mil soteropolitanos durante todo o dia. A iniciativa conta com apoio de laboratórios farmacêuticos e será realizada simultaneamente em 14 cidades brasileiras, além de Salvador. Serão distribuídos materiais didáticos e uma equipe formada por neurologistas e médicos residentes na área estarão a postos para esclarecer as principais dúvidas a respeito do Alzheimer (pronuncia-se “al-zai-mer”).
“A partir dos 50 anos, já é recomendável procurar o especialista para fazer os exames preventivos”, alerta o neurologista Antônio Andrade, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Coordenador do evento, Andrade é favorável a uma campanha de informação maciça a respeito do mal. “As pessoas ainda a confundem com outras doenças, como esclerose, o que dificulta o tratamento”, acrescenta.
A idade avançada é um fator de risco para a doença, que ainda intriga a comunidade científica. Sem cura, ela leva o sobrenome do pesquisador alemão que foi o primeiro a relatar casos da patologia neurológica, no início do século passado. Falta de memória para acontecimentos recentes, repetição da mesma pergunta, alteração no comportamento e dificuldade em acompanhar conversações são alguns dos sinais de que alguém pode ser portador da doença. Pesquisas revelam que a perda do olfato pode estar associada ao início da degeneração.
Especialistas alertam ainda para as medidas preventivas – para o mal de Alzheimer não existem ações específicas –, mas que ajudam a preservar a saúde mental e diminuir o risco de desenvolvimento da doença. São recomendados a atividade mental e física periódicas, boa alimentação, sono regular, lazer, não fumar e beber com moderação, além da ida freqüente ao médico.
Estudos publicados na década de 80 mostraram que a proteína existente no interior dos neurônios dos portadores de Alzheimer é diferente da que se acumula nos espaços existentes entre eles – chamada de beta-milóide. Esta proteína se deposita nas placas, que causam destruição de neurônios por criar processo inflamatório crônico nas regiões afetadas. Ela interfere também na regulação de cálcio, essencial para a condução dos estímulos nervosos, e aumenta a produção de radicais livres, tóxicos para células nervosas. “O que se tem de novo no tratamento é o uso de uma medicação chamada PBT-2, que diminui consideravelmente o acúmulo da proteína milóide. Mas ainda está em fase de experimentação”, informa Andrade.
O tratamento de síndromes demenciais, a exemplo do mal de Alzheimer, exige a atuação de uma equipe multidisciplinar, formada por médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. Em Salvador, a unidade de referência é o ambulatório do Centro Geriátrico Júlia Magalhães, mantido pela Associação Obras Sociais Irmã Dulce (0sid). Apesar de fornecer medicamentos para o tratamento, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) não sabe informar o número de portadores da doença na Bahia.
Em 2050 o número de idosos no mundo será de 2 bilhões de pessoas (ONU 2005). O Brasil tinha, em 1950, 2 milhões de indivíduos maiores de 65 anos. Hoje, são mais de 14 milhões. O brasileiro envelhece e os governos não assumem a nova condição da realidade em que vivemos. Os velhos são diferentes daquelas pessoas mais jovens e, para as quais, a sociedade parece estar organizada. Carecem de reformas que os favoreçam.
Recife é a terceira capital do Brasil com maior número de velhos, com mais de 133 mil pessoas com idade acima de 65 anos (IBGE). A cidade não tem limites ao seu crescimento quantitativo. É preciso atentar para o impacto dessa expansão desordenada. Deficiência no planejamento do crescimento da cidade agrava o problema. O número de domicílios atendidos por serviços básicos aumenta e exige maior assistência.
É preocupante constatar que o sistema de saúde e as políticas públicas mais gerais do Brasil não estão atentas à dimensão esperada, para dar conta dos novos desafios impostos pelo perfil demográfico. Para a previdência social o envelhecimento tem se apresentado como problema. Decisões relativas à idade da aposentadoria e à força do trabalho tendem a afetar a economia brasileira. Segundo o IBGE, em 2050 haverá apenas três pessoas em idade potencialmente produtiva para cada uma com 65 anos ou mais.
O país deve enfrentar o financiamento da multidão de aposentados. A necessidade de implantação de política mais ampla de atenção ao idoso implica em maiores gastos. Os estudos do IBGE demonstram, de forma inequívoca, a inviabilidade do atual sistema de Previdência Social e de Saúde.
O mundo, o Brasil, nossa cidade não estão preparados para a desaceleração do envelhecimento que estamos vivendo. O cidadão não está pronto para a longevidade que os tempos atuais lhe estão propiciando. A velhice não é um fato localizado. O geneticista Gilson Luis da Cunha, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, enxerga o envelhecimento como um jogo de varetas onde, quando se tira um palitinho, os demais se desequilibram. Componentes genéticos e ambientais se confundem, se somam e se multiplicam, levando a desajustes que podem promover avarias e até morte da célula e mesmo do indivíduo.
O combate às limitações, comprometimentos que vão surgindo com a idade deve ser dirigido ao conjunto. O homem todo precisa ser monitorado e corrigido à medida que vão aparecendo os desacertos, antes que estes comecem a perturbar a harmonia do organismo. Embora a visão positiva do homem velho seja pouco divulgada, esta fase da vida não implica só em deterioração relativa aos tempos da juventude. Promove mudanças que podem não se traduzir em incapacidade, no feio, no triste.
Em qualquer idade é possível exercer afeto, reunir pessoas, ler, escrever, observar a humanidade que lhe cerca, recordar o passado que foi bom ter vivido e, aprender com as falhas e omissões cometidas. Especialistas garantem que é possível ter uma vida saudável aos 60, 70, 80 anos ou mais. O conceito de saúde nessas faixas etárias, no entanto, se mostra alterado. Não se tem a mesma aparência nem o mesmo desempenho nas atividades diárias. De nada adianta a longevidade com carência de saúde física e mental e sem a preservação da capacidade de ser útil e produtivo.
O homem interfere de modo negativo no ritmo do processo de se fazer velho, pela prática de agressões contra si que se somam aos desmandos do meio ambiente. A prevenção, desde cedo, é fundamental para desacelerar o envelhecimento. Comer bem, ingerir muito líquido, fazer exercícios físicos, exercitar a mente, aceitar as circunstâncias, os limites do real em vez de se apegar a idealizações paradisíacas inexistentes que findam descambando para o pessimismo.
O ser humano carece de amor e respeito para sentir-se bem. O mundo está cheio de violências, o que leva à desconfiança e ao esfriamento das relações interpessoais. Pesquisas mostram que os indivíduos que se sentem isolados correm riscos quatro vezes maior de morrer prematuramente em comparação com aqueles mais ligados a familiares e amigos. É preciso repensar o envelhecimento.
OTIMIZAÇÃO NO ATENDIMENTO À SAÚDE DOS IDOSOS |
No Brasil, o rápido crescimento da população de idosos vem produzindo grande impacto no sistema de saúde, com elevação dos custos e da utilização dos serviços. O fato exige dos gestores da área da saúde mudanças nos modelos assistenciais, em decorrência da significativa ampliação dos respectivos custos. Uma das conseqüências do envelhecimento populacional se verifica na ampliação da utilização dos serviços de saúde, de um maior número de problemas de longa duração, que freqüentemente exigem intervenções custosas, envolvendo tecnologia complexa para um cuidado adequado.
Portanto, identificar os pacientes acima dos 60 anos com alto risco de desenvolver doenças crônicas e encaminhá-los para o devido tratamento preventivo e acompanhamento médico é um dos maiores esforços da maior parte da cadeia da saúde mundial nas últimas décadas. O grau de sucesso nessa identificação é diretamente proporcional à satisfação e fidelização dos pacientes e ao significativo aumento da rentabilidade da empresa.
A Avaliação de Risco por Triagem Rápida pelo Método Bolt trata-se de uma ferramenta com indicadores cientificamente validados formada por oito questões simples e diretas, que podem ser respondidas pessoalmente, por telefone ou internet, em apenas dois minutos. Por trás dessa aparente simplicidade, está uma pesquisa desenvolvida pela equipe do médico norte-americano C. Boult, em 1994, com base em mais de 300 variáveis. O complexo método foi comprovado em diversos estudos científicos e é amplamente aceito pela classe médica internacional. As respostas obtidas nas oito questões, por meio de cálculos matemáticos, indicam a probabilidade da pessoa vir a desenvolver alguma doença crônica nos próximos anos, ou detectar riscos de internação em períodos determinados, classificando-a em quatro níveis de risco.
Um dos primeiros a se utilizar deste método no Brasil foi o Dr. Renato Veras, da Organização Mundial da Saúde e diretor da Universidade do Rio de Janeiro - UnATI/UERJ, que decidiu implantar este método porque "ele tem a qualidade de ser um ótimo organizador de fila, ao invés de atender ao paciente que primeiro chega ao serviço, estabelece um critério técnico mais refinado e adequado, o que permite obter um perfil bastante rápido, priorizando os casos mais graves".
Segundo Dr. Renato, o instrumento permite detectar um perfil do paciente. "O método não entra em maiores detalhes, apenas faz uma separação da gravidade, ou fragilidade do paciente, já que o propósito é se antecipar aos problemas de saúde. O método detecta aquelas pessoas que estão no processo de perda de sua capacidade funcional", esclarece. Em uma amostra com 360 idosos, na recepção de ambulatório público, o médico pode constatar que 75,8% deles apresentavam baixo risco de adoecer e 11% risco de médio a alto; nestes casos, é recomendado uma consulta com um clínico precedida dos procedimentos iniciais de avaliação funcional.
Para Dr. Renato, "o questionário mostra-se um instrumento eficiente, definindo com clareza os idosos em maior risco e, portanto, que necessitam de atenção diferenciada e direcionada para a manutenção de suas capacidades funcionais, preservando e reabilitando sua condição de saúde, o que não significa esquecer os que apresentam menor risco de adoecer."
Aqui em São Paulo, a Divicom Administradora de Saúde oferece esse método às operadoras de planos de saúde, auto-gestões, planos administrados, hospitais e demais empresas de saúde de todo o Brasil. "Não damos um diagnóstico, fazemos a classificação das pessoas com mais de 60 anos da carteira do cliente e, de acordo com a necessidade e capacidade de cada empresa, encaminhamos para o tratamento mais adequado, sem necessidade de esforço por parte do cliente", comenta Marcelo Saviani, diretor da DIVICOM. A confidencialidade dos dados, agilidade é garantida e a equipe é especialmente treinada para abordagem de pacientes, seguindo a terminologia adequada e o tom simpático e agradável.
A utilização de um instrumento específico para a identificação de risco permite priorizar o atendimento dos que mais necessitam de um serviço geriátrico com suporte interdisciplinar, promovendo a reabilitação e diminuindo os riscos de hospitalização. O instrumento mostrou-se eficaz no reconhecimento do idoso em maior risco, que, portanto, deve ser olhado de forma prioritária pelos serviços assistenciais. A sua vantagem adicional é o fato de se tratar de um instrumento de fácil utilização, aplicado no momento da entrevista de admissão. Por sua construção, com perguntas simples e objetivas, permite que qualquer pessoa treinada o aplique em curto espaço de tempo e em diferentes locais.
Um dos estrangulamentos dos sistemas de saúde é a captação eficiente dos que mais necessitam de cuidado, no momento certo. Os resultados fornecem evidência da eficácia do instrumento utilizado para classificar os idosos em diferentes grupos de risco de fragilização, possibilitando a hierarquização da atenção aos indivíduos.
IDOSOS: CUSTO DE VIDA INJUSTO |
Índice específico de preços mostra que a inflação ainda pesa mais nas costas dos idosos. A necessidade de pesquisar com maior precisão e justiça o custo de vida dos idosos levou as autoridades econômicas a criar um medidor especial. O objetivo é avaliar com o máximo equilíbrio a variação de preços de produtos e serviços (remédios, cuidados pessoais, transportes, alimentos e vestuário) que costumam afetar a vida dos mais velhos de forma diferente da população em geral. Assim, pode-se ajustar melhor as pendências socioeconômicas dos idosos.
No segundo trimestre deste ano, o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) subiu 1,18%, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado é inferior ao do primeiro trimestre (+1,57%), mas superior à do IPC-BR (+0,98%). Essa outra sigla pesquisa a variação para os demais consumidores. Ou seja, a inflação pesa mais nas costas da terceira idade do que nas da população jovem ou adulta.
Esse dado pode não garantir aumentos significativos do salário mínimo, mas serve para impedir abusos, por exemplo, nos reajustes dos planos de saúde. O grupo Alimentação, apurado em pesquisas de diversas entidades, contribuiu para uma alta menos intensa do IPC-3i, com taxa de 0,99% no segundo trimestre, ante 4,44% no primeiro. Já Habitação foi uma das responsáveis pela alta do indicador, subindo de 0,36% para 1,49%. O destaque foi o aumento de gastos com empregada doméstica (5,42%). O segmento de Saúde e Cuidados Pessoais registrou crescimento de 1,56%, influenciado, principalmente, por plano e seguro saúde.
Os grupos Despesas Diversas (1,08%), Vestuário (1,91%) e Educação, Leitura e Recreação (0,79%) tiveram altas, respondendo, em conjunto, por 14% do acumulado. Os destaques foram cigarros (2,89%), roupas (2,13%) e passagens aéreas (6,72%), respectivamente. Pelo IPC-3i, o segmento que teve queda no segundo trimestre foi Transportes (-0,06%). A variação negativa (-2,14%) do álcool combustível contribuiu para a diminuição. Em quatro dos sete grupos analisados, os idosos gastam mais do que os demais consumidores: Saúde e Cuidados Pessoais, Alimentação, Despesas Diversas e Habitação.
Apesar de o Índice de Preços do Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) ter registrado aumento, os idosos não sentem muito reflexo no bolso. Por um motivo: eles costumam pesquisar mais antes de comprar. É o caso da dona-de-casa Marlete Balok, 69 anos. “Quem compra remédios na minha casa é o meu marido, mas ele não se incomoda de pesquisar em várias farmácias. Eu também faço isso. Compro o que estiver mais barato, até R$ 0,05 mais em conta”, ensina Marlete. Levantamentos de preço não se restringem aos medicamentos. Dona Marlete também faz pesquisas na hora das compras para casa.
Dona Luiza Ferreira, 78 anos, mora sozinha e não gosta de se prender a tarefas domésticas. Por isso, almoça todos os dias em restaurantes a quilo e passeia sempre que pode. As viagens, segundo ela, não tiveram alta: “O aumento depende se vou ficar em hotel”, explica. Para o camelô Raimundo Macelon, 58 anos, os preços dos remédios e alimentos não estão muito altos. “Acho que estão estáveis, quase não sinto no bolso. Só o leite e o ovo que estão com valores lá no telhado. Estão muito caros”, reclama. Zéia do Nascimento garante que ainda consegue acompanhar as variações dos preços: “Eu sinto que os aumentos estão vindo aos poucos, mês a mês
TERCEIRA IDADE: SAÚDE EM DIA PARA NÃO CAIR |
A queda é um dos grandes vilões da saúde do idoso. Cerca de 75% das quedas de pessoas acima de 60 anos acontecem nas próprias casas e poderiam ser evitadas.Segundo o Ministério da Saúde, um terço dos atendimentos de lesões traumáticas na rede pública de saúde é de idosos.
A queda é considerada um marcador de fragilidade. Para muitos, é a institucionalização do declínio na saúde do idoso. “Desfazer esta impressão é muito importante. As quedas não são apenas decorrentes do envelhecimento. Elas podem significar que há algo de errado com a saúde ou com o ambiente onde o idoso habita", afirma o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares (IMO).
Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, as quedas são a primeira causa de acidentes em pessoas acima de 60 anos. Cerca de 5% das quedas levam à fraturas. As mulheres sofrem mais fraturas que os homens, entretanto, a mortalidade devido às fraturas é maior entre eles.
Em muitos casos, os próprios idosos atribuem à idade seus problemas de equilíbrio e marcha, fazendo com que estas dificuldades de mobilidade não sejam detectadas, até que uma queda com uma conseqüência grave ocorra. “O risco de cair, realmente, aumenta significativamente com o avançar da idade, o que coloca esta síndrome geriátrica como um dos grandes problemas de saúde pública, devido ao aumento da expectativa de vida da população no Brasil”, diz o oftalmologista.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria, as pessoas caem por diversas razões que englobam doenças agudas como isquemia cerebral, doenças cardíacas que diminuem a pressão arterial, ou ainda por conseqüências naturais do envelhecimento que podem ser tratadas, tais como: perda de visão devido à inadequação das lentes corretivas; vertigens e desequilíbrio por alterações do labirinto; arritmia cardíaca; osteoporose, etc.
Leia abaixo algumas orientações para evitar a queda:
- Faça exames oftalmológicos e físicos anualmente;
- Mantenha em sua dieta uma ingestão adequada de cálcio e vitamina D;
- Tome banhos de sol diariamente;
- Pratique atividades físicas que visem o desenvolvimento de agilidade, força, equilíbrio, coordenação;
- Elimine de sua casa tudo aquilo que possa provocar escorregões e instale suportes, corrimão e outros acessórios de segurança. Atenção especial deve ser dispensada ao banheiro da residência, onde acontece grane parte das quedas;
- Use sapatos com sola antiderrapante;
- Nunca ande só de meias.
- Substitua os chinelos que estão deformados ou estão muito frouxos;
- Evite sapatos altos e com sola lisa.
ARTROSE ATINGE 80% DOS IDOSOS |
Envelhecer não significa apenas um processo contínuo de crescimento intelectual, emocional e psicológico. A velhice se caracteriza também por um declínio gradativo do funcionamento de todos os sistemas do corpo humano, o que pode gerar consequências inevitáveis.
O sistema locomotor, composto pelas articulações, ossos, músculos, tendões e bursas, é um dos mais afetados na terceira idade. Nesse faixa etária, a artrose é a doença reumática mais incidente. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, cerca de 80% dos idosos brasileiros maiores de 65 anos têm a enfermidade, conhecida também como osteoartrite ou osteoartrose. O presidente da Sociedade Mineira de Reumatologia, Eduardo José do Rosário Souza, explicou que a artrose se dá a partir de um processo degenerativo de desgaste e inflamação, natural ou não, da cartilagem das articulações.
“Apesar de não ter cura, os tratamentos de hoje impedem o avanço da artrose, proporcionam o alívio nas dores que ela causa e a melhora da função locomotora”, disse Souza. Em casos mais brandos, antiinflamatórios, analgésicos, fisioterapia e ou exercícios físicos sem impacto são a solução do problema.
Em estágios mais avançados da artrose, é recomendada a cirurgia – a implantação de uma prótese na articulação afetada é a mais comum. Esse foi o caso da dona de casa Cyreni Mourão Machado, 94. Desde os 80 anos sofrendo de fortes dores na perna direita, provocadas por uma artrose, ela se submeteu a uma operação no final de 2002 para implantar uma prótese entre o fêmur e o osso da bacia.
“Passei quase dez anos tomando remédios (antiinflamatórios) para dor. Chegou a um ponto em que eles não faziam mais efeito, e o médico me recomendou a cirurgia. Tive receio no início, mas descobri que era o que eu precisava”, contou. As dores não acabaram. Quando ocorre uma mudança brusca de temperatura, principalmente muito frio, ela volta a sentir a perna. Mas, de acordo com ela, “agora a dor é suportável”. “O médico que me operou me disse que eu não ficaria livre das dores, mas que elas seriam mais moderadas. Quando as sinto, tomo um analgésico e me sinto melhor”, afirmou.
A prevenção da artrose começa ainda na juventude. Os dois principais conselhos que a reumatologista Maria Vitória Quintero dá às pessoas é ter muito cuidado com as juntas (articulações) e nunca se acostumar com as dores. “A pessoa que vive se queixando de dores nas articulações e não toma nenhuma providência pode estar em um nível já avançado da artrose. É muito importante que elas procurem um médico assim que sentirem algum sintoma”, afirmou.
Maria Vitória disse que essa doença reumática quando descoberta no início pode evitar sérios danos aos movimentos da pessoa.
“Nos níveis avançados da artrose, a pessoa pode ter deformações nos locais afetados, além de perder os movimentos”, disse. Os exercícios físicos sem grande impacto, como hidroginástica, natação e caminhada, entre outros, são os mais recomendados no combate às doenças reumáticas.
Além de fortificar a musculatura, eles combatem a obesidade – outro fator de risco relacionado à artrose. A atenção em relação à saúde das articulações também deve estar presente, de acordo com Maria Vitória, no trabalho. A reumatologista disse que certos tipos de ofício exigem muito esforço da pessoa o que, com o tempo, degrada a cartilagem. “É preciso evitar carregar muito peso, porque isso causa uma sobrecarga nas articulações”, explicou. A postura correta também contribui para a prevenção da doença.
CARÊNCIA DE GERIATRAS NO CEARÁ Dentre as dificuldades vividas pela população de aposentados ou incluídos na chamada terceira idade, ou, num novo eufemismo, melhor idade, uma que se destaca é quanto à assistência de saúde oferecida a esse grupo, que representa mais de 700 mil pessoas, em todo o Estado do Ceará.
Em Fortaleza, onde há um total de 180.846 idosos, e com uma maior oferta de atenção médica, não há um sistema integrado, afora o fato de que se conta com apenas 11 médicos com titulação específica para geriatria, uma especialização no cuidado com o idoso.
No Centro de Atenção ao Idoso do Hospital Universitário Walter Cantídio, mantido pela Universidade Federal do Ceará (UFC), a falta de médicos especializados obrigou a direção do hospital a suspender desde o fim do ano passado a marcação de novas consultas.
A suspensão, segundo informou a assistente social Deuciângila Carvalho, é por tempo indeterminado. Ou seja, até que se aumente a estrutura física da unidade de atendimento, bem como se amplie a oferta de geriatras, principalmente entre especialistas em demência, que correspondem a mais de 70% da demanda atendida por aquela unidade hospitalar.
A unidade é exclusiva em todo o Estado para acolher os pacientes com demências e conta com 1.500 idosos que já estão sendo acompanhados pela equipe multidisciplinar da unidade hospitalar. A carência de profissionais especializados em geriatria causa transtornos para os familiares e, sobretudo, para os doentes, que não têm como recorrer à rede particular, onde também há carência de médicos com formação qualificada para cuidados com idosos.
Exemplo de transtorno com a atenção médica ocorre com a aposentada Maria Alves Teixeira, 61 anos, residente em Parangaba. Anteontem, ela aguardava, após três meses, por uma consulta para o seu marido, Edemilson Teixeira, 68, portador do mal de Alzheimer. Também há um mês, o paciente estava sem o medicamento Ziplex, distribuído gratuitamente pela rede pública e indicado para o tratamento da enfermidade.
“Essa consulta de hoje (anteontem) somente foi possível, depois que acionamos a ouvidoria do Hospital. Porque, na última vez que nós estivemos aqui, o médico, disse que não poderia tratá-lo já que o quadro indicava que poderia ser atendido pela rede pública do município”, disse Maria.
A geriatria é o ramo da medicina que enfoca o estudo, prevenção e tratamento das doenças e da incapacidade em idades avançadas. Geriatras são médicos especializados no cuidado com o idoso e têm sua formação variável em diferentes países, mas geralmente passam por uma formação generalista e a seguir são treinados nos aspectos específicos da saúde do idoso. Apesar do envelhecimento da população, cada vez menos médicos se especializam em geriatria. O pouco interesse é reflexo da baixa remuneração da área, se comparada com outras especializações. No Brasil, existem apenas 0,037 geriatras/1000 habitantes.
ROBÔS CUIDAM DE IDOSOS A Universidade Chiao Tung, de Taiwan, anunciou o desenvolvimento de um robô capaz de reconhecer o seu dono e oferecer serviços segundo seus gestos, circunstâncias que permitem seu uso no cuidado de idosos ou no serviço doméstico. O robô, denominado "Primeira Visão da Universidade Chiao Tung", é produto de 13 tecnologias desenvolvidas por um grupo de pesquisadores da universidade.
"O sistema de visão digital do robô permite que ele lembre de seu dono, reconheça seus gestos e situação física e reaja adequadamente", afirma Tsai Wen-hiang, reitor da Universidade Ásia e participante no projeto. Após uma fase de treino, o robô pode responder a gestos como o pedido de remédios, comida ou auxílio, o que o transforma em uma ferramenta útil para o cuidado de idosos.
Os novos 'cérebros mecânicos" desenvolvidos em Taiwan também distinguem os membros de uma família dos estranhos e podem ser utilizados como vigilantes, com capacidade para avisar a Polícia e seguir os intrusos que penetrarem em uma residência. "Eles estão programados para se defender e se manterem afastados dos intrusos", esclarece Tsai.
A robótica está adquirindo um grande desenvolvimento nas investigações acadêmicas taiuanesas, onde já se elaboraram outros tipos de robôs. Na Universidade Tamkang foi estabelecido um programa de pós-graduação pioneiro em engenharia robótica, o primeiro da ilha, que começará no próximo ano acadêmico.
Alunos e professores do departamento de engenharia elétrica de Tamkang desenvolveram robôs capazes de jogar futebol com os quais ganharam vários prêmios internacionais, incluindo o da Federação Internacional de Robótica. "A experiência taiuanesa na produção comercial em grandes quantidades será, sem dúvida, de ajuda para diminuir os altos custos na fabricação de robôs, o que pode significar um impulso para o setor", aponta o novo diretor de Robótica em Tamkang, Wong Ching-chang.
A robótica procura construir "artefatos" semelhantes aos seres humanos para realizar trabalhos rotineiros, mas os resultados até o momento são limitados. As investigações atuais deste ramo científico se centram na inteligência artificial, na visão artificial e na robótica autônoma.
POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O ENVELHECIMENTO |
As políticas públicas brasileiras desenvolvidas para os idosos precisam ser renovadas rapidamente, pois, antes que a população envelheça e seja a maioria, como na Europa e nos Estados Unidos, é preciso preparar o país para receber um novo contingente de pessoas economicamente ativas e com disposição para o mercado de trabalho.
Essa mudança será necessária, já que, ao analisar dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no dia 1º de dezembro, nota-se o acelerado crescimento do grupo que ocupa a faixa dos maiores de 60 anos. E Minas Gerais se destaca quando o assunto é população idosa: em 2005, a média de idade no Estado chegou a 74,1 anos e aumentou em relação a 2000, quando era de 72,7 anos. No geral, o Brasil alcançou a expectativa de vida de 71,9 anos em 2005. Segundo o último censo realizado no país, as pessoas com 65 anos correspondiam a 5% do total de habitantes do Brasil, mas a tendência é que, em 2050, a participação aumente para 18%.
Os efeitos desse aumento estão refletidos nas demandas sociais, notadamente nas áreas da saúde e da previdência, atualmente preocupada apenas com os custos futuros. Entretanto, o envelhecimento populacional promove transformações profundas na sociedade, e a melhoria no quadro da qualidade de vida está provocando mudanças na estrutura familiar. Idosos com autonomia física e mental mantêm boas perspectivas de vida e podem e vão , assumir papéis relevantes nas regiões onde moram. O que falta é a estruturação de uma política de saúde, que já existe no papel, porém, ainda não foi efetivamente implementada, devido à falta de visão e ação dos governos.
Com o avanço da tecnologia e dos investimentos nesse setor nos consultórios médicos, fatos que modificaram os mecanismos de se diagnosticar problemas de saúde, a expectativa de se viver 120 anos se tornou uma realidade. O homem está programado geneticamente para alcançar a idade tão avançada para os padrões atuais. O brasileiro vive, em média, 72,2 anos. Daqui a meio século, chegará a 81,3 anos. Com a evolução dos estudos científicos, em breve, comemorar as festas do centenário de nascimento não será mais raridade. No entanto, as adversidades do dia-a-dia impedem que quase todos cheguem com saúde à maturidade. Envelhecer com qualidade de vida também pressupõe emprego e trabalho.
Após 15 anos cuidando de idosos, tanto na prevenção quanto no tratamento das doenças, posso afirmar que, mais do que buscar a juventude eterna, é preciso planejar uma velhice saudável para realizar todas as atividades que forem possíveis, em qualquer idade. Aqueles portadores de enfermidades irreversíveis, como, por exemplo, casos de derrame cerebral , com seqüelas neurológicas incapacitantes, não têm alternativa a não ser a aposentadoria compulsória por invalidez. Entretanto, o idoso hígido de saúde só se aposenta por tempo de serviço e, mesmo assim, se quiser. Contudo, a aposentaria não é o fim, sendo também um estímulo para novas conquistas.
A sociedade, a medicina e as empresas, todos, devem olhar para essas pessoas como promissoras e não como decadentes. Devemos inverter nosso prisma ótico e enxergar que eles têm experiência de vida e que muito podem contribuir para o crescimento da economia. O desemprego no país é uma realidade, mas sobram vagas e falta experiência dos candidatos. O idoso já possui no currículo a bagagem de vivência e conhece inúmeras responsabilidades. Vamos dar uma chance a eles, vamos estabelecer metas de políticas públicas e concretizá-las. Porque envelhecer é poder. E eles podem! ESTUDO APONTA QUE RELIGIÃO É FATOR PREVENTIDO
CONTRA DEPRESSÃO EM IDOSOS Resultados do estudo realizado pelo Instituto Israelita de Responsabilidade Social Albert Einstein com mais de 500 idosos da comunidade judaica, ao longo de um ano, revelam que a depressão atinge homens e mulheres na mesma proporção, estando presente em 33% dos participantes. Outro dado revela ainda que 41% não possuem esperança. Por outro lado, constatou-se que 80% daqueles que não são deprimidos possuem compromisso com crença ou religião. Iniciado em 2005, o Estudo Epidemiológico da Comunidade Idosa Judaica mapeou e monitorou a saúde da população idosa, com objetivo de analisar os processos e fatores determinantes do envelhecimento da população com mais de 60 anos. A avaliação global da saúde abordou aspectos como qualidade de vida, religiosidade, independência, cognição, depressão, nutrição, atividade física, exame físico com 18 procedimentos (peso, estatura, Índice de Massa Corpórea, entre outros) e mais de 30 exames laboratoriais como colesterol, hemograma e glicemia. Também foram aplicados questionários individuais e em grupo. Os resultados apontaram que idosos deprimidos possuem menor número de amigos nas atividades religiosas, realizam menos práticas religiosas em relação aos não-deprimidos e têm tendência à religiosidade extrínseca (caracterizada por vivência menos espiritualizada). Geralmente, esse hábito é encontrado entre as pessoas que “herdam” sua crença religiosa, não existindo uma relação reflexiva diante do ato de escolha religiosa. Neste caso, a divindade tende a ser olhada como um instrumento de satisfação de desejos impulsivos ou egocêntricos. O estudo constatou que a religiosidade extrínseca está presente em 40% dos idosos deprimidos e em apenas 20% dos idosos não-deprimidos. Por sua vez, a prevalência de religiosidade intrínseca é um aspecto presente em quase 80% dos idosos não-deprimidos. Esse tipo de religiosidade é compreendido como uma vivência mais espiritualizada, que tende a transcender o conforto e a convenção social, em que há uma busca por um aumento do compromisso com a crença ou religião. “Sabemos que a população em geral está envelhecendo. No entanto, ainda há uma carência de estudos populacionais no Brasil para compreender quem são e quais as necessidades dessas pessoas.
Os resultados desse levantamento apontam características epidemiológicas que poderão ser estendidas à população paulistana acima de 60 anos, determinando ações preventivas para o controle das doenças crônicas e também a forma mais adequada de gestão da saúde desse público. Por exemplo, a importância da religiosidade como proteção contra a depressão abre novas possibilidades de atuação”, afirma o geriatra Fábio Nasri, coordenador do projeto. “O perfil cultural homogêneo da amostra também permitirá futuras comparações”, acrescenta. voltar
VELHOS DE HOJE ESTÃO MAIS NOVOS
É preciso ter fôlego para conversar com Ângelo Machado. Aos 72 anos, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) esbanja vitalidade - e produção. É inteligente, bom de papo e dono de um invejável senso de humor. Resultado da postura de vida que ele adotou desde a juventude: fazer o que gosta e ter metas. Ângelo integra uma faixa etária que já representa 9,9% dos brasileiros - o grupo dos maiores de 60 anos.
Parece uma fatia inexpressiva da população. Mas não é. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as pessoas com 65 anos ou mais correspondiam a apenas 5% do total de habitantes do país, no ano 2000. E a tendência é de que a participação aumente: em 2050, eles serão 18%.
Para quem prefere números absolutos, são nada menos que 18.193.915 homens e mulheres, com pelo menos seis décadas completas de vida, em território nacional, hoje. Nos anos 1950, eles não passavam de 2 milhões. Mas por quê os brasileiros estão vivendo mais? Para a médica geriatra Karla Giacomin, da Coordenadoria de Atenção à Saúde do Idoso de Belo Horizonte, a explicação está na melhoria das condições de saúde e vida da população.
"As pessoas aparentam, hoje, ter oito anos a menos do que pareciam com a mesma idade, na metade do século passado", diz. Mas isso se deve menos aos avanços da tecnologia médica - com exames elaborados e remédios de última geração - do que se possa imaginar. É certo que, tempos atrás, quem sofria um enfarte tinha poucas chances de se salvar. Mas as marcas menos visíveis no rosto e no corpo são resultado, também, do saneamento básico, que fez diminuir a mortalidade infantil e aumentar, em outro extremo, a expectativa de vida ao nascer. Atualmente, o brasileiro vive, em média, 72,2 anos. Daqui a 44 anos, segundo projeções, chegará a 81,3 anos - o mesmo que os japoneses, hoje.
Mas o salto na longevidade tem outros motivos. Um deles é qualidade de vida - algo que o professor Ângelo Machado traduz como fazer o que gosta, mesmo que seja trabalhar. Ele acumula duas aposentadorias na UFMG. A primeira foi há 18 anos, na área de medicina. Mas Ângelo não quis saber de pendurar as chuteiras. Fez outro concurso e passou a ensinar sobre os insetos, em especial as libélulas - sua paixão desde a juventude.
A segunda aposentadoria veio há dois anos. Foi compulsória, porque Ângelo atingiu a idade-limite para ensinar na universidade, que é 70 anos. Mesmo assim, ele não desistiu do quadro-negro. Professor emérito da UFMG, mantém um laboratório no campus e vai até lá todas as tardes. E continua dando aulas, voluntariamente. "É uma curtição para mim", diz.
Mas não a única. "As libélulas sempre foram meu hobby. Quando se transformaram em minha profissão, eu tive que arrumar outro divertimento", diz Ângelo. Ele começou a escrever e, até agora, publicou 33 livros infantis e juvenis. Também é autor de peças teatrais. A mais famosa, "Como sobreviver em festas com buffet escasso", ficou cinco anos em cartaz em Belo Horizonte.
"Essa idéia de aposentar e ficar em casa, de chinelos, é um horror. Dá até depressão. Estou com 72 anos, mas ainda tenho muito a fazer", avisa. A próxima meta é descrever 30 espécies de libélulas, todas descobertas por Ângelo décadas atrás. "Calculo que ficarei ocupado com isso até uns 80 anos. Tenho o compromisso de viver até lá", diz. "Quando termino um trabalho, começo outro e peço prorrogação à vida".
A receita para uma velhice feliz? Para Ângelo, está na ponta da língua. Um check-up duas vezes por ano, para descobrir qualquer problema de saúde no início, e ser egoísta. "Eu sou, porque só faço o que gosto", diz, entre risos. "A essa altura da vida, não dá para mexer com coisa chata, porque a gente não tem tempo a perder". voltar
QUARTA IDADE, UMA IDADE A MAIS
Existem no Brasil cerca de 10 milhões de pessoas com mais de 60 anos, o que equivale a 7% da população. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), se a tendência se mantiver seremos 32 milhões de idosos em 2025. O aumento da expectativa de vida do brasileiro, em média 65 anos, gerou uma mudança no perfil demográfico do país. Atualmente chegar à casa dos 80 não é mais uma grande proeza. No entanto, mais importante é refletir sobre a qualidade de vida daqueles que alcançam idades avançadas. Se considerarmos que as condições de existência da maioria dos brasileiros é insatisfatória em qualquer faixa etária, concluiremos que na velhice, momento que geralmente coincide com uma maior fragilidade física e precariedade de recursos financeiros, a situação se torna dramática. Para os que ultrapassam os 80 anos de idade, as debilidades por doenças crônico-degenerativas - hipertensão, diabetes, osteoporose, entre outras - tendem, obviamente, a se acentuar. A dificuldade de locomoção, as alterações de visão e audição, além de déficits cognitivos, podem restringir drasticamente a autonomia dos velhos. Em países mais desenvolvidos, já existem alternativas públicas e privadas ao isolamento do idoso dependente - exemplos que começam a existir no Brasil. As mais importantes são o atendimento domiciliar e o centro-dia. O atendimento domiciliar auxilia nas tarefas cotidianas do idoso , como a promoção da higiene e a administração de medicamentos. Em São Paulo , a professora da Escola de Enfermagem da USP, Yeda Aparecida de Oliveira Duarte, coordena o Progesi - Programa de Gerenciamento da Saúde do Idoso , uma extensão do Providi - Programa de Visita Domiciliar ao Idoso . O serviço é gratuito. "O programa se encarrega de visitar sistematicamente em suas casas os 700 idosos cadastrados e oferecer a assistência necessária", explica a professora. "Nós dividimos esses idosos em quatro grandes grupos: os independentes sem fatores de risco, os independentes com fatores de risco, os semidependentes e os totalmente dependentes. Todos têm um planejamento de assistência individual, mas para cada grande grupo há um tipo diferente de acompanhamento". O Padi - Programa de Atendimento Domiciliar ao Idoso - é outro serviço oferecido gratuitamente. Ligado a Unifesp - Universidade Federal de São Paulo, e coordenado pela assistente social Naira Dutra Lemos, o programa atende 42 idosos da região da Vila Clementino, bairro paulistano. "Nós damos uma assistência contínua a essas pessoas e fazemos várias visitas de acordo com a necessidade de cada paciente", esclarece a coordenadora. O Padi trabalha com a figura do cuidador, aquela pessoa que, por vários motivos, ficou responsável pelo idoso . O cuidador freqüentemente é um filho, um irmão mais jovem, um amigo ou até um vizinho. "Estamos batalhando o patrocínio de um manual a ser entregue ao cuidador, que nele pode encontrar todas as dicas de como cuidar melhor do idoso , embora já haja uma apostila que fornecemos na primeira entrevista". Aos que podem pagar por atendimento domiciliar , empresas como a Gerocare oferecem um serviço que busca garantir bem estar aos idosos muito velhos e/ou dependentes. O diferencial é que, justamente por ser pago, os profissionais envolvidos têm condições de permanecer até 24 horas por dia com os pacientes. "Geralmente, nós somos procurados por famílias de idosos que não podem mais ficar sozinhos", explica a fisioterapeuta Mônica Perracini, proprietária da Gerocare. "Nós trabalhamos com os próprios médicos desses idosos e oferecemos um corpo de auxiliares de enfermagem que são supervisionados por uma enfermeira". Porém, o serviço é caro. Um acompanhamento em tempo integral não sai por menos de quatro mil reais mensais, embora haja planos que cheguem a mil reais e que oferecem um acompanhamento de seis horas por dia. "Hoje, temos vários pacientes que usufruem desses serviços 24 horas por dia", conclui a especialista. Os centros-dia são locais em que os idosos passam o dia, retornando à noite aos seus lares. Além do auxílio nas tarefas cotidianas e dos cuidados médicos, a grande vantagem do centro-dia está na possibilidade do convívio e do exercício de atividades físicas, recreativas e culturais. Todavia, no Brasil a oferta desse serviço é muito rara, e mais rara ainda a existência de atividades variadas e monitoradas por profissionais gabaritados.
Um exemplo desses locais é a Aldeia dos Emaús, localizada a 10 km de Sorocaba, interior de São Paulo. Além de optar por passar o dia, os visitantes podem ficar por períodos maiores, como férias e finais de semana, ou até mesmo morar lá. Segundo o proprietário da Aldeia, o geriatra Paulo Canineu, não se trata de uma casa de repouso convencional. "Não é fácil afastar a idéia negativa do asilo ou a conotação de abandono", explica o médico. "Porém, quando o indivíduo aqui chega, vê que existe uma integração muito positiva entre as pessoas." A Associação Toca das Hortênsias também oferece serviços de centro-dia, embora a maioria de seus pacientes usufrua uma permanência mais duradoura, que vai de dois dias a uma semana, havendo também moradores fixos no local. A Toca é especializada em pacientes portadores do Mal de Alzheimer e outras demências e, segundo a funcionária Ilza Santos de Paula, não tem fins lucrativos, sendo a renda destinada exclusivamente à manutenção do local. Os valores cobrados, tanto pela Toca quanto pela Aldeia dos Emaús, estão longe da realidade financeira da maioria dos nossos idosos. As diárias ficam em torno de 50 a 90 reais e as mensalidades chegam a dois mil reais. "Estamos tentando conseguir convênios com hospitais, empresas e até instituições bancárias," retoma Dr. Paulo Canineu. "Mas até hoje não obtivemos resposta. Não há interesse. Cuidar do idoso é um conceito muito novo no Brasil". Em nosso país observa-se um aumento considerável de instituições que propiciam espaços de lazer e convivência para a Terceira Idade, seguindo o exemplo pioneiro do Sesc de São Paulo. Todavia, para aqueles que não podem mais freqüentar tais instituições, resta o abandono e o desamparo. A manutenção da qualidade de vida na Quarta Idade ou, de modo mais amplo, de pessoas portadoras de limitações físicas e mentais, constitui-se ainda em um enorme desafio para uma sociedade que busca estar entre as mais desenvolvidas. voltar
 |
ANVISA APROVA PRIMEIRO TRATAMENTO PARA
DEMÊNCIA ASSOCIADA À DOENÇA DE PARKINSON |
Fonte:www.novartis.com.br Exelon ® é o primeiro e único tratamento no mundo indicado para demência associada à doença de Parkinson, além da indicação para a doença de Alzheimer. Brasil e Suíça são os primeiros países a aprovar esta nova terapia.
O Exelon ® (rivastigmina), do laboratório Novartis, recebeu autorização no Brasil, este mês e na Suíça para ser comercializado como o primeiro tratamento para demência associada à doença de Parkinson. Essa é a segunda aprovação de uso do medicamento, que desde 1997 tem sido utilizado em mais de 70 paises no tratamento da demência decorrente da doença de Alzheimer. De acordo com Dr. Fernando Naylor, gerente médico da Novartis, essa é uma ótima notícia para os pacientes da doença de Parkinson que possam desenvolver um quadro demencial. “Embora os sintomas motores da doença de Parkinson sejam satisfatoriamente controlados com os tratamentos atuais, ainda não havia um tratamento eficaz para a demência associada à doença de Parkinson”, afirma. A demência é uma das complicações mais temidas pelos portadores da doença de Parkinson, e atinge aproximadamente 75% deles. Os pacientes com demência associada à doença de Parkinson normalmente apresentam problemas de memória, concentração, dificuldades em realizar atividades rotineiras, além de depressão, ansiedade, apatia e alucinações. Para Samuel Grossmann, presidente da Associação Brasil Parkinson, “todos os avanços e descobertas que melhoram a qualidade de vida dos pacientes, combatendo os sintomas e retardando a progressão da doença, como o Exelon ® , são muito bem-vindos. A nova indicação do medicamento amplia o arsenal terapêutico para o combate da doença”. O Exelon ® é o primeiro tratamento que, em estudo bem controlado, randomizado e de larga escala com 541 pacientes em 12 centros de estudo na Europa e no Canadá, demonstrou benefícios significativos no tratamento dos pacientes de doença de Parkinson que sofrem de demência. Com base nesse estudo, a Novartis apresentou às autoridades sanitárias os pedidos de aprovação do medicamento para essa indicação. A empresa espera que essa nova indicação seja em breve aprovada também em outros países. Informações sobre o Exelon ® O Exelon ® é indicado para o tratamento da doença de Alzheimer leve à moderadamente grave. Pertence a uma classe de fármacos conhecida como inibidores de colinesterase (ChEI's), que permitem corrigir uma deficiência da concentração da acetilcolina presente no cérebro, que é o principal neurotransmissor relacionado com atividades tais como a memória, o raciocínio, a abstração, o comportamento e a orientação no tempo e no espaço, entre outras funções cerebrais. Dentre os ChEI's amplamente utilizados, Exelon ® é o único que inibe as duas enzimas envolvidas na degradação desse neurotransmissor: a acetilcolinesterase (AChE) e a butirilcolinesterase (BuChE). Oferecendo, assim, benefícios adicionais em relação aos tratamentos que inibem somente a AChE. O Exelon ® é capaz de manter tanto a memória quanto o raciocínio, além de ajudar nos problemas comportamentais e na maneira como os pacientes lidam com suas atividades rotineiras. Pode ajudá-los a se comunicarem melhor, interagir socialmente e na realização de tarefas rotineiras e passatempos. O Estudo EXPRESS Os pedidos de aprovação às autoridades regulatórias tiveram como base o estudo Express ( EX elon in P a R kinson's dis E a S e dementia S tudy) publicado em dezembro de 2004 no New England Journal of Medicine. O EXPRESS é o primeiro estudo clínico de larga escala que avalia a eficácia e a segurança de tratamentos para pacientes da doença de Parkinson que sofrem de demência. Os pacientes tratados com o Exelon ® demonstraram benefícios com diferença estatisticamente significativa em diversos sintomas, tais como manutenção ou melhoria da memória, concentração e distúrbios comportamentais. Também, conseguiram administrar melhor suas atividades rotineiras, como assistir a TV ou conversar sobre fatos atuais. A Demência na Doença de Parkinson A doença de Parkinson é um quadro neurológico crônico e progressivo que afeta cerca de 6,3 milhões de pessoas no mundo todo. Acredita-se que a demência ocorra em aproximadamente 75% dos pacientes diagnosticados com a doença de Parkinson. Os portadores da doença apresentam risco seis vezes maior de evoluir para demência em comparação aos idosos não parkinsonianos. Assim como na doença de Alzheimer, acredita-se que a demência associada à doença de Parkinson resulte parcialmente de um déficit colinérgico, que por sua vez acarreta na diminuição da transmissão de sinais entre as células nervosas presentes no cérebro, especialmente aquelas que dependem do neurotransmissor acetilcolina. Entretanto, a demência associada à doença de Parkinson difere clinicamente da doença de Alzheimer. Os pacientes com demência associada à doença de Parkinson em geral sofrem de um comprometimento das funções executivas, como a capacidade de planejamento e organização e o comportamento intencional. Além disso, apresentam mais déficits viso-espaciais, apatia, déficit de atenção com flutuações e alucinações visuais freqüentes. Geralmente apresentam problemas de memória menos graves do que os portadores da doença de Alzheimer voltar
CONSIDERANDO A DOENÇA DE ALZHEIMER EM HOME CARE COM O ENVELHECIMENTO POPULACIONAL
Fabio Molinaro – Fisioterapeuta com formação em Fisiologia do Exercício e Fisioterapia Aplicada em Clínica Médica pela Santa Casa RJ / RPG pelo Centro Brasileiro de Fisioterapia SP.
Nesta abordagem, consideraremos algumas situações referentes aos portadores da Doença de Alzeheimer, doença esta que, encontramos com grande freqüência no atendimento em home care, dos mais variados serviços profissionais e, com maior complexidade nos tratamentos a cada dia. Tal consideração baseia-se pela excepcionalidade em algumas condutas multidisciplinares, tornando o Alzheimer uma doença característica pela idade avançada de seus portadores, levando aos cuidados permanentemente intensivos em home care. Observamos, ainda, um grande aumento no nosso atendimento junto aos serviços de home care, para esses doentes, dados comprovados por colegas que afirmaram-me tal tendência. A doença de Alzheimer é uma doença degenerativa, progressiva comprometendo o cérebro, causando diminuição da memória, dificuldade no raciocínio e pensamento e alterações comportamentais. Nos EUA, 70 a 80% dos pacientes são tratados em seus domicílios, demonstrando com clareza a importância da orientação para a família nas questões relativas aos cuidados e gerenciamento desses pacientes. Os sintomas mais comuns são: perda gradual da memória, declínio no desempenho para tarefas cotidianas, diminuição do senso crítico, desorientação têmporo-espacial, mudança na personalidade, dificuldade no aprendizado e dificuldades na área da comunicação. Na fase final o paciente torna-se totalmente dependente de cuidados. Como citamos, o Alzheimer é uma doença idade-dependente, ou seja, à medida que a idade avança, maior é a probabilidade de sua ocorrência. Essa afirmação é tão notória que alguns autores têm questionado se a doença de Alzheimer não seria nada mais que um processo de envelhecimento acelerado, exacerbado e de aparecimento prematuro. No entanto, deve haver correlação da doença com fatores genéticos e ambientais ou a combinação dos mesmos. É inquestionável que a idade avançada é o único fator de consenso entre os autores, alguns estudos demonstraram que, enquanto a incidência aos 80 anos é de aproximadamente 20%, aos 85 anos é de 40%, ou seja, o dobro em 5 anos. O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. No Brasil, não é diferente, estamos assistindo esse fato cada vez com maior impacto, o que vai resultar no aumento dramático da freqüência de doença de Alzheimer no nosso meio, vimos hoje um aumento bastante significativo de indicações para atendimento domiciliar. O número de pacientes no Brasil é estimado em 1 milhão e 200 mil e de 18 milhões no mundo. Sabe-se que, a partir dos 65 anos, de 10 a 15% dessa população será afetada e que a partir dos 85 anos, praticamente a metade dos indivíduos apresentará a doença. Taxa Bruta de Natalidade  Taxa Bruta de Mortalidade  Fonte: IBGE Algumas estatísticas ilustram bem a relação no Brasil, nas taxas brutas de natalidade e mortalidade, demonstrando que, nas últimas três décadas a população obtém níveis de envelhecimentos nunca antes observados. Outro dado que interesa aos pesquisadopres, refere-se aos estudos que sugerem com forte evidência que as mulheres sejam mais afetadas do que homens, mas como a expectativa de vida das mulheres é pelo menos cinco anos maior que dos homens. Ou seja, quanto mais viverem as mulheres, proporcionalmente em relação aos homens, maior o risco de desenvolverem a doença, comparativamente abordando. Uma curiosidade, segundo os pesquisadores, é que quanto maior o grau de instrução e estimulação intelectual, menor chance tem o indivíduo de desenvolver a doença; O nível de educação parece ser uma proteção para a doença de Alzheimer: quanto maior o número de anos de estudo formal menor seria o risco. Essa possibilidade deve ser analisada com reserva a partir da constatação de que pessoas com mais escolaridade administram suas limitações cognitivas com maior facilidade que analfabetos ou com baixo nível de escolaridade. O conceito de plasticidade neuronal poderia, supostamente, ser levado em consideração neste processo. No entanto, contrariando aos estudos citados, consideramos que, dentro da nossa experiência diária, constatamos a predominância da doença de Alzheimer em indivíduos altamente educados e com nível altíssimo de instrução. Nesta afirmação entendemos ser de fato, uma questão muito mais sócio-econômica do nosso país, do que propriamente considerações individuais destes pacientes, considerando desta forma a inviabilidade do nosso sistema de saúde de viabilizar o atendimento em home care para a camada menos favorecida da população brasileira. A partir daí, teríamos parâmetros mais confiáveis no estabelecimento do perfil e do histórico educacional dos pacientes sob nossa responsabilidade. Outros possíveis fatores de risco têm sido estudados, porém com pouco resultado prático como: exposição ou ingestão de substâncias tóxicas como álcool, chumbo, e solventes orgânicos, medicamentos diversos, trauma craniano, exposição à radiação, estilo de vida, estresse, infecções, doenças imunológicas e câncer. Altos níveis de colesterol e de homocisteína (relacionada com o “stress oxidativo”), a obesidade e diabetes estão sendo estudados. O estrógeno, o tabagismo e o uso de antiinflamatórios por longo período de tempo parecem ser fatores de proteção e estão sendo objeto de investigação em vários centros de pesquisa. Concluindo, do ponto de vista dos pesquisadores, pode se afirmar que Doença de Alzheimer aumenta fortemente com a idade, e que existem fortes indícios de que as formas precoces se relacionam com uma maior incidência familiar. Vale salientar que, o número de doentes vem aumentando exponencialmente em serviços de home care, esta afirmação se funde não só aos dados estatísticos apresentados, de forma genérica é verdade, como também ao aumento citado por colegas de profissão e profissionais que atuam no serviço de terapia domiciliar. Existe sim, uma crescente evolução nos casos da doença e os familiares vem cada dia mais, utilizando a alternativa no atendimento em home care. Esta tendência evidencia-se pela busca da família em tentar preservar ao máximo a convivência e a estabilidade emocional do portador de Alzheimer, acreditando que o ambiente favorece na manutenção de alguns cuidados que numa eventual internação hospitalar, este indivíduo não teria. Acreditamos que essa relação ofereça melhores condições no tratamento físico e emocional do doente, no entanto, a família deve ser muito bem preparada e assistida, muitas das vezes, com auxílio de profissionais da área de psicologia e psicoterapia, para melhor reforçar a estrutura de atendimento da equipe multidisciplinar, junto ao doente. Todas essas alterações na rotina familiar são de tal dramaticidade que se torna urgente à necessidade de medidas de assistência ao Alzheimer do Poder Público, Instituições Privadas e da Sociedade em geral. Negar o aumento da Doença é, no mínimo, negar os fatos. Apenas algumas iniciativas tímidas e isoladas têm sido verificadas por Associações criadas pelos parentes e Profissionais de saúde que convivem com o portador da Doença de Alzheimer. Referências Bibliográficas: Stokes M. Neurologia para Fisioterapeutas. Premier; 2000. Ekaman L. Neurociência – Fundamentos para Reabilitação. Rio de janeiro: Guanabara Koogan; 1998. 340p. Kisner C. Therapeutic Exercise. 2 ed. Philadelphia : F.F. Davis, 1990. Site: www.alzheimermed.com.br voltar
ABORDANDO
A DOENÇA DE PARKINSON Fabio
Molinaro – Fisioterapeuta com formação em Fisiologia
do Exercício e Fisioterapia Aplicada em Clínica Médica
pela Santa Casa RJ / RPG pelo Centro Brasileiro de Fisioterapia SP. A doença
de Parkinson é uma doença degenerativa e progressiva, afetando
regiões do sistema nervoso central (núcleos da base) interferindo
significativamente nas funções dos músculos, levando
ao portador da doença a desenvolver desequilíbrios posturais
e a movimentos voluntários. A lentidão de movimentos e a
diminuição da expressão facial, levando ao que chamamos
de “face de máscara” são marcantes. A doença
caracteriza-se pela sua evolução lenta que, diminui de forma
gradualmente crescente os movimentos voluntários, alterando significativamente
as funções motoras no que se refere à marcha, o equilíbrio
e a coordenação estática e dinâmica. A doença
tem prevalência de 1% da população em geral, fisiopatologicamente
observa-se diminuição da concentração de dopamina
no estriado, decorrendo da morte neuronal na substância negra reduzindo
a produção de dopamina. Com a maior
divulgação nos meios de comunicação, tornou-se
notório levar ao conhecimento da sociedade, a importância
de melhor informar sobre a Doença de Parkinson. Hoje deixou de
ser um tabu, figuras públicas que tornaram conhecidas suas limitações
impostas pela Doença, como o ator brasileiro Paulo José
(conhecido por protagonizar novelas e peças teatrais) e o ator
americano Michael J. Fox (que ganhou notoriedade com a série “De
Volta para o Futuro”), se expõem acertadamente, sem maiores
constrangimentos, demonstrando que o tratamento multidisciplinar viabiliza
esses indivíduos a lidarem melhor com as suas limitações.
Sintomas Iniciais   
 
Quem
foi James Parkinson Nascido em
Londres em 11 de abril de 1755, o médico inglês James Parkinson,
dotado de grande espírito crítico e sentido de observação
da natureza. Antes mesmo de ser médico foi um humanista, e foi
ele o fundador da Sociedade de Geologia de Londres (Geological Society
of London), o mais impressionante é que muito antes da publicação
de seus achados sobre a doença que levaria o seu nome, Parkinson
publicou um verdadeiro tratado sobre paleontologia (Organic Remains of
a Former World.). Em 1817, aos 62 anos de idade, publicou o ensaio (Essay
on Shaking Palsy) que descreveu de maneira bastante precisa e quase irretocável
a doença que hoje leva o seu nome. Apesar de todos
os seus trabalhos feitos em prol da humanidade, somente em 1875 que o
brilhante neurologista francês Jean Martin Charcot (considerado
o “pai da neurologia”) sugeriu o nome de “doença
de Parkinson”, reconhecendo o mérito de James Parkinson que,
tão impressionantemente descrevia a doença. Deve-se registrar
também o papel do Dr. Charcot para a melhor definição
e conhecimento da doença posteriormente. Parkinson faleceu aos
69 anos de idade, em 21 de dezembro de 1824, ainda em plena atividade
junto ao seu povo. Diagnóstico O diagnóstico
se faz através da história clínica, o exame físico
e a epidemiologia; como diagnóstico diferencial os exames realizados
são a tomografia computadorizada e ressonância magnética.
Após a confirmação do diagnóstico, dever-se-á
considerar o impacto da doença sobre o desempenho da rotina física
do dia a dia do indivíduo, devendo classificar sua capacidade para
as atividades da vida diária, tais como a marcha, a alimentação,
fala, escrita, higiene pessoal etc. Dentro deste contexto, convêm
ao médico e/ou terapeuta considerar também, avaliar se o
doente mantém a sua rotina profissional e o convívio social,
se isso não ocorre, a dificuldade em se estabelecer metas de recuperação
deverá ser diferenciada, no que se refere, se possível,
ao estímulo para o retorno destas atividades.
Tratamento da Doença de Parkinson Embora não
exista cura para a doença de Parkinson, existem medicamentos capazes
de melhorar significativamente a maioria dos sintomas. Na dependência
das condições de cada paciente, como a idade, sintomas predominantes
e estágio da doença são alguns dos fatores que o
médico deve considerar na administração destes medicamentos.
Entre outros medicamentos, não há dúvidas sobre a
eficiência da Levodopa (Sinemet, Cronomet, Prolopa, Prolopa HBS,
Levocarb) no alívio dos sintomas parkinsonianos. É uma substância
precursora da dopamina, pois quando sofre a ação da enzima
dopa-descarboxilase dá origem a dopamina. Portanto, a administração
de levodopa aumenta os níveis de dopamina no cérebro. Como citamos
acima, o tratamento da doença de Parkinson envolve uma equipe multidisciplinar,
que envolve cuidados médicos, fisioterápicos, fonoaudiológicos
e a terapia ocupacional, que acreditamos ser de extrema importância
na classificação feita anteriormente sobre o grau de independência
e interação deste individuo com atividades sociais. Dentro do tratamento
Fisioterápico (nossa área de atuação), pode-se
dizer que a fisioterapia atua na diminuição e abolição
da rigidez e do tremor e, a melhora da bradicinesia e da marcha. O principal
objetivo da fisioterapia é auxiliar na desaceleração
da progressão da doença, impedindo e prevenindo complicações
e deformidades secundárias e manter acima de tudo as funções
motoras do paciente e, se possível, trabalhar no auxilio do restabelecimento
funções comprometidas. Ao estabelecer as principais metas
em curto prazo, o fisioterapeuta deve procurar acima de tudo manter ou
aumentar amplitude de movimentos nas articulações; melhorar
marcha, expansão torácica, equilíbrio e coordenação;
deve-se impedir as contraturas, hipotrofia por desuso e corrigir posturas
defeituosas. As metas em
longo prazo destacam-se principalmente, a minimização dos
efeitos da doença, impedir o desenvolvimento de complicações,
impedir a inatividade funcional é uma meta imprescindível. Neste processo,
não importa se em curto ou longo prazo, acreditamos ser importantíssimo
o trabalho da equipe multidisciplinar em auxiliar no retorno do Parkinsioniano,
nas suas atividades de vida diária, o retorno ao trabalho, o convívio
com os amigos e família, estimula-lo a participar de eventos sociais
como festas, teatro, cinema etc. A
Expansibilidade Torácica É comum
nos serviços de Reabilitação ou em atendimento em
home care observar que, portador da Doença de Parkinson desenvolve
grau importante de limitação da amplitude torácica.
Desta forma, existe hoje um consenso entre os Fisioterapeutas sobre a
necessidade de um trabalho com enfoque maior para o desenvolvimento e
o incremento de técnicas de reexpansão torácica para
esses indivíduos. Observamos
também que, a maioria dos doentes apresentava idade superior a
50 anos, em média e, desta forma, a alteração morfológica
(hipercifose) e as cartilagens intercostais comprometidas por calcificações
resultam na diminuição da sua expansibilidade. Percebemos
que os idosos apresentam dispnéia, aumento na freqüência
cardíaca e a presença de tosse em algumas ocasiões.
Não é raro ocorrer infecções respiratórias
por conta disso, além de complicações referentes
à inatividade funcional, como a osteoporose e problemas circulatórios. Com isso, acreditamos
ser eficaz a introdução, como conduta da fisioterapia respiratória
complementar, de manobras de reexpansão pulmonar, associadas ao
uso incentivadores respiratórios e, em casos mais severos a utilização
de suporte ventilatório de respiradores artificiais.
Conclusão O Tratamento
Multidisciplinar, como descrito anteriormente, tem um papel importante
na manutenção física e emocional dos pacientes com
doença de Parkinson, colaborando em muitos aspectos, seja na melhora
do quadro motor e psíquico ou, seja na prevenção
de complicações causadas posteriormente pela doença.
Em muitos casos, consegue-se a estabilização dos estágios,
melhorando o prognóstico do portador da Doença de Parkinson.
Ressaltamos, desta forma, a importância de um acompanhamento multidisciplinar
no intuito de promover os objetivos acima citados.
Associações
de Apoio nos Estados |
São
Paulo
Associação Brasil Parkinson
Av. Bosque da Saúde 1155
São Paulo - SP - CEP 04142-092
Tel: 578-8177
www.parkinson.org.br
|
Neuro
Center
R. Luis de Camões 192
Santos - SP - CEP 11015-400
Tel (13) 3221-3007 / 3234-2016 / 3224-4802
|
Minas
Gerais
Grupo Solidário Parkinson Vida
R. Rio de Janeiro 1023 apto 1101
Belo Horizonte - MG - CEP 30160-041
Tel (31) 273-6619 / 224-4500
|
Pará
Associação de Parkinsonianos do Pará
Av. 25 de setembro 406
Belém - PA - CEP 66000-050
Tel: (91) 246-2884 / 229- 5329
|
Paraná
Associação Paranaense de Portadores de Parkinsonismo
R. João Negrão 539
Curitiba - PR- CEP 80010-200
Tel: (41) 224-0897 / 224-5616
|
Pernambuco
Associação Solidária Amigos de Parkinson
R. José Armando Machado 91 - Boa Viagem
Recife - PE - CEP 51130-170
Tel: (81) 3227-0750
|
Rio
de Janeiro
Associação Parkinson do Rio de Janeiro
R. Paissandu 48 - apto 14 - Flamengo
Tel: (21) 2265-6209
|
Rio
Grande do Sul
Grupo de Apoio
R. Coroados 1170
Porto Alegre - RS - CEP 91900-580
Tel: (51) 249-2516 / 224-5677
|
Grupo
de Apoio ao Parkinsoniano
R. Felix da Cunha 140
Bento Gonçalves - RS - CEP 95700-000
Tel: (54) 452-2427 / 9115-1490 (cel)
|
REFERÊNCIAS: Cambier
J, Masson M, Dehen H. Manual de Neurologia. Rio de Janeiro: Medsi, 1999.
p. 327-343. Betlhem
N. Pneumologia. 4 ed. São Paulo: Atheneu, 1996. p 1-53. Monte
SCC, Pereira JS, Silva MAG. a Intervenção Fisioterapêutica
na Doença de Pakinson. Fisioterapia Brasil 2004; 61-65. Morini
SR, Adachi SC, Henrique SHFC. Programa de Hidorterapia na doença
de Parkinson. Fisioterapia Brasil 2002;3(2): 117-27. Xhardez,
Manual de Cinesioterapia: Técnicas – Patologia – Tratamento.
2ed. São Paulo: Atheneu; 1990. Limongi
JCP. Doença de Parkinson. Rev Bras Méd, 1993;50: 1079-1084. Shneerson
J. distúrbios da Ventilação. Rio de Janeiro: Revinter,
1993. p. 3-110. Bates,
Andréa. Exercícios Aquáticos Terapêuticos.
1ªEd. São Paulo: Manole; 1998. Bienfat,
M. O tecido conjuntivo. São Paulo: Summus Editorial; 1999 p15-19. Kitchen
S, Bazin S. Eletroterapia de Clayton. 10ª edição. São
Paulo; 1998 p 191-210. Kisner
C. Therapeutic Exercise. 2 ed. Philadelphia: F.F. Davis, 1990. O`Sullivan,
Susan B., Schmitz, Thomas J. Fisioterapia. Avaliação e tratamento.
2ed. São Paulo: Manole, 1993. Kottke,
Frederic J., Lehmann, Justos F. Tratado de medicina física e reabilitação
de Krusen. 4ed. São Paulo: Manole, 1994. Site: www.parkinson.med.br voltar |