ATÉ UM TERÇO DO CÂNCER DA MAMA É EVITÁVEL

Até um terço dos casos de câncer da mama nos países ocidentais poderiam ser evitadas se as mulheres comerem menos e fazerem mais exercícios, dizem os pesquisadores em uma conferência do câncer da mama nesta quinta-feira - comenta que poderia inflamar discussões acaloradas entre vítimas e advogados. Enquanto os melhores tratamentos, diagnóstico precoce e seleções de mamografia tem reduzido drasticamente a doença, especialistas dizem que o foco agora deve mudar de mudança de comportamentos como a dieta e atividades físicas.

"O que pode ser alcançado com a seleção tem sido conseguido. Nós não podemos fazer muito mais", La Carlo Vecchia, chefe de epidemiologia na Universidade de Milão. "É hora de avançar para outras coisas". La Vecchia quinta-feira falou sobre a influência de fatores de estilo de vida de uma conferência europeia de câncer da mama , em Barcelona. O de câncer da mama é o câncer mais comum nas mulheres. Na Europa, existem cerca de 421.000 novos casos e cerca de 90.000 mortes em 2008, os últimos números disponíveis.

Os Estados Unidos no ano passado viu mais de 190.000 novos casos e 40.000 mortes. Possibilidade de uma mulher de vida de câncer da mama é de cerca de um em oito. Muitos de câncer da mama são abastecidos pelo estrógeno, um hormônio produzido no tecido adiposo. Assim, os especialistas suspeitam que a mulher é mais gordo, mais estrogênio que ela é susceptível de produzir, o que poderia acender o câncer de mama. Mesmo nas mulheres slim, o exercício pode ajudar a reduzir o risco de câncer, convertendo mais de gordura do corpo no músculo.

Qualquer discussão de peso e câncer de mama é um tema politicamente sensível, pois alguns podem interpretar mal que, como o estabelecimento médico culpar as vítimas de cancro da mama. Próprias vítimas também poderiam se sentir culpada, imaginando o quanto o peso de um fator desempenhou na sua obtenção a doença. Ian Manley, porta-voz do Breast Cancer Care, uma instituição de caridade britânica, disse que sua agência tem sido sempre muito cuidado com a emissão de pareceres estilo semelhante.

"Nós nunca querem que as mulheres se sentem responsáveis pelo seu câncer de mama", disse ele. "É uma doença complexa e existem muitos fatores responsáveis que é difícil colocar a culpa em uma questão específica."

La Vecchia citou números da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, que estimou que 25 a 30 por cento dos casos de câncer poderiam ser evitados se as mulheres eram mais finas e mais exercido. Isso significa ficar magro e nunca se tornar obesa, em primeiro lugar. Robert Baan, um especialista em câncer do IARC, disse que não estava claro se as mulheres que perdem peso têm um menor risco de câncer ou se o dano já foi feito a partir de quando eles foram pesados.

Beber menos álcool também poderia ajudar. Especialistas estimam que ter mais de um par de drinques por dia pode aumentar o risco de uma mulher de contrair cancro da mama de quatro a 10 por cento. Depois de estudos há vários anos ligado a terapia de reposição hormonal para o câncer, milhões de mulheres abandonaram o tratamento, levando a uma queda acentuada nas taxas de câncer de mama. Especialistas disseram que uma redução semelhante pode ser visto, se as mulheres comiam melhor - consome menos gordura e mais vegetais - e se exercitam mais.

Michelle Holmes, um especialista em câncer da Universidade de Harvard, disse que mudar as coisas como dieta e nutrição, sem dúvida é mais fácil do que combater outros fatores de risco de câncer de mama. "As mulheres que têm gravidezes precoces são protegidos contra o câncer de mama, mas a gravidez na adolescência é um desastre social, não é algo que queremos incentivar", disse ela numa entrevista por telefone, de Cambridge, Massachusetts. "Mas não há nenhum aspecto negativo a redução da obesidade e aumento da atividade física".

Ela também disse que as pessoas podem erroneamente acham que suas chances de contrair câncer são mais dependentes de seus genes do que seu estilo de vida. "Os genes estão lá há milhares de anos, mas se as taxas de cancro estão a mudar na vida, que não tem muito a ver com os genes", disse ela. Na década de 1980 e 1990, as taxas de cancro da mama aumentou de forma constante, em paralelo com o aumento da obesidade e uso de terapia de reposição hormonal, que envolve estrogênio.

La Vecchia disse que os países como Itália e França - onde as taxas de obesidade têm sido estável durante as duas décadas passadas - mostrar que o peso pode ser controlado ao nível da população. "É difícil perder peso, mas não é impossível", disse ele. "Os benefícios potenciais de prevenção do câncer vale a pena."


USO EXCESSIVO DA TECNOLOGIA PODE DESENCADEAR COMPORTAMENTO AGRESSIVO DOS JOVENS

Muitos fatores podem influenciar no comportamento dos adolescentes, desde o relacionamento com pais e amigos e o que ele vê na internet até a genética. Ensinar valores e limites é a chave para impedir que ele se torne uma pessoa violenta. Um aluno do 3.º ano do Ensino Médio, de 17 anos, agrediu três funcionários da escola em que estuda, em Canoas (RS). Por estourar o limite de atrasos imposto pela instituição, ele foi impedido de entrar e assim bateu na vice-diretora, em uma monitora e em um professor de matemática. Na zona sul de São Paulo, um estudante do 1.º ano do Ensino Médio empurrou sua professora na sala de aula, que foi diagnosticada com luxação de uma vértebra.

Enquanto isso, na capital gaúcha, outra docente sofreu traumatismo craniano após ser atingida por uma adolescente de 15 anos. Cenas como essas nunca foram tão frequentes. O comportamento violento vindo de jovens já faz parte das notícias diárias e a pergunta constante é: por que eles estão cada vez mais agressivos?

A verdade é que há diversas razões para que isso aconteça. Não é apenas um motivo ou situação que desencadeia a agressividade nesses adolescentes. "A violência é um fenômeno de múltiplas causas", define Rose Miyahara, coordenadora do Centro de Referência às Vítimas de Violência do Instituto Sedes Sapientiae. "Pais violentos, privações materiais ou afetivas, valores culturais que induzam à discriminação e ao preconceito estão associados e resultam nesse tipo de comportamento", completa.

A cada dia os jovens buscam mais a liberdade, especialmente dentro de casa. Que adolescente gosta que o pai ou a mãe fique ligando o dia todo para investigar seus passos? Seja pela falta de tempo, pois ficam o dia todo fora de casa, no trabalho, ou para passar a imagem de "modernos", os pais estão cada vez mais liberais. Isso não quer dizer que a atitude seja de todo errada, apenas que é preciso dosar o quanto de autonomia se deve dar aos adolescentes.

"De fato hoje os pais têm menos tempo disponível para os filhos, o que gera sentimento de culpa. Os excessos são observados quando pai ou mãe agem de forma extremamente permissiva, ou são exigentes demais e tornam os poucos momentos de união cheios de cobranças", explica Carolina Nikaedo, psicóloga da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (Edac), de São Paulo.

Geraldo Possendoro, professor de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), chama a atenção para a atitude que alguns pais têm atualmente: "Cada vez menos dizem 'não' aos filhos. A família não estabelece limites, da infância à adolescência". Outra reação errada da família é achar que tudo o que o jovem faz é parte da rebeldia típica da fase. "Todos veem a adolescência como um período passageiro e natural, esperando que um dia ela termine e os problemas sejam resolvidos", explica Ana Bock, psicóloga e professora titular da PUC-SP.

É preciso estar atento a tudo o que rodeia o adolescente. Isso porque há diversas influências que podem inclinálo à violência. "O grupo de amigos e suas formas de cultura são importantes, assim como o modo de se relacionar com os parentes. O alerta mais importante é: para que os jovens sejam violentos é preciso que ele viva em uma cultura na qual esse tipo de comportamento é oferecido como possibilidade", argumenta Ana.

Tecnologia pode ser vilã

Estudo feito pelo Instituto de Soluções de Internet para Crianças, nos EUA, e publicado na revista Pediatrics aponta que aqueles que navegam por sites com conteúdo violento têm mais tendência de adotar esse tipo de perfil. Foi analisada a relação entre a violência na mídia e comportamentos agressivos (como atirar em alguém, por exemplo) em quase 1.600 adolescentes.

A cada site violento visitado, o risco de comportamento agressivo aumentava em 50%. Aqueles que admitiram acessar páginas em que pessoas reais lutavam e atiravam em outras eram cinco vezes mais propensos a desenvolver essa postura.

Para Carolina Nikaedo, programas de TV, internet e jogos de videogame têm parcela de culpa nesse contexto, porém não podem ser apontados como únicos responsáveis. "Eles influenciam a maneira como o jovem encara essas atitudes, mas não determinam que eles se tornem agressivos, como um fenômeno isolado".

Além de todos os fatores externos e ambientais, a genética pode estar por trás da agressividade juvenil. Uma pesquisa sobre o assunto foi realizada por Juergen Hennig e publicada na Behavioral Neuroscience. Nela, é apontada a relação de componentes específicos de agressão relacionados a um gene chamado TPH.

Mas isso não significa que as pessoas já nasçam violentas. Uma analogia explica como funciona essa questão. Imagine um revólver. A genética é a bala e o meio ambiente é aquele responsável por puxar o gatilho. Isso significa que, caso a arma não esteja carregada (informação genética), não é possível atirar. Da mesma maneira, o revólver pode continuar sem uso se ninguém puxar o gatilho (influência do meio).

Prevenir é o remédio

Os pais podem (e devem) se antecipar e evitar que o jovem cometa atos violentos. O ideal é estabelecer limites (com autoridade, e não autoritarismo) desde pequeno. "Saber dizer não na hora e da forma certa é a chave para impor regras de uma maneira que a criança tenha respeito pelos pais e não se revolte. Isso não significa que os pais devem ser contrários a tudo, o que a tornaria excessivamente comportada e reprimida. Para os filhos, liberdade em excesso é sinônimo de falta de carinho", justifica Possendoro.

Outra forma eficiente de impedir que o adolescente se torne agressivo é dar o exemplo. Afinal, filho de peixe peixinho é. "Seja um modelo de pacificação, até mesmo na maneira de administrar os conflitos que surgem pelo comportamento violento do filho, afinal violência gera violência. Adotar uma postura pacífica é diferente de não colocar limites. É preciso determinar de forma clara as regras para a convivência saudável e aplicar punições leves (como proibir o videogame) quando o jovem descumpre o que foi estabelecido", alerta Rose Miyahara.

Como identificar

Não existe uma idade determinada e nem mesmo local ou vítimas específicos para a agressividade do jovem. Tudo vai depender do que motivou esse tipo de comportamento e dos limites que cada espaço ou pessoa aplica, seja na escola ou em casa, com os professores, os pais ou namorada(o). O gênero também é indiferente.

É importante ressaltar que, mesmo com a descoberta da influência genética, ninguém tem tendência à violência. Portanto, ela pode surgir de qualquer maneira, e para os pais pode ser difícil identificar quando o filho está se tornando um agressor. Para Rose, mesmo na infância é possível detectar alguns indícios. "Dificilmente temos um jovem agressivo que foi uma criança tranquila. Ou seja, já é possível observar nessa fase comportamentos de intolerância à frustração, impulsividade física e brincadeiras maldosas com amigos e animais", alerta.

Quando chega à adolescência, para chegar ao veredicto é preciso estar atento aos detalhes. Analise a maneira como ele se relaciona com os vizinhos, por exemplo. "Verifique sua conduta, o tipo de coisas que dá importância e como é a relação com as pessoas a sua volta. Discutir sobre valores morais e conduta também pode ser uma forma de saber o que ele pensa e de que maneira encara certas situações", indica Ana Bock.

Para quem já está identificando atitudes suspeitas, uma sugestão de Carolina Nikaedo é criar um registro para acompanhá-lo. Anote a data, a situação que antecedeu o comportamento violento do jovem, que tipo de agressão ele fez e as consequências dessa ação. Ao perceber que essas cenas estão frequentes, é hora de procurar ajuda.

Detectar os problemas o mais cedo possível é a melhor forma de corrigi-los e evitar situações graves. "Quando os adolescentes já protagonizam episódios violentos como o que vemos atualmente nas escolas, eles ficam confusos em relação aos próprios sentimentos, gerando um misto de culpa e raiva pelo que fazem.", afirma Carolina.

O tratamento deve envolver todos os círculos sociais do qual o jovem faz parte (a escola, os amigos e a família), junto com o psicólogo. Indicar a realização de atividades em que eles possam "descarregar" a raiva surge como terapia complementar (praticar esportes ou aprender algum instrumento musical, por exemplo). Fazer o tratamento de maneira correta é a garantia de que o problema não se estenda para a vida adulta. "Adolescência não é sinônimo de violência. Eles cresceram e adquiriram as possibilidades físicas e intelectuais para se tornarem adultos, mas ainda são subestimados pela idade. Essa situação gera contradições que não são específicas do jovem; é parte da relação entre eles e os adultos", justifica Ana Bock.


APARELHO DETECTA ENFARTE COM ATÉ 12 HORAS DE ANTECEDÊNCIA

Um aparelho americano, recém-lançado no país, pode diminuir as chances de um paciente sofrer ataque cardíaco fulminante. Instalado abaixo da clavícula e com eletrodos no coração, o Angelmed Guardian (http://www.angelmed.com.br/), ou simplesmente Guardian (guardião, em inglês), detecta com 10 a 12 horas de antecedência a ocorrência de enfarte ou angina antes dos primeiros sintomas (dores no peito), o que dá tempo para evitar a pane cardíaca. O primeiro implante do aparelho em um brasileiro foi feito na segunda-feira da semana passada, em um lavrador de 77 anos.

O aparelho já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), funciona 24 horas por dia e custa de R$ 50 mil e R$ 60 mil. É indicado para pacientes que sofrem ou com alto risco de sofrer doenças cardíacas. Segundo o diretor da clínica de Ritmologia Cardíaca da Beneficência Portuguesa, Silas Galvão, estudos feitos no Brasil revelaram que o Guardian tem grau de eficácia de 90%. "Entre 8% e 10% dos casos, o aparelho alertou sem a ocorrência de problemas cardiológicos."

O Guardian é implantado abaixo da clavícula do lado esquerdo. De lá, um cabo segue, por uma veia dissecada, até a veia cava superior, chegando ao coração. Dois pequenos eletrodos, então, detectam, por meio de variações nos impulsos elétricos, falta de oxigênio no coração, o primeiro passo para a isquemia, que pode levar ao enfarte.

Ocorrendo isso, os eletrodos emitem um sinal. Numa das versões, ele vibra (como um telefone celular), avisando o portador que algo está errado. Em outra versão, o alerta é dado por um bipe, que vai preso na cintura do paciente. "Dá tempo para o indivíduo aumentar a dose do medicamento ou ir até um hospital e ser atendido com mais tempo e menos risco", diz Galvão.

Segundo ele, o Guardian é parecido com um marca-passo e funciona como um eletrocardiograma. "O eletro capta os sinais quando chegam à superfície do corpo", diz. "Esse aparelho, por estar dentro do coração, é mais sensível." Dessa forma, ele detecta, com até 12 horas de antecedência, os primeiros sintomas de isquemia. Quando ela ocorre, o paciente sente dor no peito. No ápice, o músculo morre e ocorre o enfarte. "O aparelho previne a isquemia e, principalmente, minimiza a chance da ocorrência de morte súbita por arritmia", diz Galvão, acrescentando que, metade das mortes por doenças coronarianas ocorre dessa forma.


A DOENÇA DO PLAYSTATION

FOTO: SHUTTERSTOCK. ARTE: EDI EDSON

A lista dos problemas causados pelo uso excessivo de videogames aumentou. Na Suíça, médicos acabam de relatar o caso de uma adolescente de 12 anos que ficou com lesões nas mãos porque passava muitas horas jogando Playstation, todos os dias. A garota apresentava manchas roxas e traumas nas mãos e se queixava de muitas dores. Por ter tido uma relação direta com o game, a nova doença recebeu o nome de Playstation palmar hidradentitis. Um tipo de lesão da pele causado pelo uso prolongado do jogo.

Segundo os médicos, o problema surgiu em decorrência dos movimentos rápidos e por longos períodos executados durante o jogo. Esses games, em geral disputados em rede, provocam muita tensão e esforço dos jogadores. "Os movimentos repetitivos e contínuos, agravados pela tensão e força, provocaram os sintomas", relata o médico Vicente Piguet, da Faculdade de Medicina de Genebra. Segundo ele, casos de tendinites ocasionados pelo uso exagerado desse tipo de jogo já são bem conhecidos pelos médicos. Mas lesões como as apresentadas pela adolescente não tinham sido registradas. Agora, foi publicado pela primeira vez no Jornal Britânico de Dermatologia. Por recomendação médica, a menina parou de jogar e os sintomas desapareceram dez dias depois. "Essa é uma interessante descoberta que deve ser compartilhada com outros profissionais para que possa ser confrontada com sintomas, às vezes, inexplicáveis, apresentados por seus pacientes", afirma Nina Goad, da Associação Britânica de Dermatologia. Em comunicado, a Sony Corp, empresa que fabrica o Playstation, afirmou que desde o lançamento do produto, em 1995, nunca houve caso semelhante e se comprometeu a analisar mais cuidadosamente as conclusões do estudo.

Os médicos afirmam que os pais devem prestar mais atenção ao tempo em que os filhos passam jogando. "Quanto maior a exposição e a intensidade dos movimentos, maiores os riscos de uma lesão nas articulações", afirma o ortopedista Ricardo Cury, da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. Para o pediatra Sérgio Grassi, da Universidade Federal de São Paulo, o importante é impor limites no tempo de uso. "É preciso estabelecer horários e, principalmente, saber o tipo de game que o filho joga", aconselha.


DNA PODE AJUDAR NA CRIAÇÃO DE RETRATO FALADO

O cientista Mark Shriver (na foto), da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, acredita que através de uma pequena amostra de DNA é possível montar uma espécie de 'retrato falado' de alguém, algo que pode revolucionar o campo de investigações.

A invenção de Mark Shriver se baseia no mapeamento de genes ligados à pigmentação da pele e já foi usado para ajudar a condenar Derek Todd Lee, um serial killer da Flórida, indicando que o suspeito era negro e não branco como afirmavam as testemunhas.

Agora, Shriver quer ampliar o poder da ferramenta, mapeando e explorando também os genes que definem o formato facial de uma pessoa. O cientista realizou uma extensa pesquisa genética de traços de diferentes origens, que facilitou a criação de um banco de dados complexo, que misturado com o mapeamento dos genes da estrutura facial permitiria criar uma imagem da face de um suspeito.

De acordo com Shriver, o retrato-falado feito a partir das informações obtidas com a análise do DNA também pode 'rastrear' até marcas específicas de uma pessoa de origem étnica, misturando pontos fixos do rosto, como por exemplo, cantos da boca e da ponta do nariz. Isso permite que o computador crie uma imagem de um rosto baseado na combinação genética encontrada no DNA.

Morfiria, sistema da Sony para identificação por veias do sistema circulatório
Reprodução do Morfiria, sistema da Sony para identificação por veias da circulação.

SISTEMA DA SONY USA VEIAS HUMANAS PARA FAZER IDENTIFICAÇÃO

Depois do desenvolvimento de sistemas de identificação por meio de reconhecimento da face, scanners de retina e identificação por impressão digital, a Sony anunciou o desenvolvimento de um sistema que permite a identificação por veias humanas. Batizado de Morfiria, o sistema é "compacto, muito veloz, muito preciso na tecnologia de autenticação de veias", de acordo com a empresa. A nova tecnologia, anunciada em Tóquio, foi desenvolvida para aplicação em dispositivos móveis (como celulares e pen-drives, por exemplo), com a intenção de proteger produtos de possíveis espionagens.

"O sistema de autenticação por veias humanas utiliza um método único, no qual um sensor CMOS (de armazenamento e memória), disposto diagonalmente, captura o interior das veias por meio de luzes", diz a empresa. A Sony afirma que o sistema de identificação usa diretamente as veias do dedo. Devido a isso, a identificação não pode ser clonada. A Sony espera implementar a tecnologia do Morfiria em dispositivos móveis ainda neste ano.


BUSCAS NA INTERNET ALIMENTAM HIPOCONDRIA

Informações sobre saúde disponíveis na Internet estão criando uma geração de hipocondríacos cibernéticos - pessoas que, sem razão, temem os piores diagnósticos para seus sintomas após surfar na rede - dizem pesquisadores. Uma equipe da Microsoft analisou pesquisas relacionadas a saúde feitas na Internet usando sites de busca e entrevistou 515 funcionários da empresa.

A equipe concluiu que as buscas na Internet tiveram o potencial de aumentar os temores dos usuários. Uma dor de cabeça, por exemplo, se transforma, para essas pessoas, em um sintoma de um tumor. Os especialistas recomendaram que pessoas que estão preocupadas com a saúde procurem um médico, no lugar de tentarem diagnósticos por meio da Internet.

O estudo da Microsoft teve como objetivo fazer melhorias em seu próprio site de buscas. Cerca de 2% de todas as buscas na Internet analisadas foram relacionadas a saúde. Entre o 1 milhão de usuários monitorados pela pesquisa, 250 mil (ou seja, cerca de 25% da amostragem) fizeram pelo menos uma busca médica durante o período do estudo.

Os pesquisadores verificaram que buscas para sintomas comuns - como dores de cabeça e dores no peito - tinham a mesma probabilidade, ou maior probabilidade, de levar o usuário a páginas descrevendo condições graves que a páginas descrevendo condições benignas - embora doenças graves sejam muito mais raras.

Buscas por "dor no peito" ou "tique nervoso" trouxeram resultados assustadores com a mesma freqüência de condições menos sérias, embora as chances de que uma pessoa tenha um ataque cardíaco ou esteja sofrendo de uma condição neurodegenerativa fatal sejam muito menores do que as chances de que ela tenha uma simples indigestão ou tensão muscular, por exemplo.

Cerca de um terço dos 515 empregados da Microsoft que responderam a um questionário sobre seus hábitos quando fazem buscas sobre saúde na internet disseram que a primeira busca levou a outras, que exploraram doenças mais sérias e raras.

Embora a pesquisa não ofereça provas concretas de que fazer buscas na internet aumente os temores em relação à saúde - já que o usuário pode simplesmente estar curioso em relação a uma certa doença -, os pesquisadores dizem que, dependendo das circunstâncias, é muito provável que isso ocorra. "Nossos resultados mostram que um instrumento de busca na Internet tem o potencial de aumentar preocupações médicas", disse Eric Horvitz, um especialista em inteligência artificial da Microsoft.

Uma porta-voz do NHS, o serviço nacional de saúde britânico, disse que informações sobre saúde na Internet não são substituto para os conselhos de um especialista. "É sempre uma boa idéia falar com um médico que pode colocá-lo na direção certa se você está preocupado com sua saúde". "A Internet pode ser um instrumento útil para que se obtenha mais informação sobre certas condições, mas não deve substituir uma conversa com o especialista".

No entanto, o porta-voz da entidade de fomento à pesquisa sobre o câncer Cancer Research UK disse que sites confiáveis de informação podem ser um recurso útil. "Paradoxalmente, o problema na Grã-Bretanha é que muitas pessoas ainda não reconhecem os sintomas do câncer e a demora em procurar o médico é uma das razões pelas quais os índices de sobrevivência ao câncer no país ficam abaixo dos melhores da Europa", disse Henry Scowcroft.

"É importante estudar mais este assunto, mas também devemos nos lembrar de que muitas pessoas ainda não têm acesso à riqueza de informações da internet, e de que as desigualdades na saúde - incluindo as desigualdades de acesso à informação - estão se acentuando, e não diminuindo".


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HOSPITAL USA VIDEOGAME EM TRATAMENTO DE PACIENTES

O Hospital Dodd Hall, da Universisdade de Medicina de Ohio, está usando o videogame Nintendo Wii como tratamento complementar de pacientes que sofreram derrames ou perderam algum movimento do corpo.

O novo videogame da Nintendo tem controles sensíveis ao movimento do jogador. Para os pacientes, ele pode ajudar na recuperação do equilíbrio, da coordenação, da resistência e da força.  


TELEMEDICINA EM EXPANSÃO

Mãe de seis filhos, Kate Hamond, está no mercado Whole Foods, em Boston, pesquisando o melhor peixe para comprar. Talvez um salmão, mas antes da decisão final, olha a tela do seu celular que recebe uma mensagem indicando, se aquele peixe está sem nenhum problema para consumo.

O novo serviço de texto do governo americano, traz pesquisa com 90 tipos de peixes e está sendo muito requisitado. As informações de saúde por telefones celulares já é uma realidade nos EUA e em outros países da Europa. O texto é rápido, barato e privado. Na Inglaterra, mulheres estão recebendo textos relembrando o momento de tomar pílulas anticoncepcionais, na Austrália há um serviço de texto que ajuda os pacientes com AIDS, e na Alemanha pesquisadores estão examinando como os textos podem auxiliar e dar suporte psicológico a pacientes que sofrem de bulimia.

Recente estudo na Nova Zelândia, mostrou que programas para parar de fumar são mais efetivos com o apoio de textos recebidos em celulares. O Departamento de Saúde da cidade de San Francisco, iniciou ano passado, um serviço de informação sexual via telefone celular, para alertar sobre o aumento de casos de doenças sexuais entre adultos e adolescentes. De acordo com uma avaliação preliminar do sistema, houve 4.500 ligações em apenas 25 semanas do serviço chamado de SexInfo que tem um programa similar na Inglaterra.

Nos EUA, o texto de saúde nos celulares, segundo Jonathan Linkous, diretor da American Telemedicine Association, está em franco crescimento, apesar de estar ainda no seu início. Ele disse que a entidade, com sede em Washington, está desenvolvendo guidelines e um texto apropriado para as mensagens. Existem, entretanto, alguns problemas com a telemedicina, principalmente, para as pessoas idosas que na grande maioria são avessas aos usos de novas tecnologias em healthcare. Na Inglaterra , vários hospitais já utilizam o serviço de texto mensagem para confirmar consultas e dar resultados de exames. Alguns médicos também utilizam o serviço, para acompanhar mais de perto os pacientes com problemas de asma, diabetes e outras doenças crônicas.

Na Escócia, por exemplo, pacientes diabéticos jovens podem enviar uma mensagem de texto para seu médico para saber da modificação da dose de insulina, após comer algo diferente ou beber em uma festa. Outro fator a destacar e que está sendo desenvolvido, é o chamado serviço de telemental health, especifico para pacientes com problemas psicológicos. Aqui a videoconferência nos celulares começa se instalar. Os serviços só estão começando, muita coisa ainda estará por vir, mas não é mais ficção cientifica.


BLACKBERRIES NA SAÚDE

Um grupo de cientistas da área de saúde está iniciando uma nova pesquisa, onde a presença marcante são os telefones Blackberries que estão sendo utilizados para melhorar o monitoramento e o tratamento dos pacientes que sofrem de doenças crônicas e até mesmo salvar suas vidas. No estudo está sendo usado um equipamento especialmente configurado para ajudar a monitorar 120 pacientes que são atendidos em casa e que sofrem de Doença Pulmonar Obstrutica Crônica (DPOC).

O estudo tem dois objetivos: primeiro estabelecer que o Blackberry com o sistema de report de base ou diário irá trabalhar com o propósito de monitorar os pacientes, e segundo determinar os fatores que causam o aumento do DPOC através dos ciclos de anos da doença.

Os pacientes envolvidos na pesquisa irão gravar os sintomas da doença diariamente nos Blackberries e transmitir os dados para as enfermeiras que participam do projeto. Se o paciente tiver um caso de aumento da doença, uma equipe estará se deslocando para a casa do paciente imediatamente. Conhecer e deter a doença mais cedo é importante porque os sintomas associados com a crise, geralmente, começam com sete dias antes do pico. Se o tratamento pode ser administrado mais cedo, há portanto uma redução signicativa da crise e a duração da mesma. E como resultado a diminuição das idas ao hospital para a emergência.

Nos queremos ver se esta tecnologia pode ser usada para melhorar o conhecimento antecipado da DPOC e assim os médicos poderão atuar com mais brevidade,disse o Dr. Neil Johnston,do Instituto de Saúde Respiratória, de Hamilton, nos EUA. A DPOC apresenta dois problemas sérios para a saúde como a bronquite crônica e a enfisema pulmonar. Segundo a Associação Americana de Pulmão, perto de 120.000 mil pacientes morrem destas doenças por ano nos EUA, sendo a quarta causa de morte



VISITA VIRTUAL NA SAÚDE

O uso do computador está crescendo cada vez mais na área de saúde e em muitos estados dos EUA as chamadas visitas virtuais (e-visits) aos médicos está ganhando mais adeptos. O mesmo acontece com os planos de saúde que estão encorajando os seus clientes a programarem tais visitas que já sendo reembolsadas por muitos planos. As visitas virtuais estão diminuindo custos e fazendo com que pacientes tenham um acesso mais rápido aos médicos.

No estado de Minnesota, 5 dos 6 maiores planos de saúde do estado já reembolsam os médicos na faixa de US$ 35 por cada visita virtual. A tecnologia de informação da saúde já é uma realidade e está aproximando mais médicos e pacientes, bem como tornando os custos menores para ambos. A meta agora é que em muito pouco tempo todas as empresas de planos de saúde venham aderir ao programa, segundo técnicos e especialistas no assunto.

A empresa Kaiser Permanente, de Colorado Springs está realizando um estudo atualmente, que mostra claramente a economia desenvolvida pelas visitas virtuais. Na Califórnia, a empresa Palo Alto Medical Foundation acredita que para cada US$ 1 investido nas e-visits há um retorno de US$ 4,50 em forma de uma maior produtividade na empresa.


QUANDO A MEDICINA VAI ALÉM DO FUTURO

Tecnologia e ciência caminham lado a lado a serviço da medicina. A cada ano, surgem no mercado equipamentos inovadores que possibilitam viajar pelo corpo humano de forma mais precisa e obter imagens impressionantes, com maior nitidez e riqueza de detalhes.

Máquinas robóticas auxiliam o médico em intervenções cirúrgicas e aparelhos sofisticados de diagnóstico detectam os mais diminutos tumores e metástases. Um arsenal tecnológico na corrida pela vida. Trata-se de um mercado que movimenta cerca de R$ 6 bilhões anuais somente no Brasil.

Hoje, aquilo que um dia foi ficção científica toma conta da sala de cirurgia. Já é possível que um robô – controlado por um especialista – realize cirurgias de alta complexidade e precisão. A novidade fica por conta do Da Vinci Surgical System, um sistema robótico da empresa americana Intuitive Surgical que traduz os movimentos das mãos do cirurgião em movimentos milimetricamente precisos, em tempo real.

Aplicada em cirurgias minimamente invasivas, a tecnologia está sendo implementada pelos hospitais paulistanos Sírio-Libanês (HSL) e Albert Einstein, que investiram cerca de R$ 5 milhões na aquisição e implantação do aparelho. Segundo o diretor-clínico e cirurgião toráxico do HSL, Riad Younes, o novo equipamento é composto por um robô de cinco braços articulados – com capacidade para segurar instrumentos cirúrgicos – e um campo de controle com duas telas de computadores.

O cirurgião manipula o controle mestre e o sistema traduz imediatamente os movimentos de mãos, pulsos e dedos com alta precisão e em tempo real. Além disso, combina imagens tridimensionais em alta resolução do campo cirúrgico, o que garante melhor destreza do médico e movimentos precisos, sem tremores, e ergonômicos.

Recuperação - “A precisão do corte e o menor trauma garantem redução da perda de sangue e do risco de infecção, além de diminuir a dor e o desconforto no pós-operatório, gerando rápida recuperação do paciente”, ressalta Younes, um dos nove especialistas da entidade que fizeram treinamento nos Estados Unidos para comandar o robô.

Atualmente, o sistema robótico é bastante utilizado em transplantes de fígado, cirurgias de próstata, ginecológicas, urológicas, cardíacas e gástricas, mas os especialistas acreditam na expansão do uso, inclusive em pediatria. Porém, cirurgias desse porte não recebem cobertura da maioria dos planos de saúde.

Investimentos – As novidades não param por aí. A previsão de investir R$ 11 milhões na aquisição de novos equipamentos em 2007 pelo HSL já foi ultrapassada. A estimativa é chegar perto dos R$ 19 milhões, segundo o superintendente de pacientes externos da entidade, Antonio Antonietto.

Até o fim do ano, o Sírio disponibilizará um novo aparelho de tomografia computadorizada por emissão de pósitrons (PET/CT), que reúne em um mesmo exame imagens metabólicas e anatômicas, indicando até o nível de atividade celular de eventuais tumores. Isso permite identificar com maior precisão a localização, o estágio, a agressividade e o tipo de tratamento mais adequado. O novo PET/CT também detecta tumores malignos de pequenas dimensões e metástases.

“O PET/CT capta imagens do corpo inteiro em 15 minutos, metade do tempo do aparelho utilizado atualmente”, conta o superintendente. “Estamos reformando uma sala especialmente para receber o aparelho. O antigo será doado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina.”

Além desses equipamentos, o hospital terá ainda dois tomógrafos multislice computadorizados de 64 cortes – o mais avançado do mercado e específico para exames cardíacos e vasculares, que oferece extrema nitidez de imagem e menor dose de radiação aplicada – e um aparelho de ressonância magnética de três telas.

Como o número de exames realizados diariamente deve aumentar, para agilizar o serviço, o hospital está ampliando a sala onde médicos avaliam as imagens e emitem os laudos. “Tentamos ser pioneiros, trazendo as novas tecnologias o quanto antes para o hospital”, finaliza Antonietto.


PROJETO PILOTO NACIONAL DE TELESSAÚDE NO CEARÁ


Usar a tecnologia da informação a favor da comunidade e da transmissão de conhecimento na área da saúde. Essa é a proposta do Projeto-Piloto Nacional de Telessaúde em Apoio à Atenção Básica que está em implantação em 30 municípios cearenses. A primeira ação prática da iniciativa ocorrerá no próximo dia 6, a partir das 8h30min, com a transmissão, por meio de web conferência (pela Internet), de uma teleconsulta do município de Baturité, um dos selecionados para fazer parte do projeto.

O coordenador do Núcleo de Telessaúde do Ceará, Luiz Roberto de Oliveira, diz que o projeto começa a atividade local na área da cardiologia, mas que será estendida para outras especialidades. Um dos principais focos do projeto é atuar na parte educacional e assistencial. "Não adianta tentar melhorar a qualidade do atendimento em saúde se não melhorar a qualidade profissional".

Ele acrescenta que, além de apoiar na formação e atualização permanente dos profissionais de saúde, o projeto pretende possibilitar aos médicos generalistas ou clínicos, dos serviços existentes nas cidades atendidas, uma segunda opinião. Isso significa dizer que se o médico não conseguir resolver o problema, poderá consultar um especialista do núcleo da UFC, utilizando o sistema de web conferência. Raquel Rolim, gerente do projeto, ressalta que a iniciativa vai transformar a região, melhorando o atendimento da população e incentivando o médico do Interior a estar sempre estudando.


Um dos objetivos da iniciativa, presente nos estados do Amazonas, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina, é a ampliação do acesso à saúde sem necessidade da proximidade física. No Estado, a sede do projeto é o laboratório de informática da Faculdade de Medicina da UFC, no Campus do Porangabussu, em Fortaleza, que manterá médico de plantão para ajudar na discussão de diagnóstico de casos clínicos e na conduta terapêutica a ser adotada. Também está previsto a criação da Biblioteca Regional de Medicina. A biblioteca virtual reunirá todo material produzido para dar suporte ao telessaúde.

Projeto Piloto Nacional de Telessaúde em Apoio à Atenção Básica é apoiado pelo Governo Federal por meio do Ministério da Saúde. No País, além do Núcleo Ceará, o Projeto Piloto tem núcleos ainda nos estados do Amazonas, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Cada núcleo está ligado a uma universidade. No Ceará, a sede do projeto é o Laboratório de Informática da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará.
Propostas do Projeto: apoiar na formação e atualização permanente dos profissionais de saúde (visão educacional) e na parte assistencial, oferecer a possibilidade do profissional de saúde que está no município, de ter uma segunda opinião médica (contato com outros especialistas antes de encaminhar o paciente para outro tipo de atendimento).

Um dos critérios para implantação do projeto é que o município tenha banda larga. Isso porque será utilizado a web conferência (pela Internet). No núcleo da UFC, terá um médico para fazer a coordenação clínica da demanda oriunda dos municípios participantes do projeto. O contato poderá ser via e-mail, fax ou por meio da web conferência.

MUNICÍPIOS DA 1ª FASE
Ocara, Chorozinho, Paraibapa, Itapajé, Acarape, Guaiúba, Baturité, Canindé, Umirim, Tururu, Fortim, Icapuí, Choró, Solonópole, Morada Nova, Limoeiro do Norte, Jaguaribe, Ipu, Mucambo, Aracaraú, Cruz, Ubajara, Viçosa do Ceará, Tauá, Crateús, Tamboril, Iguatu, Quixelô, Penaforte e Porteiras.


PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA PARA CARDÍACOS

INTRODUÇÃO

Estudos epidemiológicos vêm demonstrando que o índice de mortalidade por doenças do sistema circulatório têm assumido importância crescente no Brasil. Estatística apresentada pelo MinistérIo da Saúde em 1988 demonstrou que as doenças do sistema circulatório eram responsáveis por 11,3% dos óbitos em 1930 e por 30% dos óbitos em 1980 . Já em 1984, elas eram consideradas a principal causa de morte em todas as regiões do país, exceto na região norte .

Devido à importância que a doença coronariana vem assumindo como causa de morte, diversos estudos têm sido realizados em todo o mundo para detectar os fatores que favorecem e evitam o aparecimento da mesma. Nesse sentido, o estudo de Framingham foi um dos mais expressivos, pois detectou diversos fatores de risco para a doença coronariana. Dentre esses a hipercolesterolemia, a hipertensão arterial, o tabagismo, a dislipidemia, o diabetes, a obesidade, o stress, a taxa de fibrinogênio alta, a hiperuricemia, o hematócrito alto, a freqüência cardíaca basal alta, a capacidade vital diminuída e a vida sedentária são passíveis de controle, contrariamente aos fatores sexo, idade e história familiar.

Atualmente, em diversos países do mundo, vêm se verificando uma diminuição na taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares. Esse declínio é atribuído às melhorias no tratamento médico e à ampliação da prevenção primária, a qual visa diminuir os fatores de risco da população.

Em vista da relevância da prevenção das doenças cardiovasculares, esse trabalho visa discutir alguns aspectos relativos à prevenção cardíaca primária e secundária a partir de um programa de condicionamento físico especializado.


PROGRAMA DE CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA PREVENÇÃO PRIMÁRIA E SECUNDARIA DA DOENÇA CARDIOVASCULAR

Diversos estudos têm evidenciado uma associação entre a inatividade e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, sendo que a mais importante é, sem dúvida, a doença coronariana. Outros estudos sugerem que a atividade física previne as manifestações clínicas dessa doença.

Dessa maneira, a atividade física pode ser utilizada tanto na prevenção do aparecimento das doenças cardiovasculares em indivíduos que possuem um ou mais fatores de risco – prevenção primária - como também na prevenção das manifestações clínicas dessas doenças em pacientes cardiopatas - prevenção secundária.

A reabilitação é o processo pelo qual a pessoa retorna a um estado ótimo físico, social, emocional, psicológico e vocacional após algum evento patológico cardiovascular, Até a década de 60-70, o exercício, como conduta terapêutica, era pouco utilizado no processo de reabilitação. Contudo, a partir das últimas duas décadas, o condicionamento físico tem sido amplamente utilizado e hoje é o ponto central de diversos programas de reabilitação cardíaca.

BENEFÍCIOS DE UM PROGRAMA DE CONDICIONAMENTO FÍSICO

O condicionamento físico adequado produz alterações no funcionamento cardiovascular, no sistema neurovegetativo, na secreção hormonal e nos fatores de risco das doenças cardiovasculares. Todas essas modificações contribuem de maneira expressiva para a prevenção das doenças cardiovasculares.

Efeitos Sobre o Sistema Cardiovascular

A maioria dos estudos demonstra que o exercício físico adequado aumenta a capacidade aeróbia máxima. Segundo Greenland e Chu , após um infarto do miocárdio, tanto os pacientes condicionados como os não condicionados atingem uma capacidade máxima de 9 METS, a qual é suficiente para a retomada das atividades diárias. Os condicionados, porém, podem ter um consumo máximo de oxigênio (V02máx) até 25% maior que os não condicionados. Embora o aumento da capacidade aeróbia máxima nem sempre seja acompanhado de melhora clínica, parece inquestionável que esse aumento tem alta correlação com a qualidade de vida dos pacientes. Outro aspecto de interesse quanto ao efeito do condicionamento físico é o grau inicial de capacidade física dos pacientes, uma vez que os mais beneficiados pelo condicionamento físico são aqueles que têm menor capacidade inicial. Isso evidencia ainda mais a importância do condicionamento físico na reabilitação cardíaca.

Quanto aos principais efeitos do condicionamento físico no sistema cardiovascular pode-se dizer que ele aumenta o volume sistólico máximo, o débito cardíaco máximo, o volume diastólico final e a massa ventricular, e diminui a freqüência cardíaca de repouso e de exercício submáximo, a pressão arterial de indivíduos hipertensos e o produto da pressão arterial pela freqüência cardíaca para uma mesma carga. Entretanto, sua ação sobre a contratilidade cardíaca, a fração de ejeção e a perfusão miocárdica é questionável. A nível periférico, o condicionamento físico provoca aumento da densidade capilar nas fibras musculares e eleva a atividade específica de enzimas oxidativas, aumentando a diferença arterio-venosa de oxigênio. Em pacientes coronariopatas, o efeito do condicionamento físico parece provocar mais modificações periféricas do que modificações centrais.

Quanto ao sistema hormonal, o condicionamento físico diminui a secreção de insulina, a qual é reconhecidamente aterogênica e diminui a secreção de catecolaminas. A menor concentração de catecolaminas reduz as anormalidades eletrocardiográficas, diminuindo também as arritmias. A diminuição da freqüência cardíaca de repouso e de exercício submáximo aumenta o tempo de diástole, o que pode permitir uma maior perfusão coronariana e uma diminuição do consumo de oxigênio do miocárdio para uma mesma carga absoluta. Estes mecanismos de adaptação aumentam a tolerância ao esforço, e conseqüentemente, o limiar de angina ou de depressão de segmento.

Efeito Sobre os Fatores de Risco

O condicionamento físico tem ações comprovadas sobre diversos fatores de risco. Os exercícios físicos regulares diminuem o peso, a pressão arterial e a concentração plasmática de triglicérides , colesterol-LDL e colesterol-VLDL, e aumenta os níveis plasmáticos de colesterol-HDL.

Efeitos Sobre os Fatores Psicológicos

Freqüentemente, pacientes com problemas cardíacos apresentam problemas psicológicos, vocacionais e sociais. Embora alguns estudos nesta área apresentem limitações metodológicas, é possível sugerir que o condicionamento físico melhora o bem-estar, a auto-confiança, a depressão, a hipocondria, a tensão, a fadiga, o sono e a libido.


SEGURANÇA NOS PROGRAMAS DE REABILITAÇÃO

A incidência de complicações cardiovasculares é maior entre pacientes cardiopatas do que entre adultos saudáveis. O risco de parada cardíaca durante o exercício físico é maior durante exercícios intensos e logo após a sua finalização. Isso se dá porque durante o exercício intenso há um aumento do consumo de oxigênio do miocárdio e um encurtamento da diástole, o que diminui o tempo de perfusão coronariana provocando um déficit temporário de oxigênio no tecido subendotelial. Esse déficit é ainda exarcebado pela diminuição do retorno venoso imediatamente após o término do exercício. Essa isquemia temporária pode alterar a despolarização e a velocidade de condução levando a arritmias que, em casos extremos, podem evoluir para taquicardia ventricular ou fibrilação. Outros fatores do exercício como o desequilíbrio sódio/potássio e o excesso de catecolaminas circulantes são também agentes arritmogênicos. Apesar desses aspectos, Van Camp e Peterson verificaram em dados estatísticos de 167 programas de reabilitação cardíaca, somando um total de 51303 pacientes, que o índice de parada cardíaca era de l por 111.996 pacientes/hora, o índice de infarto do miocárdio não fatal era de l por 293.990 pacientes/hora e o índice de morte súbita era de l por 783.972 pacientes/hora. A partir desses resultados os autores concluíram que a prática corrente de reabilitação cardíaca permite prescrever exercícios supervisionados a pacientes com doenças cardiovasculares com baixo risco de complicações. Outro dado estatístico interessante é o de que as paradas cardíacas parecem ocorrer mais freqüentemente em pacientes que excedem seus limites de freqüência cardíaca ou que apresentam alterações eletrocardiográficas consideradas importantes. Portanto, a supervisão do paciente durante a sessão de condicionamento físico e a precisa caracterização de seu estado clínico e funcional são essenciais para o êxito e a segurança do programa de condicionamento físico.

RECOMENDAÇÕES DE PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA

A prescrição de um programa de condicionamento físico deve prever a freqüência, a duração, a intensidade, o tipo de exercício e a melhor forma de monitorização para que os efeitos benéficos sejam alcançados e os riscos de complicações diminuídos .

Prevenção primária

Para se obter os benefícios cardiovasculares anteriormente mencionados são recomendados exercícios rítmicos aeróbicos que envolvam grandes grupos musculares, como correr, nadar, andar de bicicleta, etc. Melhoras na capacidade cardiorrespiratória são obtidas com treinamentos em intensidades que variam entre 50 e 85% do V02máx, ou seja, 65 a 90% da freqüência cardíaca máxima (FC máx), com duração de 15 a 60 minutos e com freqüência de 3 a 5 sessões por semana. Para indivíduos iniciantes recomenda-se utilizar intensidades entre 40 e 60% da capacidade funcional, evoluindo-se para intensidades entre 60 e 70%.

No programa de condicionamento físico desenvolvido em conjunto com Instituto do Coração (INCOR), Escola de Educação Física da USP (EEFUSP) e Divisão de Reabilitação Profissional de Vergueiro (DRPV), a sessão de condicionamento é composta de 4 partes: aquecimento, exercícios aeróbios, exercícios localizados e relaxamento. A principal ênfase desse programa está nos exercícios aeróbios, os quais têm duração de 25 minutos e são compostos de caminhadas, corridas e exercícios em cicloergômetros. A intensidade desses exercícios é prescrita para cada indivíduo em função de sua capacidade funcional, a qual é aferida por um teste ergométrico realizado antes de se iniciar o programa de condicionamento físico. A intensidade de treinamento (freqüência cardíaca que deve ser mantida durante as sessões de condicionamento físico - FCtr) para indivíduos iniciantes sedentários é estabelecida entre 50 e 70% da freqüência cardíaca de reserva (FCres), o que é calculado da seguinte forma:

FCtr mínima = (FC máx - FC rep) x 50% + FC rep

FCtr máxima = (FC máx - FC rep) x 70% + FC rep

Onde FCmáx é a freqüência cardíaca máxima obtida no teste ergométrico e FCrep é a freqüência cardíaca medida durante o eletrocardiograma de repouso. Para indivíduos condicionados, essa freqüência de treinamento é estabelecida entre 60 e 80% da Fcres. Nesse programa a freqüência de sessões é de 3 por semana.

Como as melhoras mais expressivas na condição física normalmente ocorrem nas primeiras seis a oito sessões de exercício é importante que após 2 semanas a carga total de trabalho por sessão seja aumentada progressivamente, através de um incremento na intensidade, na duração ou em ambas. No programa de condicionamento físico (INCOR/EEFUSP/DRPV), essa progressão de carga é feita semanalmente por uma avaliação da freqüência cardíaca e pressão arterial atingida nas sessões de treinamento e através de avaliações ergométricas realizadas aos 3 e 6 meses do programa e, a partir de então, de seis em seis meses.

Prevenção Secundária

O programa de condicionamento para a prevenção secundária pode ser dividido em três fases. Esse programa é normalmente oferecido a pacientes com doença arteriosclerótica e com deficiência da função miocárdica e da capacidade funcional, os quais podem apresentar ou não sintomas, sinais e manifestações clínicas da doença.

Programa de Condicionamento - Fase I

Esse tipo de programa é oferecido a pacientes que se encontram internados no hospital, normalmente pacientes na fase pós-infarto ou pós-operatório. Essa fase do condicionamento visa fazer com que os pacientes retornem a suas tarefas diárias, recuperando os danos na capacidade funcional provocados pela doença e pela inatividade prolongada. Para esse tipo de programa faz-se necessário que cada paciente seja acompanhado por um profissional especializado e que haja uma monitorização eletrocardiográfica durante as sessões, além de uma equipe de emergência pronta para atuar.

A American College Sports Medicine recomenda que: na fase inicial (l a 3 dias pós cirurgia ou infarto) sejam ministradas atividades de baixa intensidade (l a 3 METs) com gasto energético equivalente ao das atividades de auto-cuidado. Essas atividades devem progredir da posição deitada para a posição sentada e, em seguida, para a posição em pé. Entre 3 e 5 dias pós-evento, a caminhada em esteira ou os exercícios em cicloergômetros já podem ser iniciados. Nesse momento recomenda-se duas a quatro sessões diárias de exercícios, com duração de 5 a 10 minutos, numa intensidade de 40 a 60% do V02máx, o qual deve ser estimado entre 3 e 5 METs. Muitas vezes, utiliza-se para o condicionamento físico uma freqüência cardíaca 20 a 30 batimentos acima da freqüência cardíaca de repouso. Caso haja dificuldade em se manter a duração do exercício, deve-se

aumentar a freqüência de sessões por dia. Mas, à medida que o tempo passa, a duração deverá ser aumentada para 20 a 30 minutos e a freqüência será então diminuída para uma ou duas sessões por dia.

Programa de Condicionamento - Fase II

Esse programa é uma continuação da fase I e tem seu inicio após a alta hospitalar. A relação entre pacientes e professores de educação física deve variar entre 1:1 e 1:5 e o local onde se realiza o programa precisa ter equipamento de emergência, supervisão médica e condições para se fazer monitorizações eletrocardiográficas.

Na fase II do programa de condicionamento físico INCOR atende-se basicamente pacientes pós-operatório, pós-infarto do miocárdio e pós-angioplastia. Nessa fase, nosso objetivo é aumentar gradativamente a resistência dos pacientes a fim de possibilitar que eles retornem ao trabalho e a suas atividades físicas diárias. Esse programa tem uma duração de 2 meses e é executado após um teste ergométrico de protocolo de baixa intensidade, A intensidade do exercício aeróbio depende da capacidade física do paciente, atingindo até 7,5 METs. Durante esse período de dois meses os pacientes são reavaliados aos 30 e 60 dias. Segundo a American College Sports Medicine, esse programa deve se encerrar quando os pacientes tiverem atingido uma capacidade funcional acima de 5 METs, um estado médico estável, uma capacidade física (força e resistência muscular) adequada às tarefas diárias, souberem manter sua prescrição na faixa desejável e souberem reconhecer sinais e sintomas de intolerância ao exercício.

Programa de Condicionamento - Fase III

Essa fase é oferecida tanto a pacientes que passaram pelas fases I e II, como àqueles que não passaram por essas fases. O programa normalmente inclui pacientes numa fase de 6 a 12 meses pós-alta hospitalar. Nesse programa são aceitos pacientes com angina estável ou decrescente, arritmias controladas durante o exercício, coro conhecimento de seus sintomas e com hipertensão controlada. A relação professor de educação física e pacientes não deve exceder 1:10 e deve haver uma rotina de pronto-atendimento, que inclua equipamentos e pessoas devidamente treinadas para atender a intercorrências. Desde que necessária, a monitorização eletrocardiográfica deve ser utilizada.

Na fase III do programa de condicionamento físico INCOR/EEFUSP/DRPV, os pacientes participam das sessões como na prevenção primária e têm sua intensidade de treinamento físico estabelecida entre 50 e 70% da FCres. No entanto, para os indivíduos que apresentam isquemia ou angina durante o teste ergométrico, a freqüência cardíaca máxima utilizada para calcular a freqüência de treinamento físico é aquela na qual a isquemia começou durante o teste ergométrico.

CAUSAS E FATORES DE RISCO DAS DOENÇAS CARDIOVASCULARES

Para iniciar nossa análise do exercício e da saúde, será apresentada uma sucinta revisão de algumas das causas e dos fatores de risco associados às doenças cardiovasculares. Então, os tipos mais comuns de doenças cardiovasculares são (1) ataque cardíaco ou coronariopatia, (2) apoplexia ou acidente vascular cerebral e (3) doenças hipertensivas.

Causas de Ataque Cardíaco

A principal causa de doença cardíaca coronariana é a aterosclerose, que é uma enfermidade lenta e progressiva caracterizada pelo estreitamento da luz das artérias coronárias. Por sua vez, esse estreitamento é causado por substancias gorduras, cálcio e outros detritos celulares, que se depositam na parede interna das artérias. Além do estreitamento, as artérias afetadas tornam-se rígidas ou endurecidas. Como já foi dito o estreitamento é progressivo e, nos estágios avançados, o fluxo sanguíneo através da artéria pode ficar completamente bloqueado. Quando isso ocorre, a parte do músculo cardíaco irrigada por essa artéria morre; diz-se então que ocorreu um ataque cardíaco. A gravidade do ataque cardíaco é determinada pela localização exata do bloqueio dentro da artéria.

Fatores de Risco Associado ao Ataque Cardíaco.

Já dissemos neste trabalho que o treinamento com exercícios constantes constitui um fator significativo na redução da gravidade dos ataques cardíacos. Assim sendo, um fator de risco que tem sido identificado com os ataques cardíacos é a inatividade física, ou vida sedentária. Como prescrever corretamente um programa de exercícios, com a finalidade de reduzir o risco de ataque cardíaco ? Primeiramente devemos conhecer alguns desse fatores: (1) idade; (2) hereditariedade; (3) obesidade (peso corporal); (4) fumo; (5) exercício: (6) colesterol ou percentual de gordura na dieta; (7) pressão arterial; (8) sexo; e (9) tensão (estresse).

Idade

Em geral, quanto mais velho se é, maior o risco de ataque cardíaco. Por exemplo, entre os 25 e 34 anos de idade, a taxa de morte devida a ataque cardíaco é de aproximadamente 10 em cada 100.000 homens brancos; dos 55 aos 64 anos, essa taxa aumenta 1OO vezes e passa a ser de aproximadamente 1.000 mortes em cada 100.000 homens.

Hereditariedade

A hereditariedade parece desempenhar algum papel no risco de ataque cardíaco. Por exemplo, as pessoas que sofrem um ataque cardíaco, particularmente numa idade jovem, contam uma história familiar de ataques cardíacos na juventude. Pela mesma razão, os que não sofrem ataques cardíacos em geral pertencem a famílias nas quais esses ataques ocorrem raramente.

A maneira exata pela qual a hereditariedade desempenha um papel no ataque cardíaco não é conhecida no momento. Sem recorrer a uma ligação genética, existe a possibilidade de os estilos de vida familiares, incluindo hábitos alimentares e padrões de exercício físico, serem mais importantes no desenvolvimento da tendência para o ataque cardíaco. Em outras palavras, pais que só raramente se exercitam numa base regular tendem a gerar filhos que também só se exercitam raramente. A obesidade é outro bom exemplo; pais obesos com freqüência geram filhos obesos.

Obesidade

Como dissemos previamente, o risco de ataque cardíaco aumenta na proporção dos aumentos na gordura corporal. As pessoas que são consideradas como tendo um excesso de peso de 20% exibem uma taxa de mortalidade por doença cardiovascular que é 2 1/2 vezes maior do que a das pessoas com peso corporal médio ou abaixo da média. Convém relembrar que a causa mais comum da própria obesidade é a falta de exercício. A redução ponderal através do exercício e da dieta constitui um remédio efetivo contra a obesidade.

Fumo

Quanto mais cigarros se fuma por dia e quanto maior duração do vício, maior será o risco de coronariopatia e câncer pulmonar. A pessoa que fuma mais de um maço de cigarros por dia corre um risco superior ao dobro de ataque cardíaco, quando comparada com quem não fuma. Embora a ligação entre câncer pulmonar e fumo seja muito bem conhecida pelo público geral, sua associação com doença cardíaca coronária não o é. Em verdade, o risco de coronariopatia é maior nos fumantes do que o risco de câncer pulmonar.

A ligação fisiológica exata entre fumo e coronariopatia é desconhecida. Entretanto, admite-se que o fumo, embora não produza aterosclerose, pode iniciar a formação de pequenos coágulos sanguíneos que acabarão por bloquear uma artéria coronária Já estreitada por aterosclerose.

Exercício

Realizaram-se muitos estudos na esperança de encontrar evidência conclusiva para a idéia de que a maior atividade física reduz o risco de coronariopatia. No entanto, a maioria desses estudos não conseguiu evidenciar essa associação. Ao invés disso, muitos estudos apenas permitiram inferir que o exercício e a coronariopatia estão relacionados. Não obstante, foram tantos os estudos que chegaram a essa mesma suposição que essa inferência passou a ser fortemente aceita como fato e todos chegaram à mesma conclusão: o risco de ataque cardíaco é tanto menor quanto mais ativo se é fisicamente.

Níveis Sanguíneos de Colesterol (Lipídios)

A dieta americana é tipicamente rica em alimentos que contêm grandes quantidades de gorduras animais e colesterol. Por sua vez, as gorduras animais são ricas em lipídios não-saturados. Tanto o colesterol quanto essas gorduras produzem os depósitos ateroscleróticos sobre o revestimento interno das artérias. Dessa forma, os altos níveis sanguíneos de colesterol e triglicérides (gorduras saturadas) estão relacionados com uma alta incidência de coronariopatia.

Pressão Arterial (Hipertensão)

A manutenção de níveis elevados de pressão arterial pode levar a uma série de lesões em órgãos alvo. O que piora a qualidade de vida dos pacientes e, principalmente, aumenta o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares (Fagard, 1985). Dessa maneira, torna-se evidente a necessidade de controlar os níveis pressóricos dos indivíduos hipertensos.

Alguns estudos epidemiológicos têm demonstrado uma relação inversa entre a pressão arterial e a atividade física habitual ou o nível de condição física (Fagard, 1985; Wortd Hypertension League, 1991). Esses resultados têm levado os especialistas da área a preconizar o exercício físico regular como terapêutica não farmacológica da hipertensão. Entretanto, dois aspectos norteadores da relação exercício e hipertensão ainda precisam ser melhor esclarecidos: quais são o tipos, a intensidade, a duração e a freqüência de exercício mais adequados para diminuir a pressão arterial dos indivíduos hipertensos e quais são os mecanismos responsáveis pelo efeito hipotensor do exercício.

Portanto, sendo a pressão arterial uma variável continua, é difícil identificar qual o valor normal e anormal da pressão arterial na população. No entanto, estudos epidemiológicos têm identificado que a partir de determinados níveis de pressão arterial, os riscos de complicações cardiovasculares por sobrecarga pressórica aumentam muito. A partir desse estudo, o US DEPARTMENT OF HEALTH AND HUMAN SERVICES (1988) estabeleceu os seguintes critérios para a definição de pressão arterial normal e alta:

Pressão Arterial Diastólica (PAD)

•  Pressão Arterial Normal < 85 mmHg

•  Pressão Arterial Limítrofe 85-89 mmHg

•  Hipertensão Leve 90-104 mmHg

•  Hipertensão Moderada 105-114 mmHg

•  Hipertensão Severa > 114 mmHg

Pressão Arterial Sistólica (PÁS)

•  Pressão Arterial Normal < 140 mmHg

•  Hipertensão Sistólica Isolada Limítrofe 140 – 159 mmHg

•  Hipertensão Sistólica Isolada > 159 mmHg

No entanto, para se estabelecer o diagnóstico de hipertensão, deve-se fazer a medida em pelo menos dois dias diferentes. As medidas devem ser realizadas com o indivíduo sentado por pelo menos 5 minutos e o braço deve ser colocado apoiado na altura do ventrículo esquerdo. Em cada sessão; a pressão deve ser avaliada pelo menos 2 vezes com intervalo de no mínimo 1 minuto, sendo que a diferença entre elas deve ser inferior a 4 mmHg. A pressão do indivíduo deve ser calculada da seguinte forma: calcula-se a média das duas medidas de cada dia e em seguida, calcula-se a média dos dois dias.

Efeito do Treinamento Físico na Pressão Arterial

O efeito crônico, isto é, o efeito do treinamento físico na pressão arterial de indivíduos normotensos é controverso. Alguns investigadores (Fagard, 1985) não verificaram modificação expressiva da pressão arterial após o treinamento físico em normotensos. Ao contrário. Hoof et at.(1969) verificaram que o treinamento físico diminuía a pressão arterial diastólica e a sua variabilidade no período de vigília, mas não modificava a pressão arterial sistólica avaliada por um período de 24 horas. Trabalhos mais recentes mostraram que tanto em ratos (Negrão, 1992) como em homens (Forjaz 1994) o treinamento físico não modificou os níveis pressóricos de repouso.

Nos indivíduos hipertensos, entretanto, a maioria dos estudos têm demonstrado que o treinamento físico aeróbio diminui significativamente a pressão arterial de repouso (Baglivo , 1990) e que essa queda parece ocorrer independentemente da variação do peso corporal (Baglivo et al, 1990). Esses resultados tem importância clinica porque possibilitam a diminuição da dose de drogas anti-hipertensivas a que a maioria dos hipertensos está sujeita ou até mesmo a supressão do uso dessas drogas durante o tratamento da hipertensão arterial.

Sexo

A incidência de coronariopatia é maior em homens jovens do que em mulheres Jovens. Por exemplo, a taxa de morte em homens brancos entre 35 e 44 anos de idade é seis vezes maior do que aquela de mulheres brancas da mesma idade. Entretanto, com o avançar da idade, a incidência de coronariopatia passa a ser praticamente a mesma em homens e mulheres.

Fisiologicamente, a menor taxa de morte devida a doença cardíaca entre mulheres Jovens provavelmente está relacionada com a produção estrogênio. Por qualquer razão, esse hormônio é "protetor" contra a coronariopatia. Por exemplo, a administração de estrogênio em homens que já tiveram um ataque cardíaco reduz o número de ataques subseqüentes. Após a menopausa, o nível de estrogênio cai dramaticamente e, portanto, explica o risco comparável de doença cardíaca coronária da mulher e do homem mais idosos.

Estresse {Tensão}

Em algum momento todos nós estamos sob "pressão" ou sob estresse (tensão). Embora isso em si não seja necessariamente ruim, o grande problema reside na maneira como o controlamos. Foram identificados dois tipos básicos de comportamento em resposta ao estresse: Tipo A e Tipo B.

O comportamento Tipo A se caracteriza por altos níveis de agressão, competição e atividade (ataque). Por exemplo, um indivíduo do Tipo A parece estar sempre "correndo contra o relógio", não importa o que esteja fazendo. Esse tipo de comportamento foi associado cientificamente a um maior risco de coronariopatia. Por outro lado, o comportamento do Tipo B é exatamente o oposto do Tipo A, isto é, bonachão e aparentemente nunca está com pressa. O risco de coronariopatia é muito menor com o comportamento Tipo B do que com o Tipo A.

Os Três "Grandes" Fatores de Risco

De todos os fatores de risco já mencionados, os três mais importantes são (l) fumo, (2) pressão alta e (3) altos níveis sanguíneos de colesterol. O perigo de ataque cardíaco com nenhum ou com uma combinação desses fatores de risco pode acontecer, assim se todos os três fatores de risco primários estão presentes, o perigo de ataque cardíaco é 5 vezes maior do que quando nenhum deles está presente.

Exercícios de Reabilitação Cardiovascular

Quando uma pessoa teve um problema cardíaco, os médicos recomendam os exercícios de reabilitação cardiovascular. O objetivo da reabilitação, segundo a Organização Mundial da Saúde, é um pronto retorno a um estilo de vida normal, ou o mais assemelhado possível, ao que o indivíduo tinha antes da sua doença, e que lhe permita cumprir um rol satisfatório na sociedade, retornando a uma vida ativa e produtiva.

Para quem está recomendada a reabilitação cardiovascular? "A reabilitação tem se tornado uma ferramenta terapêutica que o médico cardiologista pode usar em quase todos os pacientes", assinala Lipshitz.

O benefício fisiológico mais importante é a melhoria da capacidade funcional. Isto significa que aumenta o limiar para sintomas como a angina de peito, a dispnéia, a fadiga e o esgotamento, e um aumento na capacidade para o trabalho. Quer dizer que, se uma pessoa sentia fadiga quando caminhava uma quadra, depois de iniciada a reabilitação, sentirá fadiga quando tenha percorrido um trajeto maior. O resultado final destes mecanismos adaptativos é uma melhoria da qualidade de vida.

Os exercícios de reabilitação devem começar precocemente logo após o diagnóstico de uma enfermidade cardíaca, ou na forma posterior a um evento agudo. A eleição desse momento é um critério médico que depende do estado clínico do paciente e da presença ou não de complicações.

Tudo na sua Medida e em Harmonia

Estes exercícios recomendam-se logo após um infarto, uma cirurgia cardíaca, uma angioplastia coronária, bem como para as pessoas que têm níveis altos de colesterol, padecem angina de peito, diabetes mellitus, insuficiência renal, ou possuem marcapassos.

Porém, os exercícios estão contra-indicados para pessoas que têm um infarto em evolução, uma angina refratária ao tratamento, ou padecem uma trombose, ou tromboflebites. Também devem abster-se temporariamente de começar exercícios de reabilitação, as pessoas que apresentem quadros febris, anemias, insuficiência respiratória grave, ou asma com crises desencadeadas pelo exercício físico.

Um programa de reabilitação inclui um pré-aquecimento de 5 minutos com bicicleta ou esteira. Bicicleta, entre 15 a 30 minutos. Esteira, entre 20 e 30 minutos, com exercícios isotônicos. Esportes, como vôlei, pingue-pongue, basquete, trote ou natação, até 20 minutos. Por último, uns 10 minutos de trote.

A diversidade de exercícios estáticos e dinâmicos objetivam transformar o programa de atividade física em alguma coisa de altíssimo aperfeiçoamento e eficácia, com alto benefício e risco mínimo. A prescrição do exercício físico se realiza tomando em consideração o resultado ergométrico e a compleição física da pessoa, para que atinja um nível que melhore as condições cardiovasculares prévias. Com respeito à intensidade, os exercícios deveriam alcançar a freqüência cardíaca útil de cada paciente. No começo uns 60 por cento, até atingir os 80 por cento com o efeito do treinamento.

CONCLUSÃO

Além do modismo de ir à academia e " fazer ferros" para melhorar o visual corporal, todos os Médicos e profissionais de Educação Física concordam que a atividade física é um fator chave para a saúde e a vida sedentária é considerada sinônimo de doença.

Estudos epidemiológicos têm demonstrado uma forte associação entre a vida sedentária e o aparecimento de doenças nas coronárias, tais como infarto do miocárdio ou angina de peito, entre outras". Desta forma demonstrou-se também que a execução de um plano de atividade física diminui a pressão arterial. E obtém-se outros benefícios, como a redução do excesso de peso, a diminuição do nível de triglicérides (gorduras), o aumento dos níveis do colesterol bom (HDL) e a provável diminuição do colesterol ruim (LDL). Finalmente, a atividade física reduz a resposta exagerada diante do esforço físico. Isto significa que, a pessoa treinada, que faz exercícios regularmente, sofre uma adaptação no seu organismo. E, quando faz um esforço, sua freqüência cardíaca e sua pressão arterial não sobem do mesmo modo que na pessoa não treinada.

Portanto podemos concluir neste trabalho que a Atividade Física "orientada e supervisionada", por um profissional de Educação Física, só tem a melhorar a qualidade de vida das pessoas, assim evitando que as mesmas possuam enfermidades ou quando as possuem, possam ser tratadas integralmente, assim revitalizando seu corpo e podendo voltar à vida ativa.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Anais do IV Simpósio Paulista de Educação Física Adaptada. Artigos Científicos: Atividade Física e Hipertensão Arterial, Condicionamento Físico aplicado a doenças cardiovasculares . 1992.

Apostila do Curso de Especialização de Educação Física em Cardiologia da Universidade do Amazonas. Treinamento Progressivo . 1995.

FLECK, Steven J. KRAEMER, William J. Fundamentos do Treinamento de Força Muscular . 2ª ed. Artmed. Porto Alegre, 1999.

GHORAYEB, Mabil. BARROS, Turíbio. O Exercício. Preparação Fisiológica, Avaliação Médica. Aspectos Especiais e Preventivos .Atheneu. São Paulo, 1999.

POWERS, Scott. HOWLEY, Edward. Fisiologia do Exercício . 3ª ed. Manole. São Paulo. 2000.

SHARKEY, Brian J. Condicionamento Físico e Saúde . 4ª ed. Artmed. Porto Alegre, 1998.


TELEAÚDE FACILITA ACESSO A MÉDICOS

Tecnologia a serviço da saúde do belo-horizontino. Essa é a estratégia da Prefeitura de Belo Horizonte em parceria com a Universidade Federal de Belo Horizonte (UFMG) e o Ministério da Saúde para ampliar o acesso dos mineiros ao sistema médico e odontológico dos centros de saúde de BH e no interior do estado. Especialistas no programa telessaúde, implantado em 76 centros de BH, desde 2004, discutiram, ontem, a aplicação do método em Minas e novas formas de captação de recursos com a União Européia.

Representantes de 20 países participam ontem e hoje do primeiro Workshop de Excelência e Inovação em Telessaúde na América Latina e Europa. Segundo o prefeito Fernando Pimentel, Belo Horizonte é a cidade pioneira no país na aplicação do programa e os parceiros já investiram cerca de R$ 9 milhões em computadores, treinamentos e cabeamento óptico no estado.

A coordenadora do Telessaúde em BH, Alaneir de Fátima dos Santos, explica que, de 15 em 15 dias, ocorrem teleconfêrencias entre professores da UFMG e funcionários de centros de saúde. "As reuniões são simultâneas e, com o programa, conseguimos diminuir a distância entre a área acadêmica e prática da medicina, enfermagem e odontologia. Quando um servidor tem alguma dúvida sobre determinado exame ou quer se aperfeiçoar sem sair do local de trabalho, basta participar das teleconferências. Isso ajuda muito na resolução de problemas assistenciais e reflete na melhoria do serviço prestado ao cidadão", explica Alaneir.

O ministro da Saúde, Agenor Álvares, acrescenta que as teleconferências são um suporte técnico no qual profissionais de diferentes regiões podem trocar experiências e agregar valor a uma consulta médica ou odontológica. "O telessaúde é uma retaguarda que médicos, enfermeiros e dentistas têm para tirar dúvidas com um profissional mais balizado. Isso é muito importante no interior, pois muitos servidores não têm acesso a especialistas das grandes metrópoles. O diagnóstico sai com mais segurança e o paciente é melhor atendido. Em cima de casos concretos, vividos em centros de saúde, o profissional vai aperfeiçoar sua prática", diz.

Como exemplo, o professor e coordenador do programa na UFMG, Cláudio de Souza, cita o exame de eletrocardiograma que é feito em 82 municípios mineiros, como Varjão de Minas, região Noroeste do estado, e Buenópolis, região Central. "A telecardiologia permite que professores da federal e médicos do Hospital das Clínicas analisem os exames feitos nessas cidades. Basta um computador ligado à internet para que interpretemos, em conjunto, a situação do pacientes", explica.

O Centro de Saúde Vista Alegre, no Bairro Nova Cintra, região Oeste de BH, foi o primeiro a instalar o sistema de teleconferência em Belo Horizonte. A psicóloga e gerente da unidade, Simone Veloso Faria de Carvalho, conta que há uma mobilização grande entre os funcionários para participar dos encontros virtuais. "Além das reuniões temáticas, fazemos também uma interconsulta com algum especialista, que pode durar de 30 minutos a uma hora. Todos desejam continuar os estudos, e esse programa é um ótimo caminho".

Países como México, Uruguai, Inglaterra, França, Itália, Espanha e até representantes do Egito participam do encontro. A coordenadora do Sistema Internacional de Telemedicina do Peru ( ITMS), Patríca Suaréz, explica que a situação de seu país é assustadora. "No interior do país temos apenas três médicos para cada dez mil pessoas. Os profissionais da saúde da capital Lima têm uma resistência muito grande em ir para as províncias. O programa nesse caso se encaixa com perfeição. O telessaúde é mais prático e menos oneroso para o governo, pois os médicos podem se especializar sem sair da própria cidade", observa.


PREVENÇÃO DO CANCER DE FÍGADO  

ABSTRACTS

Este trabalho apresenta os principais meios de prevenção contra o desenvolvimento do câncer de fígado, em sua forma mais incidente, o carcinoma hepatocelular.

A prevenção do carcinoma hepatocelular é exposto através da prevenção dos principais agentes etiológicos em âmbito mundial. Esses incluem as hepatites virais B e C, a ingestão de aflatoxina B1 e de álcool.

Para composição desta revisão de literatura foram pesquisados principalmente artigos científicos recentes, que refletem o que de mais moderno há na literatura internacional sobre a prevenção do desenvolvimento do carcinoma hepatocelular.

Entre os aspectos principais que levam a prevenção do carcinoma hepatocelular estão a vacinação contra a hepatite B, evitar o contato com sangue e por via sexual com portadores do vírus da hepatite C. Nos contaminados pode-se prevenir o desenvolvimento de HCC através de terapia farmacológica contra a ação dos vírus. E deve-se lembrar ainda de evitar a ingestão de alimentos contaminados com aflatoxina B1 e ingerir álcool.

INTRODUÇÃO

Este trabalho cientifico tem o objetivo de demonstrar as formas de prevenção para o câncer de fígado, enfocando sua forma mais incidente o carcinoma hepatocelular primário.

Para tanto, apresentaremos de forma sucinta alguns aspectos da doença, ou seja, a epidemiologia e patogenia do fator etiológico mais comum. Contudo, decorreremos extensamente sobre os principais fatores etiológicos ambientais, que são os potencialmente mutáveis, e citaremos também os fatores etiológicos constitucionais.

A partir do conhecimento dos fatores etiológicos ambientais básicos, pretendemos frisar a prevenção primária desses, ou seja, os modos como se pode evitar o aparecimento da doença, utilizando-se de estudos anteriores para apresentar as formas de prevenção destes fatores etiológicos, levando então a prevenção do HCC. Além disso, citaremos brevemente alguns aspectos da prevenção secundária.

Na confecção deste trabalho foram utilizados artigos científicos recentes, ou seja, principalmente de 2000 a 2005, que demonstram todos os aspectos etiológicos e da prevenção dessa patologia e também testes que estão sendo realizados principalmente em áreas endêmicas. Além disso, utilizou-se 1 livro de grande renome no cenário nacional para a pesquisa básica sobre o tema.

O carcinoma hepatocelular(HCC) é um dos tumores malignos mais comuns do mundo, entretanto a incidência de HCC varia consideravelmente com a área geográfica por causa das diferenças nos fatores etiológicos principais(6).

Entre os homens, as taxas as mais elevadas da incidência são encontradas em Ásia oriental, particularmente em China, onde HCC é a terceira causa a mais comum de morte por câncer (7). Nessa os resultados demonstram, segundo WANG(9), geram cerca de 200000 mortes anualmente. HCC é a causa principal da morte por câncer em Qidong, uma cidade na província oriental de Jiangsu, República Popular da China, explicando até 10% de todas as mortes de adulto.

Como foi mencionado anteriormente as incidências são extremamente variáveis, sendo de aproximadamente 3-4/100 000 em países ocidentais e de até 120/100000 na Ásia e em África. Mais em de 80% de casos europeus e norte-americanos de HCC acontecem nas pessoas que tem o fígado cirrótico, enquanto que na Ásia esse número é de apenas 50%(8).

Essas diferenças estatísticas resultam de fatores etiológicos constitucionais, como idade, etnicidade, sexo(10) e outras doenças genéticas raras, como a tirosinemia hereditaria, na qual 40% dos pacientes desenvolvem esses tumores(2); e fatores etiológicos adquiridos. Dentre eles destacam-se especialmente a hepatite viral, abuso crônico do álcool(10), estilo de vida, ingestão de toxinas naturais, como a Aflatoxina B1(7). O fator de risco mais poderoso para o desenvolvimento de HCC é a existência do cirrose de fígado, não importando sua etiologia(6) .

O hepatite B e C crônica, geralmente no seu estágio de cirrose, são responsáveis pela maioria dos casos de HCC no mundo. Os pacientes com hepatite B e cirrose têm um risco 1000 vezes maior de desenvolver HCC comparado a um grupo de controle negativo, ou seja, que não apresenta sinais de infecção pelo vírus da hepatite B. Co-infecção de HBV e de HCV com HIV é comum porque estas doenças compartilham as mesmas rotas de transmissão.

O vírus do hepatitis C (HCV) infecta mais de 170 milhões de pessoas no mundo. Este vírus é transmitido eficientemente pela rota parenteral(1). Co-infecção de HBV e de HCV com HIV é comum porque estas doenças compartilham das mesmas rotas de transmissão. Recentemente, uma série de em pacientes co-infectados por HIV e hepatite C foi publicada, indicando um desenvolvimento raramente rápido de HCC nestes pacientes(6).

Segundo WONG, o aumento da incidência de HCC nos Estados unidos é relacionado ao aumento da prevalência de hepatite C. Já na China, Coréia e Nova Zelândia tem-se a hepatite B como principal causa de incidência dessa enfermidade. De acordo, com WONG ainda hepatite B e C podem atuar conjuntamente na etiologia de HCC em países asiáticos(10).

Acredita-se que a carcinogênese seja um processo de vários estágios, ocorrendo com uma seqüência das etapas denominadas iniciação, promoção e progressão. Este processo evolui em muitos anos. A iniciação do tumor começa nas células com mutações induzidos pela exposição aos carcinógenos. As mudanças do DNA, mantidas durante divisões sucessivas da células, ativação dos oncogenes e inativação de genes supressores conduzem ao desregulação da divisão das células e sua imortalização.

Um outro mecanismo da indução da transformação maligna é a geração de espécie reativas inconstantes do oxigênio em conseqüência do processo inflamatório, tal como o óxido nítrico (NO), do anion superóxido (O 2 -), do radical do hidroxila (OH•) e do peróxido de hidrogênio (H 2 O 2 ).

O vírus pode também ser diretamente oncogênico, pois demonstrou-se que o virus da hepatite B(HBV) integra-se no DNA das células do hospedeiro. Esta integração pode desregular os mecanismos do controle no ciclo da célula por anormalidades cromossômicas, por produção de proteínas virais ou por alteração de genes e de proto-oncogenes humanos(6).

DESENVOLVIMENTO

Com a noção dos fatores etiológicos principais pode-se apresentar agora os mecanismos de prevenção primária e secundária do HCC.

A prevenção do carcinoma hepatocelular deve-se iniciar pela precaução da infecção da infecção pelos vírus da hepatite B e C. O melhor é evitar a potencial transmissão dos produtos contaminados do sangue, como ocorre na transfusão de sangue descontrolado e procedimentos invasivos no qual se compartilhe agulha sem padrões apropriados de saúde, com isso diminuirá a probabilidade da propagação viral. O avanço principal veio da disponibilidade de uma vacina eficaz que protegesse contra o vírus da hepatite C(6).

O estudo de Lee, que estuda dados de 1974 a 1999, confirma a eficácia da vacinação contra a hepatite B em Taiwan. Antes de 1984 a prevalência de hepatite B crônica era de 15 a 20%, atingindo cerca de 3 milhões de pessoas. Em julho 1984, começou a vacinação em grande escala da hepatite B. Mais de 300.000 recém nascidos foram vacinados a cada ano e o programa da vacinação diminuiu eficazmente taxas de infecção crônicas do HBV nas crianças de 9,8% a 1,3%. Um reflexo desse programa de vacinação foi a redução da mortalidade por câncer de fígado(4).

A vacinação universal da hepatite B pode também mudar o perfil do fator de risco no futuro, assim nós necessitamos estar cientes que nosso perfil atual do fator de risco pode mudar com tempo(10). Portanto, a vacinação contra a hepatite B deve transformar-se numa prioridade da saúde junto com o promoção de padrões adequados da saúde.

No Japão, a taxa do mortalidade por HCC relatada aumentou agudamente desde 1975 de 10/100.000 a quase 40/100.000 em 2000. Uma análise do hospital da universidade de Shinshu (Japão) mostrou uma mudança no etiologia do HCC , passando da predominância de hepatite B para a predominância da hepatite C, como principal fator etiológico. A epidemia do hepatite C em Japão originou devido ao uso de droga intravenosa pela nova geração após a segunda guerra mundial e espalhou na população geral devido aos doadores de sangue remunerados(6).

O anulação do pagamento do sangue em 1968, de exclusão das unidades do sangue contaminadas com o HBV em 1973 e de HCV em 1989 diminuiu o risco do hepatite da pós transfusão, de 50% no anos 60 a quase zero no presente. A incidência de HCV em Japão está diminuindo. Como o intervalo entre a época da infecção inicial com o vírus do hepatite C e o desenvolvimento de HCC são cerca 30 anos, a incidência crescente de HCC no Japão espera-se alcançar um platô em torno do ano 2015, e após esse diminuir(6).

Como o HCV é transmitido pela rota parenteral, tem-se um conseqüentemente risco mais elevado de os pacientes de hemodiálise de adquirir a hepatite C, por causa da transfusão de sangue contaminada freqüente no passado e do acesso vascular regular. A prevalência da infecção de HCV em pacientes de hemodiálise é geralmente maior do que aquele encontrado na população geral. De acordo com CARNEIRO, no Brasil, foram relatadas taxas de prevalência que variam de 13% a 64,7% (1).

No Brasil, até 1996, quase todas as unidades tinham máquinas com um sistema central da entrega da solução de diálise, instrumentos e as fontes como a tesoura, os punhos da pressão de sangue e o termômetro foram compartilhadas entre pacientes, e as precauções do sangue eram ruins . Em 1996, como a conseqüência de novos padrões do ministério da saúde para unidades renal, foram adquiridos equipamentos modernos com programas de desinfecção e as medidas de controle da infecção recomendadas foram adotadas nas unidades. Assim, estas estratégias devem ter contribuído para a verificação mostrada no fim do período do exame, no qual foi observada uma diminuição significativa da prevalência da infecção de HCV (37,8 contra 16,5%)(1).

Isso comprova o quão importante é a proteção contra a transmissão do HCV para a prevenção de carcinoma hepatocelular, através do uso de testes para detecção de anti-HCV no sangue de doadores, uso de máquinas e instrumentos descartáveis e adequado treinamento dos funcionários de centros de saúde. Além do mais se precisa evitar o compartilhamento de materiais perfuro-cortantes, como ocorre entre os usuários de drogas intravenosas, pois segundo CRAWFORD(2) 60% das transmissões desse vírus ocorre entre esses.

Infelizmente, não há nenhuma vacina contra o HCV até agora, o único método eficaz para impedir sua transmissão está na abolição da contaminação com os produtos infectantes do sangue.

Nos pacientes com a infecção viral crônica previamente adquirida se pode também evitar o desenvolvimento da doença, prevenindo com isso o surgimento de HCC. Existem eficazes tratamentos antivirais que foram desenvolvidos recentemente e este mudou a gerência da infecção viral. O interferon-alfa é considerado ainda a terapia da referência para a hepatite crônica positivo B. Entretanto, sua eficácia é limitada, com soroconversão do negativo do anti-HBe ao positivo do anti-HBe em até 40% dos casos(indicativo de replicação viral ativa) e somente menos de 10% dos pacientes transformam-se em negativo de HbsAg(antígeno do invólucro do vírus do hepatite B). Outros tratamentos possíveis são drogas antivirais tais como o dipivoxil do lamivudine e do adefovir(6).

Para o tratamento da hepatite crônico C, a monoterapia do interferon-alfa rendeu somente resposta limitada. A combinação com o ribavirin conduziu a um aumento significativo na resposta viral sustentada a aproximadamente 40% nos pacientes do tratamento-simples. Recentemente, a combinação do peginterferon-alfa e do ribavirin melhorou a taxa de resposta viral sustentada a quase 60% nos pacientes do tratamento-simples, e é considerada agora o tratamento da referência. . Os efeitos anti-oncogênicos da prevenção do HCC pelo interferon-alfa são o resultado de diversos mecanismos diretos ou indiretos. No estudo de MICHIELSEN, a maioria dos pacientes não apresentavam cirrose na entrada do estudo, e portanto o efeito profilático do interferon-alfa no desenvolvimento de HCC pode ser explicado pela prevenção do desenvolvimento do cirrose(6).

A eficácia do tratamento com interferon-alfa também se revelou em todos os estudos entre os pacientes que já apresentavam cirrose, mostrando um menor risco para o desenvolvimento de HCC(6).

Nas populações com prevalência similar da infecção de HBV pode ter incidências diferentes de HCC, indicando a presença de outros fatores de risco importantes. As aflatoxinas(AFB1), um grupo dos micotoxinas produzidos pelos fungos aspergillus flavus e o aspergillus parasiticus, são hepatocarcinógenos humanos estabelecidos e são fatores de risco bem conhecidos de HCC quando nos gêneros alimentícios(7). As áreas alto-risco em China oriental incluem a região autônoma de Guangxi(7), a África do Sul(3) e a província de Jiangsu(9), que também são endêmicas para hepatite B. Nessas áreas os fungos citados contaminam as principais fontes de alimentos, incluindo especialmente milho, amendoins, feijões e soja(9). Segundo WANG a interação da infecção por vírus da hepatite B e as aflatoxinas aumentam o risco para HCC. Então vacinação contra a hepatite B e menor exposição a aflatoxina tem um impacto na incidência de HCC(9).

Com referencia a uma possível ação de carcinogenese da AFB1, o artigo de STERN, diz que há geralmente uma mutação na terceira posição do códon 249 do gene p53(supressor de tumor) em pacientes com HCC nas regiões com exposição dietética elevada a AFB1.

A extensão da contaminação é uma função ecológica e não é completamente prevenível. Por isso, programas de prevenção secundária, com a quimioterapia, podem ser úteis(9). De acordo com Wang está sendo conduzido um estudo que está na fase 2, mais ainda tem uma fase 3, com duração de 5 anos ou mais, através do qual deseja-se estabelecer a real extensão da eficácia da droga em diminuir a concentração de biomarcadores de aflatoxina e o quanto isso reduzirá ou atrasará o desenvolvimento da droga. A droga, chamada oltipraz, é um ativador de enzimas da segunda fase da desintoxicação, mudando ativação e desintoxicação da aflatoxina, fazendo sua conjugação, formando a aflatoxina- 8,9-epoxide, que é eliminado como ácido mercaptúrico(9).

Um dos fatores principais que determinam a atividade protetora de agentes quimiopreventivos contra a hepatocarcinogenese AFB1 é sua habilidade de aumentar a biotransformação de AFB1 em produtos não tóxicos(5)

Segundo GUYONNET, encontrou-se um caminho principal do desintoxicação de AFB1 nos mamíferos é a conjugação do glutatião (GSH) de AFB, que é catalisada pelos S-transferases do glutatião (GST) (3). Os estudos experimentais conduzidos nos ratos mostraram que rGSTA5 é expressado deficientemente no fígado masculino do adulto. Interessante, é que agentes quimiopreventivos tais como o ethoxyquin (EQ), o oltipraz, o butylhydroxytoluene (BHT), a cumarina ou o indole-3-carbinol (I3C) induzem eficiência de rGSTA5 nos ratos. A indução de rGSTA5, realçando o desintoxicação de AFBO, parece ser um mecanismo principal que contribui ao efeito protetor destes produtos químicos contra as lesões pré-neoplásicas de AFB1induzida em ratos(3).

Diallyl sulfide (DAS) e diallyl bissulfeto (DADS), dois constituintes do alho, pode inibir a aflatoxina B1 (AFB1) em ratos. Os mecanismos responsáveis para estes efeitos quimiopreventivos não estão elucidados inteiramente. Uma hipótese é que DAS e os DADS agem como agentes de obstrução realçando os caminhos da desintoxicação de AFB1, porque podem modificar no fígado o CYP(citocromo p450) e as enzimas da fase II envolvidos no metabolismo de AFB1. Os DADS foram mostrados dão a proteção completa contra AFB1, porque reduz o número de lesões pré-neoplásicas em mais de 95%, enquanto DAS diminuiu esse número em apenas 50%. Certamente, há eficácia de DAS e do DADS em inibir lesões pré-neoplásicas de AFB1-induzidas são correlacionados com sua habilidade de inibir o mutagenicidade AFB mediada; no estudo, os DADS eram de mais eficientes do que DAS(3).

O álcool, já mencionado anteriormente, é outro dos fatores de risco que muito contribuem para a severidade de doenças de fígado crônicas e etiologia do HCC, aumentando a malignidade e diminuindo a sobrevida. Explicar os pacientes com hepatite viral ou doenças crônicas do fígado a se absterem do álcool é fundamental, pois a ingestão contínua desse afeta o prognóstico de sua enfermidade(10).

O papel do consumo do álcool relatado na infecção de HBV ou de HCV sugere que HBV e o etanol agem sinergicamente para promover HCC. Beber muito habitualmente foi relatado para ser um fator de risco significativo para HCC nos pacientes com cirrose de fígado causada por HCV. Na França, o etanol é ainda a causa principal do cirrose e era responsável para 60% de todas as causas de HCC durante a última década(6).

O Etanol, composto principal do álcool, através de seu produto acetaldeído interage com as células afetando sua proliferação e sua capacidade de produzir fibrose tecidual. Segundo LEO, várias experiências relatam que o consumo de etanol na dieta leva em 24 a 84 meses a fibrose e/ou cirrose(5), um risco poderoso para HCC como já dito anteriormente.

O consumo do etanol afeta as características do metabolismo da vitamina A podendo aumentar ou diminuir a quantidade de vitamina A no corpo, mas certamente diminuindo sua concentração hepática. A diminuição dessa está relacionada a ativação de células semelhantes a miofribroblastos, que passam a sintetizar colágeno. Tanto o excesso como a falta do ácido retinóico pode promover a fibrose, especialmente no fígado(5). E CRAWFORD diz que a fibrose é a característica chave da lesão progressiva do fígado, se ela persistir por muito tempo pode levar a cirrose, raramente reversível(2).

O álcool afeta a concentração de retinol/ácido retinóico armazenado no fígado por várias vias, dentre elas aumenta a ação da citocromo p450 que realça catabolismo desse. Os níveis diminuídos de ácido retinóico sugere que o abuso crônico do álcool pode favorecer a proliferação e a transformação maligna dos hepatócitos através de um feedback positivo do gene Ap-1. Um dos modos de prevenção do aumento da atividade de citocromo p450 é o uso da droga Chlormethiazole, um inibidor do citocromo p450(8)

O potencial de toxicidade associada ao etanol foi mostrado em vários estudos. Num estudo com ratos submetidos a uma dieta combinada de álcool de álcool e vitamina A por nove meses demonstrou que ocorre uma inflamação e necrose hepática surpreendente(5).

Já, de acordo com STICKEL, evidencias demonstram que consumo crônico do álcool aumenta o risco de HCC, contudo não se conhece o papel exato do álcool como agente etiológico. Entretanto, esse autor defende que após o desenvolvimento de cirrose alcoólica parar de ingerir álcool pode aumentar a probabilidade de desenvolver HCC, visto que aumenta a tentativa de recuperação dos danos hepatocelulares(8).

Em experiências em animais foi demonstrado que a ingestão de álcool por si só não é um carcinógeno, pois nem mesmo exposição por longo período demonstrou aumento da incidência de HCC comparado aos animais que não ingeriram álcool. O álcool somente era capaz de estimular a carcinogênese nos casos de baixa ingestão de radicais metil e hidratos de carbono, e hepatectomia parcial(8).

A ingestão de álcool pode além de diminuir a quantidade de vitamina A hepática, aumentar a quantidade de corpos de Mallory, podendo representar uma alteração fenotípica inicial na transformação carcinogênica dos hepatócitos, e está relacionado com incidência mais alta de HCC. Vários são os possíveis carcinógenos que podem ser ingeridos junto com bebidas alcoólicas, como nitrosaminas, hidrocarbonetos policiclícos, fibras de asbesto e óleos. Além disso, comumente os alcoólatras são também fumantes, e estudos epidemiológicos também relacionam o tabagismo com um aumento da incidência de HCC(8).

Possíveis mecanismos de lesão hepática incluem a ligação do acetaldeido (convertido a partir do etanol no fígado) as proteínas celulares e também possivelmente ao DNA, conduzindo a metaplasia, inibição do reparo do DNA e estimulação a apoptose. Outro mecanismo diz que a ingestão do álcool e ferro e sua absorção pelo intestino, com conseqüente acúmulo hepático e geração de radicais oxidantes. Em condições normais esses radicais são neutralizados pelos antioxidantes endógenos. Mas, quando a absorção é demasiada e/ou a produção diminuída ocorre acúmulo desses oxidantes que leva a lesão celular, sendo potencialmente perigoso no órgão pré-canceroso(principalmente estresse oxidativo no fígado). Por isso, recomenda-se como um modo de prevenção a utilização de anti-oxidantes na doença hepática alcoólica(8).

As experiências evidenciam o quanto a ingestão do álcool, especialmente de forma crônica, é prejudicial ao nosso organismo. Mas, de um modo mais relevante o quão este é prejudicial às funções hepáticas, apresentando uma relação clara com doenças hepáticas graves como a cirrose e o carcinoma hepatocelular.

Quanto a prevenção secundaria, ou seja, a detecção precoce inclui principalmente a imagem de tomografia computadorizada e de ressonância magnética, que tem uma sensibilidade e uma especificidade altas para detectar HCC, mas é muito cara ser usado no rastreamento na população como um todo(6).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste trabalho apresentamos os principais fatores etiológicos do carcinoma hepatocelular, a forma mais comum de neoplasia maligna hepática, frisando especialmente os fatores preveníveis primários.

Demonstramos como é relevante o número de casos de HCC no mundo, especialmente em países Asiáticos do oriente e países Africanos e o porque dessa maior incidência.

Voltamos a destacar a importância da vacinação contra a hepatite B, redução dos contatos de sangue entre HCV positivos e relação sexual entre esses também. Além disso não se pode esquecer de enfatizar a diminuição, ou se possível a abstinência de álcool, e redução de ingestão de produtos contaminados por aflatoxina ou ingestão de fármacos que protejam contra os efeitos carcinogênicos desse.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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2) CRAWFORD, James M. Fígado e trato biliar. IN: KUMAR, Vinay; ABBAS, Abul K.; FAUSTO, Nelson. Robbins e Cotran-Patologia: Bases Patológicas das Doenças. 7ªedição. Rio de Janeiro: Elsevier,2005. Cap.18, p.919-983.

3) GUYONNET, Denis; et al. Mechanisms of protection against aflatoxin B 1 genotoxicity in rats treated by organosulfur compounds from garlic. Carcinogenesis, Vol. 23, No. 8, 1335-1341, August 2002

4)LEE, Cheng-Liang; HSIEH, Kai-Sheng; and KO, Ying-Chin. Trends in the Incidence of Hepatocellular Carcinoma in Boys and Girls in Taiwan after Large-Scale Hepatitis B Vaccination. Cancer Epidemiology Biomarkers & Prevention, Vol. 12, p.57-59, January 2003.

5)LEO, Maria A.; and LIEBER, Charles S. Alcohol, vitamin A, and ß-carotene: adverse interactions, including hepatotoxicity and carcinogenicity. American Journal of Clinical Nutrition, Vol. 69, No. 6, p.1071-1085, June 1999. 

6)MICHIELSEN, Peter P; FRANCQUE, Sven M; and DONGEN, Jurgen L van. Viral hepatitis and hepatocellular carcinoma. World Journal of Surgical Oncolology, v.3, n. 27, 2005. 

7)STERN, Mariana C. Hepatitis B, Aflatoxin B 1 , and p53 Codon 249 Mutation in Hepatocellular Carcinomas from Guangxi, People's Republic of China, and a Meta-analysis of Existing Studies. Cancer Epidemiology Biomarkers & Prevention, Vol. 10, p.617-625, June 2001. 

8)STICKEL, F; et al. Cocarcinogenic effects of alcohol in hepatocarcinogenesis. An international journal of gastroenterology and hepatology , volume 51, p.132-139, 2002 

9)WANG, Jia-Sheng; et al. Protective Alterations in Phase 1 and 2 Metabolism of Aflatoxin B 1 by Oltipraz in Residents of Qidong, People's Republic of China . Journal of the National Cancer Institute, Vol. 91, No. 4, p.347-354, February 17, 1999

10)WONG, Linda L., et al. Hepatitis B and alcohol affect survival of hepatocellular carcinoma patients. World Journal of Gastroenterology, v.11, n. 23 , p.3491-3497, 2005 June.


CONSIDERAÇÕES SOBRE A TELEDUCAÇÃO NO BRASIL

Por: Discurso do Prof. Dr. György Miklós Böhm, professor titular da FMUSP e chefe da Disciplina de Telemedicina, durante o lançamento da série Geração Saúde, em Brasília

É um prazer muito grande estar aqui no Ministério da Educação para participar do lançamento de uma iniciativa tão louvável como esta de uma série educativa da TV Escola chamada Geração Saúde. A Faculdade de Medicina da USP sente-se honrada em colaborar ativamente deste programa através de sua Disciplina de Telemedicina. Talvez, senhor ministro Haddad, não seja fora de propósito dizer algumas palavras sobre a teleducação, que étantas vezes mal entendida, sobretudo em países em desenvolvimento.

Freqüentemente, ouço a suspeita de que teleducação é sinônimo de educação de baixa qualidade e, também, a afirmação de que seu custo-benefício a torna proibitivo. Nenhuma destas observações é verdadeira; a tecnologia digital, expressão com que desejo reunir a telecomunicação e a ciência da computação, quando aplicada à educação adequadamente, cria uma ferramenta educacional de excelente qualidade e custo-benefício favorável.

Na realidade a tecnologia digital não é uma opção a mais nos diversos campos de atuação governamental: é uma obrigação a ser desenvolvida e aplicada à nação brasileira, sob a pena de atrasarmos o seu destino de ocupar o lugar de destaque entre os países ao qual foi destinado pelos próceres da pátria que fixaram a divisa na bandeira verde-amarela: ordem e progresso. De certo modo, o que falta à teleducação é justamente ordem e progresso. Não desenvolvemos, ainda, as conjunturas que dessem à teleducação a ordem necessária para prosperar e beneficiar este Brasil imenso.

A tecnologia existe, porém falta o planejamento para uma ação educativa holística que norteasse sua abrangência. Assim, por exemplo, vejo com preocupação que os poderes federais e estaduais fomentam várias redes independentes para o mesmo fim. Na saúde certamente temos uma multiplicidade dispersiva: Estação Digital Médica, RUTE, SIPAM, Banco do Brasil e sei lá quantas mais. Tanto na saúde como na educação, a diversidade de ações convergentes é muito desejável, entretanto as batalhas para conquistar hegemonia – e é o que assistimos – geralmente levam a ruína: todos perdem e preciosos recursos e muitos esforços escoam pelo ralo do desperdício. Senhor Ministro, autoridades, minhas senhoras e meus senhores.

A TV Escola e todos os outros canais de comunicação voltados à educação são bálsamos para a tristeza que me aflige diariamente ao ser bombardeado pelas televisoras. A realidade é que há excelente utilização da tecnologia digital para a diversão, o comércio e as notícias; sobretudo para estas últimas. De todos os cantos do globo, mesmo dos lugares mais remotos e menos acessíveis, são nos transmitidas instantaneamente e com alta qualidade mensagens de tragédias, desgraças e cenas de sofrimento.

É nos dado o privilégio de comungar destes infortúnios, porém, simultaneamente, encontramo-nos privados de exercer a eficiência da ação. As imagens da infelicidade gozam do luxo da banda larga, mas a sua assistência apenas dispõe a comunicação estreita e limitada da rádio ou da telefonia. Esta é também a situação da saúde e da educação.

Contudo há luz no fim do túnel. Um pequeno núcleo de pessoas preparadas, eficientes e abnegadas, ligadas a este ministério e o da saúde, trabalha dedicadamente para mudar este cenário e a série educativa Geração Saúde é um exemplo de bom caminho. E há tanto a fazer! Penso neste momento no programa FUNDEB, este louvável esforço do Governo de manter os frutos do ensino básico, evitar que o cidadão alfabetizado volte a ser analfabeto.

Educar jovens já no mercado de trabalho e adultos é uma tarefa difícil e necessária no Brasil. Estima-se que o país possui uma população de 4,5 milhões de alunos necessitando esta

assistência educacional. E os professores para o FUNDEB? Certamente existem, mas em número suficiente? Bem preparados? Não creio. A tarefa de ensinar adultos e adolescentes para manter as conquistas do ensino básico é ingrata, árdua e mal-paga.

O FUNDEB é um bom exemplo em que a teleducação poderia fazer um grande serviço complementar à educação presencial, oferecendo alta tecnologia didática, uma capilaridade sem paralelo para alcançar os alunos e professores mais isolados e uma liberdade para o aprendizado, pois os usuários podem dispor da teleducação no dia e na hora que mais lhes convém e refiro-me, notem bem, tanto ao aprendizado dos alunos como ao aperfeiçoamento dos professores.

Ministro Fernando Haddad. Que a série Geração Saúde da TV Escola seja apenas a ponta de um imenso iceberg da teleducação durante a sua gestão em frente do Ministério da Educação, é o desejo da FMUSP e da Disciplina de Telemedicina que tenho o privilégio de aqui representar.


TELEMEDICINA PARA ESTRUTURAÇÃO DA
TELEDUCAÇÃO EM ODONTOLOGIA

Por: Érika Sequeira Doutoranda pela FMUSP, Cirurgiã-dentista , formada em 1997, pós-graduada em Gerontologia, especialista em Prótese Dental , iniciou a pós-graduação na FMUSP em 2005, com projeto de pesquisa intitulado Aplicação de Modelo Educacional Interativo como Recurso para Orientação e Motivação sobre Saúde Oral em Idosos . O objetivo deste projeto é o desenvolvimento e aplicação de um modelo educacional interativo por meio da organização de conteúdos sobre saúde oral do idoso e avaliação do impacto sobre a forma de comunicação, compreensão e retenção das informações e orientações oferecidas. Participa desde 2004, das atividades da Disciplina de Telemedicina da FMUSP, entre elas o desenvolvimento do Projeto Homem Virtual em Odontologia, com os temas Articulação Têmporo-Mandibular e Estrutura Dental, assim como em programas de teleducação (Cybertutor) e de teleassistência (Cyberambulatório), estruturados em conjunto com docentes da Faculdade de Odontologia da Universidade Sagrado Coração (Bauru).

Este artigo permite-nos refletir sobre a evolução exponencial da Telemedicina nestes últimos dez anos, período entre a publicação do artigo até hoje. Já em 1996, existiam iniciativas relacionadas à teleassistência e teleducação. Ao longo do tempo, foram ampliadas as ações, devido ao grande crescimento nas aplicações das telecomunicações em saúde, como o uso da banda larga.

Hoje, experiências como a série Geração Saúde da TV Escola, iniciativa da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação em parceria com a Disciplina de Telemedicina da FMUSP e PUC do Rio de Janeiro, mostram as potencialidades da teleducação para profissionais e leigos. Esta série tem importantes potenciais para utilização na TV digital brasileira.

Podemos fazer uma análise sobre a temática, por meio de seus ambientes de teleassistência, que podem reduzir o número de viagens para se obter tratamento médico especializado, melhorar a coordenação de funções médicas e administrativas com grandes instituições e estabelecer um canal de conexão em situações de emergência, quando o acesso ao médico é difícil ou impossível de se obter.

A Telemedicina permite assistir ou levar cuidado médico a pessoas geograficamente distantes ou centros de saúde. Como exemplo, vale ressaltar o que, segundo a autora, ocorreu em Ohio – USA, onde um projeto no Alzheimer's Disease Support Center foi desenhado para prover informações e suporte a cuidadores de pessoas com demência, indo de encontro às suas necessidades. Ressalta-se que fatores logísticos com freqüência dificultam os esforços dos cuidadores.

As participações em grupos de suporte e orientação à demência, algumas vezes, são dificultadas por problemas de horário, localização e situação física. Neste caso, a ligação de múltiplos computadores tem o potencial de diminuir alguns desses problemas. O projeto utilizou um circuito fechado de televisão para levar aos cuidadores informações fundamentais sobre as necessidades de um grupo específico de pacientes, transmitir lista de discussão ou entrevistas, agrupar histórias interessantes sobre pacientes, descrever tecnologias inovadoras ou tratamentos, providenciar mensagens de saúde e testar os conhecimentos aprendidos.

Sistemas como este, apresentado pela autora, podem ser usados sozinhos ou fazer parte de um programa instrucional mais amplo. Deve-se reconhecer o potencial deste mediador para ensinar e entreter pacientes e familiares. Esta tecnologia pode ainda reduzir a necessidade de tempo gasto com o ensino individual, e ser atraente porque aprende-se por meio de recursos audiovisuais. Promove consistência, informação compreendida e incorporação de teorias de aprendizado em adultos.

Pode também acelerar o procedimento de consentimento informado e facilitar a avaliação do aprendizado. Prevenção, unindo assistência e educação, pode proporcionar modificação de comportamento e a reintegração social. O conhecimento deve ser respeitado dentro do cenário da dificuldade da compreensão do idoso, atitudes podem ser modificadas em padrões positivos de comportamento, o que difere da simples retenção da informação sem aplicação prática.

Dentre muitas das finalidades da Telemedicina citadas no artigo, está a educação dos pacientes, uma aplicação de extrema importância semelhante ao que busco estudar em meu projeto de pesquisa de doutoramento Aplicação de Modelo Educacional Interativo como Recurso para Orientação e Motivação sobre Saúde Oral em Idosos, no qual um modelo que utiliza recursos iconográficos e de comunicação dirigida pretende avaliar como os idosos agregam novos conceitos sobre saúde bucal e aplicam estes conhecimentos em seu dia-adia.

O modelo multimídia envolve o emprego do Homem Virtual, da Disciplina de Telemedicina da FMUSP, como uma forma simples de comunicação e de larga abrangência, para informar ao idoso sobre sua saúde oral e como realizar o autocuidado, a fim de promover mudanças de comportamento e melhorar a autoestima. O ponto de destaque no artigo é que, desde 1996, já se procurava utilizar a televisão como recurso para transmissão de conhecimentos. Atualmente, com a evolução das tecnologias de TV a Cabo e da TV Digital, é possível desenvolver um completo programa educacional, interativo e online , entre os especialistas e os entre os especialistas e os cuidadores.

Entende-se que neste projeto, os cuidadores poderão ser profissionais especializados ou membros da família. Concluindo, a comunicação por meio do uso de tecnologias, aplicada em programas educacionais, pode gerar uma mudança de atitude em relação à saúde, com a adoção de comportamentos saudáveis. Os recursos tecnológicos podem facilitar e gerar meios para que o aprendizado seja eficaz. O desenvolvimento de um modelo educacional interativo facilita a retenção de informação. Faz parte do educar refletir sobre uma estratégia de comunicação e interação, para que seu impacto seja mais efetivo na vida das pessoas.


TELEMEDICINA E TELESAÚDE

Por: Chao Lung Wen, Professor associado e coordenador-geral da Disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP, Faculdade de Medicina da Disciplina de Telemedicina da USP / Volume 2 / Número 1 / Abril /Maio 06

Não é muito fácil especificar qual foi o evento que marcou o início da Telemedicina (TM), pois ele depende da referência adotada pelos autores, uma vez que, num período de tempo bastante próximo, ocorreram diversos experimentos relacionados ao uso da tecnologia com finalidades médicas. Alguns autores consideram que a primeira aplicação foi realizada pela National Aeronautics and Space Administration (NASA), no início de 1960, por causa do programa de vôos espaciais e o desenvolvimento de sofisticadas tecnologias de telemetria biomédica, sensores remotos e comunicações espaciais 3 .

Existem muitas definições para a Telemedicina, e elas podem mudar segundo suas aplicações e características, e com o surgimento e incorporação de novas tecnologias. Delimitar as áreas de atuação da TM é tão complexo quanto definir todas as áreas que a informática pode ser aplicada. Porém, estabeleceu-se algumas características básicas da Telemedicina 3 :

1. Distância física entre comunidades: as que necessitam e a que provê o serviço médico.

2. Uso da tecnologia para realizar a assistência, em substituição à presença física.

3. Disponibilidade de equipe médica e de profissionais de saúde para prestar o serviço.

4. Disponibilidade de profissionais das áreas de tecnologia responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção da infraestrutura de TM.

5. Sistematização do processo de teleassistência com desenvolvimento de protocolos de dados clínicos.

6. Estruturação de segurança, qualidade e sigilo dos dados e serviços oferecidos por meio da TM. Tendo por base estas características, podemos dizer que a Telemedicina não é uma atividade exclusivamente médica, mas é o resultado da união de profissionais de saúde e de tecnologia, formando uma importante sinergia para o desenvolvimento de atividades que visam promover a saúde.

Nesta última década, a Telemedicina deu um grande salto, devido à melhoria das tecnologias de eletrônica, informática e telecomunicação. Estas melhorias contribuíram para que a TM obtivesse maior qualidade funcional e concomitante redução de custos. Vários países vêm tendo expressivo crescimento sustentado no uso da Telemedicina.

Entre eles podemos citar os EUA, países escandinavos, Canadá, Austrália, entre outros. Além da Nasa e das Forças Armadas Americanas, a conexão entre a Groelândia e a Dinamarca para obtenção de serviços de saúde é um exemplo da incorporação da Telemedicina na prática médica diária.

Diversos fatores estão envolvidos na consolidação da Telemedicina nestes países. Além do aspecto tecnológico e da capacitação humana, fatores como a regulamentação jurídica e questões relacionadas com reembolso foram e estão sendo importantes para definir a sustentabilidade da TM. Do ponto de vista tecnológico, podemos agrupar a TM em três grandes conjuntos:

(1) em instituições que usam tecnologias de ponta, nas quais são utilizados modernos recursos que envolvem telemonitoragem, teleconferência, biometria e telerrobótica;
(2) em instituições que empregam média tecnologia. No caso do Brasil, poderíamos exemplificar o acesso à Internet de banda larga sob o ponto de vista de telecomunicação;

(3) em instituições que usam as tecnologias de larga abrangência, acessíveis por grande parte da sociedade na região na qual está sendo implementada a TM. Embora, durante a segunda metade da década de 90, a teleconferência tenha sido adotada como importante recurso para prover a TM nos países desenvolvidos (EUA, Europa Ocidental, Austrália, entre outros), diversos trabalhos publicados a partir de 1999 têm abordado o uso da web e de tecnologias mais simples (e-mail) para fins de interconsulta médica e capacitação de médicos generalistas. Estes fatos demonstram o grande potencial da Internet.

Devido à heterogeneidade nos aspectos social, econômico, de saúde e estrutura de telecomunicação, é de se pressupor que, no Brasil, a Telemedicina de baixo custo baseada na Internet poderá ser a melhor alternativa e ter a maior rapidez de implementação. Quando aplicada em escala nacional, a Telemedicina de larga abrangência é uma forma eficiente para universalização da promoção da saúde.

Algumas considerações

Sob o ponto de vista de atuação, podemos agrupar a TM em três grandes conjuntos:

1. Teleducação – desenvolvimento de programas educacionais baseados em tecnologia para atualização profissional, treinamento de profissionais nãomédicos, informação e motivação da população geral para prevenção de doenças (apoio a campanhas de saúde e ao Programa de Saúde da Família), bem como para atividades de graduação e pós-graduação em medicina e ciências da saúde.

2. Teleassistência/Vigilância Epidemiológica – desenvolvimento de atividades para disponibilizar segunda opinião a distância para, por exemplo, as unidades de atendimento básico, primário ou secundário; a realização de triagens de pacientes a distância; o apoio ao diagnóstico e tomada de decisão. Sistemas podem ser desenvolvidos para permitir a associação das atividades assistenciais com base de dados para gestão de informação e acompanhamento epidemiológico.

3. Pesquisa Multicêntrica/ Comunidades Virtuais: integração de diversos centros de pesquisa, permitindo a otimização de tempo e custos por meio do compartilhamento de dados e padronização de formas de estudo.

A Telemedicina, mais do que um recurso tecnológico para proporcionar atividades a distância, adquire efetividade quando está associada a um plano estratégico de saúde e vinculada a um processo de logística de distribuição de serviços de saúde. A vinculação da TM com estratégiasestá na necessidade dela estar inserida dentro de um plano global de ação, considerando-se fatores como tempo (momento) e espaço (local geográfico).

Isso significa que deve haver uma contextualização da Telemedicina ao momento que a região na qual será implantada está atravessando e às características geográficas desta região. Inserir a Telemedicina numa estratégia significa colocá-la numa posição exclusiva e valiosa, envolvendo um variado conjunto de atividades. Deve haver o reconhecimento de que a estratégia influencia e é influenciada pela ação de outros fatores ao longo do tempo. Portanto, deve estar em constante avaliação e adequação.

O termo logística foi empregado na área militar para designar estratégias de abastecimento de seus exércitos nos fronts de guerra, com o intuito de que nada lhes faltassem. A Telemedicina deve levar em consideração, de um modo figurado, este aspecto, pois ocorrerão situações em que a TM por si só será apenas uma etapa intermediária para solucionar um determinado problema, necessitando adicionalmente de uma logística que possa prover ao público- alvo acesso a serviços de saúde, para a solução definitiva.

Exemplo: encaminhamento dos pacientes para serviços médicos especializados e/ou hospitais ou necessidade de entrega de materiais e medicamentos para os locais atendidos. Não é possível simplesmente importar a Telemedicina e aplicá-la.

Quaisquer ações de Telemedicina necessitam de adequação, treinamento da equipe de recursos humanos, logística de acesso a serviços de saúde, entre outras atividades. Estes aspectos mostram a necessidade de se agregar conceitos adicionais para as características atuais da TM. A aplicação e efetiva implantação da Telemedicina deve acontecer com uma avaliação criteriosa dos diversos fatores que podem agregar valor a uma determinada atividade. Caso contrário, a Telemedicina dificilmente encontrará suporte funcional a médio e longo prazo.

A integração entre a estratégia e logística permitirá a aplicação eficiente da Telemedicina na prática diária. A Telemedicina pode ser vista como estratégia de logística para promover o bem estar e/ou melhoria de processos por meio do uso de tecnologias de informática e telecomunicação . Atualmente, diversos recursos permitem viabilizar a Telemedicina de baixo custo. No Brasil já existem redes de telecomunicação que poderiam ser interconectadas para facilitar as ações.

São exemplos a RNP, RUTE, SIVAM/SIPAM, redes governamentais estaduais, Rede Giga, entre outras. As linhas digitais, linhas DSL, TV a cabo e outras infra-estruturas de telecomunicação podem formar uma capilaridade de comunicação para efetiva implantação da Telemedicina. Por outro lado, a atual difusão e popularização das videoconferências com equipamentos dedicados permitirá que os importantes centros hospitalares do Brasil possam conectarse entre si por uma Telemedicina de alta performance e on-line .

Cada centro poderá cobrir as unidades básicas de saúde da sua região por meio da Telemedicina de médio e baixo custo, aumentando seu raio de ação e organizando o processo de atendimento médico segundo a complexidade. Esta é a proposta do Projeto Estação Digital Médica – Estratégia de Implantação e Ampliação de Telemedicina no Brasil , desenvolvido por um grupo formado por 9 instituições (Faculdade de Medicina da USP, Faculdade de Medicina da UFMG, Faculdade de Saúde Pública da USP, Instituto de Biofísica da UFRJ, Faculdade de Odontologia da USP/ Bauru - FOB, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, IEP do Hospital Sírio-Libanês, Universidade do Estado do Amazonas - UEA e Instituto Tecnológico de Aeronáutica, sob a coordenação da primeira).

As características importantes deste projeto são: a difusão da Telemedicina, o desenvolvimento de atividades de prevenção de doenças (programas de orientação para a população e treinamento de agentes comunitários de saúde, por meio de vídeos explicativos com uso dos recursos da computação gráfica do Projeto Homem Virtual), e o apoio às comunidades carentes e populações isoladas por meio dos Estágios Universitários Multiprofissionais em sinergia com os Programas de Saúde da Família do Ministério da Saúde, de Atenção Básica e InternatoRural.

Referências:

1. Akker TW, Reker CHM, Knol A, Post J, Wilbrink J, Veen JPW. Teledermatology as a tool for communication between general practitioners and dermatologists. J. Telemed. Telecare 2001; 7:193-98.

2. Barnard CM, Goldyne ME. Evaluation of an asynchronous teleconsultation system for diagnosis of skin cancer and other skin diseases. Telemed. J. e-Health 2000; 6(4):379-84.

3. Bashshur RL, Reardon TG, Shannon GW. Telemedicine: a new health care delivery system. Annu. Rev. Public. Health 2000; 21:613-37.

4. Chao LW, Cestari TF, Bakos L, Oliveira MR, Miot HA, Böhm GM. Evaluation of an Internet-based tedermatology system. J. Telemed. Telecare 2003; 9(S1):9-12.

5. Kuchenbecker J, Dick HB, Schmitz K. Use of Internet technologies for data acquisition in large clinical trials. Telemed. J. e-Health 2001; 7(1):73-6.

6. Taleb AC, Böhm GM, Avila M, Chao LW. The efficacy of telemedicine for ophthalmology triage by a general practitioner. Journal of Telemedicine and Telecare , 2005; 11:S1:83-85.


TELEMEDICINA NA AMAZÔNIA: SOLUÇÃO
PARA O ISOLAMENTO DE COMUNIDADES E PROFISSIONAIS

Fonte: Faculdade de Medicina da Disciplina de Telemedicina da USP / Volume 2 / Número 1 / Abril /Maio 06

Viabilizar a integração regional para promover mais do que saúde: melhoria da qualidade de vida das pessoas que moram na Amazônia. Este é o objetivo do Pólo de Telemedicina da Amazônia , iniciativa da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Universidade de São Paulo (Disciplina de Telemedicina – FMUSP), com o apoio do Conselho Federal de Medicina e sob coordenação dos professores Pedro Elias de Souza e Cleinaldo Costa (ambos da UEA) e Chao Lung Wen (FMUSP).

A idéia é utilizar as tecnologias disponíveis para conexão entre hospitais, postos de saúde, bases das forças armadas, universidades, escolas e outras entidades na Amazônia, superando as distâncias e barreiras físicas. “Esta rede de comunicação é essencial para levar assistência e educação em saúde às comunidades isoladas, às quais o acesso aos serviços médicos somente é possível com extensas viagens de barco ou avião”, explica o Prof. Cleinaldo Costa. “A Telemedicina nos permite prestar uma assistência de maior qualidade aos nossos pacientes, sem perder o senso de humanidade”, complementa o Prof. Pedro Elias de Souza. Além da integração regional entre entidades governamentais e instituições públicas e privadas de saúde, o Pólo de Telemedicina da Amazônia visa a troca de experiências com os outros estados. “As universidades do Amazonas desenvolvem importantes trabalhos assistenciais e de pesquisa sobre doenças tropicais. É fundamental que este conhecimento seja transmitido a profissionais das demais regiões brasileiras, para o desenvolvimento de trabalhos cooperados”, ressalta o Prof. Dr. Chao Lung Wen, coordenador da Disciplina de Telemedicina da FMUSP.

Atuação

Criado em dezembro de 2004, o Pólo de Telemedicina da Amazônia desenvolve importantes trabalhos na região. A Liga de Telemedicina reúne cerca de 120 estudantes da UEA, Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade Nilton Lins, em atividades de pesquisa e aplicação de projetos de educação e prevenção. A educação médica continuada a distância vem permitindo a atualização dos profissionais em temas relevantes para a região, como Patologia e Traumatologia. E a Telemedicina começa a fazer parte dos internatos rurais da UEA e UFAM, para emprego da tecnologia pelos estudantes de medicina, como ferramenta de promoção de saúde, inclusão digital e reinserção social. Todas estas atividades irão expandir-se e consolidar-se pela participação da Universidade do Estado do Amazonas no Projeto Estação Digital Médica – Estratégia de Implementação e Ampliação da Telemedicina no Brasil, coordenado pela Faculdade de Medicina da USP.

Apoio do Sipam

O Sistema de Proteção da Amazônia tem contribuído para o sucesso das ações de teleducação e integração regional do pólo, oferecendo sua infra-estrutura para a realização de videoconferências e transmissão de cursos por videostreaming . É o que acontece nos eventos de Teletrauma, que permitem a 130 cirurgiões de Manaus contato via videoconferência com especialistas da Disciplina de Cirurgia do Trauma da FMUSP, para discussão de casos clínicos e aprendizado por meio de demonstrações cirúrgicas. Outra iniciativa apoiada pelo SIPAM é o curso para médicos generalistas do interior do Amazonas, com transmissões por vídeostreaming para 61 municípios. A Telemedicina é essencial na Amazônia, cujos habitantes, muitas vezes, dependem de longas viagens de barco ou avião para receber assistência médica Antena para transmissão via satélite do SIPAM: infra-estrutura para prover educação e integração na Amazônia.

SAÚDE QUE VEM DE LONGE

Fonte: Universidade de São Paulo

Apesar de muita gente achar que o termo "telemedicina" envolve equipamentos caros e sofisticados, isso não é verdade. Resume-se à troca de informações entre médico e paciente à distância. "Claro que a tecnologia de ponta oferece muitas possibilidades, porém a comunicação pode ser estabelecida por um simples telefonema",explica o matemático Ivan Torres Pisa, que dá aula de pós-graduação sobre o assunto na Escola Paulista de Medicina,UNIFESP.

Para exemplificar,ele cita um projeto para melhorar o suporte e a capacitação dos profissionais de saúde do Parque Indígena do Xingu,onde não há a possibilidade de transmissão por satélite e fica mais fácil passar informações por telefone ou via internet." Os coordenadores do Projeto Xingu se conscientizaram de que esta era a única alternativa para manter os serviços e as ações da UNIFESP no Parque a um custo menor,com melhoria da qualidade, e também permitir a expansão de um modelo de assistência a outras áreas indígenas", diz o engenheiro Paulo Lopes, coordenador técnico do Setor de Telemedicina da UNIFESP.

Paulo e Ivan são exemplos de profissionais formados na área de exatas que trabalham lado a lado com médicos, enfermeiros e outros da turma de biológicas com um mesmo objetivo: lutar contra doenças e aliviar seus sintomas da forma mais dinâmica possível e, principalmente, unindo especialistas e descobertas de várias partes do planeta. Hospitais sofisticados em São Paulo contam com a telemedicina para, por exemplo, ouvir a chamada "segunda opinião", vinda de instituições médicas de outros países. As Home Cares , empresas que prestam serviço médico e de enfermagem a pacientes em suas casas, são hoje as grandes usuárias dos avanços tecnológicos proporcionados pela telemedicina, monitorando,à distância,tudo o que acontece com o enfermo. Mas a perspectiva mais apaixonante da telemedicina é o que ela pode trazer aos que nunca tiveram acesso a nada disso.

No início deste novo milênio, aconteceu a primeira iniciativa concreta no Brasil no sentido de realizar tratamento à distância,beneficiando pessoas em um lugar sem estrutura para tanto: crianças com câncer que vivem em Rondônia. Como 80% dos tratamentos em crianças e adolescentes eram bem-sucedidos nos grandes centros, enquanto nas regiões periféricas o número caía para 20%, vários profissionais de saúde e da área de informática, com apoio governamental e de empresas privadas,uniram-se para criar um trabalho pioneiro na América Latina, envolvendo a UNIFESP, a Escola Politécnica da USP, a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica e o Instituto EduMed, de Campinas.

Com isso pôde-se juntar profissionais do Hospital de Base de Porto Velho, na pital de Rondônia, e do Saint Jude Children Research Hospital Memphis, no Tennessee, EUA. A coordenação médica do projeto ficou a cargo do professor de pediatria Yassuhiko Okay, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas-SP, e a parte técnica foi encabeçada pelo professor Marcelo Zuffo, livre docente e pesquisador do Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da USP.

Rondônia foi escolhida pelo grande número de casos de câncer pediátrico, constatado pelo Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, e cujos pacientes se deslocavam para o atendimento em São Paulo. "Em algumas cidades, o próprio sistema de saúde financia a saída do paciente em busca de tratamento", afirma Ivan Pisa.Assim, a transmissão de orientação à distância, além de poupar esforço de locomoção a quem passa por um momento difícil, pode representar uma forma menos onerosa ao Estado e às pessoas envolvidas.

"A palavra mágica quando se fala em telemedicina é a padronização,um serviço igual para todos. Para isso deveriam existir protocolos de tratamento, por exemplo. Hoje, a diferença não é a qualificação do profissional, mas a falta de equipamento e a falta de acesso a padrões com taxa maior de sucesso", enfatiza Ivan Pisa. Essa ferramenta pode ser a solução para unificar o atendimento público em todo o país. Apesar de tantas possibilidades, é importante sempre dizer: a telemedicina não pretende substituir o médico,mas ajudá-lo em sua missão.

A hematologista e oncologista pediátrica Adriana Seber, chefe do Centro de Transplante de Medula- Óssea do GRAACC, Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer,acredita que a telemedicina tende a auxiliar cada vez mais pessoas, criando uma verdadeira rede de informações entre especialistas de todo o mundo. "No transplante, assistimos a várias aulas e reuniões científicas pelo site www.cure4kids.org . É um serviço gratuito e de excelente qualidade. Com o uso da telemedicina, especialistas ao redor de todo o mundo podem dividir seu conhecimento, experiências e dúvidas", elogia a Dra.Adriana.
São inúmeras as possibilidades trazidas pela telemedicina: tratar, estudar, formar juntas médicas.A cada avanço tecnológico, aumentam as possibilidades de tratamento. Num mundo sem fronteiras para a comunicação, é fácil deduzir que todos sairão ganhando com a troca de informações: estudantes, médicos, enfermeiros, pacientes e pessoas que prestam e recebem serviços ligados à saúde.

Um ponto vulnerável, segundo Ivan, é que muitos projetos em telemedicina começam com dinheiro vindo do governo e, quando os recursos acabam, os projetos não têm como continuar. Isso acontece porque universidades e grupos envolvidos não possuem visão de negócio, diferente de hospitais particulares ou clínicas de home care . Mas, sem dúvida, a tecnologia promete democratizar o alívio para pacientes oncológicos de regiões periféricas do país, assim como garantir sossego a pessoas atendidas em suas próprias casas.



DOMICÍLIO VIRTUAL DO PACIENTE

Fonte: American Home Care Association

A prática do Home Care ganhará grandes aliados na tecnologia.  A utilização conjunta das inovações tecnológicas da medicina com as da telemática promoverá o monitoramento à distância dos sinais vitais do paciente "hospitalizado" em sua residência; além disso, médico e paciente poderão se comunicar através de um “chip” incrustado no próprio paciente, ou de um televídeo sempre que necessário.

Neste sistema a enfermeira estaria capacitada a tirar o eletrocardiograma de um paciente com dor no peito, transmiti-lo por um sistema telemático ao seu médico, que o medicaria da maneira mais conveniente. Esta prática vai evoluir e crescer de forma intensa nos próximos anos; é mais barata, favorece uma recuperação mais rápida, pode atender locais distantes e com infra-estrutura médica precária - o que no Brasil seria uma maneira de suprir a deficiência e tenderia a  solucionar os problemas provenientes da carência de bons médicos no interior.

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MINAS GERAIS LANÇA PROJETO PIONEIRO DE TELECARDIOLOGIA

A Secretaria de Estado de Saúde, Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia; por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e o Ministério da Ciência e Tecnologia lançaram, recentemente, na Faculdade de Medicina da UFMG, o sistema de Telemedicina no atendimento aos pacientes portadores de doenças cardiovasculares no Estado de Minas Gerais.

Telemedicina é a oferta dos serviços de saúde nos casos em que a distância é um fator preponderante. São usadas tecnologias de informação e comunicação para intercâmbio de dados que ajudarão no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças. O instrumento pode ser usado, também, para a educação de prestadores de serviço em saúde, assim como para fins de pesquisa científica.

O Projeto será implantado em cinco pilotos contemplando o atendimento de 84 municípios com menos de 10.000 habitantes e com mais de 70% de cobertura do Programa Saúde da Família.

O secretário de Estado de Saúde, Marcus Pestana; o secretário Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Olavo Bilac Pinto Neto; o presidente da Fapemig, José Geraldo Drumond; o deputado Federal, Nárcio Rodrigues, prefeitos e secretários municipais de saúde dos municípios participantes, além de representantes de universidades e instituições públicas de ensino superior estiveram presentes no evento.

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TELE - HOME CARE: A ONDA DO FUTURO

Por: Mary Beth Hardiman, By Mary Beth Hardiman, R.N., C.D.E., Community Health Nurse, Visiting Nurse Association of Greater Philadelphia, Philadelphia, Pennsylvania, publicada com a permissão da Home Health Care Focus – Estados Unidos.

“Caro senhor Smith, o senhor me parece muito bem hoje. Gostaria de verificar sua pressão sanguínea, pulsação e escutar seu batimento cardíaco e pulmões”. Nada de extraordinário na rotina diária de uma enfermeira de home care, não é? Mas suponhamos que o senhor Smith está a mais de 200 km de distância. Bem-vindo ao mundo da Tele home care.

A Visiting Nurse Association da Grande Filadélfia, a American TeleCare Inc. e a Universidade do estado da Pensilvânia estão conduzindo um experimento clínico de tele home care com pessoas com diabetes. Pacientes elegíveis são aleatoriamente assinalados para ter o equipamento de tele-vídeo em casa até o término da assistência de home care ou por um período de seis dias, enquanto o grupo de comparação recebe o serviço de home care comum e rotineiro. O propósito deste projeto é avaliar os efeitos do tele home care sobre a qualidade do serviço de home care e seus respectivos custos financeiros.

A tecnologia de tele - home care tem a capacidade de permitir enfermeira e paciente de ver e ouvir um ao outro. As enfermeiras usam tal equipamento para terem acesso as condições físicas e emocionais de seus pacientes, transmitir novas informações, reforças informações e instruções anteriores e observar o retorno dos novos procedimentos ensinados. Os pacientes recebem, em média, duas a três “vídeo-visitas” por semana além das visitas regularmente já feitas.

Tal tecnologia de fácil manuseio pode ser utilizada com, praticamente, qualquer paciente. Faz-se necessário apenas uma linha telefônica, energia elétrica e um mínimo de destreza para ativar o sistema pressionando um simples botão. Este dispositivo, também chamado de “estação do paciente”, vem equipado com uma bolsa inflável para medição de pressão arterial e um estetoscópio - ambos auxiliam a enfermeira a analisar a condição cardio-pulmonar do paciente. Câmeras fazem com que a enfermeira possa acompanhar se o paciente está administrando corretamente sua injeção de insulina, se o paciente está conduzindo corretamente o teste de glicose e também se os progressos das possíveis feridas que do paciente. Tal dispositivo é de grande ajuda ao paciente – especialmente aqueles com dificuldades visuais – pois permitem que o profissional de saúde aja como um guia a distância durante os procedimentos.

A “estação do paciente” inclui uma tela, uma câmera, caixas de som com microfone e dispositivo para ouvir coração e pulmões do paciente. Igualmente, fotografias podem ser feitas para documentar o processo de recuperação de feridas. O peso, a quantidade de açúcar no sangue e outros sinais vitais podem ser acompanhados por construção de gráficos.

O tele - home care possibilita um melhor suporte emocional ao paciente. Funciona também como meio de motivação, avaliação e triagem. É claro, Tudo isso feito de modo melhor que por telefone. Quanto a capacitação do paciente, alguns demonstraram interessados apenas nas instruções básicas e outros de se demonstraram interessados em entender todo o processo a fundo.

Notavelmente, muitos pacientes se preparam muito antes de suas “vídeo-visitas”. Alguns escolhem com muito cuidado suas roupas, outros capricham no penteado e visual – tudo para melhor o “look” no vídeo. Além de contribuir para tais cuidados pessoais, o dispositivo também interage melhor com o paciente que por sua vez tende a assumir um papel mais ativo no seu tratamento.

A maioria dos pacientes declararam-se satisfeitos com o dispositivo de tele - home care – muitas vezes expressando o desejo de ter o equipamento por mais tempo em suas casas. Outros foram mais além, demonstraram-se interessados por adquirir tal dispositivo.

No caso das enfermeiras, estas aprenderam que para ser parte de um time de tele - home care de sucesso, a enfermeira deve ser flexível e estar disposta a encarar o avanço da tecnologia. O tele - home care dá a oportunidade de se acompanhar com detalhe pacientes quando as visitas presenciais não são necessárias, cabíveis ou economicamente viáveis. A visita em vídeo permite contatos cara-à-cara que melhoram todo o processo de comunicação e relação enfermeira-paciente. Os pacientes apreciam este momento de total atenção a eles e, por sua vez, as enfermeiras acreditam que o tele - home care ajuda na transmissão de informações importantes em ambas as direções.

Alguns planos futuros são a instalação de acesso a internet - o que permitirá que informações adicionais sejam baixadas pelo paciente - integração de glucômentros e promoção do uso de tal equipamento por diferentes grupos de pacientes. Além disso, os resultados da pesquisa serão utilizados para abordar seguradores sobre questões relativas ao reembolso por vídeo-visitas.

As possibilidades desta “tecnologia cada vez melhor” parecem inesgotáveis. Com o tele home care, enfermeiras podem, com certeza, contar com mais uma ferramenta para atender as necessidades de seus pacientes.

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TECNOLOGIA ADAPTADA AO HOME CARE

Fonte : HCPconsult - www.homecareplus.com.br/hcpconsult/100.htm

A tecnologia interativa de IPTV está permitindo que os pacientes se envolvam ativamente no monitoramento de seu estado de saúde a partir de seus lares.

Uma recente inovação em IT está ajudando a levar os tratamentos de saúde do hospital para casa. O sistema, chamado Motiva, usa tecnologia de banda larga segura para conectar o paciente no conforto de seu próprio lar a sua instituição hospitalar.

O objetivo é motivar a mudança de comportamento dos pacientes de forma que estes sigam as orientações médicas, comam corretamente e pratiquem mais exercícios. O Motiva tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida de portadores de doenças crônicas ao mesmo tempo em que ajuda a reduzir os custos do tratamento de tais doenças.

Os sinais vitais são registrados pelo próprio paciente por meio de instrumentos sem fio em casa. Depois disso, os dados são enviados através de uma transmissão segura à instituição hospitalar do paciente para análise. Um enfermeiro poderá, então, enviar como resposta desde material educacional ou feedback personalizado até mensagens de motivação. Tudo isso é feito através de seu aparelho de televisão. O sistema é muito fácil de usar, além de permitir que os pacientes o utilizem com a mesma facilidade com que eles usam o controle remoto de suas televisões, deixando de lado a internet e o próprio computador, que poderiam inibir ou desencorajar o uso por alguns usuários.

Um estudo recente com portadores de insuficiência cardíaca congestiva feito pela Royal Philips Electronics constatou que há uma ampla aceitação da plataforma do monitoramento do estado de saúde interativo baseado em TV. Estas são algumas das conclusões do estudo:

 

  • Ampla aceitação por parte dos pacientes do uso de uma TV para obter informações personalizadas sobre sua saúde;

  • Os pacientes acharam a interface do televisor fácil de usar e que ela os ajudou a estabelecer uma rotina diária efetiva;

  • Os pacientes gostaram de receber um feedback diário sobre seus sinais vitais e vídeos educacionais a respeito de como fazer um melhor acompanhamento de sua doença;

  • O médico e os enfermeiros sentiram que o sistema melhorou a comunicação deles com os pacientes e fez com que eles ficassem mais conscientes da evolução do estado de saúde do paciente.

Esta nova tecnologia pode permitir ao paciente ter mais controle de seu estado de saúde através da aferição de seus sinais vitais a partir de casa. O benefício adicional é sua capacidade de reduzir os custos com o tratamento de doenças crônicas ao diminuir o número de internações hospitalares repetidas e ao permitir que os médicos tenham um contato melhor com os pacientes depois que eles deixam o hospital.

Estudos feitos nos Estados Unidos constatam que pacientes com doenças crônicas aprovam a plataforma de tratamento de saúde interativo pela TV. "O novo sistema me motivou a fazer a coisa certa", disse Bobby DiSipio, um paciente que participou no estudo. "Através de gráficos personalizados e vídeos educacionais que me foram enviados através da televisão pelo meu enfermeiro, aprendi como cuidar melhor da minha saúde... Foi fácil aprender que, melhorando meu estilo de vida me ajudaria a ficar mais saudável. Eu sinto que agora tenho mais controle".

Tais resultados positivos motivam equipes do outro lado do Atlântico. Estudo clínicos europeus esperam validar ainda mais o conceito da Tecnologia aplicada à Saúde.

Para melhor quantificar o impacto da novidade na qualidade geral do tratamento, a empresa Philips junto com a Achmea, uma das maiores seguradoras de saúde da Holanda, anunciaram planos para um estudo clínico em larga escala, projetado para avaliar tanto ganhos clínicos como financeiros: hospitalizações, qualidade de vida, taxas de mortalidade e utilização. Tal estudo piloto de 12 meses irá testar a viabilidade do uso da plataforma Motiva da Philips em uma população aleatória de 630 pacientes com insuficiência cardíaca crônica de 8 hospitais na região de Roterdã, na Holanda.

Jay Mazelsky, gerente geral da unidade de novos negócios da divisão de Sistemas Médicos da Philips, explicou as implicações deste piloto no tratamento de doenças crônicas: "De acordo com o Relatório Mundial de Saúde de 2005, as doenças crônicas representam 85% das mortes e 70% dos custos com assistência médica na Europa. Este piloto marca apenas o começo de como a assistência médica poderia ser conduzida e administrada".

O Prof. Dr. Guus van Montfort, Diretor de Assistência Médica da Achmea, vê esta abordagem sobre o tratamento de doenças como um passo inovador em relação ao serviço prestado aos seus mais de 2,9 milhões de clientes. “Através da combinação dos benefícios de monitoramento remoto com um sistema interativo que fornece informações personalizadas ao pacientes, nós sentimos que podemos ajudar a promover um comportamento mais saudável e a melhorar a qualidade de vida de nossos pacientes. Na Europa, estudos mostraram que o monitoramento através do aparelho de TV pode gerar economias muito importantes para o setor de assistência médica. Nós esperamos que a tecnologia seja capaz de melhorar a eficiência dos serviços de tratamento de doenças já oferecidos”.

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MANTENHA-SE INFORMADO E SAÚDAVEL, EM CASA

Fonte : HCPconsult - www.homecareplus.com.br/hcpconsult/100.htm

Ninguém gosta de recorrer aos serviços de urgência. Por isso, porque não cortar os problemas médicos pela raiz?

Nós da HomeCarePlus acreditamos que, colocando informações e ferramentas de utilização fácil à disposição dos todos, poderemos manter a população mais saudável e evitar que as visitas desnecessárias ao hospital ocorram.

Felizmente, novos desenvolvimentos da medicina tornam possível tratar algumas doenças outrora graves como se fossem estados de saúde crônicos. No entanto, os custos inerentes a este processo são astronômicos. Estudos realizados pela consultoria HCPconsult indicam que só nos Estados Unidos, mais de 70% das despesas com os cuidados de saúde é direcionado ao tratamento de doenças crônicas. Com ajuda da informação, Internet e tecnologia, este cenário pode ser alterado. E os próprios doentes podem ser os instrumentos no centro dessa mudança.

Imagine o que tais inovações podem fazer:

  • Dispositivos biométricos de rastreio portáteis que monitoram o coração e fornecem informações sobre fatores de risco relevantes para a prevenção de doenças cardiovasculares.
  • Sistemas domésticos de comunicação interativa que ligam paciente-prestador de cuidados – proporcionando ao paciente uma melhor formação e orientação.

Não é ficção, é realidade

Estes conceitos não se limitam as histórias de ficção científica e aos granes gurus da tecnologia. Aspectos da vida quotidiana que estavam significativamente separados estão agora cada vez mais próximos. Estilos de vida, cuidados de saúde e tecnologia reúnem-se numa nova realidade: a telemedicina.

A tecnologia pode e deve ser utilizada para tratamentos e monitoramentos mais eficazes. Os pacientes podem utilizar dispositivos wireless domésticos de monitoramento para medirem seus sinais vitais diariamente - tais como peso, freqüência cardíaca e pressão arterial. Além disso, podem, também, responder a pequenos questionários sobre a sua saúde. Toda a informação fornecida é enviada ao prestador de cuidados de saúde que intervém, caso seja necessário.

A HCPconsult acompanha estudos que medem esta tendência. Muitos destes indicam que telemonitorização em casa pode reduzir as taxas de mortalidade, reduzir os períodos de internamento nos hospitais e diminuir as despesas médicas dos doentes com problemas de coração.

Atualmente, nos Estados Unidos, estão sendo desenvolvidos testes sobre uma nova geração de produtos de telemedicina. Por exemplo, uma plataforma de comunicação especial para home care, com funcionamento através de IPTV (Internet Protocol Television).

Através de infra-estruturas de banda larga existentes, este novo tipo de televisão vai introduzir os serviços de saúde no interior de cada casa.

Tais IPTVs ligadas à saúde funcionarão como “orientadores virtuais de saúde” para muitos doentes crônicos, oferecendo acesso a informação personalizada relativa aos cuidados de saúde, como:

Mensagens motivacionais destinadas a ajudá-los a manter uma dieta equilibrada e a promover o exercício físico.

Lembretes recordando-lhes que devem tomar a medicação e acompanhar os progressos detectados.

Através de tais tecnologias de utilização fácil e acesso diário, os doentes receberão um reforço positivo de enfermeiros e médicos, estes por sua vez poderão recorrer a ferramentas de auto-gestão e também se comunicar com familiares do paciente.

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DE OLHO NO TELEFONE: PODEROSO INSTRUMENTO MÉDICO

Por: Paul Wenske
Adaptação: Jorge De Rosa - HCP

Uma paciente de cuidado intensivo permanece atenta ao se examinar. “Diga-me sobre estas dores que você sente no peito” – o médico pergunta a paciente. A paciente coloca a mão sobre o lado esquerdo do peito e diz: “Bem aqui... É aqui que me incomoda a dor...”.

Uma atividade um tanto rotineira – exceto que a paciente e o médico estão à 40 quilômetros afastados um do outro.

O sistema futurístico de monitoramento eICU é a última dentro de um processo de revolução médica que utiliza tecnologias de banda larga – redes land-based e sem fios que permitem um fluxo continuo de dados, voz e vídeo em altíssima velocidade.

Inovações médicas incluem relógios de pulso que monitoram batimentos cardíacos, telefones celulares com dispositivos que furam a ponta do dedo do paciente diabético e enviam informações para o médico e pisos com sensores que podem identificar se o caminhar um pouco trêmulo de um paciente idoso seria o início da doença de Parkinson.

Muitos interessados em acelerar o uso de tais tecnologias dizem que esta não apenas facilitarão o acesso das pessoas ao health care, mas também melhorarão os tratamentos já existentes e diminuirão custos.

“A promessa de melhoria de qualidade na conveniência do paciente e no cuidado será enorme” – diz Steven Findlay, analista de health-care do Sindicato dos Consumidores norte-americano.

Em um relatório publicado mês passado, Robert Litan, também do Sindicato dos Consumidores dos EUA, acredita que ao expandir a telemedicina a hospitais, consultórios médicos, centros de enfermagem e lares a redução de custos médicos pode chegar à casa de bilhões de dólares nos próximos 25 anos. Além disso, a expansão da telemedicina pode também melhorar muito a qualidade de vida dos idosos – dando a muitos destes a possibilidade de permanecerem ativos na força de trabalho.

Desde janeiro de 2005 o sistema de saúde de St. Luke, em Kansas City, vem utilizando uma rede de banda larga para monitorar 66 unidades de cuidados intensivos de três hospitais – permitindo especialistas de providenciar cuidados à beira do leito dos pacientes e responder à emergências sem a necessidade de estar no quarto do paciente. Tal sistema será expandido para um quarto hospital em St. Luke no próximo mês.

Jennifer Ball – diretora do sitema eICU de St. Luke – diz que ainda é muito cedo para se dizer se o sistema representa uma forte economia. Ball acredita que é possível de se afirmar que a grande contribuição do sistema, até o momento presente, é a possibilidade de se fornecer um constante e intensivo monitoramento dos pacientes – tal fato já foi demonstrado em estudos sobre a melhoria da qualidade dos cuidados a pacientes.

O médico que acessa o sistema tem a possibilidade de consultar uma série de gráficos e fichas do paciente e pode também examinar com mais precisão o paciente através de uma câmera de vídeo – deixando pra trás as atuais práticas por telefone.

“Eles [os médicos] tem como objetivo intervir mais cedo e prevenir ulteriores complicações. Todo o restante do cuidado continua ao lado do paciente com presença física de enfermeiros e outros profissionais. A telemedicina é uma melhoria... Um verdadeiro plus aos cuidados já existentes.” – diz Jennifer Ball.

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